Funcionária da CBF apresenta denúncia de assédio sexual e moral contra Rogério Caboclo

Documento protocolado na entidade detalha comportamentos abusivos. Segundo texto, Caboclo tentou forçar funcionária a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela” Por Gabriela Moreira e Martín Fernandez — Globo Esporte O presidente da CBF, Rogério Caboclo, foi formalmente acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. A denúncia foi protocolada no início da tarde desta sexta-feira na Comissão de Ética da CBF e a Diretoria de Governança e Conformidade. Os abusos teriam ocorrido contra uma funcionária, autora da denúncia, que detalhou episódios vividos por ela desde abril do ano passado. No documento, ela afirma ter provas de todos os fatos narrados e pede que o dirigente seja investigado e punido com o afastamento da entidade e, também, pela Justiça Estadual. Gabriela Moreira e Martín Fernandez comentam denúncia de assédio sexual de funcionária da CBF contra Rogério Caboclo Entre os fatos narrados pela funcionária estão constrangimentos sofridos por ela em viagens e reuniões com o presidente e na presença de diretores da CBF. Na denúncia, a funcionária detalha o dia em que o dirigente, após sucessivos comportamentos abusivos, perguntou se ela se “masturbava”. Entre outros episódios de extrema gravidade, segundo a funcionária, Caboclo tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”. Procurado pela reportagem, Rogério Caboclo respondeu através de seus advogados. – A defesa de Rogério Caboclo responde que ele nunca cometeu nenhum tipo de assédio. E vai provar isso na investigação da Comissão de Ética da CBF. Rogério Caboclo é acusado de assédio sexual por funcionária da CBF — Foto: Reprodução/Rede Amazônica A funcionária afirma ainda que ela teve sua vida pessoal exposta diante de outros funcionários, com narrativas falsas criadas pelo presidente acerca de supostos relacionamentos que teria tido no âmbito da CBF. Parte destes episódios, de acordo com a manifestação da funcionária, aconteceu em reuniões que tinham a presença de todos os diretores da entidade. A denúncia diz ainda que os abusos eram de conhecimento de outros diretores. – Tenho passado por um momento muito difícil nos últimos dias. Inclusive com tratamento médico. De fato, hoje apresentei uma denúncia ao Comitê de Ética do Futebol Brasileiro e à Diretoria de Governança e Conformidade, para que medidas administrativas sejam tomadas – disse ao ge a funcionária, que não terá seu nome revelado por proteção à vítima. Segundo afirma a funcionária na denúncia, durante todo o período em que os abusos ocorreram, o presidente estava sob efeito de álcool. No documento, ela relata pedidos de Caboclo para que ela escondesse bebidas em lugares previamente combinados, para que o dirigente pudesse beber ao longo do expediente. O documento foi enviado por e-mail ao presidente da Comissão de Ética e ao diretor André Megale, responsável pela Governança e Conformidade. Esta diretoria faz parte da estrutura da CBF, enquanto a Comissão de Ética é um órgão que deve ser independente da entidade. Crise na entidade Embora a denúncia tenha sido oficializada nesta sexta, o assunto já era de conhecimento de todos os diretores e vice-presidentes da CBF há pelo menos um mês e meio, quando a funcionária, que faz parte do time de cerimonialistas da entidade, relatou para colegas e superiores que vinha sendo assediada pelo presidente. No dia 12 de maio, a ESPN e o ge publicaram que Caboclo enfrentava uma crise interna que podia encerrar seu mandato. Entretanto, nada foi feito em relação ao tema, uma vez que o relato não havia sido formalizado. A reportagem apurou que no mesmo dia em que informou sobre o caso, a funcionária também mostrou a pessoas próximas algumas das provas que tinha, mas preferiu não formalizar a queixa. No mesmo dia em que relatou os abusos, a cerimonialista pediu afastamento de suas atividades por motivos de saúde. Considerada de perfil discreto e reservado, a funcionária está na CBF desde 2012. Foi contratada para trabalhar na recepção e, posteriormente, promovida para o setor de cerimonial. Tida como extremamente profissional, ela é querida entre colegas, presidentes de federação e parceiros da entidade que circulam com frequência pelo prédio. Desde que se licenciou, ela tem ficado reclusa e se limitado a falar com seus advogados e familiares. Antes da convocação do dia 14 de maio, Caboclo chegou a reunir a comissão técnica de Tite para dar sua versão dos fatos. Mas o clima de desconfiança entre o presidente e a comissão permanece. Jogadores e Tite se reuniram com Caboclo na quarta-feira — Foto: Lucas Figueiredo/CBF Nesta semana, o dirigente conversou com os jogadores da Seleção sobre a decisão de mudança da sede da Copa América para o Brasil. Atletas mais experientes do elenco externaram a insatisfação por terem descoberto pela imprensa e pelas redes sociais que o Brasil sediará o torneio. Eles também questionaram sobre a possibilidade de a competição não ser realizada. – Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho, externando ao presidente a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador. Na sequência, solicitaram uma conversa direta ao presidente. Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí, a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Depois desses dois jogos, vou externar a minha posição – disse Tite em coletiva na quinta-feira. A Seleção enfrenta o Equador, nesta sexta, às 21h30, em Porto Alegre, pelas eliminatórias para a Copa. Na terça, os comandados de Tite vão encarar o Paraguai, em Assunção. Veja as punições previstas pelo Código de Ética e Conduta da CBF: Art. 21 As violações a este Código pelas pessoas a ele submetidas ou as infrações de quaisquer outras regras e regulamentos da CBF, das Federações, das Ligas e dos Clubes são passíveis de punição, cumulativas ou não, das seguintes sanções: I) Advertência, reservada ou pública; II) Multa, de até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais); III) Prestação de trabalho comunitário; IV) Demissão por justa causa; V) Suspensão, por até 10
Copa América – Conmebol anuncia Brasil como nova sede, após o não da Argentina

Pesou a favor do Brasil a expertise da organização da última Copa América, em 2019 (Conmebol/Divulgação) Entidade diz que recebeu sinal verde do governo Bolsonaro e promete realizar o ‘evento esportivo mais seguro do mundo’ Após anunciar a suspensão da Copa América de 2021, que seria sediada na Argentina, a Conmebol escolheu o Brasil como nova sede da competição. A entidade decidiu tirar a competição do país vizinho devido ao agravamento da pandemia. Pesou a favor do Brasil a expertise da organização da última Copa América, em 2019 (vencida pela Seleção Brasileira). Além disso, outro argumento utilizado foi o fato do país ter mais estádios em boas condições para os jogos das equipes nacionais sul-americanas. A Conmebol fez consulta ao governo federal, que deu sinal verde para o torneio. A entidade agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro e à CBF por “abrir as portas desse país” para o “evento esportivo mais seguro do mundo”, apesar doa altos números de casos e de mortes por Covid-19. O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, revelou que o governo do País deu garantias para a organização do evento. “O presidente (Rogério) Caboclo conversou com o presidente Jair Bolsonaro, que apoiou a iniciativa de imediato, com o aval dos Ministérios da Casa Civil, da Saúde, das Relações Exteriores e da Secretaria Nacional do Esporte”, afirmou Alejandro Domínguez. ¡Brasil recibirá a la CONMEBOL @CopaAmerica 2021! El mejor fútbol del mundo llevará alegría y pasión a millones de sudamericanos. La CONMEBOL agradece al Presidente @jairbolsonaro y su equipo, así como a la Confederación Brasileña de Fútbol @CBF_Futebol, — CONMEBOL.com (@CONMEBOL) May 31, 2021 O dirigente da Conmebol foi além: “O governo brasileiro demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano”, acrescentando que “o Brasil vive um momento de estabilidade”. “O Brasil tem comprovada infraestrutura e experiência acumulada recentemente para organização a competição”, enfatizou Domínguez, lembrando da Copa do Mundo de 2014, dos Jogos Olímpicos de 2016 e também da final da Libertadores, em janeiro. Agora, os dirigentes definem quais estádios serão sede dos jogos Neo Química Arena, Allianz Parque, Maracanã, Beira-Rio, Mineirão e Mané Garrincha estão contados. A ideia e evitar muito deslocamento com as delegações. Brasília deve ser sede de abertura, assim como Arena Pernambuco e Arena das Dunas, em Natal, podem receber jogos. A final seria no Maracanã. A Arena da Amazônia deve ser descartada pela distância. Mudanças de última hora No domingo, a Conmebol decidiu que a competição não seria mais disputada na Argentina, devido ao aumento no número de casos de Covid-19 para as quais o governo local exigia o cumprimento de um protocolo sanitário muito rígido. Há 10 dias, também decidiu cancelar a realização do evento na Colômbia por conta dos distúrbios políticos que levaram a protestos violentos nas últimas semanas, nos quais morreram dezenas de pessoas, e pelo crescimento da pandemia no país. Esta seria a primeira edição deste campeonato a ser realizada em dois países simultaneamente. Em um primeiro momento, o Brasil não era uma opção, por causa da disputa simultânea do Campeonato Brasileiro. Chile, Estados Unidos e até Israel surgiam como alternativas para ‘salvar’ a competição, que via pagar US$ 4 milhões (R$ 20,8 milhões) e mais US$ 10 milhões (R$ 52,2 milhões) para o selecionado campeão. Suspensão A CONMEBOL informa que, em atenção às circunstâncias presentes, resolveu suspender a organização da Copa América na Argentina. A CONMEBOL analisa a oferta de outros países que mostraram interesse em abrigar o torneio continental. Em breve serão anunciadas novidades nesse sentido. — Copa América ???????? (@copaamerica_POR) May 31, 2021 “A Conmebol informa que, em atenção às circunstâncias presentes, resolveu suspender a organização da Copa América na Argentina. A Conmebol analisa a oferta de outros países que mostraram interesse em abrigar o torneio continental”, escreveu o órgão em sua conta do Twitter. Depois da intensificação da pandemia da Covid-19 na Argentina, a Conmebol preferiu suspender o evento esportivo. O começo da Copa América 2021 estava marcado para o dia 13 de junho, com um jogo entre Argentina e Chile. O chefe de gabinete do governo argentino, Santiago Cafiero, explicou nesta segunda-feira que “com tantos casos não poderíamos realizar um evento com estas características”. “A Argentina tinha um compromisso e tentamos sempre sustentá-lo, mas a realidade epidemiológica nos impediu”, disse Cafiero em entrevista coletiva. A Argentina, que tem 45 milhões de habitantes, vive o pior momento da pandemia, com registro de 41.080 infecções na última quinta-feira, atingindo mais de 3,7 milhões de casos positivos e 77 mil mortes desde o surgimento do coronavírus. A taxa de mortalidade é de quase 500 por dia. “Trabalhamos com as autoridades da Conmebol em diferentes possibilidades e cenários. Mas tudo sempre esteve sujeito a algo que ultrapassa a organização do torneio e que tem a ver com o aumento de casos, com a forma como a segunda onda de infecções continua a atingir” destacou Cafiero. Uma pesquisa de opinião pública divulgada na sexta-feira passada revelou que 70% dos argentinos rejeitam a realização da Copa América no país em meio à onda de infecções. Descontentamento A alarmante situação epidemiológica na América Latina também chamou a atenção dos jogadores, que se posicionaram contra o torneio pelo alto índice de infecções. Luis Suárez e Édinson Cavani, os atacantes da seleção uruguaia que estão concentardos com a equipe em Montevidéu, no sábado expressaram que não eram a favor da realização da competição na Argentina. “Estamos em uma situação difícil mundialmente, mas mais ainda na América do Sul nos últimos meses, e a Argentina é um dos países mais complicados. Por isso nos chama a atenção que a Copa América seja realizada em meio a este cenário, mas quando for confirmada devemos participar dela da melhor maneira possível e não pensar na pandemia “, disse Suárez. Já Cavani destacou que “os jogadores não têm voz nem voto, não temos peso em certas coisas”. “Hoje somos nós que temos que ir e colocar a cara para tentar dar alegria às pessoas que estão trancadas em
Funcionária da Nike acusa Neymar de assédio sexual; denúncia teria motivado fim de contrato

Jogador ainda tinha mais oito anos de contrato com a empresa. Pai do atacante diz que Nike faz chantagem e armação Uma funcionária da Nike acusa o Neymar de assédio sexual, ocorrido em 2016. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, publicada nesta quinta-feira (27), o jogador teria tentado forçá-la a fazer sexo oral em um quarto de hotel de Nova York. Ela estava no local a trabalho e fazia a logística para o atacante e a sua comitiva. A funcionária chegou a registrar uma reclamação para a empresa em 2018, relatando o caso para o chefe de recursos humanos e conselho geral. Ainda segundo o jornal norte-americano, a Nike contratou advogados para conduzir uma investigação. A denúncia teria sido o motivo do rompimento do contrato da marca com o jogador do Paris Saint-Germain, em agosto do ano passado. Na época, a empresa não justificou o motivo do rompimento, mas a parceria ainda tinha mais oito anos de duração. “A Nike encerrou seu relacionamento com o atleta porque ele se recusou a cooperar na investigação, após alegações de irregularidades apresentadas por um funcionário”, disse Hilary Krane, conselheiro geral da Nike, em entrevista ao jornal. Neymar nega a acusação. “Neymar Jr. se defenderá vigorosamente contra esses ataques infundados caso alguma reclamação seja apresentada, o que não aconteceu até agora”, disse a assessoria do atleta, que justificou o fim do contrato com a Nike por motivos comerciais. O pai do jogador também se posicionou contra a denúncia. “Como pode sair uma notícia dessa? Concorda comigo? Fomos surpreendidos por algo que aconteceu em 2016, que ninguém lembrava mais desse fato. É muito estranho tudo isso agora. O Neymar nem conhece essa moça, claro que isso partiu da Nike depois da nossa saída”, disse o pai do atleta, em entrevista à Folha de S.Paulo. “Muito estranho, todos saem da Nike e são acusados assim. Muito estranho, isso aconteceu com o Cristiano Ronaldo, com o cara lá do basquete que morreu, o Kobe [Bryant], eles passam a ser denegridos, como o Neymar está sendo acusado falsamente agora. Se a Nike quer chantagem, armação, vamos para cima da Nike então”, completou. Caso Najila Não é a primeira vez que Neymar é acusado de assédio sexual. Em junho de 2019, a modelo Najila Trindade acusou o jogador de estupro em um hotel de Paris. Ele, no entanto, alega que o encontro foi consensual. As autoridades brasileiras retiraram a acusação, alegando falta de provas.
“Paulo Gustavo foi pro inferno” – Chu e o inferno – Por Leandro Lamin

Atletas que ficam longe de suas famílias e muitas vezes vêm da pobreza irreversível encontram na religião de vestiário a paz de que precisam. Isso parece bom, mas quem é o padre ou o pastor? Diante e a despeito do déficit educacional de quem luta contra a miséria e corre pelo futebol (quem é o professor?), quem, afinal, eu ouço? O futebol brasileiro, como reflexo da sociedade em que está inserido, é banhado em um confuso sincretismo religioso. A partir dos anos 80, com os primeiros sinais de um movimento chamado Atletas de Cristo, a fé dentro dos vestiários ganhou mais força e ordenação. Rompeu fronteiras. Silas, um de seus expoentes, levou os Atletas de Cristo nos anos 90 para a Argentina, onde, atuando pelo San Lorenzo, teve até programa próprio de TV para falar sobre essa confraria numerosa de atletas religiosos. No Brasil, fora do futebol, a TV foi inundada pouco a pouco por pastores e outros religiosos de credibilidade duvidosa e charlatões da fé profissionais. Estes, ao se tornarem porta-vozes de interpretações controversas sobre os preceitos bíblicos, criaram gerações de devotos confusos. É onde o Brasil está ‒ queimando terreiros e elegendo prefeitos medievais. No futebol, o apego a um Deus Salvador se baseia em no mínimo duas premissas. Uma delas diz respeito à incerteza que o jogador tem sobre seu futuro. Ele passa a juventude sonhando com um estrelato que não lhe é garantido. São anos de angústia remediada com fé no Altíssimo. Outra versa sobre os exemplos de atletas ricos, famosos e que perderam tudo, supostamente por uma vida sem regras nem uma liderança espiritual. Atletas que ficam longe de suas famílias e muitas vezes vêm da pobreza irreversível encontram na religião de vestiário a paz de que precisam. Isso parece bom, mas quem é o padre ou o pastor? Diante e a despeito do déficit educacional de quem luta contra a miséria e corre pelo futebol (quem é o professor?), quem, afinal, eu ouço? Segunda-feira, em conversa com Paulo Junior, comentamos como oito em cada 10 “músicas do Fantástico”, pedidos de quem faz três gols no domingo, são músicas de culto. Isso está posto, é parte do futebol brasileiro, inclusive em suas distorções ‒ há relatos de estranheza em vestiários pelo Brasil de jogadores de fé “minoritária”. O amparo espiritual nunca seria uma má notícia se não fossem algumas péssimas lideranças. Chu, atacante do Palmeiras, ex-Ferroviária e ex-São José, recentemente convocada para a Seleção Brasileira como ala, se expressou no último domingo de maneira que chocou todo o futebol feminino, em raro caso de manifestação imediata e contrária até de companheiras de equipe. Ela comentou que o ator Paulo Gustavo, assassinado pelo governo do Brasil via Covid, iria para o inferno por ser gay. Ela ouviu isso repetidamente ao longo da vida. Foi condicionada a ter essa interpretação da Bíblia, não alguma outra que proteja os preceitos do amor ou ao menos considere que ela, a Bíblia, foi escrita há 2 mil anos e, portanto, não prevê dinâmicas do mundo contemporâneo. Como você resolveria uma situação dessa? Porque o futebol feminino, ao contrário do masculino, maneja com muita coragem o tema da homossexualidade. Não é um tabu para elas. Ao contrário, é tema que as une e fortalece, que empresta a elas um sentido coletivo muito interessante. Minha cabeça dá um nó tentando entender como é um dia normal na vida de Chu, que trabalha em ambiente com várias companheiras que, para ela, irão para o inferno, impuras e indignas que são, de acordo com o que um padre ou um pastor medieval martelou ‒ e aqui cabe lembrar que Chu, mesmo com qualquer déficit educacional e ainda que tomada pelo fanatismo religioso, é uma mulher adulta e plenamente capaz de, individualmente, ser responsabilizada pelo preconceito terrível que difunde. Sondar a raiz da questão não a isenta de ter sido agressiva e bruta com muita gente. Não muito tempo atrás, o público mais distante do futebol feminino ficou chocado em saber que Marta, a maior de todas, tinha namorada. Pia, técnica da Seleção, que convocou Chu, também tem. Inferno? Vão todas para o inferno encontrar um dia Paulo Gustavo? Que lugar é esse? Esse lugar chamado inferno não é físico. Do ponto de vista material, não existe. Sua existência se dá a partir do que a gente acredita que acontece após a morte ‒ e daí a letra interpretada da Bíblia demanda muita responsabilidade de quem media conversas religiosas com fiéis. Se essa conversa se dá pautada no medo, na histeria, na chantagem emocional, na culpa, o inferno passa a fazer morada dentro do peito de quem é inundado por isso tudo. Chu fala de um inferno metafísico com tamanha maldade e insensibilidade, que a gente quase enxerga nisso, enfim, um inferno físico. Um inferno que nos trava de verdade, nos prende de verdade, e do qual somos herdeiros e hospedeiros. Esse inferno é inquilino. Quem prega o ódio em um altar é o corretor desse imóvel sagrado que é o nosso coração. Via Ultrajano
Em artigo no Le Monde, Raí diz que Brasil vive “duplo flagelo”: pandemia e ameaça à democracia

“Esse mal, que tem suas próprias variantes, é obra de um clã. Associado ao distanciamento, ao negacionismo, à desinformação, à mentira”, diz o ex-jogador do São Paulo e do Paris Saint-Germain, sem citar Bolsonaro Em longo artigo publicado no jornal Francês Le Monde, o ex-jogador de futebol Raí, que fez história e se transformou em ídolo no Paris Saint-Germain, afirma o Brasil e os brasileiros estão vivendo um “duplo flagelo”. “Brasileiro que sou, como tantos outros, encontro-me assediado, nestes tempos sombrios, por um duplo flagelo cujas devastações são apenas o acréscimo de nossos próprios erros coletivos. Além da ‘praga’ biológica, essa epidemia tão mal administrada que causou a mais grave crise de saúde da história do meu país, estamos sofrendo outro mal, muito mais mortal no longo prazo”, escreve Raí, referindo-se à ameaça à democracia, mas sem citar Jair Bolsonaro (Sem partido). “Esse mal, que tem suas próprias variantes, é obra de um clã. Associado ao distanciamento, ao negacionismo, à desinformação, à mentira, acaba suprimindo, ainda que temporariamente, nossa revolta, nossa resistência e nossa indignação”, afirma ele, que é irmão de Sócrates, que fez história na luta contra a ditadura na Democracia Corinthiana. Antes, Raí lista uma série de ações desencadeadas no governo Bolsonaro que colocaram o Brasil como pária internacional e alvo de críticas no cenário global – vindas muitas vezes do presidente francês, Emmanuel Macron. “Um mal que nos isola diplomaticamente, um mal que atormenta insidiosamente a Amazônia e persegue quem a protege. Um mal que permite a mineração em reservas indígenas, e prefere toras serradas a toras vivas. Um mal castrador das liberdades, que ameaça a democracia e revive censura odiosa, promove a intolerância, a homofobia, o machismo, a violência. Ao aprisionar nossa razão e nosso bom senso, ela nos destrói, incita o ódio, se apresenta como inimiga das artes e da cultura, humilha nossa consciência ao negar a ciência”, escreve o ex-jogador. Raí descreve os brasileiros como um povo “distraído”, que não presta atenção aos perigos que os ameaçam. “Durante anos, porém, os ratos estiveram ali, mostrando o rosto, revirando os olhos, mostrando os dentes, afiando as garras”, aponta o ex-jogador, numa evocação velada aos militares e fascistas. O que fazer para se livrar deste pesadelo, questiona o diretor esportivo do São Paulo. Raí reconhece que derrubar o mal não será tão simples, porque o Brasil “carrega nas costas a extrema desigualdade, econômica, social e educacional, que esteriliza os comportamentos e aniquila a vontade de ruptura”. Mas ele aponta algumas prioridades. Em primeiro lugar, é preciso combater o negacionismo, “lutar contra a estupidez que desencoraja o uso de máscaras” e vacinar a população para vencer a epidemia. Depois, erradicar “a praga maior que gangrena a sociedade”. “É preciso encontrar o antídoto para que não continuemos carregando uma doença que nos destruiria, contra nossa vontade”, enfatiza. “Não queremos, por culpa de alguns criminosos, nos tornar nossos próprios algozes”, conclui. Via Fórum, com informações da Rádio França Internacional
Jogadores do Atlético Mineiro foram monitorados pela ditadura

Reinaldo e o goleiro Marzukiewicz foram espionados pelo Serviço Nacional de Informações, o SNI #DitaduraNuncaMais – por Aloísio Morais Na década de 70, que registrou o período mais duro do governo militar no país, dois destacados jogadores do Atlético Mineiro despertaram a atenção do Serviço Nacional de Informações, o poderoso SNI: o atacante Reinaldo, que, por longos anos, ostentou a marca de maior artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 28 gols, e o goleiro uruguaio Marzukiewicz, por suspeita de envolvimento com o grupo guerrilheiro de sua terra, os famosos Tupamaros de Pepe Mujica e Raúl Sendic, como mostram as cópias de documentos anexos. Os relatórios dos espiões da ditadura a respeito dos dois jogadores agora estão à disposição no Arquivo Nacional, em meio ao material já digitalizado sobre o período da ditadura militar. Na última quinta-feira, 25, Reinaldo disse desconhecer o relatório do SNI e mostrou curiosidade em conhecê-los. “Já tinha ouvido falar alguma coisa, parece que era material levantado pela Comissão Nacional da Verdade, mas esses informes eu desconheço”, disse. Reinaldo chamou atenção dos ‘arapongas’ da ditadura por causa de uma entrevista concedida ao jornal semanal Movimento, que, por bons anos, teve de submeter todo seu conteúdo à censura da ditadura. Na ocasião, o atacante acabou mostrando, pela primeira vez, que, além de bom de bola, era também bom de cuca, ao se posicionar sobre diversas questões políticas da época, no agitado ano eleitoral (para as casas legislativas) e de Copa do Mundo de 1978, quando foi convocado para integrar a Seleção Brasileira. Mostrando-se bem informado sobre tudo em plena flor de seus 21 anos, o que não era e não é comum a jogadores de futebol até hoje, o artilheiro do Galo abriu o bico e foi falando sobre tudo o que lhe era perguntado, sem meias palavras, às vésperas de se apresentar à Seleção. A tal ponto que, após a edição 140 do jornal Movimento chegar às bancas, no dia 6 de março de 1978, não faltaram jornalistas a levantar dúvidas e achar que se tratava de forçação de barra, que Reinaldo não teria dito o que disse. Poucos dias depois, no entanto, ao se apresentar à Seleção Brasileira na sede do Flamengo, na Gávea, ele foi cercado por jornalistas que queriam confirmar o teor de sua entrevista e saber de suas ideias e posições políticas. Mas, sabendo bem do campo minado onde pisava, espertamente Reinaldo driblou os repórteres e desconversou, afirmando que “tudo o que pensava já tinha sido dito à reportagem do Movimento” e não iria repetir, confirmando, portanto, o conteúdo da entrevista. Entrevista de Reinaldo rendeu capa no Movimento e muito repercussão com a bela foto de Auremar de Castro A reportagem teve boa repercussão e o jornal chegou até a vender uma cópia para a imprensa estrangeira. Na época, Reinaldo chamava atenção também por comemorar seus gols com os punhos fechados da mão direita, como faziam os Panteras Negras nos Estados Unidos, o que já deixava uns e outros olhando torto para o artilheiro do Atlético. “Aquela entrevista me salvou, garantiu minha permanência na Seleção. Se me desligassem por causa das minhas posições políticas isso daria muita repercussão negativa. Então, acabei sendo mantido”, chegou a afirmar Reinaldo anos mais tarde, passados os tempos de ditadura, ao lembrar que seu corte da Seleção chegou a ser cogitado dentro da CBF por causa de suas posições políticas. Ele se referia, no caso, à tentativa do presidente da então Confederação Brasileira de Desportos, Heleno Nunes, também conselheiro do Vasco e presidente da Arena (partido político da direita da época) de dispensar Reinaldo da Seleção sob alegação de que tinha problemas físicos. Além de descartar Reinaldo por causa de suas posições políticas, o presidente da CBD queria também beneficiar seu Vasco com a convocação do atacante Roberto Dinamite, que encontrava-se em má fase. Porém, Reinaldo acabou calando a boca torta de Heleno Nunes marcando 14 gols nas 37 partidas em que atuou pela Seleção Brasileira. Declarações Na entrevista, Reinaldo disse que estava lendo o livro “Cartas da Prisão”, de Frei Betto, e que tinha o hábito diário de ler as crônicas de Carlos Drummond de Andrade. “A anistia (aos presos políticos e exilados) vai acontecer mais cedo ou mais tarde, porque em tudo deve haver oposição, pois é assim que surgem novas ideias e caminhos diferentes”, disse sobre um dos temas em evidência na época. “Em tudo o povo tem que ter participação. Nós temos que depositar confiança em quem votamos para sermos retribuídos de alguma forma, nem que as futuras gerações sejam as beneficiadas”, afirmou ao defender a instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que só viria a ser concretizada dez anos depois. “Ainda bem que ultimamente o povo está participando mais da vida do país, demonstrando seu interesse em participar (da vida política do país).” Reportagem de Movimento abordou a tentativa de desligamento de Reinaldo da Seleção Depois de afirmar que Pelé tinha se perdido em meio a seus assessores e, por isso, não tinha opinião própria, “pois no futebol é muito difícil preservar a personalidade”, Reinaldo disse que, ao contrário do que achava o ex-atacante do Santos, “o povo brasileiro estava preparado, sim, para votar, como sempre esteve”. “Eles fizeram o povo se afastar da política, mas é claro que o povo tem maturidade para votar. Isso já foi demonstrado no passado e não é possível que quem já votou uma vez vai ficar imaturo depois de velho. Está na hora de aproximar todo mundo das decisões políticas. O povo tem sua opinião e essa opinião deve ser respeitada”, acentuou. Reinaldo deu bastante trabalho aos zagueiros e aos arapongas do SNI Na época, o jogador do Atlético cursava o último ano do segundo grau (o antigo 3º ano do Científico) e já demonstrava o desejo de não parar nos estudos. “A bola a gente para de jogar, mas o que entra na cabeça ninguém tira”, dizia. Sua persistência acabou fazendo com que concluísse o curso de Comunicação Social, formando-se como jornalista. “Pra mim a
Casagrande: 31 de março de 2021 representa o dia dos golpistas covardes de 1964

Protagonista da Democracia Corinthiana ao lado de Sócrates, ex-atacante do Corinthians lembrou “com orgulho dos que foram torturados” e traçou paralelo com governo “genocida, mentiroso e covarde” de bolsonaro Um dos principais expoentes da luta pela redemocratização no futebol, ao lado do “doutor” Sócrates, o comentarista Casagrande, ex-atacante da lendária Democracia Corinthiana, foi às redes sociais “lembrar com orgulho daqueles que foram torturados covardemente” pela ditadura militar. “31 de março de 2021. Não temos nada para celebrar nesta data, porque representa o dia dos golpistas covardes de 1964. Militares que tinham medo da intelectualidade da juventude dos anos de 1960, 1970 e 1980. Hoje é dia de lembrar com orgulho daqueles que foram torturados covardemente, daqueles que foram mortos e daqueles que desapareceram”, escreveu Casão, em seu blog no Globoesporte.com. O ex-jogador ainda traçou um paralelo entre a Ditadura Militar e o governo “genocida, mentiroso e covarde que me parece querer partir para a ignorância novamente”. Mas o que se esperar de pessoas violentas a não ser ignorância? Um presidente da morte e seus filhos espalhando o terror”, escreveu sobre Jair Bolsonaro. Casagrande afirmou que o povo sabe o que quer: vacina, democracia e liberdade. “Coisas que esse governo desconhece. Estamos em um Brasil despedaçado, destruído pela incompetência do presidente que, em vez de pensar em combater a pandemia, armou um possível golpe pelas costas. As pessoas estão morrendo, e ele, ao lado dos filhos, articulando para colocar o país no caos completo”, disse o comentarista, ressaltando que “e tem gente só pensando em fazer o futebol voltar…”. Jogadores do Corinthians com camisa com estampa da Democracia Corinthians, em 1983 — Foto: Domicio Pinheiro / Estadão Conteúdo Leia o artigo na íntegra
Goleiro Bruno foi contratado em time do Tocantins “pelo caráter e personalidade”

Em regime semiaberto, atleta vai disputar a reta final do Campeonato Tocantinense pelo Araguacema Anunciado nesta quarta-feira (31) como novo reforço do Araguacema para disputar a reta final do Campeonato Tocantinense, o goleiro Bruno Fernandes, condenado a mais de 20 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, foi contratado por uma “causa humanitária” e por seu “caráter e personalidade”, segundo o grupo de empresários responsável pela negociação. A informação é da revista Época. O atleta, que atualmente cumpre pena em regime semiaberto, deve ser apresentado oficialmente ainda nesta semana. Contudo, o clube já oficializou o acerto por meio das redes sociais na noite desta terça-feira (30). “É meu povo. Está chegando reforço na altura. Seja bem-vindo”, escreveu a equipe em publicação no Instagram. Ainda segundo a Época, a contratação foi sugerida por sócios de uma das empresas investidoras do clube, a Datamarkets, e apoiada pela diretoria do Araguacema. A presidência afirma que o time já estava em busca de um jogador para a posição. O treinador da equipe também foi consultado e autorizou o acordo. No ano passado, Bruno atuou pelo Rio Branco, do Acre, e precisou usar tornozeleira eletrônica durante os treinos e partidas. O corpo de Eliza Samudio nunca foi encontrado. As buscas foram encerradas em 2014.
Fórmula 1 – Bolsonarista Nelson Piquet fala ‘Globolixo’ em programa ao vivo da Band

Emissora adquiriu os direitos de transmissão da Fórmula 1, antes pertencentes à Globo O ex-piloto e campeão de Fórmula 1 Nelson Piquet deixou os apresentadores da Band em uma saia justa neste domingo (28/03). A emissora agora é detentora dos direitos de transmissão da categoria, que antes eram da concorrente TV Globo. Piquet foi convidado para comentar o primeiro Grande Prêmio do ano, o GP do Bahrein. E aproveitou a oportunidade para alfinetar a antiga casa da fórmula 1 no Brasil, chamando a emissora de ‘Globolixo’. “Estou feliz com vocês aqui, Band vai fazer a Fórmula 1. Largou essa Globo lixo!”, disparou o ex-piloto para os apresentadores recém-saídos da Globo, como Glenda Kozlowski e Reginaldo Leme. Piquet ainda disse que acompanhar o campeonato na antiga emissora “estava ficando chato”. A ‘cutucada’ no canal que transmitia as corridas no Brasil pode ter como motivo uma antiga rusga de Nelson com a Globo. O tricampeão da categoria já chegou a negar uma entrevista ao amigo Reginaldo Leme, pois seria veiculada na emissora. Na fórmula 1, Piquet conquistou títulos em três ocasiões: 1981, 1983 e 1987. Confira o momento em que Nelson provocou a emissora concorrente da Band: Nelson Piquet fala "Globo lixo" ao vivo na Band pic.twitter.com/PS7mPSMBw6 — Paulo Pacheco (@ppacheco1) March 28, 2021 Anteriormente, o bolsonarista Nélson Piquet, já tinha perguntado ao ex-comentarista Reginaldo Leme “como ele aguentou trabalhar tanto tempo na Globolixo?” Piquet ainda completou: “Haja saco, hein, Reginaldo?” Pelo visto, o bolsonarista Piquet, que já o recebeu, ao menos uma vez, em sua mansão em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ), adora usar o termo “Globolixo”, fazendo coro à máxima dos apoiadores do ainda presidente. Veja o vídeo abaixo: MEMORÁVEL! Olha a pergunta que o Nelson Piquet fez para o Reginaldo Leme: “Como você aguentou passar tanto tempo na #GloboLixo?” pic.twitter.com/eZS0XLuKMc — Vinicius Carrion (@viniciuscfp82) October 9, 2020
Cruzeiro perde clássico mas ganha de goleada com mensagem a favor da vida

Jogadores do Cruzeiro mostraram recado estampado nas costas da camisa #Vacina já, no jogo contra o América, com exceção da camisa 17 A vacina protege quem recebe a imunização e todos ao seu redor, pois diminui as chances de contágio do vírus. Vacinar é salvar vidas – diz a postagem do clube nas redes. “Vacinar é salvar vidas”. Com esta frase, o Cruzeiro anunciou uma ação para incentivar a campanha de vacinação para imunizar a população contra o avanço da Covid-19. Neste domingo, às 16h (de Brasília), no Independência, o time celeste faz o clássico contra o América-MG, pela quinta rodada do Campeonato Mineiro. O time da Toca da Raposa foi derrotado por 1 a 0, no jogo que marcou a última rodada do Campeonato Mineiro antes de sua paralisação, medida tomada para tentar conter os avanços da pandemia do novo coronavírus. Aproveitando o momento, o clube marcou um golaço nesta ação na qual os jogadores do time celeste entraram em campo com uma mensagem pró-vacina na camisa, referindo-se à campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Nos dizeres, acima da numeração, lia-se #Vacina já. Ao mesmo tempo, recusou a silkar a camisa 17, número que foi utilizado pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro em sua candidatura e consequente eleição para o mais alto cargo político do país. O Cruzeiro em jogo válido pelo Campeonato Mineiro inclui a tag #VacinaJá em seu uniforme mas excluiu o número 17 da campanha. Um recado muito bem dado! Parabéns ao Cruzeiro pelo posicionamento! #VacinaJá pic.twitter.com/c0hY5D0Cyo — Mídia NINJA (@MidiaNINJA) March 22, 2021 Leia também: Cruzeiro despenca após aproximar de Bolsonaro, enquanto o Tubarão sobe depois de se afastar do traste