Montes Claros sedia o 1º Fórum Norte Mineiro de Gestores da Saúde

No dia 3 de fevereiro será realizado o 1º Fórum Norte Mineiro de Gestores da Saúde. O evento é organizado pela Associação Mineira de Medicina da Família e Comunidade (AMMFC) em parceria com a Prefeitura de Montes Claros, e tem como objetivo promover debates sobre as experiências e perspectivas da saúde no Norte de Minas. O Fórum será realizado, de forma presencial, no auditório das Faculdades Prominas, e tem como público-alvo gestores e profissionais da Saúde da região. A programação inclui uma mesa-redonda sobre os “Desafios da Saúde, Pesquisa e Inovação”, com a participação da secretária de saúde de Montes Claros, Dulce Pimenta, do Dr. Eugênio Vilaça, ex-secretário-adjunto de Estado de Saúde de Minas Gerais, Edivaldo Farias, presidente do COSEMS (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais) Regional Norte, Paola Mota, técnica e representante do COSEMS, e o pesquisador Gilmar Reis, que recebeu prêmio internacional por pesquisa desenvolvida na Atenção Primária à Saúde dos municípios mineiros. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas online, via Sympla (https://www.sympla.com.br/1-forum-norte-mineiro-de-gestores-da-saude__1843603).
Funed tem papel fundamental no controle da doença de Chagas

Em outubro de 2022, durante a realização de exames de check-up, a dona de casa Terezinha Cardoso Siqueira, de 44 anos, foi diagnosticada com a doença de Chagas. Residente no município norte-mineiro de Monte Azul, durante anos ela viveu na zona rural. “Nos últimos tempos, sem motivo aparente, me sentia cansada. Ao me submeter a exames, os médicos não descobriram nenhuma outra doença, apenas Chagas. Mesmo estando no início de tratamento, a minha rotina de vida não se alterou. Apenas fui orientada pelos médicos para evitar levantar ou carregar objetos pesados”, explica. Terezinha faz parte das estatísticas dos que já enfrentaram a doença de Chagas no país. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS), estima-se que, atualmente, existam de 2 a 3 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi (protozoário causador da doença de Chagas), no Brasil. Embora a doença tenha sido identificada há mais de cem anos, ela segue causando mortes e sequelas incapacitantes. Felizmente, Terezinha não teve nenhum comprometimento mais grave pela doença e, agora, segue fazendo tratamento com benzonidazol. Ela se recorda, entretanto, que o marido, que também morava na zona rural de Monte Azul, morreu com 50 anos de idade por problemas cardíacos causados pela doença, combinados com complicações de uma cirrose hepática. A dona de casa realizou a consulta que resultou no diagnóstico da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Serviço de Atenção Primária à Saúde de Monte Azul, que a encaminhou para ser acompanhada por profissionais do Ambulatório Especializado em Infectologia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A unidade funciona no Centro Ambulatorial de Especialidades Tancredo Neves (Caetan), anexo do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), inaugurado em novembro do ano passado. O diagnóstico de Terezinha e os de todos os mineiros que suspeitam da doença de Chagas e fazem os exames pelo SUS são realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed), que é o Laboratório de Referência Nacional (LRN) para o diagnóstico da doença de Chagas. O Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG/Funed), por meio de seu Serviço de Doenças Parasitárias (SDP), realiza os exames para identificar se a doença está na fase aguda – quando o organismo tem contato recente com o parasita, cerca de 30 a 60 dias após o início da infecção – e na fase crônica, quando a doença já pode causar comprometimentos cardíacos e do sistema digestivo. A referência técnica em doença de Chagas da Funed, Fernanda Alvarenga Cardoso Medeiros, explica que, como a doença é muito antiga, esse foi um dos primeiros diagnósticos a serem feitos pela fundação. “Realizamos os exames parasitológicos e sorológicos de imunofluorescência indireta IgM, na fase aguda, e o imunofluorescência indireta IgG, exame sensível para diagnóstico da fase crônica. Também realizamos treinamentos para equipes de saúde de todo o país, para que os profissionais estejam capacitados a realizar o exame adequado de acordo com a fase da doença. Essa é uma etapa fundamental para o sucesso do tratamento do paciente”, afirma. A Funed também faz a busca e a análise dos triatomíneos (barbeiros) para avaliar se eles estão infectados com o Trypanosoma cruzi, além de avaliar a qualidade dos conjuntos diagnósticos sorológicos para a doença de Chagas crônica, pelas metodologias de ensaio imunoenzimáticos (Elisa), reação de imunofluorescência indireta (Rifi), reação de hemaglutinação indireta (HAI) e testes rápidos imunocromatográficos (TRI) registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponíveis no mercado nacional. A Funed realizou 16.086 diagnósticos de Chagas em 2020, e cerca de 37 mil somente em 2022. Esses dados são compartilhados com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que é a responsável pela análise epidemiológica de ocorrência e distribuição dos casos de doença de Chagas em Minas Gerais. De acordo com Hérica Vieira Santos, subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-MG, de posse das informações de ocorrência e atendimento dos pacientes, as ações prioritárias são definidas por microrregiões, regionais e macrorregiões de saúde. “Esse mapeamento possibilita a avaliação de locais de maior ou menor prevalência, bem como a avaliação de presença de fatores predisponentes à ocorrência de casos e acidentes nas localidades avaliadas, para intervenção e adoção de medidas de prevenção e controle”, diz. A SES-MG também realiza mensalmente a solicitação de alfacipermetrina para controle químico dos vetores, no caso da doença de Chagas do barbeiro, e faz a distribuição de inseticida de acordo com a situação epidemiológica e solicitações dos municípios mineiros. (Agência Minas)
Prefeito de Juvenília é eleito presidente do Cisrun/SAMU Macro Norte

Na manhã dessa segunda-feira, 16 de janeiro, o prefeito do município de Juvenília, Rômulo Marinho Carneiro, foi eleito o novo presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun), que é o órgão que administra o SAMU Macro Norte. A eleição aconteceu no Auditório da OAB, em Montes Claros e contou com a presença de 41 prefeitos que fazem parte do Consórcio. A eleição teve sua votação na modalidade aclamação, pois apenas uma chapa havia sido inscrita obedecendo todas as exigências do Estatuto do Cisrun. Antes de iniciar o processo eleitoral, foi realizada a prestação de contas referente ao ano de 2022, pelo assessor contábil Ivan Fonseca, a qual foi aprovada por unanimidade. Logo após, o presidente da Comissão de Eleição, o prefeito do município de Espinosa, Milton Barbosa, e os membros Reginaldo Silva, de Jaíba, e José Trindade, de Rubelita, explicaram aos presentes que duas chapas se inscreveram para concorrer às eleições, porém, apenas uma cumpriu os requisitos para participar do pleito, sendo a Chapa 1 encabeçada pelo prefeito de Juvenília, Rômulo Marinho Carneiro. Após anunciada a vitória de Rômulo, o presidente em exercício Marcelo Meireles, parabenizou o vencedor do pleito e desejou boa sorte aos novos componentes do Conselho Diretor e Conselho Fiscal, do qual continuará fazendo parte como segundo vice-presidente. Em seu primeiro pronunciamento como presidente do Cisrun, Rômulo Carneiro demonstrou estar muito agradecido pelo apoio recebido das lideranças políticas da região e confiante que poderá contar com elas para administrar o primeiro SAMU regionalizado do Brasil. “Estou aqui, diante de vocês, assumindo um novo compromisso na minha vida. Vou sair da administração de um município de 6 mil habitantes e estar a frente de uma entidade que atende quase 2 milhões de pessoas”, disse Marinho ciente da responsabilidade do trabalho e com a certeza de estar preparado para a nova missão em que contará com a experiência e o comprometimento dos colaboradores da instituição nessa nova jornada. Com isso, os membros da gestão Biênio 2023/2024 ficaram assim: Conselho Fiscal: Presidente – Rômulo Marinho Carneiro – Juvenília 1º vice-presidente – Ricardo da Silva Paz – Riacho dos Machados 2º vice-presidente – Marcelo Meireles de Mendonça – São Romão 1º secretário – Jair Cavalcante Barbosa -São João das Missões 2º secretário – Ley Lopes dos Santos – Pintópolis Conselheiros: José Geraldo Alves de Almeida – Ponto Chique Miguel Paulo Souza Filho – São Francisco Max Vinícius Aguiar Martins – Serranópolis de Minas Hugo Felipe de Almeida Silva – Engenheiro Navarro Anastácio Guedes Saraiva – Manga José Saraiva Gomes – Santa Cruz de Salinas
Justiça Federal impede queda de FPM por causa do censo, no Norte de Minas

O Jefferson Ferreira Rodrigues, da Vara Federal de Montes Claros, determinou que a União mantenha a mesma cota do Fundo de Participação dos Municípios para a prefeitura de Buenópolis, por causa da queda do número de moradores, como esta acontecendo no recenseamento de 2022. Na sua decisão, o juiz federal explica que “os dados prévios do censo passarão por análises, ajustes e há possibilidade de contestação por parte dos interessados, com é o caso dos estados e municípios que podem ser diretamente impactados em relação aos coeficientes dos repasses constitucionais obrigatórios (FPE e FPM). A conduta açodada do Tribunal de Contas da União, ao determinar a alteração dos coeficientes com base em meros dados prévios, viola a lei e a segurança jurídica. Está, portanto, demonstrado o aparente direito da parte de manter o coeficiente do FPM até que o censo esteja definitivamente encerrado”. Ele concedeu a liminar e explica que está presente, por fim, o periculum in mora, dada a iminência da minoração dos recursos a serem recebidos no ano corrente. Em face do exposto, defiro o pedido de tutela provisória de urgência, para determinar que a UNIÃO mantenha o coeficiente do FPM em relação ao Município de Buenópolis/MG no importe 0,8 até que o censo demográfico esteja definitivamente encerrado e seja observado o marco temporal previsto no artigo 102, II da Lei 8.443/93. Intime-se para cumprimento, no prazo de 10 dias, sob pena de cominação de multa em caso de recalcitrância. Cite-se a parte ré. Afasto, de logo, a aplicação no processo do artigo 334 do CPC/2015 (audiência de conciliação prévia), tendo em vista a notória postura da Fazenda Pública Federal em não transigir em questões desta natureza, o que tornaria o ato processual totalmente inócuo. Advindo preliminares na peça de bloqueio, dê-se vista à parte autora para manifestação, em 15 (quinze) dias, quando também deverá especificar as provas que pretende produzir. A ação ordinária ajuizada pelo município de Buenópolis contra a União/PSU e a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, via do qual pleiteia, a liminar para: “a imediata suspensão dos efeitos da Decisão Normativa n. 201, de 28 de dezembro de 2022, do Tribunal de Contas da União em relação ao Município Autor, devendo a União realizar os repasses de FPM ao Autor mantendo inalterado o coeficiente de FPM realizado no exercício anterior (2022), coeficiente de 0.8; até que o IBGE finalize o Censo Demográfico iniciado e nova Decisão Normativa seja publicada pelo TCU com base neste Censo”. Sustentou na inicial, em síntese, que é equivocada a redução de coeficiente utilizado para cálculo da sua quota do Fundo de Participação dos Municípios, em razão da estimativa populacional apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e acolhida pelo Tribunal de Contas da União – TCU na Decisão Normativa n.º 201/2022. Aduziu que os dados populacionais enviados pelo IBGE no ano de 2022 são imprecisos e não definitivos, de modo que não refletem a efetiva população local, gerando uma indevida redução do aludido coeficiente. Fundamentou sua pretensão, ainda, no disposto na Lei Complementar nº 165/2019, cujo teor deveria ser aplicado até o efetivo encerramento e compilação final de dados do Censo 2022. Postulou a concessão da tutela provisória, sem a oitiva da parte adversa. Juntou documentos. O juiz salienta que a documentação apresentada permite constatar que o município autor recebe quota do Fundo de Participação do Município (FPM) com coeficiente de 0,8. O Tribunal de Contas da União, por meio de deliberação unipessoal de seu Presidente, reduziu o coeficiente para 0,6, conforme consta da DECISÃO NORMATIVA-TCU Nº 201, de 28 de dezembro de 2022. Em análise prefacial, entendo que o ato em alusão ostenta feições de ilegalidade, porque parece fundar-se em dados preliminares do censo que ainda está sendo realizado pelo IBGE. Ocorre que a LC 165/2019, determina expressamente a manutenção dos coeficientes para divisão do FPM utilizados em 2018 até o encerramento do censo demográfico em andamento. Veja-se: “a partir de 1º de janeiro de 2019, até que sejam atualizados com base em novo censo demográfico, ficam mantidos, em relação aos Municípios que apresentem redução de seus coeficientes decorrente de estimativa anual do IBGE, os coeficientes de distribuição do FPM utilizados no exercício de 2018.” A alteração repentina feriu, ainda, o artigo 102, II, da Lei 8.443/92, que aponta a necessidade de divulgação da relação das populações dos municípios até 31/08 de cada ano. Esse prazo, evidentemente, tem como fundamento permitir aos municípios a adequação de suas contas públicas para o ano seguinte, o que não foi possível com a resolução publicada no ocaso de 2022. A decisão da Corte de Contas foi tomada, e, a despeito de trazer grave repercussão nas contas da municipalidade, gerou efeitos imediatos. Como é de amplo conhecimento público, o IBGE não conseguiu encerrar o censo demográfico de 2022, que serve de base para a definição dos coeficientes do FPM. O fato público e notório foi amplamente divulgado pela imprensa e pelos canais oficiais do IBGE. A autarquia publicou em sua página Internet que conseguiu apenas dados prévios sobre o censo Os dados prévios do censo passarão por análises, ajustes e há possibilidade de contestação por parte dos interessados, com é o caso dos Estados e Municípios que podem ser diretamente impactados em relação aos coeficientes dos repasses constitucionais obrigatórios (FPE e FPM). Fonte: Jornal Gazeta
Morre o frade franciscano Frei Chico, aos 83 anos

O frade franciscano holandês veio para o Brasil em 1967 para ser pároco da Diocese de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha(foto: Festa no Céu/Reprodução – Frei Chico) O frei holandês Francisco van der Poel estava internado no Hospital Madre Tereza, em BH, e morreu em decorrência de uma meningite, na manhã deste sábado (14/01) Morreu na manhã deste sábado (14/01) o frei Francisco van der Poel, mais conhecido como frei Chico. O holandês naturalizado brasileiro dedicou mais de 40 anos de sua vida à pesquisa e tradição cultural popular do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Segundo a Gazeta de Araçuaí, frei Chico estava internado no Hospital Madre Tereza, em BH e morreu vítima de meningite. O estado de saúde dele se agravou no domingo, após a realização de uma tomografia no tórax, quando teria sofrido uma parada cardiorrespiratória. Ainda de acordo com o jornal, o frade foi submetido a um procedimento de reanimação, o que aconteceu após 40 minutos. Porém, frei Chico apresentou um quadro de encefalopatia anóxica (falta de oxigenação do cérebro), ocasionando graves danos neurológicos irreversíveis. A prefeitura de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, emitiu uma nota de pesar pela morte do frade franciscano, que chegou à cidade em 1967, vindo da Holanda. Na nota, o prefeito Tadeu Barbosa agradece “a dedicação e o trabalho prestado por ele ao município.” Barbosa também decretou luto oficial de três dias no município, em razão da morte do religioso. No decreto, o prefeito destaca que frei Chico “prestou inestimáveis serviços ao município de Araçuaí e ao Vale do Jequitinhonha tendo exercido a missão de vida dedicada à promoção da Cultura Popular de Araçuaí, do Vale do Jequitinhonha e de seu povo.” Trajetória Frei Chico foi pároco da Diocese de Araçuaí e durante este período acumulou mais de 15 mil páginas que registravam a cultura relacionada com a fé e a espiritualidade da população da região. Lançou o Dicionário da Religiosidade Popular: Cultura e Religião no Brasil, além de outros 5 livros de cultura popular, com ajuda da amiga e artesã Lira Marques. Em Araçuaí, fundou o Coral Trovadores do Vale. Era um dos grandes incentivadores da secular festa da Irmandade dos Homens Pretos do Rosário de Araçuaí. Fonte – EM
ESPORTE E LAZER – Campo gramado em Riachão – *Por Pedro Ruas Neto

Os desportistas de Riachão (Fazenda de Miro Rego), em Mirabela, têm bons motivos para comemorar: serão presenteados com a entrega de campo de futebol oficial naquela comunidade. O Campo está sendo gramado e terá irrigação automatizada. A obra a Prefeitura atenderá a um antigo anseio da população de Riachão e comunidades adjacentes. O campo vai sediar jogos de campeonatos de Mirabela e, ainda, amistosos para proporcionar esporte, lazer e diversão. A expectativa é de que os jogos atraiam crianças, jovens, adultos e idosos, a exemplo do que já acontece naquele município, principalmente aos finais de semana, em outros campos e no estádio “Doutor Fábio Rabelo” O secretário de Cultura, Esportes e Lazer, Rafael Bonfim, lembra que a obra será mais uma conquista da população de Riachão e comunidades adjacentes. “O prefeito Luciano Rabelo, que está no segundo mandato, prioriza o esporte, em benefício da coletividade”, finalizou. * Jornalista
Usina de Três Marias abre comportas para liberar água e acende alerta

A Cemig informou que irá aumentar a partir de hoje a vazão da Usina Hidroelétrica de Três Marias, localizada no rio São Francisco, na Região Central Mineira e, com isto, acendeu o alerta para as cidades ribeirinhas. O reservatório atingiu 66% de sua capacidade na sexta-feira (6) e deve continuar aumentando seu volume até o fim do mês. De acordo com a estatal, Minas Gerais vem recebendo volumes significativos de chuva neste início de janeiro, devido à formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul – ZCAS. A ocorrência deste evento ao longo dos dias que seguiram ocasionou elevados volumes de chuva na maior parte da faixa central do estado. Em Três Marias, as vazões que chegam superaram 2.000 m³/s nessa sexta-feira, com tendência de permanecerem elevadas ao longo da próxima semana. Com isso, o reservatório começou a ganhar nível de forma mais rápida. A partir de hoje, a vazão liberada que se encontra reduzida a 300 m³/s vai passar a 800 m³/s, patamar ainda bem inferior à afluência. Além das turbinas de geração de energia elétrica, algumas comportas serão abertas para verter a água ao rio. A manobra tem como objetivo controlar a subida de nível da água, reduzindo a velocidade de enchimento, sendo alinhada junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e informado à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A Cemig informou que o objetivo dessa ampliação de vazões, mesmo com apenas 66% de armazenamento, é garantir que o aumento de vazões da UHE Três Marias se dê de forma gradual, com o menor impacto possível para o trecho. Mesmo com a abertura de comportas, a tendência é que o reservatório continue ganhando armazenamento até o final do mês. “A Cemig segue monitorando a condição de operação da unidade e novas ampliações podem ser necessárias nas próximas semanas, conforme as afluências verificadas no reservatório até o final deste mês”, disse a nota da empresa. A estatal ressaltou que, para este patamar de vazões, não são esperados impactos para os municípios a jusante da UHE Três Marias no trecho até Pirapora, que recebe contribuição de vazões mais significativa apenas do afluente rio Abaeté. Após este município, o Rio São Francisco ainda recebe contribuintes significativos ao longo de seu curso, como Rio Urucuia, Rio das Velhas e o Rio Paracatu. Tais afluentes já vêm vivenciando maiores vazões, dado o evento chuvoso recente, e considerando a grande distância da usina de Três Marias até os municípios ribeirinhos após a foz do Rio das Velhas, a contribuição de vazões da usina é reduzida, sendo o maior volume do Rio São Francisco oriundo dos demais afluentes. Desta forma, o controle de cheias da UHE Três Marias é realizado considerando a vazão limite de 4.000 m³/s no município de Pirapora, composta pelo somatório das vazões defluentes da usina e da incremental até Pirapora (rio Abaeté). É possível acompanhar informações das usinas em tempo real, a Cemig disponibiliza o aplicativo Prox, com o qual a população pode acompanhar a variação dos níveis e vazões dos rios e reservatórios da região. A companhia desenvolveu esse aplicativo com o objetivo de disponibilizar mais um canal de informações para as populações influenciadas pela operação dos seus reservatórios. A ferramenta permite uma comunicação mais efetiva com a comunidade, bastando apenas o download gratuito do aplicativo. Além disso, no site da Cemig a população pode acompanhar os dados da operação de usinas da companhia meio do link cemig.com.br/usinas. A usina de Três Marias foi muito importante para que algumas cidades ao longo do Rio São Francisco, como Pirapora, não fossem completamente inundadas pelas chuvas do início de 2022. Em 13 de janeiro de 2022, a usina recebeu a maior vazão afluente média diária ao reservatório de todo seu histórico de operação. A usina A Usina Hidrelétrica de Três Marias está localizada na parte Central de Minas Gerais, compreendendo os municípios de São Gonçalo do Abaeté, Felixlândia, Morada Nova de Minas, Biquinhas, Paineiras, Pompéu, Martinho Campos, Abaeté e Três Marias.
Pequi, patrimônio da cultura sertaneja – Por Manoel de Freitas

No Norte de Minas, a floração do pequi ocorre de setembro a dezembro (Manoel de Freitas) Genuinamente nacional, o pequi faz parte do prato e da vida do norte-mineiro. É das Minas – que são muitas – os gerais em que sua gente se senta à sombra do pequizeiro para celebrar o sertão que vive em cada um. E não poderia ser diferente: a árvore-símbolo do cerrado tem forte cheiro de poesia. Seja em caroço, polpa, doce, azeite, castanha in natura ou cristalizada, o pequi é cultura pura e povoa o imaginário coletivo. Para o norte-mineiro, mais que sustento e saboroso alimento à mesa, o pequi também é renda. Com o apoio e confiança de toda a equipe de O NORTE, em reconhecimento ao valor do pequi e à excelente safra que começou em novembro, aos finais de semana o leitor terá acesso a uma série de reportagens especiais a respeito do fruto. Trata-se de um conteúdo que reclama pesquisa e imersão em sua cadeia produtiva, na qual personagens têm muitas histórias para contar. A despeito de ser encontrado em alguns estados do Nordeste, Sudeste e até no Centro-Oeste, o pequi é cantado em prosa e verso sobretudo em Minas e em Goiás. A propósito, nos chamou a atenção primeiramente o fato de que Goiás e o Distrito Federal são os principais compradores da polpa e da castanha do pequi no município de Japonvar, Norte de Minas, tanto pela qualidade quanto pelo baixo custo. Senão, vejamos: enquanto uma garrafa pet com dois quilos de sua polpa custa em Japonvar R$ 20, no Planalto Central não sai por menos de R$ 50, e, no Mercado Livre, chega a ser anunciado até a R$ 169. Dez a 12 caixas por dia Fartura. Palavra-chave da atual safra do pequi em Japonvar. Isso é bom para as populações agroextrativistas e para toda a cadeia produtiva local, haja vista que os ganhos advindos de sua coleta são igualmente observados durante os outros meses do ano com a produção da polpa, da conserva e da castanha do pequi. Por sinal, no município foi formada em 2006 a Cooperativa de Pequenos Produtores Rurais de Japonvar. Na época, a entidade chegou produzir anualmente 150 toneladas de polpa de pequi. Investiu em tecnologia para o processamento e, graças aos recursos financeiros do Sebrae, colocou em operação a 1ª unidade de beneficiamento de frutos do cerrado do Brasil. Nos dias atuais, diante da nova realidade, o próprio Sebrae atua no sentido de colocá-la uma vez mais em funcionamento. Para falar sobre esse novo tempo de bonança, O NORTE ouviu, em Japonvar, a extrativista Maria dos Anjos Ferreira da Silva, a Neném, que mora há 46 anos na comunidade do Mangaí. “Colho pequi desde que me entendo por gente. Lá em casa, temos o hábito de comer na semana inteira: no frango, no macarrão, com arroz, mandioca, cru com farinha… Ou seja, é pequi todo dia”, declara. Maria dos Anjos explica que trabalha na coleta e processamento do pequi em família: “Eu, meu esposo, Divalim Ferreira de Aquino, meu filho, William Ferreira, e meu pai, José Ferreira da Silva, estamos sempre na batalha. O meu pai tem 80 anos, mas todos os dias levanta com o sol nascendo para nos ajudar”. Emocionada, se recorda da mãe, Ana Fernandes: “Minha mãe também coletava o fruto enquanto viveu”. A extrativista revela: “Todo ano eu apanho e compro também de outras coletoras, mas este ano não foi preciso porque meu esposo está pegando de 10 a 12 caixas de pequi por dia! Então posso dizer que essa safra foi boa. Boa, muito boa, maravilhosa”. Sorrindo, Maria dos Anjos diz que tão logo o pequi é colhido, já tem mercado”. “Pra você ter uma ideia”, prossegue Neném, “em 2021 vendi 700 quilos de castanha de pequi; ano passado, mesmo com a queda na safra, vendi 350 quilos; e, acredite, em 2023 a expectativa é ultrapassar mil quilos de castanha”. Maria dos Anjos informa que Goiânia e Brasília absorvem toda a produção de polpa e castanha de pequi: “Compram tudo! Do ponto de vista econômico, a castanha que comercializo sem nenhum espinho, é melhor para mim”. É do Cerrado, é do Brasil O pequi (caryocar brasiliense) é da família das cariocaráceas nativa do Cerrado brasileiro. Seu nome tem origem na língua tupi, ‘py’, que significa pele; ‘qui’, espinho, que significa casca espinhosa, em alusão à camada espinhosa mais interna do fruto, que se acha em contato com a semente. Também é chamado de piqui, piquiá, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiá e pequerim. Sua propagação é feita por semente, frutificando de novembro a fevereiro já no início da sua fase reprodutiva, aos oito anos de idade. O pequizeiro, que leva em média cinco anos para dar frutos, atinge de 10 a 12 metros de altura e pode viver até 50 anos. É capaz de produzir, por safra, de 500 a 5000 frutos, que vão amadurecendo paulatinamente e caindo. Tem espinhos que chegam a até quatro milímetros de comprimento, e seu fruto é rico em óleo insaturado, vitaminas C, A, E, além de fósforo, potássio, magnésio e carotenóides. Segundo o IBGE, em 2021 mais de 74 mil toneladas de pequi foram extraídas no país, dados que ajudam a dimensionar o seu significado para milhares e milhares de famílias, sendo que a partir de 2012 Minas Gerais (que declarou a espécie como sendo de interesse comum, de modo a proibir o seu corte) passou a ser considerado o estado de maior produção extrativista de pequi do Brasil. Sua cadeia produtiva começa com a colheita do fruto, passando pelo transporte, comercialização e consumo. Em Minas, apenas duas regiões de boa luminosidade são grandes produtoras, Norte e Jequitinhonha, embora menos de 40% da produção seja comercializada, o que demonstra claramente o significado do pequi para o autoconsumo das famílias coletoras. Isto posto, não é à toa que o seu extrativismo é importante fonte de renda no Norte de Minas Gerais com reflexos positivos na economia informal, vital para comunidades tradicionais e agricultores
Programa Além da Bola é sucesso em Mirabela – * Por Pedro Rua Neto

O Programa “Além da Bola”, realizado pela Prefeitura de Mirabela, através da Secretaria de Esportes, Cultura e Lazer, movimentou crianças e representantes da comunidade, sábado, dia 31, no estádio Doutor Fábio Rabelo. A criançada de Mirabela e do distrito de São Bento mostrou talento esportivo e se divertiu bastante. O Programa visa também incentivar maior produtividade no aprendizado escolar e melhor comportamento familiar, mostrando que a Prefeitura investe corretamente no que diz respeito a melhoria da qualidade de vida da população. Os idealizadores e participantes estão de parabéns, assim como o prefeito Luciano Rabelo, que acreditou e viabilizou o Programa, atualmente coordenado por Jéssica, na Secretaria comandada pelo competente desportista Rafael Bonfim * Pedro Rua Neto é jornalista e colaborador do ECN
Alto Belo, 41 anos de Folia de Reis – Por Manoel de Freitas

Terno de Folia de Reis de Alto Belo é um dos mais importantes de Minas Gerais: mais de 40 anos. (MANOEL FREITAS) Considerada uma das últimas trincheiras da cultura de resistência do Brasil, começam na noite de Natal os festejos que celebram o nascimento de Jesus e a devoção a Santos Reis Violeiros e violas caipiras se confundem com a própria história dos 41 anos da Folia de Reis de São José de Alto Belo, distrito de Bocaiúva, conhecida nacionalmente por ser terra natal do ex-vice-presidente da República José Maria Alkmin e do sociólogo Betinho, “o irmão do Henfil”. O Terno de Folia, considerado um dos mais autênticos de Minas Gerais, foi idealizado por outro bocaiuvense ilustre, o pesquisador, historiador, tocador e compositor Téo Azevedo, filho e neto de músicos, na atualidade o autor brasileiro vivo com maior número de músicas gravadas, ganhador do Grammy Latino. Folia de Reis ou Reisado, que chegou ao Brasil junto com os portugueses no período de catequese e colonização, é a festa que comemora e louva os três Reis Magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, a partir do instante em que recebem o aviso do nascimento do Messias, até a hora em que encontram o Deus-menino na lapinha. Os festejos na Igreja de São José de Alto Belo, que têm início à meia-noite do dia 24 de dezembro Dia de Natal e prosseguem até o dia cinco de janeiro, representando o tempo de andança dos Reis, embalados pelas cantorias e o som da viola caipira, pandeiro, acordeons, violões, cavaquinho, reco-reco, caixa, bumbo e rabeca, instrumento de arco precursor do violino. À Festa da Folia de Reis de Alto Belo, que chega a sua 41ª edição nos dias 13,14 e 15 de janeiro de 2023, considerada uma das últimas trincheiras da música de raiz do Brasil com “S”, já se aliaram grandes promessas e artistas consagrados mundialmente. Além disso, o distrito, distante 35 km de Bocaiúva, chama atenção pela produção de grande número de artistas populares, como rabequeiros e mestres da viola caipira. Na verdade, uma autêntica escola de viola, graças à genialidade de Téo Azevedo e do talento de consagrados luthiers, artesões do sertão que concebem com suas habilidades instrumentos musicais de cordas, como Tozinho Pimenta, Moisés Pimenta, João de Bichinho e o saudoso Sinval da Gameleira. Além da sonoridade da mais autêntica música brasileira, a Festa de São José de Alto Belo atrai grande número de devotos de Santos Reis e visitantes por premiar os melhores mentirosos, imitadores, contadores de causos, bem como o maior roedor de pequi. Como se não bastasse, outras atrações alimentam o mundo encantado da criançada: as corridas de carrinho de mão e cavalo de pau; uma festividade única, que nos faz plagiar o jornalista Francisco de Castro, para quem “é no sertão que vive a alma brasileira”. Cerimônia popular de vida longa, com programação que mistura palco e plateia em um mesmo cenário, onde os papéis se confundem, tão grande é a participação dos moradores e visitantes. Nesses dias de cantorias, os participantes do reisado de Alto Belo, a partir do Natal, visitam casas de católicos, de porta em porta, lembrando a viagem dos Reis Magos para levar ao Menino Jesus os presentes de ouro, incenso e mirra, entoando principalmente “Deus te salve casa santa”. Após seis de janeiro, retoma a pacata rotina de povoado onde nasce o Rio Verde Grande, que deságua no Rio São Francisco, pausa, ritual de preparação do Terno de Folia para os três dias da Festa de São José de Alto Belo, que tem contribuído ao longo dos anos para a criação na comunidade de uma cultura com marcante folclore religioso. Isso, quando crianças e jovens de Alto Belo se transformam, durante a exaltação ao Natal, em estrelas do espetáculo, com a apresentação dos Grupos Folclóricos Pastorinhas do Menino Jesus e Calanguê, que tem seu ponto alto na Dança Grande Sertão Veredas, obra de Guimarães Rosa. Era uma vez… Para falar sobre os 41 anos da Folia de Reis de São José de Alto Belo, seu idealizador Teófilo Azevedo Filho, o Téo Azevedo falou com O NORTE na sexta-feira (16). Explicou que “a festa foi criada para reavivar o terno de folia antigo que veio do Vale do Jequitinhonha, herança do meu avô, do meu pai”. Lembrou que “na verdade, a idéia foi de um rapazinho na época, com 12 para 13 anos, o Antônio Divino da Cruz, conhecido como Tony Agreste, que juntamente com José Alves Magno, o Mazinho, me procuraram sugerindo a criação de um terno de Folia de Reis em Alto Belo’. Téo relata que gostou da ideia “e falei que iria pesquisar, estudar e, depois de três meses, reuni com eles, e o nome escolhido foi uma homenagem a nossa terra”. Observa que, na época, o distrito não se chamava Alto Belo, e, sim, Engenheiro Pires e Albuquerque, gerente da antiga Central do Brasil, que tinha uma estação ferroviária em Alto Belo, “porque naquele tempo, na medida em que a linha férrea ia avançando, as comunidades recebiam o nome das estações, em homenagem aos seus engenheiros, porque os povoados e cidadezinhas iam surgindo na beira da linha do trem”. Com emoção, recorda que, “naquele tempo, a Festa de São José de Alto Belo era feita na casa dos fazendeiros da região; a primeira na propriedade de Paulão, a segunda na casa de Seu Nestor e por aí afora; e quando a folia completou 10 anos, as casas e moradias não cabiam mais o povo, então optei por fazê-la na rua, com palco e tudo”. Revela que até chegou a doar “um terreno grande para fazer uma praça de eventos, mas entrou prefeito e saiu prefeito e ninguém deu bola, mas quem sabe um dia aparece um filho de Deus que faz a praça antes da gente bater as botinas, porque agora em julho de 2023 vou fazer 80 anos de idade”. Segundo Téo Azevedo, “uma das coisas mais gostosas de minha vida é a Folia de Reis de