Usina de Três Marias abre comportas para liberar água e acende alerta

A Cemig informou que irá aumentar a partir de hoje a vazão da Usina Hidroelétrica de Três Marias, localizada no rio São Francisco, na Região Central Mineira e, com isto, acendeu o alerta para as cidades ribeirinhas. O reservatório atingiu 66% de sua capacidade na sexta-feira (6) e deve continuar aumentando seu volume até o fim do mês. De acordo com a estatal, Minas Gerais vem recebendo volumes significativos de chuva neste início de janeiro, devido à formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul – ZCAS. A ocorrência deste evento ao longo dos dias que seguiram ocasionou elevados volumes de chuva na maior parte da faixa central do estado. Em Três Marias, as vazões que chegam superaram 2.000 m³/s nessa sexta-feira, com tendência de permanecerem elevadas ao longo da próxima semana. Com isso, o reservatório começou a ganhar nível de forma mais rápida. A partir de hoje, a vazão liberada que se encontra reduzida a 300 m³/s vai passar a 800 m³/s, patamar ainda bem inferior à afluência. Além das turbinas de geração de energia elétrica, algumas comportas serão abertas para verter a água ao rio. A manobra tem como objetivo controlar a subida de nível da água, reduzindo a velocidade de enchimento, sendo alinhada junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e informado à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A Cemig informou que o objetivo dessa ampliação de vazões, mesmo com apenas 66% de armazenamento, é garantir que o aumento de vazões da UHE Três Marias se dê de forma gradual, com o menor impacto possível para o trecho. Mesmo com a abertura de comportas, a tendência é que o reservatório continue ganhando armazenamento até o final do mês. “A Cemig segue monitorando a condição de operação da unidade e novas ampliações podem ser necessárias nas próximas semanas, conforme as afluências verificadas no reservatório até o final deste mês”, disse a nota da empresa. A estatal ressaltou que, para este patamar de vazões, não são esperados impactos para os municípios a jusante da UHE Três Marias no trecho até Pirapora, que recebe contribuição de vazões mais significativa apenas do afluente rio Abaeté. Após este município, o Rio São Francisco ainda recebe contribuintes significativos ao longo de seu curso, como Rio Urucuia, Rio das Velhas e o Rio Paracatu. Tais afluentes já vêm vivenciando maiores vazões, dado o evento chuvoso recente, e considerando a grande distância da usina de Três Marias até os municípios ribeirinhos após a foz do Rio das Velhas, a contribuição de vazões da usina é reduzida, sendo o maior volume do Rio São Francisco oriundo dos demais afluentes. Desta forma, o controle de cheias da UHE Três Marias é realizado considerando a vazão limite de 4.000 m³/s no município de Pirapora, composta pelo somatório das vazões defluentes da usina e da incremental até Pirapora (rio Abaeté). É possível acompanhar informações das usinas em tempo real, a Cemig disponibiliza o aplicativo Prox, com o qual a população pode acompanhar a variação dos níveis e vazões dos rios e reservatórios da região. A companhia desenvolveu esse aplicativo com o objetivo de disponibilizar mais um canal de informações para as populações influenciadas pela operação dos seus reservatórios. A ferramenta permite uma comunicação mais efetiva com a comunidade, bastando apenas o download gratuito do aplicativo. Além disso, no site da Cemig a população pode acompanhar os dados da operação de usinas da companhia meio do link cemig.com.br/usinas. A usina de Três Marias foi muito importante para que algumas cidades ao longo do Rio São Francisco, como Pirapora, não fossem completamente inundadas pelas chuvas do início de 2022. Em 13 de janeiro de 2022, a usina recebeu a maior vazão afluente média diária ao reservatório de todo seu histórico de operação. A usina A Usina Hidrelétrica de Três Marias está localizada na parte Central de Minas Gerais, compreendendo os municípios de São Gonçalo do Abaeté, Felixlândia, Morada Nova de Minas, Biquinhas, Paineiras, Pompéu, Martinho Campos, Abaeté e Três Marias.
Pequi, patrimônio da cultura sertaneja – Por Manoel de Freitas

No Norte de Minas, a floração do pequi ocorre de setembro a dezembro (Manoel de Freitas) Genuinamente nacional, o pequi faz parte do prato e da vida do norte-mineiro. É das Minas – que são muitas – os gerais em que sua gente se senta à sombra do pequizeiro para celebrar o sertão que vive em cada um. E não poderia ser diferente: a árvore-símbolo do cerrado tem forte cheiro de poesia. Seja em caroço, polpa, doce, azeite, castanha in natura ou cristalizada, o pequi é cultura pura e povoa o imaginário coletivo. Para o norte-mineiro, mais que sustento e saboroso alimento à mesa, o pequi também é renda. Com o apoio e confiança de toda a equipe de O NORTE, em reconhecimento ao valor do pequi e à excelente safra que começou em novembro, aos finais de semana o leitor terá acesso a uma série de reportagens especiais a respeito do fruto. Trata-se de um conteúdo que reclama pesquisa e imersão em sua cadeia produtiva, na qual personagens têm muitas histórias para contar. A despeito de ser encontrado em alguns estados do Nordeste, Sudeste e até no Centro-Oeste, o pequi é cantado em prosa e verso sobretudo em Minas e em Goiás. A propósito, nos chamou a atenção primeiramente o fato de que Goiás e o Distrito Federal são os principais compradores da polpa e da castanha do pequi no município de Japonvar, Norte de Minas, tanto pela qualidade quanto pelo baixo custo. Senão, vejamos: enquanto uma garrafa pet com dois quilos de sua polpa custa em Japonvar R$ 20, no Planalto Central não sai por menos de R$ 50, e, no Mercado Livre, chega a ser anunciado até a R$ 169. Dez a 12 caixas por dia Fartura. Palavra-chave da atual safra do pequi em Japonvar. Isso é bom para as populações agroextrativistas e para toda a cadeia produtiva local, haja vista que os ganhos advindos de sua coleta são igualmente observados durante os outros meses do ano com a produção da polpa, da conserva e da castanha do pequi. Por sinal, no município foi formada em 2006 a Cooperativa de Pequenos Produtores Rurais de Japonvar. Na época, a entidade chegou produzir anualmente 150 toneladas de polpa de pequi. Investiu em tecnologia para o processamento e, graças aos recursos financeiros do Sebrae, colocou em operação a 1ª unidade de beneficiamento de frutos do cerrado do Brasil. Nos dias atuais, diante da nova realidade, o próprio Sebrae atua no sentido de colocá-la uma vez mais em funcionamento. Para falar sobre esse novo tempo de bonança, O NORTE ouviu, em Japonvar, a extrativista Maria dos Anjos Ferreira da Silva, a Neném, que mora há 46 anos na comunidade do Mangaí. “Colho pequi desde que me entendo por gente. Lá em casa, temos o hábito de comer na semana inteira: no frango, no macarrão, com arroz, mandioca, cru com farinha… Ou seja, é pequi todo dia”, declara. Maria dos Anjos explica que trabalha na coleta e processamento do pequi em família: “Eu, meu esposo, Divalim Ferreira de Aquino, meu filho, William Ferreira, e meu pai, José Ferreira da Silva, estamos sempre na batalha. O meu pai tem 80 anos, mas todos os dias levanta com o sol nascendo para nos ajudar”. Emocionada, se recorda da mãe, Ana Fernandes: “Minha mãe também coletava o fruto enquanto viveu”. A extrativista revela: “Todo ano eu apanho e compro também de outras coletoras, mas este ano não foi preciso porque meu esposo está pegando de 10 a 12 caixas de pequi por dia! Então posso dizer que essa safra foi boa. Boa, muito boa, maravilhosa”. Sorrindo, Maria dos Anjos diz que tão logo o pequi é colhido, já tem mercado”. “Pra você ter uma ideia”, prossegue Neném, “em 2021 vendi 700 quilos de castanha de pequi; ano passado, mesmo com a queda na safra, vendi 350 quilos; e, acredite, em 2023 a expectativa é ultrapassar mil quilos de castanha”. Maria dos Anjos informa que Goiânia e Brasília absorvem toda a produção de polpa e castanha de pequi: “Compram tudo! Do ponto de vista econômico, a castanha que comercializo sem nenhum espinho, é melhor para mim”. É do Cerrado, é do Brasil O pequi (caryocar brasiliense) é da família das cariocaráceas nativa do Cerrado brasileiro. Seu nome tem origem na língua tupi, ‘py’, que significa pele; ‘qui’, espinho, que significa casca espinhosa, em alusão à camada espinhosa mais interna do fruto, que se acha em contato com a semente. Também é chamado de piqui, piquiá, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiá e pequerim. Sua propagação é feita por semente, frutificando de novembro a fevereiro já no início da sua fase reprodutiva, aos oito anos de idade. O pequizeiro, que leva em média cinco anos para dar frutos, atinge de 10 a 12 metros de altura e pode viver até 50 anos. É capaz de produzir, por safra, de 500 a 5000 frutos, que vão amadurecendo paulatinamente e caindo. Tem espinhos que chegam a até quatro milímetros de comprimento, e seu fruto é rico em óleo insaturado, vitaminas C, A, E, além de fósforo, potássio, magnésio e carotenóides. Segundo o IBGE, em 2021 mais de 74 mil toneladas de pequi foram extraídas no país, dados que ajudam a dimensionar o seu significado para milhares e milhares de famílias, sendo que a partir de 2012 Minas Gerais (que declarou a espécie como sendo de interesse comum, de modo a proibir o seu corte) passou a ser considerado o estado de maior produção extrativista de pequi do Brasil. Sua cadeia produtiva começa com a colheita do fruto, passando pelo transporte, comercialização e consumo. Em Minas, apenas duas regiões de boa luminosidade são grandes produtoras, Norte e Jequitinhonha, embora menos de 40% da produção seja comercializada, o que demonstra claramente o significado do pequi para o autoconsumo das famílias coletoras. Isto posto, não é à toa que o seu extrativismo é importante fonte de renda no Norte de Minas Gerais com reflexos positivos na economia informal, vital para comunidades tradicionais e agricultores
Programa Além da Bola é sucesso em Mirabela – * Por Pedro Rua Neto

O Programa “Além da Bola”, realizado pela Prefeitura de Mirabela, através da Secretaria de Esportes, Cultura e Lazer, movimentou crianças e representantes da comunidade, sábado, dia 31, no estádio Doutor Fábio Rabelo. A criançada de Mirabela e do distrito de São Bento mostrou talento esportivo e se divertiu bastante. O Programa visa também incentivar maior produtividade no aprendizado escolar e melhor comportamento familiar, mostrando que a Prefeitura investe corretamente no que diz respeito a melhoria da qualidade de vida da população. Os idealizadores e participantes estão de parabéns, assim como o prefeito Luciano Rabelo, que acreditou e viabilizou o Programa, atualmente coordenado por Jéssica, na Secretaria comandada pelo competente desportista Rafael Bonfim * Pedro Rua Neto é jornalista e colaborador do ECN
Alto Belo, 41 anos de Folia de Reis – Por Manoel de Freitas

Terno de Folia de Reis de Alto Belo é um dos mais importantes de Minas Gerais: mais de 40 anos. (MANOEL FREITAS) Considerada uma das últimas trincheiras da cultura de resistência do Brasil, começam na noite de Natal os festejos que celebram o nascimento de Jesus e a devoção a Santos Reis Violeiros e violas caipiras se confundem com a própria história dos 41 anos da Folia de Reis de São José de Alto Belo, distrito de Bocaiúva, conhecida nacionalmente por ser terra natal do ex-vice-presidente da República José Maria Alkmin e do sociólogo Betinho, “o irmão do Henfil”. O Terno de Folia, considerado um dos mais autênticos de Minas Gerais, foi idealizado por outro bocaiuvense ilustre, o pesquisador, historiador, tocador e compositor Téo Azevedo, filho e neto de músicos, na atualidade o autor brasileiro vivo com maior número de músicas gravadas, ganhador do Grammy Latino. Folia de Reis ou Reisado, que chegou ao Brasil junto com os portugueses no período de catequese e colonização, é a festa que comemora e louva os três Reis Magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, a partir do instante em que recebem o aviso do nascimento do Messias, até a hora em que encontram o Deus-menino na lapinha. Os festejos na Igreja de São José de Alto Belo, que têm início à meia-noite do dia 24 de dezembro Dia de Natal e prosseguem até o dia cinco de janeiro, representando o tempo de andança dos Reis, embalados pelas cantorias e o som da viola caipira, pandeiro, acordeons, violões, cavaquinho, reco-reco, caixa, bumbo e rabeca, instrumento de arco precursor do violino. À Festa da Folia de Reis de Alto Belo, que chega a sua 41ª edição nos dias 13,14 e 15 de janeiro de 2023, considerada uma das últimas trincheiras da música de raiz do Brasil com “S”, já se aliaram grandes promessas e artistas consagrados mundialmente. Além disso, o distrito, distante 35 km de Bocaiúva, chama atenção pela produção de grande número de artistas populares, como rabequeiros e mestres da viola caipira. Na verdade, uma autêntica escola de viola, graças à genialidade de Téo Azevedo e do talento de consagrados luthiers, artesões do sertão que concebem com suas habilidades instrumentos musicais de cordas, como Tozinho Pimenta, Moisés Pimenta, João de Bichinho e o saudoso Sinval da Gameleira. Além da sonoridade da mais autêntica música brasileira, a Festa de São José de Alto Belo atrai grande número de devotos de Santos Reis e visitantes por premiar os melhores mentirosos, imitadores, contadores de causos, bem como o maior roedor de pequi. Como se não bastasse, outras atrações alimentam o mundo encantado da criançada: as corridas de carrinho de mão e cavalo de pau; uma festividade única, que nos faz plagiar o jornalista Francisco de Castro, para quem “é no sertão que vive a alma brasileira”. Cerimônia popular de vida longa, com programação que mistura palco e plateia em um mesmo cenário, onde os papéis se confundem, tão grande é a participação dos moradores e visitantes. Nesses dias de cantorias, os participantes do reisado de Alto Belo, a partir do Natal, visitam casas de católicos, de porta em porta, lembrando a viagem dos Reis Magos para levar ao Menino Jesus os presentes de ouro, incenso e mirra, entoando principalmente “Deus te salve casa santa”. Após seis de janeiro, retoma a pacata rotina de povoado onde nasce o Rio Verde Grande, que deságua no Rio São Francisco, pausa, ritual de preparação do Terno de Folia para os três dias da Festa de São José de Alto Belo, que tem contribuído ao longo dos anos para a criação na comunidade de uma cultura com marcante folclore religioso. Isso, quando crianças e jovens de Alto Belo se transformam, durante a exaltação ao Natal, em estrelas do espetáculo, com a apresentação dos Grupos Folclóricos Pastorinhas do Menino Jesus e Calanguê, que tem seu ponto alto na Dança Grande Sertão Veredas, obra de Guimarães Rosa. Era uma vez… Para falar sobre os 41 anos da Folia de Reis de São José de Alto Belo, seu idealizador Teófilo Azevedo Filho, o Téo Azevedo falou com O NORTE na sexta-feira (16). Explicou que “a festa foi criada para reavivar o terno de folia antigo que veio do Vale do Jequitinhonha, herança do meu avô, do meu pai”. Lembrou que “na verdade, a idéia foi de um rapazinho na época, com 12 para 13 anos, o Antônio Divino da Cruz, conhecido como Tony Agreste, que juntamente com José Alves Magno, o Mazinho, me procuraram sugerindo a criação de um terno de Folia de Reis em Alto Belo’. Téo relata que gostou da ideia “e falei que iria pesquisar, estudar e, depois de três meses, reuni com eles, e o nome escolhido foi uma homenagem a nossa terra”. Observa que, na época, o distrito não se chamava Alto Belo, e, sim, Engenheiro Pires e Albuquerque, gerente da antiga Central do Brasil, que tinha uma estação ferroviária em Alto Belo, “porque naquele tempo, na medida em que a linha férrea ia avançando, as comunidades recebiam o nome das estações, em homenagem aos seus engenheiros, porque os povoados e cidadezinhas iam surgindo na beira da linha do trem”. Com emoção, recorda que, “naquele tempo, a Festa de São José de Alto Belo era feita na casa dos fazendeiros da região; a primeira na propriedade de Paulão, a segunda na casa de Seu Nestor e por aí afora; e quando a folia completou 10 anos, as casas e moradias não cabiam mais o povo, então optei por fazê-la na rua, com palco e tudo”. Revela que até chegou a doar “um terreno grande para fazer uma praça de eventos, mas entrou prefeito e saiu prefeito e ninguém deu bola, mas quem sabe um dia aparece um filho de Deus que faz a praça antes da gente bater as botinas, porque agora em julho de 2023 vou fazer 80 anos de idade”. Segundo Téo Azevedo, “uma das coisas mais gostosas de minha vida é a Folia de Reis de
IBGE divulga preliminares do censo e desagrada municípios do Norte de Minas

O IBGE divulgou o resultado preliminar do censo 2022, levantado até o dia 5 de dezembro e desagradou ainda mais os municípios do Norte de Minas que contestam os dados. Na manhã dessa quarta-feira, a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), realizou reunião de forma remota, em conjunto com o Consórcio Intermunicipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Codanorte) com os prefeitos e assessores municipais para debaterem os dados. O prefeito de Buenópolis e vice-presidente da Amams, Célio Santana, comandou o evento, a pedido do presidente José Nilson Bispo, Nilsinho, prefeito de Padre Carvalho, quando explicou que esteve em, Brasília, na reunião com os dirigentes do IBGE, que informou ter recenseado 81% da população e que no dia 26 os dados serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU), que a partir desses dados define a cota do fundo de participação dos municípios (FPM). O vice-presidente Célio Santana explica que pelos dados preliminares, Buenópolis está com 9.009 habitantes, sendo que apenas na saúde são 10 mil pessoas atendidas. Com isto, se persistir os dados a cota do município cai de 0.8 para 0.6, representando uma queda mínima de R$ 250 mil por mês e R$ 3 milhões por ano. O prefeito Welson Gonçalves da Silva, de Japonvar, que participou do evento, também discordou dos dados, pois Japonvar teria 7.708 habitantes e na saúde, são 8.778 pessoas. Ficou definido que a Amams encaminhara ao TCU pedido para não usar esses dados na definição do FPM. Na reunião com os assessores jurídicos, ficou definido que os municípios insatisfeitos com os dados devem reunir dados da educação, saúde e outros indicadores, para se esgotada pela via administrativa, a orientação é que as prefeituras busquem a via judicial.
Com quase 60 mil votos, Délio Pinheiro poderá assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados

O Norte de Minas Gerais vive a expectativa de conseguir aumentar sua representatividade no Congresso Nacional. Isso poderá ocorrer caso a vereadora de Belo Horizonte e deputada federal eleita, Duda Salabert (PDT-MG) – que compôs a equipe de transição do governo Lula -, seja indicada para o Ministério de Direitos Humanos ou mesmo para chefiar a Secretaria Nacional LGBTQIA+. A nova Pasta deverá ser criada, pois foi uma bandeira de campanha do presidente eleito. Nesse caso, como primeiro suplente do PDT mineiro, o jornalista Délio Pinheiro, que obteve 56.891 votos, assumiria a vaga na Câmara dos Deputados. Além de Duda, Mario Heringer, outro deputado eleito pelo PDT, também é cotado para assumir um ministério do governo Lula. Ele pode ocupar o Ministério do Trabalho, o que aumentaria as chances do Norte de Minas expandir sua bancada federal, de 4 para 5 deputados. Os deputados federais eleitos do Norte de Minas foram Marcelo Freitas (União Brasil), Paulo Guedes e Patrus Ananias (PT) e Célia Xakriabá (Psol). Deputados estaduais Na Assembleia Legislativa, a expectativa do Norte de Minas aumentar sua bancada também é grande, já que os suplentes Carlos Pimenta (PDT), Danilo Mendes (União Brasil) e Zé Reis (Podemos) ficaram na primeira suplência dos seus respectivos partidos. Carlos Pimenta teve 35.037 votos e está na expectativa de Alencar da Silveira assumir no Tribunal de Contas ou na Secretaria de Esportes. Zé Reis teve 48.773 votos e depende da deputada eleita Lud Falcon ser chamada para o secretariado estadual. Enquanto o ex-prefeito de Taiobeiras, Danilo Mendes, que teve 27.711 votos espera também que um dos três deputados estaduais do União Brasil, que apoiaram o governador Romeu Zema, seja nomeado secretário estadual. Com informação do jornal Gazeta
MP de Minas denuncia vice-prefeito de Matias Cardoso por abuso sexual

Jancleiber Lopes dos Santos. Foto: reprodução O ato teria ocorrido na residência de Jan de Joquinha, quando sua cunhada hoje com 42 anos foi visitar a irmã. MATIAS CARDOSO – O Ministério Público de Minas Gerais, ofereceu denúncia criminal contra o vice-prefeito de Matias Cardoso, no Norte de Minas, Jancleiber Lopes dos Santos, conhecido como Jan de Joquinha, 42 anos (PL), por abuso sexual cometido contra a cunhada no dia 27 de setembro de 2021. Na denúncia oferecida pelo MP, o vice-prefeito praticou atos libidinosos contra a cunhada. O ato teria ocorrido na residência de Jan de Joquinha, quando sua cunhada hoje com 42 anos foi visitar a irmã. De acordo com o MP, o vice-prefeito teria oferecido a vítima uma mistura de lição com sal. Essa mistura é servida para acompanhar outras bebidas, mas ela teria percebido que o cunhado acrescentou cachaça no copo e se recusou a continuar bebendo. Ainda de acordo com o MP, naquela noite a mulher resolveu dormir na casa da irmã. O vice teria aproveitado que todos estavam dormindo e invadido o quarto da cunhada e cometido o abuso. Na denúncia, o MP defende que o vice responda por abuso de vulnerável, já que a vítima estava dormindo e não pode oferecer resistência. Caso seja condenado o vice-prefeito poderá pegar de 8 a 15 anos de prisão. O pai da vítima disse que Jan de Joquinha além de abusar de uma das filhas, ainda teria tentado denegrir a imagem de uma segunda filha. O pai da vítima afirmou que o vice-prefeito é um mostro. Depois da repercussão do caso na pequena Matias, o vice teria encaminhado um áudio para o pai da vítima se desculpando, além disso, ele teria culpado a bebida pelo fato ocorrido. Ainda nos áudios, o vice-prefeito teria pedido para não continuar com a denúncia para não causar mais dor e prejuízo. Em nota, a defesa do vice-prefeito informou que seu cliente não foi intimado, por isso, a defesa fica impossibilitada de se manifestar. O prefeito de Matais disse que a gestão não compactua com qualquer tipo de ilícito
Arte e história do povo Xakriabá – Por Manoel de Freitas

Foto aérea da Casa de Cultura: em formato de oca, foi edificada para fortalecer tradições do povo Xakriabá Muito antes do descobrimento do Brasil, a arte estava presente na essência dos primeiros habitantes do território. Na atualidade, o país tem cerca de 300 etnias indígenas, diferindo entre si pelos costumes estampados em cores, adornos e ritos. Para mergulhar nesse universo onde impera a ancestralidade, O NORTE fez várias incursões às terras do Povo Xakriabá, no Alto Médio São Francisco. Na primeira de duas reportagens especiais retratamos a Casa de Cultura Xakriabá, na Aldeia Sumaré, construída para resgatar e fortalecer costumes e tradições desse que é o maior grupo étnico de Minas Gerais, segundo a UFMG com mais de 10 mil indígenas distribuídos em 37 aldeias. Igualmente, enfoca a cerâmica trabalhada pelas mãos de Nei Leite Xakriabá, da Aldeia Barreiro Preto, pós-graduado em Artes pela Escola de Belas Artes da UFMG. Resgate de tradições Para fortalecer o conjunto das estruturas sociais, religiosas e artísticas da maior nação indígena de Minas, em 2004 foi proposta a criação, na Aldeia Sumaré I, da Casa de Cultura Xakriabá. Isso, graças à celebração de diversas parcerias, entre as quais a UFMG, Associações Indígenas e a Província de Modena, que participou com o financiamento através da Emília Romagna, situada no Norte da Itália. A edificação, em formato de oca, com cobertura em palha de buriti desenhando um cocar (adorno de pena usado na cabeça), no dizer do cacique Domingos Nunes de Oliveira, “abriu espaço para que as lideranças das diversas aldeias promovessem mais ainda o repasse de técnicas de artesanato dos mais velhos aos mais jovens, que já ocorria de geração a geração entre o Povo Xakriabá”. Mais ainda, todo o processo de construção da Casa de Cultura, onde os indígenas celebram seus rituais, foi trabalhado com os professores de artes e cultura da etnia, com interação do Curso de Formação Intercultural de Professores Indígenas, da UFMG. Ao mesmo tempo, a parceria possibilitou a construção de três casas de artesanato dentro do seu território, erguidas tanto na Aldeia Sumaré, como nas Aldeias Pedra Redonda e Riacho dos Buritis, nas quais é reservado espaço para as atividades de resgate da tradição artesanal e costumes. Na verdade, conjunto de ações objetivando o reconhecimento da sua identidade étnica e valorização da sua cultura, através do resgate e revigoramento de diferentes tipos de habilidades. “Uma das mais originais do país” Durante três dias, O NORTE acompanhou equipe do Minas Indígena, do governo do Estado, em incursão na Terra Indígena Xakriabá. A ação teve como objetivo assegurar aos indígenas de suas diversas aldeias o acesso à Carteira Nacional do Artesão, através de parceria com o Programa Brasileiro de Artesanato. É que, segundo a diretora do programa, engenheira civil Adélia Maia, “a arte indígena de Minas é considerada uma das mais originais do país, despertando o interesse nacional e internacional”. No seu modo de pensar, Adélia Maia, que responde por diversas ações do governo de Minas no território Xakriabá, “o artesanato para os indígenas vai muito além da produção para se ter um retorno financeiro, pois retrata uma expressão própria, passada e aperfeiçoada de geração a geração”. Opinou que “na Terra Indígena Xakriabá temos uma coletânea de artes únicas, produzidas por integrantes de quase todas as famílias, a rigor diferentes técnicas que abrangem múltiplos materiais, como, por exemplo, penas, sementes, argila, folhas, madeira e osso”. Explicou a diretora do Minas Indígena que “mesmo o conhecimento sendo recebido por transferência ancestral, a criatividade é nitidamente perceptível em cada peça, em cada arte”. E lembrou que “muitas delas, principalmente as cerâmicas, combinam a arte tradicional com expressões típicas do Cerrado norte-mineiro em diferentes e belas matizes”. Cerâmica: prática ancestral Exatamente um mês após sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da UFMG, o indígena Vanginei Leite Silva, o Nei Leite Xakriabá, presidente da Associação dos Artesões Xakriabá, falou a O NORTE sobre seu trabalho e a importância da arte na preservação da cultura de seu povo. Tema que, por sinal, detalhou em “Arte Indígena Xakriabá: com um pé na aldeia e outro pé no mundo”. Aos 41anos, o professor de artes é reconhecido nacionalmente promove oficinas e expõe sua produção, especialmente moringas com tampas em formato de animais do Cerrado, em feiras e exposições. É casado com a também ceramista Ivanir Bezerra de Oliveira Silva, de 34 anos, que igualmente concentra sua produção na Aldeia Barreiro Preto. “A cerâmica Xakriabá, essa arte indígena, foi uma prática muito presente na minha comunidade no passado, mas devido às violências que meu povo teve que enfrentar, como proibição de falar a língua nativa, bem como de praticar várias manifestações culturais, a cerâmica também sofreu esses impactos, se enfraquecendo, porque os índios passaram a substituí-la pelos objetos da indústria, comprando plástico e alumínio”. Nei explicou que em 2001, na Terra Indígena Xakriabá, o pote era o único objeto que circulava nas aldeias, porque era usado para esfriar água. Mas que, com a chegada da energia elétrica o pote perdeu espaço para a geladeira. “Quando cheguei à escola procurei as pessoas mais velhas para conversar e aprender com eles as técnicas, ainda que vários ceramistas antigos não estivessem mais produzindo, mas que ainda guardavam na memória esses saberes”. Assim, “colocamos em prática os ensinamentos, ou seja, retomamos uma técnica que não era utilizada há mais de 40 anos, circulando nas casas novamente, e, também, como era tradição antigamente, voltou a ser presenteada às pessoas nos casamentos, porque naquele tempo, quando uma moça passava convidando para o casamento, recebia a cerâmica Xakriabá para utilizar em casa, o pote, a panela, a sopeira, o prato”. Explica que passou a usar na cerâmica os traços da pintura corporal, como feito pelos mais velhos, buscando melhorar o acabamento, colocando nas peças as tampas que eram figuras dos animais do Cerrado. Como exemplo, citou que as moringas antes tinham tampas simples, “mas como minha mãe fazia muitos bichos, e ainda faz, então aprendi com ela
CURRAL VELHO – Associação alerta para câncer de próstata – Por Pedro Ruas Neto

Logo mais às 14 horas desta sexta-feira, dia 25, os membros da Associação dos Produtores Rurais de Curral Velho, em Mirabela, se reúnem para discutir temas relacionados àquela comunidade e, ainda, sobre a importância da prevenção contra o câncer de próstata. No encontro também serão entregues aos associados, mudas de árvores frutíferas, ornamentais e nativas, dentro da proposta da associação de preservar e revitalizar o Meio Ambiente. Apesar de recém-criada no município, a Associação de Curral Velho vem se destacando no município de Mirabela. Realiza reuniões mensais para atender às demandas dos associados e discute temas específicos envolvendo a sociedade como um todo. Os membros da diretoria acreditam que, desta forma, despertam maior interesse pelos encontros e colocam os associados a par do que está em evidência naquele município e no país. A associação também se preocupa com a capacitação dos seus associados. Tanto que já realizou cursos diversos, a exemplo do que ocorreu mês passado, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que serviu para mostrar as potencialidades da associação, cujos associados já comercializam produtos e alimentos como doces, queijo, leite, artesanato, entre outros que proporcionam aumento da rentabilidade e geram empregos alternativos. * Pedro Neto é jornalista e colaborador do ECN
Bolsonaro suspende fornecimento de água a famílias no semiárido nordestino

Cerca de 1,6 milhão de pessoas foram prejudicadas no semiárido nordestino com paralisação do serviço de carro-pipa, que leva água potável às famílias há 20 anos. A operação Carro-Pipa, do governo federal, teve os recursos cortados neste mês, levando os caminhões a pararem o fornecimento do produto a moradores do interior no Nordeste. A coluna de Carlos Madeiro no UOL apurou que o primeiro estado a ter o abastecimento suspenso, logo no início do mês, foi Alagoas. Já em Pernambuco, Paraíba e Bahia, a paralisação foi informada apenas na quinzena final de novembro, assim como vem ocorrendo nos demais estados, com os caminhões deixando de prestar o serviço à população. A operação Carro-Pipa é financiada com recursos do Exército Brasileiro em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Ambos confirmaram à coluna que a suspensão ocorreu por falta de verbas para continuidade. O MDR diz que alertou o Ministério da Economia sobre a falta de recursos, sem retorno. O UOL teve acesso a um documento do 72º Batalhão de Infantaria Motorizado, com sede em Petrolina (PE), endereçado a Defesas Civis de municípios de Pernambuco e Bahia. No documento do dia 14, assinado pelo coronel Paulo Francisco Matheus de Oliveira, o Exército informa que “o recebimento parcial de recursos financeiros para atender a execução do serviço será somente para até o dia 15 de novembro corrente”. A suspensão, porém, pegou as Defesas Civis, pipeiros e moradores de surpresa. Pela regra, cada família tem direito a 20 litros de água por dia a cada integrante assistido. Ou seja, se a casa tem cinco moradores, são 100 litros diários. Eles já relatam prejuízos. Orlando Vieira da Silva, 54, vive no sítio Boa Esperança, em Ouricuri (PE), e exerce a função de apontador (liderança local que ajuda a coordenar distribuição da água) da operação na comunidade. Ele diz que, das 30 famílias que vivem lá, apenas quatro conseguiram receber água recentemente e 26 estão completamente desabastecidas. “A região está precisando de água. Não sei por que, justo nesse período mais seco —que vai de setembro até janeiro—, parou. É muito ruim para nós”, lamentou. Só em Pernambuco são 529 mil moradores de 105 cidades que estão aptos para receber água da operação. Em Ouricuri, são 19 mil pessoas atendidas, o maior número de beneficiários do estado. Confira a íntegra da reportagem