Elite bolsonarista crê que grana dá direito de agredir Moraes e democracia

Por Leonardo Sakamoto Os xingamentos ao ministro Alexandre de Moraes e a agressão física sofrida por seu filho por bolsonaristas no aeroporto de Roma, nesta sexta (14), reforçam que uma parte da elite de extrema-direita, que tem mais acesso à informação sobre as consequências de atos como esse, continua propagando ódio e intolerância por acreditar que seu dinheiro a protege. Entre os que estão sendo investigados pela Polícia Federal, estão os empresários Roberto Mantovani Filho e Alex Zanatta, de Santa Bárbara D’Oeste (SP). “Não foi nada de tão extraordinário”, disse Mantovani ao jornal O Estado de S.Paulo sobre o ocorrido. A declaração normaliza o ataque, como se atacar um ministro do STF e bater em sua família fosse algo corriqueiro. O bolsonarismo, como movimento autoritário, negacionista, misógino, armamentista, miliciano e golpista, é naturalmente violento, independentemente da classe social do indivíduo que o professe. Contudo, o naco da elite brasileira que dele faz parte age como se tivesse um salvo-conduto para exercer a estupidez devido à sua posição economicamente privilegiada. Durante a pandemia de covid-19, ricos bolsonaristas vieram a público dizer absurdos sobre as medidas de combate ao coronavírus -remédio amargo que salvou vidas. O empresário Júnior Durski, por exemplo, disse, em 2020, que “não podemos [parar] por conta de cinco ou sete mil pessoas que vão morrer”. Com Bolsonaro sabotando o isolamento, morreram mais de 700 mil. Outro exemplo é Luciano Hang, investigado tanto por financiamento de milícias digitais de extrema-direita quanto por apoio à realização de atos antidemocráticos, como os de 7 de setembro de 2022. Reportagem da Agência Pública apontou que a Havan, empresa de Hang, enviou caminhões para ajudarem nos bloqueios de rodovias contra a vitória de Lula. Chegou a incentivar golpistas publicamente e dizer que “o Brasil precisa de mais gente como todos vocês, que vão para a luta, não aceitam o errado como verdadeiro”. Questionados sobre seus atos, ricos bolsonaristas sempre alegam a liberdade de expressão como justificativa. Ou melhor, exigem tolerância para a sua intolerância, esquecendo de dizer que isso leva à eliminação dos tolerantes e da tolerância. A diferença entre esse grupo privilegiado e a base mais humilde dos seguidores do presidente é o farto acesso à informação. Dificilmente, eles podem alegar ignorância ou manipulação como outros grupos sociais. No caso deles, a adesão ao bolsonarismo tende a ocorrer não apenas pelo alinhamento ideológico, mas também por verificar que essa aliança garante manutenção de seus privilégios. Por sua importância no papel de organizar a massa de manobra, empresários da banda radical do agronegócio e ricos comerciantes do interior estão sendo investigados pela Polícia Federal por financiar a logística e a estrutura para os atos golpistas de 8 de janeiro. Muitos agiram por acharem estar respaldados por sua conta bancária e influência política. Traduzindo: a impressão de que rico raramente vai preso. Mas exatamente pela ação diligente do ministro Alexandre de Moraes, tanto no Tribunal Superior Eleitoral quanto no Supremo Tribunal Federal, essa percepção foi por água abaixo e há uma chance grande dos que financiaram a tentativa de golpe serem punidos. Isso dobra a revolta contra Moraes por parte dos ricos bolsonaristas, que, por outro lado, não abandonaram o sentimento de que estão acima da lei. E cenas como a agressão do aeroporto em Roma vão se repetir. Porque os líderes do bolsonarismo continuam jogando seus seguidores, ricos e pobres, contra as instituições. Nunca foi tão importante punir Bolsonaro por seus crimes. Em tempo: ao longo dos anos, eu já fui derrubado e espancado na rua, já levei garrafada na cabeça, já me jogaram frutas podres, fui perseguido até a porta da minha casa, recebi ameaças de morte frente a frente. A agressão física por parte da extrema direita não é algo diferente das campanhas de ataques digitais, mas usa consequência lógica. Mas há uma arrogância quando ela vem da parcela rica: em uma esquina de São Paulo, um carrão abriu o vidro e de dentro uma mulher me cuspiu tempos atrás. Para ela, foi a coisa mais normal do mundo Texto originalmente publicado na coluna do Leonardo Sakamoto, no Uol.
Alexandre de Moraes é hostilizado na Itália e políticos reagem

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, usaram as redes sociais neste sábado (15) para condenar a agressão sofrida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em um aeroporto, em Roma. Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa, o magistrado foi hostilizado na capital italiana e seu filho chegou a ser agredido com um soco no rosto. “Até quando essa gente extremista vai agredir agentes públicos, em locais públicos, mesmo quando acompanhados de suas famílias? Comportamento criminoso de quem acha que pode fazer qualquer coisa por ter dinheiro no bolso. Querem ser ‘elite’ mas não tem a educação mais elementar”, criticou Dino em sua conta no Twitter. Pacheco usou a mesma plataforma para condenar o ato. Ele considerou “inaceitável” a agressão sofrida pelo magistrado e sua família e afirmou que tal comportamento distancia do país do progresso. “Mais do que criminoso e aviltante às pessoas, às instituições e à democracia, esse tipo de comportamento mina o caminho que se visa construir de um país de progresso, civilizado e pacífico”, disse Pacheco. “Todos os lados precisam colaborar para que o antagonismo fique no campo das ideias e das ações legítimas. Se a Nação, ainda dividida, não é capaz de substituir o ódio pelo amor, que o faça ao menos pelo respeito”, acrescentou o senador. Vários outros parlamentares se manifestaram. As deputadas Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) estão entre eles. “O ato é fruto do ódio e da ignorância desses que sempre alimentaram um projeto autoritário, antidemocrático e violento para o nosso país”, disse Jandira. “Os agressores já foram identificados e inquérito instaurado pela Polícia Federal. Que paguem no rigor da Lei. Nossa solidariedade ao ministro e família”, acrescentou. Já o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que atribui ao STF a competência para julgar ações antidemocráticas, afirmou que tentará votar o texto em agosto. “A agressão de ogros contra Alexandre de Moraes mostra que é hora de punir os crimes de ódio, alguns já tipificados. Vamos enquadrar a intolerância política, como propus no ‘pacote da Democracia’. Vou procurar o relator Veneziano do Rego e o Presidente para votarmos em agosto”.
TSE envia à Justiça Eleitoral de SP ação que pode tornar Carla Zambelli inelegível

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Benedito Gonçalves decidiu enviar uma ação que pode tornar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) inelegível para a Justiça Eleitoral de São Paulo. No processo, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ) acusam a bolsonarista de disseminar fake news sobre o sistema eleitoral. A informação é do g1. Gonçalves também é corregedor-geral eleitoral e cabe a ele analisar as chamadas ações de investigação judicial eleitoral, que podem tirar os políticos das eleições por oito anos. O magistrado considerou que há conexão do processo com outra ação que tramita na Justiça Eleitoral de São Paulo. Na denúncia no TSE, a campanha do presidente Lula e outros partidos acusam o ex-presidente Jair Bolsonaro e um grupo de apoiadores de promoverem um “ecossistema de desinformação” para influenciar nas eleições. O ministro entendeu que não é possível reunir os dois temas e, por isso, a competência no caso seria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), onde a ação ficará sob os cuidados da Corregedoria Regional Eleitoral. “A Corregedoria Regional Eleitoral de São Paulo é o órgão competente para o processamento originário da presente ação, em que são partes deputadas federais, eleitas por aquele estado, e em que se discute suposto abuso de poder que teria maculado a eleição da investigada”, afirmou Benedito Gonçalves. A ação apresentada por Sâmia e Glauber acusa Zambelli de uso indevido de veículos de comunicação social e abuso de poder político e econômico. Segundo a ação, ela “tem notório e reiterado histórico de ataques à integridade eleitoral e à Justiça Eleitoral, não só disseminando tais retóricas, mas incentivando a violência contra opositores políticos, a continuidade dos atos antidemocráticos e mobilizando sua base de seguidores”.
Os Pingos Nos Is – Jovem Pan enfrenta crise e faz demissão em massa

A Jovem Pan tem apresentado diversos problemas financeiros, o que causou a demissão de apresentadores e o cancelamento de dois telejornais, além de um corte em seu tempo de programação ao vivo. Agora, a produção diária encerra às 23h. A informação é do TV Pop. A emissora decidiu descontinuar a produção do Jornal da Manha 2ª Edição, transmitido nas rádios e nas plataformas digitais da empresa, e da edição diária do Fast News, que era comandada por Vitor Brown e ia ao ar entre 22h e 00h. A parte da grade ocupada por telejornais passará a transmitir os programas Pânico e uma versão maior do Jornal Jovem Pan, principal telejornal do grupo. A demissão repentina de Adriana Reid, ex-apresentadora do renomado programa Jornal da Manhã, na última segunda-feira (10), abalou intensamente a Jovem Pan. A saída inesperada da profissional não apenas afetou a estrutura do canal, mas também gerou incertezas quanto à permanência de outros membros da equipe. A demissão de Adriana Reid foi resultado direto de suas reclamações acerca do horário de trabalho, especialmente das madrugadas, e acabou culminando em sua dispensa após uma semana afastada de suas funções. A empresa também promoveu alterações nas equipes de câmeras, repórteres e mídias sociais, além de cancelar a segunda edição do jornal matutino, anteriormente conduzido pela apresentadora, e o programa Fast News. Anteriormente, a programação jornalística da Jovem Pan se estendia até às 2h da manhã, mas agora foi reduzida para terminar às 23h. Com as mudanças implementadas, os horários vagos serão preenchidos com reprises de outras atrações, como o Três em Um, um programa de debates políticos, e o Pânico, que será transmitido entre as 23h e 1h. Além disso, o programa Fast News também sofreu alterações, passando a ter uma hora de duração, entre as 23h e 00h. A assessoria de imprensa da Jovem Pan confirmou as informações à coluna, afirmando: “Houve uma reestruturação na grade de programação. O Jornal da Manhã, que era transmitido exclusivamente pela internet, está fora do ar”. Essas recentes modificações na programação, somadas à demissão em massa decorrente da saída de Adriana Reid, evidenciam uma crise na Jovem Pan. Agora, a emissora terá o desafio de lidar com a reestruturação e reorganização necessárias para manter sua audiência e relevância no cenário midiático. Nos últimos quatro anos, a Jovem Pan virou a voz do bolsonarismo com verbas do governo e tom amigo Pesquisas qualitativas indicaram que a rádio tem ouvinte fiel, que não consome outras fontes, não lê jornal, evita TV e se informa em redes sociais e WhatsApp (EM)
AINDA 08 DE JANEIRO – Por Wagner Rocha (*)

A destruição do patrimônio público causada no dia 08 de janeiro nas sedes dos três poderes da República em Brasília/DF foi devastadora. Percebe-se ali um ato extremamente organizado, planejado com muito cálculo e racionalidade. Toda aquela baderna tinha como motivação a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado. Diante do fracasso do ex-presidente nas urnas muita gente graúda, dona de infinitos monopólios, sentiu-se ameaçada, com medo de perder as benesses lucrativas advindas dos acordos feitos com Bolsonaro. Distante dos pobres, dos trabalhadores, das minorias sociais, o bolsonarismo nada fez pelas populações carentes. Ao contrário, só atuou contra o crescimento econômico que poderia beneficiá-las e limitou-se a encher os cofres de pastores evangélicos e empresários exploradores que patrocinaram todo aquele terrorismo. A manipulação e a desordem sempre foram fortes características do comportamento descompromissado de Bolsonaro. Desde o início já estava claro que esse “senhor do terror” sempre fora um desastre para o Brasil. Tentou forjar um governo teocrático como estratégia de poder. Como deputado federal foi uma lástima. Como presidente continuou sendo uma lástima. Trata-se de um político sem política, um homem que nunca entendeu o sentido da vida social e se arvorou contra o Estado democrático de direito, juntamente com os seus fieis seguidores. Ao invés de garantir a ordem e a paz como líder que deveria ser, acabou por semear a discórdia. Nos últimos quatro anos o Brasil vivenciou dias terríveis devido ao destempero do ex-presidente, sua falta de preparo para o cargo e a sua nítida ideologia fascista. Não é preciso repetir que a sua ascensão à presidência só foi possível graças à prisão arbitrária de Lula em 2018. Caso contrário, não teríamos testemunhado tantos atentados contra a democracia e a soberania popular. Autodenominadas “patriotas”, as pessoas responsáveis pela depredação e ataques às sedes dos três poderes pareciam viver uma realidade paralela desde o fim das eleições, chegando ao ponto de ocuparem portas de quarteis e rodovias até culminar com a invasão em Brasília/DF uma semana após a posse histórica de Lula. Símbolos da República foram destruídos, além das obras de arte de grande valor monetário e cultural. Os golpistas fizeram uma quebradeira deixando perdas irreparáveis. O efeito Bolsonaro produziu no país um bando de arruaceiros. Vestidos de verde-amarelo, alguns até com bíblia na mão, fieis ao seu “mito foragido” nos EUA revelaram-se como extremados agressores da democracia, sendo que grande parte deles foram presos. Assim, uma questão foi fundamental: punir os responsáveis por esses atos. Ainda no exercício do cargo, Bolsonaro por tantas vezes afirmou, sem provas, haver fraudes no sistema eleitoral e proferiu ameaças à democracia, sugerindo fechar o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), e outras instituições guardiães dos direitos democráticos. Após os ataques em Brasília/DF, o presidente Lula, ao se reunir com governadores, falou sobre a importância da união de todos a fim de manter viva a democracia e ressaltou que o grupo de invasores – embora nada justifique tais atos – não tinha nenhuma pauta de reivindicações ao governo empossado. Apenas queria – a todo custo -, executar o golpe que, felizmente, foi malsucedido. (*) Wagner Rocha é professor da Unimontes.
Tony Garcia faz desafio definitivo a Sérgio Moro pelo Twitter

As acusações do empresário contra Moro foram feitas em 2021, num depoimento à juíza Gabriela Hardt, que não deu prosseguimento ao caso O ex-deputado e empresário Tony Garcia, que afirma ter se transformado em um “agente infiltrado” do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) durante a operação Lava Jato, voltou à carga contra o atual senador na noite desta quarta-feira (6), em sua conta do Twitter. O empresário pergunta: “É mentira que vc me chamava em seu gabinete e me dava alvos para buscar? É mentira que vc combinava comigo e com o MPF como proceder com esses alvos? Tenha dignidade uma vez na vida e responda se sim ou não. Vou AFIRMAR isso qdo for ouvido pela PF E @MPF_PGR.” Pergunto ao @SF_Moro : É mentira que vc me chamava em seu gabinete e me dava alvos para buscar?É mentira que vc combinava comigo e com o MPF como proceder com esses alvos? Tenha dignidade uma vez na vida e responda se sim ou não. Vou AFIRMAR isso qdo for ouvido pela PF E @MPF_PGR — Tony Garcia (@tonygarciareal) July 6, 2023 Caso engavetado Tony Garcia, pivô da prisão de Beto Richa no Paraná, em 2018, afirmou em delação premiada que fez gravações ilegais do ex-governador e outras autoridades da República a mando do ex-juiz Sérgio Moro e de procuradores da operação Lava Jato. Garcia afirmou ainda que as provas clandestinas eram trocadas por promessas de benefícios na Justiça. Ele afirma que era obrigado a omitir até mesmo de seus advogados a parceria ilegal. As acusações contra Moro foram feitas em 2021, num depoimento à juíza Gabriela Hardt. O caso ficou parado na 13ª Vara Federal de Curitiba até que foi remetido pelo juiz Eduardo Appio, hoje afastado do cargo, ao Supremo Tribunal Federal (STF). As acusações de Tony Garcia estão numa petição enviada recentemente ao gabinete do ministro Dias Toffoli no STF.
Dados da PRF mostram que Silvinei Vasques mentiu na CPMI sobre blitzes no Nordeste

Na comissão, Vasques – que já havia mentido sobre emprego na Combat Armor Defense – disse que “o Nordeste e o Norte foram os locais em que a polícia menos realizou fiscalização (no segundo turno)”. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) – obtidos pelo jornal O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI) – provam que o ex-diretor-geral da instituição, Silvinei Vasques, mentiu à CPMI dos Atos Golpistas quando falou das operações realizadas para abordagem de eleitores no segundo turno das eleições presidenciais em 2022. Na comissão, Vasques – que já havia mentido sobre emprego na Combat Armor Defense – disse que “o Nordeste e o Norte foram os locais em que a polícia menos realizou fiscalização (no segundo turno). Onde mais se fiscalizou foi no Sudeste, depois no Sul e no Centro-Oeste” ao ser indagado sobre os bloqueios a eleitores em regiões onde Lula teve votação mais expressiva. No entanto, os dados da própria PRF mostram que a cada 3 blitzes realizadas no país no dia 30 de outubro de 2022, uma foi no Nordeste, que reunia 17,6% da frota de veículos do Brasil. Mentir à CPMI pode levar à cadeia, mas o presidente da Comissão, Arthur Maia (União-BA) ignorou o fato e não acatou o pedido de parlamentares – o que gerou bate-boca na sessão seguinte.. Segundo a reportagem, 2.887 veículos foram parados no Nordeste no segundo turno das eleições, o que representa 31,6% do total de abordagens no país – 9.133. No Sudeste, onde circulam 47,8% da frota brasileira, a corporação parou menos veículos no segundo turno, 2.543, o que representou 27,8% das abordagens.
Sleeping Giants derrota a Jovem Pan – Por Altamiro Borges

A derrota de Jair Bolsonaro – nas urnas e nas suas várias orquestrações golpistas – pode custar muito caro para a Jovem Pan, que se constituiu na principal emissora chapa-branca do fascismo nativo no período recente. Nos últimos dias, ela sofreu mais dois graves reveses. A Jovem Klan – como também é chamada por sua linha editorial de extrema-direita – corre o sério risco de ver minguar os seus recursos financeiros e, pior ainda, de ter cassada a sua outorga para a exploração de concessões públicas de radiodifusão. Na quinta-feira (29), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o arquivamento do inquérito policial que investigava se o movimento Sleeping Giants, que defende os consumidores diante da difusão de fake news e do discurso de ódio, cometeu crime de difamação ao fazer campanha pela desmonetização da Jovem Pan. O inquérito tinha sido aberto a pedido da empresa no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, no início do ano. A emissora acusou a organização de promover, desde novembro passado, uma campanha difamatória com o “objetivo declarado de privá-la de anunciantes”. A tentativa de intimidação, porém, não deu certo. Em seu despacho pelo arquivamento, o ministro Alexandre de Moraes enfatizou que “a instauração ou manutenção de investigação criminal sem justa causa constituem injusto e grave constrangimento aos investigados”. Com isso, segue em curso a campanha #DesmonetizaJovemPan contra a emissora “conhecida por propagar desinformação e discurso de ódio” e divulgar “discursos golpistas”. Segundo levantamento da Sleeping Giants, 98 marcas já deixaram de pagar por publicidade na emissora. Só o cancelamento dos anúncios da Toyota e da Caoa Chery resultaram em perda de R$ 837 mil em um único mês. MPF pede cancelamento das outorgas Dois dias antes, em outro duro baque, o Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou uma ação civil pública pedindo o cancelamento das outorgas de rádio da Jovem Pan e a aplicação de multa de R$ 13,4 milhões contra a emissora. Segundo o MPF-SP, a empresa deve ser “responsabilizada por lesar a sociedade ao disseminar de forma sistemática conteúdos com desinformação e por incitar atos antidemocráticos”. Também foi expedida uma recomendação à Controladoria Geral da União (CGU) solicitando a abertura de processo administrativo vetando contratos com os governos. Caso o pedido seja aceito, a Jovem Pan ficará proibida de receber verbas publicitárias oriundas dos cofres públicos. “A severidade das medidas pleiteadas se justifica pela gravidade da conduta da emissora. A Jovem Pan disseminou reiteradamente conteúdos que desacreditaram, sem provas, o processo eleitoral de 2022. Os conteúdos também atacaram autoridades e instituições da República, incitaram a desobediência a leis e decisões judiciais, defenderam a intervenção das Forças Armadas sobre os Poderes”, justifica a nota do MPF.
Foro de São Paulo: saiba o que é e os objetivos do pesadelo bolsonarista

Evento criado por Lula e Fidel reúne partidos e organizações de esquerda de países da América Latina e Caribe e tem como ponto central de atuação o debate sobre políticas alternativas ao modelo neoliberal O Foro de São Paulo (FSP) é uma das maiores obsessões da extrema direita e um pesadelo para apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas, ao contrário do que bolsonaristas alardeiam aos quatro ventos, de que a intenção seria implantar ‘ditaduras comunistas’, bem ao estilo da folclórica Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), a organização reúne partidos e organizações de esquerda para debater os desafios da América Latina e Caribe, em especial propor alternativas ao modelo neoliberal e promover a integração latino-americana e caribenha nas áreas econômica, política e cultural. Mas para políticos bolsonaristas, como a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o FSP é um perigo. Ela chegou a ingressar com uma acusação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a realização do 26º encontro do FSP em Brasília, que não prosperou. Engrossam o coro dos políticos bolsonaristas que esperneiam contra a organização Bia Kicis, Gustavo Gayer, Flávio Bolsonaro e Eduardo Girão. Breve história O FSP foi criado a partir de uma convocação de Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e de Fidel Castro, de Cuba, a partidos, movimentos e organizações de esquerda em julho de 1990. O propósito da organização era refletir sobre os acontecimentos após a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e alternativa e caminhos autônomos para a visão da esquerda da América Latina e do Caribe. A primeira reunião foi na cidade de São Paulo, em julho de 1990, e reuniu 48 partidos e organizações que representavam diversas experiências e matrizes político-ideológicas de toda a região da América Latina e Caribe. Atualmente, mais de 100 partidos e organizações políticas de diversos países participam dos encontros. No Brasil, PT, PC do B e PCB são os partidos que compõem o foro. As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos, organizações comunitárias, sindicatos, movimentos sociais, esquerda cristã, grupos étnicos e ambientalistas. Debates anti-neoliberais Nesta quinta-feira (29), começa a 26ª edição do FSP, em Brasília (DF). A abertura oficial, marcada para às 19h, terá a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Será a primeira vez que o grupo se reunirá na pós-pandemia de Covid-19. A edição anterior do encontro foi realizada em 2019, em Caracas, capital da Venezuela. Esta edição do FSP, como pontua o documento base que orienta os debates do evento, ocorre em um momento de profundas transformações na situação política da América Latina e Caribe. “Uma mudança favorável na correlação de forças, marcada por rebeliões populares em todo o continente, que expressando a agitação social, a crescente mobilização popular e a oposição ao projeto ideológico e político neoliberal capitalista”, diz o texto. Tarefas do Foro de São Paulo Entre as tarefas prioritárias desta edição do foro estão: possibilidade de implantar uma nova industrialização ecológica e produtiva cooperação cultural, científica e tecnológica fundo comum de estabilização macroeconômica, plano integrado de transporte e infra-estruturas de comunicação aumento das relações comerciais intra-regionais assumir a questão da migração como um problema comum. “Todo esse esforço no campo da política e da economia como denominador comum se traduz no não estar socialmente bem-estar, nossos direitos sociais e naturais, na erradicação da pobreza e na superação das agudas desigualdades sociais que se registram na América Latina e no Caribe”, diz o documento-base do FSP. Integração da América Latina e do Caribe “O que menos podemos fazer ou o que menos podemos fazer a esquerda na América Latina do que levantar uma consciência em favor da unidade? Isso deve ser registrado nas bandeiras da esquerda. (…) Não teríamos futuro sem unidade e integração”. Fidel Castro, Encerramento do IV Foro de São Paulo, Havana, julho de 1994 Entre os principais objetivos do FSP está a unidade e a integração das nações latino-americanas e caribenhas. A história ensina que é pela via política que é possível desencadear um processo de integração. Esse caminho está sendo percorrido por meio de medidas adotadas por governos de esquerda, como a renovação da Comunidade Latino-Americana e Estados do Caribe (Celac), da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A despeito desses movimentos rumo à integração regional, ainda há muitos obstáculos para avançar no processo de integração e que agravam novos problemas na já complicada situação das nações latinas e caribenhas que limitam seu desenvolvimento econômico, entre os quais: intensificação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo medidas coercitivas e sanções unilaterais contra Venezuela e Nicarágua estrangulamento da economia argentina deixado pelo governo Mauricio Macri aumento de impostos pelo Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, impacto da inflação no mercado internacional Guerra na Ucrânia Entre os temas em debate no FSP está a Guerra da Ucrânia. Segundo o documento-base do evento, os participantes estão comprometidos com uma solução realista e diplomática para a guerra na Ucrânia e consideram que esta posição pode ser compartilhada por todas as forças políticas democráticas do continente. “O diálogo e as negociações – não a guerra – é a única forma de resolver o conflito, sempre pela via pacífica, que garanta a soberania de todos, a paz, a estabilidade e a segurança regional e internacional”, pontua o texto. Economia e mundo do trabalho O texto-base que orienta os debates do FSP aponta também a existência de uma fratura no mercado de trabalho, com perda de vagas e qualidade dos empregos. Há ainda, segundo o documento, o fenômeno da expansão de empregos de médio prazo e prazo fixo sem benefícios, baixos níveis de seguro, sem emprego, mas como um número crescente de pessoas que assumem mais de um emprego para equilibrar as contas. “O Foro de São Paulo está empenhado em reparar os direitos trabalhistas violados e enfrentar as políticas neoliberais que ignoram as históricas conquistas sociais e a precarização do trabalho, sempre defendendo ou reconhecendo a estabilidade do emprego e salários dignos. Na luta pela atribuição de salário igual para trabalho igual para homens e mulheres, bem como a redução da jornada
Ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence morre em Brasília

Magistrado encontrava-se hospitalizado há cerca de uma semana no Hospital Sírio Libanês, localizado em Brasília, e veio a óbito em decorrência de insuficiência múltipla de órgãos Faleceu na madrugada deste domingo (2) o ex-juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence, de 85 anos. O magistrado encontrava-se hospitalizado há cerca de uma semana no Hospital Sírio Libanês, localizado em Brasília, e veio a óbito em decorrência de insuficiência múltipla de órgãos. O ex-juiz, natural de Minas Gerais, foi nomeado para o STF em 1989, permanecendo na instituição até 2007. Respeitável sofria de problemas respiratórios devido ao hábito de fumar ao longo de sua vida, incluindo cachimbo, prática que abandonou após o nascimento de sua neta, em março de 2010. Em fevereiro de 2018, Sepúlveda Pertence ingressou na equipe de advogados responsável pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, injustamente condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região no âmbito da Operação Lava Jato. Na visão de Pertence, Lula seria alvo de uma “perseguição jamais vista”. O corpo do magistrado aposentado será velado no próprio STF, porém a data ainda não foi definida. Ele era considerado uma figura consagrada no meio jurídico e político do Brasil. “O Ministro Sepúlveda Pertence marcou o Supremo Tribunal Federal, o direito e a advocacia, além de ter formado o Ministério Público como é. Terminada a constituinte chegou a dizer: ‘Não sou Golbery mas criei um monstro’. Suas frases maravilhosas certa vez se referindo ao Supremo como “guarda da Constituição e não dos presídios’. Deixará mais que saudades e sim um legado pela democracia”, disse o advogado Fernando Augusto Fernandes.