Aras é expressão do país ignorante e violento – Por Fernando Brito*

Não, a cena de Augusto Aras, com seu corpanzil, partindo para as vias de fato com outro integrante do Conselho Superior do Ministério Público Federal é também – mas não só – uma das colheitas malditas do Brasil com o período Bolsonaro. Também, porque vem de antes dele no MP, pois não se pode esquecer da confissão de Rodrigo Janot de que, em uma de suas bebedeiras, entrou com uma pistola no Supremo Tribunal Federal disposto a descarregar a arma sobre o ministro Gilmar Mendes. Não é um episódio, antes se constitui numa era que, no MP e em outras instituições que chamaram para si a função que não têm de “salvadoras da pátria” e modelo inquestionável de pureza que, como se sabe, deixou de ser condição humana desde a expulsão do Éden. O Ministério Público, porém, entre elas, tornou-se mesmo um emblema e olhe que numa dura competição com polícias, militares e juízes que andaram pelo mesmo desvio. Procuradores, cada vez mais, assumiram a postura do “conosco ninguém pode” e passaram a comportar-se ou a usar o cargo – com honrosas exceções – como donos da lei e não fiscais de sua observância. Nada menos que um crime, o do artigo 345 do Código Penal, o exercício arbitrário de suas próprias razões: “Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”. Querendo ou não, este sentimento disseminou-se para a sociedade e nada o reflete melhor do que a campanha armamentista e os milhões de revólveres, pistolas e fuzis que os “cidadãos de bem” foram normalizando e quase que transformando em objetos de “lazer” em seus clubes de tiro. Num dia de chacinas, aqui e lá nos EUA, onde um garoto de 18 anos matou ao menos 18 crianças numa escola de ensino fundamental do Texas, seria bom que refletíssemos que as armas são o pior para a execução do ímpeto deste autoritarismo que se reveste de “justiça”. Temos o dever de cortar o suprimento de ódio deste Brasil ignorante e violento, antes que isso se normalize completamente e todos os lugares da vida nacional sejam ocupados por valentões de botequim. * Editor do blog Tijolaço

“Que ele tenha o direito de defesa que eu não tive”, diz Lula após Moro se tornar réu

Após o ex-juiz parcial Sergio Moro (União Brasil-SP) ter se tornado réu em ação que pede o ressarcimento aos cofres públicos dos prejuízos causados pela Lava Jato à economia brasileira, o ex-presidente Lula (PT), principal perseguido pela operação, afirmou esperar que Moro tenha seus direitos de defesa respeitados durante o processo, o que não aconteceu com ele anos atrás. “Só espero que nessa acusação ele tenha o direito de defesa e a presunção de inocência que eu não tive. Se ele tiver que ser julgado, que ele tenha o direito de defesa, que possa se defender, que a imprensa possa ser honesta ao divulgar as coisas contra ou a favor dele, e não com a parcialidade que transmitiram coisas contra mim. Eu sou um democrata, mas é difícil você suportar nove horas de matérias contra mim, como eu suportei, nove meses de Jornal Nacional. É muito difícil você sobrevier com 59 capas de revistas te chamando de ‘ladrão’. É muito difícil você sobreviver com 680 primeiras páginas de jornais falando que você cometeu corrupção. Eu sobrevivi a tudo isso”. “Estou com a minha consciência tranquila porque invadiram a minha casa, levantaram colchão, quebraram fogão, abriram televisão para tentar ver se tinha alguma coisa mas não encontraram dólar, não encontraram um grama de ouro. E quando não encontram não têm coragem de dizer. A Polícia Federal quando encontrava qualquer coisa na casa de alguém era um show de pirotecnia. Quando iam na minha casa e não encontravam nada, e nem na casa dos meus filhos, eles saíam de cabeça baixa e com o rabo no meio das pernas. Eles deveriam dizer: ‘fomos na casa do cara e não encontramos nada’. O que eu quero que aconteça com o Moro e com qualquer outra pessoa nesse país é que ele tenha um julgamento decente, digno, respeitoso, que ele tenha direito à presunção de inocência, que eles possam provar as coisas que fizeram a não fizeram”, completou. Lula afirmou que acredita sim na culpa de Moro por corroer a economia do país. “Acho que o Moro cometeu um crime contra esse país. Os prejuízos que esse país teve com o carnaval que o Moro protocolou nesse país foram muito grandes. Foram praticamente R$ 170 bilhões que deixaram de ser investidos, 4,4 milhões de pessoas que perderam o emprego, foi a destruição da indústria de óleo e gás do Brasil, da indústria naval brasileira, da engenharia civil. Era desnecessário”.

O golpe de estado de 2016 apodrece em praça pública – Por Leonardo Attuch

Vamos contar aqui uma breve história recente do Brasil. Em 2006, no governo do ex-presidente Lula, a Petrobrás anuncia a descoberta do pré-sal. Com a confirmação das reservas em uma das maiores bacias petrolíferas do mundo, o Brasil passou a atrair a cobiça internacional. Em 2013, o governo de Barack Obama assumiu a espionagem contra a ex-presidente Dilma Rousseff. A Petrobrás também vinha sendo espionada. Naquele mesmo ano, montaram-se as “jornadas de junho”, que tinham como objetivo central desestabilizar o governo da ex-presidente Dilma, que até então era aprovada por 70% dos brasileiros e caminhava para uma reeleição tranquila. O objetivo final das manifestações era garantir uma mudança de bastão, pela via eleitoral, para o partido das elites, o PSDB, que estava comprometido com a entrega das reservas do pré-sal à exploração privada pelo modelo de concessões. Como força auxiliar deste projeto, a Operação Lava Jato, comandada pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro, desmoralizava o Partido dos Trabalhadores e a própria Petrobrás. Em 2014, entretanto, Aécio Neves foi derrotado por uma margem estreita. No mesmo dia, as elites nacionais, associadas ao capital internacional, decidiram promover o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, com um objetivo central: transferir a renda do petróleo, que serviria para financiar saúde, educação, ciência e tecnologia, da sociedade brasileira para os acionistas privados da Petrobrás. Dois anos depois, em 2016, a presidência da República foi entregue ao golpista Michel Temer, do MDB, e a Petrobrás ao tucano Pedro Parente, indicado por Fernando Henrique Cardoso. E a primeira decisão central tomada pelos golpistas foi a mudança na política de preços da Petrobrás. Cada cidadão brasileiro, cada motorista de aplicativo, cada dona de casa teria que dar sua contribuição cívica para engordar os gatos gordos de Wall Street e da Faria Lima. O resultado foi a explosão dos preços, que, no governo Temer, se tornou visível no episódio da greve dos caminhoneiros. Com Bolsonaro, a desvalorização cambial, facilitada para favorecer os exportadores do agronegócio, agravou ainda mais o quadro, uma vez que os preços são determinados pela combinação entre preços internacionais e a cotação do dólar. Lá atrás, na fase preparatória para o golpe de 2016, os neoliberais convocaram os fascistas e o gado manipulado para ocupar as ruas. Nas eleições de 2018, o chamado “populismo de direita” já estava crescido, a ponto de suplantar os tucanos e eleger Jair Bolsonaro, que só se viabilizou graças a um acordo com os liberais, que atendia pelo nome de Paulo Guedes e pela alcunha de Posto Ipiranga. Hoje, quatro anos depois, o PSDB enfrenta seu funeral e os fascistas eleitos em 2018 precisam se libertar do neoliberalismo para se manterem viáveis na disputa eleitoral. Nenhum governo é reeleito com uma inflação de dois dígitos, causada, sobretudo, por preços administrados, como os da Petrobrás. Por isso mesmo, Jair Bolsonaro demitiu ontem mais um presidente da estatal, numa tentativa desesperada de se manter no poder. O que estamos assistindo no Brasil é o apodrecimento e a agonia do golpe de estado de 2016, que assaltou toda a população brasileira para favorecer um pequeno grupo de acionistas privados da Petrobrás. * Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247

Do Bolsodoria ao isolamento político: a ruína fulminante de João Doria

Assim como obteve uma rápida ascensão, ao trair aliados e se aliar com a extrema direita, o político terminou sem apoio e rejeitado por seu próprio partido Por Marcelo Hailer – Revista Fórum O ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em pronunciamento na tarde desta segunda-feira (23) que desistiu da candidatura à presidência. Com 2% nas pesquisas de intenção de voto, o tucano vinha sendo pressionado pelo seu partido a abrir mão da disputa em nome da construção de um outro nome da chamada “terceira via”. “Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito essa realidade com a cabeça erguida, sou um homem que respeita o bom senso, dialogo e equilíbrio, e sempre seguirei buscando o consenso mesmo que seja contra minha vontade pessoal”, declarou. Ascensão e ruína João Doria não é figura nova na política, mas a sua ascensão na disputa para cargos executivos se deu em 2016, quando venceu a eleição à prefeitura de São Paulo no 1º turno, algo inédito até então na disputa paulistana. O ano de 2016 tinha o cenário ideal para o sucesso fulminante de João Doria: a presidenta Dilma Rousseff sofrera um golpe que a tirou do poder, o Partido dos Trabalhadores era vítima de uma campanha violenta de criminalização de sua história e, naquele momento, a Operação Lava Jato era tratada como aquilo que ia “salvar o Brasil do comunismo e da corrupção do PT”. Doria surfou e soube utilizar em benefício próprio o discurso produzido em torno da Lava Jato: era o não-político, o empresário bem-sucedido que estava fazendo um favor de se dedicar à política, o homem moderno que ia desburocratizar o Estado e, se possível, entregar a gestão da cidade de São Paulo ao setor privado. A tática funcionou e Doria atropelou a candidatura de Fernando Haddad, que buscava a reeleição. Além disso, clamava que era preciso acabar com o “Bolsa Crack” na cidade de São Paulo ao se referir ao Programa Braços Abertos, primeira experiência baseada na política de redução de danos para lidar com o consumo do crack no centro da capital paulista… Cumpriu a sua promessa: na primeira semana como prefeito, em uma ação articulada com o governo do Estado, desmontou o programa e trocou a assistência e saúde por balas de borracha. Mas foi justamente na sua vitória à prefeitura de São Paulo que João Doria cometeu o seu primeiro ato de traição: havia prometido ao eleitorado que iria concluir o seu mandato e só depois iria pensar em alçar outros voos. Um ano e meio depois Doria passão o bastão da Prefeitura da cidade de São Paulo para Bruno Covas. Oportunista político, Dora percebeu que em 2018 o discurso político havia migrado à extrema direita e que a vitória do então candidato Jair Bolsonaro (PL) era certa. Desta feita, defendeu que o PSDB apoiasse Bolsonaro já no primeiro turno e abandonasse a candidatura de Geraldo Alckmin, o candidato tucano à presidência da República em 2018. Acontece que Alckmin havia apadrinhado e apostado em João Doria como um novo quadro tucano paulista, Doria o agradeceu com traição. Bolsodoria Para conquistar o Palácio dos Bandeirantes, João Doria se aliou a extrema-direita, defendeu o Escola Sem Partido – grupo fundamentalista que defende o controle do conteúdo das escolas e o criacionismo – e declarou aos quatro cantos que iria combater “a ideologia de gênero”, neste sentido, Doria é um quadro regressivo quando comparado com os quadros tucanos de São Paulo. No segundo turno da eleição de 2018 João Doria lançou a campanha BolsoDoria e mergulhou de cabeça nas teses extremistas. Na disputa contra Marcio França (PSB), Doria trouxe para São Paulo o discurso da campanha de Bolsonaro: combate ao comunismo e a ideologia de gênero. Além disso, chamava o seu adversário de “Marcio Cuba”, em referência ao país socialista. Todavia, mesmo com a campanha BolsoDoria, João Doria não teve uma vitória fácil e conquistou o governo de São Paulo com pouco mais de 1 ponto de diferença em relação a França. Declínio Sem o apoio da extrema direita e rompido com Bolsonaro, Joao Doria viu a sua popularidade derreter e as intenções de votos em seu nome não irem além dos 2%. Soma-se a isso a realização de uma prévia completamente conturbada. Mesmo com uma atuação acertada durante pandemia, a popularidade de João Doria nunca mais retornou. João Doria, que sonhava em controlar o PSDB, levou uma puxada de tapete de quando grupos liderados por Aécio Neves defenderam publicamente para que o governador de São Paulo retirasse o seu nome em prol de Eduardo Leite. Doria, enfim, experimenta das armas que utilizou contra “aliados” e, mesmo com a vitória das prévias, o governador de SP foi abandonado por seu partido e hoje vive a ruína de sua carreia política.

Aos prantos Dória desiste da candidatura à Presidência da República

Calcinha apertada enfrentava resistência dentro do próprio partido O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) desistiu nesta segunda-feira, 23, da sua pré-candidatura à Presidência da República. O ex-gestor paulista iniciou seu pronunciamento à imprensa lembrando a trajetória política dele e de seu pai. Além de Doria, estavam presentes o presidente do PSDB, Bruno Araújo, o coordenador de campanha do postulante, Marco Vinholi, e a sua esposa, Bia Doria. “Para esta missão, coloquei meu nome à disposição do partido. Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio”, afirmou Doria. “Seguirei sempre buscando o consenso, mesmo que ele seja contra a minha vontade pessoal”, acrescentou. “O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano. Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”, anunciou o ex-governador. Doria disse sair com a sensação “inequívoca” de dever cumprido e missão bem realizada com “boa gestão e sem corrupção”. “Saio com o sentimento de gratidão e a certeza de que tudo que fiz foi em benefício de um ideal coletivo e a favor dos paulistanos, paulistas e dos brasileiros. Saio como entrei na política: repleto de ideias, com a alma cheia de esperança e com o coração pulsante, confiante na força do povo brasileiro, que tem fé na vida, que tem fé em Deus”, apontou. Em seguida, pede desculpas a todos pelos erros. “Se me excedi, foi por vontade de acertar. Se exagerei, foi pela pressa em fazer com perfeição. Se acelerei, foi pela urgência que as ações públicas exigem”, justificou. O ex-governador também agradeceu pela “ousadia” e “coragem” da sua equipe. “Seguirei como observador sereno do meu País. Sempre à disposição de lutar a guerra para a qual eu for chamado. Na vida pública ou na vida privada”, finalizou Doria, aplaudido efusivamente pelos presentes. O ex-gestor foi escolhido como pré-candidato do PSDB em 27 de novembro de 2021, durante as prévias partidárias. O paulista venceu com 53,99% dos votos, enquanto o na época governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite obteve 44,66% e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, 1,35%. Na última quarta-feira, 18, os presidentes do PSDB, MDB e Cidadania se reuniram para analisar os resultados das pesquisas quantitativas e qualitativas encomendadas pela terceira via checar a viabilidade eleitoral de Doria e da senadora Simone Tebet (MDB). Durante o exame dos dados, os caciques deliberaram que a parlamentar tem maior capacidade de angariar votos e vencer a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Ciro fica ainda mais isolado após ataques contra Lula

Por causa da agressividade de Ciro Gomes, partidos de esquerda estão evitando alianças com o PDT Por Naian Lopes -Via DCM Ciro Gomes (PDT) está cada vez mais isolado dentro do seu próprio partido, segundo informações da jornalista Natália Portinari, do jornal O Globo. A principal insatisfação dos pedetistas com o presidenciável é seus constantes ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tom agressivo do ex-governador do Ceará tem criado dificuldade para que o PDT consiga formar alianças nos estados com partidos de esquerda, principalmente o PT. O maior exemplo disso é a indefinição sobre a união entre as duas siglas na região cearense. A jornalista explicou que o diretório nacional deve liberar os diretórios regionais para realizar suas alianças de maneira independente. No Maranhão, o senador Weverton Rocha (PDT) contará com o apoio de uma ala do PT na corrida eleitoral do governo estadual. No Rio de Janeiro, Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, já deixou claro que se incomoda com os ataques feitos de Ciro a Lula. Além disso, Ciro tem sido criticado por servir como linha auxiliar do bolsonarismo. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão usando frases do ex-governador cearense para atacar o ex-presidente Lula. “Os ataques do pré-candidato do PDT ao Planalto têm sido usados inclusive por aliados do presidente Jair Bolsonaro para criticar o petista. No fim de semana, uma declaração de Ciro durante ‘live’ com o humorista Gregório Duvivier, que é eleitor de Lula, ficou entre os assuntos mais comentados do fim de semana”, completou a jornalista.

Cruz-credo – Bancada evangélica já alcança 80% dos partidos, aponta pesquisa

Com 181 deputados e 8 senadores, a Frente Parlamentar Evangélica é composta por filiados de 80% dos partidos representados na Câmara – do PL ao PT – e vota mais alinhada às propostas do governo Bolsonaro (PL) do que o conjunto de deputados. Ainda assim, a pauta de costumes não avançou na Câmara ao longo da atual legislatura, considerando o total absoluto de projetos. Os dados são do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ. O estudo aponta que apenas 62 dos 4.879 projetos propostos na pauta de costumes na Casa foram efetivamente aprovados, dos quais só quatro deles são de autoria da Frente Parlamentar Evangélica. Segundo a pesquisa, a adesão dos deputados da frente às pautas governamentais é de 77% contra 66% do total da Câmara   Debora Gershon, do Observatório do Legislativo Brasileiro, afirma que ainda falta uma pauta específica a ser definida pelos membros da frente, além da construção de uma agenda coletiva para reunir os parlamentares. “O eleitor evangélico que busca na frente alavancagem dos projetos de seu interesse não encontra nela um espaço capaz de brigar por essa movimentação.” O estudo aponta ainda que o grupo sofre com grau baixo de institucionalização em comparação a outras frentes parlamentares, como a da agropecuária. Representatividade Criada em 2003 e oficializada em 2015, a frente representa quase 30% da população e 24% do eleitorado. Sua composição é dividida entre parlamentares evangélicos (46%) e católicos (43%). A adesão maior dos deputados da frente às pautas governamentais pode ser explicada nos três maiores partidos que a integram. PL, Republicanos e Progressistas somam 45% dos seus membros e representam o núcleo mais estruturado e coeso do Centrão, grupo que apoia o presidente no Congresso. A presidência da Frente, ocupada hoje pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), esteve em uma disputa interna entre lideranças da Assembleia de Deus. No fim de 2020, houve um acordo para que Sóstenes e Cezinha de Madureira (PSD-SP) se revezassem no cargo entre 2021 e 2022. O bispo Samuel Ferreira, do Ministério Madureira, defendeu a recondução de Cezinha em 2022 – o que irritou Silas Malafaia, do Ministério Vitória em Cristo, mentor de Sóstenes. “Essa heterogeneidade da frente começa inclusive a suscitar disputas políticas”, afirmou Debora, doutora em ciência política e responsável pela pesquisa. Ela argumenta que esse conflito é um dos fatores que mostram o processo de institucionalização do grupo: “Não é usual que haja disputa pela presidência de uma frente parlamentar”. Outro fator está exposto no desempenho legislativo da Frente na Câmara. A taxa de sucesso da Frente Parlamentar Evangélica, aponta a pesquisa, indica que a proporção de proposições aprovadas, do total de apresentadas no período, é de 0,27%, enquanto a taxa de sucesso na Câmara é de 1,15%. “A frente não tem uma produção legislativa coesa a ponto de produzir e aprovar os projetos como grupo”, explicou Débora. “A frente não é de representação dos evangélicos. É de deputados e senadores. Somos de denominações e de partidos diferentes”, afirmou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). “São evangélicos, estão defendendo interesses dos seus partidos e não sei onde pode prosperar. Podemos ter mais evangélicos na Câmara, mas lá somos políticos. Faço parte da frente, mas sou da bancada do PT ” Proposições Os projetos apresentados com maior participação da frente evangélica estão concentrados em três principais temas: Processo legislativo e atuação parlamentar (49%), direito penal e processual penal (48%) e defesa e segurança (48%). Finanças públicas (44%), administração pública (31%) e direitos humanos e minorias (19%) estão entre os temas mais comuns dos textos aprovados assinados pela frente. Procurado, o atual presidente do grupo, Sóstenes Cavalcante, não respondeu até a conclusão desta edição. (Estadão Conteúdo)

Empresários ligados à Fiesp preparam manifesto em defesa da democracia

Inspirado em documento de 1978, empresários alegam que Jair Bolsonaro provoca instabilidades que prejudicam os negócios – Empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) planejam reeditar o chamado “Documento dos Oito”, um manifesto assinado por grandes industriais em 1978 em defesa da democracia no País. De acordo com a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, os empresários alegam que Jair Bolsonaro provoca instabilidades que acabam por prejudicar as empresas. Os signatários do manifesto de 1978 foram os empresários Antônio Ermírio de Moraes, José Mindlin, Cláudio Bardella, Severo Gomes, Paulo Villares, Laerte Setúbal Filho, Paulo Vellinho e Jorge Gerdau.

Bolsa Família sofreu retrocesso e virou auxílio Brasil eleitoreiro de Bolsonaro

Em editorial, jornal da família Marinho diz que a mudança fez com que o Bolsa Família ‘deixasse de ser um programa de Estado para se tornar trunfo eleitoreiro’ de Jair Bolsonaro  O jornal O Globo afirma, em editorial, que o programa Bolsa Família, criado no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é citado dentro e fora do Brasil como exemplo de política social bem-sucedida” e que é “extremamente preocupante a deterioração da qualidade dessa política pública exitosa desde que foi transformada no Auxílio Brasil, o programa eleitoreiro criado pelo presidente Jair Bolsonaro para chamar de seu e ostentar nos palanques.” “O desmonte se acentuou a partir da pandemia. Como o auxílio emergencial distribuído em 2020 e 2021 destinava-se a parcela maior da população, o coronavírus serviu de pretexto para a suspensão da cobrança de contrapartidas daqueles que recebiam o Bolsa Família. Ao mesmo tempo, criou-se uma pressão maior no caixa do Tesouro. Para o lançamento do Auxílio Brasil, com valor estipulado em R$ 400 sem nenhum tipo de critério ou embasamento técnico, o custo do programa passou a cerca de 1% do PIB, sem que houvesse ganho correspondente na eficácia. Eis uma das razões para a ruptura do teto de gastos no Orçamento deste ano”, destaca o periódico da família Marinho. “Ainda mais preocupante que o impacto fiscal — ao menos pode-se argumentar que esse dinheiro é destinado a sanar um dos maiores flagelos nacionais — foi a perda de foco do programa. Não há distinção entre os beneficiários, não se sabe se Bolsonaro restabelecerá a cobrança de contrapartidas e, para piorar, o Cadastro Único de quem recebe o benefício não vem sendo atualizado como deveria pelas prefeituras. Um governo sustentado pelo Centrão por certo não fará a cobrança para que seja”, destaca o editorialista no texto. Ainda segundo o jornal, “o relaxamento na administração do Auxílio Brasil resulta em perda de foco na distribuição dos recursos e o rebaixa à condição de um plano assistencial meramente populista, contrário aos interesses do contribuinte. Ele deixou de ser um programa de Estado para se converter apenas em trunfo eleitoreiro”.

Padre termina cerimônia ao ver cães entrarem com alianças: “O cúmulo”

Incomodado ao ver dois cachorros entrando na igreja para levar as alianças, o religioso se recusou a dar a bênção final aos noivos Metrópoles – A cerimônia de casamento dos jovens Brenda Jamili, 18 anos, e Eliwelton Silva, 24, terminou antes do previsto por um motivo inusitado. O padre César Retrão, incomodado ao ver dois cachorros entrando na igreja para levar as alianças, se recusou a dar a bênção final aos noivos. “Isso é o cúmulo, dois animais entrando na igreja com as alianças. É inadmissível”, teria dito o padre. O caso aconteceu no último sábado (14/5), em Nova Olinda (CE). Segundo o casal, apesar da atitude do religioso, eles tinham autorização da paróquia para levar os animais. Em entrevista ao UOL, a noiva contou que se sentiu muito triste ao ouvir a declaração do padre. “Apenas assinamos o livro, e ele deu as costas. Nos sentimos envergonhados, fracos, não tivemos ação nem de reagir na hora”, disse. Os noivos são voluntários do Instituto Lilica, ONG que resgata animais de rua e os encaminha para adoção. Foi o caso dos vira-latas Pipoca e Scooby, adotados por Brenda e Eliwelton e escolhidos para fazerem parte da cerimônia. Pipoca foi resgatada machucada e cega de um olho. Scooby perdeu o movimento de uma das pernas após um acidente. Os dois entraram na igreja guiados por familiares. Nas redes sociais, a jovem fez um desabafo. “Eu e Eliwelton somos católicos, cremos que nosso casamento precisa da bênção de Deus, e precisamos do homem para isso. Enfim, não tivemos essa bênção pelo fato de o padre achar um cúmulo dois cachorros entrarem com as alianças. Não fomos declarados marido e mulher porque é um absurdo dois cachorros entrarem com as alianças, não teve o ‘agora os noivos podem se beijar’ porque dois cachorros levaram as alianças”, lamentou. “Isso nos enfraqueceu na hora, eu não tive ação, eu chorei, gelei, passei os dois últimos dias pensando no que aconteceu, a forma que fui tratada comparada ao que esses animais passam na rua, e ‘vistos como o cúmulo’”, assinalou. “Ao meu ver, ninguém é obrigado a gostar de qualquer animal, mas aceite, não despreze, você não é obrigado a ter um animal em sua casa, a alimentar os das ruas, mas aceitar que é um ser que pode ser bem-vindo em qualquer lugar é um dever seu”, ressaltou Brenda. Diante da repercussão, o Instituto Lilica soltou nota afirmando que não compactua com os ataques direcionados ao padre, que “já ajudou a presente entidade por diversas vezes e de várias formas”. “Manifestamos nossa tristeza pelo ocorrido, uma vez que, ao nosso entender, como cristãos e amantes da causa, o amor estava ali representado, assim como estava respeitada a Igreja, visto a autorização prévia da secretaria paroquial, sendo angustiante a surpresa do repúdio em meio à cerimônia”, encerrou.