Texto fake, distribuído pelos robôs de Bolsonaro é desmascarado

– MILÍCIA VIRTUAL VIRALIZA TEXTO FALSO DE PADRE FÁBIO DE MELO SOBRE SUZANO – A milícia virtual que serve aos interesses do bolsonarismo divulgou nas redes sociais um texto distorcido atribuído ao padre Fábio de Melo. Na fake news disseminada, o religioso alega que os jovens que promoveram o massacre na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, “não mataram porque o porte de arma é um projeto do atual governo”. “O texto que está viralizado sobre o atentado em Suzano, cujo título é ‘O melhor texto que já li sobre o acontecimento de ontem’ não foi escrito por mim. O único que escrevi sobre o acontecimento é o que está abaixo”, tuitou o padre, compartilhando o texto real que escreveu sobre a tragédia. Leia, abaixo, o texto original publicado pelo padre Fábio de Melo e, em seguida, a cópia distorcida que está viralizando nas redes sociais. O texto que está viralizado sobre o atentado em Suzano, cujo título é “O melhor texto que já li sobre o acontecimento de ontem” não foi escrito por mim. O único que escrevi sobre o acontecimento é o que está abaixo. Texto fake, distribuído pelos robôs de Bolsonaro: Melhor texto que já li sobre o acontecimento de ontem Autor: Padre Fábio de Melo “Cansado e perplexo com tantas baboseiras e falsas justificativas pras atrocidades que ainda nos surpreendem todos os dias… Os meninos não mataram porque o porte de arma é um projeto do atual governo. Os meninos não mataram porque jogavam jogos violentos.Os meninos não mataram porque a escola foi omissa. Os meninos não mataram porque sofreram Bullying… Eles mataram porque as famílias estão desestruturadas e fracassadas, porque não se educa mais em casa, não se acompanha mais de perto, a tecnologia substitui o diálogo, presentes compram limites, direitos e deveres e não há o conhecimento e respeito a Deus. Precisamos parar de nos omitir, de transferir culpas. A culpa é minha, é sua, de todos nós! “A violência é o desdobramento de carências afetivas, da necessidade de ser visto e notado, ainda que da pior maneira” As armas não matam, o que mata é a ausência de AMOR!!!
Procurador da Lava Jato admite que condenação de Lula pode ser anulada

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos nomes principais da Operação Lava Jato, avaliou que a decisão desta quinta-feira, 14, do Supremo Tribunal Federal pode resultar na anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula não foi condenado por crime eleitoral na Lava Jato. A condenação do ex-presidente nos casos do triplex do Guarujá e do Sítio de Atibaia foram por corrupção e lavagem de dinheiro, competência da Justiça Federal. “Se o STF mandar tudo ser enviado para a Justiça Eleitoral, por que não vão anular a condenação do Lula?”, questiona Lima. “A condenação do caso triplex não é só pelo triplex, é um dinheiro de corrupção encaminhado também para o Partido dos Trabalhadores. Então, também tem uma questão eleitoral”, disse o procurador. Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (14) a favor da competência da Justiça Eleitoral para investigar casos de corrupção quando envolverem simultaneamente caixa 2 de campanha e outros crimes comuns, como lavagem de dinheiro, que são investigados na Operação Lava Jato. Com o fim do julgamento, os processos contra políticos investigados na Lava Jato e outras apurações que envolvam simultaneamente esses tipos de crimes deverão ser enviados da Justiça Federal, onde tramitam atualmente, para a Justiça Eleitoral, que tem estrutura menor para supervisionar a investigação, que pode terminar em condenações mais leves. O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a decisão do STF sobre a competência da Justiça Eleitoral julgar crimes comuns, como corrupção e lavagem, pode levar a anulação de condenações. Em tese, isso só ocorreria se ficar entendido que o juiz federal julgou alguém pelo crime de caixa dois, por exemplo, o que atrairia a competência da Justiça Eleitoral.
Elas são minoria – Comissão da mulher na Câmara tem vice homem

Elas passaram de 10% para 15% dos deputados federais, mas ainda são poucas: 77 em um total de 513 parlamentares – A deputada federal Luisa Canziani (PTB-PR) foi escolhida presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher nesta quinta-feira, 14/03. Até aí tudo bem. Luisa é a mais jovem parlamentar na casa – tem 22 anos e, consequentemente, é também a mais jovem a presidir uma comissão. Só que o vice-presidente é um homem: Emanuel Pinheiro Neto, do PTB de Mato Grosso. O reparo não é nenhum demérito à disposição de Pinheiro Neto em defender os direitos das mulheres. Mas reafirma a baixa representação feminina no Congresso. É verdade que ela aumentou: as mulheres passaram de 10% para 15% dos deputados federais nas eleições de 2018. Mas ainda são poucas: 77 em um total de 513 parlamentares. Até um partido que traz mulher no nome – o PMB, Partido da Mulher Brasileira – tem pouca mulher. A agremiação não tem nenhum deputado federal, mas sua representação em outras instâncias é majoritariamente masculina. São três deputadas e três deputados espalhados por assembleias brasileiras; dois prefeitos e uma prefeita e dois vereadores. Os Novos Inconfidentes
STF impõe derrota à Lava Jato e acusações de caixa 2 vão para a Justiça Eleitoral

– A Operação Lava Jato sofreu na noite desta quinta-feira 14 sua segunda grande derrota em apenas dois dias. Trata-se da decisão do Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 5, a favor da competência da Justiça Eleitoral para julgar crimes comuns – como corrupção e lavagem de dinheiro – conexos com delitos eleitorais. Na última terça-feira 12, a força-tarefa da Lava Jato já havia tomado um grande golpe, com a manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra a fundação bilionária da investigação, que seria administrada pelo Ministério Público e teria dinheiro oriundo da Petrobrás. Durante a sessão, alguns ministros manifestaram duras críticas aos procuradores, como Gilmar Mendes, que em seu voto acusou o procurador Deltan Dallagnol de pegar dinheiro da Petrobrás para fazer fundo eleitoral. “Sabe-se lá o que podem estar fazendo com esse dinheiro”, disse. “Isto é um modelo ditatorial. Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”, disparou. Votaram para enviar os processos para a Justiça Eleitoral os ministros Marco Aurélio (relator), Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente da Corte. Para dividir os processos com a Justiça comum, votaram os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia. O julgamento foi desempatado pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, o último a votar no caso. Dias Toffoli afirmou que sua posição sempre foi a mesma, de manter a jurisprudência do STF, por isso, acompanhou o relator. “Todos aqui estamos unidos no combate a corrupção. Tanto que são raros os casos de reversão de algum processo, de alguma condenação, de alguma decisão. Todos também estamos aqui na defesa da Justiça Eleitoral”, afirmou Toffoli. (…)
PGR vai investigar Dallagnol e procuradores envolvidos em fundação

– Iniciativa ocorre em meio a um racha na Procuradoria-Geral da República – Depois da censura pública de Raquel Dodge ao acordo que daria à força-tarefa da Lava Jato o poder de gerir um caixa bilionário, a Corregedoria da Procuradoria-Geral da República abriu um processo para investigar a atuação dos envolvidos no caso.Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o processo deve atingir Deltan Dallagnol, o estrelado coordenador da operação no Ministério Público. Sob sua batuta, a turma de Curitiba negociou diretamente com a Petrobras o destino de 2,5 bilhões de reais recuperados graças a um acordo com a justiça americana. Conforme o trato, metade dessa verba iria financiar uma fundação privada, administrada pelos próprios procuradores e cuja missão seria reforçar “a luta da sociedade brasileira contra a corrupção”. Mas o projeto afundou em meio a críticas dentro e fora do meio jurídico. Ao menos por enquanto. Na terça-feira 12, Raquel Dodge pediu ao Supremo que anulasse o acordo. A chefe do Ministério Público Federal entendeu que os procuradores da Lava Jato violaram a Constituição. Dodge evocou, no pedido, a separação de poderes, a preservação das funções essenciais à Justiça, a independência do MP e os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade. No mesmo dia, o MPF já havia pedido a suspensão da fundação, parte mais criticada do acordo, mas mantinham o dinheiro sob a conta judicial gerida pelos paranaenses. Os procuradores pareciam certos de que o dinheiro ficaria sob a guarda do MP de Curitiba. Um documento divulgado em primeira mão por Luis Nassif, do Jornal GGN, mostra que, dias antes do depósito da Petrobras cair na conta, Deltan Dallagnol negociou diretamente com a Caixa as melhores alternativas de investimentos. Racha no MPFO pedido de Raquel Dodge desagradou alguns setores do MP. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota de repúdio à decisão. Para os signatários, Dodge se excedeu ao pedir a degola total do acordo. Argumentam ainda que “não é normal” que uma matéria da primeira instância do MP seja levada ao Supremo pela procuradora-geral da República. Maior revés da operação até aqui, a ofensiva da procuradora-geral ocorre em meio a uma disputa pelo comando da PGR. O mandato Dodge vence em setembro e não há garantias de que Jair Bolsonaro vá reconduzi-la ao cargo. O nome de Dallagnol agrada Sergio Moro e apoiadores dentro do MPF. Mas há grandes barreiras para os planos do golden boy da Lava Jato. No início deste mês, o Conselho Superior do MPF reafirmou que o cargo de procurador-geral da República só pode ser ocupado por subprocuradores-gerais. Sob essa condição, Deltan não poderia concorrer, já que ainda atua na primeira instância da entidade, dois degraus abaixo da Subprocuradoria.
Bolsonaro contamina jovens como o atirador de Suzano – Por Gilvandro Filho

É um escárnio completo a declaração do senador Major Olímpio, de que a tragédia do Colégio Estadual de Suzano teria sido evitada se os professores e serventes estivessem armados. Ao mesmo tempo pensamentos toscos dessa natureza são a base daquilo que defendem os bolsonautas e os armamentistas que infestam este país. Por eles, viveríamos numa guerra aberta, nas ruas, com todos armados, cada um mais brabo que o outro. Ao mesmo, a indústria das armas, à frente a Taurus tão querida dos parlamentares e do próprio presidente Jair Bolsonaro, estaria cada vez mais próspera e capitalizada. A tragédia ocorreu na manhã dessa terça-feira (13), em Suzano (SP), quando um adolescente e um homem de 25 anos invadiram a unidade escolar e saíram atirando, o que resultou na morte de 10 pessoas, além dos próprios assassinos que se mataram. O atirador (o outro portava uma besta medieval, espécie de arco e flecha mais potente), não coincidentemente, era fanático por Bolsonaro e por armas. De volta ao começo, o Major Olímpio é um dos mandachuvas do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, no Congresso. E um dos mais atuantes parlamentares da chamada “bancada da bala” que reúne os armamentistas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Todas as vezes que acontece algo semelhante, ele aparece para expelir diatribes do gênero. Frase semelhante ele execrou quando do episódio de Realengo, bairro no Rio de Janeiro, em abril de 2011, em que 12 crianças morreram no tiroteio protagonizado por um atirador de 23 anos. Mas, o Major Olímpio está longe de pregar no deserto. Pelo contrário, ele é voz ativa num imenso coral de “cidadãos de bem” que defendem a resposta a bala aos ataques da bandidagem. Para eles, pouco importam o número de mortos que, desta maratona maluca, podem redundar. Isto não interessa a ele nem aos colegas dele, grande parte financiados pelas Taurus da vida, gigantes pela própria ampliação dos conflitos armados no País. O armamentismo é um dos lobbies mais fortes do Congresso e tem no governo Bolsonaro um aliado de primeira hora. A flexibilização do Estado do Desarmamento foi a primeira promessa de campanha a ser cumprida pelo presidente. A partir do decreto presidencial número 9.684, baixado por Bolsonaro, um fanático por armas, está liberado para cada brasileiro que atenda às “exigências legais” (75% dos brasileiros, mais ou menos) a posse de até quatro armas do fogo dentro de casa. É o começo do fim do Estatuto do Desarmamento. Quatro armas para cada brasileiro habilitado pode significar 142 milhões de brasileiros armados e prontos para a guerra. Em confronto com o arsenal ilegal que não vai deixar de existir, sabe-se lá o que pode acontecer. Na prisão dos milicianos – entre eles um vizinho de Bolsonaro, em condomínio de classe alta na Barra da Tijuca -, acusados de assinar Marielle Franco, no começo da semana, chegou-se ao amigo de um deles que possuía, em casa, nada menos que 117 fuzis. Isto é significativo. E a Taurus agradece, penhorada e babando. O fim do desarmamento, como dito, foi uma das principais bandeiras de campanha de Bolsonaro e é um dos seus nortes ideológicos. O gesto de fazer arminhas com as mãos, que envolveu de forma criminosa, crianças e adolescentes, deveria ser o símbolo do seu governo. O ato de sair atirando a resolvendo na bala as pendengas é um ato cívico para o presidente e sua gente. Então, no momento em que um jovem tresloucado se arma, põe uma máscara, invade uma escola e sai atirando a esmo, ele não é só mais um desequilibrado que sai de casa com a possibilidade de matar. Ele é um aprendiz de uma ideologia assassina que começa com o estímulo da guerra entre bandidos e “decentes”. Isto tira da lei e da polícia a responsabilidade de criar mecanismos que aumentem a segurança e executem de forma eficaz essas medidas. Para os armamentistas, muito mais eficiente que a polícia bem treinada, bem paga e bem armada é a população de revólver na cinta brigando aos os bandidos. É a professora e o servente da escola pública – para usar o exemplo do Major Olímpio – sacando os seus 38 e confrontando o louco que invadiu a escola para matar seus antigos colegas. É a estudante universitária puxando sua pistola para evitar (evitar?) o estupro de que lhe ameaçam três tarados armados. É o casal de velhinhos dormindo no meio de sua trincheira esperando o ladrão chegar para reagir e “defender seu patrimônio”. Na cabeça dos armamentistas está aí a verdadeira política de contenção ao crime. O armamentismo não é apenas uma insanidade. É uma ideologia deste grupo que chegou ao poder. A este grupo, à frente o presidente da República, deve ser cobrado o que pode acontecer neste país com o povo armado e a guerra civil batendo na porta. O fato de o atirador de Suzano manter uma página de rede social (já apagada) repleta depostos alusivos ao fim do desarmamento e ao bolsonarismo não pode ser apenas detalhe. É a mostra de um exemplo que lhe contaminou. E que deve estar contaminado muito mais gente por aí. * Gilvandro Filho é jornalista e compositor/letrista, tendo passado por veículos como Jornal do Commercio, O Globo e Jornal do Brasil, pela revista Veja e pela TV Globo, onde foi comentarista político. Ganhou três Prêmios Esso. Possui dois livros publicados: Bodas de Frevo e “Onde Está meu filho?”
Delegado que solucionou morte de Marielle e citou Bolsonaro será afastado

– O jornalista Lauro Jardim revelou em sua coluna no jornal O Globo na manhã desta quarta-feira (13) que o delegado Giniton Lages, responsável pela investigação da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, será afastado do caso pela Polícia Civil. “Oficialmente, o motivo dado será que ele cumpriu sua missão”, escreveu Jardim. Lages desagradou profundamente o bolsonarismo ao citar o presidente da República e sua família na entrevista coletiva sobre a prisão dos assassinos no final da manhã desta terça-feira. O chefe da Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius Braga, indicará na semana que vem o encarregado da segunda etapa da investigação, centrada em descobrir quem mandou matar a vereadora e o motorista -informou Jardim em sua nota. A citação a Bolsonaro foi bombástica e teve alto impacto ao ser manchete do Brasil 247 no início da tarde desta terça. Leia o relato da reportagem: Apareceu o primeiro vínculo concreto entre a família de Jair Bolsonaro e a de Ronnie Lessa: um dos filhos de Bolsonaro namorou a filha de Lessa. O fato foi confirmado pelo delegado responsável pela Divisão de Homicídios da capital fluminense, Giniton Lages, durante a entrevista coletiva sobre a prisão de Lessa e do outro assassino, o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Bolsonaro e Lessa moram no mesmo condomínio na Barra da Tijuca, no Rio. Com os filhos namorando, que tipo de relação estabeleceu-se entre as duas famílias? Num trecho quase inaudível da entrevista, um repórter não identificado pergunta: “Está confirmado que o filho mais novo de Bolsonaro namorou ou namora a filha de Ronie Lessa?”. Lages responde: “Está confirmado, mas isso não é objeto de investigação neste momento”. Em seguida, afirma: “Mas poderá ser mais pra frente”. Neste momento, Lages foi interrompido por alguém que não foi possível identificar na transmissão e o assunto desaparece da agenda. O filho mais jovem de Bolsonaro é Jair Renan Bolsonaro,de 20 anos, mas o nome dele não foi mencionado na pergunta nem na resposta.
Bolsonaro e o assassino que mora ao lado – Por Jeferson Miola

Qualquer pessoa decente ficaria aterrorizada ao saber que um matador de aluguel, frio e sanguinário, autor de um atentado bárbaro contra uma vereadora e contra a democracia, mora exatamente na mesma rua do seu condomínio, apenas 3 casas adiante da sua. Quem não se aterrorizaria com o fato desse bandido ser um miliciano que armazena impressionante arsenal de 117 fuzis novos e centenas de munições em outro imóvel, e possivelmente é vinculado ao tráfico internacional e comércio clandestino de armas? Incrivelmente, todavia, nada disso aterrorizou Bolsonaro, que não demonstrou nenhum assombro com o fato de Ronnie Lessa, o suspeito de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes, ser seu vizinho de rua, pai da namorada do seu filho e perigoso miliciano. Em se tratando do presidente do Brasil, no mínimo se esperaria que Bolsonaro expressasse indignação, cobrasse explicações e demitisse os responsáveis por falha tão gritante do sistema de segurança da instituição Presidência da República [GSI e PF], que “não detectaram” o risco do assassino que mora na casa ao lado. Bolsonaro, contudo, parece ter motivos secretos, íntimos e muito específicos para não se horrorizar com toda essa situação. Um desses motivos, por exemplo, pode ser a “relação de trabalho” de Ronnie Lessa com o Escritório do Crime, milícia especializada em pistoleiros de aluguel chefiada pelo foragido Adriano da Nóbrega – cuja mãe trabalhou durante 1 ano e meio e cuja esposa atuou por 12 anos no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. A investigação provou que no dia da execução da Marielle, 14 de março de 2018, o carro usado por Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa no atentado – um Cobalt/GM prata – saiu de Rio das Pedras em direção ao centro da cidade do Rio para perseguir o carro da Marielle com o objetivo de perpetrar o ataque fatal. Rio das Pedras, como se sabe, é o território controlado pelo Escritório do Crime. Não por coincidência, foi o local onde Fabrício Queiroz – o motorista, assessor, amigo e parceiro de pescarias, churrascadas e de maracutaias dos Bolsonaro – se refugiou em dezembro passado para fugir da polícia e da justiça para não prestar esclarecimentos sobre práticas de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito da “familícia” Bolsonaro. Ou tudo isso é uma incrível e fantástica coincidência, ou então os Bolsonaro terão de encontrar meios convincentes e irrefutáveis para demonstrar que não têm nada a ver com esse crime bárbaro que atentou contra a vida da Marielle e do Anderson e alvejou o Estado de Direito. * Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial
Alto desemprego e mais informalidade no 1º ano após reforma trabalhista

– Trabalhadores com carteira são em menor número do que informais e por conta própria desde 2017; diferença aumentou em 2018 – Dados divulgados pelo IBGE confirmam crescente precarização do trabalho, apesar de melhora estatística na taxa média de desemprego. No ano de 2018, a taxa média de desocupação foi de 12,3%, ante 12,7% em 2017. O que aumentou mesmo foi o trabalho precarizado, já que 2018 acentuou a tendência à informalização. A fila é menor porque as pessoas, levadas pela crise, aceitam qualquer emprego para sobreviver, mesmo sem a proteção das leis trabalhistas. Desde o final de 2017 que o número de trabalhadores informais – somados aí os que trabalham por conta própria – supera o daqueles com carteira assinada. Movimento inédito na série histórica, ele acelerou no ano passado. 32,9 milhões de trabalhadores preservaram sua carteira assinada, queda de 1,2% em relação em 2017, o que representa 411 mil pessoas que deixaram o mercado formal. Trabalhadores sem carteira somaram 11,1 milhões de pessoas, uma alta de 482 mil pessoas que hoje trabalham na informalidade. Já os que trabalham por conta própria são 23,3 milhões de pessoas, 2,9% ou 657 mil pessoas a mais do que em 2017. Os Novos Inconfidentes
Quando Bolsonaro começará a governar? Nunca… Por Fernando Brito

Helena Chagas, agora à tarde, pergunta, em bom artido no site Os Divergentes, quando é que Jair Bolsonaro vai parar de brigar, com todos, em tudo, todo o tempo, e começar a governar. Com todo o respeito, Helena, isso não é pergunta que se faça. Porque Bolsonaro não governa e nem vai governar hora alguma, ao menos se entendermos governo como algo que dá rumo ao país. A pergunta que cabe é quando o Brasil vai se desgovernar completamente com Jair Bolsonaro na presidência. E o impedimento de Bolsonaro para governar é intransponível, porque é ele mesmo. Incapaz, grosseiro, rasteiro, mergulhado no mundo pequeno dos ódios e sem nenhuma visão de país que não seja a das afirmações abstratas de grandeza. Bolsonaro desocupa-se, para tuitar abobrinhas, de cuidar de um país que está mergulhado numa longa e profunda crise e, três anos depois do impeachment, só o que tem a dizer sobre ela são menções ao regime “comunista e corrupto” em que fabula termos vivido. Helena, aí, tem razão em imaginar que “mesmo os bolsonaristas um dia comecem a enjoar da pauta ideológica ou de costumes quando perceberem que ela não vem acompanhada de medidas efetivas para resolver os problemas do país”. Mas sinto, cara e lúcida colega: isso vai demorar. Para manter-se no poder, como fez para vencer as eleições, Bolsonaro não precisa de projetos ou programas, basta-lhe insuflar o clima de ódio e contar com o apoio das armas, policiais e militares, para falar em nome da ordem e da repressão. Ah, sim, e agradar o mercado, vendendo empresas, riquezas e queimando direitos sociais. Isso não é governar, é desgovernar, deixar que a sociedade se organize pela lei da selva. A elite, inclusive a econômica e a estatal, sabe dessa incapacidade. Mas quer Bolsonaro lá como um personagem de festinha infantil figurando para a plateia que temos, enfim, um governo. Embora já não o tenhamos e, pelo visto, não o teremos, enquanto ele estiver lá.