Carlos Viana não decola e Bolsonaro poderá ficar sem palanque em Minas

Aliados de Jair Bolsonaro estão preocupados com a campanha do presidente no segundo maior colégio eleitoral do País, Minas Gerais. Há muita descrença sobre a real capacidade de Carlos Viana (PL) tomar votos de Romeu Zema (Novo) a ponto de se tornar um candidato competitivo. Bolsonaro decidiu lançá-lo como resposta à hesitação de Zema em apoiá-lo no Estado Mas até agora quem está ganhando com isso é Alexandre Kalil (PSD), que já ofereceu palanque a Luiz Inácio Lula da Silva. Esse grupo de bolsonaristas, que reúne também políticos do PL, insiste na aliança com Zema e vai usar como argumento as pesquisas de intenção de voto que vão sair ao longo do próximo mês. LIÇÃO Desde a redemocratização, o presidenciável que vence em Minas leva também a eleição nacional. Os analistas políticos costumam lembrar 2014, quando até o mineiro Aécio Neves (PSDB) perdeu para Dilma Rousseff (PT) no Estado. NEM VEM No Partido Novo, por sua vez, aliados de Zema dizem que apenas uma mudança brusca nas pesquisas, mostrando forte crescimento do presidente, poderia abrir uma janela para a conciliação. Estadão  

Minas Gerais confirma mais um caso de raiva humana

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou na tarde de ontem que investiga dois casos suspeitos de raiva humana, doença altamente letal, no estado. Os casos são de dois adolescentes indígenas, da etnia maxacali, no município de Bertópolis, no Vale do Rio Doce, que sofreram mordeduras de morcego hematófago, transmissor da doença: um garoto, de 12 anos, que morreu na segunda-feira, em Teófilo Otoni (mesma região); e uma menina, também de 12 anos, que, na madrugada de ontem, deu entrada no Hospital Infantil Joao Paulo II, em Belo Horizonte. De acordo com a última informação divulgada pela SES, ela permecia em isolamento e seu quadro era estável. Amostras de material dos dois pacientes foram coletas e serão encaminhadas para análise em laboratório. Embora lembre que é “importante esclarecer que ambos os casos se encontram em investigação, ou seja, ainda não estão confirmados por exames laboratoriais”, a Secretaria de Saúde acendeu o sinal de alerta. A pasta informou que encaminhou notificação da morte do adolescente com suspeita de raiva humana ao Ministério da Saúde. e anunciou um série de medidas preventivas contra a transmissão da raiva humana no estado. Entre as ações estão: investigação na localidade de ocorrência da exposição com busca ativa de pessoas que tiveram contato com o caso suspeito e encaminhamento para atendimento médico profilático, contato com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para ações cabíveis; vacinação antirrábica de cães e gatos da localidade; bloqueio focal e divulgação do caso na região com objetivo de alertar as pessoas sobre as formas de transmissão e prevenção da raiva. A gravidade da raiva humana justifica o reforço das medidas de prevenção mesmo com os casos sendo considerados ainda suspeito. Conforme informa o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave (…), que se caracteriza-se como “uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%” (confira arte). VACINA De acordo com registro da literatura médica, ao longo da história de mais de 4 mil anos do primeiro registro da moléstia, foram raros os casos de pacientes contaminados pela raiva humana que sobreviveram. A forma mais eficaz de prevenção contra a doença é vacina antirrábica, descoberta pelo cientista francês Louis Pasteur em 1885. A SES destaca a importância de se procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação da necessidade de adoção de medidas profiláticas (administração de vacina e soro) em caso de qualquer incidente com mamíferos silvestres, sobretudo morcegos, bem como com cães e gatos. Fique sempre bem informado A vacina pode ser aplicada pré ou pós-exposição ao vírus que provoca a doença, transmitido ao homem por mamíferos, entre eles cães e gatos, que devem ser imunizados a partir dos três meses de idade. A profilaxia é essencial para evitar que a infecção se instale em humanos e deve ser feita rapidamente. Pessoas não imunizadas que tenham sido atacadas por morcegos ou tido outros animais com suspeita da doença devem ser administradas cinco doses da vacina, uma no dia da mordida, e as seguintes ao 3º, 7º,14º e 30º dias. Além disso, caso a lesão seja grave, devem ser administradas imunoglobulinas antirrábicas juntamente com a 1º dose da vacina. Em Minas Gerais, conforme a SES, a última morte por raiva humana foi registrada em 2012, na região da Zona da Mata (leia memória nesta página). No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o último caso da doença ocorreu em novembro de 2021, no município de Chapadinha (MT). Antes, houve no país dois registros da doença em 2020, em Angra dos Reis (RJ ) e Catolé da Rocha (PB); e um caso em 2019 – Gravataí (SC). OS CASOS O adolescente que morreu na segunda-feira em Minas chegou a ser internado na Unidade Pronto Atendimento (UPA) de Teófilo Otoni, no Vale do Rio Doce, depois ser mordido por um morcego hematófago, na aldeia Pradinho, no município de Bertópolis. De acordo com a diretora da UPA, Danielle Avelar, o menino deu entrada na unidade de pronto atendimento no domingo. Ele apresentava febre, confusão mental, agitação, vômito, sialorreia, edema e ferida no lábio superior. O quadro se agravou e evoluiu para óbito na segunda-feira. O prefeito de Teófilo Otoni, Daniel Sucupira (PT), disse que a família do adolescente informou que ele havia sido mordido pelo morcego na área maxacali 10 dias antes, mas continuou recebendo “tratamento” apenas com os rituais indígenas, até que o caso se agravou e ele foi encaminhado para o atendimento médico hospitalar. Antes de ser encaminhado para a UPA, a vítima recebeu atendimento em um hospital de Machacalis (na mesma região, a 174 quilômetros de Teófilo Otoni). Na terça-feira à noite, uma menina de 12 anos da aldeia maxacali, que também teria sido mordida por um morcego, apresentou sintomas como cefaleia, febre e sonolência. O quadro se agravou e ela foi encaminhada em uma ambulância, sendo acompanhada por um médico, até a UPA de Teófilo Otoni. Porém, a garota nem chegou a dar entrada na UPA. Foi conseguida uma vaga para a menina indígena no Hospital Infantil João Paulo II, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) em Belo Horizonte, onde ela segue internada. Conforme apurou a reportagem, a paciente foi colocada em um leito em isolamento, seguindo os protocolos clínicos, com as equipes médicas e demais profissionais de saúde usando a paramentação e adotando a higienização e todos os cuidados preventivos recomendados. Memória Óbito há 10 anos O último caso de raiva humana registrado em Minas Gerais foi de um produtor rural, de 32 anos, que morreu em 28 de junho de 2012, depois de contrair a doença em Rio Casca, na Zona da Mata. Antes, tinha sido registrado um caso da doença no estado em 2005, no município de Prados, Região Central. O produtor rural de Rio Casca foi atacado por um morcego. Mas o homem procurou atendimento médico somente 49 dias depois de ter sido mordido, quando começou a sentir os sintomas. Ele chegou ao hospital com um corte na mão e suspeita de

Backer vai retomar produção 2 anos após mortes por intoxicação com cerveja

A fábrica da Backer, responsável pela cerveja artesanal Belorizontina, vai retomar a produção no parque industrial próprio, em Belo Horizonte. Isso ocorre pouco mais de dois anos após 29 pessoas que consumiram a bebida terem sido contaminadas com dietilenoglicol. Houve dez mortes. A cervejaria recebeu o aval na sexta-feira, 8. A liberação foi feita em conjunto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Prefeitura de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros de Minas. Segundo a prefeitura de BH, a condicionante para validade do alvará foi a liberação do ministério. Procurada pela reportagem, a direção da Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca, informou que a retomada da produção será decisiva para ampliar a assistência médica e financeira às vítimas. Sobre o consumidor merecer a confiança da retomada das operações da cervejaria, a Backer informou que a empresa recebeu a liberação de diversos órgãos e que foi o próprio Mapa, em sua nota oficial, que esclareceu o processo. Segundo o órgão, a empresa atendeu às exigências feitas para garantir a segurança dos produtos referentes às condições dos tanques de fermentação e equipamentos que serão utilizados nesse retorno. A cervejaria informou ainda que substituiu, em seu processo produtivo, o fluido refrigerante por solução hidroalcóolica – solução que contém água e álcool. Ainda conforme o ministério, o processo de produção da cerveja no parque fabril vem ocorrendo desde novembro de 2021, após vistoria executada por auditores fiscais agropecuários do Ministério. Os produtos fabricados foram informados semanalmente à pasta, que realizou a coleta de cada lote e dos fluidos refrigerantes, especificamente. Com a aprovação dessas análises, a cervejaria foi então autorizada a retomar a comercialização de seus produtos. A cervejaria confirmou à reportagem que retomará a produção em maior escala o mais breve possível, após a liberação da semana passada. Inicialmente será produzida a cerveja Capitão Senra. Audiências Segundo o Tribunal de Justiça de Minas, as audiências do caso Backer estão marcadas para acontecer entre 23 e 26 de maio, no Fórum Lafayette, na capital mineira. Ao todo, são 11 réus, incluindo os sócios-proprietários da cervejaria Backer, além de outros funcionários da empresa, por “crimes cometidos em função da contaminação de cervejas fabricadas e vendidas pela empresa ao consumidor”. Agência Estado

Pó parar Aécio! Mineirinho sabota Doria e tenta novo golpe no PSDB com Eduardo Leite

O primo de Frederico Pacheco de Medeiros, o ainda deputado Aécio Neves (PSDB-MG), o mineirinho – apelidos do departamento da propina da Odebrecht – que liderou a campanha pelo golpe de estado de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, processo de ruptura institucional que empobreceu o Brasil e abriu as portas para o fascismo, reforçou a tentativa de golpe interno no PSDB, em entrevista ao Globo. “O PSDB tem dois nomes com a mesma legitimidade. Quem tiver a menor rejeição leva. O retrato do partido de hoje não é aquele das prévias. Se o Doria tivesse condições, teria que ser nosso candidato. Se o Leite não tiver, não será. O que não podemos é nos apegar à realidade formal e tirar o PSDB do jogo. Doria pode não ser candidato agora, mas, dependendo do gesto que fizer, pode ser no futuro. Somos companheiros, não temos que ficar nessa guerra interna”, disse ele. Para não cair no esquecimento, relembre o diálogo de Aécio Neves com Joesley Batista “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho” Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação Um perfil de “Fred”, o primo que ia rifar a Cemig e detonou o aecismo Nomeado diretor da Cemig, o “primo Fred” do senador Aécio Neves foi acusado de cobrar até para conceder audiências. Por Felipa Infanta (*), especial para o Nocaute Joesley: Entendeu? Tem que ser entre dois, não dá pra ser… Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes dele fazer delação [risos]. Joesley: [Risos] Eu e você. Pronto.. Ou o Fred e um cara desses… Pronto. Aécio: Vamos combinar o Fred, com um cara desses. O diálogo telefônico acima, gravado secretamente, não revelava apenas o pico de uma cordilheira de corrupção entre o senador Aécio Neves e Joesley Batista, dono da J&F. A conversa grampeada expôs à luz do sol, para os brasileiros, um personagem que a “high society” mineira conhecia bem. Era o “Fred” – Frederico Pacheco de Menezes, primo de Aécio e por este citado na ligação como “um que a gente mata ele antes dele fazer delação”. Quem quiser realizar um retrato objetivo de Frederico Pacheco de Menezes, o “Fred”, terá obrigatoriamente que recorrer às reportagens do jornalista mineiro Marco Aurélio Carone. Perseguido durante os governos aecistas em Minas Gerais, Carone foi uma das raras vozes do jornalismo a enfrentar a censura do aecismo. Perseguido pelo braço policial-judiciário comandado por Aécio e Anastasia, o repórter foi preso sem provas e sofreu sequelas físicas que carrega até hoje, em função dos maus-tratos a que foi submetido. “Fred” Pacheco, o personagem central deste perfil, foi preso em maio de 2016, durante a Operação Patmos, por suspeita de envolvimento no pagamento de propina de R$ 2 milhões do grupo J&F ao senador Aécio Neves. “Fred” foi gravado por executivos do grupo recebendo R$ 500 mil na sede da J&F em São Paulo. Frederico Pacheco de Medeiros, o primo de Aécio Neves, que foi preso e carregou uma tornozeleira eletrônica durante alguns meses, poderia ter encerrado a carreira do senador tucano, caso aceitasse fazer uma delação premiada. Isso porque “Fred”, como é conhecido na intimidade da família Neves e na cúpula do tucanato, não é um mero carregador de malas, alguém que seu primo poderoso pudesse matar. “Fred” é uma figura-chave no comando do aecismo. Pacheco foi preso logo após a rumorosa operação que monitorou a entrega e o transporte de uma mala cheia de dinheiro de propina, combinada entre Aécio e Joesley Batista. A prisão ocorreu em sua casa, no condomínio Morro do Chapéu, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde residem as principais figuras do aecismo. Em seu currículo, desde 2003, acumula diversas passagens por cargos públicos. Fred foi nomeado secretário adjunto do governo mineiro de Aécio Neves, cargo diretamente ligado ao primo, no qual permaneceu até outubro de 2006. As informações estão à disposição em arquivos públicos depois da Lei da Transparência, sancionada em 2009 pelo ex-presidente Lula. No período eleitoral de 2006, entre julho e setembro, ele trabalhou na campanha de reeleição de Aécio. Em seguida, com a vitória do primo, em outubro daquele ano, reassumiu o cargo no governo e lá ficou até junho de 2008. No mês seguinte, virou secretário-geral do governo de Minas Gerais, até março de 2010, quando retornou como secretário adjunto do governo mineiro. Com Anastasia, a Cemig cai nas mãos de “Fred” Foi nos governos de Antônio Anastasia, o mentor intelectual do aecismo, que “Fred” Pacheco passou a ser um dos principais operadores do grupo. Quando o primo Aécio entregou o governo do estado para o seu sucessor, em 2011, Frederico Pacheco foi nomeado diretor de Gestão Empresarial da Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig). É uma das principais diretorias do grupo empresarial, responsável por todos os contratos firmados pela companhia elétrica mineira. Pacheco passou a controlar o movimento de bilhões de dólares por ano. Em 2014 Fred trabalhou como administrador financeiro da campanha de Aécio Neves à Presidência da República, sendo acusado de ter canalizado para o comitê eleitoral aecista vultosos recursos, oriundos dos contratos da Cemig. Somente em 2015, quando o candidato aecista Pimenta da Veiga foi derrotado por Fernando Pimentel nas eleições para o governo de Minas Gerais, é que o primo deixou a direção da companhia. Segundo reportagem do site Viomundo, editado pelo jornalista Luis Carlos Azenha, Frederico foi o articulador de um dos maiores absurdos da sexagenária Cemig. Contaminado pelo surto privatista, ele articulou a venda de 1/3 das ações da estatal mineira à empreiteira Andrade Gutierrez (AG). “Negócio da China” para a Andrade Guitierrez Para a empreiteira com origem em Minas Gerais foi o chamado “negócio da china”. O “negócio” se viabilizou de uma maneira muito estranha, na qual somente

PT e PSB devem caminhar juntos para apoiar Kalil ao governo de Minas

 Petista ainda discutem se o apoio será informal ou não, enquanto os socialistas desejam participar da coligação do ex-prefeito nas eleições deste ano  PSB e PT podem seguir juntos, também, em Minas Gerais. Isso porque, enquanto os petistas analisam a possibilidade de apoiar, ainda que informalmente, Alexandre Kalil (PSD), pré-candidato ao governo, os pessebistas desejam compor a coligação do ex-prefeito. O partido de Alckmin tentou atrair Kalil, mas não conseguiu a filiação dele. Houve, inclusive, uma última investida na reta final da janela partidária. O presidente do PSB em Minas Gerais é o deputado federal Vilson da Fetaemg. Na semana passada, ele projetou ao Estado de Minas o crescimento da sigla neste ano. “É o partido que, com certeza, terá o vice-presidente da República. Isso não é qualquer coisa. Estamos em ascensão”, disse. A despeito da opção de Kalil por ficar no PSD, os pessebistas desejam manter as pontes de diálogo. “Queremos participar do [eventual] governo dele e dar nossas sugestões e opiniões, [apontar] as fissuras e deficiências do estado, além de onde o governo pode ter um olhar mais abrangente”, vislumbrou. Na semana passada, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, esteve em Belo Horizonte. Ele participou de conversas sobre a montagem das chapas do partido rumo à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. O dirigente deve voltar ao estado posteriormente para debater as táticas eleitorais em Minas. O PSB mineiro perdeu dois deputados federais. Júlio Delgado foi para o PV e Emidinho Madeira escolheu o PL. O deputado estadual Professor Cleiton também saiu rumo ao PV. Em que pese os desembarques, houve reforços. Saraiva Felipe, ex-ministro da Saúde, deixou o MDB para se juntar à sigla, embora não deva se candidatar neste ano. Chegaram, também, os parlamentares estaduais Gustavo Mitre, vindo do PSC, e Neilando Pimenta, ex-Podemos. Eles se somaram a Bernardo Mucida, que tem mandato na Assembleia e não mudou de legenda. Via EM

Municípios mineiros se preparam para 5º Conferência Nacional de Saúde Mental

A data de 18 de maio é marcada como Dia Nacional da Luta Antimanicomial – Foto: Maíra Cabral / Mídia NINJA Especialistas avaliam que o evento, que não é realizado desde 2010, acontece em momento crucial para o setor Por Amélia Gomes| Brasil de Fato MG | Por toda Minas Gerais, municípios se organizam para as etapas estadual e nacional da 5º Conferência Nacional de Saúde Mental, que acontece em Brasília entre os dias 8 e 11 de novembro. Neste ano, o evento tem como tema “A política de saúde mental como direito: pela defesa do cuidado em liberdade, rumo a avanços e garantia dos serviços da atenção psicossocial no SUS”. Em Ipatinga, no Vale do aço, já foram realizadas quatro pré-conferências e o debate municipal está marcado para 30 de março. As etapas regionais de Belo Horizonte acontecem durante o mês de abril. “Esse é um momento muito importante. A nossa primeira conferência aconteceu há doze anos. É a nossa vez de dizer qual política queremos e precisamos”, pontua Cirlene Ornelas de Godoy, da Associação Loucos por Você e integrante da comissão estadual da reforma psiquiátrica. Contexto do país “O nosso dinheiro da educação, saúde, assistência social está indo todo para as comunidades terapêuticas. Faltou oxigênio em Manaus, respirador e anestesia no Rio de Janeiro, mas não faltou R$1 para as comunidades terapêuticas”. É assim que Laura Fusaro Camey, vice-presidenta da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (Asussam) avalia o atual momento do setor no Brasil. Não é para menos. Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, as chamadas comunidades terapêuticas, que têm como prioridade a internação de pessoas em tratamento mental, são o centro da gestão do setor. De acordo com levantamento realizado pela Agência Pública, em 2020 o recurso destinado para essas entidades era o dobro do total investido nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Caps é referência mundial Os Caps são instituições vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) que tem como prioridade o tratamento em liberdade e a promoção de políticas de inclusão dos seus usuários. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) referendou o serviço como modelo internacional de tratamento da saúde mental. Por outro lado, além das internações compulsórias, as comunidades terapêuticas são criticadas por praticarem, em alguns casos, a doutrinação religiosa de seus pacientes. Além disso, são alvos de denúncias de violações de direitos humanos, como exploração de mão de obra, torturas e até mesmo óbitos. “A política do governo é de encarceramento em massa, seja pelas vias que forem”, aponta Fusaro, que acredita que as conferências locais e o encontro nacional são momentos importantes para visibilizar essas denúncias. Sucateamento do serviço Laura Fusaro ressalta que a pandemia sobrecarregou o sistema de saúde como um todo, inclusive os serviços de saúde mental. No entanto, assim como em outras áreas do setor, os trabalhadores da saúde mental também ficaram mais precarizados. “A gente tem um cenário de calamidade pública nos recursos humanos do SUS de BH como um todo, não tem profissional suficiente. Os serviços de saúde mental dependem muito de construção de vínculos e é muito difícil manter isso com a alta rotatividade na saúde, que acontece por causa da precariedade das condições de trabalho”, pontua. Além disso, no ano passado os usuários e trabalhadores da saúde mental de BH também travaram uma importante batalha contra a orientação do Conselho Regional de Medicina (CRM) que pedia o fechamento dos Centros de Referência de Saúde Mental de BH (Cersams). Na avaliação de Ana Marta Lobosque, que atuou por mais de 20 anos na linha de frente da rede de saúde mental de BH, o ataque do CRM às entidades foi irresponsável e leviano. Para ela, o que a rede precisa é de investimento. “Nós conseguimos fazer esse enfrentamento, sustentar isso na justiça e politicamente, mas o SUS de BH como um todo está muito precarizado. E mesmo assim consegue manter a qualidade do serviço”, afirma. Cronograma das Conferências de Saúde Mental Etapas regionais de Belo Horizonte: Barreiro: 7 e 08 de abril Centro-Sul: 2 de abril Leste: 9 de abril Noroeste: 8 de abril Norte: 9 de abril Oeste: 2 de abril Pampulha: 19 de abril Venda Nova: 8 de abril Etapas Municipais e Macrorregionais: Até 30 de abril de 2022 Etapas Estaduais e Distrital: Até 30 de junho de 2022 Etapas livres/preparatórias: Até 30 de setembro Etapa Nacional: De 8 a 11 de novembro Luta antimanicomial A data de 18 de maio é marcada como Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Por causa da pandemia, o tradicional desfile da Escola de Samba “Liberdade Ainda que Tantan” não será realizado neste ano. No entanto, usuários, trabalhadores e militantes do setor preparam um ato com intervenções artísticas, que será realizado na Praça Sete, no Centro da capital.

Rodrigo Pacheco faz cara de mau, mas é um frouxo – Por Fernando Brito*

Não interprete como severa a determinação do presidente do Senado (e, portanto, do Congresso), Rodrigo Pacheco, de dar dez dias para que todos os parlamentares indiquem quais foram as emendas que propuseram no “Orçamento Secreto” dos anos de 2020 e 2021, para que se atenda, finalmente, a ordem dada pela ministra Rosa Weber de tornar público quem levou, quanto e para onde bilhões do dinheiro público. Quantos dos 594 deputados e senadores vão, espontaneamente, confessar exatamente o que empurraram, na surdina, para suas bases eleitorais ou para onde os negócios se afiguravam promissores? Ainda mais se a negativa de informar não tiver de ser confrontada ao que, de fato, foi encaminhado pelo relator do Orçamento, ou relatores, no caso: os senadores Domingos Neto (PSB – CE) e Marcio Bittar ((PL-AC), uma vez que eles são os responsáveis pela solicitação dos valores ao Executivo e recebem os pedidos de apoiamento dos parlamentares. Ambos se recusaram a fornecer as informações do que foi recebido e encaminhado por ele para ser pago. E Pacheco, em lugar de obrigá-los, com os poderes regimentais que tem, resolveu “democratizar” a responsabilidade: cada um informa o seu. Em lugar de dois responsáveis, teremos quase 600 irresponsáveis, porque é impossível cotejar o que disserem (ou não disserem) com a realidade. Pacheco está sendo apenas o que é, um covardão cúmplice, comprometido até a medula com este esquema de distribuição obscura de verbas públicas, até porque ele sucede Davi Alcolumbre, este varão da República, na designação dos relatores e não há de ser lá que se revoga o dito popular de que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte”. Bobo, Pacheco não é. Artes, sim, deve ter feito muitas, como todo cara que posa de santarrão. *  Editor do Tijolaço

Kalil lança pré-candidatura ao governo de Minas com críticas a Zema e Bolsonaro

Nas redes sociais, Alexandre Kalil anunciou que deixou a prefeitura de BH e deu estocadas em Zema e Bolsonaro: “Presidente da República não me manda tirar máscara” Alexandre Kalil (PSD) anunciou em vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira (25) que está deixando a prefeitura de Belo Horizonte para lançar sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais. “A legislação brasileira me obriga a sair da prefeitura de Belo Horizonte. Sou pré-candidato ao Governo de Minas Gerais. Então, eu quero dizer ao povo de Belo Horizonte o seguinte: muito obrigado, gente. Foi bacana pra burro ser prefeito 5 anos e 48 dias”, diz Kalil no vídeo. Nas imagens, o agora ex-prefeito de BH lista feitos à frente do comando da capital mineira e lança seu slogan: “sem promessa e sem mentira”. Ao final do vídeo, Kalil, que negocia o apoio de Lula (PT), dá estocadas em Jair Bolsonaro (PL), que deve apoiar a reeleição de Romeu Zema (Novo) no estado. “Minas Gerais não é um estado de palavra fluída e frouxa. Minas Gerais é um lugar de gente corajosa, orgulhosa. Nós não podemos confundir submissão com humildade. Nós somos por essência gente humilde, mas não lambe botas. Presidente da República não me manda tirar máscara. Presidente da República tem que trazer investimento para este estado. Este governo flácido que abandonou as estradas, que abandonou saúde, que abandonou tudo. Isto acabou”, disse Kalil, mirando também Zema. Em entrevista a uma rádio mineira nesta quinta-feira (24), Lula sinalizou que deve fechar a parceria com Kalil em Minas. “O Kalil precisa de mim, eu preciso do Kalil e se nós dois nos juntarmos, faremos uma chapa muito forte em Minas Gerais”, disse.

Eco – Pedágio na BR-135 vai para R$ 8,70 e vereador critica omissão dos deputados

O pedágio nas cinco praças da BR-135 entre Montes Claros e Curvelo e na LMG-754, próximo a Cordisburgo, será reajustado a partir de 1° de abril. Carros de passeio pagarão R$ 8,70, valor que será cobrado também para veículos comerciais, por eixo. Para motos, o preço é R$ 4,35. De acordo com a concessionária Eco135, responsável pela via, o aumento segue as diretrizes do Contrato de Concessão Setop 004/18, firmado com o Estado, e acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado entre março de 2021 e fevereiro deste ano. O Vereador Rodrigo Cadeirante (Rede) usou a tribuna na manhã desta quarta-feira (23), na Câmara Municipal de Montes Claros, para questionar a postura dos deputados norte-mineiros diante do aumento da tarifa de pedágio. De acordo com o parlamentar, daqui alguns meses “vai brotar Deputado até do buraco do asfalto” para vir ao Norte de Minas pedir voto das pessoas e na hora que o povo está realmente precisando de uma postura firme, não aparece nenhum deles. “Olha que notícia triste, vai aumentar de novo o preço nos pedágios da BR-135 e ninguém fala nada. A maioria dos deputados estiveram com o Governador Romeu Zema quando foi lançar um pedacinho de duplicação da BR há um dia desses batendo palma atrás do Governador. Eu vi aquela situação naquela época e pensei, isso vai custar caro. Tá aí ó o aumento para todo mundo pelo palanque político que foi feito naquela época e as pessoas, novamente vão pagar o preço, vão sofrer injustiças causadas pela omissão”, discursou o parlamentar.

STF: polícia pode adotar medida para afastar agressor do convívio familiar

 O Supremo julgou uma ação protocolada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que questionou a constitucionalidade de mudança na lei Maria da Penha Agência Brasil – Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, hoje (23), que a polícia pode adotar medidas para afastar agressores do convívio familiar de mulheres vítimas de violência doméstica. O Supremo julgou uma ação protocolada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A entidade questionou a constitucionalidade da Lei 13.827/2019, que incluiu na Lei da Maria da Penha a possibilidade de delegados e policiais afastarem o agressor da convivência com a mulher. No caso de agressão, a polícia já está respaldada pela Constituição para entrar na residência e realizar a prisão por tratar-se de flagrante. Pela norma, no caso de risco à integridade física da mulher ou de seus dependentes, o delegado de polícia poderá entrar na casa e retirar o agressor, mas somente quando o município não for sede de uma comarca. Um policial também poderá realizar a medida quando no município não houver delegado disponível no momento da denúncia. A lei também definiu que, após o afastamento do agressor, o magistrado responsável pela cidade deverá ser comunicado em 24 horas para decidir sobre a manutenção da medida. Durante o julgamento, o advogado Alberto Pavie Ribeiro, representante da AMB, argumentou que a Constituição assegurou que o domicílio é inviolável, podendo ser acessado somente a partir flagrante delito, desastre, ou autorização judicial. “Não se pode cogitar da possibilidade de um policial ou delegado vir a penetrar no lar, domicílio ou local de convivência sem ordem judicial para retirar alguém do ambiente e ainda mantê-lo afastado de sua liberdade”, argumentou. O relator, ministro Alexandre de Moraes, discordou das afirmações da AMB e votou a favor da constitucionalidade da lei. Moraes disse que outros países também deram poderes à autoridade policial para adotar as medidas de afastamento. O ministro citou que 66% dos casos de feminicídio no país ocorrem na casa da vítima. “É a autoridade policial que chega na residência. Se não for caso de prisão imediata, se a agressão ocorreu antes ou está na iminência de ocorrer, a autoridade policial não vai voltar para a delegacia enquanto o agressor continua com a vítima”, afirmou. Votaram no mesmo sentido os ministros André Mendonça, Nunes Marques, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e o presidente da Corte, Luiz Fux. A ministra Cármen Lúcia disse ao validar a lei que a polícia atua diante da falta de juízes nas comarcas do país. “Quando uma mulher pede por socorro, se não houver o afastamento, e o agressor se der conta que houve esse pedido por parte dela, a tendência é ele permanecer e acirrar a agressão até chegar ao feminicídio”. AGU e PGR O advogado-geral da União, Bruno Bianco, defendeu a legalidade da legislação e disse que as alterações foram feitas para proteger as mulheres. Segundo Bianco, a medida deverá ser usada somente no caso da falta de um juiz de plantão na comarca, sendo obrigatória a comunicação ao magistrado em 24 horas. “Não seria razoável exigir da vítima que procure a autoridade judicial em outro município, em outra comarca, e aguarde a aprovação de uma ordem judicial para afastamento do agressor”, disse. O procurador-geral da República, Augusto Aras, destacou que o objetivo do Congresso ao aprovar a lei foi ampliar a proteção à mulher e punir os agressores, mas disse que a alteração é0 inconstitucional. Segundo Aras, o afastamento é uma medida cautelar que pode ser autorizada somente pela Justiça. “Não me parece que o Poder Judiciário tenha sido ausente ou intempestivo no que concerne a apreciação das medidas protetivas de urgência. Os dados apontam ao contrário”, argumentou.