Aécio “Pinguim” critica apoio a Tebet e defende novo candidato próprio do PSDB

O sorriso modesto, as olheiras e, principalmente, os cabelos grisalhos e despenteados chamaram a atenção do público, que logo o comparou Aécio Neves ao personagem “Pinguim”, da série de filmes do Batman. O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu que o PSDB indique um novo nome do partido para compor a disputa a presidente da República nas eleições de outubro deste ano. Com a saída da João Doria, que retirou a pré-candidatura nesta segunda-feira (23), Aécio acredita que o eventual apoio – ainda não confirmado – a Simone Tebet, do MDB, não é a melhor estratégia. “Eu sempre defendi e continuo defendendo que o PSDB tenha uma candidatura própria”, disse. “O PSDB não deve, em um momento como esse, se omitir. Acho que para o Brasil é importante que o PSDB se apresente com um nome que possa, de alguma forma, furar essa polarização que aí está”, acrescentou. Leia também: Aos prantos Dória desiste da candidatura à Presidência da República Do Bolsodoria ao isolamento político: a ruína fulminante de João Doria A retirada da pré-candidatura de Doria foi resultado da negociação entre o PSDB, o MDB e o Cidadania para ter uma candidatura única em torno da terceira via, com o objetivo de quebrar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) indicada nas pesquisas de intenção de voto. Há a expectativa de que Tebet seja oficializada “cabeça de chapa” do grupo nesta terça-feira (24). O nome dela ganhou força após a divulgação interna de uma pesquisa que apontou a alta rejeição a Doria, que já enfrentava dificuldades em manter a pré-candidatura dentro do grupo montado. ECN com O Tempo

Zema critica Congresso e Pacheco rebate chamando de oportunista

O governador Romeu Zema (Novo) questionou a postura do Congresso Nacional ao não apreciar reformas prioritárias como a tributária. Ao anunciar a revisão geral do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), nesta sexta-feira (20), durante o 1º Congresso de Direito Empresarial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Zema afirmou que o Legislativo, “infelizmente, muitas vezes, foge de sua responsabilidade” em modernizar o aparato constitucional. O governador apontou a necessidade de modernizar as leis a fim de garantir segurança jurídica para empreendedores. “Não é fácil. O sistema é muito mais complexo do que imaginamos, depende do Legislativo”, pontuou Zema. “Sempre vejo os ministros (do STF) falarem que eles, muitas vezes, em vez de julgar, legislam, porque o Legislativo deixa um vácuo, não assume a responsabilidade”, acrescentou, em referência ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, convidado como o palestrante do seminário. Um exemplo “claríssimo”, de acordo com o governador, seriam as reformas, que estão “há 10, 20 anos aguardando” discussão. “O Legislativo está preocupado em votar ‘fundão’ eleitoral, não em votar uma reforma tributária, que tem impacto positivo. O ‘fundão’ eleitoral perpetua os que sempre foram eleitos. Nós temos um Legislativo que, infelizmente, muitas vezes foge da sua responsabilidade e que é de fundamental importância para que nós venhamos a modernizar todo o aparato legal que nós temos”, criticou Zema. O “fundão” a que se referiu o governador é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, instituído em 2017 para compensar o fim de doações privadas às campanhas eleitorais. Quando discutiu a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022, o Congresso elevou o montante do fundo de, aproximadamente, R$ 2,1 bilhões para cerca de R$ 5,7 bilhões. Entretanto, ao apreciar a Lei Orçamentária Anual de 2022, os parlamentares reduziram o total para pouco menos de R$ 5 bilhões. Inclusive, o Novo questionou o aumento junto ao STF por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Contudo, apesar do voto contrário do relator, ministro André Mendonça, o plenário da Suprema Corte manteve os R$ 5 milhões para o financiamento de campanhas por 9 votos favoráveis a 2. Um dos votos pela manutenção foi justamente o de Fux. Pacheco rebate Zema: ‘Discursos oportunistas’ Presidente do Senado e do Congresso Nacional, o senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) rebateu, neste sábado (21), o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) dizendo que as críticas direcionadas do governador são “oportunistas”, “gratuitas” e influenciadas pelo período eleitoral. Zema tenará se reeleger em outubro. O senador afirmou que o parlamento entregou à sociedade brasileira reformas essenciais e que estavam engavetadas há anos, traduzidas em benefícios essenciais a estados e municípios. “Um país unido e conectado aos anseios da sociedade não se faz a partir de discursos oportunistas, da criminalização da política e de ataques gratuitos em período eleitoral. Ainda mais quando essas críticas recaem sobre um Congresso que entregou e continua entregando reformas que estavam engavetadas há anos beneficiando, principalmente, municípios e estados no momento de crise aguda”, escreveu Pacheco em sua conta no Twitter. Uma das reformas em análise no Senado, a reforma tributária, proposta na PEC 110, está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Pacheco já se comprometeu publicamente a encaminhá-la ao plenário da Casa tão logo seja aprovada na CCJ. Outra proposta que prevê a modernização do sistema tributário, a reforma do imposto de renda, está na Comissão de Assuntos Econômicos.

Aliança para reeleição de Zema tem apoio de ao menos 10 siglas

Governador muda estratégia adotada em 2018 e deve ter a maior coligação na campanha neste ano  A dois meses do início do prazo para as convenções partidárias, que é quando os partidos batem o martelo sobre quem vão apoiar, o governador Romeu Zema (Novo) deverá ter a maior coligação na campanha ao Palácio Tiradentes. Pelo menos dez legendas estão, neste momento, tendendo a apoiá-lo. Isso mostra uma mudança significativa em relação à eleição de 2018, quando Zema, avesso a acordos partidários, como candidato do Novo, fez campanha sozinho. A maioria dos partidos afirma que a decisão só será concretizada com as convenções, cujo prazo terá início em 20 de julho, mas alguns acordos já são dados bem encaminhados. PP, União Brasil, Patriota, Avante e PSC estão entre os que devem apoiar o governador. Inclusive, os nomes do vice e do candidato ao Senado devem sair desses partidos: os deputados federais Marcelo Aro (PP) e Bilac Pinto (União). Também estão pendendo a se juntar ao grupo Solidariedade, PMN, Agir e Podemos, cujas lideranças já manifestaram essa tendência. O Cidadania – apesar de ter feito federação com o PSDB, que tem um nome ao governo (Marcus Pestana) – também deverá seguir com Zema, como afirmou o presidente do partido em Minas, deputado estadual João Vítor Xavier. Zema poderá contar ainda com mais duas legendas na coligação: PL e Republicanos. O senador Carlos Viana se filiou ao PL no fim da janela partidária (saiu do MDB) para ser candidato a governador e recebeu apoio do Republicanos. Mas a permanência de Viana até o fim da disputa ainda é a incógnita e vai depender se ele conseguirá crescer nas pesquisas até a convenção. Ele mesmo já declarou que abriria mão da disputa se esta fosse a intenção do presidente Jair Bolsonaro (PL), para não dividir os votos da direita com o atual governador. Se a candidatura de Viana não prosseguir, tanto PL quanto Republicanos devem embarcar na coligação de Zema. Até o MDB pode vir a se juntar, uma vez que o partido passou por turbulência no Estado, perdeu nomes históricos e tenta se encontrar. Zema disse, nesta semana, que as alianças de campanha estão sendo lideradas pelo secretário de Estado de Governo, Igor Eto. A reportagem ligou e enviou mensagens para ele, mas não tinha tido retorno até o fechamento da edição. PT, Rede, PV e PCdoB devem ir com Kalil Segundo colocado nas pesquisas, Alexandre Kalil (PSD) ganhou apoio importante nesta semana. Com o quase acerto com o PT em Minas, que deverá indicar o vice da chapa, o ex-prefeito de BH deve ter Lula em seu palanque – o que é bom para o pessedista, conforme mostrou a última pesquisa DATATEMPO. Além do PT, PV e PCdoB, que estão unidos em federação com os petistas, e Rede devem caminhar com Kalil. A DC também pende para o ex-prefeito da capital. “O Kalil tem problema sério, pois ele só é conhecido em BH e região. Para ele, era fundamental colar em alguém que tenha mais popularidade no interior, como o Lula. O ex-prefeito só tem chances se colar no ex-presidente. Então era essencial que essa aliança se consolidasse”, ponderou o cientista político Adriano Cerqueira. Tucanos O PSDB tenta se colocar no meio da disputa, mas esbarra na falta de apoio de outros partidos. Ao lançar Marcus Pestana como pré-candidato tardiamente, adiou as negociações e encontra dificuldades para compor uma chapa forte. Partidos que sempre se alinhavam aos tucanos em Minas estão, em sua maioria, com Zema. “Em caso de não prosperar o nome tucano na disputa, a tendência, na minha opinião, é o apoio a Zema. E eu não vejo a candidatura de Pestana com força para obter algum sucesso”, afirmou Cerqueira. Os tucanos estão em conversas com o PDT, mas este também tem seu nome ao governo: Miguel Corrêa. A pré-candidatura dele é uma forma de tentar garantir o palanque do presidenciável Ciro Gomes em Minas. Os outros nomes na disputa são Lorene Figueiredo (PSOL) e Renata Regina (PCB). Com o fim do imbróglio PT-PSD, Saraiva Felipe (PSB) deve desistir. Vantagem atrai mais partidos, diz cientista político O cientista político e professor do Ibmec Christopher Mendonça analisa o cenário e vê situação favorável ao governador. “O Zema tem uma vantagem importante, tanto que as pesquisas mostram isso. E essa situação tende a chamar mais os partidos. O grupo que faz parte do centrão no cenário federal caminha com quem está na máquina pública em Brasília, e isso acaba, muitas vezes, se replicando em alguns Estados”, afirmou. Paradoxo O apoio de vários partidos mostra um paradoxo se comparado com a falta de apoio de Zema na Assembleia. Com uma base frágil, ele sofreu derrotas importantes nas votações. “Há dois conceitos diferentes nesse caso. O primeiro é a base legislativa, que Zema teve e tem dificuldades para solidificar o apoio. E isso tem uma justificativa, a meu ver, que é a conduta do presidente da ALMG, que é quem controla a pauta, coloca o que vai ser votado, e é do partido do Kalil (rival de Zema)”, avalia Mendonça. Situação, segundo o professor, diferente da vista no interior: “Já do ponto de vista eleitoral, o governador conseguiu regimentar apoios muito importantes até o momento. Até porque Zema é um governante municipalista, é forte no interior, e isso conta muito para o alinhamento político para as eleições. Além disso, é uma forma de buscar ter uma base mais sólida em eventual segundo mandato”. Calendário 20/7 a 5/8 Prazo para realização de convenções partidárias 15/8 Limite para que os partidos façam pedido de registro de candidaturas 16/8 Início da propaganda eleitoral na internet, caminhadas e comícios 26/8 Início da propaganda eleitoral na TV e no rádio 2/10 Primeiro turno 30/10 Segundo turno Fonte: O Tempo

Lula e Kalil fecham aliança em MG; PT deve indicar candidato a vice

Acordo foi costurado pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG); Kalil (PSD) ganha impulso em sua candidatura ao governo e Lula conquista importante palanque no segundo maior colégio eleitoral do país O martelo foi batido. PT e PSD chegaram a um acordo para aliança eleitoral em Minas Gerais e, desta maneira, o pré-candidato ao governo do estado Alexandre Kalil, que é ex-prefeito de Belo Horizonte (MG), terá o apoio oficial dos petistas e do ex-presidente Lula (PT). O acordo, anunciado nesta quinta-feira (19) pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), que costurou a aliança, prevê que o PT indique o candidato a vice para compor a chapa com Kalil. Tudo indica que isso vá de fato acontecer, já que o até então pré-candidato a vice do PSD, Agostinho Patrus, compartilhou a postagem de Lopes sobre o anúncio e confirmou que vai abrir mão de sua pré-candidatura. “Tudo certo! Lula e Alexandre Kalil juntos em Minas Gerais”, escreveu o deputado petista. “Ganham Minas e o Brasil”, respondeu Patrus. https://twitter.com/agostinhopatrus/status/1527410864218853380?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1527410864218853380%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fd-41588708982090116284.ampproject.net%2F2205051832000%2Fframe.html O acordo foi ratificado pelo próprio Alexandre Kalil, pelo Twitter. A parceria, inclusive, já tem jingle de campanha. Em Minas é @LulaOficial e Kalil. Fotos Lula: Ricardo Stuckert pic.twitter.com/Ny7z1MZyZt — Alexandre Kalil (@alexandrekalil) May 19, 2022 O fator principal que estava travando as negociações seria a candidatura ao Senado. Os dois pretendentes à única vaga, no caso, seriam o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) e o senador Alexandre Silveira (PSD), que tentará reeleição. Também foi ventilada nos bastidores a possibilidade de uma “candidatura dupla”. Pesquisas mostram que, quando o nome de Kalil é associado a Lula, suas intenções de voto disparam para o governo de Minas Gerais. O ex-prefeito de Belo Horizonte já afirmou, inclusive, que votará no petista para a presidência “com ou sem aliança”. ALIANÇA Reginaldo Lopes ou Quintão, do PT, podem ser vice de Kalil em MG O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), líder da oposição na Câmara, e o líder da oposição a Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), André Quintão (PT-MG), são os principais nomes que podem ser indicados pelo PT para ocupar o posto de candidato a vice-governador na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD).

Zema prevê deixar dívida com União R$ 38 bilhões maior que recebeu

Ao fim do mandato, governador terá acumulado débito ao menos 33,06% mais alto que quando assumiu  Caso não seja reeleito, o governador Romeu Zema (Novo) deixará o do Estado com uma dívida pública pelo menos 33,06% maior que quando chegou ao cargo. Quando o ex-governador Fernando Pimentel (PT) deixou o Palácio Tiradentes, o estoque da dívida era de R$ 114,3 bilhões. Agora, o montante, correspondente a abril de 2022, está em R$ 152,1 bilhões – maior que a previsão para todo o ano, que é de R$ 133,5 bilhões. O valor atual supera também aquele previsto para o exercício financeiro de 2023, que, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, é R$ 151,2 bilhões. O professor de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rafael Ribeiro atribuiu ao menos parte do crescimento superior a 30% à suspensão do pagamento dos serviços da dívida pública do Estado com a União. “Todo o serviço da dívida (juros, taxas, comissões e outros encargos) que não está sendo pago pelo governo está entrando no estoque da dívida. Agora, creio que não é apenas isso que explica o aumento de 30%. Teria que ser feita uma análise mais detalhada”, afirmou Ribeiro. O pagamento do passivo com a União está suspenso por liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 e 2019, ou seja, o governo não foi onerado com as parcelas mensais da dívida. Conforme a LDO, o Estado deixou de pagar, em 2021, R$ 4,6 bilhões em encargos e juros e R$ 3,7 bilhões em amortizações da dívida. “Zema pegou o governo sem pagar o endividamento para a União, o que, naturalmente, gera uma folga de caixa. Mas é óbvio que isso vai rebater na dívida do Estado, porque o serviço vai se acumulando no estoque e uma hora tem que ser pago”, pondera o professor de Economia da UFMG. Assim como Ribeiro, a economista Eulália Alvarenga apontou a suspensão do pagamento como o principal motivo, já que a maior parte das dívidas é pública. “Agora, o que não quer dizer que o Estado está melhor que os governos anteriores. Além da dívida com a União, tem restos a pagar muito altos, enfrenta dificuldades para cumprir mínimos constitucionais e investe a partir de receitas oriundas de acordos como o feito com a Vale”, pontua. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 aponta um déficit nos cofres estaduais de R$ 11,7 bilhões. Governo A Secretaria de Estado de Fazenda indicou “a suspensão integral do pagamento das parcelas” para o crescimento da dívida durante o governo Zema. “De fevereiro de 2018 a abril de 2022, o valor não pago chegava a R$ 30,4 bilhões. Como as liminares não tiram o Estado da condição de inadimplente, também incidem juros e multas sobre o total das parcelas não quitadas. O valor dos encargos já é de R$ 8,7 bilhões”, detalhou. Flutuação cambial influencia valor O Palácio Tiradentes argumenta que, além da suspensão do pagamento da dívida com a União, a flutuação cambial contribui para o aumento da dívida, “uma vez que existem contratos antigos atrelados ao dólar feitos com instituições internacionais”. O economista Rafael Ribeiro explica que, de fato, há um percentual de dívida externa que não é desprezível. “De 2019 para cá, o dólar subiu muito. O real foi uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo. Então o dólar acabou puxando muito (a dívida) pra cima”, diz. Conforme o portal da Dívida Pública Estadual, dos R$ 150,8 bilhões do estoque da dívida de 2021, cerca de R$ 32,6 bilhões têm o dólar como indexador. Ribeiro frisa, porém, que a maior parte da dívida está ligada ao Coeficiente de Atualização Monetária (CAM), que teve pouca variação. “A variação dele é mais ou menos constante todo ano”. Arrecadação tributária cresce Enquanto o governo Zema foi desonerado com a suspensão do pagamento da dívida, os cofres públicos foram impulsionados pelo crescimento substancial da arrecadação tributária. As receitas arrecadas com o ICMS, o IPVA, o ITCD e o IRRF, os principais tributos recolhidos pelo Estado, cresceram. A projeção para a arrecadação de ICMS em 2022 é de R$ 67,2 bilhões, cerca de R$ 16 bilhões maior do que aquela registrada no primeiro ano da administração de Zema, 2019. A diferença corresponde a um crescimento de mais de 31%. De acordo com Ribeiro, a alta dos combustíveis é a principal responsável pelo aumento vertiginoso de arrecadação com o ICMS. “Se o preço do diesel na bomba aumenta, digamos assim, de R$ 1 para R$ 2, e a alíquota do diesel é de 14%, a arrecadação vai aumentar de 14 para 28 centavos. Embora a alíquota seja constante, o preço do combustível dobra e o valor arrecadado também. Se o preço base aumenta, o montante de arrecadação também aumenta”, explicou. Além de destacar o impacto da alta dos combustíveis, Eulália, por sua vez, lembrou da arrecadação com energia e comunicação. “A arrecadação do ICMS é baseada em um tripé que tem energia, comunicação e combustível. Observe como os três cresceram no ano passado. É uma receita muito fácil de ter, que ainda cresceu durante a pandemia de Covid-19”, ponderou a economista. Eulália também chamou a atenção para as isenções tributárias, que poderiam aumentar a arrecadação. “Não sou contra isenção tributária, desde que beneficie parte do Estado, não gere renda apenas para dono da empresa”, criticou. Questionada, a Fazenda afirmou que a expressão “colocar a casa em ordem”, adotada por Zema, está diretamente ligada com a adequação do fluxo de caixa “para colocar fim ao parcelamento dos salários e pagar o décimo-terceiro no ano corrente e em quitar uma série de passivos herdados da gestão passada”. “A saber, R$ 543 milhões em consignações dos servidores do Executivo; R$ 755 milhões em precatórios (2016-2018); R$ 458 milhões em tributos federais; R$ 830 milhões em contribuições previdenciárias; R$ 900 milhões em recomposição do índice da Saúde não cumprido em 2018; R$ 5,7 bilhões em repasses constitucionais no acordo com a AMM; e R$ 2,3 bilhões no décimo-terceiro

Milton Nascimento teme nova ditadura: “Outra dessa o país não aguenta”

Bituca fala sobre a possibilidade de uma nova ditadura militar e pede discernimento nas eleições 2022. O artista se despede do palco, mas seguirá soltando a voz nas estradas e bailes da vida Próximo a completar 80 anos, Milton Nascimento, conhecido também como Bituca, apelido que surgiu ainda na infância e é uma referência aos povos indígenas que foram chamados de botocudos por utilizarem botoques labiais, anunciou que fará uma turnê de despedida, intitulada a Última Sessão de Música. As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte já tem datas confirmadas. Com o anúncio de que irá deixar os palcos, o cantor Milton Nascimento relembrou em entrevista ao jornal O Globo o período em que foi perseguido pelo regime militar no país. Na entrevista, o artista disse que se assusta ao ouvir falar na possibilidade de um novo golpe militar e alerta: “Se os jovens soubessem o que é uma ditadura, não iam querer. Só espero que não aconteça mais. Outra dessa o país não aguenta”. Milton Nascimento comentou ainda sobre a premiação do álbum produzido junto com Lô Borges, “Clube da Esquina”, escolhido o melhor álbum brasileiro de todos os tempos. “Não dá nem para falar da alegria que eu estou sentindo. Melhor de todos os tempos eu não pensei. Mas que é bom, é.” Durante a pandemia da Covid-19, o filho dele, Augusto, também fez questão de manter o pai seguro e praticamente em um ‘isolamento social’: “Eu fiquei paranoico. O que as pessoas falavam sobre grupo de risco era o que se encaixava nele. Eu pensei: vai morrer. Aí tranquei a casa. Até hoje, não chego perto dele sem máscara. Mas, agora, tomou a quarta dose da vacina”. Milton ganhará uma cinebiografia Milton Nascimento anunciou, em abril do ano passado, que sua vida se tornará um filme, após acordo feito pelo seu empresário e filho, Augusto Nascimento, com a produtora Gullane. O cantor já ganhou o documentário Milton e o Clube da Esquina, no Globoplay. Em seu Instagram, o cantor de 78 anos postou uma foto ao lado do filho e o produtor Fábio Gullane, dono da produtora Gullane, para revelar as boas novas: “A foto não é das melhores, mas garanto pra vocês que a notícia é! Na última semana, meu filho e empresário @augustoknascimento assinou com Fabiano Gullane (@gullaneentretenimento ) o contrato de um filme sobre a minha trajetória. Logo traremos mais notícias sobre esse longa para vocês! Quem aí gostou da novidade?”. O filme ainda não tem título ou data de estreia definidos. Estamos ansiosos e vocês?

Pau mandado – Mendonça suspende decisão dos estados sobre ICMS

Bolsonaro comemorou a decisão do ministro do STF André Mendonça, o terrivelmente evangélico. que deferiu pedido da AGU  O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu pedido de liminar da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que definiu as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel nos estados. No dia 25 de março, por meio do Confaz, governadores decidiram estabelecer o valor de cerca de R$ 1 por litro para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel. O presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, chamou a medida de “esculacho”. André Mendonça, em sua decisão, disse ver na decisão do Confaz “patente a violação aos dispositivos constitucionais invocados, destacando-se a afronta manifesta ao princípio da uniformidade, veiculado pelo artigo 155, § 4º, inciso IV, alínea “a”, da Carta de 88, pelo estabelecimento do denominado “fator de equalização”, previsto na cláusula quarta do Convênio inquinado”, disse na decisão. Reinaldo Azevedo critica liminar de André Mendonça sobre ICMS: “inconstitucional é retirar dos estados a competência tributária” O jornalista Reinaldo Azevedo, em artigo no UOL, descreveu os impactos da determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou políticas de governos estaduais para cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel. A liminar suspende a decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que unificou as alíquotas de ICMS do combustível. O embate entre Executivo e estados anterior à decisão se deve a “um acordo (que) permite que cada unidade da Federação aplique um desconto sobre a alíquota única que foi estabelecida para todos: R$ 1,006 por litro”, explicou o jornalista. Para ele, os descontos não são inconstitucionais, e sim a retirada dos estados da “competência que lhes cabe em matéria tributária”, destacou. “Bolsonaro mirou na Petrobras — e se viu a pantomina dita privatista do tal Adolfo Sachsida — e nos estados. Vive dizendo por aí que ele próprio nada tem a ver com o preço dos combustíveis, como se não houvesse uma omissão escandalosa do seu governo na definição, reitero, de uma política pública, ainda que tudo continuasse como está na petroleira”.

Kalil ironiza suposto ‘bolo’ em Lula durante visita do ex-presidente a BH

Ex-prefeito disse que em Minas amigos são recebidos com “café quente e pão de queijo”; ele não compareceu a evento do petista na segunda-feira (9) O pré-candidato ao governo do estado de Minas Gerais Alexandre Kalil (PSD) ironizou, nesta terça-feira (10), as críticas que recebeu por ter dado um “bolo” no ex-presidente Lula no evento de lançamento da pré-campanha do petista no Expominas, em Belo Horizonte, na segunda-feira (9). Segundo Kalil, em Minas Gerais existe um jeito diferente de receber os amigos. “Aqui em Minas Gerais ninguém dá bolo em amigo. Normalmente, é café quente e pão de queijo”, publicou o ex-prefeito de Belo Horizonte no Twitter. Aqui em Minas Gerais ninguém dá bolo em amigo. Normalmente, é café quente e pão de queijo. — Alexandre Kalil (@alexandrekalil) May 10, 2022 Leia também: Ex-ministro pode se lançar ao governo para dar palanque a Lula em MG Em entrevista a uma emissora de rádio local, na segunda-feira (9), Kalil disse que não compareceria ao evento de Lula porque tinha recebido outros convites para a mesma data e horário marcados para o evento do petista, e que o objetivo dele agora é divulgar a sua campanha. “Não vou ao evento. É um evento do PT e eu sou do PSD. Fui convidado até, mas não vou. Não me sinto à vontade. Fui convidado para vários (eventos), não só do PT. Mas eu agora estou em um período em que quero viajar para levar minha proposta”. Kalil e Lula já chegaram a discutir um apoio à candidatura do petista à Presidência, em São Paulo, mas o principal impasse dessa aliança é a disputa pela vaga no Senado na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte.

Chapa Lula/Alckmin lança pré-candidatura em Minas Gerais

Em meio a gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, o pré-candidato à Presidência Luís Inácio Lula da Silva foi recebido na capital mineira, na noite desta segunda-feira (9). O ato “Lula abraça Minas Gerais” marca o lançamento da pré-candidatura da chapa Lula/Alckmin no estado. O encontro, que aconteceu no Expominas, em Belo Horizonte, lotou a área destinada ao evento. Milhares de pessoas estiveram presentes e muitas acompanharam a atividade do lado de fora. Além de caravanas vindas de todas as regiões do estado, o evento contou com a presença de representantes de sindicatos de trabalhadores, coletivos, entidades estudantis, movimentos populares e partidos políticos. Entre as autoridades que compuseram o palanque ao lado de Lula, estão os presidentes estaduais do PT, do PCdoB, do PSB, da Rede, do Solidariedade e do PSOL. Além disso, o ex-presidente esteve acompanhado de representantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Frente Brasil Popular, de ex-ministros, vereadores, deputados estaduais e federais. Durante o evento, conduzido por Aline Calixto e por Flávio Renegado, as falas foram de afirmação da necessidade de construção de outro projeto de país. Combate à fome, revogação das reformas trabalhista e da Previdência, e empregos de qualidade foram algumas bandeiras levantadas. “Provamos que é possível aumentar o salário mínimo, cuidar da agricultura, botar as pessoas das periferias nas universidades e as crianças nas escolas técnicas”, afirmou Lula ao convocar os apoiadores a se empenharem no diálogo com as pessoas durante a campanha eleitoral. Lula afirmou ainda que não é o pré-candidato de apenas um partido. Para ele, a pré-candidatura representa um movimento de reconstrução do país. “Quero ser candidato de um movimento: das pessoas que gostam de paz, que têm amor, que têm sensibilidade, que choraram com seus parentes que morreram com a pandemia. Quero ser candidato das pessoas que ficaram desempregadas, dos 19 milhões que estão passando fome, dos milhões de brasileiros que saem para procurar emprego todo dia e voltam para casa sem”, enfatizou o ex-presidente. Agenda Durante a semana, Lula segue por Minas Gerais. Na manhã da terça-feira (10), às 11h, o pré-candidato participa de uma atividade em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na quarta-feira (11), a agenda de Lula será em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

Ex-ministro pode se lançar ao governo para dar palanque a Lula em MG

Saraiva Felipe é opção para o PSB, que apoia o ex-presidente; Solidariedade também pode ter candidato com benção do PT Por Luiz Ribeiro – EM O Partido Socialista Brasileiro (PSB) avalia a possibilidade de lançar Saraiva Felipe, ex-ministro da Saúde, como pré-candidato ao governo mineiro. Nesta segunda-feira (9/5), Saraiva esteve em uma reunião em Belo Horizonte entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças de partidos que pretendem apoiá-lo na disputa presidencial. Saraiva pode ser uma opção para dar palanque Lula em Minas caso a aliança com Alexandre Kalil (PSD) não se concretize. Sob reservas, petistas ouvidos pelo Estado de Minas acreditam que a união ao ex-prefeito de Belo Horizonte está cada vez mais distante. Para preencher a lacuna de candidato de Lula na disputa contra Romeu Zema (Novo), quem também surge é Dinis Pinheiro (Solidariedade), ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele também esteve presente à reunião desta segunda, ocorrida em um hotel na Região Centro-Sul de BH. A articulação em torno de Saraiva nasceu de uma ala com integrantes antigos do PSB. Quadro histórico do MDB, o ex-ministro se filiou à nova sigla em março deste ano. Segundo Saraiva, o impasse em torno do apoio do PT a Kalil pode abrir espaço na disputa. “O certo é que não se arredondou um acordo [PT-Kalil]. Fica uma disputa, um ‘estica e puxa’. Isso abre caminho para que se consolide – não apenas no PSB – um outro grupo para formular propostas para um governo em Minas”, disse, após a reunião com Lula. Ainda conforme Saraiva Felipe, a reunião de hoje não serviu para apresentar a Lula sua pré-candidatura. Segundo ele, é preciso construir consenso no PSB. “Estamos em negociações. Para se chegar a uma candidatura, temos que ter unidade do partido em Minas e [no plano] nacional. Mas está caminhando bem. É uma possibilidade”. Ala do PT defende Dinis Pinheiro Paralelamente, também há a possibilidade da formação de um cordão em torno de Dinis Pinheiro. À reportagem, ele se esquivou de comentar a hipótese de ser pré-candidato ao governo. “É bom rever os amigos, conversar e bater papo. Vim mais para ouvir”, comentou, ao explicar porque se encontrou com Lula e aliados hoje. Há no PT, porém, quem veja a ideia com simpatia. O Solidariedade é um dos partidos fechados com Lula e, entre os petistas, Dinis é visto como o principal político da sigla. Embora haja bons olhos direcionados a Dinis, outros interlocutores ouvidos pela reportagem acreditam que a costura não tem potencial para vingar. Aliança com Kalil tem impasses Neste momento, o principal entrave para viabilizar a dobradinha Lula-Kalil está na corrida ao Congresso Nacional. O PT não abre mão de lançar o deputado federal Reginaldo Lopes como candidato ao Senado, mas o PSD trabalha em prol da reeleição de Alexandre Silveira. Uma das possibilidades é que Lula dê apoio informal a Kalil, sem que o PT esteja na coligação. Esse movimento permitiria que Reginaldo e Silveira disputassem a vaga de senador. O PSB, que cogita Saraiva, também não descarta Kalil. Em março, o partido tentou filiar o ex-prefeito de Belo Horizonte – com direito, inclusive, a esforços do presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. As tratativas, porém, não avançaram. O presidente do PSB no estado é o deputado federal Vilson da Fetaemg. À época, ele afirmou que, mesmo sem filiar Kalil, a agremiação tinha tendência a caminhar com ele na eleição estadual. “Queremos participar do governo dele [Kalil] e dar nossas sugestões e opiniões, as fissuras e deficiências do estado, além de onde o governo pode ter um olhar mais abrangente”, considerou. Três perguntas para José Saraiva Felipe, pré-candidato a governador pelo PSB EM – O senhor é pré-candidato a governador de Minas pelo PSB? Saraiva Felipe – Eu assumi (a pré-candidatura a governador). Na verdade, quem decide pela candidatura é a convenção do partido. Mas, um grupo representativo de ex-deputados federais do próprio PSB, como o Mário Assad Junior e o Carlos Mota, foram que lançaram o meu nome (para a disputa do Palácio Tiradentes. Eles lançaram meu nome em uma reunião em Brasília. Então, resolvi assumi essa (pré) candidatura) EM – O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato a vice de Lula, é do PSB. Isso pesou na articulação para que o partido tenha candidatura ao governo de Minas? R – Claro. Um partido que tem um candidato a vice-presidente da República com o perfil do ex-governador Geraldo Alckmin não pode ficar nas eleições majoritárias em Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral da Nação e tem papel fundamental na definição da eleição presidencial”. EM – O senhor pretende caminhar junto com o ex-presidente Lula? R– Estou vendo as dificuldades (do ex-presidente Lula). Estou vendo que os partidos, por disputas de poder ou por causa de ambições pessoais, não conseguem fechar (montar) palanque e deslanchar a campanha (do ex-presidente petista) em Minas. então, o que PSB encaminhou até agora, é a questão de que o Lula tem esse palanque seguro, esse palanque garantido, sem esse “mimimi, sem disputa de cargos dentro da chapa”.