Filme ‘Barbie’ desperta fúria conservadora contra atriz trans e feminismo

Políticos de direita acusam o longa de subverter valores cristãos, entre outros argumentos Círculos conservadores se reuniram em torno de um novo inimigo público: a Barbie. Ideologia e religião têm motivado pedidos de boicote ao lançamento cinematográfico mais comentado do ano, o filme de Greta Gerwig sobre a linha de boneca. A saga protagonizada por Margot Robbie é acusada de subverter valores cristãos, fazer propaganda subliminar para a China e, de quebra, ser uma das artimanhas mais bem-sucedidas do marxismo cultural nos últimos anos. Essa teoria conspiratória sustenta que a esquerda se infiltrou nas artes, na imprensa e em outras instituições para destruir a civilização ocidental por dentro. A grita ultraconservadora também contaminou o Brasil. Ex-ministro da Educação de Jair Bolsonaro (PL), Abraham Weintraub equiparou a obra ao nazismo em tuíte postado na quinta (20), o dia da estreia. Escreveu acima de uma foto do nazista Klaus Barbie, criminoso de guerra conhecido como o “carniceiro de Lyon”: “Não é a primeira vez que o nome Barbie está a serviço do demônio! Protejam seus filhos de qualquer linha ideológica de Barbie! Da antiga ou da atual!”. Sites evangélicos também entraram em polvorosa. Eis um artigo publicado no Gospel Mais: “Especialistas cristãos em cinema alertam: Não levem seus filhos para assistir ‘Barbie’”. Segundo o texto, “muitos pais acreditam tratar-se de um filme infantil, mas irão deparar-se com muito conteúdo adulto, incluindo temas LGBT”. Tanto nos EUA quanto no Brasil, o filme nunca foi dirigido a crianças – a classificação indicativa é de 12 anos aqui e 13 lá. O Gospel Mais também cita o Movieguide, site comandado pelo crítico Ted Baehr, presidente da americana Comissão Cristã de Filme e TV. “O filme esquece seu público principal de famílias e crianças enquanto atende a adultos nostálgicos e promove histórias de personagens lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.” A escalação de Hari Nef, atriz trans que interpreta a Barbie Médica, absorve boa parte dessa fúria. Charlie Kirk, ativista da extrema direita dos EUA, definiu o trailer do filme como “a coisa mais nojenta” que ele já viu. Deputada estadual em Minas, a bolsonarista Alê Portela (PL) pediu aos pais que não levem os filhos para ver “Barbie”. Segundo ela, o título a princípio pode enganar. “Podemos pensar que um filme baseado nessa personagem seria voltado para o público infantil e familiar, destacando a feminilidade”, escreveu em uma rede social. Mas, para a parlamentar, não foi isso que aconteceu. A presença de Nef no elenco é um dos incômodos que ela manifesta, junto com a presença de temas como álcool e assédio. Também repercutiu na internet a decepção de uma influencer cristã carioca com o longa que tanto aguardava para assistir. Vitória Margarida chegou a postar um vídeo dela com a roupa toda rosa que separou para a estreia: “Tô pronta tem um mês!”. A publicação seguinte, contudo, era um lamento. “Barbie”, em sua opinião, deturpa o conceito de família tradicional e vende uma ideia equivocada de que “ser uma esposa” e “uma mulher grávida casada” não é bom jogo para as mulheres. A estratégia de abusar do uso de rosa é esperta, mas o tom da obra é bem mais sombrio para Margarida. A influencer acaba dando voz à outra linha de insatisfação com a obra: será que essa imagem de mulher independente e empoderada, que dispensa a companhia masculina, não é danosa para o povo evangélico? Um templo evangélico em Goiânia, a Igreja Casa, atraiu a ira de irmãos de fé ao usar um frame de “Barbie” para anunciar um culto. Reclama um seguidor: “Será que os líderes dessa igreja não sabe que o filme feminista e traz uma desvalorização da figura masculina?”. O pastor Pedrão, líder da Comunidade Batista do Rio e responsável por celebrar o casamento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL), diz que a produção perdeu uma bela oportunidade de “ser tão somente entretenimento” para “levantar bandeiras ideológicas”. Pedrão conta à reportagem que a filha e duas netas de 9 e 11 anos já assistiram o filme e saíram com má impressão. “Interessante que você é obrigado a lidar com essas bandeiras de diversidades com absoluta normalidade. Segundo minha filha, ‘Barbie’ é exageradamente feminista, mostrando os homens sem ação.” Apesar da classificação de 12 anos, que a princípio deveria barrar as netas no cinema, o pastor critica a participação da intérprete transgênero, “uma informação passada para crianças que ainda nem entendem a sua própria sexualidade”. “O respeito é para todos e com todos, mas creio que tudo deve acontecer no tempo certo e de forma natural, e não goela abaixo, como tem acontecido.” “A (famigerada) pauta de costumes é a ponta de lança do projeto autoritário e fundamentalista da extrema direita transnacional”, afirma João Cezar de Castro Rocha, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e estudioso das guerras culturais. “É a cartilha, o manual de procedimentos. Por quê? Porque ela incide no que há de mais imediato e importante no cotidiano das pessoas: educação das crianças, sexualidade, formas de convívio A extrema direita, segundo Rocha, ganha adeptos se consegue gerar “medo”. “E, para haver medo, é preciso que haja um agente que ‘ameace’ aqueles fatores. Aqui vale tudo: Hollywood, Netflix e a indústria cultural ‘esquerdista’, professores doutrinadores, identitarismo progressista, etc. O que importa é criar inimigos imaginários para produzir o ódio que estrutura a extrema direita.” À agenda moral soma-se a tese de que, com a produção, Hollywood faz propaganda cifrada à China. Tudo por conta de uma cena que traz o mapa de uma região que a superpotência clama para si, não sem detonar conflitos territoriais com vizinhos. Chamada de Linha das Nove Raias, a demarcação no mar da China Meridional é alvo de disputa entre países como Vietnã -que decidiu vetar a estreia comercial do longa. Senadores americanos como Ted Cruz e Marsha Blackburn apontaram uma agenda oculta na trama sobre a boneca fã de cor-de-rosa. Colega de partido do ex-presidente Donald Trump, Blackburn acusou a “Hollywood esquerdista” de se “dobrar a Pequim para faturar uma
Pesquisa – Governo libera R$ 10 milhões para vacina anti crack e cocaína da UFMG

O governo de Minas Gerais anunciou, nesta sexta-feira (21 de julho), que vai destinar verba de R$ 10 milhões para início dos testes clínicos em humanos da Calixcoca, uma vacina terapêutica direcionada para atuar na dependência de cocaína e crack. O estudo é desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O acordo foi firmado após reunião entre o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, e a reitora da UFMG, Sandra Regina. Segundo o secretário, o estado acredita que, caso se mostre de fato eficaz, o imunizante pode ajudar a reduzir o impacto do consumo de drogas em Minas. “É um recurso do estado. As primeiras fases do estudo foram fomentadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), e agora com os resultados promissores em camundongos, agora vem o ensaio clínico. A reitora nos pediu apoio e colocamos os primeiros R$ 10 milhões para que ela consiga fazer esses ensaios. Ela é muito promissora porque sua plataforma pode ser capaz de criar vacinas contra novas formas sintéticas”, explica. Reitora da UFMG, Sandra Regina explica que a vacina é produzida com produtos químicos e que quer atuar contra a dependência da cocaína e do crack. Segundo ela, os estudos já mostram resultados expressivos. Agora, a pesquisa passa para a parte clínica, que deve durar em torno de dois anos. “Temos reuniões com a Anvisa para ver quais são os procedimentos adotados. Teste clínicos são com as pessoas, e esse aporte inicial vai deixar com que a gente deixe esse salto. Os testes devem começar em breve, mas deve demorar de um a dois anos para termos esse resultado. Temos uma demanda social muito grande e acreditamos que vai mudar todo o tratamento da dependência do crack e cocaína”, afirmou. Dados da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Fife), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), revelam que o Brasil é o segundo maior consumidor mundial de cocaína. A droga, que se popularizou na década de 1990, quando os cartéis colombianos produziam e exportavam mais de 500 toneladas do produto por ano, é considerada um problema de saúde pública, uma vez que governos federal e estaduais procuram alternativas para tratar os dependentes da substância.
Zema diz que deixou de cobrar imposto da Localiza por “temor jurídico”

Decisão controversa de não cobrança de IPVA das locadoras de veículos gerou polêmica e investigação; Zema demorou cinco anos para cobrar parte do imposto devido por locadoras O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), admitiu ter demorado cinco anos para cobrar parte do imposto devido por locadoras de veículos no estado. A alegação do governo foi uma possível “insegurança jurídica”, o que gerou debates e uma denúncia de parlamentares ao Ministério Público, destaca o Uol. Desde 2018, as empresas de locação de veículos eram obrigadas a pagar uma complementação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) quando vendiam os veículos. No entanto, somente no final de 2022, o governo iniciou a cobrança desses valores, o que gerou questionamentos e críticas. Parlamentares obtiveram acesso a documentos que apontam que o governador teria temido ser alvo de processos judiciais caso aplicasse a lei desde o início de seu mandato em 2019. Esse atraso na cobrança chamou atenção, principalmente, porque o grupo Localiza, controlado pela família do empresário Salim Mattar, foi um dos beneficiários, já que os sócios da empresa financiaram 28% dos gastos eleitorais de Zema na campanha de 2022. A cobrança complementar de 1% do IPVA para as locadoras, vigente até julho deste ano, se dava quando os veículos fossem transferidos para subsidiárias para revenda. Entretanto, ao invés de controlar a cobrança, o governo Zema ingressou com uma ação liminar em 2021 na Justiça para declarar a cobrança inconstitucional, mas não obteve sucesso. Após pressão do governo, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais votou em julho o fim da complementação do IPVA das locadoras, e a lei foi sancionada pelo próprio governador. No entanto, os valores devidos entre 2018 e 2023 ainda seguem passíveis de cobrança. O Ministério Público de Minas Gerais foi acionado e avalia a situação. O governo deixou dúvidas sobre a redação da lei e quem deveria ser conduzido o pagamento complementar do imposto. No entanto, o promotor Rodrigo Alberto Azevedo Couto defendeu que a responsabilidade é das locadoras como proprietárias dos veículos. O Sinfazfisco-MG (Sindicato dos Servidores da Tributação, Fiscalização e Arrecadação do Estado de Minas Gerais) criticou a lei que proibiu novas cobranças complementares, alegando que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Regime de Recuperação Fiscal. A decisão controversa do governo Zema está sob análise do Ministério Público e continua gerando debate entre os parlamentares e a sociedade, levantando questões sobre o tratamento fiscal diferenciado dado às locadoras de veículos em Minas Gerais.
Violência – Minas Gerais é o segundo Estado com mais feminicídios no país

Casos aumentaram quase 10% em comparação com 2021 Dados divulgados na 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Minas Gerais é o segundo Estado onde mais se comete feminicídios no país. O estudo indica que 171 mulheres foram mortas em Minas Gerais em 2022 pelo simples fato de serem mulheres. O aumento é de 9,9% em relação a 2021, onde 155 mulheres foram assassinadas. No Brasil, a variação foi de 6,6%. A Lei 13.104, de 9 de março de 2015, qualificou o crime de feminicídio quando ele é cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Na frente de Minas Gerais está São Paulo, com 195 vítimas do feminicídio no ano passado. O número de mulheres mortas em crimes classificados como homicídio, quando a morte não é relacionada ao gênero, também é grande. Nesse caso, foram 309 vítimas, número 3,3% maior que o registrado em 2021. Quando separado apenas esse crime, Minas Gerais figura como o quarto mais violento do Brasil. Crime tentado As tentativas de feminicídio também aumentaram em Minas Gerais. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que foram 123 tentativas de feminicídio no Estado. Lesão corporal As lesões corporais, no âmbito de violência doméstica, ficaram praticamente estáveis no Estado. Foram registrados 22.561 casos em 2022, enquanto em 2021 foram 22.657. O especialista e pesquisador em segurança pública, Jorge Tassi, avalia que a alta nos índices de feminicídio em Minas podem estar ligados à convivência em excesso, instituída pela pandemia da Covid-10. “No primeiro semestre de 2022 tivemos ainda um fortalecimento do trabalho em casa. Com isso as famílias ficaram em casa e isso aumentou o estresse, o que fez pode potencializar os casos em famílias que têm predisposição de resolver problemas com a violência”, pontua. Ele aponta, no entanto, um machismo estruturante e o adoecimento da sociedade, com a política de drogadição, como gatilhos para o crime contra a mulher. “Não costumamos discutir esse dados baseado em ciência, acabamos no achismo. Mas precisamos estudar isso com profundidade o machismo estruturante e o adoecimento da sociedade. Vivemos uma política de drogadição, um marketing muito forte na sociedade, um incentivo a droga como elemento de prazer e cura. Hoje temos a cultura de usar drogas para emagrecer e ficar mais forte e, com isso, estamos perdendo a cultura de se disciplinar em busca de resultados”, explica. Tassi afirma que o abuso de álcool e drogas pode gerar conflitos familiares que levam à violência. “O uso desses entorpecentes, como maconha e crack, e de álcool pode não agradar a todos. Se o marido chega alcoolizado, por exemplo, em casa, a esposa pode não gostar. A situação pode levar a uma discussão que gere violência, atingindo até terceiros ou familiares”, avalia. Jornal O Tempo
BH pode aprovar controle de natalidade e internação da população de rua

Projeto, aprovado em primeiro turno na Câmara, impõe políticas de controle de natalidade e internação de dependentes De acordo com o censo, divulgado em fevereiro deste ano pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte possui 5.344 pessoas em situação de rua. Agravando essa realidade, neste inverno, a capital já bateu recordes de frio, com temperaturas que chegaram a 8,8°, com sensação térmica negativa. Esses fatores resultam em cenários lastimáveis, como o óbito por hipotermia de um homem em situação de rua, ocorrido em junho deste ano. Diante dessa realidade, os vereadores Braulio Lara (Novo), Wesley Moreira (PP), Henrique Braga (PSDB), Gilson Guimarães (Rede) e o ex-parlamentar Rogério Alkimin tentam aprovar na Câmara Municipal de Belo Horizonte o Projeto de Lei 340/2022, que impõe a retirada compulsória de bens da população em situação de rua, como colchões, camas e barracas. O texto foi aprovado em primeiro turno na Casa, no último dia 5, e propõe ainda medidas como a internação em comunidades terapêuticas, das pessoas em situação de rua que façam uso abusivo de álcool e outras drogas, e a implementação de políticas de controle de natalidade. O vereador Bruno Pedralva (PT), que também é médico e trabalhador do Sistema Único de Saúde (SUS) avalia o PL como desumano. “Controle de natalidade é política da época do nazismo, um procedimento de esterilização contra a vontade da pessoa. Um PL que usa esse conceito no século 21 significa a negligência de direitos humanos e reprodutivos. As pessoas em situação de rua, como qualquer outra, têm a opção e o direito de engravidar ou realizar seu planejamento familiar, e ter suporte do serviço de saúde”, pontua. Solução passa por política estruturantes Na avaliação da arquiteta e professora da UFMG Júnia Ferrari, o PL não propõe nenhuma solução urbanística para a cidade. A especialista pontua ainda que a situação se trata de um problema social que precisa ser enfrentado. “O Legislativo quer oficializar a ideia higienista. Estão muito mais preocupados com a paisagem do que com a situação que famílias inteiras têm enfrentado nas ruas de BH”, critica. “Acho estranho como esses mesmos parlamentares não se mobilizam contra a interdição dos espaços públicos feitos nos edifícios de média e alta renda, como gradis, jardins e outras estruturas que impedem a fruição”, completa a professora. Samuel Rodrigues, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), relata que o contingente de pessoas que vivem nas ruas aumentou significativamente durante a pandemia, mas há muitos anos as políticas para o setor não acompanham a demanda. Ele explica ainda que a superação dessa situação só virá com robustos investimentos em políticas transversais e estruturantes, como programas habitacionais e de geração de emprego e renda. “Caso contrário, infelizmente, vamos seguir assistindo o aumento dessa população, que sempre é refém da negligência do poder público, da discriminação social e agora do Legislativo municipal, com esse PL esdrúxulo, de tamanha violação e ofensa”, reforça. Proposta viola determinação judicial para PBH Lethicia Reis, advogada popular do Coletivo Margarida Alves, ressalta que o recolhimento de bens da população em situação de rua, desde 2019, é uma medida ilegal em Belo Horizonte. A proibição é resguardada por uma decisão judicial transitada em julgado, fruto de uma ação popular movida em 2017. “A prefeitura ainda está impedida de recolher os bens da população em situação de rua, sob pena de multa. Se esse PL for sancionado, a inconstitucionalidade dele certamente vai ser reconhecida, porque ele é incompatível com o ordenamento brasileiro”, explica. Fonte: BdF Minas Gerais
Juízes e promotores de MG vão receber R$ 57 mil por filho

TJMG e MP de Minas vão pagar auxílio-creche para juízes e promotores Juízes e promotores de Minas Gerais que tiveram filhos nos últimos cinco anos ganharam um presente antecipado de dia dos pais, pelas mãos do presidente do Tribunal de Justiça de Minas, o desembargador José Arthur de Carvalho Pereira Filho, e do chefe do MP mineiro, o Procurador-Geral de Justiça, Jarbas Soares. Por meio de duas resoluções, eles instituíram o auxílio-creche para magistrados e promotores com filhos de até sete anos, que prevê pagamento mensal de R$ 950 por criança, matriculada ou não em instituição de ensino. O detalhe é que o benefício será pago não apenas a partir de agora, mas mediante cálculo de compensação que retroage a uma regra criada em 2010. De acordo com os textos, estes valores devem ser pagos “com incidência de juros e correção monetária”. Antes das medidas, apenas servidores ativos do quadro de pessoal dos dois órgãos, detentores de salários mais modestos, tinham direito ao benefício. O valor de auxílio pago a eles nos últimos cinco anos será a referência para o cálculo daquilo que agora os detentores dos salários mais altos nas duas Casas também fazem jus. Considerando apenas a tabela de correção monetária do Judiciário mineiro, um membro do MP ou do TJMG com um filho de sete anos recém-completados tem direito a uma bolada de R$ 57 mil. Este valor ainda será acrescido de juros, cujo percentual não foi divulgado. “Valores retroativos serão pagos de acordo com a disponibilidade orçamentária e poderão ser parcelados”, registram ambas as resoluções. Retroatividade Embora os textos informem que o benefício retroage a 2010, um segundo artigo deixou em dúvida promotores e magistrados, ao informar que valores devidos do passado observarão uma “prescrição quinquenal, a ser contatada a partir da edição do ato”. Prescrição quinquenal é o termo jurídico usado para se referir à contagem de prazo para requisição de direitos, resultante das relações trabalhistas dos 5 anos anteriores à solicitação. Para operadores do direito ouvidos pelo UOL, a redação deixa dúvidas se a prescrição mencionada refere-se ao prazo de cinco anos para solicitação do benefício retroativo ou se refere-se ao tempo de benefício devido. Em outras palavras, há espaço para discutir se terão direito ao benefício promotores e magistrados que tiveram filhos de até seis anos nos últimos cinco anos ou nos últimos 13 anos. De acordo com o MP mineiro, o ano de 2010 é apenas a referência para fins do preenchimento dos requisitos. “Para fins de pagamento, são contabilizados cinco anos”, informou o órgão. Em abril deste ano, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) reconheceu o direito de magistrados do Rio Grande do Sul de receberem auxílio-creche, inclusive com direito à mesma retroatividade. As publicações mineiras se inspiram no dispositivo. Uol
Ângela Carrato: A maré virou, a hora da verdade para Zema chegou

Por Ângela Carrato* A maré mudou. Acostumado com vitórias, a começar pela eleição e reeleição em primeiro turno para governador, Romeu Zema, que de Novo não tem nada, anda meio desconcertado. É que nos últimos tempos, tudo tem dado errado para ele. Mesmo tendo ido a Brasília, na última semana, para pressionar o governo Lula e o Congresso Nacional contra a votação da PEC da Reforma Tributária, a medida foi aprovada com ampla margem favorável. Pior ainda: Zema amargou derrota específica, uma vez que a bancada federal mineira, por 39 votos a 13, aprovou a medida. Zema, como sempre, tentava jogar para a plateia, se colocando como oposição ao governo Lula e tentando capitalizar politicamente de olho nas eleições presidenciais. No entanto, quem acabou capitalizando, no âmbito da oposição, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por se afastar das posições extremistas de direita do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem brigou publicamente. Zema ficou sem saber o que fazer. Com Bolsonaro inelegível e, a julgar pelas dezenas de processos que o aguardam no âmbito da justiça Cível e Criminal, a caminho da prisão, Zema ainda pensa em ser seu herdeiro político. O problema é que Bolsonaro não o vê e, menos ainda, o quer como tal. Diante desta situação, Zema deve estar avaliando o erro que cometeu ao apoiar Bolsonaro na eleição passada. Outro erro que poderia ter evitado é o de hostilizar, sem qualquer motivo a não ser jogar para os fanáticos bolsonaristas, o governo Lula no episódio dos atos golpistas de 8 de janeiro. Uma semana após esses episódios, em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul, Zema declarou que o governo federal pode ter feito “vista grossa” para os atos de vandalismo, torcendo para que acontecesse o “pior”, para que pudesse posar de “vítima.” A fala sem qualquer base na realidade custou ao governador de Minas interpelação por parte do STJ, que o acusa por “calúnia” ao dizer que autoridades teriam obtido ganhos políticos com o 8 de janeiro. O interrogatório ainda não aconteceu, mas a situação de Zema se complica na medida em que as duas CPIs, a da Câmara Distrital de Brasília e a do Congresso Nacional, avançam e deixam claro como os cidadãos que depredaram a Praça dos Três Poderes estão longe de serem apenas pessoas comuns. Em sua maioria estavam ali cumprindo roteiro planejado e financiado pela extrema-direita, civil e militar, incluindo setores do agronegócio de Minas Gerais. Zema não sabia de nada? É no âmbito estadual, no entanto, que a situação de Zema se mostra mais complicada. Ele não tem maioria na Assembleia Legislativa, uma vez que seu partido, o Novo, elegeu apenas dois deputados. Dito de outra forma, para aprovar medidas do seu interesse, precisa negociar com uma série de agremiações, a começar pelo PL de Bolsonaro. No primeiro mandato, essas negociações funcionaram, uma vez que o alinhamento a Bolsonaro lhe dava tranquilidade nas votações. Com o ex-capitão fora do jogo político, a tendência desses parlamentares é de procurarem se aproximar de outro centro de gravidade. A votação da bancada federal mineira no episódio da Reforma Tributária dá uma boa mostra de como o novo centro de poder está se constituindo em torno do presidente Lula. Outra vez, Zema perdeu e vai continuar perdendo, especialmente agora que depende do governo federal para renegociar a dívida de Minas Gerais. Esse episódio, aliás, merece um olhar cuidadoso, pois tem sido alvo de muita distorção e desinformação por parte da mídia e do próprio Zema. Ao longo do primeiro mandato, Zema jogou nas costas de seu antecessor, o petista Fernando Pimentel, a responsabilidade pelo alto endividamento e pelas finanças de Minas Gerais estarem desorganizadas, tachando-o de mau gestor, a ponto de atrasar o pagamento do funcionalismo público. Essa conversa acabou colando para quem depende de salário. Depois de trabalhar o mês inteiro, o funcionário ou funcionária quer receber e não discutir o motivo pelo qual seu pagamento está atrasado. O problema é que Zema mentiu para o funcionalismo. Pode-se e na minha visão deve-se criticar politicamente Pimentel pela sua inexplicável aliança com o então governador tucano Aécio Neves, que redundou na escolha de Márcio Lacerda para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. Escolha que acabou atingindo duramente o PT e os setores progressistas da política mineira. Mas se Pimentel errou politicamente, do ponto de vista da gestão ele estava certo. Ao contrário de Zema, que se beneficiou do alinhamento a Bolsonaro durante seu primeiro mandato, Pimentel administrou em situação adversa, em meio ao golpe de estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff em 2016, e enfrentando a oposição aberta do vice que assumiu o Palácio do Planalto, Michel Temer. Temer e setores da Justiça na época fizeram de tudo para prejudicar a administração de Pimentel. Como se não bastassem a perseguição de que ele e sua família foram vítimas, repasses devidos do governo federal para o estado foram suspensos. Isso, somado à situação quase falimentar que os tucanos deixaram Minas Gerais, explica a crise que Pimentel enfrentou e que culminou no atraso do pagamento do funcionalismo. Aqui vale enfatizar que Pimentel errou igualmente ao não ter, nos primeiros dias de sua administração, divulgado o resultado da auditoria independente que contratou para fazer a radiografia de como estava recebendo o Estado. Zema sabia e sabe disso e mesmo assim continuou mentindo e atacando Pimentel através de pronunciamentos e de posts em suas redes sociais, especialmente durante as últimas eleições. O caso está na Justiça e em algum momento o atual governador de Minas terá que se explicar. Se esse é um problema a médio prazo para Zema, questões urgentes o aguardam. Em menos de uma semana, o governador mudou várias vezes o seu secretário de Governo. Exonerou Igor Eto, devido à insatisfação com a atuação dele junto aos parlamentares, e nomeou interinamente o adjunto Juliano Fisicaro Borges para o cargo. Depois, acabou escolhendo seu próprio líder na Assembleia Legislativa, Gustavo Valadares, para o cargo. Ao trocar seis por meia
RADIOATIVIDADE – Césio-137 sumido em Minas: produto é perigoso para a saúde

Conheça o elemento químico radioativo que, no passado, provocou mortes no Brasil A Polícia Civil e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Governo Federal, estão investigando o sumiço de duas cápsulas de Césio-137, em uma mineradora em Nazareno, na Região Centro-Oeste do estado. O Césio-137, se não for manuseado de forma adequada, pode ser bastante nocivo para sociedade, gerando consequências irreversíveis. Por esta razão, a reportagem vai explicar o que é o elemento, principais características e suas consequências. O que é? A professora formada em Ciências Técnicas Nucleares pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antonella Lombardi, explica que o Césio-137 (Cs) é um elemento químico radioativo que pode ser bastante perigoso para a saúde humana, devido às emissões de radiação beta e gama. O elemento vem da fissão nuclear do urânio ou plutônio, e o número 137 vem da massa, que corresponde à soma de 55 prótons com 82 nêutrons. Nocivo à saúde A radiação do Césio-137 é bastante perigosa para o ser humano, porque o elemento libera radiações beta e gama, capazes de atravessar vários materiais, incluindo a pele e tecidos do corpo, como explica a professora. Entretanto, ela diz que o Césio que sumiu da mineradora está bem protegido, por estar em uma pastilha cerâmica, que é difícil de ser quebrada, diferentemente do famoso caso do Césio-137 em Goiânia, como ela lembra, que estava em pó, o que facilitou a contaminação. Assim, para causar efeito grave, é necessário um tempo de exposição maior no corpo. “Tem que ser uma dose muito alta e por muito tempo mesmo, irradiando ali. Só se a pessoa ficar muitas horas de posse dessa fonte, com contato muito próximo do corpo, dentro do bolso por exemplo”, aponta. Caso o contato seja longo, a professora conta que o elemento pode mudar as moléculas do organismo, alterando a estrutura e podendo até destruí-las, causando efeitos irreversíveis, como o aparecimento de câncer. Antonella cita que existem áreas do corpo em que o dano pode ser maior, por haver órgãos mais sensíveis como: “a parte abdominal, do intestino, de reprodução e outros”, diz. Sintomas Quando uma pessoa entra em contato com o Césio-137, a professora afirma que os primeiros sintomas apresentados, que mostram uma destruição das células, são: cansaço, mal-estar, vômitos, diarreia e tonturas. Benefícios Se for usado adequadamente, o Césio-137 pode ser benéfico para a saúde. O elemento químico é utilizado em procedimentos de radioterapia para tratamento de câncer, em alguns tipos de tomografia. Ele também é empregado como agente esterilizante de utensílios médicos e alimentos, já que elimina fungos e bactérias que ocasionam a deterioração e possíveis contaminações da comida. Caso em Goiás Como a professora lembrou, não é a primeira vez que o Césio-137 é assunto no Brasil. Em setembro de 1987, em Goiânia, dois catadores de lixo encontraram uma cápsula de chumbo em um prédio abandonado, que era um antigo hospital. O chumbo é um material que armazena o Césio-137 de forma segura e também tem um alto valor comercial. Assim, os catadores levaram o material para um ferro velho e de lá abriram a cápsula. O chumbo foi vendido, mas o Césio-137 ficou com o dono, que levou para casa ao notar que o pó azul brilhava no escuro, e deu de presente para a filha. Em algumas semanas vários moradores da cidade foram contaminados. No total, quatro pessoas morreram e mais 14 ficaram em estado grave, com alterações na medula óssea e necessidade de amputação de órgãos. EM
Parlamentares mineiros representam no MPF contra André Valadão

Deputada estadual Bella Gonçalves declarou que grupo espera que líder religioso seja ‘responsabilizado e até preso’ pelas falas que incitam a violência Deputados estaduais de Minas Gerais protocolaram nesta terça-feira (4/7) representação no Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte contra o pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, após proferir falas que incitam que evangélicos ataquem e matem pessoas LGBTQIA+, no último domingo (2/7) em um culto realizado em Orlando, nos Estados Unidos. O documento pede que o conteúdo, que foi disponibilizado na internet, seja retirado de circulação, que sejam proibidas novas condutas similares e que seja apurada a responsabilização do religioso por suas falas, além da reparação dos danos coletivos causados. O grupo, formado pelas deputadas estaduais Andreia de Jesus (PT), Bella Gonçalves (Psol), Lohanna (PV), pela assessoria da deputada federal Célia Xakirabá (Psol-MG), pelo deputado Leleco Pimentel (PT) e pela vereadora de Contagem, Moara Saboia (PT), não é o primeiro a buscar o Ministério Público para representar contra o pastor. “O vídeo está sendo muito compartilhado e as pessoas estão sendo intimidadas, coagidas. E a gente não sabe até que ponto isso vai colocar em risco a integridade física delas”, afirmou a deputada Lohanna. Já Bella Gonçalves afirma que a representação também tem intenção de analisar que a frase pode trazer ganhos econômicos para o religioso. Na postagem, ele anúncia uma série e “usa do ódio para chamar atenção”. “A gente espera que ele possa ser responsabilizado e até preso por esse caso. (…) Crime de LGBTfobia. Convocação de fiéis para o assassinado de pessoas LGBTs que é algo sem precedentes. Precisa de uma atuação exemplar do Ministério Público”, reclamou a psolista. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) entrou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a fala proferida por Valadão. Um inquérito contra o pastor foi aberto pelo órgão para apurar se houve crime de homotransfobia. Hilton já entrou com uma representação contra Valadão, em 5 de junho, quando o mesmo fez um culto batizado de “Deus Odeia o Orgulho”, com uma identidade visual que fazia referência ao Mês do Orgulho LGBTQIA . O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) também foi outro político a buscar o MP para representar contra o líder religioso. No documento, o parlamentar brasiliense afirmou que Valadão tenta associar a população LGBTQIA a exploração sexual e abuso de crianças, visando criar pânico entre o segmento religioso evangélico. André Valadão insinuou que evangélicos deveriam agredir e matar homossexuais, durante a live intitulada de ‘Teoria da Conspiração’. “Agora é a hora de tomar as cordas de volta e dizer: Pode parar, reseta! Mas Deus fala que não pode mais. Ele diz, ‘já meti esse arco-íris aí. Se eu pudesse, matava tudo e começava de novo. Mas prometi que não posso, agora tá com vocês’”. Ao que o pastor, se dirigindo para os fiéis, reafirmou que “não entendeu o que eu disse? Agora, tá com vocês! Deus deixou o trabalho sujo para nós”. Após a repercurssão, o pastor foi as redes sociais afirmar que a imprensa tenta gerar uma notícia e que não teria pedido para que os cristãos atacassem a população LGBTQIA “Eu uso o termo do livro de Gênesis, quando Deus, a partir do dilúvio, destrói toda a humanidade por causa da promiscuidade sexual, a libertinagem. Deus não tem como ‘resetar’, recomeçar humanidade. Dentro disso, na minha mensagem eu disse que cabe a nós puxar as cordas e nós ‘resetarmos’. Não digo matarmos, aniquilarmos as pessoas, o que eu digo é que cabe a nós levar o homem, o ser humano, o princípio da vontade de Deus, deixarmos claro o que é a vontade de Deus para vivermos essa realidade”, tentou se justificar o religioso mineiro. Um dos poucos parlamentares a saírem em defesa de Valadão, foi o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) que afirmou, na segunda-feira (3/7), em sessão no Plenário da Câmara dos Deputados, que “combater o pecado não quer dizer incitação ao ódio”. O comentário foi realizado após críticas dos deputados federais Glauber Braga (Psol-RJ) e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) a fala de Valadão. “Eu nasci para ver comunista ensinar cristão a como ler a Bíblia. Pessoas que não tem comunhão e intimidade nenhuma com Deus. Tive que ouvir um pastor da Shopee e sua igreja invisível dizer que o pastor André Valadão queria matar homossexuais. Para de inventar isso”, disse Nikolas se referindo ao Pastor Henrique Vieira.
Morre Chico Ferramenta, ex-prefeito de Ipatinga, aos 64 anos

Líder sindical histórico, Chico Ferramenta foi prefeito de Ipatinga (MG) por três mandatos e também deputado estadual e deputado federal pelo PT O ex-prefeito de Ipatinga, Chico Ferramenta, morreu no começo da tarde desta terça-feira (4). Francisco Carlos Delfino, de 64 anos lutava contra uma pneumonia. Inicialmente, ele foi internado no Hospital Municipal Eliane Martins. Em seguida, foi para o Hospital Márcio Cunha, ficou dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu hoje. No final do mês passado, a esposa de Chico, Cecília Ferramenta postou em suas redes sociais que o marido havia tido uma melhora em seu quadro. Contudo, após alguns dias se recuperando em casa, o ex-prefeito de Ipatinga Chico Ferramenta foi novamente internado no Hospital Márcio Cunha no dia 23 de junho, em virtude de uma piora do padrão respiratório e da função renal. Nota de pesar do PT O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente o falecimento do companheiro Chico Ferramenta, ocorrido nesta terça-feira (4), na cidade de Ipatinga (MG). Líder sindical histórico, Francisco Carlos Delfino, o Chico Ferramenta, tinha 64 anos e foi prefeito de Ipatinga por três mandatos, o primeiro entre 1989 e 1993 e os outros dois entre 1997 e 2005. Ele também foi deputado estadual, no período de 1987 e 1988, além de deputado federal, entre 1995 e 1996. O velório será realizado no Ginásio do Centro Cultura e Esportivo 7 de Outubro, no bairro Veneza, em Ipatinga. Dirigentes e militantes do PT manifestam a sua solidariedade à esposa Cecília Ferramenta, aos filhos Frederico, Lucas e Wladimir, demais familiares, aos amigos e companheiros de Chico Ferramenta neste momento de imensa tristeza e dor. Chico Ferramenta, Presente!