Prefeitura de Betim cria polêmica ao liberar vacinação a estudantes de 12 a 14 anos

Ação foi criticada por especialistas, sendo entendida como ‘equivocada’  A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos (Spencer Platt/Getty Images/AFP) Em medida polêmica e inédita no país, a prefeitura de Betim, na Grande Belo Horizonte, decidiu aplicar, a partir de dessa terça-feira (15), a vacina da Pfizer contra a Covid-19 em estudantes de 12 a 14 anos da rede pública municipal. A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização, que orienta a vacinação com base nas idades mais avançadas e em grupos com comorbidades, ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos. “Na escala de grupos de risco, nós estamos em dia em Betim. Recebemos um lote de 6 mil doses que correspondem a cerca de 50% do grupo do ensino fundamental. Estamos prevendo receber outro lote na próxima semana, decidimos reservar esses lotes da Pfizer única homologada para essa idade de 12 a 14 anos, para poder garantir a volta às aulas 100% segura”, disse o prefeito Vittorio Medioli. A medida recebeu críticas. Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a professora Raquel Stucci, da Unicamp, condenou o que chama de “descontrole na política de vacinação no país” e achou a ação “equivocada”. “É certo que nós temos um total descontrole na imunização no país, há municípios que não completaram nem a primeira dose nos grupos de risco. A impressão que eu tenho é de que a cidade optou por desviar (vacinas). Acho que estão absolutamente equivocados sobre a importância dessa faixa etária como prioridade para vacinação”, disse a infectologista. O prefeito negou que esteja ocorrendo um “desvio” de doses e garantiu que a vacinação dos outros grupos não parou. Medioli acrescenta que sua meta é “uma volta às aulas 100% segura”. A expectativa do município é vacinar todos os 18 mil alunos com a primeira dose em três semanas. O retorno semipresencial dos alunos às escolas de Betim está programado para agosto. Em discussão Em nota, o Ministério da Saúde informa que “a ampliação da vacinação para adolescentes a partir dos 12 anos, com o imunizante da Pfizer, está em discussão na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis”. O texto reforça que, neste momento, a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados no plano nacional, mas os gestores locais do SUS têm autonomia para seguir sua a estratégia de vacinação. Agência Estado/Dom Total

Violência no campo: governo legaliza o crime e recompensa os criminosos

Monumento em homenagem a Anto?nio Tavares, trabalhador rural ligado ao MST assassinado por policiais militares em 2000, no Parana? (Wellington Lenon/MST-PR) O governo beneficia os criminosos com a impunidade, além de perseguir e criminalizar aqueles que lutam pelo direito à terra e à vida digna no campo, nas águas e nas florestas Élio Gasda* A formação social e econômica do Brasil, pautada na concentração de terra para monocultura/latifúndio/trabalho escravo, somada às estruturas patriarcais e racistas, criou uma sociedade extremamente violenta e desigual. A terra está concentrada em mãos de pouquíssimas pessoas. 45% de toda a área rural do país é propriedade de menos de 1% de latifundiários. Pequenos agricultores, aqueles com menos de 10 hectares, ocupam apenas 2,3% da área rural. Bolsonaro sucateou o Incra e paralisou a reforma agrária. O presidente se aproveita da pandemia para ampliar o fosso das desigualdades sociais. Agudizaram as violências em estado bruto contra os povos do campo, das florestas e das águas. Em nenhum outro momento, desde 1985, a violência contra os “trabalhadores da roça” foi tão alta: 1.576 ataques atingiram 171.625 famílias, ou cinco por dia! Os dados são ainda mais assustadores quando vemos os números de ataques aos povos indígenas: 656 ocorrências. A violência contra homens e mulheres do campo segue seu método macabro. Foram registrados 18 assassinatos, 159 ameaças de morte e 35 tentativas de assassinato de lideranças. São dados do Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Conflitos no Campo Brasil. Os dados, publicados nessa segunda feira (31/05), demonstram a catástrofe que o atual governo impõe às milhares de famílias humildes e sem defesa que vivem da sua roça, comunidades tradicionais, assalariados, indígenas, pescadores artesanais, quilombolas. À virulência mortal do coronavírus, somou-se a violência dos poderosos endossada pela cumplicidade e conivência do governo. No Brasil, a crise mundial sanitária tem aspectos de uma trágica pandemia alimentada por um nefasto projeto político. Um país destroçado pela crueldade do seu governante. A combinação da chegada da extrema direita neoliberal ao poder com Jair Bolsonaro em 2018, e a pandemia em 2020, resultou em tragédia. Bolsonaro é declaradamente promotor da agressividade para com as populações humildes e sem defesa. Seu governo não somente faz vistas grossas para os crimes cometidos pelos poderosos, como propõe leis e decretos que incentivam os ataques contra as os mais pobres. O projeto de destruição bolsonarista conta com muitos soldados nos fronts. Quando analisados os responsáveis pela violência, temos os “fazendeiros” em primeiro lugar, com 34,87% dos ataques, seguidos de “empresários nacionais e internacionais”, 21,52%, e o “Poder Público”, com 13,75%. Nessa última categoria, insere-se o governo federal. Empresários, fazendeiros, grileiros, madeireiros, garimpeiros, pastores evangélicos, são estimulados a invadir as terras de camponeses, territórios indígenas e quilombolas, seringais e assentamentos. O governo beneficia os criminosos com a impunidade, além de perseguir e criminalizar aqueles que lutam pelo direito à terra e à vida digna no campo, nas águas e nas florestas. Entre os agentes causadores está o poder público, em todas as suas esferas. A associação entre sistema de Justiça, forças policiais e poder econômico se reflete na criminalização de 40 líderes sem-terra, 20 posseiros e 9 quilombolas. Apesar do medo da contaminação pela pandemia, lideranças enfrentam a perseguição por lutar para assegurar direitos constitucionais negados. Retornamos à violência repressiva, à fome e à pobreza. A pandemia está sendo utilizada como política de extermínio das populações vulneráveis. Os dados da CPT mostram um processo contínuo de desrespeito aos direitos e dignidade dos trabalhadores rurais. A situação piorou ainda mais em função da destruição da legislação de proteção aos trabalhadores. Os trabalhadores rurais se encontram largados à própria sorte, foram literalmente abandonados pelo Estado em plena pandemia. Os discursos e as práticas do governo federal pendem para o lado dos ricos proprietários de terra, dos fazendeiros, do agronegócio, dos madeireiros e garimpeiros. O Estado foi aparelhado por esses setores. Há uma interrupção total da reforma agrária, paralisia de demarcação de territórios indígenas e quilombolas. Bolsonaro quer exterminar os direitos já conquistados pelos trabalhadores. Sim, crueldade é a marca registrada deste governo criminoso apoiado pela plutocracia agro-industrial-financeira-midiática. Implacavelmente perversos e corruptos. As lutas pela terra e pelos territórios são lutas pela vida. A CPT é uma ação pastoral da Igreja, tem sua raiz e fonte no Evangelho. Deus ouve o clamor do seu povo e está presente na luta dos trabalhadores e trabalhadoras (Ex 3, 7-10). A luta pela terra é uma questão de justiça e de direitos humanos. Com esperança e solidariedade. Mas tal esperança não pode ser passiva e covarde. Para combater essa guerra contra as forças da morte, devemos nos armar com a verdade e a justiça. O acesso à terra é direito garantido na Constituição Federal de 1988. Não teremos paz sem reforma agrária, sem garantia da proteção dos direitos humanos dos trabalhadores e trabalhadoras, de acesso aos bens fundamentais como terra, água, florestas e demais bens ambientais. “Quem souber somar conflitos – e dividi-los por dois – ganha consciência de classe” (Pedro Casaldáliga). *Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na Faje. Autor de: ‘Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja’ (Paulinas, 2001); ‘Cristianismo e economia’ (Paulinas, 2016) Via Dom Total

Zema sanciona proposta da ALMG que garante auxílio emergencial de R$ 600

Famílias com renda per capita de até R$ 89, enquadradas em extrema pobreza, receberão a quantia em agosto, após o pagamento da última parcela do governo federal O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionou nesta sexta-feira (21/5) o projeto proposto pela Assembleia Legislativa (ALMG) que garante o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 para famílias em extrema pobreza no estado. A medida será publicada no Diário Oficial do Estado neste sábado (22/5). A proposta prevê que cidadãos mineiros, com renda per capita familiar de R$ 89, conforme base de dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), recebam a parcela única após o último pagamento do auxílio emergencial do governo federal, em agosto. A expectativa é que 1,080 milhão de famílias sejam beneficiadas. “A pandemia deixou famílias inteiras sem fontes de renda e agravou ainda mais a situação dos mais pobres. O auxílio é uma ajuda que vem em boa hora, para amenizar o sofrimento de milhares de mineiros”, afirmou Zema. O presidente da ALMG e criador da proposta, deputado Agostinho Patrus (PV), também comemorou a sanção do Projeto de Lei. “Vamos, com o Força Família – uma ajuda em parcela única de R$ 600 – atender as famílias em situação de extrema pobreza no Estado e olha que são mais de um milhão de famílias. Portanto, embora tenhamos ficado na expectativa por vários dias, pela demora da decisão de se sancionar ou não o projeto, Minas agora tem uma boa notícia”, disse o parlamentar. De acordo com apuração feita pelo Estado de Minas, detalhes emperraram a sanção de Zema. O Palácio Tiradentes se debruçava sobre incentivos fiscais que precisavam de aval do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Impostos O recurso para pagar as famílias virá do programa de Recuperação Fiscal (Refis), que oferecerá a possibilidade de empresas inadimplentes regularizarem seus débitos junto ao estado. Elas poderão ter descontos ou isenção de juros. Além disso, quem estiver com problemas de pagamento de ICMS poderá acertar as contas com o estado com descontos de até 90% sobre multas e juros para pagamento à vista. Devedores do Imposto Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) poderão ter redução sobre multas e juros de até 100% para pagamento à vista e 50% em caso de parcelamento. O projeto prevê, ainda, descontos de 100% dos juros e multas para pagamento à vista de dívidas referentes à Taxa de Incêndio, Taxa Florestal e Taxa de Renovação de Licenciamento Anual de Veículo (TRLAV). Nos três casos, não existe opção de parcelamento. Também há previsão de descontos para o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD). Para pagamento à vista, a redução é de 15% no valor do imposto devido, 50% de desconto para os juros e 100% para multa. Já em casos de parcelamentos, que podem ser feitos em até 24 vezes, os descontos não diminuem. Estado de Minas

Pó para Aécio! Advogado delata irmão e revela ter sido usado como laranja por Aécio Neves

José Antônio Fichtner delatou o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil de Sérgio Cabral, Régis Fichtner, e afirmou à PGR ter sido usado como laranja pelo deputado Aécio Neves na compra de um imóvel em Santa Catarina em 2010 Da Agenda do Poder – A PGR analisa a delação já homologada pejo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, em que o advogado José Antônio Fichtner, um dos maiores especialistas em arbitragem no país, delata o próprio irmão, o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil de Sérgio Cabral, Régis Fichtner, e revela ter sido usado como laranja pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) na compra de um imóvel em Santa Catarina. No depoimento, dado há dois anos e revelado nesta segunda-feira pela Folha de S.Paulo, José Antônio disse que, após quatro anos com o apartamento em seu nome, o vendeu para a mãe do deputado e devolveu o montante em dinheiro vivo para a irmã de Aécio, Andrea Neves. De acordo com o relato do advogado, o empresário Alexandre Accioly o procurou para que comprasse o imóvel para Aécio. Fichtner relatou que recebeu o dinheiro para a aquisição por meio de honorários advocatícios superfaturados, vinculados a serviço que já prestava para o empresário. A compra ocorreu em julho de 2010 por R$ 380 mil, segundo dados declarados na matrícula do imóvel em cartório de Florianópolis. Segundo o advogado, Accioly relatou que o imóvel seria usado pela esposa de Aécio, a modelo Letícia Weber. Accioly é descrito por José Antônio como uma espécie de agenciador de atividades do deputado. Ele relatou que o empresário lhe disse que administrava uma conta na Suíça de propriedade real de Aécio. Sob sigilo há dois anos, a delação do advogado já gerou uma ação penal contra ele, que confessou ter usado dinheiro vivo do irmão, Régis, para o pagamento, por fora, de uma fazenda em Wanderley (BA). A transação foi declarada em R$ 4 milhões, mas houve um pagamento não informado às autoridades fiscais de R$ 400 mil, em espécie. Segundo José Antônio, seu irmão afirmou a ele que essa parte do dinheiro tinha como origem sobras de campanha eleitoral de Cabral. Para o MPF, trata-se de dinheiro do esquema de propina do ex-governador, preso há quatro anos. Régis é réu sob acusação de envolvimento no caso. Os advogados Geraldo Prado e Antônio Pedro Melchior, que representam Régis Fichtner, afirmam que o ex-secretário “sempre atuou com retidão, honestidade e seriedade na vida pública e em âmbito privado, repelindo qualquer insinuação de que possa ter praticado irregularidade de alguma natureza.

Pó parar Aécio! Cabral revela que dividiu R$ 14 milhões em propina com Aécio Neves

Sérgio Cabral acusou o tucano de atuar em favor da construtora Cowan na contratação das obras da linha 4 do metrô carioca em troca de propina que chegou a R$ 14 milhões, divididos entre ele e o deputado. Agenda do Poder – Em delação à Polícia Federal, o ex-governador Sérgio Cabral fulminou um de seus amigos mais próximos, durante os anos de poder: o deputado Aécio Neves (PSDB). Ele acusou o tucano de atuar em favor da construtora Cowan na contratação das obras da linha 4 do metrô carioca em troca de propina que chegou a R$ 14 milhões, divididos entre ele e o deputado. Em depoimento à PF, em 10 de setembro do ano passado, revelado pela Crusoé, Cabral disse também que Aécio tinha um esquema junto Banco BMG, que lhe permitia lavar entre R$ 100 e R$ 500 mil mensais. Segundo Cabral, foi o próprio Aécio quem lhe revelou a parceria com o banco que facilitava o recebimento de valores indevidos. De acordo com Cabral, o empresário George Sadala, um dos participantes da chamada “Farra dos Gaurdanapos” em Paris, era peça-chave do esquema de Aécio. Era ele quem gerava recursos ilícitos em espécie para o tucano. Apresentado a Cabral por Aécio, Sadala se tornou sócio de uma empresa que administrava o Rio Poupa Tempo, durante a gestão do ex-governador fluminense.

PMs, milícias e governo Bolsonaro: uma relação de apoio, favores, vantagens, privilégios e carteiradas

 Não há uma adesão institucional das forças de segurança com o atual presidente e sua família – que incide sobre o governo –, mas uma associação de interesses em busca de poder através do discurso da violência Por Jacqueline Muniz “Este não é um governo militar no qual as Forças Armadas fazem no país a política do exército, e sim um governo de (com) militares que fazem a sua própria política para atender aos seus projetos pessoais de poder”. Assim a socióloga Jacqueline Muniz define o governo de Jair Bolsonaro, contrapondo aqueles que insistem em falar em adesões, em entrevista especial para o Instituto Humanitas Unisinos – IHU Para ela, o mesmo vale para as corporações das polícias militares nos estados. “Os PMs, provenientes das periferias sociais, são pragmáticos e não têm tempo a perder com o que não afeta de maneira utilitária as suas vidas dentro e fora do serviço. Eles não têm nada a ganhar com esta suposta briga e com ela pouco se importam, uma vez que esta não muda absolutamente nada em suas rotinas funcionais subordinadas à máquina estadual”, completa. Com larga experiência em pesquisas sobre o universo das polícias, Jacqueline insiste que não há uma adesão das instituições a esse governo. “A família Bolsonaro não desenvolve relações substantivas com instituições, sejam elas as policiais ou as Forças Armadas, e nem tem apreço por elas. As instituições têm pouca valia para este grupo já que atrapalham os seus negócios políticos”, enfatiza. Segundo ela, é preciso compreender que esses grupos não são homogêneos ou uma massa amorfa. O que há é uma aproximação de sujeitos dessas corporações que buscam satisfazer suas necessidades pessoais ou de seu pequeno grupo. No caso das Forças Armadas, é uma espécie de tentativa de manter um status quo que prova que são importantes, e que não lhes cabe o pijama da reserva e nem as marcas da guerra ou do golpe. Isso porque compreende que a classe militar é “composta majoritariamente de gente de baixo que ascendeu pela carreira militar, que quer ter as coisas de classe média e levar uma vidinha burocrática e tranquila sem conflitos internacionais ou domésticos para atrapalhar”. Já dentro das PMs, a aliança é com sujeitos que também buscam regalias extras, sem abrir mão do contracheque estatal. “Assim, a família Bolsonaro conta com uma proximidade intencionalmente construída com policiais militares da base da pirâmide, os praças, com os quais se pode, mais facilmente, estabelecer uma lógica contratual uberizada de prestação de serviços recíprocos nos negócios da proteção”. E com isso, nascem as milícias. Ao longo de toda a entrevista, Jacqueline analisa as relações de alguns sujeitos das forças policiais do Estado brasileiro com o campo da polícia – e com os políticos. Pois, compreender isso, em particular no caso das PMs, é também compreender as organizações que nascem daí. “Milícia não sobrevive sem braço político de apoio, favores, vantagens, privilégios e carteiradas. Por isso, ela é financiadora de campanhas eleitorais. As carreiras políticas servem como um ótimo investimento criminoso. Estas carreiras políticas são uma importante lavanderia do dinheiro extorquido da população pela milícia”, exemplifica. Leia aqui a entrevista completa

O massacre do Jacarezinho e seus reflexos na sociedade – Por José Ricardo Bandeira

 Nas últimas décadas, tornou-se prática obrigatória no Brasil combater a criminalidade utilizando-se o enfrentamento policial em detrimento de muitas outras medidas racionais Não existe caminho para o combate à violência e a criminalidade que não passe pelo investimento maciço em treinamento dos policiais e em ferramentas/métodos de inteligência e investigação, com o objetivo de impedir que drogas, armas e munições cheguem às comunidades dominadas pelo crime organizado! A cada dia que passa, os cidadãos das grandes cidades e capitais brasileiras são obrigados a conviver com a explosão de violência e criminalidade que assola o Brasil. Balas perdidas, arrastões, roubos e homicídios já não são surpresas em um país que é recordista em mortes violentas decorrentes de operações policiais. E nesta esteira de violência muitos políticos são eleitos, a exemplo das últimas eleições, explorando a bandeira de combate a violência, com um discurso muitas vezes demagógico e sem profundidade, mas falando coisas que o cidadão cansado e acuado espera ouvir. Esses políticos, assim como os anteriores, repetem as mesmas práticas de combate a criminalidade que por evidentes razões não surtiram efeito. Nas últimas décadas, tornou-se prática obrigatória no Brasil combater a criminalidade utilizando-se o enfrentamento policial em detrimento de muitas outras medidas racionais e científicas que poderiam trazer resultados sólidos, pois a polícia é somente uma das ferramentas no combate a criminalidade em uma caixa chamada “segurança pública”, onde existem diversas outras ferramentas que podem ser utilizadas. Somente para ilustrar como os nossos governantes priorizam o enfrentamento policial, a primeira grande operação policial no Brasil ocorreu no dia 21 de março de 1963 na comunidade da favela hoje conhecida como morro da Providência. Neste dia, cerca de 500 policiais, com o apoio de um helicóptero, cercaram a comunidade e fizeram cerca de 200 presos. A partir desta operação, essa foi a política de segurança que continuou sendo implementada por todos os governadores do Brasil, chegando-se ao caos que hoje, culminando com o Massacre do Jacarezinho, comunidade do Rio de Janeiro dominada pelo crime organizado, onde em uma única operação policial 29 pessoas foram mortas, entre elas um policial civil. Ao priorizar o enfrentamento policial, torna-se inevitável os efeitos colaterais que são, entre outros, a morte de policiais e vítimas inocentes, caos e transtornos nas grandes cidades, prejuízos para o comércio e turismo, além de graves sequelas psicológicas causadas naqueles que vivenciam a violência diariamente. A segurança pública é uma ciência e como tal, deve ser tratada e conduzida de forma correta e, dentro desta ciência, a forma mais eficiente de se combater o crime nas grandes cidades é através do investimento em inteligência e investigação, impedindo que drogas, armas e munições cheguem as comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e pelas organizações criminosas, asfixiando suas ações e cortando os seus recursos. Assim, o crime sem drogas, sem armas e sem munições naturalmente sucumbe. E neste critério o Governo Federal sempre foi o grande vilão da segurança pública, pois nunca impediu que as drogas, armas e munições atravessassem as nossas fronteiras, percorressem as estradas federais, portos e aeroportos e chegassem as comunidades. Em paralelo a aplicação das medidas de inteligência, se faz necessário também um grande projeto de geração de emprego e renda em substituição ao dinheiro gerado pela narcoeconomia que circula nas comunidades. Infelizmente, enquanto tais medidas não forem implementadas, continuaremos a velha política de enfrentamento, com a triste classificação de sermos um dos países mais violentos do mundo. *José Ricardo Bandeira é Professor, Perito em Criminalística e Psicanálise Forense, Comentarista e Especialista em Segurança Pública

Covid-19: uma dose de vacina Pfizer ou AstraZeneca reduz em 65% chance de infecção

AstraZeneca já está em uso no Brasil, e primeiras doses da Pfizer devem chegar na próxima quinta (29) – Marco Verch Estudo britânico avaliou eficácia tanto em indivíduos mais velhos e mais vulneráveis, quanto em jovens e saudáveis Em 21 dias após a aplicação da primeira dose das vacinas Pfizer/BioNTech ou AstraZeneca/Oxford, estudiosos britânicos avaliam que as chances de infecção são reduzidas em até 65%, tanto em indivíduos mais velhos e mais vulneráveis, quanto em jovens e saudáveis. O estudo foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas Britânico (Office for National Statistics, em inglês) em parceria com a Universidade de Oxford e divulgado em pré-publicação na última sexta-feira (23). Foram realizados testes em cerca de 370 mil pessoas com as duas vacinas utilizadas em território britânico. Os pesquisadores indicam que, ao reduzir as taxas de infeção, as vacinas não vão apenas prevenir as internações hospitalares e as mortes por covid-19, mas também permitir a quebra das cadeias de transmissão e, assim, reduzir o risco de um potencial ressurgimento da doença. A partir dessas conclusões, o governo britânico optou pela prioridade de vacinação de uma primeira dose às pessoas mais velhas e aos grupos mais vulneráveis. No entanto, os resultados dos testes apontam que as primeiras doses de vacinas foram mais eficazes contra infecções sintomáticas do que assintomáticas. Após a aplicação da primeira dose, os casos de doenças com sintomas diminuíram 74%. No caso dos assintomáticos, o número cai para 57%. No caso da vacina Pfizer/BioNTech, a aplicação da segunda dose do imunizante reduziu em 90% as infecções sintomáticas. As assintomáticas foram reduzidas em 70%. Por ter sido aprovada para uso posteriormente, o mesmo teste ainda não foi aplicado à vacina AstraZeneca/Oxford. Uso no Brasil A vacina AstraZeneca/Oxford, fabricada na Coreia do Sul, está em uso no Brasil desde 28 de janeiro por meio do Consórcio Covax Facility, que prevê 42 milhões de doses ao país. A vacina da Pfizer/BioNTech foi aprovada para uso no Brasil, mas aguarda chegada de primeiro lote, previsto para pousar em território nacional na próxima quinta-feira (29), com uma estimativa de 1 milhão de doses.

COVID-19: mais de 390 mil doses de vacinas chegam em MG nesta sexta (23/4)

 As novas doses serão distribuídas para pessoas de 60 a 69 anos, Forças de Segurança e Salvamento, e Forças Armadas Mais vacinas para os mineiros chegam nesta sexta-feira (23/4) na Rede de Frio, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em Belo Horizonte. Serão 390.550 doses, destinadas para pessoas de 60 a 69 anos, Forças de Segurança e Salvamento e Forças Armadas. A 14ª remessa contém 316.750 doses da AstraZeneca e 73.800 da Coronavac. De acordo com a secretaria, a data para serem distribuídas para as Unidades Regionais de Saúde (URSs) ainda vai ser definida. Vacinômetro De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela secretaria de Saúde, Minas Gerais tem nesta sexta-feira (23/4), 2.919.813 de pessoas vacinadas, o que representa 13,71% dos mineiros. Deles, 1.175.309 já receberam a segunda dose, ou seja, 5,52% da população. Ao todo, o estado já recebeu 5.831.330 doses enviadas pelo Ministério da Saúde e os municípios receberam 5.762.618. Ainda faltam 68.712 doses da vacina para serem distribuídas. Minas Gerais está praticamente no mesmo patamar da média nacional, que até essa quinta (22), já foram 27.945.152 pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina contra a doença, ou seja, 13,2% da população do país.

O assassinato da mulher do promotor e a vingança de Tacla Durán: “Quem está mentindo, Moro?”

Laudo do IML aponta que Lorenza de Pinho foi assassinada, num caso que pode destampar o bueiro do esquema de poder e corrupção que teve Aécio Neves como símbolo, escreve Joaquim de Carvalho Nas voltas que o mundo dá, o advogado Rodrigo Tacla Durán escreveu nesta segunda-feira na rede social dele que, se investigarem Moro com mais profundidade, o ex-juiz “vai acabar virando estagiário…” Na sequência, lembrou de um episódio que a velha imprensa publicou sem nenhuma crítica ou apuração complementar. Foi há três anos, no programa Roda Viva, que o jornalista de ultradireita Augusto Nunes conduziu como troféu de despedida. “Quem está mentido, Sergio Moro?” É que, naquela oportunidade, o então juiz atacou o advogado. “Tem esse indivíduo, foragido e suspeito de crimes gravíssimos, e que levanta essas histórias sem base empírica”, afirmou. Para ele, Rodrigo Tacla Durán era “apenas um mentiroso”. O alvo do ataque do juiz havia escrito no livro ainda não publicado em sua totalidade que foi alvo de tentativa de extorsão por parte do amigo e padrinho de casamento de Moro. Tacla Durán reproduziu o diálogo travado com Carlos Zucolotto Júnior, dias depois de se sentar à mesa dos procuradores da Lava Jato para negociar uma possível delação premiada. Zucolotto disse que já havia conversado com DD (iniciais de Deltan Dallagnol) para garantir benefícios num eventual acordo. Em troca, Tacla Durán teria que pagar 5 milhões de dólares “por fora”. No dia seguinte à conversa, o advogado que o representava recebeu de procuradores da Lava Jato a minuta de um acordo nas bases da conversa com Zucolotto. Dias depois, ele transferiu para o escritório de Marlus Arns, outro amigo de Rosângela Moro, 612 mil dólares, o equivalente a 3,2 milhões de reais. “Paguei para não ser preso”, disse Tacla Durán ao jornalista Jamil Chade, do UOL. Depois disso, ele não fez mais nenhuma transferência e, três meses depois, Moro decretou sua prisão. A Procuradoria Geral da República nunca investigou a denúncia a sério — o que seria relativamente simples, bastava ver o teor das conversas e o documento de transferência de dinheiro. Tacla Durán nunca foi sequer ouvido, apesar da tentativa de advogados, inclusive da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que requereram o testemunho do ex-prestador de serviços da Odebrecht. Se a Justiça e o Ministério Público Federal fizeram ouvidos de mercador, na França o caso teve repercussão. A Interpol foi informada do caso e, numa reunião de seu comitê diretivo, decidiu por unanimidade jogar o mandado de prisão assinado por Sergio Moro na lata do lixo. A Interpol considerou que o então juiz brasileiro era parcial, por antecipar juízo de valor sobre Tacla Durán (mentiroso) sem nem sequer ouvi-lo. Com isso, o advogado brasileiro teve o alerta vermelho cancelado e ele passou então a ter direito de se deslocar livremente por países sem ser incomodado. Agora, a Alvarez & Marsal, depois de tentar emplacar Moro como sócio, decidiu rebaixá-lo à condição de consultor. Tacla Durán foi sucinto na manifestação em sua rede social, mas pessoas próximas a ele sabem que, se o procurador-geral Augusto Aras levar adiante a ameaça que fez de ouvi-lo em acordo de delação, poderá reunir muito mais informações, talvez com poder de iniciar um processo que pode acabar com Sergio Moro na prisão. .x.x.x.x. A esposa do promotor André Luís Garcia Pinho, de Minas Gerais, foi assassinada, segundo laudo do Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. Lorenza Maria Silva Pinho, de 41 anos, seria cremado no último dia 3 de abril se um delegado de Minas Gerais não tivesse impedido o procedimento junto a uma funerária. Lorenza tinha falecido no dia 2 de abril e o atestado de óbito do médico Itamar Tadeu Gonçalves registrava morte por engasgo decorrente do uso de bebida alcoólica com remédios de uso controlado. Pelo laudo do IML, fica claro que essa informação não corresponde à verdade. A investigação agora deve se concentrar na motivação do assassinato. No momento em que Lorenza morreu, estavam no apartamento André de Pinho e os filhos menores de idade. A cremação teria sido impedida após denúncia de outros parentes de Lorenza, que suspeitaram da versão do engasgo. Lorenza teria conhecimento de supostos crimes do promotor. André de Pinho era do grupo de autoridades próximo do esquema de poder e corrupção que envolve o ex-governador Aécio Neves, hoje deputado federal. André de Pinho foi quem pediu a prisão do lobista Nílton Monteiro e do dono do Novojornal, Marco Aurélio Carone. O Novojornal era praticamente o único veículo de Minas Gerais que denunciava crimes e outros abusos atribuído a Aécio Neves. A prisão dele e de Nílton ocorreu no momento em que o ex-governador iniciava sua campanha a presidente, em 2014. Os dois foram absolvidos dos supostos delitos narrados pelo promotor. Os dois foram soltos alguns dias depois da derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff. Além da prisão de Nílton e Carone, o promotor conseguiu medidas para busca e apreensão nos endereços do advogado Dino Miraglia, assistente de acusação no caso do homicídio da modelo Cristiane Ferreira, apontada como mula do PSDB, e também do jornalista Geraldo Elísio, editor do Novojornal. André de Pinho também fez uma falsa acusação contra o jornalista Leandro Fortes, que publicou na revista Carta Capital a chamada Lista do Valério, que relacionava as autoridades que teriam recebido propina do esquema de Aécio Neves. O assassinado de Lorenza Maria Silva Pinho pode tirar a tampa do porão político de Minas Gerais, que uniu poderosos do Estado. Será esta a hora da verdade? Moro, o juiz parcial, está caindo. Outros também cairão?