Corporativismo do CNMP estimula a impunidade de seus pares

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aplicou apenas uma advertência ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, após ele afirmar que ministros do Supremo Tribunal Federal estavam mandando uma “mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”. Dallagnol fez referência à decisão que retirou do então juiz Sérgio Moro trechos de delações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Guido Mantega. Por enquanto, Deltan Dallagnol é o símbolo da impunidade no Brasil. Apesar dos gravíssimos desvios de conduta, inclusive com a prática de crimes, foi “punido” com mera advertência pelo CNMP, com direito a elogios, e continua a frente da Lava Jato. Escreveu no seu Twitter, o advogado e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous Sem nomear, o procurador fez referência aos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, que votaram a favor da decisão na Segunda Turma do STF. As declarações foram dadas em agosto em uma entrevista concedida à rádio CBN: “Os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha assim que manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”, disse o procurador. “Objetivamente, Milton [Young, jornalista da CBN] , eu não estou dizendo que estão mal-intencionados nem nada, estou dizendo que objetivamente a mensagem que as decisões mandam é de leniência. E esses três de novo olham e querem mandar para a Justiça Eleitoral como se não tivesse indicativo de crime? Isso para mim é descabido”, declarou à época.

Lewandowski diz que uso indiscriminado de LSN pode levar a impeachment

 – O emprego das Forças Armadas em operações para garantia da lei e da ordem pode “prestar-se a sufocar franquias democráticas”, alerta o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. Segundo ele, Jair Bolsonaro “sujeita-se a processo de impeachment caso venha a atentar contra o exercício dos direitos políticos, individuais ou sociais” – – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski criticou o presidente Jair Bolsonaro por seu Projeto de Lei (PL) que propõe excludente de ilicitude em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ameaçando o retorno do uso de práticas ditatoriais no país. Em texto opinativo publicado na Folha de S.Paulo nesta terça-feira (26), o ministro diz que o emprego das Forças Armadas em operações para garantia da lei e da ordem pode “prestar-se a sufocar franquias democráticas”. Lewandowski ainda acrescenta que, com tal medida, o presidente sujeita-se a processo de impeachment “caso venha a atentar contra o exercício dos direitos políticos, individuais ou sociais, extrapolando os rigorosos parâmetros que norteiam a atuação presidencial naquelas situações”. O ministro também lembra que a tortura está definida na legislação ordinária, inclusive na Lei de Segurança Nacional (LSN) de 1983, a qual Bolsonaro pode tentar validar através de seu Projeto de Lei. No entanto, Lewandowski alerta que “os autores —diretos ou mediatos— desses seríssimos crimes, embora passados anos ou décadas, uma vez restaurada a normalidade institucional, podem ser levados às barras dos tribunais”. Na noite desta segunda-feira (25), Bolsonaro admitiu que quer usar o PL apresentado por ele na semana passada, que abranda e até retira punições de militares e outros policiais durante operações de Garantia da Lei e da Ordem, para reprimir com violência protestos que venham ocorrer no Brasil semelhantes aos que tomam as ruas chilenas.

Arnaldo Antunes canta realidade distópica da era Bolsonaro em novo clipe

 – Com imagens captadas pela Mídia Ninja de manifestações reprimidas com bombas, cassetetes e tiros, Arnaldo cita versos que parecem tirados de um pesadelo – O cantor e compositor paulistano Arnaldo Antunes acaba de lançar, neste final de semana, no YouTube, o impactante clipe de sua canção “O real existe”, apresentada ao público no começo do mês. Com imagens captadas pela Mídia Ninja de manifestações reprimidas com bombas, cassetetes e tiros, Arnaldo cita versos que parecem tirados de um pesadelo. Neles, o compositor repete de maneira irônica que autoritarismo, sectarismo, xenofobia, fanatismo, nada disso existe. Na conclusão de cada um deles, ele canta: “bruxa, fantasma, bicho papão, monstro, vampiro, assombração. O real resiste”. “O real resiste” é a primeira canção a ser divulgada do álbum “RSTUVXZ”, todo com composições inéditas, que o artista gravou entre julho e agosto deste ano de 2019, no estúdio paulista Canto da Coruja, em Piracaia (SP), com produção musical dividida entre Gabriel Leite e o próprio Arnaldo Antunes. Veja o clipe e a letra de O real resiste abaixo: O real resiste (Arnaldo Antunes) Autoritarismo não existe Sectarismo não existe Xenofobia não existe Fanatismo não existe Bruxa fantasma bicho papão O real resiste É só pesadelo, depois passa Na fumaça de um rojão É só ilusão, não, não Deve ser ilusão, não não É só ilusão, não, não Só pode ser ilusão Miliciano não existe Torturador não existe Fundamentalista não existe Terraplanista não existe Monstro vampiro assombração O real resiste É só pesadelo, depois passa Múmia zumbi medo depressão não, não, não, não não, não, não, não não, não, não, não não, não, não, não Trabalho escravo não existe Desmatamento não existe Homofobia não existe Extermínio não existe Mula sem cabeça demônio dragão O real resiste É só pesadelo, depois passa Como o estrondo de um trovão É só ilusão, não, não Deve ser ilusão, não não É só ilusão, não, não Só pode ser ilusão Esquadrão da morte não existe Ku Klux Klan não existe Neonazismo não existe O inferno não existe Tirania eleita pela multidão O real resiste É só pesadelo, depois passa Lobisomem horror opressão não, não, não, não não, não, não, não não, não, não, não não, não, não, não

Governo de moleques e de canalhas insiste na volta da ditadura

  – “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”, disse o ministro Paulo Guedes, alegando a necessidade de um novo ato institucional caso a esquerda radicalizasse – Durante entrevista coletiva em Washington D.C., nesta terça-feira (26), o ministro da Economia, Paulo Guedes, irritou-se ao comentar a saída de Lula da prisão e afirmou que os discursos do ex-presidente justificam um acirramento das ações no governo de Jair Bolsonaro. Inclusive, Guedes sugeriu a implementação do AI-5, instrumento da ditadura militar, para reprimir possíveis manifestações de rua. “É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Pra dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse Guedes, em referência ao período da ditadura militar brasileira. O Ato Institucional Nº5, originalmente editado em 1968, fechou o Congresso e cassou as liberdades individuais durante os anos de chumbo. Ao mencioná-lo, Guedes faz referência à afirmação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que alegou, no fim do mês passado, a necessidade de reeditar o AI-5 caso a esquerda radicalizasse. O ministro ainda culpou a polarização “entre PT e Lula” como responsável pelo projeto de lei enviado pelo Planalto ao Congresso essa semana para instituir o excludente de ilicitude para policiais e agentes do Exército que estejam nas ruas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Pelo texto do projeto, aqueles que usem de força excessiva no exercício da função não sofrerão punições criminais: “Não sei quem está pedindo pra o povo ir pra rua pra quebrar tudo. Tudo bem? Não sei quem está pedindo pra botar a excludente de ilicitude: ‘Você vem pra rua’, a gente amansa essa bagunça aí na rua. Vamos embora, vamos escalar isso aí.”

Vaza Jato confirma que grampo foi para derrubar Dilma e prender Lula

O então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato, só divulgaram os grampos telefônicos em março de 2016 porque desejavam depor a presidenta Dilma Rousseff (PT) e prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova reportagem da Vaza Jato, divulgada neste domingo (24) site The Intercept Brasil e o jornal Folha de São Paulo, comprova que houve conluio entre julgador (juiz) e acusador (Ministério Público Federal) com o fim de impedir a nomeação de Lula para a Casa Civil. A nova Vaza Jato revela que Moro não agiu dentro do padrão ao levantar sigilo nas escutas telefônicas, pois, segundo levantamento à época, o juiz somente tornou públicas as gravações de conversas de Lula com a então presidenta Dilma, cujos trechos foram obtidos ilegalmente, haja vista o foro por prerrogativa de função prevista na Constituição. Intercept e Folha recorda que o ministro Teori Zavaski, morto em janeiro de 2017, repreendeu Moro pela publicização dos grampos. O ex-juiz, com o auxílio da Rede Globo, venderam a versão segunda qual Lula queria driblar a justiça com a ajuda de Dilma, que chegou a anunciar o ex-presidente na Casa Civil. Depois do estrago feito, que levou milhares a protestar contra os petistas, Moro pediu desculpas ao ministro do STF e jurou que não tinha a intenção de provocar polêmicas desnecessárias. “Moro mentiu ao público quando disse que apenas seguira o padrão estabelecido pela LJ quando mandou retirar o sigilo das investigações sobre o Lula”, observou o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, fundador do Intercept Brasil. Já foi contestado também no âmbito da Vaza Jato que Lula relutou até aceitar o ministério, porém o “sigilo zero” de Moro era justamente para impossibilitar foro de função ao ex-presidente, que, por meio de liminar de Gilmar Mendes, fora impedido de assumir o cargo. Sem prerrogativa de função, a ação penal contra Lula continuou nas mãos de Moro que o condenou um ano mais tarde no caso do tríplex. Em virtude de sentença, que o levou à prisão, o ex-presidente foi impedido de concorrer nas eleições presidenciais de 2018 (embora fosse o líder nas pesquisas), o que garantiu a vitória de Jair Bolsonaro. Como premiação pelo trabalho sujo, o então juiz foi compensado com a nomeação para o Ministério da Justiça. . Glenn Greenwald ✔@ggreenwald NOVO #VazaJato: Moro mentiu ao público quando disse que apenas seguira o padrão estabelecido pela LJ quando mandou retirar o sigilo das investigações sobre o Lula. A divulgação das gravações de Lula contrariou padrão da LJ: Moro fez isso só neste caso:https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/11/moro-contrariou-padrao-da-lava-jato-ao-divulgar-grampo-de-lula-indicam-mensagens.shtml … Moro contrariou padrão da Lava Jato ao divulgar grampo de Lula, indicam mensagens – 24/11/2019 -… Levantamento feito pela Lava Jato em 2016 mostrou que juiz não tornou públicos outros casos em que houve escuta telefônica folha.uol.com.br 10,2 mil 07:56 – 24 de nov de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads

Lula faz discurso histórico em oposição ao fascismo e devolve a esperança

“O Brasil precisa embarcar de volta para o futuro” “Com as armas da verdade e da lei continuarei lutando para que os tribunais reconheçam, agora, que fui condenado por quem sequer poderia ter me julgado”, disse o ex-presidente O ex-presidente Lula fez um longo pronunciamento durante a abertura do 7º Congresso Nacional do PT, na noite desta sexta-feira (22), em São Paulo. Ele abordou inúmeros temas, como os 580 dias de prisão, Sérgio Moro, radicalismo, polarização política, governo de Jair Bolsonaro, entre outros. O EM CIMA DA NOTÍCIA apresenta a íntegra do discurso do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, durante a abertura do 7º Congresso do PT, na sexta-feira (22 de novembro): Veja a íntegra do discurso de Lula: Companheiras e companheiros do PT, convidados de todo o Brasil e de outros países, minhas amigas, meus amigos, esperei muito tempo para poder falar livremente ao povo brasileiro. Esse dia finalmente chegou, e minha primeira palavra tem de ser de agradecimento, pela solidariedade, pelo carinho e pelas manifestações de quem não desistiu de lutar e vai continuar lutando pela verdadeira justiça. Durante 580 dias fui isolado da família, dos amigos e companheiros, apartado do povo, mesmo tendo o direito constitucional de recorrer em liberdade contra a sentença injusta e fraudulenta de um juiz parcial. Um direito que somente agora foi proclamado pelo Supremo Tribunal Federal, para todos, sem exceção. Com as armas da verdade e da lei, continuarei lutando para que os tribunais reconheçam, agora, que fui condenado por quem sequer poderia ter me julgado: um ex-juiz que atuou fora da lei, grampeou advogados, mentiu ao país e aos tribunais, antes de desnudar seus objetivos políticos. Lutarei para que seja anulada a sentença e me deem o julgamento justo que não tive. Aos 74 anos de idade, não tenho no coração lugar para ódio e rancor. Mas quem nesse país já sofreu a humilhação de uma acusação falsa, por causa da cor de sua pele ou por sua origem social humilde, conhece o peso do preconceito e é capaz de sentir o quanto fui ferido em minha dignidade. E isso não se apaga. Nada nem ninguém vai devolver o pedaço arrancado da minha existência, mas quero dizer que aproveitei esses 580 dias para ler, estudar, refletir e reforçar meu compromisso com o Brasil e com nosso povo sofrido. Voltei com muita vontade de falar sobre o presente e principalmente sobre o futuro do Brasil. Mas logo depois da minha primeira fala, de volta ao sindicato onde passei o último momento de liberdade, disseram que eu deveria ter cuidado para não polarizar o país. Que seria melhor calar certas verdades para não tumultuar o ambiente político, para o PT não provocar uma ameaça à democracia. Vamos deixar uma coisa bem clara: se existe um partido identificado com a democracia no Brasil é o Partido dos Trabalhadores. O PT nasceu lutando pela liberdade durante a ditadura. Não tentem negar essa verdade porque nós apanhamos da repressão, fomos perseguidos, presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional por defender essa ideia. Desde que foi criado, há quase 40 anos, o PT disputou dentro da lei e pacificamente todas as eleições neste país. Quando perdemos, aceitamos o resultado e fizemos oposição, como determinaram as urnas. Quando vencemos, governamos com diálogo social, participação popular e respeito às instituições. Outros partidos mudaram as regras da reeleição em benefício próprio. Nós rejeitamos essa ideia, mesmo gozando de uma aprovação que nenhum outro governo jamais teve, porque sempre entendemos que não se pode brincar com a democracia. Não fomos nós que falamos em fechar o Congresso, muito menos o Supremo, com um cabo e um soldado. Em nossos governos, as Forças Armadas foram respeitadas e os chefes militares respeitaram as instituições, cumprindo estritamente o papel que a Constituição lhes reserva. Nenhum general deu murro na mesa nem esbravejou contra líderes políticos. Não fomos nós que pedimos anulação do pleito só para desgastar o partido vencedor; que sabotamos a economia do país para forçar um impeachment sem crime; que sustentamos uma farsa judicial e midiática para tirar do páreo o candidato líder nas pesquisas. Não fomos nós os responsáveis, ativos ou omissos, pela eleição de um candidato que tem ojeriza à democracia; que foi poupado de enfrentar o debate de propostas, que montou uma indústria de mentiras com dinheiro sujo, sob a complacência da mesma Justiça Eleitoral que, desacatando uma decisão da ONU, cassou o candidato que poderia derrotá-lo. São essas pessoas que agora nos dizem para não polarizar o país. Como se polarização fosse sinônimo de extremismo político e ideológico. Como se o Brasil já não estivesse há séculos polarizado entre os poucos que têm tudo e os muitos que nada têm. Como se fosse possível não se opor a um governo de destruição do país, dos direitos, da liberdade e até da civilização. Aos que criticam ou temem a polarização, temos que ter a coragem de dizer: nós somos, sim, o oposto de Bolsonaro. Não dá para ficar em cima do muro ou no meio do caminho: somos e seremos oposição a esse governo de extrema-direita que gera desemprego e exige que os desempregados paguem a conta. Somos e seremos oposição a um governo que rasga direitos dos trabalhadores e reduz o valor real do salário mínimo. Que aumenta a extrema pobreza e traz de volta o flagelo da fome. Que destrói o meio ambiente. Que ataca mulheres, negros, indígenas e a população LGBT; ataca qualquer um que ouse discordar. Somos, sim, radicais na defesa da soberania nacional, da universidade pública e gratuita, do Sistema Único de Saúde, público, gratuito e universal. Nós não somos meia oposição; somos oposição e meia aos inimigos da educação, da cultura, da ciência e da tecnologia. Nós não aceitamos mais censura, tortura, AI-5 e perseguição a adversários políticos. Andam negando essa verdade científica, mas a Terra é redonda e nós estamos, sim, em polos opostos: enquanto eles semeiam o ódio, nós vamos mostrar a eles o que o amor é

DIÁRIO DO BOLSO – Diário querido, tô feliz. Fiz um monte e pisei em cima…

 – Taxar desempregado foi gênio, mas esses dias teve outros vários momentos de kkk largado – * Por José Roberto Torero Diário, hoje trouxe você pro banheiro. Agora estou sentado na privada e olha que bonito: ao mesmo tempo em que escrevo na página em branco, pinto a porcelana branca. Muito prático! Bom, como acho que vai ser rapidinho, vou fazer só os meus sete “Kkks do Jair” (se bem que hoje deviam ser kokokôs, kkk!”). 1-) O imposto sobre grandes riquezas eu não vou propor, que eu não sou besta. Mas agora, com o imposto em cima do seguro-desemprego, inventamos o imposto sobre grandes pobrezas. Paulo Guedes é gênio! Opa! Será que não dá para cobrar IPTU de quem mora debaixo da ponte? Tem que ver isso daí. 2-) E o meu partido precisa de quinhentas mil assinaturas. Será que dá para usar os robôs do Twitter? Aí tá garantido. 3-) Pô, agora encontraram um post da jornalista Thais Bilenky, das 12h28 de 14 de março de 2018, dia da morte da Mariela, dizendo que eu antecipei a volta para o Rio naquele dia. E aí pode ser que eu tenha atendido o interfone e deixado o assassino entrar no condomínio. Ah, como eu odeio jornalista… É tudo fofoqueiro profissional! 4-) Mandei uma PEC que desobriga o governo de construir escola. Tem que gastar dinheiro em alguma coisa mais útil, pô. Tipo, sei lá, churrasqueira. 5-) De janeiro a maio fecharam 2.325 fábricas em São Paulo. O pior número em vinte anos. Vou jogar a culpa no Lula ou no Doria? 6-) A saída de dólares de 2019 já bateu o recorde de 1999. É a maior fuga de capital desde 1982, quando começou a se contar esse negócio. Vou botar a culpa na Dilma ou no Temer? 7-) Que maravilha aquele pessoal de Araçatuba cantando para a estátua da Liberdade da Havan. Isso é que é patriotismo, pô! No sete de setembro tem que ser no MacDonald’s, kkk! Pronto, acabei! No Facebook: @diariodobolso * José Roberto Torero Fernandes Jr. é jornalista, escritor e cineasta

Rede Globo assustada: Bolsonaro representa perigo real e imediato

 – Há décadas se ouve que “o povo não é bobo, fora a rede Globo’” em alto e bom som. Mas governo que ela tanto contribuiu para eleger está fechando o cerco – Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Rede Brasil Atual: As Organizações Globo estão assustadas. Nunca antes em sua história foram tão atacadas como neste governo. Não que em outros momentos não tivesse sido tachada de parcial e golpista. A diferença, desta vez, é que os ataques passam da escala verbal para a material. A ameaça do presidente da República, Jair Bolsonaro, de não renovar as concessões dos canais de TV e o apelo aos anunciantes para que deixem de veicular propagandas nos veículos globais têm como alvo a própria sobrevivência da empresa. Para não se falar no fim da exigência da publicação de balanços em jornais impressos e no corte radical das verbas publicitárias oficiais passando a favorecer as concorrentes SBT e Record. Neste caso os dados são significativos. Em 2017 a Globo recebeu 48,5% do total dos recursos gastos pelo governo com publicidade nas TVs. Em 2018 o percentual caiu para 39,1% e neste ano, segundo dados parciais coletados pelo Tribunal de Contas da União, o índice é de 16,3%. Por outro lado a Record, que tornou-se praticamente porta-voz do atual governo, viu crescer sua participação nesses recursos públicos. Foi de 26,6% em 2017, passou para 31,1% em 2018 e chega agora a 42,6%. O SBT, espécie de linha auxiliar da Record, seguiu na mesma toada: 24,8%, em 2017; 29,6% no ano passado e 41% neste ano. Um direcionamento político inegável. Ao mesmo tempo, do outro lado do espectro político e com toda razão, o ex-presidente Lula dedicava suas primeiras palavras depois de 580 dias de cárcere, a criticar duramente as Organizações Globo. Sua prisão e o desmantelamento do Estado brasileiro têm todas as digitais das empresas da família Marinho. Foram elas, ao longo de vários anos, responsáveis pela negação da política, criminalizando de forma generalizada essa atividade. Ao mesmo tempo endeusavam os pseudos-paladinos da moral e das virtudes divinas, representados pelo juiz Sérgio Moro e seus comandados no Ministério Público em Curitiba. Não foram apenas o “powerpoint” criminoso do procurador Dellagnol apontando todas a setas para Lula ou as muitas horas de menções negativas ao ex-presidente no Jornal Nacional a distorcer o jogo democrático brasileiro. Foi também a insistência diária de tornar a política algo moralmente nefasto. E não há exemplo melhor do que a imagem de dutos exalando dinheiro a ilustrar horas e horas de noticiário ao lado dos apresentadores do jornal. Não são necessárias alongadas teorias semióticas para explicar o papel dessas cenas no imaginário popular. Mesmo sem som, em restaurantes, bares ou antessalas de clínicas e laboratórios, essas imagens potencializavam as mazelas nacionais pondo fim a qualquer esperança na formação de uma nação civilizada. Imagens irresponsáveis cuja alternativa sugeria a necessidade de um “salvador da pátria” para por fim a tudo que está aí. Deu no que deu. “Ele” está aí e as Globos são agora suas vítimas. Diante da parcialidade histórica da emissora em relação à soberania nacional e da hostilidade aos governos populares, soa risível a nota oficial da empresa repudiando a fala do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, em que diz fazer um “jornalismo sério de qualidade”. Se seriedade houvesse, as Organizações Globo estariam, com certeza, sendo defendidas por todos que prezam a democracia contra os ataques concretos da extrema-direita. Um jornalismo sério e de qualidade não pode incluir distorções em debates eleitorais, direcionamento de cobertura de campanhas políticas, apoio a golpes de Estado, incentivo à prisão política de um ex-presidente, entre tantos outros desvios éticos cometidos pela Globo ao longo dos anos. Lembro da defesa que a sociedade britânica fez da BBC quando a então primeira-ministra Margareth Thatcher quis privatizá-la. Um histórico de confiança e de serviços prestados à sociedade levantou parte do país e impediu o assalto do neoliberalismo àquele bem público. A “Dama de Ferro” que havia dobrado o poderoso sindicato dos mineiros curvou-se diante da barreira de proteção popular formada em torno da BBC. Com a Globo dá-se o contrário. Há décadas ouvem-se manifestações em que se grita “o povo não é bobo, fora a rede Globo” em alto e bom som. Acrescida agora das ações e ameaças concretas buscando a sua destruição. Isolada, sem apoio na sociedade, só resta a ela soltar notas arrogantes onde mais que a força, revela-se o temor de um futuro incerto.

O país do porteiro é o país do medo – Por Fernando Brito

 Por incrível que pareça, há verdade no que falou o porteiro do condomínio Alberto Jorge Mateus ao dizer que se sente “pressionado por ele mesmo”. Estamos todos. Até uma conversa de botequim com desconhecidos, historicamente um hábito do carioca, passou a exigir cuidados e contenção. Vai que é um fanático? O Brasil do ódio, do policialismo, da agressividade e do “escracho” que se formou nos últimos seis anos, de uns tempos para cá, também se tornou o Brasil da milícia e da bala. No qual os órgãos de perseguição de tornaram onipotentes, ao ponto de que não precisa de mais, além de chamar para um depoimento, para fazer um homem modesto se desdizer, pressionado por si mesmo. Não é só o porteiro Alberto: testemunhas, como ele, juízes, tribunais e até o Supremo estão, como todos percebem, pressionado por eles mesmos, numa época em que o medo prescinde até da ameaça. *Fernando Brito é editor do Tijolaço

Verdadeiro legado de Jesus está em disputa – Por Jair de Souza –

 É impossível continuar assistindo de modo impassível o que está acontecendo no Brasil, no resto da América Latina e em outras partes do mundo menos desenvolvido. Estamos diante de um fenômeno que parece inexplicável por vias racionais. Todos os relatos referentes à trajetória da vida de Jesus apresentam-no como um ser oriundo do seio das camadas mais humildes de sua sociedade naqueles tempos. E se isso não bastasse, em todas as circunstâncias em que Jesus aparece interatuando com outras pessoas, ele sempre se mostra profundamente vinculado aos interesses da gente mais humilde, da gente mais necessitada, da gente oprimida. Não há nenhuma passagem relativa à vida de Jesus na qual o encontramos aderindo às posições e aos interesses dos ricos e poderosos. Já os exemplos de seu comprometimento com as lutas dos mais vulneráveis são abundantes e permeiam todo o transcorrer de sua vida terrenal. Diante do que acaba de ser dito, como é possível que existam na atualidade fortes correntes religiosas que propagam a imagem de um Jesus inteiramente oposto àquele que encontramos nos relatos de sua vida? As razões para que este fenômeno se dê são parecidas às que sempre motivaram as classes dominantes a se apropriar e desvirtuar todos os símbolos de dignidade e luta que possam servir para uma eventual emancipação das maiorias populares. Não há nenhum nome de significância para o conjunto dos povos não oligarcas que não tenha tido sua trajetória de vida manipulada com o objetivo de adaptá-lo aos interesses e propósitos dos grupos de poder dominantes. Só para recordar um nome caro aos povos latinoamericanos, podemos citar o caso de Simón Bolívar. Como deve ser recordado por quem já dedicou algum tempo a estudar o papel de Bolívar nas lutas de emancipação dos povos de nossa América, sua grandiosidade se deve principalmente ao fato de ele ter entendido que uma verdadeira libertação de nossa gente não poderia se efetivar se as maiorias trabalhadoras ou escravizadas continuassem sob o domínio das oligarquias opressoras e escravocratas. Foi por esta postura que Simón Bolívar conseguiu fazer das lutas contra as forças colonialistas europeias uma guerra de emancipação popular, bem diferente do que ocorreu no processo de emancipação brasileiro, no qual todos os arranjos se fizeram somente a nível de cúpulas, sem participação popular efetiva. Simón Bolívar confiava no povo e sentia que só com um engajamento ativo e consciente do mesmo uma verdadeira libertação poderia ser alcançada. No entanto, logicamente, as oligarquias rurais que detinham o poder de fato na América colonizada pelos espanhois não compartilhavam para nada desta visão de Bolívar. Queriam sua autonomia dos centros de comando da Europa para poder aumentar e dispor de seus ganhos com mais desenvoltura, mas não para compartilhar com as massas trabalhadoras os frutos dessa emancipação. Eles precisavam de Bolívar para vencer a guerra contra as metrópoles colonizadoras, porém não estavam dispostos a ceder a esses trabalhadores que estavam sendo arregimentados para as lutas coloniais nenhum milímetro do controle que exerciam sobre as riquezas e sobre o aparato do Estado. Tanto era assim que, tão logo as forças organizadas e comandadas por Bolívar obtiveram suas vitórias decisivas contra as tropas espanholas, as oligarquias locais se dedicaram a hostilizá-lo, a enfraquecê-lo e a persegui-lo. De tudo fizeram, até que conseguiram derrotar o grande Libertador e deixá-lo morrer isolado e na pobreza absoluta, em Santa Marta, Colômbia. Entretanto, a força simbólica de Bolívar junto as massas populares era tão grande que seria impossível para as oligarquias simplesmente desfazer de seu nome, deixá-lo no esquecimento. Foi por isso que começou-se a estruturar um plano de transformação da figura de Bolívar. De grande combatente favorável à inclusão das maiorias populares nos processos de emancipação, as oligarquias passaram a venerá-lo como uma figura oca, desprovida de qualquer importância real em relação com os interesses populares. Falava-se o tempo todo de Simón Bolívar, mas nunca para reivindicar seus exemplos concretos. Ergueram-se estátuas e monumentos a Simón Bolívar por quase todas as ruas e praças de nossa América, mas a vinculação de Bolívar com as lutas concretas do povo não podiam ser mencionadas. E a coisa foi sendo levada nesta toada, até que, num momento bem recente de nossa história, surgiu alguém que decidiu rever o papel de Simón Bolívar na história. Quem foi este alguém? Como todos sabem, ou deveriam saber, estamos falando de Hugo Chávez. A partir do instante em que Chávez exitosamente resgata a figura de Bolívar para o campo popular, as oligarquias abandonaram de vez todas suas venerações falsas e ocas a Simón Bolívar. Atualmente, uma simples menção positiva a Bolívar pode provocar reações das mais raivosas de parte das oligarquias ou, ainda mais furibundas, por parte dos ideólogos que sobrevivem da defesa serviçal dessas oligarquias. Traçado este breve paralelo com a vida de Simón Bolívar, podemos voltar ao caso atual de Jesus. Quando estudamos a história da vida relatada de Jesus, só o que encontramos é um Jesus inteiramente devotado às causas claramente vinculadas aos interesses da gente humilde, da gente que sofria a opressão imposta tanto pelos colonizadores estrangeiros de sua terra como pelas cúpulas religiosas que, como costuma acontecer, se mancomunavam com os invasores para tirar proveitos em seu próprio benefício. O que vemos o tempo todo é o Jesus que condenava a avareza, o Jesus que se opunha à exploração da fé por parte dos mercadores gananciosos, o Jesus que combatia o falso moralismo daqueles que condenavam hipocritamente o que viviam fazendo o tempo todo, o Jesus que se insurgia contra preceitos estabelecidos no Velho Testamento por considerá-los ultrapassados e contrários aos sentimentos que ele próprio defendia. O certo é que, ao chegar ao conhecimento do povo, os relatos de toda esta trajetória serviram para fazer de Jesus o nome mais expressivo dos sentimentos populares daquela época em sua região. Os movimentos religiosos em torno de Jesus se iniciaram e cresceram a partir das comunidades mais carentes, das comunidades mais necessitadas, das comunidades agredidas pelas forças dos poderosos, das comunidades que sofriam perseguição e buscavam