Por que o povo não está nas ruas?

– Esta é uma pergunta cuja resposta é decisiva para a esquerda e para o futuro do nosso país. Sem ela ficará difícil reconstruir a hegemonia política com a criação de bases sociais amplas e sólidas que permitam conter a onda da direita – * Por Aldo Arantes Que assegurem o avanço na reconquista da democracia e dos direitos do povo, criando condições para as reformas estruturais do estado brasileiro. Os fatos são mais do que evidentes. Apesar das medidas radicais adotadas contra os trabalhadores, o povo e a soberania nacional as manifestações estão longe da necessidade imposta pela gravidade da situação. É bem verdade que existiram manifestações importantes como a greve geral do dia 28 de abril deste ano e as manifestações contra as reformas e o governo Temer. Todavia elas incorporam, sobretudo, os setores mais politizados do movimento social. A própria greve não atingiu, no fundamental, o setor produtivo. Mais recentemente as manifestações arrefeceram. No dia da votação do processo por corrupção passiva contra o ilegítimo Temer o que se viu foram pequenas manifestações. Defronte do Congresso, local de históricas manifestações, não havia ninguém. Tal fenômeno se torna mais difícil de entender à medida em que as pesquisas constatam que Temer conta com 94% de reprovação do povo. Várias são as razões que podem tentar explicar tal situação. Dentre elas estão a perplexidade, a rejeição à política e aos partidos, o desemprego e, principalmente, a indignação contra a corrupção. Pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, de 13 de agosto, revelou que 86% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos nos quais votaram. E 94% responderam que os políticos que estão no poder não representam a sociedade. A pesquisa avaliou, também, que 9 entre 10 pesquisados concordam com o fato de que “o Brasil poderia ser um país do primeiro mundo se não fosse a ação da corrupção”. A pesquisa concluiu o que, numa avaliação empírica, se pode constatar: a questão mais importante que maioria do povo indica para explicar a crise que o país enfrenta é a corrupção. Isto foi incutido na sociedade pela grande mídia desde o tal Mensalão. Com isto procuram fugir do debate de conteúdo relacionado às medidas colocadas em pratica pelos governos Lula e Dilma para suscitar o combate a uma falsa moralidade. A propaganda da grande mídia, tomando por base a ação da Lava Jato, atuou no sentido de caracterizar a corrupção atual como “novidade”, responsabilizando o PT e o Ex-presidente Lula. Com tal tática conseguiram sensibilizar amplas camadas da sociedade ao afirmarem que todos partidos e políticos são corruptos e não merecem a confiança do povo. Tudo isto resultou na conquista, pelas forças conservadoras e de direita, da hegemonia política e de ideias no país. Tal resultado foi fruto de um plano elaborado e conduzido a longo prazo, pelo professor Norte-americano Gene Sharp. O plano está contido no livro de sua autoria intitulado Da Ditadura à Democracia onde o autor descreve os passos a serem dados para executar o chamado “golpe brando”. Ele destaca, como primeiro passo, a necessidade de “promover ações para gerar um clima de mal-estar social, utilizando os meios de comunicação”, e descreve o segundo passo ao afirmar “fazer denúncias fundadas ou não para debilitar a base de apoio de governo e criar um descontentamento social crescente”. No Brasil o falso combate à corrupção foi o mote da agitação necessária para o golpe contra a presidenta Dilma. E continua sendo agora com o objetivo de aprofundar as reformas antipopulares e antinacionais e inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula à presidência. Na América Latina o modelo teve características próprias. O agente secreto de Cuba, Raúl Antonio Capote Fernandez, que durante 10 anos foi infiltrado na CIA, em declarações Site Sul 21, afirmou ter a agência constatado que o crescimento da esquerda no continente teve início nas Universidades. Para reverter esta situação elaborou um plano para criar um pensamento em defesa do mercado, nas instituições de ensino superior da região. O resultado, no Brasil, foi o crescimento do pensamento conservador entre boa parcela dos estudantes. Tal estratégia teve como uns seus pilares a criação de institutos para desenvolver ideias em defesa de seus pontos de vista e de combate ao projeto de nação da esquerda e as ideias progressistas. Para isto foi executado um trabalho de formação da consciência conservadora aliado à massificação da luta contra a corrupção para conquistar parcelas expressivas da juventude. O mesmo se deu, com suas particularidades, junto aos demais segmentos sociais. Este resultado foi facilitado pela despolitização da sociedade. Com isto boa parcela dos estudantes e do povo passou a colocar a responsabilidade da crise nos “políticos corruptos”, sobretudo do PT. Esqueceram dos benefícios que as políticas dos governos Lula e Dilma trouxeram para os trabalhadores e o povo. Tal situação está ancorada, também, na campanha de despolitização desencadeada pelo neoliberalismo. A negação da política, dos políticos e dos partidos é fundamental para colocarem em prática a reforma do estado que atenda aos interesses do capital financeiro. O combate à política é o combate à democracia. Visa retirar o povo das ruas e entregar a direção do país aos gestores, representantes do capital financeiro. Isto tudo criou um campo não só para a articulação dos grupos conservadores, mas também dos grupos de direita e extrema direita. No entanto a sociedade enfrenta uma contradição flagrante. Por um lado, há um profundo descontentamento com a atual situação política, as reformas em curso e o agravamento da situação com a crise, o desemprego e os cortes dos recursos das áreas sociais. Por outro há uma ausência de amplas manifestações populares para lutar contra esta situação. Isto pode indicar que está havendo uma dissintonia entre os dirigentes políticos e sociais e as massas. A grande massa do povo perdeu a confiança ou está sem entender as orientações dadas por sua representação. O dirigente deve, em sintonia com as massas, indicar os caminhos a serem perseguidos na luta. Quando, por qualquer razão, esta sintonia é rompida as
Marina Silva queimou caravelas

– APOIO AO IMPEACHMENT TIROU CHANCES DE MARINA EM 2018, DIZ FUNDADOR DA REDE – – Um dos fundadores e ex-membro da Rede Sustentabilidade, o cientista político e antropólogo Luiz Eduardo Soares disse que a ex-senadora Marina Silva, principal liderança do partido, “queimou caravelas” e perdeu a chance de disputar a Presidência da República na posição de favorita após apoiar o impeachment que tirou Dilma Rousseff do poder no ano passado. “Quando ela assumiu essa posição, extremamente irresponsável do ponto de vista da democracia, acho que ela queimou as caravelas relativamente ao campo das esquerdas. Não só do PT, das esquerdas”, avaliou. “Isso circunscreve o seu potencial eleitoral e político”, completou Soares em entrevista à BBC Brasil (leia aqui a íntegra). Ele conta que sua “divergência com a Marina teve a ver com seu apoio ao impeachment”. “Ela tinha sempre se manifestado contrária. O [deputado federal Alessandro] Molon entrou para o partido depois que ela se comprometeu a ser contrária. E uma semana antes da votação, ela se pronunciou a favor do impeachment, sem nos consultar”, relatou. “Ser a favor do impeachment significava entregar o país ao núcleo mais perigoso da política nacional, o PMDB. Quando ela assumiu essa posição, extremamente irresponsável do ponto de vista da democracia, acho que queimou as caravelas relativamente ao campo das esquerdas. Não só do PT, das esquerdas”, avaliou. Para ele, “retirar a Dilma para levar o representante do PMDB para o poder em nome da ética é despudoradamente hipócrita”. “Ela hoje teria todas as condições de ser favorita nas eleições de 2018 se tivesse se mantido contra o impeachment. Poderia unificar o campo das esquerdas com um discurso palatável, capaz de suscitar respeito entre eleitores do centro, e a população evangélica também se reconheceria nela. Ela viria com um potencial eleitoral muito grande”, destacou. “Ela deixou de ser espontânea e genuína. Essa era a sua marca. Passou a estar sempre numa posição ambígua, com poucas definições claras, e a jogar o jogo mais tradicional. Mas sem dúvida é uma candidatura forte potencialmente”, completou Soares. Ele destaca que para 2018, “Lula é um forte candidato, porque para a maioria da população fez o melhor governo que experimentaram. E de fato os resultados foram notáveis, superiores aos governos anteriores em termos de crescimento e de redução de desigualdades. Ele saiu com 85% de aprovação popular. Isso é um patrimônio extraordinário, que está sendo erodido pelas denúncias constantes da mídia”.
PGR não encontrou crime envolvendo Lula

Por isso, Rodrigo Janot desistiu da complementação da delação da Andrade Gutierrez contra Aécio Neves A pouco mais de um mês de deixar o cargo, o procurador-geral da República, enviou sinais de que não quer mais saber do assunto. A desistência ocorreu após procuradores questionarem se haveria relatos de crime envolvendo o ex-presidente Lula eteles e receberem um não como resposta. A avaliação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e em Brasília é que, sem Lula e sem teles, a complementação da delação da Andrade Gutierrez traria poucas novidades. A empresa, que nasceu em Belo Horizonte, tem relações com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas os procuradores avaliam que os relatos dela sobre o tucano pouco acrescentariam ao que foi relatado pela Odebrecht e por Joesley Batista. Os procuradores tinham interesse em três casos envolvendo empresas de telecomunicações porque a Andrade Gutierrez é uma das sócias da Oi e controlava a Telemar. As informações são de reportagem de Mario Cesar Carvalho na Folha de S.Paulo.
Seguidores do Pato da Fiesp estão indignados

Decisão de milionária de ajudar Lula revolta brasileiros que pensam que são ricos *Por Joaquim de Carvalho O dinheiro é dela, mas os coxinhas querem decidir como deve gastar. Vista de longe, a neta do banqueiro suíço Roberta Luchsinger poderia ser confundida com uma batedora de panela, dessas que gravam vídeo para dizer “sou rica, sou rica”, têm horror a pobres e fingem se importar com eles. Roberta foi educada pelas melhores escolas, costuma se deslocar de helicóptero e recebia do avô banqueiro uma mesada de 28 mil francos suíços, o equivalente a 97 mil reais, segundo informa a jornalista Eliane Trindade, em sua coluna na Folha. A família de Roberta foi alvo de texto até de João Doria Júnior, que tem um faro especial para negócios que envolvem milionários — em 2016, em sua coluna na revista Istoé, Doria escreveu sobre uma disputa por herança na família. Só que Roberta não é como seu pares no Brasil, meritocratas da boca para fora, que não largam a teta do Estado. Não é tampouco bolivariana, socialista ou comunista. É alguém que entendeu a importância das políticas de inclusão social no Brasil. “Esse ódio exacerbado contra os partidos de esquerda, principalmente contra o PT, chegou ao ponto de cegar parte da sociedade. Virou moda se referir a Lula como ladrão”, afirmou ela à Folha. “Esses que hoje o demonizam se esquecem de que Lula foi bom para os pobres e também para os ricos e deixou a Presidência com 90% de aprovação”. Roberta é filiada ao PCdoB, partido que conheceu quando esteve casada com o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que foi deputado. Mas não segue a cartilha marxista, como de resto o PCdoB e a maior parte dos partidos de esquerda — Marco Aurélio Garcia, que foi um influente conselheiro de Lula, já dizia que ficaria de joelhos agradecendo a Deus se, pelo menos, o Brasil se aproximasse da social-democracia. O casamento de Roberta terminou de maneira rumorosa, com a declaração dela de que foi traída pelo ex. “Cansei de ser chifrada”, disse à Veja. Roberta, no entanto, soube separar as coisas e hoje continua apoiando o ex-delegado, asilado na Suíça por conta de uma condenação Brasil, por desvio funcional no caso da operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Roberta também permaneceu filiada ao PCdoB, partido de Protógenes, e só separou depois da campanha de 2014, para não atrapalhar a campanha à reeleição do então marido. Sua página no Facebook revela um pouco do que pensa. Ela postou uma reportagem sobre o prefeito de São Paulo e escreveu: “Doria e seu sonho de ser o Lula”. Crítica da Lava Jato e ironizou a notícia de que Adriana Ancelmo, depois de presa, se separaria do ex-governador Sérgio Cabral: “Acabou a mamata, acabou o amor… será que algum dia ele existiu?” Chamou o impeachment pelo que é: golpe. Na rede, não deixa de falar de suas preferências pessoais, como vestido de casamento e música. Roberta namorou o ex-prefeito de Jaguariúna, depois da separação de Protógenes, se preparou para desfilar em escola de samba e planejou escrever um livro para dar dicas de gastronomia para quem quer emagrecer – ela disse que perdeu mais de 30 quilos mudança de hábitos alimentares. Aos 32 anos, Roberta, no campo pessoal, tem sonhos e planos como toda mulher da sua idade. O que a difere é a sensibilidade social. Depois que anunciou que doaria 500 mil reais a Lula e sugeriu uma vaquinha, foi criticada por gente que acredita pertencer ao mesmo mundo que ela. “Que tal doar para mim também? Perdi quase tudo que meu suor conquistou com as trapalhadas dos socialistas. Aceito $ 100.000,00. Já ajuda”, escreveu um deles na rede social. Os outros vão na mesma linha. São provavelmente da mesma massa que se informa pelo Jornal Nacional e não entenderam nada sobre o que foi governo Lula nem sobre os propósitos de Roberta. Roberta acredita que, com o golpe que derrubou Dilma, o Brasil foi na contramão da história e isso é ruim para os negócios. Para ela, o país precisa reduzir a desigualdade social para crescer e não cortar direitos sociais, que, no curto prazo, beneficiam apenas uma parcela muito pequena da sociedade. “Independentemente de (Lula) ser ou não candidato, este dinheiro vai permitir a Lula sair pelo Brasil espalhando esperança. Não podemos perder a crença na política. Precisamos de união”, disse. Os críticos de Roberta, seguidores do Pato da Fiesp, se comportam como os brancos pobres da época em que a sociedade ainda era escravocrata. Repetem o que ouvem e acham que são ricos. Não passam de massa de manobra de uns poucos brasileiros. Quem conhece a riqueza sabe que, até para explorar, o Brasil precisa de inclusão social, e não o contrário. Joaquim de Carvalho é jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com
Roberta Luchsinger justifica doaçao para Lula

– Minha luta é pelo social, diz herdeira de banco suíço que doou R$ 500 mil ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva A herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse Roberta Luchsinger, que causou polêmica na última sexta-feira ao decidir doar R$ 500 mil ao ex-presidente Lula, depois que o ex-presidente teve todos os seus bens e investimentos bloqueados por decisão do juiz Sergio Moro, comentou o seu gesto. “Minha luta é pelo social!!!”, postou ela em sua página no Facebook na sexta-feira (11), em resposta aos críticos. Ontem (sábado 12), ela divulgou uma nova mensagem sobre o seu gesto. Leia abaixo a íntegra: “Venho por meio dessa mensagem ressaltar a todos vocês que a causa que defendo com meu coração, minha alma e meus recursos, é a causa social – a causa dos menos favorecidos. Meu objetivo é fomentar a educação de qualidade para todos os cidadãos brasileiros, assim como acesso à saúde , à tecnologia e cultura. Ressalto ainda , que meu engajamento na política terá como objetivo maior a erradicação da pobreza e da miséria. Conto com a compreensão e apoio de todos vocês, porque juntos somos mais fortes”.
STF SUSPENDE INQUÉRITO CONTRA TEMER

– O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspendeu hoje (10) a tramitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer – Com a decisão, a denúncia ficará suspensa até o fim do ano que vem, quando o presidente deixará o mandato e poderá voltar a ser investigado na primeira instância da Justiça ou novamente no Supremo, se assumir algum cargo com foro privilegiado no governo federal. No caso do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que também foi denunciado, ele responderá às acusações acusações na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. A autorização prévia da Câmara para processar o presidente da República está prevista no Artigo 86 da Constituição: “Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade”. Denúncia No mês passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer ao Supremo pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também é uma das provas usadas no processo. O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também foi denunciado pelo procurador pelo mesmo crime. Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro Edson Fachin. Em abril, Loures foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. Durante a investigação, a defesa de Temer questionou a legalidade das gravações e os benefícios concedidos ao empresário Joesley Batista pela PGR na assinatura do acordo de delação premiada. André Richter – Repórter da Agência Brasil
Após comprar deputados, Temer estoura meta fiscal

– Michel Temer deve anunciar nesta quinta-feira 10 a revisão de sua meta fiscal, que passa de um rombo de R$ 139 bilhões para cerca de R$ 159 bilhões – A decisão foi tomada pelo governo após uma reunião entre Temer e a equipe econômica que durou quase cinco horas no Palácio do Planalto. Isso depois de Temer ter torrado nada menos que cerca de R$ 14 bilhões em emendas parlamentares e favores aos deputados federais para se safar de denúncia de corrupção na Câmara. O anúncio da elevação de R$ 20 bilhões no rombo revela o fracasso da política econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que prometeu ajuste fiscal, mas produziu o maior rombo orçamentário da história do País. Segundo a colunista Miriam Leitão, do Globo, o núcleo político defende que a revisão eleve a meta para um rombo ainda maior: até R$ 170 bi.
O fim do mundo chegou para as universidades

– Este é o ponto em que nos encontramos: diversas universidades federais brasileiras estão na iminência de interromper suas atividades, de cancelar seu calendário acadêmico, por conta do estrangulamento financeiro imposto pelo governo Temer. – .Fato, não se trata de uma situação propriamente nova. Mesmo que distem anos, ainda é fácil lembrar dos governos de Fernando Henrique Cardoso, em que a mesmíssima situação se fez presente. Atesto tal realidade enquanto testemunho pessoal. À época, era reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e tinha como um de meus principais desafios administrar um orçamento exíguo.Contudo, espanta que o reencontro com essa situação ocorra de modo tão apático, sem gerar quase nenhuma forma de escândalo. É curioso notar que, não faz tanto tempo, a mera mudança na forma de organização do Enem fora capaz de sacudir a mídia brasileira, produzindo reações indignadas – as quais ocuparam noticiários televisivos e capas de jornais e revistas por dias a fio.Eis, por outro lado, uma realidade quase sonegada atualmente.Estudo conduzido pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta para um corte de 30% no valor total liberado às universidades e instituições federais de ensino técnico para custeio, além da restrição de 60% no valor designado para investimentos. Na risca do lápis, nada menos que R$ 2,1 bilhões estão retidos pelo governo Temer. Considere-se ainda que o orçamento previsto para o ensino técnico e superior federal já havia sido reduzido na ordem de 11% entre 2016 e 2017.O estrangulamento de recursos também é uma das marcas da nova política de concessão de bolsas a pesquisadores e estudantes pelo governo Temer. De início, registre-se, antes mesmo do corte de verbas, o corte do número de bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2015, eram distribuídas mais de 163 mil bolsas. Atualmente, esse número reduziu-se a menos da metade (80 mil). As bolsas de mestrado e doutorado estão incluídas nessa devastação. Se em 2015 eram oferecidas cerca de 19 mil em cada modalidade, hoje não passam de aproximadamente 8 mil cada.Contudo, a situação se agravou ainda mais esse ano. Mesmo as poucas bolsas sobreviventes correm o risco de não serem pagas. Notícia recente dá conta de que o CNPq esgotou todo o seu orçamento para tal atividade, possuindo recursos para pagar as bolsas apenas até agosto – pagamento que deverá ser feito no início de setembro.Como consequência, diversas universidades podem se ver obrigadas a simplesmente interromper suas atividades de pós-graduação, ferindo de morte várias iniciativas relacionadas ao campo da pesquisa acadêmica. É o caso, por exemplo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nota divulgada pela reitoria da instituição lembra que o programa de iniciação científica, em vigor desde 1951, “nunca sofreu descontinuidade mesmo em momentos mais graves de crise econômica e durante governos de diferentes matizes ideológicas”.A minuta divulgada pela Andifes ainda lembra outras dificuldades que se avizinham para as universidades: necessidade de restrição da força de trabalho contratada, dificuldade para pagamento de elementos básicos para funcionamento (como energia elétrica e água), restrição no orçamento para compra de insumos para atividades de aula e para a manutenção dos cursos, paralisação de obras em andamento, além da quase completa interrupção da política de compra de livros para bibliotecas.O futuro da Educação Superior e pesquisa no país é, portanto, estonteante. Junte-se a isso outras iniciativas nefastas, como a que pretende por fim à política de diálogo e aproximação entre os países do continente posta em prática com a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), localizada em Foz do Iguaçu (PR), e teremos um cenário de verdadeiro desespero.Mesmo assim, vemos os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia atuando de maneira inerme, sem esboçar qualquer tipo de reação. Trata-se de algo inconcebível.Não há dúvidas de que o governo Temer seja um celeiro de motivos para indignação. Contudo, o que se passa quanto a Educação Superior no país é de gravidade maior. Cabe a nós, portanto, fazer com que tal questão ganhe a dimensão que verdadeiramente merece.
Tucana quer punir quem a chamou de ‘gostosa’

A deputada Shéridan Oliveira foi vítima de um comentário machista durante votação de denúncia contra Michel Temer no plenário. Do Blog de Dimas Roque – A deputada Sheridan, filiada ao PSDB de Roraima, que foi chamada de “gostosa” por um dos deputados durante a votação na Câmara e que salvou o presidente Michel Temer de ser investigado, resolveu tirar essa história a limpo. Ela decidiu entrar com uma representação no Conselho de Ética da Câmara pedindo a investigação e quer saber quem foi. Ausente no dia, Sheridan foi avisada pela filha sobre o ocorrido e se sentiu agredida em sua honra. Caso o Conselho de Ética acate a representação da deputada, acontecerá no parlamento um fato inusitado que é a investigação de um parlamentar por emitir a sua opinião no plenário da Câmara e que para a deputada agredida, foi ofensivo.
FOLHA RECONHECE HIPOCRISIA DO GOLPE

Em editorial publicado nesta terça-feira 8, a Folha de S.Paulo reconhece a hipocrisia do golpe que tirou Dilma Rousseff da presidência da República, mas defende a continuidade do programa de reformas colocado em prática por seu sucessor, Michel Temer. “O processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) não se deu sem farta dose de hipocrisia: o Congresso, que depôs uma presidente acusada de má-fé na gestão do Orçamento, nunca havia zelado, até então, pelo manejo criterioso das finanças públicas”, admite a publicação. “Em um arranjo descrito como semiparlamentarista, Michel Temer (PMDB) arregimentou as forças majoritárias do Congresso para um programa ambicioso de reformas, conduzido, reconheça-se, com unidade e eficiência. Isso, claro, até a delação da JBS demolir a credibilidade do chefe de governo”, prossegue. O jornal elogia, em seguida, a “movimentação” do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), “em defesa da política econômica e, em particular, da reforma da Previdência”, e cobra o comprometimento do PSDB e de governadores em prol das reformas.