Ciro suspende sua candidatura presidencial após votos do PDT pela PEC da reeleição de Bolsonaro

Pedetista suspende candidatura e diz que só volta se deputados mudarem sua posição. Dos 21 deputados do PDT, 15 votaram a favor da PEC dos Precatórios – Ciro Gomes divulgou pouco depois de 8h desta quinta-feira (4) uma sequência de tuítes nos quais comunica a suspensão de sua candidatura presidencial em reação à votação da bancada do PDT na Câmara pela aprovação da PEC dos Precatórios, na noite desta quarta: “Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios. A mim só me resta um caminho : deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. Não podemos compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas. Justiça social e defesa dos mais pobres não podem ser confundidas com corrupção, clientelismo grosseiro, erros administrativos graves, desvios de verbas, calotes, quebra de contratos e com abalos ao arcabouço constitucional”. Os deputados do PDT traíram um acordo feito com a oposição e votarem com Bolsonaro. Dois 21 deputados pedetistas, 15 votaram a favor da PEC, que foi aprovada por apenas cinco votos. As bancadas do PT, PSOL e PC do B votaram integralmente contra a PEC. Veja a sequência postada por Ciro Gomes na qual ele anuncia a suspensão da candidatura: A mim só me resta um caminho: deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. — Ciro Gomes (@cirogomes) November 4, 2021 PCdoB: ‘firme e corajosa posição de Ciro contra a PEC do Calote’ O deputado Orlando Silva, do PCdoB, classificou com firme e corajosa a posição de Ciro Gomes (PDT) contrária à PEC do Calote aprovada na Câmara. Ciro suspendeu sua pré-candidatura à Presidência da República até que a bancada do PDT na Câmara reveja seus votos dados à proposta do presidente Jair Bolsonaro na PEC 23/21, que foi aprovada por apenas 4 votos a mais do quórum necessário. “A firme e corajosa negativa de Ciro Gomes à PEC do Calote contribui imensamente para derrotar o projeto”, homenageou Orlando Silva, em nome do PCdoB, que não deu nenhum voto à PEC do Calote. “Além disso, pode inspirar outros presidenciáveis a se engajarem pela reversão de votos. Se acontecer, viraremos o jogo, mais uma vez apostando na frente ampla antibolsonaro”, completou o deputado vermelho. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, informou na manhã desta quinta (04/11) que ingressou com uma ação no STF contra a autorização do Presidente da Câmara, Arthur Lira, para que 23 parlamentares, em viagem, votassem remotamente na PEC dos Precatórios. O diabo é que em meio nessa confusão, em que Ciro suspendeu a candidatura, criou-se a tempestade perfeita para a bancada do PDT. Os parlamentares pedetistas há muito já tinham abandonado o projeto presidencial próprio porque ele não decolou. Ciro Gomes não consegue os dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto e não empolga a bancada no Congresso. Em síntese, a votação do PDT com o governo é a janela que Ciro precisava para sair da disputa de 2022. Ele agora tem a desculpa ideal para fugir do fiasco eleitoral que se avizinha. (Esmael Morais) Haddad: PDT deu cheque de R$ 90 bilhões para a reeleição de Bolsonaro O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), indignado, disse que o PDT deu um cheque de R$ 90 bilhões para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro ao votar favoravelmente à PEC do Calote. “Em 2018, 3 dos 4 candidatos do PDT a governador que foram para o 2° turno declararam voto no Bolsonaro”, recordou o petista, que vai disputar o governo de São Paulo no ano que vem. Segundo Haddad, o partido de Ciro Gomes assinou um cheque de R$ 90 bilhões para viabilizar a reeleição de Bolsonaro. “Não sei se tem conserto. Estrago monumental!”, criticou Fernando Haddad. Em 2018, 3 dos 4 candidatos do PDT a governador que foram para o 2° turno declararam voto no Bolsonaro. Hoje, o partido assinou um cheque de R$ 90bi para viabilizar sua reeleição. Não sei se tem conserto. Estrago monumental! — Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) November 4, 2021

Com votos do PDT, Câmara dos Deputados aprova em 1º turno PEC do Calote

Com receio de que, por falta de quorum e de votos a favor, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 23/21, dos Precatórios, também chamada de PEC do Calote, não fosse votada nesta quarta-feira (3), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), manobrou mudando o regimento para autorizar a votação a distância e colocou a medida na pauta no início da noite. A pressão também veio do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que ameaçou cortar emendas impositivas de quem não apoiasse a PEC, apesar do pagamento dessas emendas ser obrigatório. O texto obteve 312 votos contra 144 no primeiro turno da votação. PECs precisam ser aprovadas em dois turnos na Câmara por pelo menos 308 votos e mais duas votações no Senado para ser aprovadas. Ainda é preciso concluir a votação da matéria em 1º turno na Câmara. Para isso, os deputados precisam analisar os destaques apresentados pelos partidos na tentativa de mudar trechos da proposta. Não há ainda data definida para essa sessão. O texto-base do relator Hugo Motta (Republicanos-PB) limita o valor de despesas anuais com precatórios, corrige seus valores exclusivamente pela Taxa Selic e muda a forma de calcular o teto de gastos. A PEC viabiliza o lançamento do programa Auxílio Brasil de R$ 400, com o qual o governo Bolsonaro pretende substituir o Bolsa Família. Precatórios são dívidas da União que a Justiça manda pagar a aposentados, pensionistas, servidores e entes públicos que entraram com ações para questionar valores de pagamentos de benefícios, salários ou de repasses de recursos. O calote de pelo menos R$ 16 bilhões do total de R$ 89,1 bilhões em precatórios que o governo federal quer dar em 2022 são, por exemplo, de dívidas da União com os Estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Amazonas relacionadas ao antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), substituído pelo Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb) e atinge professores e professoras. De acordo com o texto aprovado, os precatórios para o pagamento de dívidas da União relativas ao antigo Fundef deverão ser pagos com prioridade em três anos: 40% no primeiro ano e 30% em cada um dos dois anos seguintes. Essa prioridade não valerá apenas contra os pagamentos para idosos, pessoas com deficiência e portadores de doença grave. Precatórios são dívidas do governo com sentença judicial definitiva, podendo ser em relação a questões tributárias, salariais ou qualquer outra causa em que o poder público seja o derrotado. Segundo nota da Consultoria de Orçamento da Câmara, do total de precatórios previstos para pagamento em 2022, 26% (R$ 16,2 bilhões) se referem a causas ganhas por quatro estados (Bahia, Ceará, Pernambuco e Amazonas) contra a União relativas a cálculos do antigo Fundef. Parte dos recursos deve custear abonos a professores. Folga orçamentária A redação aprovada engloba o texto da comissão especial segundo o qual o limite das despesas com precatórios valerá até o fim do regime de teto de gastos (2036). Para o próximo ano, esse limite será encontrado com a aplicação do IPCA acumulado ao valor pago em 2016 (R$ 19,6 bilhões). A estimativa é que o teto seja de quase R$ 40 bilhões em 2022. Pelas regras atuais, dados do governo indicam um pagamento com precatórios de R$ 89 bilhões em 2022, frente aos R$ 54,7 bilhões de 2021. Segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, cerca de R$ 50 bilhões devem ir para o programa Auxílio Brasil e R$ 24 bilhões para ajustar os benefícios vinculados ao salário mínimo. Prioridade Para calcular o novo limite final de precatórios a pagar em cada ano deverá ser aplicado o IPCA acumulado do ano anterior e deste valor encontrado serão descontadas as requisições de pequeno valor (até 60 salários mínimos no caso da União). Os precatórios continuam a ser lançados por ordem de apresentação pela Justiça e aqueles que ficarem de fora em razão do limite terão prioridade nos anos seguintes. O credor de precatório não contemplado no orçamento poderá optar pelo recebimento em parcela única até o fim do ano seguinte se aceitar desconto de 40% por meio de acordo em juízos de conciliação. No caso de 2022, os valores não incluídos no orçamento para esse tipo de quitação serão suportados por créditos adicionais abertos durante o próximo ano. As mudanças valem principalmente para a União, mas algumas regras se aplicam também aos outros entes federados, que continuam com um regime especial de quitação até 2024 (Emenda Constitucional 99/17). Fora do teto Os precatórios pagos com desconto não serão incluídos no limite anual dessa despesa no orçamento e ficarão de fora do teto de gastos. Essas exclusões se aplicam ainda àqueles precatórios para os quais a Constituição determina o parcelamento automático se seu valor for maior que 15% do total previsto para essa despesa no orçamento. De igual forma, ficarão de fora do teto e do limite os precatórios de credores privados que optarem por uma das seguintes formas de uso desse crédito: – para pagar débitos com o Fisco; – para comprar imóveis públicos à venda; – para pagar outorga de serviços públicos; – para comprar ações colocadas à venda de empresas públicas; ou – para comprar direitos do ente federado na forma de cessão (dívidas a receber de outros credores, por exemplo), incluindo-se, no caso da União, a antecipação de valores devidos pelo excedente em óleo nos contratos de partilha para a exploração de petróleo. O texto de Motta também deixa de fora do limite anual e do teto de gastos as despesas com precatórios usados pela União e demais entes federativos em quatro tipos de compensação: – contratos de refinanciamento; – quitação de garantia executada se concedida a outro ente federativo; – parcelamentos de tributos ou contribuições sociais; e – obrigações decorrentes do descumprimento de prestação de contas ou de desvio de recursos. Essas compensações são direcionadas principalmente a estados e municípios que têm dívidas refinanciadas perante a União e participam de programas de recuperação fiscal cujos

Lula receberá em Paris, na França, o Prêmio Coragem Política 2021

A revista Politique Internationale destaca que o petista será premiado por sua gestão na Presidência do Brasil e pela perseguição que sofreu por meio da Lava Jato – O ex-presidente Lula receberá em Paris, na França, em 17 de novembro, o Prêmio Coragem Política 2021. O petista foi selecionado pela revista Politique Internationale para ser premiado. De acordo com a publicação, Lula receberá o prêmio como reconhecimento por sua gestão na Presidência do Brasil entre 2003 e 2011, “marcada pelo desejo de promover a igualdade racial e social em seu país”. A revista ainda ressalta que durante os governos Lula, 30 milhões de brasileiros saíram da pobreza. Outro motivo para a premiação é a perseguição política sofrida pelo ex-mandatário por meio da Lava Jato. A revista enfatiza “a tenacidade [resistência] exemplar que [Lula] demonstrou perante as perseguições políticas e judiciais de que foi alvo — esforços recompensados com a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular as suas condenações”. A Politique Internationale diz que Lula agora “volta a encarnar a esperança aos olhos de uma grande maioria dos seus compatriotas, decepcionados com a gestão de Bolsonaro”. O ex-presidente, de acordo com pesquisas, é o favorito para vencer as eleições de 2022. O Prêmio Coragem Política é distribuído pela revista desde 1981, sempre que reconhecem em alguma personalidade as qualidades necessárias a uma liderança. A premiação já foi concedida ao papa João Paulo II e aos prêmio Nobel da Paz Anouar el Sadate, ex-presidente do Egito, e Frederik De Klerk, ex-presidente da África do Sul.

A ofensiva doutrinária do empresariado brasileiro – Por Rudá Ricci

O cientista político Rudá Ricci escreve sobre o Brasil Paralelo, produtora de vídeos, e a ofensiva do empresariado com os bolsonaristas nas eleições de 2022. Na década de 1980 as articulações empresariais focaram na disputa no interior da constituinte. Destacaram-se nesta tarefa a Câmara de Estudos e Debates Econômicos e Sociais (CEDES), o Grupo de Mobilização Permanente (GMP), Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), a UDR. Também tiveram papel relevante no período: a União Brasileira de Empresários (UB), o Movimento Cívico de Recuperação Nacional (MCRN), o Movimento Democrático Urbano (MDU), o Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) e a Frente Nacional pela Livre Iniciativa. Muitas das ideias até hoje defendidas em programas como Ponte para o Futuro (programa do PMDB orientador do governo Temer) foram esboçadas no final da década de 1980. Havia, ainda, um discurso pelo Estado Mínimo que logo seria superado para uma postura mais agressiva, de captura de fundos públicos federais e definição da agenda estatal. Na passagem da década de 1980 para 1990, surgiram institutos e fundações empresariais voltadas para a responsabilidade social, como o Grupo de Institutos, fundações e empresas (GIFE) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Uma vertente mais social. Esta vertente logo seria abandonada, em especial, nos anos de gestão lulista, quando o empresariado nacional prioriza o embate ideológico e a ofensiva doutrinária. Nos anos 1990 surgem as articulações para elaboração de projetos estruturais e mecanismos de reconfiguração da estrutura institucional do Estado brasileiro (inaugurada em 1983, com a criação do Instituto Liberal). Esta é a virada para a atual visão de mundo empresarial. Merecem destaque o papel do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), do Instituto Atlântico, do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC). Lide foi articulada por João Dória, mobilizando a elite empresarial. A partir daí, a ofensiva empresarial para captura do Estado passa a ser constante. Nasce daí uma outra vertente: a de aliciamento de jovens universitários para as ideias ultraliberais e ultraconservadoras. Ingressamos no século XXI com a proliferação de aparelhos de difusão doutrinária liberal-conservador como o Instituto Liberal (IL), Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Instituto Liberdade, Instituto Millenium (Imil). Dentre as entidades (e think tanks) que partem para a ofensiva política, para a doutrinação e financiamento de juventudes universitárias e organização de mobilizações sociais, figuram Instituto Von Mises Brasil (IMB), Estudantes pela Liberdade (EPL), e o MBL. Há inúmeras articulações internacionais que financiam e promovem tais organizações políticas de empresários brasileiros e think tanks como as lideradas pela Tinker Foundation e Atlas Network (antes, Atlas Economic Research Foundation). A Fundação Tinker foi criada em 1959 e assessora lideranças políticas, com foco na integração da A. Latina com os EUA. Estabeleceu relações íntimas com os Institutos Liberais (do RJ e RS). Já o Atlas Network organiza oficinas, treinamentos, financia entidades ultraliberais da A.Latina e promove ações para expandir o conceito de “livre mercado”. Artigo de Kátia Gerab Baggio publicado no livro “Democracia em Crise: o Brasil contemporâneo” organizado pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da PUC Minas e Arquidiocese de Belo Horizonte, revela as linhas de financiamento para entidades estudantis brasileiras e MBL vindos do Atlas Network. Uma das articulações mais profícuas na disseminação de valores liberal-conservadores no Brasil – apoiada pelo alto empresariado de SP, RJ e RS – foi o Fórum da Liberdade, com versões anuais. O evento reúne 5 mil pessoas e possui 150 mil seguidores nas redes sociais. Jorge Gerdau é uma das figuras-chave de várias dessas articulações. Paulo Rabello de Castro foi um importante formulador de agendas disseminadas por essas articulações. Ambos gravitaram ao redor dos governos lulistas. Tais articulações parecem não entrar no radar do campo progressista. A difusão das teorias da Escola Austríaca de Economia ocorreu ao longo dessas décadas sem que se adotassem estratégias de enfrentamento teórico ou valores sociais. A formação de lideranças ultraliberais jovens e envolvimento de jornalistas se deu a partir daí e não recebeu atenção das forças progressistas ou de esquerda. Tudo ficou confinado nas disputas setorizadas, nas frentes estudantis. Um erro crasso. Uma ilustração dessa ofensiva foi o “Colóquio Instituto Liberdade 2008/2009”, articulado com a Faculdade de Administração, Contabilidade, Economia, Hotelaria e Turismo da PUC-RS. Bolsas de estudos e publicação de artigos juvenis em revistas ultraliberais se multiplicaram. A articulação de Hélio Beltrão com a Rede Globo se conformou a partir dessa ofensiva política e doutrinária que citei. Hélio é filho do ex-ministro do governo militar e irmão de Maria Beltrão, da Globonews. Enfim, neste momento, o bolsonarismo articula uma ofensiva similar ao que descrevi em relação ao pensamento liberal-conservador financiado pelo alto empresariado brasileiro. Agora, com o foco nos valores da extrema-direita. Brasil Paralelo tentou doutrinar nas universidades, à semelhança do que os institutos liberais fizeram nas duas primeiras décadas deste século. A tentativa se frustrou. Não desistiram e, agora, avançam sobre 300 favelas brasileiras. Hora de abrirmos os olhos

Bolsonaro diz na Itália que Lula é ligado ao tráfico – Por Fernando Brito

A valentia do ministro Alexandre de Moraes, ao dizer no mesmo dia em que votava pelo arquivamento da ação contra a chapa Bolsonaro-Mourão – mesmo reconhecendo que houve disparo sistemático nas redes sociais de noticias falsas para beneficiá-lo – que, agora, quem disseminasse “fake news” seria punido e até preso, já tem uma primeira chance de mostrar que não é falsa e hipócrita. Na sua viagem ridícula à Itália, Jair Bolsonaro deu uma entrevista à TV SkyTG24 onde afirma que Lula tem ligações com o narcotráfico”, com conta de supostas ligações de um ex-militar venezuelano que estaria metido com o tráfico e contatos com as Farc colombianas. ” Sua [de Lula] liderança política começou quando ele teve contato com as FARC colombianas e a partir desse momento começou essa relação com o narcotráfico”. Lula, como se sabe, tem liderança política nacional desde 1978 e das greves dos metalúrgicos do ABC. A história é um disparate, que já foi desmascarado como boato, notícia infundada construída apenas por uma militante da extrema-direita espanhola, que fez um “espalha” de acusações sem provas dirigentes de esquerda de seu país, de Portugal e da América Latina, com aqueles termos bem lavrados para produzir medo: “narcoterroristas”. Embora tenha sido no avião da comitiva de Jair Bolsonaro que se encontraram 39 quilos de cocaína, o presidente do Brasil sente-se livre para espalhar a nova versão estupefaciante da “mamadeira de piroca” de 2018. Por ter sido proferida no exterior, há certa dificuldade em interpelar judicialmente o ex-capitão, mas isso é possível e provavelmente vai acontecer. Vamos ver se o Dr. Moraes falou para valer. Ou alguém duvida que isso seja uma avant première da campanha de 2022? Via Tijolaço

Os méritos e as duas lacunas da CPI – Por Jeferson Miola

“Guerras se enfrentam com especialistas, sejam elas bélicas ou sanitárias. A diretriz é clara: militares nos quartéis, e médicos na saúde. Quando se inverte, a morte é certa. E foi isso que, lamentavelmente, parece ter acontecido”. Relator Renan Calheiros, na sessão inaugural da CPI, 27/4/2021 É a primeira vez que um presidente da República é indiciado por crimes contra a humanidade, por crimes de responsabilidade e por outros 8 tipos penais suficientes para condenar Bolsonaro ao enjaulamento por 30 anos – a pena máxima permitida no Brasil – nos tribunais nacionais e internacionais. Não é trivial uma CPI pedir a responsabilização de ministros e ex-ministros de Estado, agentes públicos, deputados, senadores, governador e secretário de Estado, dirigentes partidários, médicos, militares, policiais, diplomatas e empresários por crimes variados. O relatório da CPI que pede o indiciamento de Bolsonaro e 79 bolsonaristas não é uma mera peça de propaganda e instrumento de luta política. Está ancorado em robustas provas documentais, factuais e testemunhais. A prova mais potente e convincente é o morticínio programado de cerca de 400 mil brasileiros e brasileiras que, de acordo com epidemiologistas, poderiam ter suas vidas preservadas se os indiciados pela CPI não tivessem agido criminosamente – ou seja, do modo culposo e/ou doloso como agiram. Só pela responsabilização civil e criminal dos integrantes desta engrenagem macabra a CPI da COVID já terá valido a pena. A função humanitária da CPI, entretanto, tem um alcance ainda maior. A Comissão conseguiu interromper a tendência crescente e a velocidade de crescimento da hecatombe humana que poderia ultrapassar a casa do milhão de vítimas humanas do desatino governamental. No curso da investigação, a CPI estancou o esquema corrupto de propina da infantaria do general Pazuello no Ministério da Saúde, obrigou o governo militar a trabalhar pela viabilização das vacinas e constrangeu a continuidade do funcionamento da máquina de horror inspirada nos experimentos nazistas de Auschwitz. Em outra frente, a CPI desnudou a maquinaria que funcionava no porão do Palácio do Planalto articulando agentes do gabinete do ódio, propagadores de teses negacionistas, charlatães religiosos, dirigentes do Conselho Federal de Medicina, acadêmicos, clínicas médicas, políticos e empresários. Ao lado disso, porém, é preciso constatar duas lacunas essenciais da Comissão Parlamentar. A principal delas é a não responsabilização dos comandos das Forças Armadas, em especial do Exército, que [1] teve papel central na gestão desastrosa, irresponsável e criminosa da pandemia por meio de um general da ativa designado pelo Comandante do Exército, e cujo laboratório [2] produziu industrialmente cloroquina e disseminou a distribuição desta droga comprovadamente ineficaz nas comunidades indígenas. O saldo líquido desta guerra perdida pelo partido militar em 18 meses é maior que as baixas de 10 guerras do Paraguai, que durou 6 anos. Ao que parece, deu certo a estratégia do partido dos generais para se safar da CPI. Como já dissemos, a CPI acertou nos alvos secundário e terciário, que são o presidente Jair Bolsonaro e o general Eduardo Pazuello, mas tangenciou o alvo principal da cadeia de responsabilidades pelo genocídio de mais de 600 mil brasileiros e brasileiras, que é o partido dos generais. A outra lacuna diz respeito à não tipificação do crime de genocídio. Se em relação aos cerca de 400 mil “homicídios evitáveis” seria juridicamente problemático responsabilizar Bolsonaro por genocídio, em relação aos povos indígenas esta tipificação seria totalmente aplicável. A Convenção da ONU de 1948, internalizada no ordenamento jurídico brasileiro em 1956 por meio da Lei nº 2.889, caracteriza genocídio como “a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial”. O relatório da CPI não é nenhuma garantia de punição, justiça e restauração democrática, principalmente quando se sabe que no meio do caminho da justiça e da democracia do Brasil têm pedras que atendem pelos nomes de Augusto Aras e Arthur Lira, o vassalo do banqueiro André Esteves. O relatório da CPI, neste sentido, não encerra o ciclo de terror do país, mas abre uma etapa nova da luta democrática e de combate à ameaça fascista-militar. Os senadores e as senadoras de diferentes matizes ideológicas que na CPI se postaram ao lado da democracia, da humanidade e da ciência merecem aplausos. Publicado primeiramente no blog de Jeferson Miola Os méritos e as duas lacunas da CPI

CPI do Genocídio aprova relatório e indicia Bolsonaro por crime contra a humanidade

Os membros da CPI do Genocídio aprovaram nesta terça-feira (26), por 7 a 4, o relatório final que acusa o presidente Jair Bolsonaro de 9 crimes. Acusações contra Bolsonaro vão de charlatanismo a crimes contra a humanidade. Votaram a favor do relatório os senadores: Omar Aziz (PSD/AM), Randolfe Rodrigues (Rede/AP), Renan Calheiros (MDB/AL), Eduardo Braga (MDB/AM), Tasso Jereissati (PSDB/CE), Otto Alencar (PSD/BA) e Humberto Costa (PT/PE). Votaram contra: Luis Carlos Heinze (PP/RS), Eduardo Girão (Podemos/CE), Marcos Rogério (DEM/RO) e Jorginho Mello (PL/SC). “Esse país vai superar esse momento”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, em discurso de encerramento dos trabalhos. “Esse relatório foi esperado como resposta a um clamor de milhões de brasileiros desde que a pandemia nos assolou”, afirmou. Ao realizar a leitura do texto final, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que “foi um relator da vontade majoritária”. “Vimos crimes aterradores, barbaridades desumanas, o escárnio com a vida, o desprezo com a dor. Esse período será tristemente lembrado como o de maior rebaixamento civilizatório do Brasil. Este documento nos redime em parte, mas as atrocidades cometidas por esse governo não serão esquecidas”, afirmou. “Nós não esqueceremos. O Brasil é o sétimos país na relação de mortes por milhão de habitantes, com 2,819 óbitos por milhão. O caos do governo Jair Bolsonaro entrará para a história como o mais baixo degrau da indigência humana e civilizatória. Reúne o que há de mais rudimentar, infame e sombrio da humanidade. [Bolsonaro] sabotou a ciência, é despreparado, desonesto, caviloso, arrogante, autoritário, com índole golpista, belicoso, mentiroso e agiu como um missionário enlouquecido para mantar o próprio povo. Há um homicida no Palácio do Planalto”, completou Calheiros. O relator destacou que a trajetória de Bolsonaro é “marcada pela pulsão de morte, pelo desejo de exterminar adversário, armar a população e cultuar carniceiros assassinos”. Calheiros citou Brilhante Ustra, Augusto Pinochet, Alfreto Strossner e Adolf Hitler e disse que Bolsonaro está ao lado deles na “galeria de facínoras da história”. “É passada a hora de encerrar essa noite macabra que enluta o país dolorosamente”, finalizou. CPI acusa Bolsonaro por 9 crimes Os crimes imputados a Bolsonaro no relatório são: crime de epidemia com resultado de morte (até 30 anos de prisão); infração de medidas sanitárias preventivas (até 1 ano de prisão); charlatanismo (até 1 ano de prisão); incitação ao crime (até 6 meses de prisão); falsificação de documento (até 5 anos de prisão); emprego irregular de verba pública (até 3 meses de prisão); prevaricação (até 1 ano de prisão); e crimes contra a humanidade (até 40 anos de prisão). Somando as penas de todas as imputações, caso Bolsonaro seja julgado e condenado, a pena total chega a 78 anos e 9 meses de prisão. Se o presidente for condenado à pena mínima de cada crime, o tempo de prisão é de 21 anos e 11 meses. Veja AQUI a lista dos indiciados da CPI da Pandemia, segundo o relatório de Renan Calheiros Leia AQUI o relatório final após as últimas alterações dos senadores    

Clã da mentira: após Carluxo, Eduardo endossa fake news do pai sobre Aids e vacina

Contorcionismo retórico infantil dos filhos do presidente procura induzir à ideia que a bizarra história que liga imunização contra a Covid ao vírus HIV, dita em live, tem algum fundo de verdade. Eles atribuem “informação” à imprensa É impressionante a disposição dos filhos de Jair Bolsonaro em defender as ações e falas mais absurdas do pai. Após o episódio bizarro em que o presidente da República disse numa live transmitida pelas redes sociais que a vacinação contra a Covid-19 faz com que imunizados com as duas doses desenvolvam Aids, seus rebentos seguem promovendo um contorcionismo retórico infantil para tentar, de alguma maneira, dar razão ao chefe do clã diante de uma mentira esdrúxula e repudiada em todo o planeta. “Mais um dia em nossa imprensa… Após o presidente ler a primeira matéria em live, a revista publicou texto dizendo que seu próprio conteúdo é mentiroso”, diz a postagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), no Twitter, fazendo menção à Revista Exame. Não se sabe exatamente onde o parlamentar filho do presidente quer chegar com a mensagem, já que a informação é absolutamente falsa. Se a intenção é imputar a notícia mentirosa à Exame, o tiro parece ter saído pela culatra, já que inúmeros internautas lembraram que seu pai não retirou essa ligação entre HIV e vacina do referido veículo, mas sim de uma famosa página de fake news em inglês muito utilizada pelo bolsonarismo. “Deputado Eduardo Bolsonaro, novamente vossa excelência MENTE! Seu pai NÃO LEU a matéria da revista Exame citada em seu tweet. Ele leu a matéria MENTIROSA de um site chamado “Before It’s News” que é conhecido por espalhar fake news. Não adianta tentar mudar os fatos”, rebateu o perfil Desmentindo Bolsonaro, que tem 249 mil seguidores. “Instabilidade econômica, debandada do Ministério da Economia, Guedes a favor do rombo no teto, disparada de preços da Petrobrás e etc. Cortina de fumaça e a certeza da impunidade (alguém é bem pago para isso)”, atacou um outro. “O mau-caratismo nessa Familícia é hereditário”, opinou uma internauta. Carluxo também referenda mentira O vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), conhecido por suas teses estapafúrdias e pelo texto prolixo e incompreensível, já havia ido às redes, no domingo (24), para tentar defender o pai diante do escândalo da fake news da vacina que provoca Aids. Ele usou o mesmo argumento falso que o irmão Eduardo, imputando a informação sem nexo à Revista Exame, mesmo com a confirmação na própria live presidencial de que a informação mentirosa tinha sido extraída do site “Before It’s News”. “A que nível chega o $istema: o ‘meio de comunicação do bem’ chamado Exame divulga a informação e o atacado é quem leu sua matéria! O alvo será a revista ou o leitor? Precisa responder? Tem método!”, postou o vereador que comanda as redes sociais do chefe de Estado brasileiro, com o habitual texto quase ininteligível. Os seguidores também não deixaram por menos e retrucaram a tentativa de dar algum crédito à inverossímil história propaganda por seu pai. “Cara, cê é podre mesmo… mas lembre-se que, diferentemente de seu gado, aqui tem gente que sabe ler e pensar”, disse um. Outro usuário advertiu Carluxo que, mesmo que versão do pai tivesse sido extraída da edição da Exame, a informação que consta na matéria da revista brasileira não tem qualquer relação com a versão apresentada por Jair Bolsonaro na transmissão da última quinta (21). “Meu caro vereador do Planalto, o senhor é analfabeto ou só sentiu preguiça de ler a matéria? E se for um assessor usando a conta, você não sente vergonha por fazer um trabalho sem se dignar a passar por uma triagem antes de publicar?”, respondeu. Revista Fórum

Vaza áudio do banqueiro André Esteves, que revela como ele influi na Câmara e no BC

O banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, teve um áudio vazado que mostra a influência que ele tem sobre o presidente da Câmara, Arthur Lira. E também sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Dono também da revista Exame, André relatou que Lira o telefonou na semana passada, quando vários secretários de Paulo Guedes pediram demissão. “Como é que faz?”, questionou o presidente da Câmara. André aproveitou para elogiar o Centrão. “Tenho mais respeito por este centro político do que nós de São Paulo”, comentou. Além da influência sobre Arthur Lira, dono do BTG Pactual falou sobre outros assuntos Durante uma hora, André Esteves fez outras observações. Ele criticou a ex-presidente Dilma Rousseff e elogiou Michel Temer. Também comparou o impeachment da petista com o golpe militar de 1964. O banqueiro relatou que a moeda brasileira está muito desvalorizada e opinou sobre as eleições de 2022. Na opinião dele, Bolsonaro é favorito, mas precisa ficar “calado” para poder vencer. Também comentou que Lula poderá derrotar o bolsonarismo, desde que se fique mais perto do centro. Afirmou que o petista precisa se aproximar de Henrique Meirelles. Mas não escondeu que seu desejo é que o PSDB vença. Escute o áudio completo abaixo: André Esteves tem fortuna de US$ 8 bilhões e dinheiro em paraísos fiscais O líder do PT na Câmara Bohn Gass  lembra que que “influencer econômico do governo Bolsonaro” lucra com o dólar alto “Oito bilhões de dólares! Esta é a fortuna do cara que manda na política econômica em tempos de Bolsonaro: André Esteves, banqueiro que, como Paulo Guedes, também tem dinheiro em paraíso fiscal. Ou seja, para o ‘influencer’ econômico do governo Bolsonaro, dólar alto é um grande negócio”, escreveu o deputado Bohn Gass (PT-RS).

Pela primeira vez Facebook e Instagram derrubam mentiras de Bolsonaro

Bolsonaro afirmou durante live em 21 de outubro que “vacinados [contra a Covid] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]” Na noite deste domingo (24), o Facebook derrubou a live semanal de Jair Bolsonaro transmitida na última quinta-feira (21). O vídeo não está mais disponível nem no Facebook nem no Instagram. De acordo com a empresa, o motivo para a exclusão foram as políticas relacionadas à vacina da Covid-19. “Nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de Covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas”, informa a Folha de S.Paulo. Bolsonaro afirmou durante live em 21 de outubro que “vacinados [contra a Covid] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]”. Ele leu uma notícia falsa alertando para o suposto perigo. Médicos afirmam que a associação entre a vacina contra o coronavírus e a transmissão do HIV, o vírus da Aids, é falsa e inexistente. Esta é a primeira vez que a empresa remove uma live semanal de Jair Bolsonaro.