Zé Silva, o relator da “MP da Grilagem” apresenta Projeto de Lei que prevê legalização de terras públicas irregulares

– O deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), relator da Medida Provisória (MP) 910, apresentou, nesta quinta-feira (14), o Projeto de Lei (PL) 2633/2020, que repete o conteúdo da proposta de Bolsonaro – Já esperado pelos parlamentares, o PL inaugura mais um capítulo da disputa política em torno da medida, que é apelidada por opositores de “MP da Grilagem”. No Congresso Nacional, a tendência é que a pauta esteja no foco das diferentes bancadas nas próximas semanas. O deputado João Daniel (PT-SE), coordenador do Núcleo Agrário do PT na Câmara e vice-líder da bancada, afirma que o grupo ainda não conseguiu analisar tecnicamente a proposta. Ele antecipa, no entanto, que o posicionamento coletivo dos membros da legenda será contrário ao projeto, assim como vinha ocorrendo em relação à MP. “Vamos analisar com muito cuidado, debater e discutir antes e tentar impedir que vá para o plenário. Indo para o plenário, vamos trabalhar para que não seja aprovado”. Nos bastidores da Câmara, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), representante da bancada ruralista, atua para tentar colocar o texto em votação na próxima quarta-feira (20). A elaboração do PL veio após um acordo produzido por diferentes líderes partidários durante a sessão plenária da última terça-feira (12), quando o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu colocar a MP 910 em votação. Resultado do lobby da bancada ruralista, a inclusão da medida na pauta do dia, que não previa inicialmente a análise do texto, gerou divergências entre as bancadas porque não havia acordo prévio para submeter o relatório de Zé Silva à votação. Leia também https://emcimadanoticia.com/2018/07/02/raquel-muniz-e-ze-silva-aprovam-uso-de-venenos-para-a-populacao/ Após intensas dissidências, os líderes tentaram um acordo para evitar que a MP fosse derrotada no plenário ou que fosse invalidada pelo tempo. Assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro, a medida caduca na próxima terça-feira (19) e precisaria ser votada nas duas casas legislativas até lá para não perder os efeitos. Diante da possibilidade de vencimento do texto sem votação, a saída encontrada pelos deputados foi o acordo em torno de um PL que pudesse reeditar o conteúdo da MP, permitindo que o tema seguisse nos debates do Legislativo. João Daniel aponta que a manutenção do tema na pauta conflita com o interesse popular. Ele destaca a mobilização feita nas últimas semanas por organizações civis e artistas que defenderam a rejeição da MP. O assunto foi um dos destaques nas redes sociais nos últimos dias. “Essa MP 910 não foi votada justamente graças à pressão da sociedade, que atuou de forma firme e decisiva pra que ela não entrasse em votação, e também com o apoio de toda a oposição na Câmara, claro”, ressalta o petista. Sobre o conteúdo da medida, deputado Zé Silva e a bancada ruralista afirmam que o objetivo seria o de promover uma “regularização fundiária”. Procurado para comentar o assunto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), uma das entidades que acompanham diretamente o tema, afirma que está analisando o conteúdo do PL de Zé Silva. O dirigente Alexandre Conceição, da coordenação nacional da entidade, disse que a continuidade do debate sobre a MP no Congresso “não surpreende”. “Isso significa que a bancada ruralista, o latifúndio, segue com a sua sanha de querer se apoderar de terras públicas, transformando terra grilada em terra privada. Nós vamos nos reunir, como já fizemos com artistas e intelectuais, pra montar uma estratégia e derrotar agora não mais a MP, mas o ‘PL da Grilagem’”. Leia também https://emcimadanoticia.com/2018/07/02/pacote-do-veneno-sinter-repudia-os-golpistas-ze-silva-e-raquel-muniz/ O dirigente afirma que o PL é visto como uma prioridade para as entidades cujo trabalho está relacionado à pauta agrária. “E não só pro pessoal do campo, mas também pra população das cidades porque, na hora em que se destrói a Amazônia, o meio ambiente, os efeitos na cidade serão devastadores, inclusive do ponto de vista da produção de alimentos e da volta da fome. Então, é prioridade ‘número zero’ das organizações, da sociedade brasileira derrotar a grilagem de terra e a destruição da nossa biodiversidade”, acrescenta Conceição. Segundo ele, organizações do campo popular devem se reunir nesta sexta-feira (15) para definir uma estratégia de atuação contra o PL 2633/2020. Na Câmara, o projeto será relatado pelo deputado Marcelo Ramos (PL-AM), um dos integrantes da bancada ruralista. *Com Brasil de Fato
Covid-19 – Estado ameaçou isolar hospital de Brasília de Minas

O Hospital Nossa Senhora Santana, de Brasília de Minas, correu risco de ser isolado pelo Estado, por causa da grande quantidade de pacientes com casos positivos, principalmente quem estava em tratamento de hemodiálise. O Estado deu prazo até ontem meio dia para o problema ser resolvido. Ontem, mais três profissionais da saúde testaram positivos para a Covid-19. Os dados foram atualizados pela Prefeitura Municipal na noite desta quarta-feira (29 de abril). De acordo com o município o estado de saúde deles é estável; todos cumprem isolamento domiciliar. O município de Brasília de Minas está com sete profissionais infectados pelo novo coronavírus, cinco deles residem em Brasília de Minas e os outros dois são de Montes Claros, mas trabalham na cidade. Até mesmo o prefeito Geélison Ferreira da Silva (PMDB) apresentou sintomas da doença e passou pelo teste, ele está em isolamento domiciliar, em situação confirmada pela Vigilância Epidemiológica. Ele esclareceu que devido aos sintomas gripais que apresentou, e por estar na linha de frente no combate ao vírus, recebeu a recomendação médica para ficar em isolamento social juntamente com a realização do exame, com resultado nos próximos dias. A Prefeitura de Janaúba decidiu demitir, ontem, 200 servidores públicos municipais, a principio por 60 dias, em corte de vários setores da administração, com ênfase na Educação onde, segundo o prefeito Carlos Isaildo Mendes, há profissionais que não estão em franca atividade devido às medidas com a pandemia da Covid-19. Janaúba possui acima de 2 mil funcionários. A alegação do prefeito de Janaúba é a queda na arrecadação. O curioso é que o Governo está repondo as perdas do Fundo de Participação para os municípios enfrentarem a crise. Via Jornal Gazeta
Saque do auxílio emergencial causa grande transtorno e aglomeração de pessoas, em Montâvania

Manter uma distância de aproximadamente um metro entre as pessoas é uma das medidas mais importantes para evitar o contágio por coronavírus, além da higiene adequada das mãos e uso de máscaras. Mas não é isso que vem acontecendo em Montalvânia, no extremo Norte de Minas, divisa com a Bahia, aonde os beneficiários vêm causando grande aglomeração para sacar o Auxílio Emergencial, que é um benefício financeiro concedido pelo Governo Federal destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, com o objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19. De acordo com o advogado Anfrísio Lima Macedo, Montalvânia não está estruturada para atender todos os beneficiários, uma vez que a cidade não tem agência da Caixa, apenas uma casa lotérica e um posto conveniado do Caixa Aqui. “A Casa Lotérica disponibiliza apenas R$ 30 mil por dia para pagar os beneficiários deste programa e demais programas sociais. Ou seja, pouco mais de 20 beneficiários deverá ser atendido, fato que está causando grande aglomeração, com dezenas de pessoas dormindo nas filas, para tentarem ser atendidas no dia seguinte. Cena que nos lembra da época do Inamps”, comparou o Dr. Anfrísio.
Mesmo sob pressão, PF descarta mandante na facada de Adélio em Bolsonaro

– O segundo inquérito sobre a facada ainda está em andamento e terá o relatório parcial divulgado nos próximos dias. A primeira apuração da organização já dizia que Adélio agiu sozinho – O relatório parcial da Polícia Federal sobre o caso Adélio Bispo, responsável pela facada contra o presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2018, caminha para uma conclusão que contraria o discurso do ex-capitão. Até então, a conclusão da organização é de que o esfaqueador fez tudo sozinho, sem a existência de um mandante do ato. O segundo inquérito sobre o episódio ainda está em andamento e terá o relatório parcial divulgado nos próximos dias pela Superintendência da PF em Minas Gerais. Adélio Bispo atualmente está preso desde na penitenciária federal de Campo Grande (MS). Apesar de ter sido absolvido pela Justiça, ele continua preso para cumprir com medida de segurança. Na terça-feira (28), Bolsonaro voltou a dizer que o caso foi negligenciado pela PF. Em seu discurso após a demissão do ex-ministro Sergio Moro, o presidente também cobrou uma resposta para o crime, comparando-o com a atenção dada ao caso Marielle. Na ocasião, Bolsonaro disse que “implorou” a Moro para que a Polícia Federal investigasse o Caso Adélio Bispo. “É interferir na PF é pedir pra apurar quem mandou matar Jair Bolsonaro? A PF de Sérgio Moro mais se preocupou com Marielle do que com o seu chefe supremo”, declarou. Com informações da Folha de S.Paulo.
Tributo à memória do honrado Advogado, Juiz e Desembargador Dr. Páris Peixoto Pena – Por Juca Brandão

Morreu no último 4 de abril de 2020, depois de persistente doença, o Dr. Páris Peixoto Pena. O velório ocorreu na Funerária House, em Belo Horizonte e depois o seu corpo foi cremado. Ele era desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e empresário. O horário que ele cruzou a fronteira entre a vida e a eternidade foi exatamente às 22.20 horas. A princípio acreditou-se que teria sido no final da tarde, “naquela hora que os toureiros morrem ou então matam os touros”. Deixou a esposa Marlita e os seus filhos, Petrarca, Péricles, Petrônio e Patrícia. A missa do sétimo dia ocorreu na Paróquia Nossa Senhora Abadia – Matutina – às 19 horas do dia 11 de abril de 2020. Era natural da cidade mineira de Jequitinhonha, onde nasceu em 25 de janeiro de 1933. Vinha de uma notável família, cujo pai era Antônio Ferreira Pena Júnior e a mãe Crisolina da Cunha Peixoto. Já moço, ele ingressou na Faculdade de Direito da UFMG,l Belo Horizonte, onde obteve o grau de bacharel. Depois de formado chegou a Bocaiuva no dealbar do final de 1950. Alcançou uma cidade norte-mineira, ainda muito dividida politicamente, onde, por ocasião das eleições, principalmente, existiam muitas pugnas eleitorais, assim como insultos e escaramuças entre as facções políticas. Posicionou-se de um lado em oposição ao então grupo dominante, chefiado pelo lendário Dr. José Maria Alkmim. E, mais tarde, ou seja, nos tempos recuados de 1960, foi eleito vereador pelo PTB, que tinha uma coligação com a UDN e o PR. Recebeu uma votação maciça, no então distrito de Conceição do Barreiro, reduto oposicionista sob o domínio político dos Dumont, cuja estrela maior era o deputado Dr. Cícero Dumont. Hoje é a bela e clínica cidade de Francisco Dumont. A sua carreira política foi de curta duração, pois logo se desiludiu com os próprios correligionários. Ficou solteiro por algum tempo em Bocaiuva, onde advogava e dava aulas de matemática, matéria esta muito difícil e aterrorizante para alguns alunos Foi um professor eficiente e bastante rigoroso, mas gozava da estima dos seus alunos, mesmo e apesar da rigidez que impunha à classe nas suas aulas. Tanto é que depois das aulas noturnas e em noites enluaradas, ele empunhava um violão e, professor mais alunos saiam em serenatas, pelas ruas prateadas e silenciosas da cidade. “Afogada no luar, a cidade oferecia um aspecto de paz serena.” (Lima Barreto, Numa e Ninfa, pag. 137). Quando foi se casar escolheu uma prima para ser a sua esposa, até que a morte os separasse. Ela morava em Almenara, perto da cidade de Jequitinhonha. O pai dela era irmão da mãe dele. A Marlita da Cunha Peixoto, uma moça de peregrinas virtudes, depois de casada acrescentou ao nome o Peixoto Pena. E veio morar em Bocaiuva, onde ficou por alguns anos. No seu primeiro ano então, ficou apavorada com o frio da cidade nos meses de junho e julho. Dona Marlita foi uma nossa ótima e eficiente professora no Curso de Magistério. Em Bocaiuva o Dr. Páris advogou por 10 longos anos, antes de entrar na magistratura. Fez concurso em 1966 e foi ser Juiz de Direito em Buenópolis, comarca e cidade do Alto São Francisco Mineiro. No ano seguinte, ou seja, em 1967, foi transferido para a cidade de Corinto, antigo Curralinho Velho, também no Alto São Francisco Mineiro e ficou até 1978. Dali, foi removido a pedido para a comarca de Pará de Minas, cidade que fica na chamada Zona Metalúrgica e distante 80 quilômetros de Belo Horizonte. Daquela comarca, no ano de 1983, Dr. Páris foi removido, a pedido, para o cargo de Juiz de Direito Substituto em Belo Horizonte. No ano de 1989 foi promovido para o cargo de Juiz do Tribunal de Alçada. Em 1997 foi elevado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Neste mesmo ano de 1997 foi condecorado com a Medalha da Inconfidência – Insígnia. De conformidade com a lição do ex-ministro Carlos Veloso – também a vida do doutor Paris – “foi marcada por lances que puderam revelar a grandeza de seu caráter e a sua coragem na tomada de decisões em momentos de crise, presente o conceito que dessa excelência humana proclamou John Kennedy no seu “Profiles in Courage”, de que a coragem da vida é muitas vezes, um espetáculo menos dramático do que a coragem de um momento final; mas não é menos uma mistura magnífica de triunfo e tragédia. Um homem faz o que deve, a despeito das consequências pessoais, a despeito dos obstáculos, perigos e pressões – e é esta a base de toda moralidade humana”. Graciliano Ramos, também, nos ensina “que o homem é a soma de todos os seus momentos e o produto de todas as suas experiências”. Em seu estupendo livro, “O tempo da memória, Bobbio faz primorosa observação: “Não é que a velhice seja ruim. O problema é que ela dura pouco.” No caso do Dr. Páris, a sua velhice foi muito encurtada por uma doença, digamos prolongada e, que cada dia se agravava. Quando tomou posse como juiz de direito em Buenópolis, assim como Corinto, Pará de Minas e mesmo em BH, como Desembargador, nunca deixou de passar fins de semanas e parte de suas férias em Bocaiuva. Deixou raízes profundas de amizades, assim como propriedades na cidade, como Posto de Abastecimento e Hotel Pioneiro. Uma prova de que não destruiu as pontes do caminho da volta. Na década de 1970, ele participou de um campeonato de futebol dos chamados veteranos, num campo então de terra e dentro da área da Praça de Esportes de Bocaiuva. Em um dos jogos, quem apitava era o saudoso Drincho. Uma criatura magricela, carcomida e já decrépita pela bebida, mas de apito forte! Era um bondoso e cordial alcoólatra. Neste jogo e numa disputa acirrada dentro da área, o doutor Páris reclamou agitado do árbitro, alegando que houvera um pênalti a favor do seu time, que atuava com camisas iguais do glorioso Atlético
Rogério Correia protocola pedido de CPI de Sérgio Moro na Câmara

– O deputado Rogério Correia protocolou na tarde deste domingo, 16, na Câmara, pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) para investigar os crimes confessados pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O deputado justifica que Moro por diversas vezes escondeu da sociedade que Jair Bolsonaro pressionava por intervenção direta nas investigações da Polícia Federal. “Moro deveria zelar pela Justiça do País, mas tudo indica que usava o cargo para obter apoio político com o desejo de virar ministro da Suprema Corte”, diz Rogério Correia. A CPI do Moro, que tem como co-autores os também deputados Paulo Pimenta (PT-RS), Natália Bonavides (PT-RN) e Célio Moura (PT-TO), apurará também a atuação de Moro visando sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), como demonstram as conversas feitas com deputados da base bolsonaristas, divulgadas neste fim de semana. Para ser criada, a CPI na Câmara precisa da assinatura de 171 deputados. Segundo o deputado mineiro, a coleta dessas assinaturas já começou neste fim de semana.
Uma intervenção militar derrubaria Bolsonaro, mas o que é pior? Por João Figueiredo

O ator Pedro Cardoso afirmou, em texto publicado em seu Intagran, que só é possível entender a mente do presidente Bolsonaro a partir de uma análise da mente de um torturador. Para o torturador a morte da vítima representa seu fracasso, porque o seu objetivo é mantê-la viva e sofrendo o máximo de desconforto possível. O jornalista Bruno Ribeiro vê Bolsonaro como o protótipo do ideal fascista. Mas qual o real caminho para entender a postura contraditória de um presidente que fala sem pensar no que diz e, com frequência, volta atrás poucas horas depois de dizer? Um presidente que manipula seus apoiadores e faz questão de aterrorizar todos que não concordam com ele, insinuando que pode tomar medidas drásticas contra a liberdade, a cidadania, e até a vida, de que quem não o apoia? Primeiro é preciso voltar no tempo para se conhecer as bases em que foi forjada a personalidade política que hoje ocupa o maior cargo do país. Em 1986, Jair Messias Bolsonaro era um capitão do serviço ativo do Exército Brasileiro e escreveu um artigo intitulado “O salário está baixo”, publicado na Seção “Ponto de Vista” da Revista Veja, edição de 01/09/1986; o artigo falava do achatamento salarial dos militares e de demissões sucessivas de cadetes da Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN) em virtude dos baixos salários. A edição de Veja de 25/10/1987 publicou uma matéria da qual constava uma entrevista de Bolsonaro e outros capitães do Exército em que teriam falado do “Plano Beco sem saída”, que consistiria na explosão de bombas no banheiro da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO), na AMAN e em outros quartéis do Exército. As explosões seriam preparadas cuidadosamente para não provocar vítimas: o objetivo seria apenas protestar contra os salários e mostrar ao Presidente da República, José Sarney, que o Ministro do Exército, general Leônidas Pires, não tinha o controle da tropa. O famigerado “Plano Beco sem saída” não foi levado a efeito. O então capitão Bolsonaro negou a existência do plano e que tenha fornecido tais informações à Veja e o Ministério do Exército emitiu nota questionando a veracidade da reportagem produzida pela repórter Cássia Maria. Na edição de 04/11/1987, a revista se defendeu publicando uma matéria, na qual insistia que o capitão Bolsonaro havia de fato fornecido informações sobre o plano e que fizera, inclusive, desenhos de próprio punho de alguns croquis do plano, um deles de uma adutora do Rio de Janeiro, que não fazia parte do plano e fora feito apenas para mostrar que se quisessem de fato perpetrar um ato terrorista ali seria um ponto vulnerável. A publicação de tais desenhos levaram a um processo demissional (Conselho de Justificação) contra o capitão. O Conselho concluiu pela demissão compulsória do oficial, pela perda da patente, porém, o Superior Tribunal Militar (STM) o inocentou e ele permaneceu no posto. Sabendo que sua carreira militar fora abortada, restava uma única saída: ingressar na política. Em 1988 candidatou-se a vereador pelo município do Rio de Janeiro, eleito, foi transferido para a Reserva Remunerada do Exército Brasileiro, conforme veremos adiante. É preciso lembrar que historicamente as Forças Armadas brasileiras, desde a proclamação da República, sempre se dividiram entre “moderados” e “linha-dura”, quanto à visão política. Os primeiros são defensores de ações menos rígidas na condução de um processo político, associando repressão com diplomacia e valorizando a comunicação como instrumento de controle social; os segundos são ultraconservadores e renegam a possibilidade de mudanças institucional, são adeptos de ações diretas, impositivas e interventivas no sentido de ditar e moldar condutas – alguns membros desse segundo grupo defendem o uso de métodos radicais no interrogatório de suspeitos, definidos como tortura física e/ou psicológica –; os dois grupos, obviamente, já foram ou ainda são identificados por outros adjetivos. Os linha-dura foram os criadores do Projeto Orvil, um documento contendo mais de mil páginas, produzido após o fim do Regime Militar, contendo a interpretação dos seus produtores sobre o que foi o regime no país. Os dois grupos têm uma nítida vocação para ações ditatoriais, diferenciando-se apenas quanto aos métodos e estratégias para se manterem no poder. Essas duas correntes sempre estiveram presentes especialmente no Exército, e se tornaram mais visíveis durante o Regime Militar. Na Aeronáutica e na Marinha essa divisão parece ser menos evidente; porém, entre os moderados dessas duas forças já houve muitas ações de militares que se identificavam com uma visão esquerdista de mundo: questionamento das mordomias e de tratamento desigual internamente (a História registra motins e revoltas relativas a isso), manifestação explícita contra defasagem salarial e condições de trabalho, defesa de mudanças nas relações interpessoais internas, etc. A essência dessa mentalidade militar ainda guarda resquícios do pensamento colonial trazido pelos portugueses, além de influência do pensamento nazifascista, especialmente quanto ao fato de que as relações hierárquicas transcendem os limites funcionais e se imiscuem nas relações interpessoais, sob os desígnios de um autoritarismo explícito. Bolsonaro é do grupo dos militares moderados, assim como o seu vice-presidente, general Hamilton Mourão. Em virtude dos fatos que o envolveram na década de 1980, um Dossiê publicado pelo Jornal O Globo, em 10/06/2018, mostra que ele foi espionado pelo então Serviço Nacional de Informações (SNI) de 1986 a 1989 e que foi taxado de detentor de ideias de esquerda, conforme Prontuário nº 097160-08/SNI, acervo do Arquivo Nacional. Ele contrariou os militares linha-dura, ao tornar explícitas questões internas da instituição sobre salários e demissões coletivas, questionar ações do Ministro do Exército e, ainda, por reverter, no STM, a decisão dos coronéis do Conselho de Justificação contra si. Ele mexeu com um vespeiro! Sua carreira estava encerrada: se permanecesse estaria às voltas com dificuldades para ser promovido, além de possíveis incômodas transferências. Entrar para a política foi a saída que encontrou, porque um militar, após ser diplomado em cargo eletivo, deve ser, por lei, transferido para a Reserva Remunerada; ele foi eleito vereador, pelo PDC, pelo município do Rio de Janeiro, em 1988, e transferido para a Reserva em 1989 (Diário Oficial da
Aprovada na Cãmara, a MP da Carteira Verde e Amarela, que é mais uma reforma trabalhista que tira direitos conquistados

– Os Deputados Federais, Marcelo de Freitas, Eros Biodini, Zé Silva e Marcelo Eros, estão entre os deputados mais votados no Norte de Minas, mas votaram a favor da Carteira Verde e Amarela do Bolsonaro para permitir a contratação de trabalhadores sem direito ao terço de férias e décimo terceiro, e com redução do FGTS e da multa na demissão do trabalhador – Um total de 322 deputados federais traiu a classe trabalhadora e, em plena pandemia do novo coronavírus, aprovou a Medida Provisória (MP) nº 905, da Carteira Verde e Amarela, de Jair Bolsonaro, que tira direitos trabalhistas, ao invés de aprovar medidas que protejam os trabalhadores durante a crise provocada pela Covid-19. Os traidores não deram a mínima para os protestos dos 153 deputados de oposição que defendem os direitos dos trabalhadores e, por isso mesmo, votaram contra a MP. Confira abaixo a lista de quem votou contra e quem votou a favor. A MP agora segue para o Senado que tem até o dia 20 para aprovar ou não. Se os senadores também traírem os trabalhadores, a medida segue para sanção de Bolsonaro. Para o presidente da CUT, Sérgio Nobre, ainda dá para barrar a aprovação do que ele chama de ‘carteira da escravidão’ no senado. “Nós da CUT e do fórum das centrais sindicais já estamos buscando uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que a gente possa mostrar o desserviço que é essa medida provisória, como ela é descabida e, por isso, exigimos a sua imediata retirada”, afirmou o presidente cutista. “É preciso que os trabalhadores e trabalhadores pressionem os senadores, liguem, escrevam, mandem mensagens na página do Senado, de maneira indignada, porque essa medida é um enorme retrocesso para a classe trabalhadora brasileira”, convocou Sérgio lembrando que o site Na Pressão é o instrumento que a CUT coloca a disposição de todos para mandar mensagens para os seus senadores. Em nota, a Executiva Nacional da CUT disse que Bolsonaro e deputados da base do governo agem contra o povo retiram direitos dos trabalhadores em plena pandemia. “Não aceitamos que a classe trabalhadora pague pela crise econômica e pela pandemia. Vamos nos unir para defender nossas vidas e nossos direitos e gritarmos alto e bom som: chega de retrocessos; chega de retirada de direitos; por uma renda mínima e pela tributação da riqueza, dos lucros e dividendos. Fora Bolsonaro”, diz trecho da nota. Confira a lista dos deputados federais de Minas Gerais que votaram a favor e os que votaram contra a MP 905: Voto sim = favorável à MP Voto não = contrário à MP Aécio Neves (PSDB-MG) – Ausente Alê Silva (PSL-MG) – votou SIM André Janones (AVANTE-MG) -votou Abstenção Áurea Carolina (PSOL-MG) Bilac Pinto (DEM-MG) – votou SIM Delegado Marcelo (PSL-MG) – votou SIM Diego Andrade (PSD-MG) – votou SIM Dimas Fabiano (PP-MG) – votou SIM Domingos Sávio (PSDB-MG) – votou SIM Dr. Frederico (PATRIOTA-MG) – votou SIM Eduardo Barbosa (PSDB-MG) – votou SIM Emidinho Madeira (PSB-MG) – votou NÃO Enéias Reis (PSL-MG) – votou SIM Eros Biondini (PROS-MG) – votou SIM Fábio Ramalho (MDB-MG) – votou SIM Franco Cartafina (PP-MG) – votou SIM Fred Costa (PATRIOTA-MG) – votou SIM Greyce Elias (AVANTE-MG) – votou SIM Hercílio Diniz (MDB-MG) – votou SIM Igor Timo (PODE-MG) – votou SIM Júlio Delgado (PSB-MG) – votou NÃO Junio Amaral (PSL-MG) – votou SIM Léo Motta (PSL-MG) – votou SIM Leonardo Monteiro (PT-MG) – votou NÃO Lincoln Portela (PL-MG) – votou SIM Lucas Gonzalez (NOVO-MG) – votou NÃO Luis Tibé (AVANTE-MG) – votou SIM Marcelo Aro (PP-MG) – votou SIM MargaridaSalomão (PT-MG) – votou NÃO Mário Heringer (PDT-MG) – votou NÃO Mauro Lopes (MDB-MG) Ausente Misael Varella (PSD-MG) Ausente Newton Cardoso Jr (MDB-MG) Ausente Odair Cunha (PT-MG) – votou NÃO Padre João (PT-MG) – votou NÃO Patrus Ananias (PT-MG) – votou NÃO Paulo Guedes (PT-MG) – votou NÃO Pinheirinho (PP-MG) – votou SIM Reginaldo Lopes (PT-MG) – votou NÃO Rodrigo de Castro (PSDB-MG) – votou SIM Rogério Correia (PT-MG) – votou NÃO Stefano Aguiar (PSD-MG) Ausente Tiago Mitraud (NOVO-MG) – votou NÃO Vilson da Fetaemg (PSB-MG) – votou NÃO Weliton Prado (PROS-MG) – votou NÃO Zé Silva (SOLIDARIEDADE-MG) – votou SIM Zé Vitor (PL-MG) – votou SIM
Kalil determina uso obrigatório de máscaras, critica Governo e diz: ‘Prefiro desempregados a mortos’

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), vai tornar obrigatório o uso de máscara pela população da capital mineira em prevenção ao novo coronavírus. O chefe do Executivo municipal disse, nesta terça-feira (14), que a determinação será publicada em um decreto. Kalil comparou o combate ao Covid-19 a uma “guerra” e não estipulou prazo para o fim do isolamento social da população, mesmo com a pressão sofrida por setores do comércio (veja abaixo). A obrigatoriedade da utilização das máscaras será publicada no DOM (Diário Oficial do Município) da próxima sexta-feira (17). A medida se assemelha ao que vem acontecendo em cidades da região metropolitana, como Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Nova Lima e Santa Luzia. O utensílio será entregue pela PBH à população carente. “Olha, nós não somos obrigados a entregar máscara pra população. Vamos fazer isso para os miseráveis, os invisíveis. Só vamos permitir, a princípio, a entrada nos estabelecimentos públicos com máscaras, depois podemos estudar alguma outra coisa”, disse. O prefeito pediu ajuda da população na prevenção e falou que as próprias pessoas podem fazer as máscaras para utilizarem. “Faz com meia, faz com fralda, a população tem que cuidar dela mesma. É todo mundo junto usando máscara. Só temos um inimigo e o ministro [da Saúde] deixou claro. Se não tiver capacete e o tiro tiver comendo, caça um penico e põe na cabeça. Nós temos que nos proteger”, afirmou Kalil. Isolamento O isolamento social segue sem data para acabar e Kalil voltou a afirmar que a decisão cabe aos infectologistas que fazem parte do comitê de combate ao Covid-19 em BH. “O plano de flexibilização [do isolamento] vai seguir o protocolo internacional que será comandado pelo comitê. O prefeito não decide nada. BH optou pela ciência, pela tecnologia e desse propósito não vai sair”. Apesar dos pedidos feitos pelas autoridades em saúde, é comum ver pessoas transitando pelas ruas da capital mineira. O BHAZ mostrou que na região de Venda Nova, o centro comercial segue com grande fluxo, mesmo com a orientação para a população permanecer em casa. Kalil disse que a PBH está fazendo monitoramento dos telefones celulares e aguarda os resultados para “saber o nível do isolamento social”. Retomada do comércio Se o isolamento não tem data para término, a reabertura dos comércios segue impedida. Kalil afirmou que não adianta as pressões feitas sobre ele. “Não vai adiantar pressão de nenhuma instituição, federação, confederação. Nada vai desviar o propósito de não virar Milão. Um prefeito do interior disse uma frase que vou tentar plagiar: ‘Prefiro 10 mil desempregados do que 50 mil mortos’”. O prefeito pediu paciência da população, já que os ônibus do transporte público estão lotados, devido à redução no quadro de horários. “É guerra gente e numa guerra nunca conseguimos 100% de excelência em nada”. Para auxiliar a higienização da população, Kalil disse que pias estão sendo instaladas em pontos da cidade. Crítica ao governo federal Durante a coletiva, Alexandre Kalil ainda fez uma crítica ao presidente Jair Bolsonaro, mas sem citar o nome do chefe do Executivo nacional. Em diversas vezes Bolsonaro se posicionou contrário à ciência e tecnologia, mesmo quando ainda não era presidente da República. “Agora eu acho que alguém está descobrindo que nós precisamos de faculdade, médico, do SUS e de tecnologia, não é? Depois de tudo que aconteceu, eles estão descobrindo que nós precisamos da ciência”, afirmou o prefeito. Fonte: BHAZ
Covid-19: Mortes entre homens se tornam o dobro em relação às de mulheres, em Minas, após novos óbitos

O mais novo boletim da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), divulgado na manhã desta terça-feira (15), informa que o número de mortos em decorrência da Covid-19 no Estado chegou a 30, um crescimento de três óbitos em relação a ontem. O que chama a atenção neste último levantamento é que a quantidade de óbitos entre homens chegou ao dobro do mesmo índice registrado de mulheres. Os mais novos números oficiais divulgados pelo Governo de Minas são: 30 óbitos (aumento de 11% em relação ao último boletim) 63 óbitos em investigação (aumento de 5%) 903 casos confirmados (aumento de 2%) 67.177 casos suspeitos (aumento de 5%) Homens x Mulheres Apesar da primeira morte oficial em Minas ter sido de uma mulher, confirmada no boletim do dia 30 de março, a quantidade de óbitos entre os homens disparou em relação ao gênero oposto. A disparada ocorreu a partir do último dia 6, já que o boletim do dia anterior listava equilíbrio: naquele momento, eram seis mortes, três de cada sexo. Essa estatística não é observada apenas em Minas, mas sim uma tendência em vários cantos do mundo – e ainda não tem uma explicação definitiva por parte dos especialistas. O jornal britânico The Guardian levantou a hipótese de que a maior incidência de óbitos entre homens possa ser uma combinação de três fatores: hábitos (tendo tabagismo como destaque), higiene e hormônios. A publicação europeia, ocorrida no dia 26 de março, aponta que essa estatística foi registrada na China, França, Alemanha, Irã, Espanha e, na Itália, o percentual de mortes entre os homens superou os 70% em comparação ao de mulheres. “A resposta honesta é que nenhum de nós sabe o que está causando a diferença”, resumiu Sarah Hawkes, diretora do Centro de Gênero e Saúde Global da UCL (University College London). Covid-19 em Minas Voltando à realidade mineira, ainda de acordo com a secretaria, 25 dos 30 mortos possuem mais de 60 anos. Além disso, 80% das vítimas estavam em algum grupo de risco, sendo que 16 delas tinham hipertensão. O número de casos confirmados passou de 884 para 903, nas últimas 24 horas. São investigados 63 óbitos e outros 222 já foram descartados. Veja o perfil abaixo: Onde estão os casos? Reforce a proteção contra o vírus A SES-MG orienta que a população tome algumas medidas de higiene respiratória para evitar a propagação da doença, são elas: Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool. Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Evitar contato próximo com pessoas doentes. Ficar em casa quando estiver doente. Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo. Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência. Fonte: BHAZ