Enquanto crimes ambientais disparam, multas aos infratores desabam no país

 Em um ano marcado por grandes tragédias ambientais no país (rompimento da barragem de Brumadinho, queimadas na Amazônia, óleo derramado nas praias do Nordeste), o número de multas aplicadas pelo Ibama despencaram em quase um terço. A leniência e a omissão são a nova política brasileira para o meio ambiente. Por Mariana Gonçalves – Os Novos Inconfidentes Em 2019, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), aplicou 8.967 autuações, entre 1º de janeiro e 22 de outubro, somando R$ 2.06 bilhões no valor total de multas, considerando todos os tipos de infrações ambientais. O número é 26,23% menor que as 12.156 multas aplicadas no mesmo período de 2018, que somavam um valor total de R$ 3.209 bilhões. Nos crimes contra a flora, o número de multas aplicadas caiu de 5.154, entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2018, para 3.506 no mesmo período deste ano. Os dados acompanham os discursos antiambientalistas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles que, por diversas vezes, fizeram críticas públicas a respeito da atuação de órgãos como o Ibama e o ICMBio. Em mais de uma oportunidade Bolsonaro afirmou que combateria uma suposta “indústria da multa” na área ambiental. Em junho deste ano, servidores do Ministério do Meio Ambiente e órgãos ligados à pasta denunciaram o ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência da República e ao Ministério Público Federal, acusando-o de macular a “imagem e a honra dos servidores da área ambiental” e dos órgãos. Com esses órgãos acuados, cresceu o sentimento de impunidade entre praticantes de tais crimes. Se caiu o número de multas, o de queimadas disparou entre 2018 e 2019. De janeiro a outubro deste ano foram registrados 159.544 focos de incêndio detectados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mesmo período do ano passado foram registrados 114.745 focos de incêndio. O número é maior, inclusive, do que o registrado durante todo o ano de 2018, 132.872. Nesta terça-feira (22), foi deflagrada pela Polícia Federal em Novo Progresso (PA) a Operação Pacto de Fogo, com o objetivo de colher provas para investigar uma associação criminosa suspeita de praticar crimes ambientais em reservas e Unidades de Conservação na Amazônia. De acordo com a PF, a investigação parte da denúncia de que fazendeiros e produtores da região teriam combinado o chamado “Dia do Fogo”, em 10 de agosto, iniciando incêndios em diversos lugares da região. Um inquérito investiga as ocorrências na data, mas ainda não houve a conclusão dos trabalhos ou prisão de acusados. A leniência do governo diante de tantos desastres ambientais pode ser interpretada pelo mercado e por empresários como uma verdadeira licença para a prática desses crimes. A não punição dos responsáveis pode ocasionar em um crescimento ainda maior no número de queimadas e de crimes ambientais nos próximos anos. Crise ambiental e sensação de impunidade também nas águas. Em abril, um decreto presidencial extinguiu os órgãos colegiados responsáveis por implementar o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo. Esses órgãos seriam fundamentais para o combate às manchas de óleo que se espalham pelas praias do Nordeste. O Plano só teria sido acionado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, 41 dias após o início das manchas na região. Ainda não se sabe exatamente qual a origem nem a quantidade de óleo vazado. Com isso, nenhuma empresa ou grupo foi responsabilizado por mais essa tragédia ambiental. A mancha também não está contida e pode se espalhar por mais localidades. Mariana Gonçalves é jornalista formada pela UFMG, doutoranda em Comunicação pela mesma instituição e mestra em Comunicação pela UFOP. Atuou como produtora e repórter em veículos de rádio e televisão mineiros Endereço: Rua São Geraldo, nº 56 Todos os Santos, Montes Claros/MG – CEP: 39400-140 Telefones: (38) 3221-7259 – 3212-5320 – 3221-5328 – 3212-3221

Chefe da Marinha diz que Venezuela não é responsável por óleo

– Depois de uma reunião com o presidente em exercício, o comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, colocou um ponto final na história de que a Venezuela é a responsável pelo vazamento de petróleo que chegou à costa nordestina: “O que se sabe pelos cientistas é que o petróleo é de origem venezuelana, não quer dizer que houve em algum momento, e não houve isso, envolvimento de qualquer setor responsável tanto no público quanto no privado na Venezuela”. Fim do papo-furado que até agora vem sendo utilizado pelo Governo, o de disfarçar sua falta de resposta operacional com acusações “ideológicas”. É obvio que o petróleo veio de uma embarcação e faria o mesmo – ou maior – estrago se fosse árabe, texano, mexicano ou colombiano. Maior, digo, porque se não fosse um petróleo pesado, mas leve, e emulsionado pelo tempo que ficou no mar, não estaria nesta consistência pastosa que permite que seja retirado em placas. Mas o almirante também nos mostrou que não há, até agora, foco nas investigações sobre qual foi a nave que lançou aquela imundície ao mar. Diz ele que estão sendo investigados 30 navios que passaram “próximo à costa brasileira” e admitiu que há 970 outros que poderiam ser a origem do vazamento, fora os “dark ships”, navios sem identificação. Portanto, mais de mil navios, o que é a mesma coisa que nenhum, em matéria da apuração de responsabilidades. Tanto que o almirante disse que os responsáveis serão encontrados, nem que leve 200 anos: “se demorar 200 anos, vamos ficar 200 anos nisso até achar”. Há fatos objetivos que não estão esclarecidos, como a origem dos barris da Shell encontrados nas praias e claramente identificados, com número de lote e data do envasamento. Até agora não se tem o nome do comprador e, menos ainda, a informação sobre se e para quem foram transferidos para eventual reutilização. Também não há definição oficial sobre o perímetro da origem do óleo, claramente identificado nos estudos sobre correntes marítimas e cujas coordenadas não essenciais para a apuração do tráfego de navios nesta região, combinado com o tempo de permanência do óleo no mar, o que também pode ser determinado por testes de laboratório. Temos gente e instalações absolutamente capazes de dar conta destas missões. Há softwares desenvolvidos aqui – podem ir ver lá na UFRJ, por exemplo – e modelos matemáticos da melhor qualidade para determinar trajetórias e velocidades marinhas. Como teríamos condições de estabelecer uma vigilância costeira que antecipasse o recolhimento do óleo que está dando à praia. Mesmo que sua densidade faça ele flutuar a meia água, um pouco abaixo da superfície, perto da costa ele se torna mais visível e pode ser coletado com mais facilidade e menos danos, se as praias forem vigiadas. Marinha, Exército e Aeronáutica têm, somadas, mais de 100 helicópteros leves , padrão Esquilo, e um quatro deles dariam conta de patrulhar toda a costa atingida detectando a aproximação de manchas. Impedir que se grudem a afloramentos rochosos nas praias, adiram a manguezais ou que entrem pela foz dos rios e canais de lagoas é extremamente importante para mitigar os efeitos. Tudo isso deveria ser obra de uma coordenação federal, com responsáveis claramente identificados e que, em cada trecho da costa, fosse capaz de ter comando, organizar pessoas e meios e de deslocar pessoal e equipamentos de retenção. Mas no país que encheu de militares o governo civil, por incrível que pareça, falta comando e arrojo. Via Tijolaço

Foram os fazendeiros que organizaram o dia do fogo na Amazônia, diz PF

 A ação dos fazendeiros e empresários, ocorrida em 10 de agosto, teve como intenção mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que os ruralistas da região apoiam suas ideias de “afrouxar” a fiscalização do Ibama A Polícia Federal já tem provas de que fazendeiros, madeireiros e empresários influentes na região organizaram as queimadas criminosas na floresta Amazônica no sul do Pará nos dias 10 e 11 de agosto, que ficou conhecido como “dia do fogo”. Segundo reportagem de Daniel Camargos, no Repórter Brasil, uma operação da PF realizada nesta terça-feira (22) apreendeu documentos e computador do presidente do Sindicato Rural de Novo Progresso, Agamenon Menezes, confirmando investigação da Polícia Civil de que organizadores das queimadas são pessoas poderosas, ligadas ao agronegócio. Os responsáveis pelo ‘Dia do Fogo’ teriam feito uma ‘vaquinha’ para pagar o combustível – uma mistura de óleo diesel com gasolina – usado para alastrar as chamas. A ação teve como intenção mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que os ruralistas da região apoiam suas ideias de “afrouxar” a fiscalização do Ibama e quem sabe conseguir o perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente. Três dias antes do conluio por whatsapp para atear fogo na floresta amazônica, o Ibama recebeu um alerta do Ministério Público Federal sobre a ação, mas respondeu apenas no dia 12 de agosto, quando o incêndio já havia se alastrado. A resposta do Ibama ao MPF, datada do dia 12 e assinada por Roberto Victor Lacava e Silva, gerente executivo substituto do Ibama, informa que as ações de fiscalização estavam prejudicadas por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”. O documento diz ainda que já haviam sido “expedidos ofícios solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”, ignorados até então pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Detalhes Os detalhes sobre a ação criminosa aconteceu no grupo de whatsapp ‘Sertão’, mas as conversas sobre a ação teriam iniciado em outro grupo, chamado ‘Jornal A Voz da Verdade’, em que estavam autoridades da região, como o delegado da Polícia Civil, Vicente Gomes, chefe da Superintendência da Polícia Civil do Tapajós, sediada em Itaituba, distante 400 quilômetros de Novo Progresso. Gomes teria determinado ao delegado de Novo Progresso que não repassasse à Polícia Federal os depoimentos que já haviam sido tomados pela Polícia Civil na cidade – o que piorou a relação entre as duas instituições responsáveis pela investigação. Leia a reportagem completa no site do Repórter Brasil  Via Revista Fórum

Pesquisadores organizam o primeiro Atlas Ambiental de Montes Claros

‘Com os mapas será possível que cada pessoa possa se identificar no espaço onde vive’, diz professor coordenador. Atlas será disponibilizado gratuitamente na internet. Uma representação de um espaço; o conceito de mapa pode ser definido de maneira simplificada dessa forma. Há registros de que as civilizações antigas já usavam os mapas como importante ferramenta de localização e orientação, que facilitava a compreensão e o domínio de territórios. Partindo dessa lógica, está sendo desenvolvido o primeiro Atlas Ambiental de Montes Claros (MG). O conjunto de mapas foi viabilizado por meio de uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a Prefeitura e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino Superior (Fadenor). A elaboração do Atlas está sendo feita nos laboratórios vinculados ao PPGEO, no campus-sede da Unimontes. Participam diretamente da equipe, quatro acadêmicos do curso de bacharelado em Geografia e outros dois do de licenciatura, além de dois mestrandos. Os mapas são compostos por imagens de altíssima resolução, feitas por meio de satélites. O lançamento da coletânea está previsto para dezembro deste ano, o material será disponibilizado na internet, com acesso gratuito. Sem informação não existe preservação O coordenador do Programa de Pós Graduação em Geografia e do Laboratório de Geoprocessamento, Marcos Esdras Leite, acredita que a informação é o mecanismo mais eficaz de chamar a atenção da sociedade para as causas ambientais. “Com os mapas será possível que cada pessoa possa se identificar no espaço onde vive, localizando o bairro onde mora, a praça perto de casa; ainda haverá possibilidade de saber os cursos de água que cortam o município e quais os tipos de vegetação existem, informações que muitos não têm”, exemplifica. Será um documento que fomentará nossas escolas e população em geral com dados precisos e seguros. Isto será extremamente importante nos projetos e disciplinas de educação ambiental, geografia, ciências, entre outras. — Mônica Durães Braga, coordenadora do Setor de Conservação Ambiental A ideia do projeto é que, a partir do detalhamento de informações, as autoridades possam atuar de forma mais assertiva na implantação de políticas públicas. Serão abordados aspectos do desenvolvimento social e sustentável, crescimento econômico e conservação ambiental. “O intuito é termos um diagnóstico inédito de Montes Claros. Com dados que sustentarão as deliberações legais para o desenvolvimento do município. Citando como exemplos a descrição de áreas de maior relevância para preservação e áreas onde novos empreendimentos poderão ser instalados com maior segurança. Ainda será extremamente importante para determinações quanto às questões hídricas do nosso município que sofre de escassez, destaca a coordenadora do Setor de Conservação Ambiental da Prefeitura de Montes Claros, Mônica Durães Braga. Conhecimento ao alcance de alunos e professores Marcos Esdras explica ainda que o Atlas também terá importante papel pedagógico, já que conta com a participação de educadores na elaboração e será disponibilizado para a comunidade em geral, com destaque para as escolas. “A Universidade produz muita informação que, às vezes, fica restrita ao ambiente acadêmico. Essa sinergia entre instituições é uma forma de pensarmos na sociedade como um todo. Não é uma questão de conscientização, mas sim de sobrevivência. Precisamos dar ênfase às questões ambientais o quanto antes, o melhor local para que isso ocorra é dentro das salas de aula”, destaca. A analista de Geografia da Secretaria Municipal de Educação, Helen Patrícia Vieira Maia, explica que a elaboração do Atlas vai ao encontro da Nova Base Nacional Comum Curricular da Educação. “Estamos trabalhando com a necessidade de formação do sujeito pensante e autônomo, que conheça a realidade e seja capaz de intervir nela. Se não puder transformá-la, que saiba como cobrar dos agentes públicos a solução dos problemas”, fala. Helen Vieira Maia afirma ainda que a inserção dos professores do Sistema Municipal de Ensino está sendo feita com o objeto de verificar a adequação do material à realidade dos estudantes. “O Atlas está sendo elaborado com rigor técnico e cientifico, mas com o olhar mais didático, com a linguagem dos alunos. A coletânea reúne imagens modernas e sofisticadas. Normalmente, nós não temos acesso a esse tipo de tecnologia, materiais como esse estão, na maioria das vezes, restritos aos grandes centros”, finaliza. Via G1 Grande Minas

Governo libera mais 57 agrotóxicos e soma deste ano chega a 382 novos registros

Dos pesticidas anunciados nesta quinta-feira (3), 46 contêm ingredientes que não haviam aparecido na lista de 2019 Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em números absolutos / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Fotos Públicas Subiu para 382 o total de agrotóxicos liberados pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) em pouco mais de 10 meses de mandato. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou, nesta quinta-feira (3), a autorização de mais 57 substâncias em relação ao mês de setembro. Os números representam uma avalanche frenética na série histórica iniciada em 2005. Em todo o ano passado, os registros contabilizaram 450 agrotóxicos. Dos pesticidas anunciados, 10 são biológicos (utilizados na agricultura orgânica), 41 são genéricos e seis são produtos formulados com base em princípios ativos novos. Cerca de 30% dos ingredientes de agrotóxicos liberados até setembro são proibidos na União Europeia, sendo que 46 da nova leva ainda não haviam aparecido na lista deste ano. :: Em 200 dias, Brasil liberou mais agrotóxicos que a União Europeia em oito anos :: O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em números absolutos. Em 2017, a agricultura brasileira utilizou 539,9 mil toneladas de venenos, conforme os dados mais recentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Isso custou, na época, US$ 8,8 bilhões — cerca de R$ 35 bilhões no câmbio atual. O aval para a liberação das substâncias passa por três órgãos reguladores: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ibama e Ministério da Agricultura — atualmente chefiado por Tereza Cristina (DEM), ex-líder da bancada do agronegócio na Câmara dos Deputados e conhecida como “musa do veneno”. O agronegócio — modelo de produção agrícola baseado no monocultivo, no grande latifúndio e no uso ostensivo de agrotóxicos — é duramente criticado por especialistas, partidos de esquerda, sindicatos e organizações populares, como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. “A novidade desta publicação é o uso da nova classificação feita pela Anvisa em agosto. Pela nova regra, diversos agrotóxicos que eram considerados extremamente e altamente tóxicos por causarem cegueira e corrosão da pele se tornaram ‘improváveis de causar danos agudos’. Um exemplo é o Piriproxifem, que antes da mudança era classificado como ‘Extremamente Tóxico’, e agora aparece em uma mistura com Dinotefuran classificado como ‘Improvável de Causar Dano Agudo’”, critica, em nota, a organização lançada em 7 de abril de 2011. Fonte: Brasil de Fato

Plantio de 10 mil mudas de árvores será realizado em Montes Claros

A Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, realizará, nos próximos meses, o plantio de 10 mil novas mudas de árvores em diversos pontos da cidade, aproveitando o início do período chuvoso, o mais adequado para a ação. O plantio faz parte do Plano de Arborização adotado pela Administração Municipal para contribuir na ampliação da cobertura arbórea do município. A ação acontecerá em diversas localidades, como parques, praças, margens de córregos, etc. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Ribeiro, as mudas, de portes médio e grande, foram adquiridas através de compensação ambiental, com o objetivo de arborizar a cidade e, consequentemente, amenizar os efeitos das altas temperaturas. “A árvore é essencial para refrescar os ambientes urbanos, onde a temperatura é mais elevada do que no campo, por causa da concentração de fontes de calor. Para isso, precisamos aproveitar o início do período chuvoso para fazer o plantio, pois não tem nada melhor do que a sombra de uma árvore para fugir dos raios solares, principalmente nesta nossa região, onde o calor não dá trégua”, explicou Ribeiro. Fonte: Prefeitura de Montes Claros

Jornalista Maria Cecília foi a homenageada com o Prêmio Ivo das Chagas

Por causa das inúmeras reportagens em defesa do meio ambiente e da sustentabilidade, denunciando infrações ambientais e divulgando os bons e significativos trabalhos realizados na área, a jornalista Maria Cecília foi a homenageada com o Prêmio Mérito Ambiental Professor Ivo das Chagas, versão 2019, na categoria Imprensa. A solenidade foi realizada no auditório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, no dia 19 de setembro. A homenageada recebeu um troféu em formato de formiga, feito pelo artista plástico Gu Ferreira com o auxílio dos reeducandos do programa “Para Além das Prisões”. Maria Cecília de Souza Oliveira é natural da cidade de Coração de Jesus e há mais de 30 anos reside e trabalha em Montes Claros. Já atuou na Rádio Terra, no extinto Jornal do Norte, na extinta TV Geraes, no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e na Secretaria Estadual de Educação. Atualmente trabalha como produtora de reportagem na Intertv Grande Minas e como assessora de Imprensa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Minas. PRÊMIO – A homenagem foi oferecida para empresas e ambientalistas que se destacaram na defesa e preservação do Meio Ambiente. É promovida, anualmente, pela Prefeitura de Montes Claros, através do Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema). A solenidade contou com as presenças de vereadores, deputados, representantes do Ministério Público e outras lideranças políticas e comunitárias de Montes Claros e Norte de Minas. Os outros escolhidos foram: José Simael Ferreira (Produtor Rural); Departamento Geral de Biologia da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes (Educação); Cerâmica Montezuma (Indústria); Grupo Albatroz (Comércio); Instituto Estadual de Florestas – IEF (Órgão Público); e a Casa de Acolhimento Amor e Vida (Terceiro Setor). O prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, foi o escolhido na categoria Ambientalista. IVO DAS CHAGAS – O nome do prêmio é uma homenagem ao professor Ivo das Chagas, que faleceu recentemente. Ele foi um dos maiores estudiosos sobre cerrado no Brasil, com trabalhos de referência mundial sobre geografia tropical, ecologia vegetal, cartografia, metodologia e pesquisa, e organização do espaço. Era conhecido no Norte de Minas como o “Pai do Cerrado”, já que sempre o defendeu ardorosamente. Fonte: Prefeitura de Montes Claros

Descarte sustentável de lixo se torna cada vez mais realidade em Montes Claros

Montes Claros e outras cidades norte-mineiras coletam mensalmente cerca de 30 toneladas de lixo eletrônico, segundo dados da E-Ambiental, uma das empresas licenciadas para gerenciamento destes resíduos no Norte de Minas. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei 12.305/2010 – prevê que este tipo de material, juntamente com pneus, óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes, integra um sistema de logística reversa, ou seja, os produtos devem retornar aos fabricantes após serem utilizados pelos consumidores, sendo coletados de forma independente do serviço público de limpeza urbana. Por Ricardo Arruda – Jornal Gazeta De acordo com informações do Global E-Waste Monitor 2017, último relatório da União Internacional de Telecomunicações da ONU, o Brasil é o sétimo maior produtor de lixo eletrônico no mundo. Quando a abrangência do levantamento é reduzida para a América Latina, o País está em primeiro lugar. De acordo com o diretor da E-Ambiental, Felipe Custódio Moura, ainda falta conhecimento da população a respeito dos danos que o descarte incorreto do material causa à natureza. “O lixo eletrônico é composto por muito metal pesado e, então, a partir do momento que você joga na natureza, ele acaba retornando para você como contaminante em forma de alimento, água e ar”, explica. “O Brasil conta com a Política de Resíduos Sólidos, que tem algumas diretrizes. Todo fabricante, o governo e as próprias pessoas físicas são responsáveis, hoje, pelo descarte correto de lixo eletrônico, só que isso ainda não acontece. A lei foi criada, mas não existe fiscalização e poucas pessoas cumprem essa legislação no Brasil”. Para recolher o lixo eletrônico, a empresa promove campanhas e organiza eventos, como gincanas solidárias. Após triagem do material coletado, aqueles que estão em bom funcionamento são reaproveitados, como o caso de computadores, posteriormente doados para escolas e instituições de caridade, que também auxiliam no recolhimento destes produtos. O lixo eletrônico coletado e que não pode ser reaproveitado – cerca de 95% -, é desmontado. “Desse resíduo é separado alumínio, cobre, prata e todos os componentes que fazem parte da produção do lixo eletrônico, que conseguimos fazer a logística reversa, colocando dentro das indústrias responsáveis pela reciclagem, onde sairão novos produtos”, explica Moura. Além do lixo eletrônico, como televisores, computadores e celulares, a empresa coleta pilhas, baterias e lâmpadas, também previstas no sistema de logística reversa. Ao todo, são vários ecopontos em Montes Claros, distribuídos em lojas de celulares, faculdades e outras instituições, como shoppings, igrejas e organizações públicas. Apesar de não ser prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o descarte sustentável de medicamentos conta com legislação própria em Montes Claros. Há uma Lei Municipal em vigor que estabelece que “farmácias, drogarias e farmácias de manipulação ficam obrigadas a instalar pontos de coleta, em local de fácil visualização, para recolhimento de medicamentos impróprios para o consumo ou com data de validade vencida”. De acordo com o ambientalista Pedro Augusto de Carvalho, a ideia pode ser considerada como “uma logística reversa estabelecida pelo município para esse tipo de resíduo”. Segundo ele, o sistema de logística reversa ainda enfrenta grande dificuldade no Brasil, especialmente em relação ao lixo eletrônico. Entretanto, outros materiais contam com boa adesão por parte da população e comerciantes, como no caso de óleo de cozinha, que pode ser descartado em mercados, e mesmo óleos lubrificantes. Desde o final da década de 1990, a dentista Carmem Oliveira faz a separação do lixo reciclável. A tarefa começou com seus pais e, hoje, ela passa a lição para os filhos – como uma tradição familiar. A falta de adesão da população em torno da separação de resíduos recicláveis é opinião unânime entre especialistas e profissionais que lidam diretamente com o serviço. Desta forma, Carmem Oliveira está entre os montes-clarenses que, à sua maneira, procuram reduzir os impactos causados pela alta quantidade de lixo descartada no município. Para ela, a separação do lixo é algo simples de executar, especialmente para a coleta seletiva onde não há necessidade em dividir o material reciclável entre vidro, plástico, papel e metal. “É só você ter dois contêineres: um para o lixo orgânico e outro para o reciclável. É muito fácil”, explica. A facilidade em colaborar para a coleta seletiva tornou a separação do lixo parte da rotina da família de da dentista. “Isso é um hábito que se cria e vira uma coisa automática, que não requer esforço nenhum a partir do momento em que você está acostumada com aquilo. Quando você nunca foi apresentada a essa rotina, parece uma coisa grande e pesada ter que lavar o recipiente, mas, para nós, não é nada. E eu acho que é uma contribuição enorme, principalmente aqui no Brasil onde se utiliza aterro sanitário. Então, quanto menos você puder contribuir para o aumento desse aterro sanitário, melhor”, relata Carmem Oliveira. Desde que saiu da casa dos pais para morar com a irmã, a comerciária Pâmela de Freitas Caldas começou a se incomodar com a quantidade de lixo gerada na residência, observando que “era muito lixo para pouca pessoa, em pouco tempo”. Com isso, a jovem de 30 anos começou a pesquisar sobre reciclagem e sustentabilidade, de maneira geral, modificando suas ações em relação ao tema. Um dos conceitos que basearam a mudança é do “lixo zero”, cujo objetivo é o aproveitamento e encaminhamento correto dos resíduos recicláveis e orgânicos, além de buscar a redução de descarte desses materiais para os aterros sanitários. Uma personagem relacionada à proposta é Lauren Singer, idealizadora do blog “Trash is for Tossers”. Lauren viveu anos com um pequeno pote de vidro, onde depositou o lixo que utilizou. “Aqui no Brasil, tem dificuldade nessas questões. Não temos tanto uma política de reutilizar as coisas, até com relação à nossa higiene, onde compramos muitos produtos de beleza”, diz Pâmela Caldas. “Por exemplo, nos Estados Unidos, tem mercado que você enche o pote de shampoo e do condicionador, você não precisa comprar uma embalagem nova”, relata. Na dificuldade em seguir as ideias da blogueira americana, a comerciária montes-clarense encontrou uma brasileira, chamada Cristal Muniz, que mantém uma

Jovem baiana é primeira brasileira a ganhar prêmio global da ONU sobre meio ambiente

 A homenagem acontecerá em um baile de gala marcado para o dia 26, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. – A baiana Anna Luisa Beserra, de 21 anos, natural de Salvador, acaba se tornar a primeira brasileira a vencer o prêmio Jovens Campeões da Terra, principal premiação ambiental das Nações Unidas para jovens entre 18 e 30 anos. A homenagem acontecerá em um baile de gala marcado para o dia 26, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. “A gente passa protetor quando vai à praia justamente para nos protegermos contra a radiação ultravioleta. Em humanos, ela causa câncer de pele. Mas, para vírus e bactérias, ela é letal. A gente aproveita a mesma radiação ultravioleta para fazer o tratamento na água, que passa a ser potável”, diz. Luisa Beserra começou a desenvolver a tecnologia aos 15 anos, em 2013, depois de ganhar uma bolsa para jovens cientistas oferecida pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do governo federal. Batizado de Aqualuz, o dispositivo foi acoplado em fase de testes a cisternas na região do semiárido do nordeste brasileiro e já garante acesso a água limpa para 265 pessoas. A partir de 2013, Beserra criou 10 versões distintas até chegar à tecnologia atual, que purifica água não potável usando a luz solar, sem produtos químicos ou filtros descartáveis. “Até o fim do ano chegaremos a mais 700”, afirma. “É uma metodologia muito fácil e viável para estas regiões. O dispositivo dura 20 anos, em média, e só precisa ser limpo com água e sabão.”. “Eu diria ao presidente que, por favor, não desestimule a ciência e o empreendedorismo local. Se não houver estímulo, as pessoas vão se desmotivar”, diz a vencedora à BBC News Brasil.

No Brasil das queimadas, um texto de Ulysses Guimarães segue atual

 ‘Esperança e Mudança’ dá testemunho de um Brasil que ainda possa resistir aos esbirros do autoritarismo e da estupidez – Na escuridão do Brasil das queimadas, do neoliberalismo tosco e autoritário da dupla Bozo-Guedes, para não falar dos inquisidores do Roda Viva, peço licença ao leitor de CartaCapital para relembrar as esperanças de mudança que embalavam nosso país às vésperas da redemocratização. Redigido por muitas mãos no alvorecer dos anos 1980, sob a inspiração de Ulysses Guimarães, o documento “Esperança e Mudança” dá testemunho de um Brasil que, auguramos, ainda possa resistir aos esbirros do autoritarismo e da estupidez. Aí vai: “… A crise nacional não encontrará solução sem mudanças profundas. Mudanças que só poderão ter início com o fim do arbítrio e da exceção. Mudanças que haverão de nascer do reencontro do povo com o poder político. A sociedade brasileira anseia pela Democracia, luta por ela, sonha com ela. A sociedade repele o arbítrio através de todas as suas formas de representação de interesses e de organização social: partidos políticos, movimentos sociais, organizações comunitárias, igrejas, sindicatos, organizações patronais, profissionais, movimentos setoriais e culturais. Democracia é Estado de Direito, liberdade de pensamento e de organização popular, respeito à autonomia dos movimentos sociais repousa na existência de partidos políticos sólidos. Democracia significa voto direto e livre, significa restauração da dignidade e das prerrogativas do Congresso e do Poder Judiciário, significa liberdade e autonomia sindical, significa liberdade de informação e acesso democrático aos meios de comunicação de massa. Democracia implica democratização das estruturas do Estado, implica resgatar a soberania nacional, implica redistribuição da renda, criação de empregos e bem-estar social crescente. A Assembleia Nacional Constituinte haverá de ser o berço de tudo isso – o berço da Democracia –, o berço pacífico e representativo dos anseios do povo. Democracia é ruptura com o longo passado autoritário e elitista, é participação autônoma dos movimentos sociais nas decisões nacionais através da representação legítima, de meios modernos de consulta e informação e da definição dos rumos de nosso desenvolvimento através do planejamento democrático. As maiorias oprimidas da população – as mulheres, os jovens, os negros – e as minorias discriminadas – os índios, grupos étnico-culturais – não podem continuar sendo tuteladas. Tampouco podem permanecer os Sindicatos sob o tacão retrógrado do corporativismo. Numa sociedade com uma estrutura social complexa, heterogênea, regionalmente diferenciada, o PMDB alinha-se como um partido amplo – centrado nos interesses do conjunto dos trabalhadores, da cidade e do campo, de todos os setores da produção, dos serviços, do setor público. Partido que almeja soldar os interesses desse conjunto com os de outros segmentos sociais – as classes médias, os autônomos, o empresariado nacional–, o PMDB respeita a autonomia da sociedade civil e reconhece a sua complexidade. O PMDB é, e deseja ser, cada vez mais, um canal de condensação de interesses sociais e, para isso, oferece à sociedade um projeto global coerente. Um projeto que almeja a transformação democrática da vida nacional. O PMDB propõe o planejamento democrático como forma de garantir que o conjunto de políticas públicas obedeça às prioridades fixadas democraticamente – prioridades que busquem um novo estilo de desenvolvimento social, cuja diretriz maior deve ser a redistribuição da renda e da riqueza social. O Planejamento Democrático implica a elaboração de um Plano, sob controle e sob a influência das instituições Democráticas. Plano fixado através de lei, supervisionado eficazmente pelo Congresso com a interação e auxílio das organizações populares. … Persistem as desigualdades sociais e regionais, persistem os enormes bolsões de pobreza absoluta. O PMDB considera que este estado de coisas é uma vergonha nacional. Compromisso fundamental do PMDB é a extinção do analfabetismo, o fim da desnutrição e da mortalidade infantil, a erradicação das endemias, o fim da promiscuidade habitacional, da insegurança, da falta de transportes. O PMDB quer acabar com o estado de indigência forçada em que vivem pelo menos 25 milhões de brasileiros. O PMDB tem planos e propostas sérias, possíveis, viáveis. Propostas que certamente exigem determinação, imaginação, competência. Propostas em aberto que são oferecidas ao crivo do debate democrático nacional para o seu contínuo aperfeiçoamento. Redistribuição da renda e criação de empregos não constituem metas simplistas. São processos complexos que requerem um amplo conjunto de reformas sociais e de políticas públicas compativelmente articuladas”. Via Carta Capital