China se torna nova potência marítima e ameaça a hegemonia dos EUA

Crescendo sobretudo nos setores de granéis secos e navios porta-contêineres, China já responde por mais da metade da produção mundial de navios O alerta foi dado em janeiro numa longa reportagem da The Economist: em pleno século 21, “ter uma Marinha poderosa se tornou crucial para vencer guerras”. Segundo a tradicional revista britânica, a ordem mundial está em “erosão”. Qual ordem? Aquela em que Estados Unidos e aliados, graças à frota de submarinos modernos e a alianças navais mais sólidas, pareciam soberanos e imperecíveis pelos mares do Planeta. A emergência da China como nova potência marítima ameaça essa hegemonia norte-americana num momento em que, conforme a Economist, “os oceanos voltaram a ter importância na geopolítica”. Nenhum país se preparou melhor para essa transição do que a China. “A Marinha chinesa é hoje a maior do mundo”, destaca a Economist. “Os estaleiros americanos mirraram. E as Marinhas europeias são uma sombra do que já foram, tendo perdido 28% de seus submarinos e 32% de suas fragatas e de seus destroieres entre 1999 e 2018.” O problema, para a Europa, é que essa redução vem em péssima hora. Grandes conflitos internacionais – os atuais e os iminentes – passam pelos oceanos e, por isso, testam o poderio do Ocidente. EUA e Reino Unido até responderam à ofensiva do grupo rebelde Houthi no Mar Vermelho, região que é considerada uma “artéria crucial do comércio mundial”. Mas as tensões não se resumem ao Oriente Médio. “Taiwan acaba de passar por uma eleição capaz de moldar seu futuro. Um conflito pela ilha envolveria uma intensa guerra naval sino-americana que se ampliaria para muito além do Pacífico”, aponta a Economist. “E na Europa a guerra na Ucrânia pode se transformar numa disputa naval pelo Mar Negro e pela Crimeia. O poder marítimo está de volta.” Só a China acompanhou essa tendência. Crescendo sobretudo nos setores de granéis secos e navios porta-contêineres, o país já responde por mais da metade da produção mundial de navios. Em 2023, a China ultrapassou a Grécia e virou o maior proprietário de frota marítima do mundo em termos de arqueação bruta (GT). Esse avanço é estratégico porque, afora as guerras, sobressai a economia. De acordo com a revista, “cerca de 80% do comércio global em volume é transportado pelo mar; e, em termos de valor, 50%”. Além disso, empresas de telecomunicações mantêm 574 cabos submarinos, “ativos ou planejados”, operando 97% do tráfego global de internet. Um mês depois da The Economist, a Dow Jones Newswires é outra publicação de renome a se render à invasão chinesa nos mares. Diz a Dow Jones: “A China emergiu como uma potência global ao se transformar no chão de fábrica do mundo. Agora, ela está ampliando esse poder – e seu poderio militar – com outro notável feito industrial: está se tornando o estaleiro do mundo”. Se a China é “a maior fabricante de navios por uma ampla margem”, quem compete com os chineses? “Os outrora prolíficos estaleiros do Ocidente, que ajudaram a forjar impérios, ampliar o comércio e vencer guerras, encolheram. A Europa responde por apenas 5% da produção mundial, enquanto os EUA hoje contribuem com quase nada”, diz a Dow Jones Newswires. “A maior parte do que a China não fabrica vem da Coreia do Sul e do Japão.” Isso porque “a outrora vigorosa indústria da construção naval dos EUA” já não produz mais “um número significativo de navios comerciais oceânicos. Vários estaleiros têm apenas um grande cliente, a Marinha americana, e esses estaleiros frequentemente enfrentam acúmulos de pedidos, escassez de funcionários e fornecedores, e custos excessivos”. A reportagem trata os chineses como expressão de um novo tempo – ou nova ordem. “Esse império da construção naval é um símbolo da transformação histórica da China, de uma nação continental voltada para dentro, em potência marítima”. Um dos trunfos do país asiático é a diversificação. “As gigantescas empresas chinesas de construção naval que fabricam navios para o mundo são muitas vezes as mesmas que fabricam navios de guerra para a Marinha da China”, aponta a Dow Jones Newswires. “Seus estaleiros estão prosperando, com contratos de muitos bilhões de dólares sendo firmados não só para navios de guerra, mas também para navios de transporte de contêineres, navios petroleiros e graneleiros para companhias marítimas da China, do Ocidente e até de Taiwan.” Citando o conflito entre Rússia e Ucrânia, a reportagem afirma que as guerras atuais têm durações imprevisíveis. Daí a necessidade de indústrias navais capazes de atender às demandas nacionais: “As fábricas de armamentos dos EUA vêm lutando para acompanhar os campos de batalha na Ucrânia. Seus fabricantes de munições – e estaleiros – não estão prontos para uma guerra com a China”

Madonna reclama de fã cadeirante ao vê-lo sentado em show

Cantora viralizou no Tiktok com um vídeo que foi postado no momento do ocorrido Madonna não gostou de ver que um homem não estava dançando em seu show, nesta sexta-feira (9), em Los Angeles. Ao contrário do resto da multidão – de pé, animada – ele estava sentado. Do palco, ela o repreendeu. “Ei, você! Sim, você”, disse ela, apontando em sua direção. “O que você está fazendo sentado aí? O que você está ganhando sentado assim?”. A cantora, que fazia mais uma apresentação de sua “Celebration Tour”, caminhou visivelmente contrariada até a beira do palco para ouvir mais de perto o fã. Foi quando percebeu a gafe, o erro constrangedor. Com as luzes voltadas para aquela parte da plateia, ela pôde ver que o homem em quem dava bronca por não estar de pé era cadeirante. Madonna ficou alguns segundo em silêncio para em seguida dizer: “Oh, ok. Entendi. Politicamente incorreto. Desculpe por isso. Estou feliz que você esteja aqui.” De volta ao centro do palco, não se conteve: “Oh my gosh!” [“Oh, meu Deus!, em linguagem mais informal]. O TikTok com a cena teve mais de dois milhões de visualizações desde que foi postado, no sábado. (Folhapress)

Brasil e 23 países da Celac exigem cessar-fogo em Gaza

Declaração com seis pontos sobre o conflito no Oriente Médio não foi assinada por todos os países do grupo. Documento foi um pedido do presidente Lula Os chefes de Estado e de governo do Brasil e mais 23 países da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos ) assinaram, na última sexta-feira (1), uma declaração conjunta em que manifestam repúdio às milhares de mortes decorrentes do conflito entre Israel e Palestina e pedem pelo cessar-fogo. Os líderes estavam reunidos em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas, para a 8ª Cúpula do grupo. Na chamada “Declaração sobre as ações israelenses em Jerusalém Oriental Ocupada e no resto do Território Palestino Ocupado”, divulgada neste sábado (2) pelo Ministério das Relações Exteriores, os signatários pedem à “Corte Internacional de Justiça para determinar se a ocupação continuada do Estado da Palestina pelo Estado de Israel constitui uma violação do direito internacional”. Somente 24 países da Celac assinaram o texto. Ficaram de fora Argentina, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Panamá, Paraguai e Uruguai. Entre os seis pontos da declaração, os países exigem a libertação imediata de todos os reféns e a garantia de acesso humanitário às áreas afetadas. O texto é parte de um apelo feito pelo presidente Lula por uma moção nesse sentido ao final do encontro. Confira na íntegra o texto: Nós, os Chefes de Estado e de Governo de Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, Dominica, República Dominicana, Granada, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago e República Bolivariana da Venezuela, reunidos em Buccament, São Vicente e Granadinas, por ocasião da VIII Cúpula da Comunidade da América Latina e Estados do Caribe (CELAC); Cientes de que a Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz da CELAC em 2014 “reafirmou o compromisso dos países membros com os propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional” e declarou “que a paz é um bem supremo e uma legítima aspiração de todos os povos” e “um princípio e valor comum da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC);” Conscientes da intransigência refletida nas declarações do Governo de Israel e do agravamento da crise humanitária em Gaza: 1. Deploramos o assassinato de civis israelenses e palestinos, incluindo os cerca de 30.000 palestinos mortos desde o início da incursão de Israel em Gaza, e manifestamos profunda preocupação com a situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza e com o sofrimento da população civil palestina. 2. Endossamos fortemente a exigência da Assembleia Geral das Nações Unidas (A/ES-10/L.27) de um cessar-fogo humanitário imediato em Gaza e de que todas as partes no conflito cumpram o direito internacional, nomeadamente no que diz respeito à proteção de civis. 3. Tomamos nota dos casos em curso perante a Corte Internacional de Justiça para determinar se a ocupação continuada do Estado da Palestina pelo Estado de Israel constitui uma violação do direito internacional e se o ataque de Israel a Gaza constituiria genocídio. 4. Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os reféns, bem como a garantia de acesso humanitário às áreas afetadas, e apoiamos a Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras aos Refugiados da Palestina (UNRWA). 5. Recordamos as múltiplas Resoluções relevantes da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, que reiteram a importância crucial do estabelecimento de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado dentro de fronteiras seguras e reconhecidas. 6. Decidimos convocar, sob a presidência ´pro tempore´ da República de Honduras, um mecanismo apropriado para monitorar ativamente o impacto dessa incursão na recuperação, no desenvolvimento e na segurança da Palestina, e na busca de uma paz justa e duradoura entre os Povos israelense e palestino

Trump vence Biden por 48% a 43%, diz pesquisa do New York Times

Uma nova pesquisa conduzida pelo New York Times em parceria com o Siena College, divulgada neste sábado (2), revela um cenário desafiador para o presidente Joe Biden, a oito meses das eleições nos Estados Unidos. Segundo os resultados, Donald Trump lidera nas intenções de voto, com 48%, contra 43% do atual presidente. Este último atinge seu mais alto índice de desaprovação desde que assumiu o cargo, com 47% dos entrevistados expressando forte desaprovação à sua gestão. Enquanto isso, 43% consideram suas políticas prejudiciais, e apenas 18% afirmam terem sido impactados positivamente por sua administração. A insatisfação se reflete também na direção do país, com 65% dos entrevistados acreditando que os EUA estão seguindo na direção errada. A pesquisa também abordou a escolha de Biden como candidato democrata à reeleição, com uma diferença mínima entre aqueles que apoiam sua permanência (46%) e os que prefeririam outra pessoa (45%). Trump, por sua vez, enfrenta ampla rejeição, com 43% dos entrevistados expressando opinião muito desfavorável sobre ele, embora apenas 22% tenham uma visão muito favorável. Temas políticos também foram discutidos Além das questões envolvendo os candidatos, a pesquisa abordou temas cruciais como a Guerra da Ucrânia e a imigração pela fronteira com o México. A maioria (59%) apoia um aumento do suporte econômico e militar dos EUA à Ucrânia, enquanto metade (50%) acredita que a busca por asilo nos EUA deve ser dificultada para aqueles que cruzam a fronteira sul. Em relação a Trump, 53% dos entrevistados acreditam que ele cometeu crimes federais graves, enquanto 36% discordam dessa afirmação. Conduzida com 980 eleitores registrados em todo o país, a pesquisa, realizada entre os dias 25 e 28 de fevereiro, apresenta uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos. Dos respondentes, 823 completaram todas as respostas, com uma margem de erro de 4 pontos entre aqueles que responderam a todas as questões.

Papa diz que “ideologia de gênero” ameaça humanidade

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (1°/03), no Vaticano, os participantes do encontro internacional “Homem-Mulher, imagem de Deus. Por uma antropologia das vocações”, promovido pelo Centro de Pesquisa e Antropologia das Vocações (CRAV) e coordenado pelo prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, cardeal Marc Ouellet. O encontro se realiza, no Vaticano, neste 1° de março e no sábado, dia 2, e reúne vários estudiosos, filósofos, teólogos e pedagogos para refletir sobre a antropologia cristã, o pluralismo, o diálogo entre culturas, e o futuro do cristianismo. Antes de seu discurso, lido pelo seu colaborador o mons. Filippo Ciampanelli, porque o Papa ainda está resfriado e se cansa quando lê, Francisco proferiu algumas breves palavras. Encontro importante entre homens e mulheres Gostaria de sublinhar uma coisa: é muito importante que haja este encontro, este encontro entre homens e mulheres, porque hoje o perigo mais feio é a ideologia de gênero, que anula as diferenças. Pedi para fazer estudos sobre essa ideologia ruim do nosso tempo, que apaga as diferenças e torna tudo igual; cancelar a diferença é cancelar a humanidade. Homem e mulher, porém, vivem uma “tensão” fecunda. A seguir, o Papa disse que leu um romance do início do século XX, escrito pelo filho do arcebispo de Cantuária intitulado: “O Senhor do Mundo”. Segundo Francisco, “o romance fala do futurismo e é profético, pois mostra essa tendência de cancelar todas as diferenças”. “É interessante lê-lo, porque há esses problemas de hoje. Aquele homem era um profeta”, sublinhou. A seguir, o mons. Ciampanelli leu o discurso do Papa, que destaca que “o objetivo desta conferência é, primeiramente, considerar e valorizar a dimensão antropológica de cada vocação. Isto remete-nos para uma verdade elementar e fundamental, que hoje precisamos redescobrir em toda a sua beleza: a vida do ser humano é uma vocação. Não nos esqueçamos: a dimensão antropológica, subjacente a cada chamado no âmbito da comunidade, tem a ver com uma característica essencial do ser humano como tal: isto é, que o próprio homem é vocação”. Em seu discurso, o Pontífice ressalta que “cada um de nós, tanto nas grandes escolhas que dizem respeito a um estado de vida quanto nas muitas ocasiões e situações em que elas se encarnam e tomam forma, descobre e se expressa como chamado, como uma pessoa que se realiza na escuta e na resposta, compartilhando seu ser e seus dons com os outros para o bem comum”. Identidade em relação Segundo o Papa, “esta descoberta nos tira do isolamento de um eu autorreferencial e nos faz olhar para nós mesmos como uma identidade em relação: eu existo e vivo em relação a quem me gerou, à realidade que me transcende, aos outros e ao mundo que me circunda, em relação ao qual sou chamado a abraçar com alegria e responsabilidade uma missão específica e pessoal”. De acordo com Francisco, “essa verdade antropológica é fundamental porque responde plenamente ao desejo de realização humana e de felicidade que habita em nosso coração”. No contexto cultural atual, às vezes há uma tendência a esquecer ou obscurecer essa realidade, com o risco de reduzir o ser humano apenas às suas necessidades materiais ou exigências primárias, como se fosse um objeto sem consciência ou vontade, simplesmente arrastado pela vida como parte de uma engrenagem mecânica. Neste sentido, o Papa recomenda não sufocar a “saudável tensão interior” que cada um carrega dentro de si, ou seja, o chamado “à felicidade, à plenitude da vida, a algo grande a que Deus nos destinou”. A vida de cada um não é um acidente de percurso A vida de cada um de nós, sem exceção, não é um acidente de percurso; a nossa existência no mundo não é mero fruto do acaso, mas fazemos parte de um plano de amor e somos convidados a sair de nós mesmos e realizá-lo, para nós e para os outros. Segundo o Papa, “cada um de nós tem uma missão, ou seja, é chamado a dar a sua contribuição para melhorar o mundo e moldar a sociedade”. Francisco encoraja as pesquisas, os estudos e as oportunidades de debates sobre as vocações, os diferentes estados de vida e a multiplicidade de carismas: “São também úteis para nos questionar sobre os desafios de hoje, sobre a crise antropológica em andamento e sobre a necessária promoção das vocações humanas e cristãs.” É importante também que se desenvolva “uma circularidade cada vez mais eficaz entre as diferentes vocações”, para que as obras que surgem do estado de vida laical a serviço da sociedade e da Igreja, junto com o dom do ministério ordenado e da vida consagrada, possam contribuir para gerar esperança num mundo sobre o qual pairam pesadas experiências de morte”. Por fim, o Papa desejou a todos um bom trabalho e disse-lhes “para não terem medo nestes momentos tão ricos na vida da Igreja”. O Espírito Santo nos pede algo importante: fidelidade. Mas a fidelidade está a caminho e muitas vezes a fidelidade nos leva a arriscar. A “fidelidade de museu” não é fidelidade. Sigam em frente com a coragem de discernir e se arriscar, buscando a vontade de Deus. Coragem e sigam em frente, sem perder o senso de humor!  

Em Gaza, 17 mil crianças ficaram órfãs ou foram separadas de suas famílias

O alto comissário da ONU, Volker Turk, afirmou já terem sido registrados “muitos incidentes que podem ser considerados crimes de guerra pelas forças israelenses” Em uma reunião especial dedicada a abordar a crise humanitária na Faixa de Gaza, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta: mais de 17 mil crianças em Gaza perderam seus pais ou estão separadas de suas famílias, relata Jamil Chade, do UOL. O cenário descrito pela ONU ocorre em meio a um trágico marco, com o número de mortes em Gaza ultrapassando 30 mil pessoas. O alto comissário da ONU, Volker Turk, durante um discurso no Conselho de Direitos Humanos, enfatizou a gravidade da situação, descrevendo o horror presenciado em Gaza como algo difícil de ser traduzido em palavras. “Parece não existir palavra que capture o horror visto em Gaza”, disse A reunião testemunhou tensões entre as diferentes delegações, com o governo de Israel acusando a ONU de negligenciar a construção de uma operação terrorista em Gaza e minimizar as vítimas israelenses. Por sua vez, a diplomacia palestina acusou Israel de genocídio. Além disso, a ONU destacou os desafios humanitários enfrentados pelos habitantes de Gaza, incluindo desaparecimentos, restrições à ajuda humanitária e destruição de infraestruturas civis. “Pelo menos 17 mil crianças ficaram órfãs ou foram separadas de suas famílias, e muitas outras carregarão as cicatrizes do trauma físico e emocional por toda a vida”, alertou Turk. A organização também apontou os ataques do Hamas contra os israelenses como “chocantes” e “profundamente traumatizantes”, mas igualmente condenou a resposta israelense, caracterizando-a como brutal e desproporcional. Turk enfatizou a necessidade urgente de paz, investigação e responsabilização, chamando atenção para as violações dos direitos humanos e das leis humanitárias cometidas por todas as partes envolvidas no conflito. Por fim, a ONU destacou as condições de vida desesperadoras enfrentadas pela população de Gaza, incluindo fome iminente, escassez de água potável e um sistema de saúde à beira do colapso. O bloqueio e o cerco impostos à região foram equiparados a punição coletiva e ao uso da fome como método de guerra, ambos considerados crimes de guerra pela comunidade internacional. “A guerra em Gaza precisa acabar. Todas as partes cometeram violações claras dos direitos humanos internacionais e das leis humanitárias, incluindo crimes de guerra e possivelmente outros crimes de acordo com a lei internacional. Chegou a hora – e já passou da hora – da paz, investigação e responsabilização”, disse Turk, que ressaltou as violações cometidas por Israel contra os palestinos. “Em 56 anos de ocupação israelense, sistemas de controle profundamente discriminatórios foram impostos aos palestinos para restringir seus direitos, inclusive o direito de locomoção, com grande impacto sobre sua igualdade, moradia, saúde, trabalho, educação e vida familiar. Um bloqueio de 16 anos na Faixa de Gaza manteve a maioria de seus 2,2 milhões de habitantes em cativeiro e destruiu a economia local. As vidas de gerações de palestinos na Cisjordânia foram marcadas por assédio, controle, arbitrariedade – inclusive prisões e detenções arbitrárias – e aumento da violência militar e dos colonos israelenses. Enquanto isso, os assentamentos ilegais continuaram a crescer, levando, de fato, a uma maior anexação das terras dos palestinos. Imagine a humilhação e a repressão intermináveis sofridas”. Turk assinalou que já foram registrados “muitos incidentes que podem ser considerados crimes de guerra pelas forças israelenses, bem como indícios de que as forças israelenses se envolveram em alvos indiscriminados ou desproporcionais que violam o direito internacional humanitário”.

“Fala de Lula sacudiu o mundo e pode resolver a questão em Gaza”, diz Celso Amorim

Assessor do presidente afirma que declaração “desencadeou um movimento de emoções” A declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual comparou a situação em Gaza ao genocídio de Adolf Hitler contra os judeus, “sacudiu o mundo e desencadeou um movimento de emoções que pode ajudar a resolver uma questão que a frieza dos interesses políticos foi incapaz de solucionar”, afirmou Celso Amorim à Folha de S.Paulo. A observação feita pelo presidente, durante uma coletiva de imprensa na Etiópia, provocou reações imediatas de autoridades israelenses e de organizações judaicas no Brasil. Celso Amorim, principal conselheiro de Lula em assuntos diplomáticos e atual Assessor Especial da Presidência para Assuntos Internacionais, enfatizou o impacto emocional das palavras do petista, que, segundo ele, poderiam estimular esforços internacionais para encontrar uma solução. A declaração veio em resposta a perguntas sobre a decisão do Brasil de continuar apoiando financeiramente a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Vários países haviam interrompido a ajuda à organização depois que Israel acusou alguns de seus funcionários de envolvimento em um ataque terrorista do Hamas contra civis israelenses. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”, declarou Lula na ocasião. No entanto, suas declarações foram recebidas com forte crítica de Israel, levando à declaração de Lula como persona non grata e a uma reprimenda entregue ao embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer. Em resposta às ações de Israel, o governo brasileiro convocou o embaixador Meyer para consultas. Amorim condenou o tratamento dado ao embaixador Meyer como um “espetáculo humilhante”, descrevendo-o como sem precedentes e afetando toda a nação. O Brasil também foi ao Tribunal de Haia denunciar Israel por crimes contra os direitos humanos. Segundo o jornalista Jamil Chade, do Uol, a delegação do Itamaraty apontou que as ocupações e violações praticadas pelo país sionista “não podem ser aceitas ou normalizadas pela comunidade internacional”. O governo ainda chamou os atos israelenses de “ilegais” e equivalente a uma “anexação”

Na ONU, EUA vetam proposta de cessar-fogo em Gaza pela 3ª vez

Nesta terça-feira (20), os Estados Unidos exerceram seu veto pela terceira vez consecutiva em uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU relacionada ao genocídio de Israel contra palestinos que vivem na Faixa de Gaza. O veto bloqueou a exigência de um cessar-fogo humanitário imediato, levantando preocupações sobre o impasse no conflito que já dura semanas. 3 membros do conselho votaram a favor do texto apresentado pela Argélia, enquanto o Reino Unido se absteve, evidenciando uma divisão na comunidade internacional sobre as ações a serem tomadas para conter a violência na região. O veto dos EUA frustrou os esforços de aprovação da resolução, que buscava estabelecer um cessar-fogo imediato para proteger civis e permitir a prestação de ajuda humanitária. O embaixador da Argélia na ONU, Amar Bendjama, destacou a importância do apoio à vida dos palestinos ao defender a resolução. Ele argumentou que votar contra a proposta significaria endossar a violência e a punição coletiva infligida aos palestinos na região. Um voto a favor desse projeto de resolução é um apoio ao direito dos palestinos à vida. Por outro lado, votar contra implica um endosso à violência brutal e à punição coletiva infligida a eles”, disse Bendjama ao conselho antes da votação. Por sua vez, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, expressou preocupação de que a resolução proposta pudesse prejudicar as negociações em andamento entre os EUA, Egito, Israel e Catar, que buscam intermediar um acordo de paz e a libertação dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza. Thomas-Greenfield enfatizou a importância de não atrapalhar essas negociações sensíveis com a adoção de uma resolução que poderia ter um impacto negativo sobre as mesmas. No entanto, os EUA propuseram um projeto alternativo de resolução pedindo um cessar-fogo temporário e se opondo a uma grande ofensiva terrestre de Israel em Rafah, sugerindo uma “abordagem mais equilibrada” para resolver o conflito. Este novo projeto ecoa a linguagem utilizada pelo presidente Joe Biden em suas recentes conversas com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O projeto de resolução dos EUA destaca o apoio a um cessar-fogo temporário em Gaza, baseado na libertação de todos os reféns, e pede o levantamento de barreiras à assistência humanitária. No entanto, a resolução rejeitada redigida pela Argélia não vinculava o cessar-fogo à liberação de israelenses levados à Gaza, exigindo separadamente uma trégua humanitária imediato e a libertação incondicional de todos os reféns, de ambos os lados.  

Defesa do Estado palestino motivou ataque a Lula, diz embaixador

Agência Brasil conversou com o representante da Palestina no Brasil Para o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, as reações contrárias à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou a ação de Israel em Gaza às mortes de judeus na Segunda Guerra Mundial, são injustas e motivadas pela defesa que o governo brasileiro tem feito da criação imediata de um Estado Palestino. “Essa campanha [contra Lula] iniciou, indiretamente, porque Lula está defendendo um reconhecimento imediato do Estado da Palestina como membro pleno da ONU [Organização das Nações Unidas]. Isso é o que está por detrás de toda esta campanha, e Netanyahu falou bem categórico que não vai aceitar a existência de um Estado palestino”, afirmou Alzeben, em entrevista à Agência Brasil. Para o embaixador palestino, como o governo de Israel rejeita essa solução, ele tem atacado o presidente Lula. “Ele [Netanyahu] não vai aceitar nenhuma intervenção de uma influência exterior. Ele não quer negociar com os palestinos. Ele está matando os palestinos e não quer que ninguém intervenha nesse assunto”, concluiu. Na semana passada, Netanyahu disse que Israel continuará a se opor ao “reconhecimento unilateral de um Estado palestino”. Para o premier, tal reconhecimento representaria uma recompensa ao ataque do Hamas de 7 de outubro. No plano internacional, o Brasil defende um Estado palestino “economicamente viável convivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”. O embaixador Alzeben acrescentou ainda que as reações contra a fala de Lula tem relação com outras bandeiras defendidas pelo atual governo brasileiro. “Ele está sendo atacado não somente por esta posição a favor da Palestina, mas também por todo o conjunto de bandeiras dignas que ele está levantando desde que assumiu o poder”, acrescentou Injustiça O diplomata palestino considerou que a reação contrária à fala do presidente é injusta porque Lula condenou o nazismo, Hitler e o holocausto. “Ele condenou, clara e publicamente, Hitler e o nazismo. Sua posição também se solidariza com os judeus que foram submetidos ao genocídio. Este genocídio que nós condenamos e que todos com consciência viva devem condenar”, completou. Alzeben disse ainda apreciar a posição do Brasil em relação ao conflito, posição esta que consolida Lula como símbolo internacional. “A posição do Brasil atual está, digamos, ao mesmo nível de muitos outros países, entre eles, a África do Sul, que se juntam contra a barbárie, se juntam contra o genocídio e que se juntam pela paz justa e paz viável entre palestinos e israelenses para viver em harmonia.” Entenda o caso Em entrevista coletiva durante viagem oficial à Etiópia, o presidente brasileiro classificou as mortes de civis em Gaza como genocídio, criticou países desenvolvidos por reduzirem ou cortarem a ajuda humanitária na região e disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. “Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças”, disse Lula. A declaração gerou fortes reações do governo israelense. O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, disse que a fala “banaliza o Holocausto e tenta prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”, escreveu o premier em uma rede social

Netanyahu reage a fala de Lula sobre holocausto e convoca embaixador

Presidente brasileiro classificou as mortes em Gaza como genocídio O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, respondeu neste domingo (18) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com críticas às operações israelenses na Faixa de Gaza e ao corte de ajuda humanitária a habitantes da região. Netanyahu disse que a fala feita por Lula equivale a “cruzar uma linha vermelha”, referindo-se a trecho da declaração de Lula, feita durante viagem oficial à Etiópia. Em entrevista coletiva, o presidente brasileiro classificou as mortes de civis em Gaza de “genocídio”, criticou países desenvolvidos por reduzirem ou cortarem a ajuda humanitária na região e disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus.” “As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”, escreveu o premiê israelense em sua conta verificada na rede social X. Ele acrescentou que determinou a convocação do embaixador do Brasil em Israel para uma dura conversa de reprimenda. O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, também publicou no X que a fala de Lula foi “vergonhosa” e confirmou a convocação do embaixador brasileiro para esclarecimentos. A declaração do presidente causou reação de entidades como a Confederação Israelita no Brasil (Conib), que divulgou nota repudiando a comparação e na qual diz que a declaração do presidente é uma “distorção perversa da realidade”. “Os nazistas exterminaram 6 milhões de judeus indefesos na Europa, somente por serem judeus. Já Israel está se defendendo de um grupo terrorista que invadiu o país, matou mais de mil pessoas, promoveu estupros em massa, queimou pessoas vivas e defende em sua carta de fundação a eliminação do Estado judeu”, continua o texto da Conib. A Federação Árabe Palestina no Brasil, por sua vez, comentou a declaração de Netanyahu e sugeriu que “talvez seja hora de cortar relações com o Israel”.