Pedido de CPI da Cemig tem assinaturas suficientes e pode ser instalada

Deputado estadual Professor Cleiton (PSB) é o autor do requerimento e primeiro signatário – Foto: Sarah Torres/ALMG Objetivo é investigar contratações sem licitação e transferência das atividades administrativas da empresa para São Paulo Deputados estaduais protocolaram nesta quarta-feira (16) um requerimento com 27 assinaturas pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis ilegalidades na Cemig. O primeiro signatário e autor do requerimento foi o deputado Professor Cleiton (PSB). Inicialmente, uma versão desta matéria afirmava que 32 deputados assinaram o requerimento. Porém, cinco parlamentares não constavam do documento que foi lido em plenário. São eles: Glaycon Franco (PV), Hely Tarqüínio (PV), Inácio Franco (PV), Mário Henrique Caixa (PV) e Tadeu Martins Leite (MDB). O pedido foi lido com 27 assinaturas, uma a mais do que as 26 necessárias. O regimento interno estabelece que pelo menos um terço dos deputados deve subscrever ao pedido. De acordo com a ALMG, os próximos passos para instauração da CPI são a análise pelo presidente Agostinho Patrus (PV) e a publicação do requerimento no Diário do Legislativo. O requerimento pede que seja investigado contratações de consultorias e assessorias técnicas sem licitação feitas pela Cemig desde janeiro de 2019 e também a venda das participações da estatal mineira na Renova e na Light, que já estão concretizadas, e a intenção de vender a participação da Taesa. Segundo o requerimento, essas operações podem ter causado prejuízos econômicos. Outro ponto que será investigado é a transferência das atividades administrativas da Cemig para São Paulo, o que, de acordo com o documento, configura prática ilegal e antieconômica. “Os fatos determinados em questão, devidamente delimitados, configuram acontecimentos de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional, legal, econômica e social do Estado de Minas Gerais, todos eles envolvendo indícios da gestão ilegal, imoral e antieconômica em sociedade de economia mista de titularidade do estado”, diz o texto. Após o requerimento ter sido protocolado, o deputado Professor Cleiton (PSB) pediu a palavra e lembrou que desde 2019 vem questionando o que classificou de uma série de irregularidades que tem acontecido na companhia energética. “A Cemig que tanta história representa para o nosso povo tem sido nos últimos meses sucateada e precarizada. Nós temos provas de grande materialidade de irregularidades que estão sendo investigadas pelo Ministério Público e que também precisam ser investigadas por essa Assembleia Legislativa”, disse. “A desidratação da empresa, com prejuízos que podem ser exorbitantes no que diz respeito a venda da Renova, a venda da participação da Cemig na Light e a tentativa de vender a participação na Taesa”, continuou o deputado. “A paulistanização da nossa companhia energética não pode ficar impune. A abertura de uma CPI é exatamente para que possa ser investigado tudo que está acontecendo ali”, concluiu. A CPI terá prazo de 120 dias, prorrogáveis por igual período. Os deputados poderão convocar autoridades, inquirir testemunhas e requisitar documentos e informações. Por ser o primeiro signatário, Professor Cleiton (PSB) será um dos sete integrantes da comissão. Os demais serão indicados pelos líderes de cada bloco. Esta será a segunda CPI aberta na ALMG para investigar o governo Zema em 2021. Em março, foi aberta uma comissão para investigar o possível fura-fila da vacinação na Secretaria de Estado de Saúde e as despesas do governo na área saúde em 2020 durante a pandemia da Covid-19. Esta comissão ainda está em andamento. Governo Zema não está apreensivo com investigação, diz líder O líder do Governo, Gustavo Valadares (PSDB), diz que não há qualquer apreensão no governo de Romeu Zema quanto à CPI para investigar a Cemig. Em nota, o deputado destacou que o pedido de abertura da comissão está embasado em “investigações preliminares” e “notícas veiculadas”, citando termos do próprio documento. “Garanto, que não há um milímetro de apreensão sobre a referida CPI, seja da parte dos dirigentes da Cemig – empresa de economia mista, com ações na bolsa do Brasil e do mundo, e sujeita aos mais diversos órgãos reguladores – ou por parte deste Governo, que tem a transparência e a seriedade na conduta como dois dos seus mais fortes pilares”, afirma o líder em nota. Para ressaltar a mencionada transparência do governo, ele citou o número de vezes que secretários e outras autoridades do Executivo foram até a ALMG. “Apenas para se ter uma ideia, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020, mesmo com todas as importantes e necessárias limitações físicas de uma pandemia, foram registradas mais de 112 presenças de autoridades do Executivo; sejam nas Comissões, visitas e no Assembleia Fiscaliza, este lançado em março de 2019, que, como diz o nome, fiscaliza a cada quatro meses as ações de secretários de Estado, bem como dos dirigentes das entidades da administração indireta, como a Cemig”, afirmou Gustavo Valadares. Segundo o líder do Governo, o Palácio Tiradentes vai continuar prestando as informações necessárias para os deputados na CPI da Cemig. “Este é um Governo que nunca, repito, nunca se recusou a prestar informações e esclarecimentos à sociedade e ao Parlamento Mineiro. Mais uma vez, não será diferente”, concluiu. O Palácio Tiradentes e a Cemig foram procurados, mas ainda não se manifestaram sobre o pedido de abertura da CPI. Esta matéria será atualizada quando eles responderem. Confira a lista dos deputados que assinaram o requerimento: 1. Deputado Professor Cleiton – PSB 2. Deputado Alencar da Silveira Jr. – PDT 3. Deputada Ana Paula Siqueira – REDE 4. Deputado André Quintão – PT 5. Deputada Andréia de Jesus – PSOL 6. Deputada Beatriz Cerqueira – PT 7. Deputado Betão – PT 8. Deputado Cássio Soares – PSD 9. Deputado Cleitinho Azevedo – CIDADANIA 10. Deputado Charles Santos – REPUBLICANOS 11. Deputado Celinho Sintrocel – PCdoB 12. Deputado Cristiano Silveira – PT 13. Deputado Delegado Heli Grilo – PSL 14. Deputado Doutor Jean Freire – PT 15. Deputado Doutor Paulo – PATRI 16. Deputado Doutor Wilson Batista – PSD 17. Deputado Elismar Prado – PROS 18. Deputado Fernando Pacheco – PV 19. Deputada Ione Pinheiro – DEM 20. Deputado Rafael
Prefeitura de Betim cria polêmica ao liberar vacinação a estudantes de 12 a 14 anos

Ação foi criticada por especialistas, sendo entendida como ‘equivocada’ A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos (Spencer Platt/Getty Images/AFP) Em medida polêmica e inédita no país, a prefeitura de Betim, na Grande Belo Horizonte, decidiu aplicar, a partir de dessa terça-feira (15), a vacina da Pfizer contra a Covid-19 em estudantes de 12 a 14 anos da rede pública municipal. A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização, que orienta a vacinação com base nas idades mais avançadas e em grupos com comorbidades, ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos. “Na escala de grupos de risco, nós estamos em dia em Betim. Recebemos um lote de 6 mil doses que correspondem a cerca de 50% do grupo do ensino fundamental. Estamos prevendo receber outro lote na próxima semana, decidimos reservar esses lotes da Pfizer única homologada para essa idade de 12 a 14 anos, para poder garantir a volta às aulas 100% segura”, disse o prefeito Vittorio Medioli. A medida recebeu críticas. Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a professora Raquel Stucci, da Unicamp, condenou o que chama de “descontrole na política de vacinação no país” e achou a ação “equivocada”. “É certo que nós temos um total descontrole na imunização no país, há municípios que não completaram nem a primeira dose nos grupos de risco. A impressão que eu tenho é de que a cidade optou por desviar (vacinas). Acho que estão absolutamente equivocados sobre a importância dessa faixa etária como prioridade para vacinação”, disse a infectologista. O prefeito negou que esteja ocorrendo um “desvio” de doses e garantiu que a vacinação dos outros grupos não parou. Medioli acrescenta que sua meta é “uma volta às aulas 100% segura”. A expectativa do município é vacinar todos os 18 mil alunos com a primeira dose em três semanas. O retorno semipresencial dos alunos às escolas de Betim está programado para agosto. Em discussão Em nota, o Ministério da Saúde informa que “a ampliação da vacinação para adolescentes a partir dos 12 anos, com o imunizante da Pfizer, está em discussão na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis”. O texto reforça que, neste momento, a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados no plano nacional, mas os gestores locais do SUS têm autonomia para seguir sua a estratégia de vacinação. Agência Estado/Dom Total
Violência no campo: governo legaliza o crime e recompensa os criminosos

Monumento em homenagem a Anto?nio Tavares, trabalhador rural ligado ao MST assassinado por policiais militares em 2000, no Parana? (Wellington Lenon/MST-PR) O governo beneficia os criminosos com a impunidade, além de perseguir e criminalizar aqueles que lutam pelo direito à terra e à vida digna no campo, nas águas e nas florestas Élio Gasda* A formação social e econômica do Brasil, pautada na concentração de terra para monocultura/latifúndio/trabalho escravo, somada às estruturas patriarcais e racistas, criou uma sociedade extremamente violenta e desigual. A terra está concentrada em mãos de pouquíssimas pessoas. 45% de toda a área rural do país é propriedade de menos de 1% de latifundiários. Pequenos agricultores, aqueles com menos de 10 hectares, ocupam apenas 2,3% da área rural. Bolsonaro sucateou o Incra e paralisou a reforma agrária. O presidente se aproveita da pandemia para ampliar o fosso das desigualdades sociais. Agudizaram as violências em estado bruto contra os povos do campo, das florestas e das águas. Em nenhum outro momento, desde 1985, a violência contra os “trabalhadores da roça” foi tão alta: 1.576 ataques atingiram 171.625 famílias, ou cinco por dia! Os dados são ainda mais assustadores quando vemos os números de ataques aos povos indígenas: 656 ocorrências. A violência contra homens e mulheres do campo segue seu método macabro. Foram registrados 18 assassinatos, 159 ameaças de morte e 35 tentativas de assassinato de lideranças. São dados do Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Conflitos no Campo Brasil. Os dados, publicados nessa segunda feira (31/05), demonstram a catástrofe que o atual governo impõe às milhares de famílias humildes e sem defesa que vivem da sua roça, comunidades tradicionais, assalariados, indígenas, pescadores artesanais, quilombolas. À virulência mortal do coronavírus, somou-se a violência dos poderosos endossada pela cumplicidade e conivência do governo. No Brasil, a crise mundial sanitária tem aspectos de uma trágica pandemia alimentada por um nefasto projeto político. Um país destroçado pela crueldade do seu governante. A combinação da chegada da extrema direita neoliberal ao poder com Jair Bolsonaro em 2018, e a pandemia em 2020, resultou em tragédia. Bolsonaro é declaradamente promotor da agressividade para com as populações humildes e sem defesa. Seu governo não somente faz vistas grossas para os crimes cometidos pelos poderosos, como propõe leis e decretos que incentivam os ataques contra as os mais pobres. O projeto de destruição bolsonarista conta com muitos soldados nos fronts. Quando analisados os responsáveis pela violência, temos os “fazendeiros” em primeiro lugar, com 34,87% dos ataques, seguidos de “empresários nacionais e internacionais”, 21,52%, e o “Poder Público”, com 13,75%. Nessa última categoria, insere-se o governo federal. Empresários, fazendeiros, grileiros, madeireiros, garimpeiros, pastores evangélicos, são estimulados a invadir as terras de camponeses, territórios indígenas e quilombolas, seringais e assentamentos. O governo beneficia os criminosos com a impunidade, além de perseguir e criminalizar aqueles que lutam pelo direito à terra e à vida digna no campo, nas águas e nas florestas. Entre os agentes causadores está o poder público, em todas as suas esferas. A associação entre sistema de Justiça, forças policiais e poder econômico se reflete na criminalização de 40 líderes sem-terra, 20 posseiros e 9 quilombolas. Apesar do medo da contaminação pela pandemia, lideranças enfrentam a perseguição por lutar para assegurar direitos constitucionais negados. Retornamos à violência repressiva, à fome e à pobreza. A pandemia está sendo utilizada como política de extermínio das populações vulneráveis. Os dados da CPT mostram um processo contínuo de desrespeito aos direitos e dignidade dos trabalhadores rurais. A situação piorou ainda mais em função da destruição da legislação de proteção aos trabalhadores. Os trabalhadores rurais se encontram largados à própria sorte, foram literalmente abandonados pelo Estado em plena pandemia. Os discursos e as práticas do governo federal pendem para o lado dos ricos proprietários de terra, dos fazendeiros, do agronegócio, dos madeireiros e garimpeiros. O Estado foi aparelhado por esses setores. Há uma interrupção total da reforma agrária, paralisia de demarcação de territórios indígenas e quilombolas. Bolsonaro quer exterminar os direitos já conquistados pelos trabalhadores. Sim, crueldade é a marca registrada deste governo criminoso apoiado pela plutocracia agro-industrial-financeira-midiática. Implacavelmente perversos e corruptos. As lutas pela terra e pelos territórios são lutas pela vida. A CPT é uma ação pastoral da Igreja, tem sua raiz e fonte no Evangelho. Deus ouve o clamor do seu povo e está presente na luta dos trabalhadores e trabalhadoras (Ex 3, 7-10). A luta pela terra é uma questão de justiça e de direitos humanos. Com esperança e solidariedade. Mas tal esperança não pode ser passiva e covarde. Para combater essa guerra contra as forças da morte, devemos nos armar com a verdade e a justiça. O acesso à terra é direito garantido na Constituição Federal de 1988. Não teremos paz sem reforma agrária, sem garantia da proteção dos direitos humanos dos trabalhadores e trabalhadoras, de acesso aos bens fundamentais como terra, água, florestas e demais bens ambientais. “Quem souber somar conflitos – e dividi-los por dois – ganha consciência de classe” (Pedro Casaldáliga). *Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na Faje. Autor de: ‘Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja’ (Paulinas, 2001); ‘Cristianismo e economia’ (Paulinas, 2016) Via Dom Total
Zema sanciona proposta da ALMG que garante auxílio emergencial de R$ 600

Famílias com renda per capita de até R$ 89, enquadradas em extrema pobreza, receberão a quantia em agosto, após o pagamento da última parcela do governo federal O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionou nesta sexta-feira (21/5) o projeto proposto pela Assembleia Legislativa (ALMG) que garante o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 para famílias em extrema pobreza no estado. A medida será publicada no Diário Oficial do Estado neste sábado (22/5). A proposta prevê que cidadãos mineiros, com renda per capita familiar de R$ 89, conforme base de dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), recebam a parcela única após o último pagamento do auxílio emergencial do governo federal, em agosto. A expectativa é que 1,080 milhão de famílias sejam beneficiadas. “A pandemia deixou famílias inteiras sem fontes de renda e agravou ainda mais a situação dos mais pobres. O auxílio é uma ajuda que vem em boa hora, para amenizar o sofrimento de milhares de mineiros”, afirmou Zema. O presidente da ALMG e criador da proposta, deputado Agostinho Patrus (PV), também comemorou a sanção do Projeto de Lei. “Vamos, com o Força Família – uma ajuda em parcela única de R$ 600 – atender as famílias em situação de extrema pobreza no Estado e olha que são mais de um milhão de famílias. Portanto, embora tenhamos ficado na expectativa por vários dias, pela demora da decisão de se sancionar ou não o projeto, Minas agora tem uma boa notícia”, disse o parlamentar. De acordo com apuração feita pelo Estado de Minas, detalhes emperraram a sanção de Zema. O Palácio Tiradentes se debruçava sobre incentivos fiscais que precisavam de aval do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Impostos O recurso para pagar as famílias virá do programa de Recuperação Fiscal (Refis), que oferecerá a possibilidade de empresas inadimplentes regularizarem seus débitos junto ao estado. Elas poderão ter descontos ou isenção de juros. Além disso, quem estiver com problemas de pagamento de ICMS poderá acertar as contas com o estado com descontos de até 90% sobre multas e juros para pagamento à vista. Devedores do Imposto Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) poderão ter redução sobre multas e juros de até 100% para pagamento à vista e 50% em caso de parcelamento. O projeto prevê, ainda, descontos de 100% dos juros e multas para pagamento à vista de dívidas referentes à Taxa de Incêndio, Taxa Florestal e Taxa de Renovação de Licenciamento Anual de Veículo (TRLAV). Nos três casos, não existe opção de parcelamento. Também há previsão de descontos para o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD). Para pagamento à vista, a redução é de 15% no valor do imposto devido, 50% de desconto para os juros e 100% para multa. Já em casos de parcelamentos, que podem ser feitos em até 24 vezes, os descontos não diminuem. Estado de Minas
Pó para Aécio! Advogado delata irmão e revela ter sido usado como laranja por Aécio Neves

José Antônio Fichtner delatou o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil de Sérgio Cabral, Régis Fichtner, e afirmou à PGR ter sido usado como laranja pelo deputado Aécio Neves na compra de um imóvel em Santa Catarina em 2010 Da Agenda do Poder – A PGR analisa a delação já homologada pejo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, em que o advogado José Antônio Fichtner, um dos maiores especialistas em arbitragem no país, delata o próprio irmão, o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil de Sérgio Cabral, Régis Fichtner, e revela ter sido usado como laranja pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) na compra de um imóvel em Santa Catarina. No depoimento, dado há dois anos e revelado nesta segunda-feira pela Folha de S.Paulo, José Antônio disse que, após quatro anos com o apartamento em seu nome, o vendeu para a mãe do deputado e devolveu o montante em dinheiro vivo para a irmã de Aécio, Andrea Neves. De acordo com o relato do advogado, o empresário Alexandre Accioly o procurou para que comprasse o imóvel para Aécio. Fichtner relatou que recebeu o dinheiro para a aquisição por meio de honorários advocatícios superfaturados, vinculados a serviço que já prestava para o empresário. A compra ocorreu em julho de 2010 por R$ 380 mil, segundo dados declarados na matrícula do imóvel em cartório de Florianópolis. Segundo o advogado, Accioly relatou que o imóvel seria usado pela esposa de Aécio, a modelo Letícia Weber. Accioly é descrito por José Antônio como uma espécie de agenciador de atividades do deputado. Ele relatou que o empresário lhe disse que administrava uma conta na Suíça de propriedade real de Aécio. Sob sigilo há dois anos, a delação do advogado já gerou uma ação penal contra ele, que confessou ter usado dinheiro vivo do irmão, Régis, para o pagamento, por fora, de uma fazenda em Wanderley (BA). A transação foi declarada em R$ 4 milhões, mas houve um pagamento não informado às autoridades fiscais de R$ 400 mil, em espécie. Segundo José Antônio, seu irmão afirmou a ele que essa parte do dinheiro tinha como origem sobras de campanha eleitoral de Cabral. Para o MPF, trata-se de dinheiro do esquema de propina do ex-governador, preso há quatro anos. Régis é réu sob acusação de envolvimento no caso. Os advogados Geraldo Prado e Antônio Pedro Melchior, que representam Régis Fichtner, afirmam que o ex-secretário sempre atuou com retidão, honestidade e seriedade na vida pública e em âmbito privado, repelindo qualquer insinuação de que possa ter praticado irregularidade de alguma natureza.
Pó parar Aécio! Cabral revela que dividiu R$ 14 milhões em propina com Aécio Neves

Sérgio Cabral acusou o tucano de atuar em favor da construtora Cowan na contratação das obras da linha 4 do metrô carioca em troca de propina que chegou a R$ 14 milhões, divididos entre ele e o deputado. Agenda do Poder – Em delação à Polícia Federal, o ex-governador Sérgio Cabral fulminou um de seus amigos mais próximos, durante os anos de poder: o deputado Aécio Neves (PSDB). Ele acusou o tucano de atuar em favor da construtora Cowan na contratação das obras da linha 4 do metrô carioca em troca de propina que chegou a R$ 14 milhões, divididos entre ele e o deputado. Em depoimento à PF, em 10 de setembro do ano passado, revelado pela Crusoé, Cabral disse também que Aécio tinha um esquema junto Banco BMG, que lhe permitia lavar entre R$ 100 e R$ 500 mil mensais. Segundo Cabral, foi o próprio Aécio quem lhe revelou a parceria com o banco que facilitava o recebimento de valores indevidos. De acordo com Cabral, o empresário George Sadala, um dos participantes da chamada “Farra dos Gaurdanapos” em Paris, era peça-chave do esquema de Aécio. Era ele quem gerava recursos ilícitos em espécie para o tucano. Apresentado a Cabral por Aécio, Sadala se tornou sócio de uma empresa que administrava o Rio Poupa Tempo, durante a gestão do ex-governador fluminense.
PMs, milícias e governo Bolsonaro: uma relação de apoio, favores, vantagens, privilégios e carteiradas

Não há uma adesão institucional das forças de segurança com o atual presidente e sua família – que incide sobre o governo –, mas uma associação de interesses em busca de poder através do discurso da violência Por Jacqueline Muniz “Este não é um governo militar no qual as Forças Armadas fazem no país a política do exército, e sim um governo de (com) militares que fazem a sua própria política para atender aos seus projetos pessoais de poder”. Assim a socióloga Jacqueline Muniz define o governo de Jair Bolsonaro, contrapondo aqueles que insistem em falar em adesões, em entrevista especial para o Instituto Humanitas Unisinos – IHU Para ela, o mesmo vale para as corporações das polícias militares nos estados. “Os PMs, provenientes das periferias sociais, são pragmáticos e não têm tempo a perder com o que não afeta de maneira utilitária as suas vidas dentro e fora do serviço. Eles não têm nada a ganhar com esta suposta briga e com ela pouco se importam, uma vez que esta não muda absolutamente nada em suas rotinas funcionais subordinadas à máquina estadual”, completa. Com larga experiência em pesquisas sobre o universo das polícias, Jacqueline insiste que não há uma adesão das instituições a esse governo. “A família Bolsonaro não desenvolve relações substantivas com instituições, sejam elas as policiais ou as Forças Armadas, e nem tem apreço por elas. As instituições têm pouca valia para este grupo já que atrapalham os seus negócios políticos”, enfatiza. Segundo ela, é preciso compreender que esses grupos não são homogêneos ou uma massa amorfa. O que há é uma aproximação de sujeitos dessas corporações que buscam satisfazer suas necessidades pessoais ou de seu pequeno grupo. No caso das Forças Armadas, é uma espécie de tentativa de manter um status quo que prova que são importantes, e que não lhes cabe o pijama da reserva e nem as marcas da guerra ou do golpe. Isso porque compreende que a classe militar é “composta majoritariamente de gente de baixo que ascendeu pela carreira militar, que quer ter as coisas de classe média e levar uma vidinha burocrática e tranquila sem conflitos internacionais ou domésticos para atrapalhar”. Já dentro das PMs, a aliança é com sujeitos que também buscam regalias extras, sem abrir mão do contracheque estatal. “Assim, a família Bolsonaro conta com uma proximidade intencionalmente construída com policiais militares da base da pirâmide, os praças, com os quais se pode, mais facilmente, estabelecer uma lógica contratual uberizada de prestação de serviços recíprocos nos negócios da proteção”. E com isso, nascem as milícias. Ao longo de toda a entrevista, Jacqueline analisa as relações de alguns sujeitos das forças policiais do Estado brasileiro com o campo da polícia – e com os políticos. Pois, compreender isso, em particular no caso das PMs, é também compreender as organizações que nascem daí. “Milícia não sobrevive sem braço político de apoio, favores, vantagens, privilégios e carteiradas. Por isso, ela é financiadora de campanhas eleitorais. As carreiras políticas servem como um ótimo investimento criminoso. Estas carreiras políticas são uma importante lavanderia do dinheiro extorquido da população pela milícia”, exemplifica. Leia aqui a entrevista completa
O massacre do Jacarezinho e seus reflexos na sociedade – Por José Ricardo Bandeira

Nas últimas décadas, tornou-se prática obrigatória no Brasil combater a criminalidade utilizando-se o enfrentamento policial em detrimento de muitas outras medidas racionais Não existe caminho para o combate à violência e a criminalidade que não passe pelo investimento maciço em treinamento dos policiais e em ferramentas/métodos de inteligência e investigação, com o objetivo de impedir que drogas, armas e munições cheguem às comunidades dominadas pelo crime organizado! A cada dia que passa, os cidadãos das grandes cidades e capitais brasileiras são obrigados a conviver com a explosão de violência e criminalidade que assola o Brasil. Balas perdidas, arrastões, roubos e homicídios já não são surpresas em um país que é recordista em mortes violentas decorrentes de operações policiais. E nesta esteira de violência muitos políticos são eleitos, a exemplo das últimas eleições, explorando a bandeira de combate a violência, com um discurso muitas vezes demagógico e sem profundidade, mas falando coisas que o cidadão cansado e acuado espera ouvir. Esses políticos, assim como os anteriores, repetem as mesmas práticas de combate a criminalidade que por evidentes razões não surtiram efeito. Nas últimas décadas, tornou-se prática obrigatória no Brasil combater a criminalidade utilizando-se o enfrentamento policial em detrimento de muitas outras medidas racionais e científicas que poderiam trazer resultados sólidos, pois a polícia é somente uma das ferramentas no combate a criminalidade em uma caixa chamada “segurança pública”, onde existem diversas outras ferramentas que podem ser utilizadas. Somente para ilustrar como os nossos governantes priorizam o enfrentamento policial, a primeira grande operação policial no Brasil ocorreu no dia 21 de março de 1963 na comunidade da favela hoje conhecida como morro da Providência. Neste dia, cerca de 500 policiais, com o apoio de um helicóptero, cercaram a comunidade e fizeram cerca de 200 presos. A partir desta operação, essa foi a política de segurança que continuou sendo implementada por todos os governadores do Brasil, chegando-se ao caos que hoje, culminando com o Massacre do Jacarezinho, comunidade do Rio de Janeiro dominada pelo crime organizado, onde em uma única operação policial 29 pessoas foram mortas, entre elas um policial civil. Ao priorizar o enfrentamento policial, torna-se inevitável os efeitos colaterais que são, entre outros, a morte de policiais e vítimas inocentes, caos e transtornos nas grandes cidades, prejuízos para o comércio e turismo, além de graves sequelas psicológicas causadas naqueles que vivenciam a violência diariamente. A segurança pública é uma ciência e como tal, deve ser tratada e conduzida de forma correta e, dentro desta ciência, a forma mais eficiente de se combater o crime nas grandes cidades é através do investimento em inteligência e investigação, impedindo que drogas, armas e munições cheguem as comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e pelas organizações criminosas, asfixiando suas ações e cortando os seus recursos. Assim, o crime sem drogas, sem armas e sem munições naturalmente sucumbe. E neste critério o Governo Federal sempre foi o grande vilão da segurança pública, pois nunca impediu que as drogas, armas e munições atravessassem as nossas fronteiras, percorressem as estradas federais, portos e aeroportos e chegassem as comunidades. Em paralelo a aplicação das medidas de inteligência, se faz necessário também um grande projeto de geração de emprego e renda em substituição ao dinheiro gerado pela narcoeconomia que circula nas comunidades. Infelizmente, enquanto tais medidas não forem implementadas, continuaremos a velha política de enfrentamento, com a triste classificação de sermos um dos países mais violentos do mundo. *José Ricardo Bandeira é Professor, Perito em Criminalística e Psicanálise Forense, Comentarista e Especialista em Segurança Pública
Covid-19: uma dose de vacina Pfizer ou AstraZeneca reduz em 65% chance de infecção

AstraZeneca já está em uso no Brasil, e primeiras doses da Pfizer devem chegar na próxima quinta (29) – Marco Verch Estudo britânico avaliou eficácia tanto em indivíduos mais velhos e mais vulneráveis, quanto em jovens e saudáveis Em 21 dias após a aplicação da primeira dose das vacinas Pfizer/BioNTech ou AstraZeneca/Oxford, estudiosos britânicos avaliam que as chances de infecção são reduzidas em até 65%, tanto em indivíduos mais velhos e mais vulneráveis, quanto em jovens e saudáveis. O estudo foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas Britânico (Office for National Statistics, em inglês) em parceria com a Universidade de Oxford e divulgado em pré-publicação na última sexta-feira (23). Foram realizados testes em cerca de 370 mil pessoas com as duas vacinas utilizadas em território britânico. Os pesquisadores indicam que, ao reduzir as taxas de infeção, as vacinas não vão apenas prevenir as internações hospitalares e as mortes por covid-19, mas também permitir a quebra das cadeias de transmissão e, assim, reduzir o risco de um potencial ressurgimento da doença. A partir dessas conclusões, o governo britânico optou pela prioridade de vacinação de uma primeira dose às pessoas mais velhas e aos grupos mais vulneráveis. No entanto, os resultados dos testes apontam que as primeiras doses de vacinas foram mais eficazes contra infecções sintomáticas do que assintomáticas. Após a aplicação da primeira dose, os casos de doenças com sintomas diminuíram 74%. No caso dos assintomáticos, o número cai para 57%. No caso da vacina Pfizer/BioNTech, a aplicação da segunda dose do imunizante reduziu em 90% as infecções sintomáticas. As assintomáticas foram reduzidas em 70%. Por ter sido aprovada para uso posteriormente, o mesmo teste ainda não foi aplicado à vacina AstraZeneca/Oxford. Uso no Brasil A vacina AstraZeneca/Oxford, fabricada na Coreia do Sul, está em uso no Brasil desde 28 de janeiro por meio do Consórcio Covax Facility, que prevê 42 milhões de doses ao país. A vacina da Pfizer/BioNTech foi aprovada para uso no Brasil, mas aguarda chegada de primeiro lote, previsto para pousar em território nacional na próxima quinta-feira (29), com uma estimativa de 1 milhão de doses.
COVID-19: mais de 390 mil doses de vacinas chegam em MG nesta sexta (23/4)

As novas doses serão distribuídas para pessoas de 60 a 69 anos, Forças de Segurança e Salvamento, e Forças Armadas Mais vacinas para os mineiros chegam nesta sexta-feira (23/4) na Rede de Frio, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em Belo Horizonte. Serão 390.550 doses, destinadas para pessoas de 60 a 69 anos, Forças de Segurança e Salvamento e Forças Armadas. A 14ª remessa contém 316.750 doses da AstraZeneca e 73.800 da Coronavac. De acordo com a secretaria, a data para serem distribuídas para as Unidades Regionais de Saúde (URSs) ainda vai ser definida. Vacinômetro De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela secretaria de Saúde, Minas Gerais tem nesta sexta-feira (23/4), 2.919.813 de pessoas vacinadas, o que representa 13,71% dos mineiros. Deles, 1.175.309 já receberam a segunda dose, ou seja, 5,52% da população. Ao todo, o estado já recebeu 5.831.330 doses enviadas pelo Ministério da Saúde e os municípios receberam 5.762.618. Ainda faltam 68.712 doses da vacina para serem distribuídas. Minas Gerais está praticamente no mesmo patamar da média nacional, que até essa quinta (22), já foram 27.945.152 pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina contra a doença, ou seja, 13,2% da população do país.