Senado aprova MP que reestrutura ministérios no limite do prazo

Proposta manteve estrutura definida pela Câmara, que retirou funções dos ministérios do Meio Ambiente e Povos Indígenas O governo federal conseguiu garantir que o Congresso Nacional validasse a Medida Provisória (MP) editada em janeiro que reorganizou a estrutura ministerial da Esplanada. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira (1º), quando o Senado converteu o texto em lei, com 51 votos favoráveis e 19 contrários – além de uma abstenção.   Os senadores não promoveram alterações na estrutura aprovada pela Câmara na noite desta quarta-feira (31). Apesar de ter mantido a estrutura básica organizada pelo governo Lula em janeiro, o relatório aprovado esvaziou as pastas do Meio Ambiente e dos Povos Originários. O segundo não terá mais competência formal para demarcar terras indígenas. O primeiro perdeu órgãos relacionados ao controle de recursos hídricos, resíduos sólidos e ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). A conversão da MP em lei no último dia possível é o desfecho de uma tensão entre Planalto e Congresso, especialmente a Câmara. No ápice das tensões, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, chegou a ameaçar sutilmente o governo com a possibilidade de sequer votar o texto. Caso a medida caducasse, a Esplanada dos Ministérios voltaria a se organizar tal como no último dia de governo Bolsonaro (PL). Senadores e senadoras seguiram, com poucas exceções, as orientações partidárias em relação à MP. A única legenda na qual todos integrantes votaram contra a medida foi o Republicanos, já que nem o PL – partido de Jair Bolsonaro – conseguiu manter a coesão absoluta de sua bancada, com um senador, Zequinha Marinho (PA), endossando a medida. Do outro lado, apesar das orientações dos líderes, algumas poucas defecções ocorreram. Sérgio Moro (União Brasil-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), como de praxe, votaram contra o governo federal – e contra a orientação de suas legendas.

O golpista Luciano Hang terá sigilo quebrado? Por Altamiro Borges

No início dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas do 8 de janeiro, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou pedido de quebra de sigilo contra o ricaço Luciano Hang. Para ele, o patético “Véio da Havan” ajudou a criar o clima para as ações terroristas em Brasília, com a invasão e a depredação dos prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). “Entendemos que há fortes indícios de que o empresário bolsonarista utilizou-se, em 2022 e 2023, de recursos próprios e das Lojas Havan (de sua propriedade) para o financiamento de inúmeras práticas antidemocráticas, que culminaram nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023”, argumentou o senador. Até sexta-feira (26), já tinham sido apresentados na CPMI do Golpe 48 pedidos de quebras de sigilo bancário e fiscal, que agora serão apreciados pelos 16 deputados federais e 16 senadores que compõem a comissão. Inelegível por oito anos Essa não foi a única notícia ruim recebida por Luciano Hang nos últimos dias. O bolsonarista até sumiu da mídia e escondeu suas roupas ridículas de “patriotário” para fugir dos holofotes e das investigações. Mas o passado o condena. No início de maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, por 5 votos a 2, o mandato do prefeito de Brusque (SC), Ari Vequi, por abuso de poder econômico na eleição municipal de 2020. Neste julgamento, os ministros também tornaram inelegível por oito anos o proprietário das lojas Havan. Em sua decisão, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que as condutas do prefeito e do empresário tornaram a disputa desigual. “Houve a utilização de toda a estrutura das lojas Havan na campanha eleitoral. Houve também flagrante e ostensiva quebra da igualdade das chances entre os candidatos”. Além do uso abusivo de suas lojas, o empresário financiou mensagens mentirosas sobre o pleito, “em uma tentativa de fazer confusão entre pessoa física e pessoa jurídica, colocando a força da empresa na cidade de Brusque contra a outra candidatura, inclusive com desinformação, com fake news e com várias notícias falsas, pedindo voto”. Já a ministra Cármen Lúcia justificou o seu voto contra o prefeito e o ricaço afirmando que as provas reunidas mostraram que “houve uma ação contínua para interferir na vontade do eleitor e que a legislação não permite impulsionamento negativo nas redes sociais para atacar adversário… Se cuida, aqui, sim, de um caso em que há abuso na atuação e a consequente quebra de isonomia entre os candidatos”. No maior cinismo, a defesa de Luciano Hang considerou que a decisão do TSE atentou contra “a sua liberdade de expressão, expondo aquilo que achava mais apropriado para que nossa cidade continuasse seguindo seu caminho”. Censura à música “Eu odeio o Véio da Havan” Curiosamente, nessa semana, o empresário bolsonarista entrou com um processo na Justiça para censurar a banda porto-alegrense “Punkzilla” pela música intitulada “Eu odeio o Véio da Van”, que foi lançada em 2020 e já teve mais de 130 mil execuções no Spotify. Segundo matéria do site g1 nesta quinta-feira (25), “a ação movida pelos seus advogados tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) desde 11 de maio e classifica a letra da canção como ‘extremamente ofensiva e desrespeitosa’. Ela pede indenização de R$ 100 mil por danos morais e a retirada de circulação da música”. Ué! Cadê a tal “liberdade de expressão”? Antes que a música seja censurada – o que é uma possiblidade real, já que o empresário segue muito influente mesmo após a derrota eleitoral do seu “mito” e do fiasco do golpe fascista -, vale conferir a letra satírica: ***** Eu odeio o Véio da Van “Ei, véio da van Pra você o meu abraço mais fraterno Mentira, eu quero que você (se Ilumine) No poço mais fundo do inferno Eu odeio o véio da van Eu vou cuspir no véio da van Eu vou jogar um ovo no véio da van No véio da van, no véio da van Eu detesto o véio da van Vou dar um pescotapa no véio da van Ninguém gosta do véio da van Do véio da van, do véio da van Babaca, bobalhão Trouxa, senil Gagá, caloteiro Barbeiro, bobo Eu odeio o véio da van Eu vou cuspir no véio da van Eu vou jogar um ovo no véio da van No véio da van, no véio da van Como fala asneira, esse véio da van Eu vou cagar no véio da van Vai pro inferno, veio da van! Véio da van, véio da van Filho da mãe, escroto, demente Corno, decrépito, caduco Sem noção! Besta, canalha, tosco Nojento, boquinha de cemitério, abestado Sem moral, abobado, estupido Ignorante, mangolão, brocha Energúmeno, babaca Meia roda, panaca, seu bolha Bobalhão, bagaceiro, chinelão Cachorro da mulesta Salafrário, cara de caipora Vai se danar, paspalho Infeliz das costa oca, desgraçado Reaça malditinho Tá loco, tchê! Isso aí não dá pra querer Essa é a minha contribuição É pra mim mandar quem se fu…?” Blog do Moro

Estadão destaca “rocambolesca agonia” e “final melancólico” da Lava Jato

Em editorial publicado nesta segunda-feira (29), o jornal Estado de S. Paulo, que foi um dos maiores defensores da Lava Jato durante sua ascensão, destacou a “rocambolesca agonia” e o “final melancólico” da operação que, segundo o jornal, “decepcionou muitos brasileiros que depositaram na operação a esperança pelo resgate do princípio fundamental da República”. O Estadão trouxe toda a recente trama envolvendo a Lava Jato, desde o comando do juiz Eduardo Appio na 13.ª Vara Federal de Curitiba, ao seu afastamento, as ações que revogaram decisões de Sergio Moro sobre o advogado Rodrigo Tacla Duran e depois a anulação dessas revogações pelo desembargador Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que pediu afastamento dos processos após virem a público seus laços com a família Moro. Com o afastamento de Appio, os casos remanescentes da operação passaram para as mãos da juíza substituta Gabriela Hardt, a qual o Estadão diz que “se mostrou incapaz do cuidado mais comezinho que se espera de um julgador: saber quem está julgando. A magistrada, vale lembrar, tratou como sendo pessoas distintas José Aldemário Pinheiro Filho e ‘Léo Pinheiro’, apelido pelo qual o ex-presidente da OAS é conhecido”. Leia alguns trechos: O roteiro da agonia da Lava Jato é digno de uma novela de baixo orçamento. Veja-se o que ocorre agora na 13.ª Vara Federal de Curitiba, que durante o período áureo da operação anticorrupção foi transformada em uma espécie de “Tribunal Oficial do Brasil” e hoje oferece ao País um lastimável show de horrores. (…) Até outro dia, a 13.ª Vara Federal estava sob a chefia do juiz Eduardo Appio. Declarado simpatizante do presidente Lula da Silva e crítico da Lava Jato, Appio revogou algumas decisões que Sérgio Moro tomou quando esteve à frente daquele juízo, entre as quais uma ordem de prisão contra Rodrigo Tacla Duran, advogado acusado de ser operador de transações financeiras ilegais da Odebrecht. Tacla Duran, que vive fora do País há alguns anos, acusa Moro e Deltan Dallagnol de terem exigido substancial soma em dinheiro para o livrarem da cadeia. Ou seja, teriam praticado extorsão. Em meados de abril, o desembargador Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), anulou o despacho de Appio revogando a prisão de Tacla Duran e ordenou que o advogado fosse preso, tal como Moro havia feito em 2016. Malucelli era o relator dos processos da Lava Jato no TRF-4 até pedir seu afastamento por suspeição após terem vindo a público seus laços com a família Moro. Para piorar, Appio foi substituído na 13.ª Vara Federal pela juíza Gabriela Hardt, a mesma que em uma de suas sentenças no âmbito da Lava Jato se mostrou incapaz do cuidado mais comezinho que se espera de um julgador: saber quem está julgando. A magistrada, vale lembrar, tratou como sendo pessoas distintas José Aldemário Pinheiro Filho e “Léo Pinheiro”, apelido pelo qual o ex-presidente da OAS é conhecido. (…) Tal foi o desserviço prestado por essa turma que hoje delinquentes posam como supostas vítimas dos erros cometidos pela força-tarefa com a maior desfaçatez e levam muitos brasileiros de boa-fé a acreditar que eles possam estar dizendo a verdade. A Lava Jato, hoje se sabe, padeceu de um terrível vício de origem, o desabrido desrespeito ao princípio do devido processo legal, que selou seu destino. Direitos fundamentais foram solapados pela sanha punitiva e pela agenda política de muitos servidores ligados à operação, principalmente suas duas maiores estrelas. Ao se apropriarem de uma ação oficial do Estado como plataforma de lançamento de seus projetos particulares, esses agentes públicos, a um só tempo, feriram de morte a Lava Jato e decepcionaram muitos brasileiros que depositaram na operação a esperança pelo resgate do princípio fundamental da República, a igualdade de todos perante a lei, do fosso das grandes desilusões nacionais.

Avião da Igreja Quadrangular é pego pela PF com 290 quilos de maconha

A carga ocupava todo o espaço disponível na aeronave e o forte cheiro que emanava do avião indicava que a maconha já estava presente há horas A Polícia Federal (PF) efetuou no último sábado (27), a prisão em flagrante de um indivíduo por tráfico interestadual de drogas. O suspeito foi detido no aeroporto de Belém, quando tentava transportar 290 quilos de skunk, uma forma concentrada de maconha, a bordo de um avião. Surpreendentemente, o Conselho Estadual da Igreja Quadrangular veio a público assumir a propriedade da aeronave apreendida. Em comunicado oficial, a igreja afirmou ter acionado a Polícia Federal assim que tomou conhecimento do conteúdo ilícito que seria transportado pelo suspeito. Agentes da PF foram informados sobre um carregamento de entorpecentes que tinha como destino a cidade de Petrolina, e agiram prontamente. O responsável pela droga foi abordado antes da decolagem, chegando a tentar fugir, mas foi capturado em seguida. Todo o espaço da aeronave A carga, que consistia em 290 quilos de skunk, ocupava todo o espaço disponível na aeronave, deixando apenas assentos para o piloto e um passageiro. O forte odor que emanava do avião indicava que a carga já estava presente há horas, aguardando a partida. Diante desse grave incidente, foi instaurado um inquérito para investigar minuciosamente os detalhes que envolvem o crime. O piloto foi liberado, uma vez que não foram encontradas evidências de sua participação no delito. Contudo, a aeronave e o celular do indivíduo detido foram apreendidos como parte das evidências. Avião da Igreja do Evangelho Quadrangular em Belém foi apreendido pela PF com 290kg de droga (skunk) no último dia 26. O caso está sendo abafado pela mídia!!!Via RomaNews pic.twitter.com/Hx59rZKQze — ???????? ???? (@mdpant25) May 29, 2023

Justiça Eleitoral cassa mandato de deputado de Crivella e o torna inelegível

 O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, durante entrevista coletiva sobre as manifestações dos taxistas. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil) A Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato do deputado federal Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Ele é acusado de montar um esquema para impedir reportagens sobre a Saúde no Rio em período eleitoral. A juíza Márcia Capanema determinou que Crivella fique inelegível nos oito anos subsequentes à eleição municipal de 2020, além de pagar multa de R$ 433.290. A magistrada avaliou uma ação ajuizada pela coligação ‘É a vez do Povo’, do PT e PCdoB feita em 2020. Na peça, os proponentes acusam Crivella de “prática de abuso de poder de autoridade e conduta vedada a agente público em campanhas eleitorais, com base na Constituição. Segundo a coligação, ele montou um esquema para “monitorar e impedir a interlocução de cidadãos com profissionais de imprensa” com o intuito de barrar informações sobre o sistema de Saúde do Rio em período eleitoral. Crivella teria articulado servidores públicos municipais que ficaram conhecidos como Guardiões do Crivella. A acusação apontou quem seriam os integrantes do esquema, utilizados de maneira ilegal por Crivella. Ao dar a sentença, a juíza destacou que a decisão tinha “caráter pedagógico-preventivo” e também demonstrava o repúdio à “conduta moral e ilegal perpetrada”. Originalmente publicado por Brasil de Fato

Lula recebe presidentes de 10 países da América do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne no Palácio do Itaramaty, na próxima terça-feira (30), presidente de sul-americanos de 10 países e um representante do governo do Peru. A atual presidente peruana Dina Boluarte, impossibilitada de comparecer, será representada pelo presidente do Conselho de Ministros, Alberto Otárola. Deverão participar do encontro os presidentes Alberto Fernández (Argentina), Luís Arce (Bolívia), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Guillermo Lasso (Equador), Irfaan Ali (Guiana), Mário Abdo Benítez (Paraguai), Chan Santokhi (Suriname), Luís Lacalle Pou (Uruguai) e Nicolás Maduro (Venezuela). O evento terá duas sessões na terça, no Palácio do Itamaraty. Pela manhã, os convidados serão recebidos pelo Presidente Lula e, na sequência, proferirão discursos de abertura. Na parte da tarde, está prevista uma conversa mais informal, em formato reduzido, em que cada presidente será acompanhado pelo respectivo chanceler e apenas um ou dois assessores. À noite, os chefes de Estado e delegações participarão de um jantar oferecido pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja da Silva no Palácio da Alvorada. Diálogo Os líderes sul-americanos atenderam a um convite feito por Lula, que busca retomar a cooperação dentro do continente. Segundo a embaixadora Gisela Figueiredo Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, as principais pautas, além da integração, são em torno de questões comuns nas áreas de saúde, infraestrutura, energia, meio ambiente e combate ao crime organizado. “A ideia é retomar o diálogo e a cooperação com países sul-americanos. Identificar denominadores comuns. A região dispõe de capacidades que serão chaves no futuro da humanidade, como recursos naturais, água, minérios, área para produção de alimentos. Uma agenda concreta de cooperação pode ser iniciada imediatamente”, disse a embaixadora, durante um briefing sobre o encontro no Itamaraty. Com informações da Presidência da República

Eduardo Bolsonaro abriu empresa nos EUA com empresário golpista e divulgador de fake news

Firma foi aberta quando Jair Bolsonaro estava morando nos Estados Unidos – Foto: Reprodução: Redes Sociais Por Alice Maciel, Juliana Dal Piva, Laura Scofield – Agência Pública No período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) morou nos Estados Unidos, seu filho “03”, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), abriu uma empresa no estado do Texas em sociedade com pessoas ligadas à disseminação de fake news no Brasil, que apoiaram os atos golpistas de 8 de janeiro e que passaram pelo governo do pai. É o que revela a investigação feita em uma aliança entre a Agência Pública, o UOL e o CLIP (Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística) nos últimos cinco meses. Eduardo abriu uma empresa em 18 de março deste ano em sociedade com o influenciador Paulo Generoso – conhecido por compartilhar notícias falsas e por ter apoiado os atos golpistas – e com o ex-secretário nacional de fomento e incentivo à cultura no governo Bolsonaro, André Porciúncula. A firma Braz Global Holding LLC foi registrada por Generoso no endereço de sua casa, em Arlington. No mesmo local, outras duas empresas dos sócios de Eduardo na holding também foram abertas, mas sem seu nome. A reportagem procurou pessoalmente o deputado Eduardo Bolsonaro na Câmara no último dia 24. Questionado sobre a empresa, ele respondeu: “Por que vocês estão me investigando? Conhecendo um pouquinho do UOL e um pouquinho de vocês, eu prefiro não falar nada”. Indagado sobre as atividades da empresa, o parlamentar se esquivou novamente: “Não tem nada demais. Explicar o quê? Estou devendo alguma coisa?”. Ao final, o parlamentar afirmou, andando rápido pelo corredor em meio aos seguranças, que “não devia explicações” e citou o TSE sem sequer ser questionado. “Eu estou traficando droga? Eu estou roubando alguém? É corrupção?”, acrescentando que “falaria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, se fosse chamado. Os demais sócios foram procurados, mas não retornaram até a última atualização desta reportagem. Braz Global Holding A reportagem obteve junto ao governo do Texas os documentos de registro da Braz Global Holding, mas neles não há informações sobre qual é o ramo do negócio. No mesmo local, em um curto espaço de tempo, Paulo Generoso abriu outras duas empresas: a Liber Group Brasil, em 13 de janeiro, e o Instituto Liberdade, em 8 de fevereiro. Nessas, Eduardo Bolsonaro não consta oficialmente como responsável, apenas Generoso, André Porciúncula e outra ex-servidora do governo Bolsonaro, Raquel Brugnera, apresentados como diretores. Raquel e Paulo Generoso são criadores do Movimento República de Curitiba, que surgiu em 2016 para apoiar a Operação Lava Jato. O movimento também defendeu a eleição do ex-presidente em 2018 e 2022. Com 1,2 milhão de seguidores, a página do grupo no Facebook espalhou notícias falsas sobre as urnas eletrônicas, a pandemia de Covid-19 e saiu em defesa dos atos golpistas. Paulo Generoso, inclusive, teve a conta no Twitter suspensa, em janeiro de 2023, após decisão judicial conforme marcado pela empresa na rede. Já André Porciúncula é chamado de “amigo” por Eduardo Bolsonaro no curso online “Formação essencial em política”. Porciúncula – que no governo Bolsonaro foi responsável por analisar e aprovar propostas para captação da Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet – fala como especialista em arte e defende que a esquerda estaria tentando destruir a fé cristã, a beleza, a moralidade para implantar seus ideais políticos. Depois de derrotado nas urnas em outubro do ano passado, Jair Bolsonaro viajou para Miami, onde ficou de 30 de dezembro a 30 de março. Nesse período, Eduardo esteve ao menos três vezes nos EUA, em janeiro, fevereiro e março. Na última visita, ele participou de eventos da extrema direita americana ao lado de seu pai. Dias antes da Braz Global Holding ser registrada no Texas, em 5 de março, os dois falaram no CPAC, congresso conservador organizado pela União Conservadora Americana (ACU, na sigla em inglês), que aconteceu em Washington. Bolsonaro viajou aos EUA no fim de dezembro de 2022, depois de ter sido derrotado na eleição, e, na ocasião, transferiu U$ 135 mil (R$ 675 mil) para uma conta nos EUA. Tudo que ele declarou em conta para a Justiça Eleitoral brasileira, ao registrar sua candidatura meses antes, foi R$ 906 mil. O valor enviado aos EUA representa quase 75% do dinheiro líquido que o ex-presidente tinha em conta. A conta foi descoberta no âmbito das investigações da PF (Polícia Federal) sobre fraudes no cartão de vacinação de Bolsonaro e seus assessores. Do serviço público à sociedade com família Bolsonaro Na trama de empresas e sócios ligados a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, há outros dois personagens que foram empregados pela família Bolsonaro e seus aliados: André Porciúncula e Raquel Brugnera. Porcíncula foi o número dois da Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro de 6 de agosto de 2020 a 31 de março de 2022. Ele deixou o cargo para se candidatar a deputado federal pelo estado da Bahia. Derrotado nas urnas, em 18 de outubro foi nomeado por Jair como secretário adjunto da Secretaria e, em 6 de dezembro, faltando menos de um mês para terminar o governo, virou o chefe da pasta. Em março deste ano, além de virar sócio da Braz Global Holding LLC, nos EUA, ele abriu no Brasil, a Spalla Consultoria, Marketing e Publicidade Ltda. A empresa foi registrada no Centro Empresarial Brasil 21 em Brasília, no mesmo prédio, mas quatro andares abaixo do escritório nacional do Partido Liberal. A reportagem foi até o endereço que consta na Receita Federal, onde funciona um coworking. Antes de entrar para a política, André Porciúncula era capitão da Polícia Militar da Bahia. Foi o emprego no governo federal que o despertou para o ramo, como o próprio explicou em uma aula em outro curso de Eduardo Bolsonaro do qual participou, chamado “O Brasil precisa saber” e disponível na plataforma de cursos “Formação Conservadora” e no canal de Youtube do deputado. “Comecei a entender como a cultura tinha sido sequestrada e transformada em um meio de ação revolucionário e isso me

Autor do pedido de CPMI do 8/1 incitou a invasão, conclui Polícia Federal

Deputado André Fernandes (PL) convocou ato e debochou da depredação do patrimônio público; hoje, ele integra a comissão de inquérito – Foto: Reprodução, TV Câmara  A PF concluiu que o deputado André Fernandes (PL; foto), autor e integrante da CPMI do 8 de janeiro, incitou a invasão às sedes dos Três Poderes naquele dia. A informação é do G1, publicada nesta quinta-feira (25), dia de abertura da CPMI Nas redes sociais, Fernandes convocou “ato contra governo Lula” na Praça dos Três Poderes na antevéspera, assim como publicou uma foto com a depredação da porte de um armário do gabinete do ministro Alexandre Moraes e a legenda “quem rir, vai preso“. Segundo a PF, o deboche da depredação demonstra que ele convocou o “ato” com a intenção da prática de vandalismo e de tentativa de golpe de Estado. “Depreende-se que ele coadunou com a depredação do patrimônio público praticada pela turba que se encontrava na Praça dos Três Poderes e conferiu ainda mais publicidade a ela (tendo em vista o alcance das suas redes sociais) restando, portanto, demonstrada sua real intenção com aquela primeira postagem, que era a de incitar a prática delituosa acima citada“, disse a polícia. Os investigadores classificaram a conduta criminosa de Fernandes como “incitação, pública, à prática de crime, qual seja, de tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício”. Fernandes é alvo de investigação no STF a pedido da PGR.

Polícia Federal vai investigar golpista da CPI do MST – Por Altamiro Borges*

A chamada CPI do MST – que visa esconder os podres dos agrotrogloditas, criminalizar os movimentos sociais e desgastar o governo Lula – já nasceu sob fortes questionamentos. Nesta terça-feira (23), a imprensa noticiou que Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a dar continuidade às investigações sobre participação do deputado federal Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, nos atos terroristas do fatídico 8 de janeiro em Brasília. Segundo matéria do site UOL, “o caso envolve a suspeita de patrocínio e incentivo aos atos golpistas no Rio Grande do Sul e em Brasília, após as eleições que deram a vitória ao presidente Lula contra Jair Bolsonaro (PL). O caso foi para o STF porque o deputado tem foro privilegiado. Em despacho, Moraes afirma que a notícia do suposto crime foi levada ao Ministério Público Federal, que decidiu enviar ao Supremo”. “Encaminhem-se os autos à Polícia Federal, para continuidade das investigações”, despachou o ministro do STF. Ligações com os agrotrogloditas O tenente-coronel Zucco foi apontado no ano passado pela polícia gaúcha como apoiador de acampamentos e outras manifestações antidemocráticas. Em uma postagem feita pelo então deputado estadual em frente ao Comando Militar do Sul, ele incentivava a ida dos golpistas ao local. O parlamentar é um reacionário convicto, com fortes ligações com os agrotrogloditas – inclusive com aqueles que foram denunciados por explorar trabalho análogo a escravidão no Estado. O fascistoide é um inimigo declarado do MST, a quem chama de “terrorista” e de “grupo criminoso travestido de movimento social”. “Ele tem como bandeira o conservadorismo e estreou na política em 2018, ao ser eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul. Conforme conta em seu próprio site, o convite veio de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Na ocasião, ele recebeu 166.747 votos. Zucco é amigo de Tarcísio de Freitas. E é próximo do atual governador de São Paulo há mais de 30 anos. Os dois se conheceram na Academia Militar das Agulhas Negras, a escola de ensino superior do Exército Brasileiro”, descreve a reportagem do site UOL. Trabalho escravo e trabalho infantil Já o imperdível site “De olho nos ruralistas” descreve nesta quarta-feira (24) outros crimes do deputado, o que retira qualquer legitimidade da chamada CPI do MST. Entre outras denúncias, ele comprova que “o tenente-coronel Zucco recebeu doação do fazendeiro Bruno Pires Xavier, condenado por manter 23 trabalhadores em condições degradantes em Mato Grosso; ele é apoiado pela Farsul, que minimizou o trabalho escravo em vinícolas e quer punições mais brandas para o trabalho infantil”. Vale conferir outros trechos da excelente reportagem: ***** “Antes de ser escolhido para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o deputado Tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) era uma figura desconhecida na política nacional. Eleito em 2022 com apoio do movimento armamentista Proarmas – na mesma chapa do ex-vice-presidente e atual senador Hamilton Mourão –, o militar gaúcho havia estreado na política quatro anos antes, ao conquistar uma vaga no legislativo estadual em 2018”. “Ex-chefe de segurança de Lula e Dilma, Luciano Zucco foi o deputado estadual mais votado no Rio Grande do Sul, em grande parte pelo engajamento direto de Mourão e de Jair Bolsonaro – com quem acompanhou a apuração de 2018, em sua casa no Rio de Janeiro. Mas sua ascensão política também contou com um personagem mais obscuro. Um dos principais financiadores de Zucco naquele ano foi Bruno Pires Xavier. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o fazendeiro doou R$ 10 mil para a campanha do militar. Dona do Frigorífico Quatro Marcos, a família Xavier é alvo de diversas denúncias de crimes ambientais e trabalhistas. Ao todo, 324 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em imóveis rurais do grupo, durante cinco operações do Ministério Público do Trabalho (MPT)”. “Na Câmara, Zucco tenta honrar os compromissos com seus fiadores políticos. Em março de 2023, em meio ao escândalo de trabalho escravo nas vinícolas gaúchas, Zucco votou a favor da tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir o MPT e a Justiça do Trabalho no Brasil. De autoria do ‘príncipe’ Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), o projeto contava com 66 assinaturas. O projeto envolveu também a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), aliada de primeira hora do deputado bolsonarista”. “O financiamento de campanha não é a única ponta que liga Luciano Zucco ao universo agrário e a violações trabalhistas. Durante a campanha para a Câmara, em 2022, o representante da ‘bancada da bala’ se aproximou da ala ruralista através da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A relação teve início ainda em 2019, graças à proximidade de Zucco com Jair Bolsonaro… Em 2020, quando Zucco ainda era deputado estadual, a Farsul emitiu uma nota conjunta com outras entidades patronais atacando um projeto da deputada Luciana Genro (PSOL-RS) que previa impedir as atividades de empresas flagradas com trabalho infantil. Segundo o empresariado gaúcho, a punição traria reflexos negativos para o ‘ambiente de negócios’”. Blog do Miro

Lula reage e demite dez militares, entre eles irmão do presidente da CPI do MST

As substituições fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu do cargo de Comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva o general Marcelo Lorenzini Zucco, irmão do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS). O deputado é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a CPI do MST. Com a exoneração, o general Zucco volta para o cargo inferior que ocupava antes, o de adido ao Comando Militar do Sul. Golpistas A demissão foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (25), com outras nove trocas de militares de alta patente que ocupavam cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as alterações, estão dois generais que foram exonerados o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). As substituições, de acordo com o Congresso em Foco, fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a Polícia Federal  (PF) a dar andamento às investigações sobre a participação do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) nos atos golpistas. Revista Fórum