CRLV 2023 começa a ser exigido hoje em Minas; veja calendário de cobrança

Caso o condutor não apresente a documentação em dia, o veículo pode ser removido para o pátio, além de multa e perda de pontos na carteira O Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV 2023), mais conhecido como o documento do carro, começa a ser cobrado nesta sexta-feira (1/9) em Minas Gerais. O documento será exigido para veículos de placa com final 1, 2 e 3. Para os donos de veículos com placa 4, 5 e 6, a documentação será cobrada a partir de 1° de outubro, e placas 7, 8, 9 e 0 no dia 1° de novembro. Caso a pessoa não apresente a documentação em dia, a Coordenadoria Estadual de Gestão de Trânsito (CET-MG) informa que a multa é de R$ 293,47, sendo infração gravíssima, com perda de sete pontos na carteira e remoção do veículo para um pátio credenciado. Mineiros com Ipva atrasado De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), em Minas Gerais, mais de 3 milhões de veículos estão com o IPVA atrasado. Isso representa 28% da frota de 11.005.390. Outros débitos que também limitam a emissão do CRLV são a Taxa de Licenciamento (TRLAV) em atraso e multas de trânsito. Ainda segundo a SEF, da frota tributável de 10.998.761 de veículos, 27% não estão em dia com o tributo. Já a Coordenadoria Estadual de Gestão de Trânsito (CET-MG) informa que 1.639.382 veículos no estado possuem multas pendentes de quitação. Veja o calendário de cobrança do CRLV 2023 em Minas: Veículos com finais de placa 1, 2 e 3: CRLV 2023 será exigido a partir desta sexta-feira, 1º de setembro. Veículos com finais de placa 4, 5 e 6: CRLV 2023 será exigido a partir de 1º de outubro. Veículos com finais de placa 7, 8, 9 e 0: CRLV 2023 será exigido a partir de 1º de novembro. Como acessar o CRLV Por meio do site Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG), é possível verificar se existem pendências e também imprimir o CRLV. Para acessar o documento, basta informar a placa, o número do Certificado de Registro do Veículo (CRV), o Renavam e, por fim, o CPF ou CNPJ. A impressão deve ser de boa qualidade, em papel sulfite branco e no formato A4, com tinta preta, em página única, possibilitando a leitura do QR-Code. O serviço também está disponível no aplicativo MG App, no portal de serviços da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ou no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT). Fonte: EM

Ato esvaziado: Zema agracia Bolsonaro com título engavetado há 4 anos

No momento em que é investigado, Jair Bolsonaro (PL) protagonizou, nessa segunda (28), em BH, ao lado do governador Romeu Zema (Novo), evento desprestigiado no qual foi agraciado. Por Orion Teixeira, publicado no EM O ex-presidente recebeu das mãos Zema o título de cidadão mineiro que o governador lhe havia dado, em 2019, mas estava engavetado desde então. Coube a um deputado aliado, resgatar e requerer a homenagem com apoio de 26 colegas. Ainda assim, o evento ficou esvaziado. Zema participou, embora não tenha divulgado na agenda oficial; seu vice e nenhum de seus secretários o acompanharam. O presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), conduziu a cerimônia, mas manteve postura equilibrada. Poucos deputados estaduais acompanharam a cerimônia e só três ou quatro federais, entre eles, Domingos Sávio, empossado ainda ontem presidente do PL/MG na presença de Bolsonaro. Os senadores aliados Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Carlos Vianna (Podemos) não compareceram. Como eles, não prestigiaram o evento os aliados mais constantes, como Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, desembargadores mineiros, o secretário da Casa Civil de Zema, Marcelo Aro (PP). Ficaram de fora ainda os líderes do governo Zema na Assembleia, João Magalhães (MDB) e Cássio Soares (PSD). Paternidade não assumida Além de não registrar a participação em sua agenda oficial, Zema esquivou-se da paternidade da iniciativa ao parabenizar a Assembleia pela concessão do título. Já o ex-presidente agradeceu ao governador pela iniciativa. Ele recebeu a homenagem num momento em que é alvo de uma série de investigações e menos de dois meses após ser declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A punição aconteceu depois de acusar sem provas o sistema eleitoral e urnas eletrônicas, em julho do ano passado, durante reunião com embaixadores. As investigações de agora apuram esquema de desvio e venda de joias árabes recebidas por ele como presidente da República. Aliado do ex-presidente desde as eleições de 2018 e 2022, Zema é visto hoje como um potencial candidato do campo da direita à sucessão presidencial em 2026. Em discurso na Assembleia, disse que, no governo passado, as portas dos ministérios “estavam abertas” e citou recursos para obras do metrô em Belo Horizonte. “Esses foram alguns dos motivos que o levaram a receber o título hoje”, afirmou. Acrescentou: “Éramos ouvidos com atenção de quem quer de fato alcançar soluções”.

Aécio reaparece catando sobras no lixão do bolsonarismo. Por Moisés Mendes

Aécio Neves está de novo nas capas dos jornais com ataques a Dilma Rousseff, para retomar a conversa de que não houve golpe. Os jornalões saíram atrás do zumbi tucano, para que ele falasse de novo das pedaladas, depois que o TRF1 absolveu Dilma por unanimidade. Por que Aécio numa hora dessas? Porque ele escapou de todos os processos que enfrentava e isso turbina seu ego e altera seu estado de consciência pelo excesso de euforia. Aécio imagina que, livre da Justiça, pode se apresentar como protagonista de alguma coisa. Mas não como cabo eleitoral de Eduardo Leite, como já tentou ser, mas como um nome no tabuleiro. E o tabuleiro de Aécio é o do improvável, do quase impossível, do imponderável, porque no Brasil tudo passou a ser possível, inclusive para fantasmas. Aécio deve imaginar que merece alguma coisa de grande porte e vem se colocando à direita da direita, para fugir do estigma de falso centrista perdedor. Aécio quer ser player próximo da extrema direita, na disputa pela carniça deixada por Bolsonaro. Parece absurdo, mas e daí? As pesquisas mostram que o brasileiro da classe média ressentida, o eleitor clássico de Bolsonaro, não quer mesmo saber de alternativas fofas. Quer continuar consumindo droga política pesada, para que o país mantenha a índole acionada por Bolsonaro. Romeu Zema foi o primeiro a perceber que deve ser assim e se deslocou em direção ao fascismo, o vício do brasileiro anti-Lula. É para onde está indo Eduardo Leite, que apoiou os ataques de Zema aos nordestinos, e para onde irá Tarcísio de Freitas, por mais que pretenda se mostrar como vacilante. Nesse cenário, não há a mínima chance de êxito para nomes que se coloquem no meio, entre Lula e o que restou do que um dia foi do bolsonarismo quando no poder. Aécio é o mais novo velho protagonista de direita que se aninha na extrema direita à espreita do espólio do inelegível. Vai funcionar? Tudo no Brasil hoje pode ganhar funcionalidade, sem surpresas. Aécio está testando seu nome, até porque mandou dizer aos jornalistas amigos que é um homem ressuscitado. O mineiro é um bêbado catando restos no meio do lixão do fascismo. Pode desaparecer de novo, e ninguém irá notar, mas pode também tirar Michelle para dançar o tango Mijoias. Originalmente publicado no Blog do Moisés Mendes

Aécio mente! O estopim do golpe foi ele, que sofreu uma metamorfose repentina

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) reagiu pelo X, antigo Twitter, neste domingo (27) a uma declaração do também deputado Aécio Neves (PSDB-MG) em que o tucano afirma que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment “pelas pedaladas que deu. “Aécio mente! O estopim do golpe foi ele”. Já a jornalista Hildegard Angel lamentou que Aécio Neves tenha se transformado em uma pessoa horrível. “Aécio sofreu uma metamorfose repentina e se transformou numa pessoa horrível” “Aécio mente! O estopim do golpe foi ele”, diz Rogério Correia Aécio afirmou que Dilma foi afastada da Presidência “pelas pedaladas que deu”. TRF-1 inocentou Dilma e o golpe sofrido pela ex-presidente está comprovado O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) reagiu pelo X, antigo Twitter, neste domingo (27) a uma declaração do também deputado Aécio Neves (PSDB-MG) em que o tucano afirma que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment “pelas pedaladas que deu”. Na última segunda-feira, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) inocentou Dilma de ter cometido as chamadas “pedaladas fiscais”. A decisão do colegiado comprova que o afastamento da ex-presidente não se deu devido a um processo de impeachment, e sim de um golpe. >>> Partido dos Trabalhadores vai articular devolução simbólica do mandato de Dilma Foi nesta linha que Correia rebateu Aécio Neves: “como sempre, Aécio mente! O estopim do golpe foi ele e assim será visto na história, como quem perdeu uma eleição e se uniu às forças mais escrotas da sociedade na ambição de virar o jogo!”. “Aécio sofreu uma metamorfose repentina e se transformou numa pessoa horrível”, diz Hildegard Angel Jornalista afirma que o tucano “nos jogou nesse universo de sofrimento que foram os últimos seis anos” Após ver o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) defendendo mais uma vez o golpe de estado dado em 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a jornalista Hildegard Angel lamentou que o político tenha se transformado em uma pessoa “horrível”. Para ela, foi Aécio, que derrotado nas urnas por Dilma em 2014, abriu as portas para o fascismo no Brasil. “Acho que o Aécio sofreu uma metamorfose repentina – não que foi repentina, foi gradual, mas a gente se deu conta repentinamente que ele não era mais a mesma pessoa. Perder não estava na expectativa do Aécio. Perder foi muito duro para ele, e ele se transformou nessa pessoa horrível, que nos jogou nesse universo de sofrimento que foram os últimos seis anos. Ele não podia fazer isso ao Brasil, porque ele recebeu do Brasil coisas muito boas: lindos cargos, respeito, poder e governos, governou Minas Gerais com todo o prestígio possível”, disse na TV 247 neste domingo (27). “Muito triste ver essa transformação do Aécio, uma pessoa por quem eu tinha estima, e continuo a ter por sua família. Mas será preciso ele mostrar muito arrependimento para a gente poder voltar a considerar ter pelo Aécio a mesma consideração que a gente tinha. É muita pena”, finalizou. Fonte: Brasil 247

CPMI deve ouvir sargento que pagava contas de Michele

De acordo com o deputado Rogério Correia (PT-MG), integrante da CPMI, também devem depor o comandante da PM do DF e, novamente, Mauro Cid A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura a responsabilidade pelos atos golpistas de 8 de janeiro, deve aprovar nesta terça-feira (22/8) a convocação do suspeito de sacar dinheiro vivo em caixas eletrônicos para pagar despesas da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o sargento Luis Marcos dos Reis. Ele deve depor na quinta-feira (24/8), segundo o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que integra a CPMI.”Ele será ouvido para vermos tanto sobre essa misturada de contas públicas e privadas, nessas denúncias de corrupção de Michele e Bolsonaro, mas também do ato do dia 8. No nosso entendimento essas coisas se misturavam, pois havia ali também financiamento do golpe, através dessas figuras”, afirma o deputado. Segundo ele, depois a CPMI deve ouvir integrantes da cúpula da Polícia Militar no Distrito Federal, presos semana passada por uma operação da Polícia Federal, que investiga os atos de 8 de janeiro. Eles são suspeitos de ajudar os atos e de tentar obstruir as investigações “Pelo menos um deles queremos escutar”, disse o deputado que defende que o depoente seja o comandante-geral da PMDF, coronel Fábio Augusto, que está entre os presos.“Após essa operação ficou evidente que a Polícia Militar, por meio de um conluio de sua direção, permitiu que o golpe fosse tentado e as pessoas chegassem até os Três Poderes”. Além de aprovar a apreensão dos passaportes de Bolsonaro e Michele, a CMPI também quer ouvir novamente o tenente-coronel Mauro Cid, preso desde 8 de maio, por suspeita de fraude nos cartões de vacinação de integrantes do governo Bolsonaro. No mês passado ele foi convocado para depor na CPMI, mas decidiu não responder as perguntas dos deputados. Depois disso, Cid passou a ser investigado também por envolvimento na venda de joias que Bolsonaro ganhou de presente e que deveriam ter sido entregues para o acervo da  União. “Já que ele está disposto a falar, queremos que ele conte, não somente sobre a venda das joias, mas sobre o que ele sabia sobre os atos golpistas”. De acordo com o deputado a CPMI está no “rumo certo” e todas essas convocações devem ser votadas amanhã.

Zema convida Lula para Minas: ‘Será muito bem-vindo’

Governador participa de evento ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin na Iveco, em Sete Lagoas O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), convidou, nesta quarta-feira (16/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vir ao estado. Apesar das criticas recentes a gestão petista, Zema afirmou que Lula será muito bem-vindo a presenciar o trabalho que está sendo feito pelo Executivo mineiro. “Convido o presidente Lula para estar presente aqui. Vamos completar um ano da instalação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) e em breve iniciaremos as obras do metrô na capital, então o presidente Lula será muito bem-vindo ao nosso estado, para presenciar o desenvolvimento que esta acontecendo”, disse Zema. A declaração ocorreu durante um evento com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), no complexo industrial da Iveco, em Sete Lagoas, na Grande Belo Horizonte, onde houve a entrega de 30 veículos do programa de renovação da frota. De acordo com o vice-presidente, serão 20 caminhões para o Grupo Sada e 10 ônibus urbanos para a empresa Melissatur, de Curitiba. O programa faz parte da Medida Provisória 1.175/2023, de junho, que estabelece um mecanismo de desconto para facilitar a compra de veículos. As montadoras vão receber créditos em troca de um desconto patrocinado, abatido diretamente do valor final, entre R$ 2 mil a R$ 8 mil para os carros; R$ 33,6 mil a R$ 80,3 mil para caminhões; e R$ 38 mil a R$ 99,4 mil para ônibus e vans.

Zema reitera fala sobre Nordeste e recusa se desculpar: ‘Consciência limpa’

Em agenda no Sul de Minas, governador retrucou presidente do Senado, manteve falas de entrevista polêmica e criticou a forma como a matéria foi publicada Por Bernardo Estillac _ Estado de Minas O governador Romeu Zema (Novo) comentou sobre a repercussão gerada pelas falas dele sobre o Nordeste em entrevista publicada no último sábado (5/8) n’O Estado de S. Paulo. Durante visita a Poços de Caldas, no Sul de Minas, na quarta-feira (9/8), ele manteve o discurso, fez críticas sobre o título da matéria do jornal paulistano e ainda emendou indiretas ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “Nós temos de lembrar que, quem leu a minha matéria, entendeu muito bem o que eu quis dizer, está lá a minha matéria. Acho que nós tivemos uma manchete muito infeliz por parte do jornal. Da mesma maneira que outras regiões, nós queremos que os interesses de Minas, do Sudeste, do Sul, sejam atendidos. O que nós queremos é o que o Nordeste já fez. Não tem associação de municípios aqui na região? Não pode ter associação de estados? Por que em algumas regiões pode ter e em outras regiões não podem ter?”, afirmou Zema. O governador mineiro ficou sob os holofotes desde o fim de semana pela repercussão, majoritariamente negativa, de trechos da entrevista em que trata sobre o que considera uma discrepância de representatividade política e acesso ao orçamento por estados do Sul e Sudeste em relação ao Norte e Nordeste.

Divinópolis confirma primeira morte por febre maculosa

Óbito ocorreu no mês de julho e era investigado pela prefeitura da cidade Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais, teve a primeira morte por febre maculosa confirmada. A prefeitura da cidade informou que um homem de 77 anos faleceu vítima da doença, no dia 25 de julho deste ano. Os sintomas, segundo o executivo municipal, começaram no dia 23 de julho. A confirmação da febre maculosa como causa do óbito ocorreu na última segunda-feira (7 de agosto). Segundo a prefeitura de Divinópolis, no dia do falecimento do homem, foi realizada a coleta de exame para a enfermidade. “Depois de uma intensa investigação feita pela equipe da Semusa, foi concluído com o resultado do exame de biologia molecular detectável, que informa que a doença foi a causa da morte”, diz a prefeitura. A reportagem solicitou dados atualizados da febre maculosa em Minas Gerais para a Secretaria de Estado de Saúde e aguarda retorno. Até o dia 29 de julho, o estado já tinha cinco mortes devido è enfermidade registradas. Febre Maculosa: o que é? A Febre Maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, que pode cursar com formas leves e atípicas, até formas graves, com elevada taxa de letalidade. A doença é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. Em Minas Gerais, os principais vetores e reservatórios da doença são os carrapatos do gênero Amblyomma (Amblyomma sculptum), também conhecidos como “carrapato estrela”, “carrapato de cavalo” ou “rodoleiro”. Já o agente etiológico mais frequente é a bactéria Rickettsia rickettsii, responsável por produzir os casos mais graves da doença, aqui denominada Febre Maculosa Brasileira (FMB). Jornal O Tempo

Na Argentina, comunidades indígenas lutam contra impactos do lítio e vivem cenas de ditadura

Lítio causa tensões na Argentina e leva a perseguição de indígenas. Em MG, exploração do mineral tem campanha midiática Karla Scarmigliat e Federico Pagliero Punamarca – Argentina | Brasil de Fato MG Já se passaram quase oito décadas desde a primeira caminhada histórica das populações originárias de Jujuy, no noroeste da Argentina, por 2 mil quilômetros até a capital federal Buenos Aires. Naquela época, o objetivo era exigir a restituição de seus territórios. Pouca coisa mudou desde então. Anos depois, a marcha que ficou conhecida como “Malon de la Paz” volta a se repetir: comunidades indígenas que partiram desde Quiaca, região que integra o “Triângulo do Lítio”, e chegaram neste 1º de agosto, dia da Pachamana (terra), a Buenos Aires, após percorrer oito estados. Na atual edição, dão um grito de socorro contra a reforma na constituição provincial que habilita a utilização de terras que são dos povos originários, incentiva a exploração do lítio e criminaliza o direito a protestos. A marcha pelo “Terceiro Malon de la Paz” ocorre após mais de um mês de bloqueios de rodovias na região e de respostas violentas do governo aos protestos, com denúncias de sequestros e torturas. Em Buenos Aires, comunidades acampadas em frente ao Congresso Nacional buscam despertar a população sobre as consequências da exploração do lítio e conseguir que os responsáveis pelo Congresso da Nação e a Corte Suprema da Justiça intervenham contra a Reforma, aprovada sem a consulta prévia e informada aos povos originários, conforme prevê a lei. E prometem não ir embora até que sejam ouvidos. “A Reforma é feita sob medida para corporações internacionais e multinacionais, para que venham explorar bens naturais como lítio, a água para o uso em operações de mineração, explorar nossos territórios e a biodiversidade, tirando nossos direitos de se expressar livremente”, indica o cacique da comunidade do povo Ocloya, em Jujuy, Nestor Jerez. De volta aos anos de 1970 O “Terceiro Malón de la Paz” ocorre em um contexto de perseguição sistemática e ilegal de integrantes das comunidades e apoiadores que protestam contra a desacreditada Reforma. Após a aprovação do texto, em 15 de junho, cerca 63 comunidades bloquearem parcialmente duas rodovias de Punamarca, município de Jujuy, em protesto pacífico. Porém, um dia depois, o local foi cenário de sangrenta ação repressiva do governo. Por mais de oito horas, um exército policial, muitos sem identificação, reprimiu os manifestantes com balas de borrachas disparadas na altura da cabeça, gás lacrimogênio e até com pedras. A presença de crianças, idosos e turistas no local não impediu a ação violenta. O resultado foi desastroso, com dois jovens que perderam a visão por impactos da bala de goma e mais de 40 pessoas detidas e levadas em caminhonetes sem patentes, muitos sem que a família soubesse sobre o seu paradeiro por horas. “Sentimos a perseguição de vários de nossos irmãos. Muitos têm medo das caminhonetes sem patente, é como uma ditadura, que vinham e te levavam e ninguém sabia onde você estava. Não tiveram compaixão, porque tínhamos crianças e pessoas idosas que não podiam correr”, relata Romina, 29 anos, mãe e estudante, pertencente à comunidade aborígene de Rodero, em Jujuy. Ela foi atingida com os tiros de bala de goma em diversas partes do corpo, uma delas ficou perto de atingir os olhos. Os bloqueios continuaram Apesar do uso extremo da violência, os bloqueios permaneceram e se replicaram em outros sete pontos. Mas também permaneceram as tentativas de desmobilização, com o uso de terrorismo do Estado. Iniciou-se um verdadeiro “caça às bruxas”, denunciado por advogados e diversos organismos internacionais de direitos humanos. Foram inúmeros casos de pessoas intimadas e buscadas em suas casas por veículos sem patentes. Sequestradas e desaparecidas por horas. Cenas vistas antes apenas na ditadura, com mães gravando vídeos no quais imploram por informações sobre o paradeiro de seus filhos. Nesse filme de horrores, também se somam prisões ilegais, relatos de torturas de familiares detidos em delegacias e perseguições judiciais. Muitos integrantes de povos de nações indígenas (mais de 40 pessoas) foram citados pela justiça provincial e muitos outros tem recebido a informação de que fazem parte de uma “lista suja”, com pessoas que serão perseguidas judicialmente pelo governo. “É uma tortura psicológica”, expressou uma originária que não quis ser identificada e que se encontra no bloqueio de Punamarca. Lítio no centro das tensões Argentina, Bolívia e Chile formam o Triangulo do Lítio Estar em desacordo com a exploração do lítio é ir contra grandes corporações internacionais. Isso porque o mineral é apontado como futuro energético limpo e livre de carbono para uso nas baterias dos veículos elétricos, o que tem atraído investidores, especialmente após a crise da Ucrânia e o debate internacional sobre as mudanças climáticas. Para o mercado financeiro é considerado uma mina de ouro. Não por menos, o lítio é chamado de “Novo petróleo”. O aumento pela busca desse mineral vem alimentando o aumento desmedido da exploração e dos danos ao meio ambiente. Argentina, Bolívia e Chile formam o Triangulo do Lítio, região com extensas salinas que comportam 80% de todo o lítio existente no mundo. Isso significa que são lugares em que se conseguem extrair o lítio mais facilmente do que em rochas, deixando o processo mais barato. A extração é feita em piscinas quilométricas abertas no deserto de sal: se evapora a água das salinas e a terra que fica é onde se extrai o lítio. Danos ambientais e sociais São 2 milhões de litros de água utilizados para a produção de uma tonelada de carbonato de lítio. Depois de seco, o carbonato de lítio é exportado para os Estados Unidos, China e Japão. Uma das principais empresas que exploram na região, a Exar, é de capital chinês e canadense e prevê extrair um total de 40 mil toneladas de carbonato de lítio por ano, durante 40 anos. Apenas 3% de toda a arrecadação fica na Argentina. Em Jujuy, outros 13 projetos estão em andamento. “Dizem que vamos ter benefícios, que o povo vai crescer, mas as comunidades

Em mais uma gafe, Zema faz novo ataque à democracia

Governador mineiro compartilhou que “democracia é o direito de escolher tiranos” Neste domingo (23), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), novamente chamou atenção ao publicar em suas redes sociais uma frase que relacionava democracia com a escolha de tiranos, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. A postagem ocorreu três semanas após Zema ter compartilhado uma declaração atribuída ao ditador italiano Benito Mussolini, o que gerou polêmica e explicações do político sobre sua atitude. Desta vez, a publicação feita no perfil do governador no Instagram trazia a seguinte frase: “Democracia é o direito das pessoas escolherem o próprio tirano. James Madison”. A citação foi seguida de um simples “Bom dia”. James Madison, que viveu no século 19, foi um dos primeiros presidentes dos Estados Unidos. No dia 12 do último mês, ao justificar a polêmica postagem atribuída a Mussolini, Zema concedeu uma entrevista à GloboNews, afirmando que costuma compartilhar frases e pensamentos nas redes sociais, tanto de manhã cedo quanto à noite. Na ocasião, ele explicou que mencionou o ditador italiano como “um alerta” sobre os riscos de um Estado excessivamente inchado. A frase atribuída a Mussolini era: “Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexa se torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade do indivíduo”. Ao longo deste ano, o governador de Minas Gerais tem sido alvo de críticas por suas declarações controversas. Entre elas, uma afirmação em que sugeriu que o governo Lula poderia ter feito “vista grossa” aos ataques ocorridos em 8 de janeiro, visando se apresentar como vítima. Além disso, cometeu uma gafe ao questionar se a escritora Adélia Prado era funcionária de uma rádio. Vale ressaltar que Romeu Zema, que foi reeleito em 2022, está entre os nomes cogitados para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026, sobretudo após a condenação à inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), com quem o governador mineiro foi aliado.