Lula critica países por corte de ajuda humanitária à Palestina

Presidente garantiu que o Brasil fará novo aporte de recursos O presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, criticou neste domingo (18) os cortes na ajuda humanitária à Palestina anunciado nas últimas semanas por diversos países. Em viagem à Etiópia, o líder brasileiro voltou a classificar como “genocídio” as ações militares perpetradas por Israel na Faixa de Gaza. “Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, lamentou Lula. O presidente garantiu que o Brasil fará novo aporte de recursos para ações humanitárias na região. Mais de 10 países – entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Itália, Suíça, Irlanda e Austrália – chegaram a suspender repasses para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês). A entidade, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), é a maior responsável por ações humanitárias implementadas na Faixa de Gaza. Os cortes foram anunciados após Israel denunciar o envolvimento de alguns funcionários da entidade nos ataques realizados pelo grupo palestino Hamas no sul do país, em outubro do ano passado. O governo israelense também defendeu que a UNRWA fosse extinta e substituída por outras agências. Por sua vez, a entidade anunciou o afastamento dos acusados, mas criticou a suspensão dos repasses financeiros. O chefe da UNRWA, Phillipe Lazzarine, pontuou que as alegações envolvem um grupo pequeno de funcionários. Ele também destacou que as vidas das pessoas na Faixa de Gaza dependem das contribuições internacionais, sem as quais diversas comunidades ficarão desamparadas. “A UNRWA é a espinha dorsal da resposta humanitária e a tábua de salvação de milhões de refugiados em toda a região”, escreveu nas redes. Ações Entre os serviços sociais desenvolvidos pela entidade estão a construção e administração de escolas, abrigos para desalojados e clínicas médicas. Ela também é responsável por distribuição de alimentos. Além disso, a UNRWA é um importante contratante de mão de obra em uma região que conta com boa parte da população desempregada. “Quando eu vejo países ricos anunciarem que estão parando de dar contribuição para a questão humanitária aos palestinos, eu fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente e qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Se tem algum erro dentro de uma instituição que recolhe dinheiro, puna-se quem errou. Mas não suspenda ajuda humanitária para um povo que está há tantas décadas tentando construir o seu Estado”, criticou Lula. O presidente brasileiro disse que os valores do novo aporte brasileiro ao UNRWA ainda serão definidos. Ele cobrou que as lideranças mundiais assumam um comportamento responsável em relação ao ser humano. “O que está acontecendo na Faixa da Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás existiu quando Hitler resolveu matar os judeus. E você vai deixar de ter ajuda humanitária? Quem vai ajudar a reconstruir aquelas casas que foram destruídas? Quem vai devolver a vida das crianças que morreram sem saber porque estavam morrendo?”, questionou. Na quinta-feira (15), após a Irlanda anunciar a retomada das contribuições, o chefe da UNRWA, Phillipe Lazzarine, agradeceu o país pelas redes sociais. Ele conclamou outras nações a seguirem pelo mesmo caminho. “Quatro meses em uma guerra brutal. O custo para os civis é inimaginável. 5% da população de Gaza já sofreu mortes, ferimentos ou separação. 17 mil crianças arrancadas dos pais. A fome se aproxima. A ajuda desesperadamente necessária não está indo para Gaza. Uma ação urgente é crucial para travar este crescente desastre humanitário. Não há substituto para o papel do UNRWA na ausência de uma solução política genuína. Afirmar o contrário não só coloca em risco a vida de pessoas desesperadas, mas também compromete as possibilidades de uma transição bem sucedida”, escreveu. Estado Palestino Lula disse que além de garantir nova contribuição humanitária, o Brasil vai defender na ONU que o Estado palestino seja reconhecido definitivamente como Estado pleno e soberano. O presidente brasileiro também voltou a se posicionar a favor de uma reforma na ONU, ampliando as participações no Conselho de Segurança e extinguindo o direito de veto mantido por Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. “O que acontece no mundo hoje é falta de instância de deliberação. Nós não temos governança. Eu digo todo dia: a invasão do Iraque não passou pelo Conselho de Segurança da ONU. A invasão da Líbia, a invasão da Ucrânia e a chacina de Gaza também não passaram. Aliás, as decisões tomadas pela ONU não foram cumpridas. Nós estamos esperando para humanizar o ser humano. O Brasil está solidário ao povo palestino. O Brasil condenou o Hamas e não pode deixar de condenar o que o exército de Israel está fazendo”, finalizou. Agência Brasil
Pacote ultraliberal – Milei sofreu a primeira derrota no Congresso da Argentina

É a primeira vez que um texto já aprovado em plenário na Câmara dos Deputados volta à instância inicial no Legislativo No dia em que chegou a Israel para apoiar os ataques do governo de Benjamin Netanyahu contra a população palestina, o presidente argentino Javier Milei sofreu a primeira derrota parlamentar de seu mandato. Na noite desta terça-feira (6), a chamada Lei Ônibus, pacote ultraliberal que é o principal projeto do governo, voltou à estaca zero em sua tramitação, sem prazo para ser novamente apreciada pelos deputados argentinos. Com a derrota, Milei já marca seu nome na história: é a primeira vez que um texto já aprovado em plenário na Câmara dos Deputados volta à instância anterior. O pacote, com mais de 300 medidas de recorte neoliberal que Milei busca implementar desde dezembro do ano anterior, teve seu texto base aprovado na última sexta-feira (2) e foi para votação nesta terça-feira (6). Também não há registro na história argentina de que o primeiro projeto de lei de uma gestão tenha sido derrubado pelo próprio partido governista. O pedido para que o projeto retrocedesse ao estágio inicial foi feito pelo deputado Oscar Zago, líder do governo na Câmara dos Deputados, após acompanhar os principais artigos da Lei Ônibus serem derrubados na votação, em particular aqueles que tratam da reforma do Estado. Antes que os tópicos que tratam das privatizações no país sofressem o mesmo destino, Zago se antecipou e pediu o retorno da Lei Ônibus ao estágio de comissões, que representa a estaca zero da tramitação. “Há compromissos que não foram cumpridos”, disse o parlamentar do partido governista Liberdade Avança. Em Israel desde terça-feira, Milei sentiu o golpe e partiu para o ataque contra os parlamentares que votaram contra o projeto, os quais ele classificou como “delinquentes”. “A casta política, como nós chamamos esse conjunto de delinquentes que querem uma Argentina pior e que não estão dispostos a ceder seus privilégios, começaram a desmantelar nossa lei de Bases e Pontos de Partida”, disse em coletiva de imprensa em Israel, após se reunir com Netanyahu. Brasil de Fato
Putin disse a Tucker Carlson que não é Biden quem governa os Estados Unidos

Segundo o líder russo, presidente americano seria apenas a fachada para a real estrutura de poder O presidente russo Vladimir Putin afirmou ao jornalista estadunidense Tucker Carlson que o presidente Joe Biden não está governando os Estados Unidos. Ao ser questionado sobre quem manda, ele respondeu: “As mesmas forças que sempre o comandaram. Você pode mudar de presidente, mas não muda aqueles que estão no poder real. É com isso que temos que lidar. Joe Biden é apenas uma fachada para esta estrutura de poder.” Este é um primeiro trecho que vem sendo divulgado da entrevista feita em Moscou por Carlson e que irá ao ar neste fim de semana. It took 2 years for one self-employed American journalist to interview Russian President Putin to hear the other side. US mainstream media is occupied by military-spy complex. Good job, Tucker Carlson. Only wish you were sensible like this re: China. pic.twitter.com/r49jDhbVqw — S.L. Kanthan (@Kanthan2030) February 7, 2024
Ataques israelenses aprofundam crise humanitária em Gaza

O genocídio prossegue, apesar das recomendações da Corte Internacional de Justiça Prensa Latina – Os bombardeios israelenses mataram ou feriram neste domingo (28) dezenas de palestinos em Gaza, onde a crise humanitária se aprofunda após o deslocamento forçado de milhares de pessoas da cidade de Khan Yunis para Rafah, localizada mais ao sul. A agência de notícias oficial Wafa informou que vários cidadãos perderam a vida neste domingo após ataques de aeronaves e artilharia contra várias áreas de Khan Yunis. Depois de devastar o norte do enclave costeiro, as forças israelenses iniciaram há algumas semanas uma ofensiva terrestre contra Khan Yunis, que está sob fogo desde então. Nos últimos dias, estações de televisão árabes mostraram imagens de dezenas de milhares de civis fugindo de Khan Yunis em direção a Rafah, uma cidade já sobrecarregada pelo número de refugiados que acolhe. Milhares de pessoas que fugiram dos combates chegaram à superlotada Rafah, onde as pessoas dormem nas ruas e em acampamentos inundados por esgoto, informou a rede de notícias Al Jazeera. A aviação israelense também atacou o bairro de Tal Al-Hawa, a sudoeste da cidade de Gaza, nas últimas horas, causando mortos e feridos, embora os números exatos sejam desconhecidos até o momento devido à incapacidade das equipes de resgate em chegar ao local.
Estados Unidos realizam segundo ataque em ofensiva contra os Houthis no Iêmen

Forças Armadas estadunidenses afirmam que atingiram uma instalação de radar do grupo Pelo segundo dia consecutivo, os Estados Unidos atacaram o Iêmen em nova ofensiva contra o grupo rebelde Houthis. De acordo com comunicado das Forças Armadas estadunidenses, o alvo deste bombardeio foi uma instalação de radar do grupo, que foi atingida por mísseis de cruzeiro Tomahawk, na madrugada deste sábado (13) – noite de sexta-feira no Brasil. Já um canal de televisão ligado aos Houthis informou, na manhã deste sábado (13), que os Estados Unidos e o Reino Unido lançaram uma série de ataques contra a capital do Iêmen. Este é o segundo ataque contra o grupo iemenita em 24 horas. Na madrugada da sexta-feira (12), uma ofensiva dos EUA com apoio do Reino Unido bombardeou instalações do grupo rebelde. A ação foi uma retaliação a ataques coordenados pelos Houthis a navios mercantes aliados de Israel no Mar Vermelho. Segundo cálculos do Pentágono, foram atingidos quase 30 alvos no primeiro ataque. A Folha de S. Paulo informou, neste sábado (13), que uma autoridade americana declarou sob anonimato à CNN que este segundo ataque foi uma ação isolada dos EUA e não contou com apoio dos aliados, a exemplo do Reino Unido. Além disso, explicou que o alcance da ação foi menor do que a da sexta-feira (12). Após o ataque ocidental, os Houthis prometeram uma reposta feroz. Em um discurso gravado, o porta-voz militar Yahya Saree afirmou que os ataques não ficariam sem respostas. Outro integrante importante do grupo, Hussein al-Ezzi, declarou que os EUA e aliados devem “suportar todas as terríveis consequências desta agressão flagrante”. Em Saná, capital do Iêmen, e em diversas cidades do país, como Al Hudaydah, milhares de pessoas se reuniram para protestar contra os ataques. As lideranças políticas locais afirmavam que os bombardeios ocidentais “são terrorismo”. Desde novembro, o grupo iemenita tem realizado ataques contra navios comerciais de países aliados de Israel, uma ação militar em solidariedade aos palestinos. Em dezembro, os EUA lideraram a criação de uma coalizão para proteger o tráfego marítimo na região dos ataques dos Houthis.
Globo, Estadão e Folha atacam Lula por endosso à ação de genocídio contra Israel

MÍDIA E FASCISMO – Em editoriais uníssonos, Globo, Estadão e Folha ecoam a versão da máquina de propaganda sionista, de que as críticas ao ataque desumano que pretende dizimar o povo palestino, são parte do “antissemitismo contemporâneo”. Globo e Estadão assumiram a frente da máquina de propaganda sionista. Em editoriais uníssonos publicados nesta sexta-feira (12), iniciaram ataques ao presidente Lula que, após encontro com o embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Alzeben, anunciou que o Brasil endossa a ação movida pela África do Sul na Corte Criminal Internacional (ICC, na sigla em inglês). O documento acusa Israel de cometer genocídio contra os Palestinos na ofensiva na Faixa de Gaza. O Tribunal de Haia, como é conhecida a corte, iniciou nesta quinta-feira (11) o julgamento da ação, com a exposição de representantes sul-africanas. Nesta sexta-feira, a defesa do Estado sionista de Israel vai apresentar as suas alegações para o assassinato de mais de 23 mil palestinos – 70% deles mulheres e crianças – em pouco mais de três meses da invasão de Gaza. Em editorial no jornal O Globo, a família Marinho – que controla o grupo de comunicação – classifica como “lastimável” a adesão de Lula à ação e faz eco à propaganda sionista, de que as críticas à ação cruel e desumana das Forças de Defesa de Israel no território palestino tratam de “antissemitismo”. “Ao atender ao pedido do embaixador palestino no Brasil, Lula viola a tradição de equilíbrio da diplomacia brasileira, banaliza uma acusação que só deveria ser feita com a maior parcimônia, em atitude que fortalece a vertente mais insidiosa do antissemitismo contemporâneo”, diz o texto. Os editoriais d’O Globo e do Estadão parecem até mesmo terem sido combinados ao usar os argumentos da propaganda sionista e lembrarem que o termo genocídio foi cunhado justamente para definir a perseguição de Adolph Hitler aos judeus na Alemanha nazista. “A palavra foi cunhada justamente para descrever o crime dos nazistas contra judeus e outras minorias. Foi descrita na Convenção do Genocídio de 1948 como tipo penal definido por atos cometidos “com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Só indivíduos são julgados por genocídio, jamais um país”, diz O Globo, defendendo ainda que a ação deveria ser proposta no “Tribunal Penal Internacional, que Israel não reconhece”. “Ciente de que a acusação de “genocídio” contra Israel é voz corrente entre a militância esquerdista no Brasil e no mundo, Lula adere ao exagero retórico na expectativa de parecer um humanista, sem se preocupar muito com as consequências práticas de seus atos e palavras em relação aos interesses do Brasil que ele governa”, ecoa o Estadão. Já a Folha diz, de forma contundente, que “genocidas foram os nazistas contra judeus e outras minorias na 2ª Guerra Mundial, o Império Otomano contra armênios em 1915 e 1916 e hutus contra tutsis em Ruanda em 1994”, abstendo os sionistas pelo genocídio recorrente contra os palestinos, que começou já durante a ocupação na região. De forma mais branda que seus asseclas, a Folha diz que o “Brasil erra ao deixar equidistância na guerra; saída de Netanyahu seria melhor”, defendendo a deposição do premiê extremista de Israel, Benjamin Netanyahu. “Além de ser o pivô da radicalização religiosa da política em seu país, ele chefia o gabinete humilhado pela penetração desimpedida de milhares de terroristas em Israel”, diz o jornal da família Frias. Para justificar que “um país” não pode ser julgado por genocídio, O Globo tem o disparate de dizer que “o Exército de Israel diz adotar cuidados para poupar civis e garantir o fluxo de auxílio humanitário” e defender a versão sionista que diz que “já comprovou o uso de hospitais e escolas como instalações militares pelo Hamas”. Na explanação nesta quinta-feira no Tribunal de Haia, os representantes da África do Sul destacam justamente os ataques em hospitais “com tudo o que continham, incluindo bebês” e cita o comportamento deplorável dos militares israelenses, visto em vídeos nas redes sociais, e de seus comandantes, que defendem a aniquilação dos palestinos e a incorporação de Gaza a Israel, como é previsto pelos sionistas antes mesmo da criação do Estado. “O exército israelense celebra a destruição de vilas e cidades, e os soldados filmam cenas de bombardeio e destruição de casas, vilas e cidades, e querem instalar assentamentos sobre as ruínas dos palestinos”, disse um dos representantes da África do Sul Via Revista Fórum
PALESTINA SOB ATAQUE – Brasil apoia denúncia contra Israel por genocídio

Começam nesta quinta as audiências públicas sobre ação judicial impetrada pela África do Sul Lucas Estanislau e Julio Adamor O Brasil apoia a iniciativa da África do Sul de mover uma ação judicial contra Israel por crimes de genocídio contra o povo palestino junto à Corte Internacional de Justiça (CIJ). Foi o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou nesta quarta-feira (10) ao embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Alzeben, durante encontro em Brasília para discutir a situação dos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. “À luz das flagrantes violações ao direito internacional humanitário, o presidente manifestou seu apoio à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça para que determine que Israel cesse imediatamente todos os atos e medidas que possam constituir genocídio ou crimes relacionados nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”, informou o Itamaraty por meio de nota à imprensa. Em entrevista ao Brasil de Fato, o embaixador palestino elogiou o encontro e disse que o posicionamento do Brasil terá um peso importante na luta da comunidade palestina contra o massacre perpetrado por Israel. “A reunião com Lula foi muito boa. O presidente estava muito receptivo, assim como o chanceler Celso Amorim e todos os funcionários que estavam na reunião. Depositamos muita confiança na posição do Brasil, que é muito importante porque é alinhada ao direito internacional, e a causa palestina é uma causa de direitos internacional e humanitário”, declarou. “Eu acho que a posição brasileira é muito próxima à posição palestina, de que a paz é a única posição viável para este conflito”. Alzeben afirmou que o apoio do Brasil deve colocar “mais peso a essa iniciativa na CIJ”, uma vez que, na visão dele, trata-se de um país “muito importante na arena internacional e a palavra do Brasil tem muito peso”. “Lembramos com muita gratidão a posição do Brasil ao longo desses 76 anos de questão palestina, desde 1947”. Audiências começam nesta quinta Nesta quinta (11) e sexta-feira (12), a CIJ, o mais alto órgão judicial da ONU, realizará as primeiras audiências públicas para tratar do pedido de uma ação judicial de autoria da África do Sul, que acusa o Estado de Israel de cometer crimes de genocídio contra o povo palestino. Segundo o país denunciante, as ações perpetradas por Israel contra Gaza são de “natureza genocida”, pois “têm a intenção de provocar a destruição de uma parte substancial do grupo nacional, racial e étnico palestino”. O embaixador palestino afirmou que deposita muita esperança de que a CIJ vai tomar uma “decisão certa, que possa por fim a esse genocídio que Israel está cometendo na nossa terra há praticamente 96 dias consecutivos”, uma vez que os países membros da corte que “são comprometidos em combater a limpeza étnica e o genocídio”. No encontro em Brasília, Lula recordou ao embaixador que o Brasil condenou imediatamente os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que serviram de pretexto para o massacre perpetrado desde então por Israel. Reiterou, contudo, que “tais atos não justificam o uso indiscriminado, recorrente e desproporcional de força por Israel contra civis”, segundo a nota. O presidente ressaltou que falou pessoalmente com vários chefes de Estado e de governo em prol do cessar fogo, da libertação dos reféns em poder do Hamas e da criação de corredores humanitários para a proteção dos civis, além da atuação do Brasil no exercício da presidência do Conselho de Segurança da ONU na busca de uma saída diplomática para o conflito.
Trump, Clinton e Príncipe Andrew: nomes da lista de Epstein são revelados

Registros de voo de avião usado em esquema de tráfico de crianças jogam suspeita em figurões da política Uma nova lista de documentos revelada pela Justiça dos EUA mostra que dois ex-presidentes do país viajaram em diversas ocasiões com o bilionário pedófilo Jeffrey Epstein no ‘Lolita Express’. O ‘Lolita Express’ era o avião usado por Epstein e por sua mulher, Ghislaine Maxwell, para traficar menores de idade – muitas vezes abaixo dos 13 anos de idade – para prática de pedofilia. Entre os amigos de Epstein localizados no processo como viajantes do Lolita Express estão John Doe 36, também conhecido como Bill Clinton, e Donald Trump. Clinton nega ter ido às ilhas de Epstein, mas uma das vítimas de tráfico humano afirma que o ex-presidente dos EUA esteve no local e a conheceu lá. Trump sempre foi muito próximo de Epstein e Maxwell, e chegou a visitá-los em pelo menos sete ocasiões entre 1993 e 1997, segundo os logs de viagem. Epstein foi preso, mas se matou na cadeia em 2019, antes que fizesse um acordo para revelar as práticas em sua ilha particular localizada nas Ilhas Virgens dos EUA. Entre 20 e 100 mulheres menores de idade foram traficadas para as ilhas de Epstein, onde acabam vivendo como escravas sexuais do bilionário e de seus colegas. Uma delas acusa o príncipe Andrew, da família real britânica, de ter sido um dos que se beneficiaram do esquema. De acordo com a imprensa local, o nome de Trump e Clinton nos logs de viagem não implicam o envolvimento dos ex-presidentes com os crimes de Epstein. Ron DeSantis, candidato republicano que desafia Trump na campanha presidencial, já está acusando seu colega de partido de envolvimento no esquema de pedofilia.
Reciprocidade: Brasil volta a exigir visto de turistas dos EUA, Canadá e Austrália

Medida acaba com vassalagem diplomática de Bolsonaro, que liberou a entrada dos turistas dos três países preparando campanha para indicar Eduardo Bolsonaro para embaixador nos EUA. A partir da próxima quarta-feira, dia 10 de janeiro, o Brasil passará a exigir novamente visto de turistas provenientes dos EUA, Canadá e Austrália para a entrada no país. O prazo foi estipulado pelo governo Lula em 1º de outubro, mas adiado para passar a valer apenas em 2024 e, dessa forma, não prejudicar turistas já programados para viajarem ao Brasil. De acordo com comunicado do Ministério do Turismo, a medida leva em consideração a data de chegada ao solo brasileiro. Dessa forma, os turistas desses três países que chegarem ao Brasil até 9 de janeiro estão dispensados da obrigatoriedade de apresentar o visto A medida coloca fim à vassalagem diplomática adotada por Jair Bolsonaro (PL) principalmente em relação aos EUA. Em 18 de março de 2019, Bolsonaro baixou o decreto liberando a entrada dos turistas dos três países no Brasil sem a necessidade de visto. A medida foi duramente criticada por não seguir o preceito básico da reciprocidade diplomática – quando dois ou mais países adotam a mesma medida em relação ao outro. Bolsonaro assinou o decreto dois dias após Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atacar imigrantes brasileiros que chegaram de forma ilegal aos EUA durante palestra em Washington. Então presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo era sondado pelo pai para assumir o posto de embaixador brasileiro nos EUA sem nunca ter exercido uma função diplomática. Na palestra, o filho de Jair Bolsonaro disse que os EUA não deveriam isentar cidadãos brasileiros de visto para entrar no país, mesmo com o decreto do pai já no forno. “Quantos americanos vão vir morar ilegalmente no Brasil, aproveitar essa brecha para entrar aqui como turista e passar a viver ilegalmente? Agora vamos fazer a pergunta contrária: se os EUA permitirem que o brasileiro entre lá sem visto, quantos brasileiros vão para os Estados Unidos se passando por turistas e vão passar a viver ilegalmente aqui? (…) Um brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, isso é vergonha nossa, para a gente”, disparou à época Eduaro Bolsonaro, que teve a aventura de se tornar embaixador nos EUA frustrada por pressão do próprio Itamaraty.

Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Londres foi gravada secretamente enquanto tentava realizar um exorcismo em um adolescente de 16 anos, visando expulsar supostos espíritos malignos. Um pastor da igreja evangélica foi observado proferindo o que pareciam ser as chamadas “orações fortes” na tentativa de libertar o jovem de uma influência demoníaca. O programa BBC Panorama também divulgou o testemunho de um ex-membro gay, que afirmou ter recebido “orações fortes” aos 13 anos na tentativa de modificar sua orientação sexual. A IURD afirma que menores de 18 anos não devem participar de cerimônias de “orações fortes” e que não pratica terapia de conversão. A investigação do veículo britânico revelou que a igreja sugere a suas congregações que pode resolver problemas de saúde mental por meio da expulsão de espíritos malignos. O líder da Universal no Reino Unido classifica a epilepsia como um “problema espiritual”. A igreja possui filiais em todo o mundo, incluindo 35 no Reino Unido, onde está registrada como uma entidade sem fins lucrativos. A igreja, de origem brasileira, alega ter mais de 10.000 membros em todo o país, identificando-se como uma igreja cristã pentecostal. A prática de “orações fortes” para expulsar espíritos malignos não é única dela, sendo comum em algumas tradições cristãs, muitas vezes chamadas de libertação ou exorcismo. No entanto, na organização de Edir Macedo não utiliza o termo “exorcismo”. Após uma investigação anterior relacionada ao assassinato de Victoria Climbie em 2000, a instituição introduziu uma política de salvaguarda, comprometendo-se a não realizar “orações fortes” em menores de 18 anos, nem na presença deles. O BBC Panorama, por meio de filmagens secretas, documentou um culto de jovens em Brixton, no sul de Londres, onde um pastor foi filmado realizando “orações fortes” em um jovem de 16 anos. A igreja respondeu à acusação afirmando que as “orações fortes” são conduzidas em serviços específicos de libertação e que menores de 19 anos não são permitidos nessas cerimônias. A igreja negou veementemente violar sua política de salvaguarda. Ex-membros entrevistados pela BBC compartilharam experiências perturbadoras, alegando terem sido submetidos a “orações fortes” contra a política de salvaguarda da Universal. Alguns relataram dificuldades ao tentar deixar a igreja, citando ameaças e pressões emocionais. A dona da Record negou a prática de terapias de conversão e afirmou que “orações fortes” não são realizadas com base em questões de sexualidade ou identidade de gênero, acolhendo pessoas de todas as orientações sexuais. Em um culto gravado secretamente, seu líder no Reino Unido, Bispo James Marques, associou problemas de saúde mental a espíritos malignos, chamando a depressão de um “problema espiritual”. A igreja enfatizou que “orações fortes” não substituem ajuda médica e que as alegações de intimidação não têm fundamento. Contudo, vários ex-membros afirmaram que não retornariam à igreja.