Golpe foi diretriz institucional das cúpulas das Forças Armadas

As provas coletadas nas investigações da Polícia Federal fornecem informações importantes para a reconstituição do plano golpista. E confirmam o envolvimento institucional das Forças Armadas com o golpe. Por Jeferson Miola, em seu blog São fartas as evidências de que não ocorreram apenas atitudes isoladas de alguns indivíduos fardados, porque foi um empreendimento arquitetado e cadenciado na hierarquia militar. O golpe era o trampolim para a longevidade do projeto de poder militar. Após a vitória do Lula na eleição de 30 de outubro, o comando golpista incorporou um forte “dispositivo popular” – os acampamentos nas áreas dos quartéis com extremistas de direita, militares da ativa, da reserva, fundamentalistas religiosos e integrantes da família militar. O comunicado de 11 de novembro de 2022 “Às Instituições e ao Povo Brasileiro”, no qual os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica contrariaram ordens judiciais, afrontaram o STF e defenderam a permanência dos acampamentos, traduziu a coesão e a unidade institucional dos comandantes militares. Divulgado 11 dias após a eleição, o provocativo comunicado assinado pelo general Freire Gomes, pelo brigadeiro Batista Júnior e almirante Garnier Santos definiu os acampamentos como “manifestações populares” de pessoas que defendem “demandas legais e legítimas da população”. Financiados por empresários e apoiadores, e com infraestrutura assegurada das próprias áreas militares, os acampamentos foram considerados ilegais e criminosos por ministros do STF. O acampamento do Quartel-General do Exército funcionava como logística estratégica de/para ações terroristas e golpistas. Isso ficou evidente nos atos terroristas de 12 e 24 de dezembro de 2022 em Brasília e nos atentados de 8 de janeiro de 2023. Evento importante na cronologia dos acontecimentos foi a decisão do então comandante do Exército, general Freire Gomes, que hoje se diz legalista e herói da democracia, mas que no dia 29 de dezembro de 2022 impediu o desmonte do acampamento golpista no QG do Exército. Hordas saíram do QG para aterrorizar a capital federal no dia da diplomação de Lula e Alckmin [12/12] e, semanas depois, para vandalizar as sedes dos poderes da República no 8 de janeiro. Pretendiam, com isso, justificar a convocação de operações GLO e de medidas de exceção, como concebido na minuta de golpe. A repercussão da vitória do Lula no país e no exterior, ao lado da oposição do governo Biden ao golpe quebrou o consenso golpista –ou arrefeceu a posição golpista majoritária– na caserna, comprometendo a unidade de ação e a coesão das cúpulas militares. Apesar disso, a articulação golpista não se encerrou. A expectativa de concretização do golpe ainda com Bolsonaro na Presidência durou pelo menos até o dia 27 de dezembro de 2022, quando faltavam apenas quatro dias para o fim oficial do governo. Prova disso é o intercâmbio de mensagens do general Braga Netto, candidato a vice na chapa militar, com o capitão Sérgio Rocha Cordeiro, então integrante da equipe de segurança do Bolsonaro, que queria conseguir um cargo no governo para uma pessoa. Braga Netto então respondeu: “Cordeiro, se continuarmos, poderia enviar para a Sec. Geral. Fora isso vai ser foda” [grifo meu]. Este diálogo surreal, em que um general 4 estrelas do Exército ainda tinha alguma expectativa de continuidade do Bolsonaro no poder apesar do resultado da eleição, o que somente seria possível com uma ruptura institucional, aconteceu 15 dias depois da diplomação de Lula e Alckmin pelo TSE e a apenas quatro dias do término do governo. Antes da posse do presidente Lula, os comandantes das três Forças deram outra demonstração cabal de insubordinação institucional ao se recusarem permanecer nos respectivos comandos até a transmissão do cargo no novo governo. Recusaram-se bater continência para Lula, pois não aceitaram o resultado da eleição e não o reconheceram como o eleito soberanamente comandante supremo das Forças Armadas. Neste contexto de evidências significativas do envolvimento institucional dos altos comandos militares com o golpe, é pouco fiável a hipótese de que a conspiração foi atitude isolada de alguns oficiais. No depoimento à PF [29/2], o general Estevam Theóphilo disse que se reuniu com Bolsonaro em 9 de dezembro de 2022 para tratar do golpe a pedido do general Freire Gomes. Ao invocar obediência à hierarquia para protagonizar um ato criminoso, o general Theóphilo arrastou para a cena do crime a instituição militar, confirmando que o golpe foi, de fato, uma diretriz institucional das cúpulas das Forças Armadas. O avanço das investigações da PF, inclusive com a análise do conteúdo do celular do general Lorena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid, pode revelar outras camadas do plano golpista e alcançar também aqueles oficiais do Alto Comando que continuam incólumes, além da própria institucionalidade militar. Há uma mensagem implícita no depoimento do general Theóphilo, com um claro recado à cúpula: ou salvam-se todos os golpistas fardados, ou caem todos em desgraça. A bandeira da anistia, lançada por Bolsonaro no ato da avenida Paulista em 25 de fevereiro, poderá ser usada como tábua de salvação das cúpulas militares. Se isso acontecer, estará instalado o impasse no país.
Saiba quem são os empresários presos pela PF por suspeita de ligação com os atos golpistas

Um dos empresários é suspeito de ter transferido dinheiro para contas bancárias de pessoas diretamente ligadas às manifestações terroristas Os empresários Joveci Xavier de Andrade e Adauto Lúcio Mesquita foram presos pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 29, durante a Operação Lesa Pátria. Os relatos foram publicados na Carta Capital. Nascido em Brasília (DF), Andrade é um dos sócios da empresa Melhor Atacadista. A rede de mercados teria sido usada para o fornecimento de material para os acampamentos bolsonaristas. Em abril do ano passado, Joveci prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Outro sócio na Melhor Atacadista, Mesquita é suspeito de ter transferido dinheiro para contas bancárias de pessoas diretamente ligadas aos atos golpistas. Policiais federais investigam se ele teria bancado parte do transporte para a Esplanada dos Ministérios Outro lado Em nota, a assessoria do grupo Melhor Atacadista informou que “é contra o vandalismo e a intolerância política, e acredita que a democracia é feita com pensamentos diferentes, mas jamais violência”. O grupo disse que não teve acesso à decisão judicial, mas que “desde o início, houve esforços para esclarecer todos os fatos”. “A realização de apurações pelo Estado é considerada válida, e os investigados veem agora a oportunidade de elucidar completamente as questões em aberto”.
Bolsonaro sai fortalecido espiritualmente da Paulista, até para ser preso

“Faltaram vigor político e uma palavra de ordem na aglomeração da extrema direita”, escreve o colunista Moisés Mendes Duas conclusões elementares sobre a aglomeração golpista e religiosa em São Paulo. Bolsonaro se fortaleceu espiritualmente para enfrentar a prisão. E líderes que pareciam vacilantes se habilitaram como herdeiros do espólio do sujeito. O resto vale pouco. Vale quase nada, por exemplo, a especulação de que a manifestação, com público muito aquém do esperado, possa ter o poder de provocar reações radicais se Bolsonaro for preso. Que tipo de reação? Um levante? Badernas? Mais uma invasão de Brasília? A “destruição” dos que prenderem Bolsonaro, como blefou Silas Malaia no discurso com ataques a Alexandre de Moraes? Uma revolta com o apoio de Braga Netto e Augusto Heleno, que já contam com celas em reforma à espera do tenente e dos generais no QG do Exército em Brasília? A disseminação do terror nas cidades por grupos de CACs e milicianos? Alguém imagina que, a partir da demonstração de força da fé na Paulista, seja possível ver Eduardo Bolsonaro rearticulando a extrema direita, mesmo sabendo que ele preferiu, ao invés de apoiar o pai em São Paulo, participar de um evento do fascismo em Washington? Imaginam uma cruzada religiosa liderada por Malafaia? A aglomeração teve algumas utilidades, mas nenhuma com promessa de efeitos drásticos. Uma utilidade é a definição dos políticos que vão disputar a herança deixada por Bolsonaro. Correram riscos e mostraram a cara Tarcísio de Freitas (com um discurso frouxo) e Romeu Zema e, num segundo time, Jorginho Mello e Ronaldo Caiado. Estão com alvará para levar o bolsonarismo adiante. E Bolsonaro passa a ser um santinho do pau oco. Os pretendentes ao que ele deixa para 2026 estiveram no trio na avenida como crocodilos dentro de um tanque, no qual entraram querendo ou meio sem querer (alguns foram empurrados) e do qual não conseguirão sair A briga agora é pela herança de Bolsonaro, porque o inelegível não tem mais poder militar, não tem Paulo Guedes, Augusto Aras, Mauro Cid, Anderson Torres, não pode comprar o centrão e, depois da eleição municipal, talvez nem Valdemar Costa Neto e partido tenha mais. Bolsonaro é uma entidade gasosa, quase um espírito da extrema direita, e essa passa a ser a sua função. Os que foram à Paulista e subiram no trio elétrico não estavam pensando em salvá-lo, mas em mostrar fidelidade ao santo e em fidelizar a base que ele deixa. Comprovou-se no domingo, como era esperado, que o eleitorado mais ativo de Bolsonaro saiu da viuvez, um ano depois de dois fracassos, na eleição e no golpe. O lastro de direita continua ativo e vivo, mais vivo do que o próprio Bolsonaro. Nesse cenário, saem os militares, como força capaz de inspirar e mobilizar golpistas e acolher manés e terroristas em quartéis, e entram os líderes espirituais. Sai Braga Netto e começa o protagonismo da era Malafaia e Michelle. A guerra santa agora é de novo a dos costumes contra os demônios, e não a da possiblidade já sepultada de um golpe com suporte militar. Prevalecem a pregação moralista e anticomunista e os ataques ao Supremo, com ameaças de amordaçamento do Judiciário por deliberações do Congresso. Bolsonaro saiu da Paulista certo de que mantém em alerta grupos que vão lutar pelo que defende nas redes sociais, nas igrejas e nas eleições municipais. Mas é claro que ele esperava mais gente e também um grito de guerra por parte dos oradores, que não aconteceu. Nem ele mesmo se preparou, por mediocridade, para oferecer o que poderia ser uma palavra de ordem. Agora, é manter as engrenagens de líderes regionais e de tios e tias do zap, as rezadoras que seguem Michelle e os chefes paroquiais de direita que se transformaram em extremistas irreversíveis. A fé é o sentimento que fica da aglomeração, que não transmitiu o vigor político esperado, mas cumpriu a tarefa de pelo menos expressar proteção espiritual ao líder. Não há como imaginar que os efeitos da Paulista, em que todos os oradores deram um tom bíblico aos discursos, possam impedir que as investigações sigam em frente, possivelmente com novas informações devastadoras. E que em algum momento Bolsonaro seja denunciado, processado, julgado, condenado e preso, mas com o Deus de Michelle e Malafaia no coração. Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.
Ministro condena disseminação de fake news sobre a Ilha de Marajó, no Pará

Silvio Almeida criticou a associação de mazelas nacionais com o modo de vida de uma população, especialmente envolvendo crianças. O ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, expressou sua indignação diante da divulgação de informações falsas sobre a população da Ilha de Marajó, no Pará. Durante entrevista, nesta sexta-feira (23), Almeida condenou veementemente essa prática, destacando que tais alegações são irresponsáveis e prejudiciais à imagem das pessoas que vivem na região. A exploração sexual infantil na Ilha do Marajó, no Pará, voltou ao debate, tematizada por uma canção evangélica viralizar na internet ao citar supostas violações de direitos humanos na comunidade, especialmente envolvendo exploração sexual de crianças e tráfico de órgãos. O alerta veio acompanhado do sensacionalismo de que na região isso é considerado normal — o que é repudiado por organizações que atuam no Marajó. O Ministério Público Federal desmentiu que haja tráfico de órgãos na região. O Ministério divulgou nota em que alerta para divulgação e compartilhamento da desinformação sobre cancelamento de ações e projetos do governo federal na Ilha do Marajó, no Pará. De acordo com a pasta, em maio de 2023, foi criado o Programa Cidadania Marajó, com recursos para o combate à violência de crianças e adolescentes e promoção de direitos humanos e acesso a políticas públicas. “É preciso inverter lógica assistencialista e modos de vida da população do Marajó. Possuímos o compromisso de não associar imagens de vulnerabilidade socioeconômica ou do próprio modo de vida das populações do Marajó, em especial, crianças e adolescentes, ao contexto de exploração sexual”, diz nota do ministério. O local vem recebendo, desde o ano passado, o programa Cidadania Marajó, que disponibiliza recursos para ações de combate à violência contra crianças e adolescentes. No entanto, Almeida lamentou que a iniciativa esteja sendo alvo de desinformação, muitas vezes disseminada por influenciadores nas redes sociais, mesmo que de boa fé. “Não podemos associar a imagem de pessoas que sofrem com problemas históricos, responsabilidade do Brasil, com o modo de vida dessas populações. Temos que reconhecer a riqueza cultural e social dessas comunidades, em especial quando se trata de crianças, ao invés de retratá-las de forma redutora, como se suas vidas se limitassem à exploração sexual”, enfatizou o ministro. Almeida também repudiou a tentativa de oportunistas que, segundo ele, nunca contribuíram efetivamente para o bem-estar do povo de Marajó, mas que utilizam a imagem das crianças e adolescentes da região para promover seus próprios interesses. Um discurso da ex-ministra Damares Alves (Republicanos) de 2022, sobre supostas práticas de tortura e mutilação de crianças para abuso sexual no Marajó, também voltou a tona. Na época, ela alegou possuir evidências, mas os casos nunca foram comprovados. Tempos depois, Damares declarou ao MPF que as denúncias se baseavam apenas em relatos, não em provas. “Rejeito veementemente essas tentativas de aproveitadores que buscam se beneficiar da situação, sem realmente se comprometerem com a melhoria das condições de vida das comunidades locais. É uma prática condenável e que deve ser combatida com veemência”, declarou Almeida. O ministro enfatizou a importância do compromisso e da responsabilidade na divulgação de informações, especialmente quando se trata de questões sensíveis que envolvem a dignidade e os direitos humanos das pessoas. Ele destacou que o governo está empenhado em promover políticas públicas eficazes que beneficiem as comunidades da Ilha de Marajó e de todo o país, combatendo a desigualdade e a violência de forma efetiva e responsável.
“Carnagado”: manifestação bolsonarista vira piada nas redes

Redes reagem à mobilização de extrema direita coordenada por Malafaia e Bolsonaro Neste domingo (25), a extrema direita brasileira estará em reunião para defender Jair Bolsonaro, investigado como líder de uma tentativa de golpe de estado e de uma organização criminosa. A manifestação na Paulista ganhou um apelido especial nas redes sociais: virou o ‘Carnagado’. Duas semanas depois do Carnaval, a trupe bolsonarista tenta realizar uma demonstração de força ao ex-presidente. Bolsonaro, que está prestes a ser preso após as revelações da Operação Tempus Veritatis, tenta, ao lado do Pastor Silas Malafaia, desestabilizar a democracia e faz um teste para medir a temperatura de apoio de sua base mais radical na Paulista neste domingo. Contudo, a previsão de chuva e a incapacidade de unir sua própria base em torno da manifestação faz com que o “Carnagado” vire piada antes mesmo de sua realização. Veja os memes nas redes: MUITO TRISTE: a previsão do tempo para o ato golpista amanhã na Avenida Paulista é de MUITA CHUVA! Se formos olhar pelo lado positivo, ao menos na cadeia não tem chuva! Dali eles poderão sair para um ambiente bem quentinho e aconchegante! LULA TEM RAZÃO#CarnaGado pic.twitter.com/wTUDhE0MlN — Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) February 24, 2024 https://twitter.com/vinicios_betiol/status/1761425484003307798/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1761425484003307798%7Ctwgr%5E29852bf5ec1f8ab74dcaa79603f827573e7421c4%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fd-81495203895445740.ampproject.net%2F2402080818000%2Fframe.html ????CARNAGADO???? O carnaval terminou, mas a folia continua. Carnagado na Paulista. Vídeo motivacional ???? pic.twitter.com/VfPMhjph3q — ???? Bruno ???? (@Brunocomunika) February 18, 2024 Bolsonaro faz o último pronunciamento para o CARNAGADO do dia 25. pic.twitter.com/2lNh3mPQDp — Lázaro Rosa ???????? (@lazarorosa25) February 24, 2024 CarnaGado ou Gadociata?Vai chover ???????????????? pic.twitter.com/Wf6EVdMrO8 — Distopia Brazil (@DistopiaBrazil) February 24, 2024 Três Poderes: Derrite é o vencedor da semana e Lula, o perdedorhttps://t.co/y4dfCf3bRR — Folha de S.Paulo (@folha) February 24, 2024
Lula e a paz aos palestinos – Por Wagner Rocha*

As reações contra o corajoso posicionamento de Lula ao condenar o massacre na Palestina provém, em sua maioria, de pessoas que desprezam a paz e estão ao lado dos que promovem a guerra a qualquer custo, extremistas de direita, admiradores de monstros como Hitler e Mussolini, propagadores da cultura do ódio e da intolerância. Essas pessoas carregam uma identidade. Não se trata de seres abstratos. Não são personagens de narrativas ficcionais. Elas são reais, concretas, e atuam diuturnamente motivadas pelo instinto de dominação, escravização e aniquilamento das diferenças. Elas sabem que em sua fala Lula não minimizou os efeitos catastróficos sofridos pelos judeus durante o holocausto, as torturas, os assassinatos… Sabem que em toda a sua trajetória Lula sempre agiu pautado por uma ética humanista e solidária. E é justamente por isso que lhe perseguem. Se Lula fosse um ditador, um defensor dos carrascos e poderosos sem escrúpulos, com certeza, seria aplaudido pelos inimigos da paz. Se Lula tivesse a estupidez como norteadora dos seus atos políticos já teria sido ovacionado pelos malfeitores espalhados por diversas partes do mundo. Mas não. Lula tem a coragem de se manifestar bravamente contra a morte e o sofrimento extremo imposto ao povo palestino e não se curva diante das ameaças e dos frequentes ataques à sua atuação em defesa da democracia e dos direitos humanos. Mesmo quando foi preso injustamente por aqueles que alçaram ao poder um representante inequívoco do fascismo, Lula não se acovardou. Através das suas palavras a favor da paz na Palestina, Lula disse ao mundo uma verdade incontestável: é necessário acabar com as ações violentas e assassinas que têm vitimado mais de trinta mil inocentes, ceifado vidas, destruído sonhos e esperanças. O seu protesto tem como alvo o governo sionista de Israel, responsável por todo esse genocídio produzido pela atuação militar na Faixa de Gaza, e não o povo judeu. Diante disso, o aspecto que deve ser considerado é a essência da mensagem de Lula, ou seja, a força expressiva do seu clamor pela piedade dos terroristas do Hamas. É este o ponto central do seu discurso. Trata-se de uma súplica dirigida aos algozes para que esses se conscientizem quanto ao número alarmante de mulheres, crianças, pessoas jovens e idosas que estão sendo devastadas pelos bombardeios, mortas a sangue frio, e as tantas que se encontram gravemente feridas e desamparadas. A fala de Lula, em hipótese alguma, não pode ser distorcida por aqueles que legitimam o massacre. O que tentam, de maneira leviana e afrontosa, é desviar o foco da sua questão principal: o genocídio precisa parar. * Wagner Rocha é poeta e professor da Unimontes.
Tenha coragem, Bolsonaro: não atenda à intimação da PF!

Por Juca Kfouri – Folha SP Jair Bolsonaro disse que não cumpriria a intimação de comparecer à Polícia Federal para depor sobre a intentona golpista do dia 8 de janeiro, nesta quinta-feira, 22 de fevereiro. Apelou ao STF neste sentido e o ministro Alexandre de Moraes reafirmou a necessidade de que ele cumpra a intimação. Bolsonaro quer ter acesso, por exemplo, aos termos da delação premiada de seu ex-braço direito, Mauro Cid, para evitar ser pego na mentira. Era só o que faltava: ele ter acesso ao que está sob segredo de Justiça e é essencial ao inquérito. Mas Bolsonaro deve se colocar acima de tudo isso, da Justiça, da PF, do STF, do Brasil, só sob Deus, e simplesmente não ir. Mostrar que é macho. Se redimir de ter entregado sua motocicleta, revólver e celular quando assaltado no Rio, no que fez muito bem, diga-se de passagem, mas que não orna com quem prometeu metralhar os petistas. Ou minimizar o vexame de pedir para Michel Temer escrever uma cartinha para que ele pudesse fazer as pazes com Alexandre de Moraes depois de tê-lo xingado. Ou de ir para a Flórida no dia anterior ao fim de seu mandato com medo de ser preso, respaldado por 800 mil reais lá depositados. Tudo isso pode ficar para trás se Bolsonaro mostrar ao STF, à PF, ao Brasil e ao mundo que ele é mais valente até que Donald Trump. Não decepcione seus seguidores, Messias, nem que seja para ser preso. Já imaginou como estará a Paulista? Vai que é tua, Bolsonaro!
Dino apresenta PEC para vetar ‘prêmio’ de aposentadoria a juízes e militares criminosos

A proposta prevê a exclusão do serviço público de servidores condenados, sem direito a receber os valores de aposentadoria O senador Flávio Dino (PSB) protocolou, nesta segunda-feira 19, uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a aposentadoria compulsória de juízes, promotores e militares que cometeram crimes graves. Ao discursar no Senado, Dino afirmou que, embora os senadores devem considerar injustas as críticas feitas de modo generalista ao Poder Judiciário, os parlamentares também precisam apontar erros eventualmente praticados pela magistratura e buscar as saídas adequadas “Estamos buscando corrigir uma lacuna, deixando claro no texto constitucional que não há a previsão de aposentadoria compulsória como sanção e que ela passará a constar expressamente a proibição de aplicação de aposentadoria compulsória como sanção, porque é uma incompatibilidade semântica, ontológica, conceitual”, afirmou o senador. O parlamentar, que foi juiz federal por 12 anos, ainda rebateu as críticas de que a proposta vai de encontro aos interesses da magistratura e disse esperar que “não haja uma incidência indevida de alguma visão corporativista” para barrar a tramitação do texto. “A aposentadoria é um direito sagrado de todos. Como é que a aposentadoria, que é um direito que visa a assegurar a dignidade, é uma punição? Acaba sendo um prêmio. Infelizmente, há pessoas destituídas de senso ético que não se constrangem de serem ‘punidas’ e passam a vida a receber uma aposentadoria porque foram punidas”, acrescentou. A proposta prevê a exclusão do serviço público dos servidores condenados, sem direito a receber os valores de aposentadoria. Em algumas carreiras, como a promotoria, magistratura e o serviço militar, quando há o cometimento de infrações administrativas graves, o servidor é transferido para a inatividade, no entanto, permanece recebendo remuneração a título de “aposentadoria” A sanção seria, na visão do senador, um desvio da finalidade do benefício previdenciário. Para ser aprovada, a emenda constitucional precisa obter ao menos 49 votos favoráveis no Senado e 308 na Câmara. Além desta PEC, Dino também apresentou outras três propostas que tratam da proibição de acampamentos na frente de quartéis, da prisão preventiva e audiência de custódia e a regulamentação da destinação do Fundo Nacional de Segurança Pública para o reconhecimento de mérito de policiais. As ações de Dino acontecem em seu penúltimo dia como senador, após ter deixado o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, em janeiro, para assumir como ministro do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira 22.
Polícia Federal intima Bolsonaro a depor sobre tentativa de golpe

Bolsonaro terá que explicar a reunião em que se falou em “virar a mesa” e a minuta de decreto golpista que previa prender Alexandre de Moraes, entre outros pontos A Polícia Federal (PF) intimou Jair Bolsonaro (PL) a prestar depoimento no âmbito de uma investigação que visa apurar possíveis tramas golpistas envolvendo membros do governo passado e militares. O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, confirmou a informação a Andréia Sadi, do g1. O depoimento está previsto para ocorrer na quinta-feira (22). A investigação da Polícia Federal descobriu diversos elementos, incluindo um vídeo de uma reunião na qual Bolsonaro teria dito a ministros que não poderiam esperar o resultado da eleição para agir. No entanto, a defesa dele nega veementemente qualquer envolvimento em planos golpistas, afirmando que Bolsonaro nunca cogitou tal possibilidade.
Após incidentes, Ivete chora e considera despedida do Carnaval

O desfile no quinto dia de carnaval, na segunda-feira (12), foi marcado por problemas no trio elétrico da cantora Ivete Sangalo se emocionou em seu trio elétrico e disse que cogita se despedir do Carnaval após diversos incidentes durante a semana de folia em Salvador. O desfile no quinto dia de carnaval, na segunda-feira (12), foi marcado por problemas no trio elétrico da cantora. Um tubo de gás carbônico explodiu e deixou duas pessoas feridas, além de uma inclinação no trio e reclamação de spray de pimenta no dia anterior. Por causa das situações, a artista chorou no circuito Dodô (Barra-Ondina). “Isso está enchendo meu coração de angústia”, disse. Ela ainda lamentou o gesto de folião durante a passagem do Coruja e agradeceu o apoio dos fãs que acompanharam o bloco. Veja: Um tubo de gás carbônico explodiu no trio elétrico da cantora Ivete Sangalo durante o desfile em Salvador, ontem à noite. Duas pessoas tiveram ferimentos leves: https://t.co/EmLxzkJjLT #BomDiaBrasil pic.twitter.com/39am86ttFQ — Bom Dia Brasil (@BomDiaBrasil) February 13, 2024