Arautos do Evangelho: Justiça determina que alunos voltem para casa

Alunos do Arautos do Evangelho com Jair Bolsonaro em cerimônia de Natal no Palácio do Planalto, em 2021. Créditos: Divulgação/Palácio do Planalto Herdeiro da TFP (Tradição, Família e Propriedade), o grupo ultraconservador Arautos do Evangelho é acusado de assédio e tortura tem prazo para devolver alunos às famílias A Justiça de São Paulo, em decisão liminar recente, tomou uma série de medidas para intervir nas escolas do grupo católico ultraconservador Arautos do Evangelho no estado. Em 2019, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (CONDEPE) denunciou inúmeras violações de direitos humanos que seriam praticadas pela instituição contra crianças e adolescentes. Entre as denúncias, estão, entre outras, as de que as crianças e adolescentes que estudam nas escolas do grupo católico teriam sido alvo de tortura, exploração do trabalho, assédios sexual e moral, racismo, maus tratos e até mesmo estupro. Os crimes, de acordo com as acusações, teriam sido praticados na sede do Arautos do Evangelho em Caieiras, na Grande São Paulo. Desde as primeiras denúncias, cerca de 70 pessoas, a maioria pais e familiares dos alunos, além de ex-funcionários, procuraram a Defensoria Pública de São Paulopara prestar depoimentos e corroborar com as acusações. Diante dos relatos, a Defensoria Pública ingressou com uma ação civil pública solicitando intervenção nas escolas para assegurar o respeito às leis e a preservação dos direitos de crianças e adolescentes e de suas famílias. A juíza Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa, da Vara da Infância Juventude, então, concedeu liminar determinando, dentre outras medidas, a suspensão de novas matrículas e a proibição do ensino em regime de internato, devendo os Arautos do Evangelho devolver os estudantes às suas famílias até, no máximo, dia 1º de julho. “Crimes devem ser apurados” À Fórum, o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (CONDEPE), Dimitri Sales, celebrou a decisão da Justiça de intervir nas escolas, mas chamou a atenção para o fato de que os supostos crimes cometidos pelo Arautos do Evangelho ainda carecem de apuração. “A decisão da Justiça, ainda que em sede de liminar, confirma a gravidade das denúncias que o CONDEPE apresentou à sociedade e aos órgãos públicos. Estamos diante do cometimento de muitos crimes que devem ser apurados, ainda que alegam tratar-se de manifestação de crença religiosa”, declarou. Arautos do Evangelho O grupo ultraconservador Arautos do Evangelho foi fundado em 1999 por João Clá Dias. O religioso fazia parte da antiga sociedade conservadora Tradição, Família e Propriedade (TFP). Ao todo, o grupo possui 15 colégios no país. O próprio fundador da instituição João Clá Dias, que tem 82 anos, é acusado de abuso sexual por uma jovem colombiana órfã de mãe, hoje com 29 anos, que veio ao Brasil para estudar. Em carta, ela relata que, aos 12 anos, foi abusada pelo líder, que teria tocado seus seios e nádegas e a beijado. Atualmente a mulher vive no Canadá. Outro fiel afirma que foi drogado e internado em uma clínica psiquiátrica pelos Arautos sem autorização da família, entre inúmeras outras acusações contra a instituição. Em nota enviada ao programa “Fantástico”, da Globo, o Arautos do Evangelho negou todas as acusações e afirmou que a instituição é vítima de perseguição. “Nós estamos diante de uma situação, de uma campanha de difamação feita por desafetos da instituição, desafetos da igreja em geral. Uma campanha de perseguição religiosa onde a igreja católica está em foco e a instituição em particular”, diz. Revista Fórum
Gilmar Mendes diz que não vai ter golpe: “Bolsonaro está muito debilitado”

Ministro completou, no entanto, que, caso Bolsonaro perca as eleições, “devemos estar atentos a toda sorte de desvios” Perguntado durante entrevista à repórter Daniela Pinheiro, se vai ter golpe, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, respondeu convicto: “Não, não vai. Eu aposto na resistência das instituições. Acho que é um processo”. Mendes ainda acrescentou que “nesse momento, o Bolsonaro está muito debilitado, o viés ficou muito debilitado”. “Em termos orçamentários, por exemplo, eu estava conversando com o Felipe Salto, que foi nomeado ontem secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, e ele disse que tem algum investimento, com superávit por conta da arrecadação. Mas é a inflação. Não é bom. Bolsonaro chegou com o apoio das bancadas temáticas e, com risco de impeachment, fez a viagem rumo ao Centrão. Esse pessoal não embarca em aventuras”, afirmou. Apoio da Polícia e das Forças Armadas A repórter insistiu, e citou o fato de várias pessoas afirmarem que “Bolsonaro tem com ele a polícia, as Forças Armadas, tudo isso ajudaria uma situação de negação do resultado eleitoral?” O ministro reiterou que “hoje há um certo equilíbrio entre as polícias. A federação está em mãos de diferentes forças partidárias. São Paulo, por exemplo, está nas mãos do PSDB. É uma grande força policial, com bom controle. Portanto, não vejo isso acontecendo. No começo, pode ter havido uma contaminação porque eles elegeram muitos policiais, mas em quase quatro anos, não se produziu subordinação ao governo federal”. Cautela Perguntado, no entanto, se há razões para se pensar em um cenário antidemocrático, caso Bolsonaro perca as eleições, ele diz que “devemos estar atentos a toda sorte de desvios”. E completa: “quem iria dizer que tivemos muito próximos de um modelo ditatorial vindo de procuradores e juízes?” Revista Fórum, com informações do TAB UOL
Nova pesquisa XP/Ipespe mostra Lula perto da vitória no primeiro turno

O ex-presidente Lula (PT) subiu para 45% e venceria Bolsonaro, que aparece com 31%, no primeiro turno. Nas duas pesquisas anteriores da XP/Ipespe, ele havia registrado 44%. Já Bolsonaro subiu para 31%, quando nas anteriores havia registrado 26% e 30%. Dos candidatos da chamada “terceira via”, Ciro Gomes (PDT) tem 8%, enquanto os outros candidatos somam 7% — João Doria (PSDB), 3%; André Janones (Avante), 2%; Simone Tebet (MDB), 2%. Os outros candidatos, Felipe d’Avila (Novo), Eymael (DC) e Vera Lúcia (PSTU), não pontuaram Brancos e nulos somam 7%, e 2% dos entrevistados não sabem ou não responderam. O ex-juiz parcial Sergio Moro (União Brasil) não foi incluído na pesquisa. O petista venceria Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno com 20% pontos de vantagem se as eleições fossem hoje, segundo pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta-feira, 22. No segundo turno, Lula tem 54% das intenções de voto contra 34% de Bolsonaro. Lula também venceria todos os outros candidatos. O levantamento também aponta uma rejeição de 61% dos eleitores a Bolsonaro. Este número define que não votaria nele de jeito nenhum. A rejeição de Lula é de 42%. A pesquisa ouviu 1.000 pessoas por telefone entre 18 e 20 de abril e foi registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-05747/2022. A margem de erro máximo estimada é de 3,2%.
Jair Bolsonaro abre guerra total ao Supremo Tribunal Federal

O decreto de graça presidencial editado pelo Presidente é flagrantemente inconstitucional. Ponto. * Por Fernando Brito Não foi requerido pelo condenado, nem pelo MP, não tem parecer do Conselho Penitenciário, não é pena transitada em julgado. Não tem outra razão senão de ser senão a de revogar uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Um anulação sumária de uma decisão de outro poder. Uma declaração de guerra, em resumo. Não se esperava que Jair Bolsonara aceitasse a aplicação da lei, mas não que fosse tão longe em sua reação. É evidente que o decreto será anulado, ou pelo Congresso ou pelo Judiciário. Ou Bolsonaro o impõe pela força militar – e é improvável que as Forças Armadas vão se mobilizar por um cabo expulso da PM – ou se faz de vítima perante seus fanáticos seguidores, que acham legítimo “dar uma surra de gato morto até o gato miar, uma manifestação legítima da “liberdade de expressão”. É guerra aberta. A bomba está no colo de Arthur Lira, presidente da Câmara, que vai ter de associar o Legislativo a ofensiva golpista de Bolsonaro sobre o Judiciário. Há um evidente crime de responsabilidade na atitude presidencial e Lira não terá desculpas para não colocar em votação o pedido de impeachment que será inevitavelmente apresentado, e por partidos e entidades de peso. Bolsonaro criou uma crise institucional que não poderá ser resolvida, nem mesmo pelo processo eleitoral, porque evidencia que ele não está disposto a aceitar decisões legítimas. Coloca na ordem do dia a possibilidade de que o poder militar no Brasil, na terrível antevisão de Ruy Castro, na Folha de hoje sobre se os militares “se sujeitarão a bater continência para gente como Daniel Silveira”. A radicalização do processo político e eleitoral não é obra senão do próprio governo subversivo a que estamos submetidos. Não subestimem os perigos de seis meses de aguda crise institucional. * Editor do Blog Tijolaço
Supremo Tribunal Federal condena Daniel Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão

Suprema Corte reconheceu que o deputado federal bolsonarista atentou contra o Estado Democrático de Direito ao ameaçar a instituição e pediu a perda do mandato O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (20) pela prisão e cassação do mandato do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) em razão de ataques feitos ao Estado Democrático de Direito. O parlamentar fez graves ameaças aos integrantes da mais alta instância do Judiciário brasileiro e incitou apoiadores a atacar o STF. Na leitura do voto, o relator Alexandre de Moraes elencou todo o arsenal de ataques a ameaças feitas por Silveira e lembrou que o réu reiterou todas as palavras e seguiu tentando intimidar o STF até no dia do julgamento. “Seja porque no momento da prisão em flagrante repetiu as ameaças, seja porque durante interrogatório repetiu e confirmou o que fez, seja porque hoje, inclusive, no plenário da Câmara repetiu ameaças e ofensas à Corte Suprema do país”, disse Moraes. ministro pediu a condenação de Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão, multa de R$ 200 mil e a suspensão dos direitos políticos. Moraes decidiu condenar o deputado pela tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes e pela coação no processo. O magistrado ainda votou pela absolvição na denúncia de incitação das Forças Armadas contra a Corte. A condenação e a suspensão dos direitos políticos provoca a perda do mandato do parlamentar, que ainda precisa ser chancelada na Câmara dos Deputados. A subprocuradora Lindôra Araújo, representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) no julgamento, pediu a condenação de Silveira de acordo com os artigos 344 (coação) e 359-L (tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito) do Código Penal Brasileiro. O artigo 359-L foi estabelecido através da Lei do Estado Democrático de Direito, legislação criada pela Congresso Nacional em 2021 com o objetivo de substituir a Lei de Segurança Nacional (LSN). O relator foi acompanhado integralmente pelos ministros Edson Fachin, Luis Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Luiz Fux. André Mendonça acompanhou parcialmente. Kássio Nunes Marques foi o único a votar pela absolvição. “Para além dos crimes, há algo muito maior do que isso, que é a vigência do Estado Democrático de Direito. No caso há a incitação contra instituições, incitação de fechamento do Congresso Nacional, que ele faz parte.. Tem-se aqui uma entropia negativa, com a destruição por dentro da democracia”, destacou Cármen Lúcia. “A liberdade de expressão não pode ser utilizada como instrumento de crime”, afirmou ainda. O ministro André Mendonça contrariou o relator e reconheceu apenas a coação nas ações do deputado, solicitando uma condenação por uma pena menor, de 1 ano e 9 meses. Esse voto rendeu elogios ao ministro por Dias Toffoli e provocou a ira de bolsonaristas. Com o voto de Mendonça, o placar de ficou em 10×1 pela condenação por coação e 9×2 para a condenação por crime contra o Estado Democrático de Direito. O outro ministro indicado por Jair Bolsonaro, Kássio Nunes Marques, por sua vez, decidiu absolver Silveira, apesar de condenar a “ferina e lamentável linguagem usada pelo parlamentar”. “Por mais absurdas que sejam, por não vislumbrar cometimento de crime, julgo improcedente a denúncia”, disse. Bolsonaristas se revoltam com voto de André Mendonça contra Daniel Silveira Parlamentares bolsonaristas que defenderam a indicação do ministro ao STF foram às redes manifestar sua decepção Acabou o amor. André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser seu ministro “terrivelmente evangélico” no Supremo Tribunal Federal (STF), irritou apoiadores e parlamentares aliados do mandatário por ter votado a favor da condenação do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) em julgamento realizado nesta quarta-feira (20). Mendonça evitou acompanhar integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes, mas foi favorável à condenação de Silveira por crime de coação – o que já renderia ao deputado uma pena de 1 ano e 9 meses de prisão e a consequente perda do mandato parlamentar. “Quem diria que Kassio Nunes acertaria e André Mendonça erraria tanto”, escreveu a deputada Carla Zambelli (PL-SP). “Terrivelmente decepcionante!”, tuitou o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). “Terrivelmente chateada e decepcionada”, disse Soraya Manato (PTB-ES). “Estou TERRIVELMENTE DESAPONTADO!”, escreveu Marco Feliciano (PL-SP), da Bancada Evangélica. Uma postagem que ganhou grande repercussão nas redes bolsonaristas acusou o magistrado de “terrivelmente traidor”. Durante o julgamento, o ministro Dias Toffoli elogiou a postura de Mendonça. “Todos nós sabemos que sua excelência sofreu pressões”, disse. PORTA NA CARA Eduardo Bolsonaro foi barrado em julgamento de Daniel Silveira no STF O próprio Daniel Silveira também foi impedido de acompanhar o julgamento O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) levou uma “porta na cara” do Supremo Tribunal Federal (STF) ao tentar acompanhar a sessão de julgamento, nesta quarta-feira (20), da ação penal contra seu colega Daniel Silveira (PTB-RJ), que responde por ataques a ministros da Corte. O filho de Jair Bolsonaro foi impedido de acompanhar o julgamento no plenário do STF devido a uma resolução que proíbe a entrada de qualquer pessoa que não sejam os advogados das partes envolvidas no processo. Por este mesmo motivo, o próprio Silveira foi barrado da sessão. “Eu iria acompanhar a sessão de julgamento do Dep. Daniel Silveira no STF. Mas uma resolução da corte impediu minha entrada e a dele também. Só no Brasil o réu é proibido de acompanhar o seu próprio julgamento. Isso não fere o direito à ampla defesa?”, reclamou Eduardo Bolsonaro através das redes sociais. Na verdade, a resolução não fere o direito de ampla defesa, como questionado pelo deputado, pois os advogados de Silveira participarão do julgamento. Assista ao momento em que Eduardo e Silveira são barrados na porta do STF ???????? Deputados Daniel Silveira (PTB-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentam entrar no STF para acompanhar o julgamento do parlamentar. Eles foram barrados. STF só permite o acesso de advogados, membros do MP e servidores indispensáveis ao plenário da Corte.pic.twitter.com/e35cqipcDO — Eixo Político (@eixopolitico) April 20, 2022
Para que se comemore o dia do índio é preciso demarcar nossos territórios

19 DE ABRIL – O QUE CELEBRAR? Conheça a origem do “dia do índio” e por que integrantes do movimento indígena criticam a data comemorativa Poucos dias depois do encerramento da maior edição do Acampamento Terra Livre (ATL) em seus 18 anos de história, acontece o chamado “dia do índio”, oficializado no Brasil em 1943. A origem da data remete a um protesto feito por indígenas durante o Congresso Indigenista Interamericano, realizado entre os dias 14 e 24 de abril de 1940, no México. Antecipando que não seriam devidamente escutados em um evento comandado por líderes políticos brancos, os representantes indígenas de 47 países do continente fizeram um boicote: não compareceram nos primeiros dias do Congresso. Só em 19 de abril, seis dias depois do início, foram ao encontro e, com o impacto do protesto inicial, ganharam força nas discussões. Daí a escolha da data como uma das propostas finais do Congresso, então sugerida como “dia do aborígene americano”. O delegado brasileiro no Congresso, veja só, não era indígena. Mas sim um homem branco: o médico e antropólogo carioca Edgar Roquette-Pinto (responsável também por fundar a primeira rádio do Brasil, mas essa é outra história). Marechal Rondon – engenheiro, sertanista brasileiro e o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que depois se transformaria na Fundação Nacional do Índio (Funai) -, foi quem convenceu Getúlio Vargas a instituir a data. Em 1943 o então presidente assinou o decreto-lei que estabeleceu o “dia do índio”. Índio ou indígena A folclorização, a homogeneização dos 305 povos existentes no país, a redução do debate sobre o tema a um dia no ano ou a ideia de que é simplesmente uma data para celebrar determinada harmonia fictícia estão entre as críticas de representantes dos povos originários ao chamado “dia do índio”. As clássicas atividades escolares que, no 19 de abril, estimulam crianças a pintar um indígena com dois riscos nas bochechas e uma pena na cabeça, celebrando a cultura nacional, é um exemplo do reducionismo produzido por estereótipos. Em uma fala durante o evento Mekukradjá – Círculo de Saberes: o Movimento da Memória, o escritor e educador Daniel Mundurku afirma que, apesar de serem ancestrais, as populações indígenas se tornaram visíveis no país apenas na década de 1970 e, de forma institucional, a partir da Constituição de 1988. Durante todo o tempo anterior, narra ele, um apelido recaiu sobre os povos indígenas como uma forma de invisibilização. Repetida à exaustão, a palavra “índio” foi incorporada por toda a sociedade brasileira, incluindo os povos a quem a alcunha é dada. “Nos anos 1970, quando a juventude começou a se perceber parte de uma sociedade maior, porque foi assim que começou o movimento indígena, ela usou esse termo ‘índio’ como uma forma de luta. Como uma forma de identificação daqueles que eram parceiros. Então essa palavra ainda é usada, e se é usada por uma liderança indígena, é nesse sentido”, diz Munduruku. O escritor lembra que o contexto é completamente diferente daquele em que a palavra é usada no sentido “do apelido, do desdém, do estereótipo, da ideologia”. Levando as mãos à boca para fazer o gesto, Munduruku afirma que “quando alguém olha para mim e diz ‘ah, ele é índio! Uh, uh, uh!’, a pessoa está me colocando numa classificação de menos humanidade. E aí a gente tem que brigar com isso”. “Índio” foi a palavra dada pelos colonizadores aos povos que viviam no continente americano quando Cristóvão Colombo aqui atracou, mais de 500 anos atrás, achando que estava nas “Índias”. Indígena quer dizer originário, aquele que estava ali antes dos outros. “Não estou falando do politicamente correto. Estou falando do correto”, ressalta Daniel Munduruku. “Palavra para nós tem sentido, tem alma, tem vida”. Acampamento Terra Livre tem edição histórica Mulheres indígenas marcharam, durante o Acampamento Terra Livre em Brasília, contra o “PL da Mineração” – Mídia Ninja Encerrada no último dia 14, a edição 2022 do Acampamento Terra Livre, organizada pela maior instância de representação nacional dos povos originários do país, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reuniu cerca de oito mil pessoas em Brasília. :: Com 8 mil indígenas, Acampamento Terra Livre lança documento final com propostas para o Brasil :: A realização anual no mês de abril não é à toa. Liderança do povo Guarani Mbya da Aldeia Morro dos Cavalos e coordenadora da Apib, Kerexu Yxapyry conta que, quando o ATL surgiu, em 2004, decidiu-se estrategicamente por fazê-lo próximo ao 19 de abril porque “no período do ‘dia do índio’ as autoridades estariam mais sensíveis às questões indígenas”. O movimento indígena questiona a data, seu nome e a suposta “celebração” que ela sugere. “Vamos para Brasília no mês de abril para dizer que ‘dia do índio’ não é dia de comemorar. Para que se comemore o ‘dia do índio’, é preciso demarcar nossos territórios”, enfatiza Kerexu, que é também coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY). A demarcação de terras indígenas, paralisada durante o governo Bolsonaro, foi a principal reivindicação do ATL de 2022. A carta final da mobilização, que apresentou uma “plataforma indígena de reconstrução do Brasil”, ressaltou a importância de interromper um processo de “destruição e morte” que está em curso. Brasil de Fato
Foi tarde – Morre o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI na ditadura

Mais um canalha da ditadura bate as botas cercado de amigos e familiares num leito de hospital. O general Newton Cruz, ex-chefe do SNI, a Agência Central do Serviço Nacional de Informações, morreu neste sábado (16), aos 97 anos. Faleceu de causas naturais. Estava internado no Hospital Central do Exército, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Famoso pela truculência — a cena em que ele, destemperado, chicoteia carros em Brasília montado a cavalo é clássica –, Cruz era uma espécie de pré-Bolsonaro. Foi acusado pela morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, escândalo de corrupção do regime. Alegava ter recebido informações sobre a identidade do responsável pelo assassinato, mas se negara a revelar. Confessou que os militares planejavam outros ataques terroristas além do Riocentro. Foi em 2010, ao jornalista Geneton Moraes Neto. “Tempos depois eu recebi a informação de que havia um grupo tentando fazer um ataque semelhante. Não era problema meu. Eu tinha apenas que informar. Pela primeira vez saí da minha função na SNI e fui pessoalmente acabar com isso. Pedi para a agência do Rio marcar um encontro com dois elementos do quartel na cidade”, disse. “Me encontrei com um tenente da Polícia Militar e um sargento em um hotel no bairro do Leme. Disse a eles que falassem com outros companheiros que se houvesse mais algum ataque, eu iria denunciar. Não houve mais nenhum atentado”. “Nini” encabeçou o SNI entre 1977 e 1983. Foi denunciado pelo Ministério Público Federal em 2014 por participação no episódio. A Justiça lhe concedeu habeas corpus, bem como aos cinco militares e ao delegado envolvido. Em 1983, agrediu um repórter de TV ao vivo. Mandou-o calar a boca e “desligar essa droga”, referindo-se ao gravador. Não gostou de ser questionado sobre democracia. Vai tarde. * Via DCM
Além de viagra, governo Bolsonaro também comprou próteses penianas

Foram realizados três pregões eletrônicos no ano passado para comprar 60 próteses penianas infláveis de silicone, com comprimento entre 10 e 25 centímetros, segundo dados oficiais O deputado Elias Vaz e o senador Jorge Kajuru identificaram que o Exército realizou a compra de 60 próteses penianas com recursos públicos, ao custo de R$ 3,5 milhões, segundo informação do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. Os congressistas devem acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar a compra. Foram realizados três pregões eletrônicos no ano passado para comprar as próteses penianas infláveis de silicone, com comprimento entre 10 e 25 centímetros, segundo dados do Portal da Transparência e o Painel de Preços do governo federal. Próteses infláveis podem durar entre 10 e 15 anos e são indicadas em casos de disfunção erétil. O valor das próteses infláveis costuma superar R$ 50 mil. Leia também Governo Bolsonaro compra até Viagra para tratar de sua impotência A compra se soma aos gastos em 35 mil unidades de Viagra, remédio indicado para disfunção erétil. A Defesa também gastou, no período de um ano, R$ 56 milhões em filé mignon, picanha e salmão para as Forças Armadas. O Ministério da Defesa disse que não iria se manifestar sobre os gastos com próteses penianas porque o Exército tem autonomia para usar os recursos que lhe cabem.
Governo Bolsonaro compra até Viagra para tratar de sua impotência

O Ministério da Defesa aprovou a compra de 35.320 comprimidos de Viagra, remédio que costuma ser usado para tratar disfunção erétil, para atender as Forças Armadas. A Marinha e a Aeronáutica informaram à colunista Bela Megale, do jornal O Globo, que as licitações visam o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). O setor que encomendou mais unidades do medicamento foi a Marinha, com 28.320 comprimidos. Outras 5 mil unidades foram aprovadas para o Exército e 2 mil, para a Aeronáutica. O remédio é identificado pelo nome do princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), nas dosagens de 25 mg e 50 mg. Além do Viagra, Forças Armadas aprovam compra de medicamentos contra calvície Além de comprar 35 mil unidades de Viagra, medicamento que costuma ser usado para tratar disfunção erétil, as Forças Armadas aprovaram a aquisição de Minoxidil e Finasterida, os remédios para utilizados para combater a calvície. Ao todo, oito pregões foram realizados por unidades ligadas aos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, segundo dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal. O gasto com os remédios contra calvície, apesar de pequeno (R$ 2,1 mil entre 2018 e 2020), se trata de dinheiro público. Após descobrir as compras, o deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) apresentou ao Ministério da Defesa um pedido de explicações a respeito dos processos de compra dos medicamentos. Nesses processos, o medicamento identificado pelo nome do princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), tem como destino a Marinha, com o maior volume, de 28.320 comprimidos. Outros cinco 5 mil comprimidos foram aprovados para Exército e outros 2 mil para Aeronáutica. Leia também Forças Armadas compraram 70 toneladas de picanha e 80 mil cervejas com dinheiro público
Em áudio, irmã de Adriano diz que Planalto ofereceu cargo pela morte do miliciano

“Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia?”, diz Daniela à tia, dois dias depois da morte do irmão. Áudios são da Polícia Civil do Rio Começam a vir à tona os reais motivos que levaram à morte o ex-capitão do Bope e depois chefe da milícia do Rio das Pedras e do Escritório do Crime, Adriano da Nóbrega. Sua mãe, Raimunda Veras Magalhães e sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, eram funcionárias fantasmas do gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) num esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o MP-RJ, envolvia a milícia. MÃE DE ADRIANO FOI ORIENTADA POR QUEIROZ A FUGIR DO RIO A mãe de Adriano foi orientada por Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, a fugir da cidade assim que o escândalo da rachadinha estourou em 2018. Ela foi se esconder no interior de Minas Gerais para não depor no Ministério Público do Rio. Lá ela recebeu a visita de um emissário de Queiroz e de seu advogado Frederick Wassef. Nessa época, Adriano ainda estava foragido. Esta visita se deu dois meses antes de Adriano morrer numa operação de captura da polícia na Bahia. Adriano recebeu uma proposta feita por Luis Gustavo Boto Maia, advogado de Flávio Bolsonaro, e pela mulher de Fabrício Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. Os dois foram orientados por Frederick Wassef, o “Anjo”, e Fabrício Queiroz antes de se reunirem com a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães em seu esconderijo no interior de Minas Gerais. Os promotores nunca localizaram a mãe de Adriano porque ela se escondeu em Minas Gerais e recebia orientações jurídicas de Queiroz e de Luiz Gustavo Botto Maia. Mãe de Adriano, foragida em MG, recebe a visita da ex-mulher do miliciano e do advogado de Fabrício Queiroz, Luis Gustavo Boto Maia Uma escuta telefônica feita pela Polícia Civil do Rio de Janeiro há dois anos, e tornada pública agora, mostra Daniela, uma irmã do ex-policial militar e criminoso profissional, acusando o Palácio do Planalto de oferecer cargos comissionados em troca da morte do ex-capitão. A conversa é com uma tia de Adriano e dela dois dias após a morte do miliciano. Ela disse que ele soube dele que houve uma reunião envolvendo seu nome no palácio do Planalto e do desejo deles de que se tornasse um “arquivo morto”. Ouça aqui a conversa da irmã de Adriano com a tia Reprodução da Laurindus TV “Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia? Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo”, disse ela na gravação autorizada pela Justiça e divulgada pela Folha de S. Paulo. A gravação faz parte das escutas realizadas pela polícia no âmbito da Operação Gárgula que investigam o esquema de lavagem de dinheiro e a estrutura de fuga de Adriano. QUEIMA DE ARQUIVO Desde o dia em que Adriano foi morto no interior da Bahia em fevereiro de 2020, a família dele suspeita de uma execução para “queima de arquivo”, o que até o momento não foi esclarecido. “Ele falou para mim que não ia se entregar porque iam matar ele lá dentro. Iam matar ele lá dentro. Ele já estava pensando em se entregar. Quando pegaram ele, tia, ele desistiu da vida”, disse Daniela. Já uma outra irmã de Adriano, Tatiana, conversa com a mesma tia e escuta dela: “Daniela sabe de muita coisa, hein?” Tatiana nega a acusação feita ao irmão de ser miliciano. “Pessoal cisma que ele era miliciano. Ele não era miliciano não. Era bicheiro. […] Querem pintar o cara numa coisa que ele não era por causa de coisa política. Porque querem ligar ele ao Bolsonaro. Querem ligar ele a todo custo ao Bolsonaro.” “Aí querem botar ele como uma pessoa muito ruim para poderem ligar ao Bolsonaro. Aí já disseram que foi o Bolsonaro quem assassinou. Quando a gente queria cremar diziam que e a família queria cremar rápido porque não era o Adriano. Uma confusão.” A atuação do presidente na ocasião foi alvo de elogio de Tatiana em outra conversa. “Ele foi nos jornais e colocou a cara. Ele falou: ‘Eu estou tomando as devidas providências para que seja feita uma nova perícia no corpo do Adriano’. Porque ele só se dirige a ele como Adriano, capitão Adriano.” Ela, por sua vez, sugere na fala que a ordem para matar o irmão foi do ex-governador Wilson Witzel. “Foi esse safado do Witzel, que disse que se pegasse era para matar. Foi ele.” “SOU AMIGO DO PRESIDENTE E ESTOU ME FUDENDO” O vínculo entre a morte do ex-PM e a proximidade com o presidente também foi tema de conversa entre Luiz Carlos Felipe Martins, sargento da PM acusado de ser braço-direito de Adriano, e um homem não identificado. “Ele falava para mim: ‘Orelha, nunca vi isso. Estamos se fudendo por ser amigo do presidente da República. Porra, todo mundo queria uma porra dessa. Sou amigo do presidente da República e to me fudendo’. Morreu por causa disso” , disse o sargento. Orelha, como era conhecido o sargento PM, foi morto numa emboscada no dia 20 de março de 2020, dois dias antes do cumprimento de mandados de prisão e busca da Operação Gárgula. O homicídio ainda não foi esclarecido. As ligações de Jair Messias Bolsonaro com o assassino profissional Adriano da Nóbrega são anteriores aos vínculos de sua mãe e ex-mulher no gabinete de Flávio. Em discurso feito do plenário da Câmara, em 2005, Bolsonaro saiu em sua defesa e contestou o resultado do julgamento do miliciano. Ele chamou o ex-militar condenado de “brilhante oficial”. Adriano, à época, já estava associado ao crime, após participar do esquema de segurança na guerra entre bicheiros do Rio de Janeiro.