O que se sabe sobre submarino desaparecido que levava turistas ao Titanic

 Buscas estão sendo feitas no norte do Oceano Atlântico para encontrar pequena embarcação com cinco pessoas a bordo Por Alexandre Schossler DW O submarino Titan, que pesa 10 toneladas e pode transportar cinco pessoas – OceanGate As guardas costeiras dos Estados Unidos e do Canadá tentam localizar, no Oceano Atlântico, ao longo da América do Norte, um pequeno submarino turístico chamado Titan, desaparecido desde domingo (18/06) e que transportava um grupo de cinco pessoas que iria visitar os destroços do navio Titanic. A expedição ao Titanic começou na sexta-feira passada, partido da cidade de São João da Terra Nova, no Canadá, a bordo do navio quebra-gelo Polar Prince. No domingo, o Polar Prince chegou à área onde o Titanic afundou, a cerca de 600 quilômetros da costa canadense. O mergulho começou pouco depois, às 6h (horário local). As buscas estão sendo feitas tanto na superfície, para o caso de o submarino ter retornado, como com um sonar para tentar localizar a embarcação embaixo da água. Para isso estão sendo usados três aviões Hércules C-130, uma aeronave P8 equipada com um sonar, o navio quebra-gelos canadense Kopit Hopson 1752 e um submarino. “É um desafio conduzir uma busca nessa área remota”, afirmou o comandante da Guarda Costeira dos Estados Unidos, contra-almirante John Mauger. As buscas ocorrem numa área a cerca de 1.450 quilômetros a leste de Cape Cod, nos Estados Unidos, e a uma profundidade de cerca de 4 mil metros, precisou Mauger. “Estamos usando todos os meios disponíveis para garantir que conseguiremos localizar a embarcação e resgatar as pessoas a bordo”, afirmou. Quando e onde o submarino desapareceu? O submarino Titan submergiu na manhã de domingo, 18 de junho, e o seu barco de apoio na superfície, o quebra-gelo Polar Prince, perdeu contato com ele cerca de uma hora e 45 minutos mais tarde, segundo a Guarda Costeira dos EUA. O submarino foi dado como desaparecido a cerca de 700 quilômetros ao sul da cidade de São João da Terra Nova, capital da província canadense de Terra Nova e Labrador, segundo autoridades canadenses, na área onde ocorreu o naufrágio do Titanic, em 1912. Quem está a bordo? A Guarda Costeira dos EUA divulgou que havia um piloto e mais quatro pessoas a bordo do submarino. Ao menos três delas são turistas que pagaram pela viagem, organizada pela empresa OceanGate, que alugou o Polar Prince para o lançamento do Titan. Entre os turistas está o bilionário empresário britânico Hamish Harding, de 58 anos, segundo a empresa Action Aviation, que é presidida por Harding. Harding é um explorador e aventureiro que detém três recordes registrados no livro Guinness. A Action Aviation é uma empresa de venda de jatos privados baseada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Também a bordo estão o empresário paquistanês Shahzada Dawood e o filho dele, Suleman, segundo um comunicado da família. Dawood é o vice-presidente de um dos maiores conglomerados do Paquistão, a Engro Corporation, que tem investimentos em fertilizantes, fabricação de veículos, energia e tecnologias digitais. Ele mora no Reino Unido com a mulher e dois filhos. Outra pessoa que está a bordo é o explorador francês Paul-Henry Nargeolet, de 73 anos, conhecido como “Mister Titanic”, confirmaram familiares e amigos dele. A identidade da quinta pessoa a bordo ainda não foi confirmada, mas, segundo a emissora britânica BBC, há relatos de que ela seria Stockton Rush, o presidente da OceanGate. No sábado, Harding publicou na sua conta na rede social Instagram a seguinte mensagem: “A tripulação do submarino é composta por alguns exploradores lendários, alguns dos quais completaram mais de 30 mergulhos até o Titanic desde a década de 1980”. Que tipo de submarino é o Titan? O Titan é capaz de mergulhar a uma profundidade de 4 mil metros com uma “margem confortável de segurança”, segundo uma descrição da OceanGate. Ele é feito de fibra de carbono e titânio. Segundo a empresa, o Titan já realizou mais de 50 testes de mergulho, inclusive a uma profundidade equivalente à dos destroços do Titanic. O Titan, que pesa 10 toneladas e tem um comprimento de 6,7 metros, tem uma autonomia de oxigênio de até 96 horas, segundo a empresa. O submersível pode acomodar cinco pessoas, incluindo um piloto. Ele viaja a uma velocidade de 3 nós. Nó é uma unidade de medida de velocidade equivalente a uma milha náutica por hora, ou seja 1,852 km/h. O que são as viagens turísticas ao Titanic? A OceanGate Expeditions, que recentemente confirmou nas suas redes sociais que uma das suas expedições estava em andamento, cobra de seus clientes até 250 mil dólares (cerca de R$ 1,1 milhão) por uma expedição de oito dias e sete noites que inclui um lugar a bordo do seu submarino para ver o famoso naufrágio. O mergulho até os destroços, incluindo ida e volta, dura em torno de oito horas. Os restos do Titanic estão a uma profundidade de 3.800 metros. A OceanGate afirma que cada mergulho objetiva também estudar os destroços do Titanic, que estão em decomposição por causa da ação de bactérias que consomem ferro. O mergulho inaugural ocorreu em 2021. A expedição que desapareceu foi a terceira realizada neste ano. Os restos do Titanic atraem turistas há décadas. Existem várias empresas que organizam viagens de vários dias ao local onde estão os restos do navio, que chegou a ser descrito em sua época como inafundável. O mito Titanic Em 14 de abril de 1912, o Titanic afundou após bater em um iceberg. Seus destroços foram encontrados apenas em 1985 pelo americano Robert Ballard. Dois anos mais tarde, a empresa Titanic Ventures coletou mais de 1.800 objetos do transatlântico. As imagens de talheres, joias valiosas, peças ornamentais do navio e restos mortais de passageiros despertaram a curiosidade de milhões, principalmente de colecionadores. Em 1997, o diretor de cinema James Cameron recriou o naufrágio do Titanic, em um filme que se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema e recebeu oito Oscars.

Presidente Lula e o Papa Francisco discutirão saídas para a guerra na Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrará com o Papa Francisco nesta quarta-feira, no Vaticano, para debater possíveis soluções para o conflito na Ucrânia, segundo informa o jornalista Nelson de Sá, em sua coluna na Folha de S. Paulo. Após nove dias de internação hospitalar, o pontífice recebeu alta no final de semana, sendo aplaudido pelos presentes, como relatado pelo La Repubblica. Durante seu discurso dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano, Francisco destacou o “grande sofrimento” causado pelas guerras na Uganda e na Ucrânia, conforme divulgado pelo site católico Crux. Lula e o Papa já haviam abordado o assunto em uma ligação telefônica, na qual, de acordo com o jornal italiano Il Messaggero, o presidente brasileiro recebeu a bênção papal para atuar como pacificador na área do Brics, buscando exercer influência moral sobre Índia, Rússia, África do Sul e China. O encontro entre Lula e Francisco, marcado para quarta-feira (21), tem como objetivo discutir a guerra na Europa e os esforços conjuntos para mediar a paz. Embora haja alinhamento entre as posições do Papa e dos líderes do Brics em relação à Ucrânia, o vaticanista John L. Allen Jr., em análise para o Crux, ressalta que Francisco não será um mero “capelão” do grupo, destacando a postura de neutralidade tradicional do Vaticano. Nesse contexto, a visita de Lula ao Papa ganha relevância, pois o presidente busca apoio internacional para suas iniciativas em relação à guerra e também para enfrentar desafios como a proteção da Amazônia, a promoção da justiça social e o estímulo ao crescimento sustentável, temas que se entrelaçam com a luta global contra as mudanças climáticas.

Donald Trump se entrega à Justiça americana e ficará sob custódia

O Judiciário acusará formalmente o ex-presidente dos EUA de ter guardado ilegalmente documentos de segurança nacional – O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump (Partido Republicano) se entregou nesta terça-feira (13) à justiça americana e está sob custódia. O Judiciário acusará formalmente o ex-mandatário norte-americano de ter guardado ilegalmente documentos de segurança nacional quando deixou o cargo e mentiu para autoridades que tentaram recuperar o material. O indiciamento de um ex-presidente dos EUA por acusações federais não tem precedentes na história americana. Fotos incluídas na acusação mostram caixas de documentos armazenadas no palco de um salão de baile, em um banheiro e espalhadas pelo chão de um depósito. De acordo com a acusação, Trump conspirou com Walt Nauta, um assessor, para manter documentos confidenciais e escondê-los de um grande júri federal. Nauta, que trabalhou para Trump na Casa Branca e em Mar-a-Lago, deveria aparecer com Trump. Será a segunda visita de Trump à Justiça nos últimos meses. Em abril, ele se declarou inocente das acusações estaduais em Nova York por conta de um pagamento clandestino a uma estrela pornô. Trump proclamou repetidamente sua inocência e acusa o governo do presidente democrata Joe Biden de atacá-lo. Ele chamou o procurador especial Jack Smith, que lidera a acusação, de “odiador de Trump” nas redes sociais na terça-feira. ???????? URGENTE: Donald Trump se entrega e está sob custódia da justiça americana. O ex-presidente americano será acusado formalmente pela justiça sobre o caso dos documentos sigilosos que estavam em sua casa. pic.twitter.com/5ri3hM9e7r — Eixo Político (@eixopolitico) June 13, 2023

Presidente da Comissão Europeia para Lula: ‘Você trouxe o Brasil de volta’

Ursula von der Leyen e Lula se encontram nesta segunda-feira (12/6), no Palácio do Planalto A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, teceu elogios a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em encontro com o presidente do Brasil nesta segunda-feira (12/8), no Palácio do Planalto, em Brasília. Para Ursula, Lula “trouxe o Brasil de volta ao cenário mundial”. “Vamos respirar uma nova vida à nossa parceria. Primeiramente, com uma coordenação mais forte em ações climáticas, de comércio e energias renováveis. Também expressei nosso apreço pela condenação do Brasil quanto à participação da Rússia na Ucrânia”, destacou ela. President @LulaOficial you brought Brazil back to the global stage. Let’s breathe new life into our partnership. With, first, stronger cooperation on climate action, trade & renewables. I also expressed our appreciation of Brazil’s condemnation of Russia’s war on Ukraine. pic.twitter.com/wg7PuCFaA8 — Ursula von der Leyen (@vonderleyen) June 12, 2023 O encontro entre Lula e Ursula durou cerca de uma hora. O presidente brasileiro expôs as preocupações do país com “o instrumento adicional ao acordo apresentado pela União Europeia em março deste ano, que amplia as obrigações do país e as torna objeto de sanções em caso de descumprimento”. “A premissa que deve existir entre parceiros estratégicos é a da confiança mútua e não de desconfiança e sanções. Em paralelo, a União Europeia aprovou leis próprias com efeitos extraterritoriais e que modificam o equilíbrio do acordo. Essas iniciativas representam restrições potenciais às exportações agrícolas e industriais do Brasil”, afirmou Lula. No caso, ele se referia à norma aprovada pelo Parlamento Europeu, em abril, que proíbe a venda no continente de produtos oriundos de desmatamento em florestas. Há uma lista de produtos primários na lei: gado, madeira, soja, café, cacau, borracha e dendê. Qualquer outro produto que seja alimentado (no caso da soja, por exemplo) ou derivado dessas commodities também estão contemplados no texto, como couro, chocolate, móveis, carvão vegetal, produtos de papel impresso e derivados de óleo de palma. ‘Impossível de aceitar’ Em entrevista no fim de abril, Lula já havia dito que a atual proposta era impossível de aceitar. Os europeus buscaram estabelecer requisitos sustentáveis mais duros, que apresentaram no início deste ano. O acordo tem padrões de sustentabilidade que não são vinculantes (ou seja, obrigatórios), por isso os blocos estão negociando o termo adicional, chamado de “side letter”, que torna esses compromissos ambientais uma exigência. (Com Folhapress)

Erdogan vence segundo turno e é reeleito presidente da Turquia

Com vantagem apertada, o atual mandatário obteve 52% dos votos, superando o opositor Kemal Kilicdaroglu para conquistar seu terceiro mandato –  Reprodução Youtube O conservador Recep Tayyip Erdogan, atual presidente da Turquia e líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, venceu o segundo turno das eleições no país, realizado neste domingo (28/05), conquistando sua segunda reeleição consecutiva. O triunfo de Erdogan foi tão apertado que só ocorreu quando havia 98% dos votos apurados, com o atual mandatário chegando a 26,8 milhões de votos, equivalentes a 52,12% do total, enquanto seu adversário, Kemal Kilicdaroglu, do Partido Republicano do Povo [de centro-esquerda], tinha 24,7 milhões, ou 47,88% Com a vitória, Erdogan garante seu terceiro mandato como presidente da Turquia, que durará até 2028. O conservador governa o país desde 2014, quando venceu sua primeira eleição. Vitória no interior O mapa eleitoral turco país não registrou muitas diferenças na comparação entre o primeiro e o segundo turnos, com Erdogan vencendo amplamente na maioria das províncias, mas Kilicdaroglu mostrando pequena vantagem nos principais centros urbanos, como Istambul e Ancara. No primeiro turno, Erdogan superou Kilicdaroglu em 51 das 81 províncias do país. No segundo turno, foram 52 vitórias regionais do presidente reeleito. A única diferença aconteceu em Hatay, no Sul do país, onde o primeiro turno terminou com Kilicdaroglu obtendo 48,08% contra 48,03% de Erdogan. No segundo turno, o atual presidente virou o jogo e ficou com 50,13%, contra 49,87% do opositor. Importância geopolítica As eleições na Turquia eram consideradas muito importantes para o cenário geopolítico atual. Erdogan é tido como um conservador nacionalista que não adere automaticamente às pressões dos Estados Unidos e do Ocidente. Um dos exemplos disso é o fato de que ele tem buscado manter uma posição neutra com relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, apesar de seu país ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além disso, Erdogan tem sido resistente às intenções de Washington de aceitar Finlândia e Suécia como novos membros da aliança militar [o que só pode ser concretizado com aprovação unânime dos integrantes atuais]. Em contrapartida, o opositor Kilicdaroglu, embora seja líder de uma aliança de centro-esquerda, é defensor de um discurso que prega maior aproximação da Turquia com os países europeus. Alguns analistas consideravam que uma possível eleição de Kilicdaroglu poderia levar a Turquia a se tornar um novo aliado de Kiev, o que seria decisivo no confronto com Moscou, devido ao tamanho do país e sua posição estratégica. (*) BdF, com informações da agência turca Anadolu

Após denúncias de brasileiros, Google retira do ar jogo que estimula a escravidão

O Google decidiu remover o ‘jogo’ ‘Simulador de Escravidão” que estava disponível para download na plataforma Google Play. O jogo foi alvo de denúncias por parte de usuários e também do deputado Orlando Silva (PCdoB), relator do PL das Fake News que, dentre outras temáticas, fala sobre a regulação das big techs. De acordo com reportagem do site Ponte Jornalismo, a remoção do aplicativo ocorreu por volta das 13h, conforme relatado por usuários do Google Play. “Entraremos com representação no Ministério Público por crime de RACISMO e levaremos o caso até às últimas consequências, de preferência a prisão dos responsáveis. A própria existência de algo tão bizarro à disposição nas plataformas mostra a URGÊNCIA de regulação do ambiente digital”, escreveu o deputado Orlando Silva em sua conta no Twitter. ????URGENTE! DENÚNCIA CHOCANTE! A Play Store, loja de aplicativos do Android, tem um "jogo" chamado SIMULADOR DE ESCRAVIDÃO, no qual a "brincadeira" consiste em comprar, vender, açoitar pessoas negras escravizadas. É desumano, nojento, estarrecedor. É CRIMINOSO! ???????? A @unegrobrasil… pic.twitter.com/QHi8oaaSOi — Orlando Silva (@orlandosilva) May 24, 2023 A reportagem destaca que  o ‘jogo’ foi baixado por mais de 1.000 pessoas e tinha classificação indicativa livre na plataforma. Sua descrição promovia a compra e venda de “escravos no mercado”, permitindo também a distribuição dos mesmos em diferentes empregos para obter dinheiro. O jogo apresentava um desenho de um homem negro coberto apenas por algo semelhante a uma cueca, algemado no pescoço, mãos e pernas. O Google não respondeu ao pedido da Ponte por resposta. No entanto, no Twitter, em resposta a um usuário que denunciou o jogo, a conta oficial do Google Play sugeriu que o mesmo fez uma denúncia por meio de um site, afirmando: “Levamos essas denúncias muito a sério e agradecemos seu contato”. A empresa Magnus Games, listada como responsável por disponibilizar o jogo na Google Play, também foi contatada pela reportagem por e-mail, mas não respondeu. Há suspeita de que o dono da desenvolvedora de games Magnus Games seja de origem russa ou ucraniana.  

Lula diz que Putin e Zelensky não querem paz e que discurso de Biden não ajuda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que tanto Vladimir Putin, presidente da Rússia, como Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, não demonstram interesse em dialogar sobre a pacificação da guerra no país do leste europeu e que, além disso, o discurso do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, “não ajuda” a instauração de uma mesa de negociações. As declarações ocorreram na noite deste domingo 21, a jornalistas, no Japão, após a sua passagem pela cúpula do G7, grupo que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Segundo o petista, havia uma reunião bilateral marcada com Zelensky, mas, apesar de sua equipe ter aguardado no local marcado, o presidente da Ucrânia não compareceu. Em uma coletiva de imprensa posterior, o homólogo ucraniano disse que não tinha espaço na agenda para Lula. “Eu tinha uma bilateral com a Ucrânia aqui nesse salão às 15h15. Nós esperamos, e aí, recebemos a informação de que eles tinham atrasado. Enquanto isso, eu atendi o presidente do Vietnã, e quando o presidente do Vietnã foi embora, a Ucrânia não apareceu”, relatou. “Certamente, teve outro compromisso e não pôde vir aqui.” Segundo Lula, o encontro com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, durou uma hora, e mesmo assim a Ucrânia não se fez presente. O presidente brasileiro também declarou que não foi informado sobre a razão do cancelamento da reunião bilateral. “Eu não fiquei decepcionado. Eu fiquei chateado, porque eu gostaria de encontrar com ele e discutir o assunto. Por isso que eu marquei aqui no hotel. Apenas isso. Veja, o Zelensky é maior de idade, ele sabe o que faz”, disse Lula. Lula afirmou que não há um projeto de pacificação pronto para solucionar a questão ucraniana e que essa iniciativa só será possível com a interrupção do conflito armado. “Os dois não querem. Eu estou dizendo para você que o Celso Amorim foi lá, foi na Rússia, depois foi na Ucrânia, e o Celso Amorim falou: por enquanto, eles não querem conversar sobre paz“, contou Lula. “Ninguém vai querer se render. Negociação não é negociação. E vai ter um momento que vai querer negociação.” O presidente brasileiro também criticou o discurso de Biden em relação à guerra. “Ontem, vocês viram o discurso do Biden. O discurso do Biden é de que tem que ir para cima do Putin até ele se render, pagar tudo o que estragou… Esse discurso não ajuda. Na minha opinião, esse discurso não ajuda. O que ajuda é um discurso de: gente, vamos sentar primeiro?“, afirmou. Lula também disse não saber se um possível acordo deveria prever que a Ucrânia ceda territórios à Rússia e disse cogitar que o país europeu consiga, a partir de um acordo, recuperar a totalidade das áreas invadidas. O presidente brasileiro propôs ainda que a Organização das Nações Unidas antecipe a data de realização da Assembleia Geral, prevista para setembro deste ano, para julho. Ele defendeu que a ONU seja o espaço para a discussão sobre a resolução do conflito, e não o G7 ou no G20. Em discurso aos líderes presentes no G7, Lula havia pregado uma reforma no Conselho de Segurança da ONU que permita a inclusão de novos membros permanentes. Atualmente, o grupo é composto por Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China. Neste ano, o Brasil preside a parte rotativa do bloco.

Índia vira potência industrial à base da superexploração do trabalho

 No centro do pacote de retrocessos está a proposta de elevar a jornada de trabalho, na contramão das tendências em curso mundo afora. * Por André Cintra A transformação da Índia numa potência industrial pode ser marcada por dois fenômenos: o ritmo acelerado das transformações no parque industrial indiano e as tentativas de explorar cada vez mais os trabalhadores. Nos dois casos, o objetivo é o mesmo: qualificar a Índia como uma alternativa à China – uma aspiração que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais já não escondem. Reportagem publicada pela Dow Jones na semana passada aponta que há uma espécie de força-tarefa internacional em curso conhecida como “China plus one” (“China mais um”). Em poucas palavras, trata-se da ideia de criar um “novo ‘chão de fábrica do mundo”. A vantagem da Índia em relação a outras nações é óbvia: “a força de trabalho e um mercado interno comparável em tamanho ao da China”. Neste ano, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a população indiana chegou a 1,428 bilhão de habitantes, ultrapassou a chinesa e se tornou a maior do Planeta. A CNN, com base em dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), agrega: “Em 2021, a população em idade ativa da Índia era de mais de 900 milhões e deve atingir 1 bilhão na próxima década”. Nesse aspecto, os indianos são imbatíveis. Mas não é só. Empresários reclamam que as políticas trabalhistas e sociais promovidas pelo Partido Comunista na China, com valorização de salários e direitos, elevaram os custos do setor produtivo. Além disso, em troca de investimentos e condições privilegiadas, o governo Xi Jinping passou a pressionar as empresas a transferirem tecnologia. Os prolongados – e necessários – lockdowns promovidos no território chinês para conter a pandemia de Covid-19 igualmente assustaram as multinacionais. O que fazer, então, para não pôr “todos os ovos em um único cesto na China”, conforme metaforiza um executivo da Vestas Assembly India, filial da megafabricante dinamarquesa de turbinas eólicas? A resposta: estimular a concorrência. “Muitos países estão competindo para ser o ‘mais um’, com Vietnã, México, Tailândia e Malásia em uma disputa intensa”, sustenta a Dow Jones. Só que a Índia, para além de fatores populacionais, parece contar com a disposição do conjunto da classe dominante para legalizar a superexploração do trabalho. Nas palavras eufêmicas e descaradas da Dow Jones, “o governo de Nova Déli vem se esforçando para tornar o ambiente de negócios mais amigável do que no passado”. Em uma de suas últimas “cartas semanais”, o historiador indiano Vijay Prashad, diretor-geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, elencou projetos e medidas que têm levado a Índia a promover o desmonte da legislação trabalhista. No centro desse pacote de retrocessos está a proposta de elevar a jornada de trabalho, na contramão das tendências em curso mundo afora. Diz Prashad: “Em toda a Índia, há um debate em andamento sobre a revisão dos limites da jornada de trabalho. Um projeto de lei no estado de Tamil Nadu procurou emendar a Lei das Fábricas, de 1948, que permitiria às fábricas aumentar a jornada de trabalho de 8 para 12 horas. Na Assembleia Estadual de Tamil Nadu, o ministro do governo, CV Ganesan, disse que o estado – que tem o maior número de fábricas na Índia – precisava atrair mais investimentos estrangeiros, o que seria mais fácil se a indústria pudesse ter ‘horários de trabalho flexíveis’. Protestos liderados por sindicatos e pela esquerda frearam o governo, apesar de contrapor-se à pressão do lobby empresarial (o Vanigar Sangangalin Peramaippu). Em fevereiro, um projeto de lei semelhante foi aprovado no estado vizinho de Karnataka. ‘A Índia está competindo com todo o mundo para atrair investimentos’, disse o ministro de Eletrônica, Tecnologia da Informação e Biotecnologia, CN Ashwath Narayan; ‘Só quando você tem leis trabalhistas flexíveis, os investimentos podem ser atraídos’.” Segundo o historiador, o conceito de “flexibilidade” remete o movimento sindical do país à “liberalização do mercado de trabalho” iniciada em 1991 e marcada pela retirada de direitos. Em resposta, o Comitê Sindical de Campanha Nacional, em parceria com as chamadas Organizações Sindicais Centrais, organizou nada menos que 22 greves gerais desde então. Na última, em março de 2022, cerca de 200 milhões de trabalhadores cruzaram os braços. A exemplo do discurso adotado no Brasil às vésperas da reforma trabalhista (2017) e da primeira campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República (2018), procuraram vender aos trabalhadores indianos a falácia de que, para haver mais empregos, era necessário cortar direitos. Tanto lá como cá, a desregulamentação avançou, mas sem a contrapartida de mais postos de trabalho. O “caminho da Índia” tem contentado a burguesia global. A Dow Jones cita o exemplo da cidade de Sriperumbudur, que já era referência na produção de automóveis e eletrodomésticos. Agora, a essas empresas se somam “corporações multinacionais que fabricam de painéis solares e turbinas eólicas a brinquedos e calçados, todas em busca de uma alternativa à China”. A Índia deve se converter no segundo maior mercado mundial de turbinas ainda nesta década. O sucesso dessa estratégia, no entanto, ainda depende de uma mudança comportamental na Índia, alicerçada num processo de êxodo rural de longo prazo. “A escassez de mão-de-obra começa a aparecer em centros industriais indianos, segundo autoridades locais e empresas. Isso porque, ao contrário da China, muitos trabalhadores relutam em mudar para longe de onde nasceram para procurar emprego”. Por fim, no país mais populoso do mundo, “a força de trabalho continua em grande parte pobre e não qualificada”, ao mesmo tempo em que “a infraestrutura é pouco desenvolvida”. A complacência do governo indiano com a pauta ultraliberal das multinacionais pode até atrair mais indústrias de ponta – mas à custa de um trabalho exponencialmente precarizado. * Jornalista Fonte: Vermelho

Lula parabeniza Santiago Peña, eleito novo presidente do Paraguai

Santiago Peña após votar nas eleições do Paraguai. (Foto: Daniel Duarte/AFP) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o novo presidente do Paraguai, Santiago Peña, por sua vitória nas eleições deste domingo (30). O economista de 44 anos é o novo presidente do Paraguai, após vencer as eleições de um único turno contra Efraín Alegre, o candidato da coalizão de esquerda. O novo presidente do Paraguai vai assumir o cargo a partir do dia 15 de agosto, em um mandato de cinco anos. Santiago é do Partido do Colorado, que comanda o país há mais de 70 anos, e foi eleito com 42,67% dos votos. Em sua conta no Twitter, Lula desejou boa sorte em seu mandado, e pediu para que ambos trabalhassem juntos, para relações cada vez melhores entre seus países e uma América do Sul unida. Parabéns ao presidente eleito do Paraguai @SantiPenap pela vitória nas eleições. Boa sorte no seu mandato. Vamos trabalhar juntos por relações cada vez melhores e mais fortes entre nossos países, e por uma América do Sul com mais união, desenvolvimento e prosperidade ???????????????? — Lula (@LulaOficial) May 1, 2023  

Índia ultrapassa China e agora é a maior nação; saiba quais são os dez países mais populosos do mundo

Imagem de mercado em Mumbai, na Índia, em 17 de março de 2023 — Foto: Rajanish Kakade/AP China perdeu o posto de país com maior população desde o começo da contagem da Organização das Nações Unidas, ONU, iniciada em 1950. Brasil está na sétima posição. A Índia está ultrapassando a China em tamanho de população ainda neste mês de abril, de acordo com projeção da Organização das Nações Unidas (ONU). Será a primeira vez que os chineses deixarão de ser a nação mais populosa do mundo. A data exata da mudança ainda não foi divulgada, mas a ONU confirmou ao g1 que ela aconteceu “algum momento” deste este mês. A estimativa da ONU contabiliza 1,428 bilhão de habitantes na Índia e 1,425 bilhão na China. As Nações Unidas contabilizam as populações dos países desde 1950 — desde então, a China sempre foi apontada como o país mais populoso. Uma nova campeã: Índia passa a China e se torna o país mais populoso do mundo E a distância de China e Índia para os outros países é grande. O terceiro colocado no ranking populacional são os Estados Unidos, com cerca de 334 milhões de pessoas, aproximadamente 23% da quantidade dos dois primeiros da lista. Já o Brasil aparece na sétima colocação, com cerca de 216 milhões. Com Índia e China no topo, confira a lista dos dez países com as maiores populações do mundo, segundo estimativa da ONU: Índia: 1,428 bilhão; China: 1,425 bilhão; Estados Unidos: 334,6 milhões; Indonésia: 281,6 milhões; Paquistão: 232,9 milhões; Nigéria: 220,5 milhões; Brasil: 216,4 milhões; Bangladesh: 169,3 milhões; Rússia: 146,1 milhões; México: 132,7 milhões. A mudança no topo do ranking pode ser compreendida pelo envelhecimento da população chinesa, que também teve seu crescimento estagnado nas últimas décadas — um dos fatores foi a política do filho único, implementada pelo governo chinês nos anos 1980. Enquanto isso, a Índia caminha no sentido contrário. A população é jovem se comparada à chinesa, com uma taxa de fertilidade anual mais alta e uma queda na mortalidade infantil desde os anos 1990.