Veríssimo: no condomínio de Bolsonaro, Batman e Coringa são quase vizinhos

“Quem se espanta com a presença do suposto assassino da Marielle morando tão perto de um presidente da República vai se espantar ainda mais com a revelação de que as armas — sobre as quais nunca mais se ouviu falar — tinham chegado para a milícia da zona, via Sedex, e foram recebidas pelo porteiro do condomínio”, diz o colunista Luis Fernando Verissimo Em artigo publicado nesta quinta-feira, o escritor Luis Fernando Verissimo ironiza a proximidade e a promiscuidade de Jair Bolsonaro com as milícias e o mundo do crime. “No mesmo condomínio da Barra, no Rio, onde mora o presidente da República quando não está em Brasília, mora um filho do presidente, mora um dos suspeitos de ter matado a Marielle (preso, no momento), mora o dono até agora não identificado da casa onde encontraram todas aquelas armas, moram os Três Porquinhos pobres e o Lobo Mau, que, compreensivelmente, não se falam quando se cruzam na área social do condomínio, moram Cinderela e suas irmãs invejosas, que também não podem se enxergar, e uma lista de condôminos inimagináveis que só agora começa a ser conhecida. A lista é enorme e cheia de surpresas”, diz ele. “No estranho condomínio, Batman e o Coringa são quase vizinhos. Quem se espanta com a presença do suposto assassino da Marielle morando tão perto de um presidente da República vai se espantar ainda mais com a revelação de que as armas — sobre as quais nunca mais se ouviu falar — tinham chegado para a milícia da zona, via Sedex, e foram recebidas pelo porteiro do condomínio. Mais tarde, o porteiro diria que vira o tamanho dos pacotes e as pontas de ferro aparecendo e concluíra que eram patinetes”, aponta ainda o escritor.

Acuado, o covarde presidente do STF deverá rasgar a Constituição

 Senadores de direita conversam com Toffoli e dizem que Supremo Tribunal Federal deve derrubar prisão em 2ª instância – Um grupo de 12 senadores se reuniu nesta terça-feira (5) com o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e entregou ao ministro uma carta contra a execução da pena após condenação em segunda instância. A Corte retoma a discussão sobre o tema nesta quinta, 7. O voto de Toffoli pode libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) epois e ser condenado na segunda instância. O senador Marcos do Val (Podemos-ES) saiu do encontro com a impressão de que Toffoli vai votar pela possibilidade de prisão apenas depois do esgotamento de todos os recursos (o chamado “trânsito em julgado”, em juridiquês). “O sentimento que tivemos é que o STF vai votar pelo trânsito em julgado, derrubando assim a prisão em segunda instância. O ministro disse que não vê como cláusula pétrea, portanto caberá ao Congresso a alteração no Código Penal ou na própria Constituição”, disse. “Nós que compomos os 43 senadores que assinaram a carta aberta, representando quase 70 milhões de brasileiros, iremos dar velocidade no Senado para essa alteração na Constituição dando à sociedade a resposta na continuidade do combate à corrupção, não dando portanto ao corruptos muito tempo de comemoração da provável decisão do voto de minerva do presidente (ministro Dias Toffoli)”, acrescentou. Seu relato foi publicado no jornal O Estado de S.Paulo. Ainda faltam votar quatro ministros: Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Toffoli. Já se posicionaram contra a execução antecipada da pena os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, e o relator das ações, Marco Aurélio Mello. Os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso votaram favoráveis a possibilidade de prisão após condenação em segundo grau.

10 meses de Bolsonaro: 10 escândalos que chocaram o Brasil e o mundo

 Sem motivos para comemorar, gestão do impopular presidente coleciona problemas das mais variadas naturezas: de suspeitas de corrupção à ligação com milícias Quando Jair Bolsonaro (PSL) completou 100 dias como presidente da República, os números já eram alarmantes: cortes em direitos sociais e trabalhistas, falta de políticas claras de geração de emprego e renda, fim de programas antes considerados prioritários e incontáveis crises. Agora, quando encerra o seu décimo mês à frente do cargo máximo da nação, a gestão de extrema-direita sugere futuro ainda pior diante de uma trajetória deplorável até aqui. A tragédia é tão grande que qualquer um que se disponha a enumerar os problemas nestes primeiros 10 meses deve, via de regra, delimitar a análise e ainda assim abrir mão de muitos erros cometidos desde, literalmente, o dia 1º de janeiro. Nesta lista que segue, o recorte leva em conta “apenas” os escândalos que envolvem não só o presidente como sua equipe e família. Aos que têm conseguido ânimo para acompanhar em tempo real os desdobramentos políticos do país, pode parecer pouco. Aos olhos da história, no entanto, este governo (só pelo que você verá abaixo) já pode, sim, ser considerado um completo fracasso. 1. O ministério dos criminosos e investigados Sem apresentar uma proposta sequer e ausente de todos os debates, Jair Bolsonaro construiu sua candidatura à Presidência à base de notícias falsas e promessas que, antes mesmo de assumir o cargo, já começam a ser descumpridas. A principal delas era o combate à corrupção, conforme destacou reportagem da revista Carta Capital. Sem dar a mínima para os seus próprios eleitores, o militar não só ampliou o número de ministérios prometidos como formou um time repleto de nomes com problemas na Justiça. Ao menos nove dos futuros ministros anunciados até agora são investigados ou réus em ações judiciais. A lista vai do caixa 2 confesso por Onyx Lorenzoni (DEM) ao calote no INSS do desconhecido deputado Marcelo Álvaro (PSL), que veio a ser seu ministro do Turismo. 2. A rachadinha e os funcionários fantasmas Embora tenha acontecido antes de assumir o cargo como presidente, a revelação de que Jair Bolsonaro manteve funcionários fantasmas em seu gabinete enquanto era deputado federal só veio à tona em abril deste ano. Bárbara de Oliveira Ferraz, Denise Marques Felix, Patrícia Cristina Faustino de Paula, Dulcineia Pimenta Peixoto e Mirian Melo Lessa Glycério de Castro recebiam entre R$ 1.023 e R$ 4.188 para assessorá-lo como parlamentar. O problema é que nenhuma delas apareceu uma única vez para trabalhar – as cinco secretárias sequer tinham crachá, item obrigatório para entrar no Congresso. As funcionárias fantasmas, denunciadas em reportagem publicada pela Agência Pública nesta segunda (29), engordam a lista de casos que contrariam todo o discurso de combate à corrupção que Jair usou durante a campanha eleitoral, marcada ainda pelo escândalos das fakes news. 3. As declarações machistas, misóginas, racistas… Quem ainda se lembra do bizarro caso do “Golden Shower” hoje avalia a declaração do presidente durante como um prenúncio das aberrações que viriam em seguida. Aliás, foram tantas as declarações racistas, machistas, misóginas, preconceituosas e desinformadas que fica até difícil de listar. Teve dia em que, logo no café da manhã, Bolsonaro declarou a jornalistas de veículos estrangeiros que no Brasil “passa-se mal, não come bem. Agora passar fome, não”. Teve também ataque ao Nordeste (algo que sempre fez como parlamentar): no dia 19 de julho, ao criticar os governadores da região, usou a expressão “paraíba” – termo ultrajante usado em tom pejorativo para desqualificar os nordestinos. No mesmo mês, voltou a evocar a memória da ditadura militar numa provocação ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. Bolsonaro disse saber detalhes sobre a forma como Fernando Santa Cruz, pai de Felipe, morreu. O atestado de óbito, contudo, diz que Santa Cruz foi morto por agentes da ditadura. Também teve desdém às políticas ambientais (“questão ambiental só importa aos veganos que comem só vegetais”) e o ataque medonho, infantil, misógino à primeira-dama francesa Brigitte Macron. 4. As candidaturas laranjas Entre os nove ministros com problemas na Justiça, o do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi o que viu o cerco se fechar de maneira mais aguda. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais no âmbito do inquérito da Operação Sufrágio Ostentação, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos por meio de candidaturas femininas laranjas do PSL de Minas Gerais nas eleições de 2018 – com suspeitas de que ao menos parte da verba tenha sido usada para impulsionar a campanha presidencial de Bolsonaro. Os investigadores atribuem ao ministro, que foi eleito deputado federal como o mais votado em Minas, a articulação do esquema. O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais o denunciou por três crimes envolvendo candidaturas laranja do partido em 2018 – falsidade ideológica, apropriação indébita eleitoral, pela qual o candidato se apropria de recursos destinados ao financiamento eleitoral, e associação criminosa. 5. A cocaína no avião da Presidência Com imagem internacional já em completa falência, isso ainda no mês de julho, mais uma bomba atingiu em cheio o governo federal quando um militar da Aeronáutica foi preso por porte de drogas em uma aeronave militar no aeroporto da cidade espanhola de Sevilha, onde o presidente Jair Bolsonaro faria escala na viagem rumo ao Japão . O militar era tripulante do voo que transportava a equipe avançada do presidente da República. Embora não haja qualquer indício de envolvimento de Jair com o caso, a família do mandatário da nação tratou de reavivar a história com mais, digamos, problemas: o acusado de tráfico, sargento Manoel Silva Rodrigues, entrou com processo em setembro contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL)por ter sido impedido de se defender até o momento. 6. O desmoronamento do PSL A pecha de “partido salvador da pátria” durou pouco e o PSL, como se sabe, já é o partido mais odiado do país. Isso porque o descontrolado presidente tratou de explodir a própria legenda internamente a partir de uma declaração surreal

Delegado que pediu prisão da ex-presidente Dilma é aliado de Moro

 O processo foi entendido na Câmara como um aviso de Moro a Rodrigo Maia, já que o delegado Bernardo Guidali Amaral é apontado como sendo da extrema confiança do ministro Por Renato Rovai – O pedido de prisão de Dilma Rousseff, de Renan Calheiros, Jader Barbalho, Guido Mantega, Vital do Rego Filho e Valdir Raupp é assinado pelo delegado da Polícia Federal Bernado Guidali Amaral, o mesmo que em agosto concluiu um inquérito que foi enviado no dia 26 daquele mês ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, ele apontava “elementos concretos e relevantes” de que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cometeu os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A investigação tinha como base delações premiadas de executivos da construtora Odebrecht. Além do presidente da Câmara, a acusação envolvia o seu pai, o ex-prefeito César Maia (DEM), que eram acusados de aceitarem e pedirem colaborações financeiras ilegais da Odebrecht em 2008, 2010, 2011 e 2014. O processo foi entendido na Câmara como um aviso de Moro a Rodrigo Maia, já que o delegado Bernardo Guidali Amaral é apontado como sendo da extrema confiança do ministro. O delegado é o mesmo que pediu a prisão de Dilma Rousseff e de Renan Calheiros, entre outros políticos, em processo de 161 páginas que Fórum teve acesso e que foi negado por Edson Fachin. Além da prisão temporária, o delegado pede busca e apreensão nos escritórios e nas residências dos citados. No caso de Dilma as buscas se dariam no apartamento de Porto Alegre. O processo em questão diz respeito a suposta compra de apoio do PMDB por parte da campanha da ex-presidenta na eleição de 2014. O delegado considerado como homem de confiança de Moro ainda pedia busca e apreensão nos gabinetes das autoridades citadas no caso: Ressalta-se que as medidas de busca estão sendo solicitadas também para os gabinetes dos Senadores Federais, dos Governadores de Estados e de Ministro do Tribunal de Contas da União com envolvimento nos fatos, tendo em vista a necessidade de exaurir o esforço investigativo sobre os efetivos beneficiários das condutas praticadas – ou seja projetar a investigação para além da figura dos intermediários utilizados , de modo a permitir que todos os atores do Sistema de .Justiça Criminal tenham um juízo cognitivo completo a respeito do envolvimento ou não das autoridades públicas nas práticas criminosas investigadas”, argumentou no pedido.

PF de Bolsonaro e Moro tenta prender Dilma na véspera da entrega do pré-sal

 Ao autorizar a nova fase da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin negou pedidos da Polícia Federal para prender a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB), o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (PT) e o ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rego. O pedido da PF de Sergio Moro, ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, foi feito um dia antes do megaleilão da cessão onerosa do pré-sal, que pode gerar perda de mais de US$ 300 bilhões ao País, de acordo com estudo dos engenheiros da Petrobrás. A PF sustentou ao Supremo que os alvos poderiam atrapalhar as investigações e seria necessária a prisão temporária. A Procuradoria-Geral da República foi contra o pedido da PF sob argumento de que não há elementos para justificar a restrição de liberdade. Fachin seguiu o entendimento do Ministério Público Federal. Fachin intimou os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM) a prestar depoimento no âmbito da investigação. Estão sendo investigadas supostas doações de R$ 40 milhões feitas pelo grupo Grupo J&F a senadores do MDB para as eleições de 2014. A informação partiu da delação de Ricardo Saud, que serviu como base para a instauração do inquérito. Dilma: Nota sobre o pedido de prisão da PF A ex-presidenta sempre colaborou com investigações e jamais se negou a prestar testemunho perante a Justiça Federal, nos casos em que foi instada a se manifestar É estarrecedora a notícia de que a Polícia Federal pediu a prisão da ex-presidenta Dilma Rousseff num processo no qual ela não é investigada e nunca foi chamada a prestar qualquer esclarecimento. A ex-presidenta sempre colaborou com investigações e jamais se negou a prestar testemunho perante a Justiça Federal, nos casos em que foi instada a se manifestar. Hoje, 5 de novembro, ela foi convidada a prestar esclarecimentos à Justiça, recebendo a notificação das mãos civilizadas e educadas de um delegado federal. No final da tarde, soube pela imprensa do pedido de prisão. O pedido de prisão é um absurdo diante do fato de não ser ela mesma investigada no inquérito em questão. E autoriza suposições várias, entre elas que se trata de uma oportuna cortina de fumaça. E também revela o esforço inconsequente do ministro da Justiça, Sérgio Moro no afã de perseguir adversários políticos. Sobretudo, torna visível e palpável o abuso de autoridade. Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a responsabilidade do ministro responsável pelo caso no STF, assim como do próprio Ministério Público Federal. Assessoria de Imprensa Dilma Rousseff

Lava Jato deixou Rosa Weber no escuro ao pedir apoio a investigação sobre Lula

  Ela não precisa saber… Procuradores esconderam informações de ministra do STF; força-tarefa defende sigilo para atender interesse público A reportagem da Folha, em parceria com o The Intercept, revela que os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato sonegaram, deliberadamente, da Ministra Rosa Weber, do STF, trechos da escuta feita sobre os telefones de Lula e de seu advogado, Roberto Teixeira, às vésperas da condução coercitiva que prendeu, por algumas horas, o ex-presidente no Aeroporto de Congonhas, no início de março de 2016. Tinham medo – alegavam – que as informações vazassem no Supremo Tribunal Federal – vazamento bom eram só os que faziam – e chamasse a atenção para o “bote” sobre Lula que já estava determinado por Sergio Moro e se realizaria poucos dias depois. E pedem a interferência de Moro junto à Ministra, de quem tinha sido assessor, para deixar com eles o caso: Deltan– Não tem nada de errado tentar convencer a Rosa Weber ou um diálogo com ela… e a simples publicidade vai colocá-la na parede, aí sim concordo, quanto às decisões que ela vai proferir… Não há informações para dizer que Moro fez este contato, mas fica evidente que a Lava Jato o fez, enviando o chefe de gabinete de Rodrigo Janot, Eduaro Pelella, para uma conversa com seu homólogo no gabinete de Weber: Eduardo Pelella – Informações entregues. Memoriais entregues, de novo, também. Boa conversa com o chefe de Gabinete dela. Mas o cara é fechadão Deltan– Sensacional!!!! Obrigado!!! Rosa Weber não deu a decisão liminar pedida pela defesa de Lula e, com isso, abriu espaço para a realização da espalhafatosa condução coercitiva do ex-presidente. Na prática, fica caracterizada a deslealdade processual, tanto que, ao recusar o pedido de Lula para que se sustasse as investigações até que se decidisse se o processo contra ele seria de competência da Justiça de São Paulo ou, como ficaria sendo, da de Curitiba. Mas, a esta altura, falar em lealdade e Operação Lava Jato chega a soar debochado.

O cachorro doido já amanhece enfurecido e atacando todo mundo

Jair e Carlos Bolsonaro surtam de manhã, confessam crime mais uma vez e atacam PT – Mais uma vez, Jair Bolsonaro e seu filho Carlos admitiram o crime de obstrução de Justiça nas investigações do assassinato de Marielle Franco em tweets no início da manhã desta terça-feira (5). Antes das 7h, eles já haviam confessado mais uma vez que tiveram acesso a gravações da portaria do condomínio onde moram depois de elas terem se tornado peças de uma investigação policial. E partiram para o ataque ao PT. Os tweets foram claramente coordenados, com redações quase idênticas. Os alvos da agressão do clã foram a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e os líderes do partido na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), e no Senado, Humberto Costa (PE). Ela deve-se ao fato de os três, em nome do PT, terem ingressado nesta segunda-feira (4) no STF com ação solicitando que sejam determinadas busca e apreensão de todo o material apropriado de forma ilegal por Bolsonaro e seu filho, com a realização de perícia para que sejam verificadas eventuais alterações nas provas (aqui). Veja os tweets de Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos:

SEM CONVERSA, MUDANÇA APROVADA – E o SUS vai deixando de ser universal…

 Gestores aprovam modelo de competição para o financiamento da atenção básica: proporcional aos pacientes cadastrados nas unidades e ao desempenho em certos indicadores – Por Maíra Mathias e Raquel Torres Uma “competição saudável” é o que, segundo o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, vai se instaurar na saúde a partir de 2020, com o novo financiamento da atenção básica aprovado ontem. A Comissão Intergestores Tripartite, que reúne gestores das esferas municipal, estadual e federal, deu sinal verde para a proposta do governo, anunciada pela primeira vez em meados de julho. Já havia apoio do Conasems, formado pelos secretários municipais de saúde – mas, como temos falado aqui na newsletter, o governo passou longe de fazer o debate adequado sobre isso, e sequer apresentou uma proposta formal ao Conselho Nacional de Saúde. O site do Ministérionão detalha minimamente as mudanças. Apenas diz que agora o governo vai “enviar mais recursos para quem melhorar a saúde da população”, e que o novo modelo vai ser anunciado em breve por Jair Bolsonaro. Na Folha, a repórter Natália Cancian elenca as alterações, que já eram conhecidas: o repasse de recursos pelo governo federal vai levar em conta o número de pacientes cadastrados nas unidades de saúde e o desempenho delas a partir de certos indicadores. Haverá recursos extras para locais com maior vulnerabilidade socioeconômica. O secretário de atenção primária em saúde, Erno Harzheim, diz que a medida vai aumentar a verba repassada à maior parte das cidades em R$ 2,6 bilhões. Porém… a perda estimada para os outros municípios é da ordem de R$ 290 milhões. E há uma preocupação grande por parte de especialistas pelo fato de o novo financiamento só levar em conta os usuários cadastrados, e não a população total das cidades. “É o desmonte da concepção de acesso universal do SUS”, resumiu Francisco Funcia, especialista em economia da saúde, na reportagem da Folha. Já Mandetta acredita que a medida vai estimular as unidades a cadastrarem os usuários. E, para o ministro, é bom que a remuneração venha a partir dos indicadores, já que assim os municípios vão competir para buscar melhoria no desempenho. Fica sempre aquela dúvida sobre como melhorar o desempenho sem a remuneração adequada… O Conselho Nacional de Saúde editou ontem um ofício anunciando que, na sua 325º reunião ordinária, o assunto entra como principal item da pauta. Mas, pelo calendário do órgão, esse encontro não é o próximo, nem o marcado para dezembro… No ofício, o presidente do CNS informa ainda que o governo vai enviar aos conselheiros, finalmente, documentos sobre o novo modelo de financiamento. MEDO E NOJO Em 1988, o Ministério da Saúde levou ao ar uma campanha de alerta à Aids que tinha como força motriz o medo da morte (e também um tanto de crítica moralista ao fato de as pessoas terem vários parceiros sexuais). Ela pegava carona no poema de Drummond: João que amava Tereza, que amava Raimundo… Em 2019, a Pasta resolveu ressuscitar o medo e mobilizar o asco da população na sua mais nova campanha contra as infecções sexualmente transmissíveis (IST). Ao custo de R$ 15 milhões, a publicidade mostra pessoas jovens fazendo caretas de nojo e espanto diante das telas de seus celulares. Cada um dos personagens está olhando imagens de uma doença diferente: gonorreia, herpes genital, sífilis, cancro mole, etc. O slogan? ‘Sem camisinha você assume o risco’. “Quem fez a campanha não estuda, não entende IST e não segue as estratégias mais modernas de prevenção. Preferem apostar no medo e na culpa”, criticou Rico Vasconcelos, médico infectologista da USP, em entrevista ao Estadão. “Ao investir no medo, no nojo, o resultado mais simples é que pessoas se afastem de informações relacionadas à doença e à prevenção”, afirmou Veriano Terto, vice-presidente da Associação Interdisciplinar de Aids, também ao jornal. Para o ministro Mandetta, contudo, a campanha é “instigante”. Os especialistas ouvidos pelo Estadão também apontam que a campanha tem um problema de informação. Em primeiro lugar, ela não segue o manual do próprio Ministério da Saúde sobre o assunto, que preconiza que a estratégia mais eficiente em esforços do tipo é a prevenção combinada, que enfatiza a testagem e o tratamento na população. A lógica é que quanto menos pessoas infectadas, menor o risco de contaminação. Em segundo lugar, a nova campanha é considerada desonesta porque há infecções que são transmitidas mesmo com o uso de camisinha, caso da herpes e do HPV. “Se você considerar o sexo oral, que menos de 2% das pessoas fazem com preservativo, os riscos são ainda mais expressivos. Pessoas podem pegar com essa prática desprotegida clamídia ou herpes”, lembrou Rico Vasconcelos. “Para falar sobre estratégias combinadas é preciso falar sobre sexualidade, e é algo que o Ministério quer evitar”, concluiu, por sua vez, Veriano Terto. ADEUS AO ALERTA Já faz um tempo que a Anvisa anunciou seu novo marco legal para classificar e rotular agrotóxicos. A principal alteração é nos critérios que levam a definir um produto como “extremamente tóxico” – agora, só entram aí substâncias que trazem risco de morte. Com isso, centenas de substâncias antes consideradas extremamente tóxicas mudaram de status. Inclusive o produtos formulados à base de glifosato, segundo levantamento da Agência Pública: antes, 24 desses produtos eram considerados extremamente tóxicos. Agora, nenhum. Ao todo, 93 venenos à base do herbicida tiveram sua classificação de toxicidade reduzida, e apenas três se mantiveram na mesma classe. “Esse alerta vai sair da embalagem do glifosato, um produto que pode corroer a córnea. A embalagem agora será igual a de qualquer produto de uso doméstico. Estamos seguindo contra todos os alertas que o mundo está abrindo para o glifosato”, afirma Luiz Cláudio Meirelles, pesquisador da Fiocruz, na reportagem. Temos visto aqui como a Bayer, atualmente dona da Monsanto, responde hoje a mais de 18 mil ações que responsabilizam o glifosato pelo desenvolvimento de tumores. A Europa discute retirá-lo do mercado, o que já aconteceu na Áustria. PRAZO NOVO O vice-presidente Hamilton Mourão, que estava no exercício da Presidência durante a

Quem matou Marielle Franco? Bolsonaro mandou Queiroz destruir o celular

Além de obstruir as investigações sobre o caso Marielle Franco, Jair Bolsonaro também determinou que Fabrício Queiroz desse um sumiço no seu aparelho celular, segundo revela neste domingo o colunista Lauro Jardim 3 de novembro de 2019, 06:05 h Atualizado em 3 de novembro de 2019, 08:41 “Em janeiro, um mês depois de o caso Fabrício Queiroz/Flávio Bolsonaro espoucar, Jair Bolsonaro mandou um emissário de confiança dar a seguinte instrução ao ex-faz-tudo da família: que Queiroz jogasse o aparelho de celular fora e comprasse uma nova linha. E assim foi feito”, informa o jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no Globo. – Jair Bolsonaro afirmou a um grupo de jornalistas que interferiu diretamente nas investigacões sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco, ao pegar a gravação na portaria de seu condomínio para que não fosse adulterada. Recentemente, um dos suspeitos de assassinar Marielle Franco, Élcio Queiroz, teve entrada liberada na casa de Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, depois de dizer que iria na casa 58 – a de Jair Bolsonaro – e não a de Ronnie Lessa, outro suspeito do assassinato. “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro, numa confissão que revela sua interferência direta no caso.

Promotora bolsonarista “pede para sair” da investigação do assassinato de Marielle

 A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho pediu o afastamento das investigações sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. O motivo foi a preferência política bolsonarista claramente expressa pela procuradora nas redes sociais. Com a associação do nome do presidente Bolsonaro ao crime, a atuação de Carmem ficou insustentável. A Corregedoria-Geral do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurou procedimento para análise das postagens de Carmen. Ela inda publicou uma carta aberta jurando imparcialidade. Mas não explicou porque ela e suas colegas correram para negar o envolvimento do presidente e de sua família no caso. Com informações do G1. Promotora bolsonarista do caso Marielle defende a escravidão A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio de Janeiro, defende a escravidão. Para ela, o combate ao crime passa pelo combate à “ideologia abolicionista”. Carmem pediu o afastamento das investigações sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes após ser revelada sua militância bolsonarista. No vídeo a seguir, ela ainda diz que não acredita que a criminalidade seja fruto das desigualdades sociais. Confira aqui