Depois do golpe, o Brasil cresceu pouco e a vida dos mais pobres piorou

Crescimento, precarização e desigualdade no fechamento de 2017Foram fechados no ano passado mais de 680 mil ocupações com carteira assinada no setor privado O índice de Gini, que mede a desigualdade, aumentou e sumiram milhares de empregos formais por Fabrício Pitombo Leite — via Carta Capital Na recente divulgação das Contas Nacionais Trimestrais, chama a atenção o desempenho da atividade econômica no Brasil, que deu sinais de vitalidade, com uma taxa de crescimento do PIB de 2,1% no último trimestre de 2017, na comparação com igual período de 2016. Esta taxa pode ser decomposta em contribuições positivas, nesta ordem de importância, do consumo das famílias, que cresceu 2,6%, das exportações, com taxa de crescimento de 9,1%, e mesmo da formação bruta de capital fixo, cujo crescimento de 3,8% denota reversão de uma trajetória de queda iniciada no segundo trimestre de 2014. Se tomássemos o ano como um todo, a pintura não seria tão positiva, mas, ainda assim, poder-se-ia apontar um crescimento de 1%, tanto para o PIB quanto para o consumo das famílias. Quanto ao mercado de trabalho, a julgar-se pela taxa de desocupação, estaríamos, de acordo com o IBGE, numa situação de estabilidade, com 11,8% neste quarto trimestre de 2017, ante 12% no fechamento de 2016. A partir dos mesmos dados utilizados para o cálculo da taxa de desocupação, oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), igual crescimento de 2,1% poderia ser observado no total de ocupados, sempre na comparação entre os últimos trimestres dos dois últimos anos, o que significa a entrada de 1,8 milhão de indivíduos no universo dos ocupados. Enganosa, contudo, é a impressão causada por tal crescimento, ao constatarmos uma queda de mais de 680 mil ocupações entre os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, concomitantemente ao crescimento de quase 600 mil ocupações para empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada. Difícil não recorrermos de imediato a um termo para resumir esse comportamento: precarização. Quando se soma a isso o aumento de mais de um milhão de ocupações para trabalhadores por conta própria, o retrato fica ainda mais nítido – nunca é demais lembrar que a categoria conta própria no Brasil ganha sistematicamente menos que os trabalhadores empregados no setor privado, aproximadamente 25% a menos que a média para o conjunto dos empregados no setor privado neste último trimestre de 2017. Completam o quadro o aumento das ocupações para trabalhadores familiares auxiliares (116 mil) e para trabalhadores domésticos sem carteira assinada (332 mil), sendo que esse último grupamento, apesar do saldo positivo, também apresenta queda (–70 mil) nas ocupações com carteira. Observa-se ainda um aumento de ocupações para o setor público em geral (222 mil), já incluindo militares e estatutários, para os quais há tendência de queda nas ocupações. Finalmente, aumento de mais de 263 mil ocupações entre os empregadores. Assim, poderia ser encarada com menos surpresa a elevação da desigualdade de rendimentos neste fechamento de ano, para a qual nos voltaremos a partir de agora. Como apontavam os resultados já adiantados em análise realizada com dados até o primeiro semestre de 2017, utilizando a própria PNADC, a desigualdade passou a crescer desde o fim de 2015, sem sinais de reversão até o fechamento de 2017. O índice de Gini calculado para a Renda Domiciliar Per Capita (RDPC), a exemplo do observado em todos os outros trimestres do ano, foi o maior para iguais trimestres desde o início da divulgação da pesquisa, passando de 0,5659 no quarto trimestre de 2016 para 0,5697 neste último trimestre de 2017. O crescimento da atividade econômica parece, portanto, ter sido suficiente para um crescimento mais expressivo da renda dos relativamente pobres (3,1%), mas não o bastante para suplantar o crescimento da renda dos mais ricos (3,9%). O ritmo do crescimento da desigualdade foi, no entanto, inferior ao observado nos três primeiros trimestres do ano, possivelmente refletindo tal incremento no nível de atividade. Para acumulados em quatro trimestres, entretanto, 2017 apresentou um aumento da desigualdade superior ao observado no ano anterior: 1,64% de crescimento do índice de Gini contra 0,99% observado em 2016 (o crescimento acumulado para o fechamento de cada ano está destacado em vermelho no gráfico abaixo). Se levarmos em conta que os dados trimestrais da PNADC nos permitem tratar somente da desigualdade de mercado (metodologia utilizada e tabelas completas podem ser acessadas aqui) – do rendimento mensal efetivo de todos os trabalhos, na terminologia do IBGE, abrangendo empregados, trabalhadores por conta própria e empregadores –, em oposição à desigualdade sobre os rendimentos disponíveis pós-transferências, não é ocioso notar que tal trajetória observada de aumento da desigualdade seria ainda mais acentuada caso estivéssemos captando uma redução nas transferências de assistência e previdência social para as camadas mais vulneráveis da população. * Fabrício Pitombo Leite é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Corporativismo – Auxílio-fardamento, nova mordomia a caminho na Justiça?

 por André Barrocal  – Via Carta Capital A reivindicação de juiz-almirante do Superior Tribunal Militar tem pedido para decisão a portas fechadas e resistência do presidente da corte Os juízes brasileiros enforcam mais de 90 dias por ano, enquanto a população mata só uns 15. Mas, quando trabalham, são muito criativos. Especialmente ao imaginar um jeito de encher o bolso. A última invenção? “Auxílio-fardamento”. A mordomia foi requerida no Superior Tribunal Militar (STM) pelo juiz-almirante Alvaro Luiz Pinto. Ele quer receber dois salários de auxílio, livres de descontos como imposto de renda e contribuição à Previdência, pelo tempo que trabalha no STM e precisar usar farda por lá. O almirante entrou para a corte em março de 2010. Nos últimos 12 meses, embolsou, em média, 34 mil reais mensais de remuneração paga por uma população de renda per capita domiciliar média de 1,2 mil por mês. Para engordar o contracheque com um “auxílio-fardamento”, Pinto invoca a lei que organiza a Justiça Militar (a 8447, de 1992), uma medida provisória que trata dos salários dos militares (a MP 2215, de 2001), o Estatuto dos Militares (decreto-lei 3864, de 1941) e o regimento interno do STM. O presidente do tribunal, José Coêlho Ferreira, negou o auxílio em 5 de dezembro de 2017. Para ele, não importa o que digam normas específicas dos militares, quando estes se tornam juízes, seguem a Lei Orgânica da Magistratura, a Loman, de 1979. E esta não prevê ajuda para comprar farda. No STM desde 2001, Ferreira é um dos poucos não-militares por ali. A corte possui 15 juízes, dos quais 10 usam farda, uma composição definida em lei. É a segunda e última instância julgadora de integrantes das Forças Armadas. Juntas, primeira e segunda instâncias custam 550 milhões de reais por ano. Diante da negativa do auxílio, Pinto apresentou um recurso para que Ferreira voltasse atrás. Se ele não recuasse, o almirante defendeu que o caso fosse decidido pelo plenário do STM em uma sessão administrativa. Sessões administrativas são a portas fechadas. Com dois terços da corte oriundos das Forças Armadas e tendo de julgar um caso corporativo longe das vistas do público, dá para imaginar a decisão. Uma situação abertamente explorada por Pinto. E com um quê de ameaça. Em seu recurso, o almirante diz que auxílio-fardamento é de interesse de toda a Justiça Militar da União, “uma vez que 10 (dez) ministros integrantes da Corte são militares da ativa em quadros especiais da Marinha, Exército e Aeronáutica”. A mordomia do auxílio-moradia de 4,3 mil reais mensais, universalizada no Brasil por uma liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, foi citada por Pinto, quando este defendeu que temas corporativos sejam decididos por todos os integrantes do STM. O almirante emendou: “Uma decisão administrativa do Plenário do Superior Tribunal Militar esgotaria a matéria, evitando uma desnecessária e desgastante exposição em caso de eventual judicialização do assunto perante a Justiça Federal por meio de ação ordinária, medida extrema que não interessa ao Ministro-Presidente e nem aos demais membros deste órgão”. A ameaça de ir à Justiça comum não deu certo. Ferreira negou de novo o auxílio. Aceitou mandar o caso ao plenário, mas com várias ressalvas, conforme um despacho de 12 de março. A começar pelo fato de a maioria do STM ter interesse no assunto. “Se eventual decisão positiva quanto ao recurso for proferida pelo Plenário, o qual é composto por 10 (dez) Membros Militares, que se beneficiariam diretamente da decisão proferida, é de se questionar a legitimidade do órgão para decidir tal questão”, diz o despacho. “Como a matéria é de interesse da maior parte dos integrantes desta Corte, demonstra-se caracterizado o impedimento dos ministros diretamente beneficiados pelo pleito.” Ferreira defende que se o plenário do STM examinar o caso, que negue o auxílio-fardamento. E que, se não negar, que reconheça não ter legitimidade para decidir, pois a maioria ali tiraria proveito do auxílio, e que mande o caso para o Conselho Nacional de Justiça. Na hipótese de o STM aprovar o auxílio, Ferreira propõe que a decisão seja informada à Advocacia Geral da União, pois terá início um efeito cascata com impacto no orçamento do País. Uma forma de chamar a atenção do governo para o penduricalho a caminho. Com o fim do feriadão da Páscoa, que na Justiça começou na quarta-feira 28, o caso deverá ter um desfecho em breve no STM.

Guiados por notícias falsas e pelo ódio, cristãos matariam Jesus de novo

– Por Leonardo Sakamoto – No blog do Sakamoto  Linchamento ocorrido no Brasil em 2015 que vitimou Cleidenilson Pereira Silva, no Maranhão. Foto: Biné Morais  A tradição ibérica da Malhação do Judas no Sábado de Aleluia consiste em fazer um boneco de pano, papel, serragem, jornal, o que seja, para representar Judas Iscariotes – o delator de Jesus – e humilhá-lo, xingá-lo, surrá-lo, queimá-lo, alfinetá-lo, explodi-lo. Hoje é Sábado de Aleluia, dia anterior à Páscoa, e alguns Judas serão transformados em pó em ruas e praças de todo o país. A bem da verdade, o costume vai caindo em desuso. Para além do desinteresse de parte das novas gerações em manter vivo esse linchamento simbólico, há o fato de que, diariamente, milhares de autointitulados cristãos já escolhem seus Judas para serem malhados, sem dó ou piedade, nas redes sociais. O que me leva a crer que esse pessoal não entendeu a sabedoria presente nas palavras escritas nos evangelhos, baseadas na ideia de compaixão e de diálogo. Mais uma vez, repito: falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto. A começar por certos padres e pastores, políticos e comunicadores que podem até não trucidar com as próprias mãos os opositores de suas ideias, mas despejam tanto ódio a certos grupos sociais que seus fiéis e seguidores acabam fazendo o trabalho sujo, achando que estão operando a ”vontade de Deus”. Se houver algum Deus, ele deve se arrepender de ter enviado o meteoro que destituiu os dinossauros como espécie dominante do planeta. A Malhação do Judas não é um treino para linchamentos de rua que acontecem aqui e ali – provando que nós somos umas bestas quadradas. Mas a alegria de trucidar o boneco e, através desse ato, descarregar as iniquidades e injustiças que enfrentamos no dia a dia, tem um paralelo com a sensação de (falso) reequilíbrio obtido através de um linchamento, que promete ”justiça” quando a massa considera que a Justiça convencional não foi o bastante ou não funcionou. O discurso de ódio, que transforma a massa em turba, nas ruas ou nas redes, provoca distorções profundas no entendimento da realidade. As pessoas perdem a capacidade de refletir sobre suas palavras e ações. Foi o que aconteceu com Jesus, em 2014, no Guarujá, litoral de São Paulo. Fabiane Maria de Jesus não usava crianças em rituais de ”magia”, como foi acusada. Mas, mesmo assim, ela foi perseguida, espancada e morta por uma turba enlouquecida de moradores. Eram guiados por uma notícia falsa sobre sacrifício humano e um retrato falado que os agressores juravam ser ela. Nas últimas semanas, o ódio gestado na redes sociais se transformou em paus, pedras, ovos, quebrando e machucando, integrantes da caravana do ex-presidente Lula pela região Sul. Até que o ódio se converteu em tiros contra os ônibus. Estudei em escola adventista por nove anos e, ao mesmo tempo, participei bastante da vida na igreja católica perto de casa. Hoje, como todos sabem, vou para o inferno (o que não é de todo o mal porque, dizem, que lá é um lugar quentinho e tem gente legal para conversar, como Karl Marx e Stephen Hawking). Mas por conta do meu passado, sei razoavelmente o que está escrito nos evangelhos. O discurso de intolerância que grassa na boca de muita gente que se acha ”o povo de deus”, de católicos a neopentecostais, não está nos quatro livros do Evangelho cristão. Pessoas que acham um absurdo não comer peixe na Sexta-Feira Santa ou não ir à missa/culto no Domingo de Páscoa, mas enchem a boca para falar que a solução para a criminalidade é ”bandido bom é bandido morto”. E, diante das críticas ao atendimento por vezes violento a uma pessoa em situação de rua, grita ”Tá com dó? leva para casa”. Não dá para dizer para um desconhecido ”você não entendeu nada do que o tal de Jesus de Nazaré disse”. Seria muito arrogante e ofensivo à liberdade de que ele dispõe. Mas que dá vontade, ah, dá, principalmente porque liberdade não é algo absoluto, acaba quando você a usa para causar dor a alguém. Liberdade também não admite censura prévia, mas demanda responsabilidade e prevê responsabilização. O fato é que se tivessem interpretado por uma forma mais humana o que significa amar o seu semelhante como a si mesmo, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, e todo o restante, entenderíamos que professar homofobia, racismo e machismo não faz sentido algum. Como já disse aqui várias vezes, tenho a certeza de que se Jesus, o personagem histórico, vivesse hoje, defendendo a mesma ideia presente nas escrituras sagradas do cristianismo, mas atualizando-a para os novos tempos, seria humilhado, xingado, surrado, queimado, alfinetado e explodido não só num Sábado de Aleluia, mas também em dias menos santos. Seria chamado de defensor de bicha, mendigo e sem-terra vagabundo. Olhado como subversivo, acusado de ”heterofóbico” e ”cristofóbico”. Alcunhado como agressor da família e dos bons costumes. Finalizado como comunista. Daí, a passagem mais legal dos Evangelhos: Lucas, capítulo 23, versículo 34: ”Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem”.

Página 12 afirma que fascismo da extrema-direita é ameaça real no Brasil

O jornal argentino Página 12 afirma que o avanço do fascismo no Brasil é mais real do que se possa imaginar. De acordo com analista internacional Juan Manuel Karg, não se trata de uma “apressada” opinião ao declinar dois eventos recentes: 1- o atentado a tiros contra a caravana de Lula, no Paraná; e 2- o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro. “De que outra forma, se não o fascismo, podemos caracterizar o grupo de bandidos que atacaram a caravana do homem mais importante da história contemporânea do Brasil?”, questiona o especialista argentino. Para corroborar a afirmação de que o fascismo não é nenhum fantasma, é real, Manuel Karg destaca que, por meio de agressões, “o oficial militar aposentado Jair Bolsonaro, segundo em pesquisas e crescendo em face do colapso da “direita clássica” brasileira.” Para o articulista do Página 12, a extrema-direita brasileira buscou com os tiros na caravana do ex-presidente intimidar organizações e movimentos sociais diante da provável prisão do ex-líder metalúrgico. “O objetivo básico é colocar o medo diante de uma sentença que é claramente injusta, em um processo tão viciado quanto o que levou à saída de Dilma Rousseff do Planalto.” Juan Manuel Karg, o Brasil corre sério risco de entrar em uma fase de mexicanização de sua política, com assassinatos de líderes políticos, ataques a líderes populares e tentativas de legitimar essa violência, através de cumplicidade, de vários setores do poder. “É a triste evolução de um golpe parlamentar que, desde 2016, mantém o país em verdadeiro estado de emergência, onde a condenação e a inabilitação de Lula para concorrer na eleição de outubro são a segunda fase.”

A CRISE NA EDUCAÇÃO NO BRASIL NÃO É UMA CRISE; É PROJETO

 A frase de Darcy Ribeiro está mais atual do que nunca e sintetiza este ilegítimo governo golpista e entreguista de Michel Temer que vem viabilizando um projeto de desconstrução, com início, meio e fim da elite brasileira. Cortes deliberados em ciência, tecnologia e educação são parte do plano antinacional de inviabilização do futuro do Brasil.  – SUFOCADA PELO GOVERNO TEMER, UNB PODE PARAR DE FUNCIONAR EM AGOSTO – Em reunião com representantes da comunidade acadêmica nesta quinta-feira, 29, a reitora da UnB, Márcia Abrahão, falou sobre a grave crise financeira pela qual passa a universidade, por conta de falta de recursos repassados pelo Ministério da Educação; segundo ela, além de não haver retorno prático quanto aos pedidos da UnB, o MEC sinalizou um cenário ainda mais duro, com a possibilidade de publicação de um novo decreto de contingenciamento, nos próximos dias; universidade tem um déficit de R$ 92,3 milhões no orçamento deste ano.Manoela Alcântara, do Metrópoles – “Se não tiver contingenciamento, a UnB para de funcionar em agosto”. Foi com essa frase que a decana de Planejamento e Orçamento da Universidade de Brasília, Denise Imbroise, abriu reunião pública para tratar da crise financeira da instituição, que registra um rombo de R$ 92,3 milhões em seu orçamento para este ano. O evento reúne, nesta quinta-feira (29), representantes de toda a comunidade acadêmica.A universidade anunciou ser necessário cortar despesas, e isso implicaria em redução de terceirizados, estagiários e subsídios, como o oferecido aos estudantes que se alimentam no Restaurante Universitário (RU). A medida pode aumentar em até 160% o valor das refeições, dependendo da condição financeira do aluno. Outras contenções também estão sendo analisadas.Com o auditório verde da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face) lotado, a reitora Márcia Abrahão foi recebida pelos estudantes com gritos de “não aceitamos demissões. Mexeu com os terceirizados, mexeu com a gente”.A reitora ouviu os protestos e conversou brevemente com a imprensa. Segundo a gestora, foram realizadas diversas reuniões com o Ministério da Educação (MEC) para tentar conseguir recursos. No entanto, afirmou ela, “cortes são inevitáveis”.De acordo com Márcia Abrahão, “o MEC tem nos recebido e se mostrado sensível, mas, infelizmente, mesmo com nossas explicações e apelos, não obtivemos nenhuma resposta positiva”. Além de não haver retorno prático quanto aos pedidos da UnB, a pasta sinalizou um cenário ainda mais duro, com a possibilidade de publicação de um novo decreto de contingenciamento, nos próximos dias, pontuou a reitora.   A criação da UNB A lei que autorizou a fundação da Universidade de Brasília (UnB) foi assinada pelo presidente João Goulart em 15 dezembro de 1961 – Cedoc / UnB Cerimônia de inauguração da Universidade de Brasília. Darcy Ribeiro, reitor da universidade, é o quarto da direita para a esquerda Brasília tinha apenas dois anos quando ganhou sua universidade federal. A Universidade de Brasília foi fundada com a promessa de reinventar a educação superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na transformação do país.A construção do campus brotou do cruzamento de mentes geniais. O inquieto antropólogo Darcy Ribeiro definiu as bases da instituição. O educador Anísio Teixeira planejou o modelo pedagógico. O arquiteto Oscar Niemeyer transformou as ideias em prédios.Os inventores desejavam criar uma experiência educadora que unisse o que havia de mais moderno em pesquisas tecnológicas com uma produção acadêmica capaz de melhorar a realidade brasileira.As regras, a estrutura e concepção da Universidade foram definidas pelo Plano Orientador, uma espécie de Carta Magna, datada de 1962, e ainda hoje em vigor. O Plano foi a primeira publicação da Editora UnB e mostrava o espírito inovador da instituição.“Só uma universidade nova, inteiramente planificada, estruturada em bases mais flexíveis, poderá abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior”, diz o Plano Orientador.Trilhar esse caminho, no entanto, exigiu esforços. Apesar do projeto original de Brasília já prever um espaço para a UnB, foi preciso lutar para garantir sua construção. Tudo por causa da proximidade com a Esplanada dos Ministérios. Algumas autoridades não queriam que estudantes interferissem na vida política da cidade. Finalmente, em 15 de dezembro de 1961, o então presidente da República João Goulart sancionou a Lei 3.998, que autorizou a criação da universidade.Darcy e Anísio convidaram cientistas, artistas e professores das mais tradicionais faculdades brasileiras para assumir o comando das salas de aula da jovem UnB.“Eram mais de duzentos sábios e aprendizes, selecionados por seu talento para plantar aqui a sabedoria humana”, escreveu Darcy Ribeiro, em A Invenção da Universidade de Brasília.A estrutura administrativa e financeira era amparada por um conceito novo nos anos 60 e até hoje menina dos olhos dos gestores universitários: a autonomia.“A UnB foi organizada como uma Fundação, a fim de libertá-la da opressão que o burocratismo ministerial exerce sobre as universidades federais. Ela deveria reger a si própria, livre e responsavelmente, não como uma empresa, mas como um serviço público e autônomo”, escreveu Darcy, em UnB, Invenção e Descaminho.A inauguração da UnB assemelhou-se com a construção da capital federal. Quase tudo era canteiro de obras, poucos prédios estavam prontos. O Auditório Dois Candangos, onde ocorreu a cerimônia de inauguração, foi finalizado 20 minutos antes do evento, marcado para às 10h. O nome do espaço homenageia os pedreiros Expedito Xavier Gomes e Gedelmar Marques, que morreram soterrados em um acidente durante as obras. Atualmente, a Universidade de Brasília figura entre as melhores instituições de ensino superior do mundo

CVT: Montes Claros retoma cursos profissionalizantes gratuitos

A Prefeitura de Montes Claros voltou a disponibilizar cursos profissionalizantes gratuitos que haviam sido interrompidos pelas gestões anteriores. Através de uma parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, os cursos voltaram a ser oferecidos por meio do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) para mais de 110 alunos. Após um trabalho de retomada, voltaram a ser ofertados os cursos de Informática Básica, Corte e Costura e Conhecimento e Noções de Manutenção de Máquinas de Costura Industrial. O primeiro dia de aula realizado nesta segunda-feira, 26, contou com a presença do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Edilson Torquato. O secretário destacou as diretrizes traçadas pelo prefeito Humberto Souto para ações que priorizem a qualificação profissional, com o objetivo de proporcionar a inserção social e combater o desemprego na cidade. Quem estava feliz neste primeiro dia era a jovem Jussara Alves. Aluna do curso de Conhecimento e Noções de Manutenção de Máquinas de Costura Industrial, a jovem está ansiosa para se qualificar e lutar por uma vaga de emprego. “Esta é uma boa oportunidade nesses dias em que as coisas estão difíceis em todo o país”, explica. Além das vagas que já foram preenchidas, o CVT oferece outros 70 cursos online que podem ser feitos a qualquer momento por quem se interessar. Para isso, basta que o candidato procure a o Centro Vocacional Tecnológico, que está localizado à rua Betel, nº 387, Vila Exposição. Ascom/Prefeitura de Montes Claros

Jessé Souza: É preciso explicar o Brasil desde o ano zero

Em A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato, Jessé Souza quer fazer o que, em sua opinião, nenhum intelectual da esquerda jamais fez: explicar o Brasil desde o ano zero. Isso porque se ideias antigas nos legaram o tema da corrupção como grande problema nacional – conforme defende no livro -, só mesmo novas concepções sobre o país e seu povo poderiam explicar, de uma vez por todas, que as raízes da desigualdade brasileira não estão na herança de um Estado corrupto, mas na escravidão. Para tanto, o sociólogo confronta uma das principais obras do pensamento social brasileiro, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda – responsável por utilizar pela primeira vez a ideia de patrimonialismo para definir a política nacional. Jessé compreende que o conceito – segundo o qual o Estado brasileiro seria uma extensão do “homem cordial” que não vê distinções entre público e privado – serve para legitimar interesses econômicos de uma elite que manda no mercado, este sim a real fonte de corrupção e poder. Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg (Alemanha) e professor da UFABC, Jessé Souza é autor de 27 livros, incluindo A ralé brasileira: quem é e como vive (2009), A tolice da inteligência brasileira (2015) e A radiografia do golpe (2016). Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2015 e 2016, coordenou pesquisas de amplitude nacional sobre classes e desigualdade social. Em entrevista à CULT, o sociólogo critica a existência de uma interpretação dominante sobre o Brasil e aponta os motivos pelos quais a sociedade brasileira em 2017 não passa de uma continuidade da sociedade escravocrata de 500 anos atrás. No livro você afirma que Sérgio Buarque de Holanda inaugurou uma forma de pensar o brasileiro como negatividade que se estende ao Estado, visão que teria influenciado de Raymundo Faoro a Sergio Moro. Por que essa chave de leitura tem tanta força? Essa ideia foi montada para defender interesses econômicos. Às vezes me espanto como não se percebeu isso antes. Quando a elite paulistana perde o poder político para Vargas em 1930 – e perde para um movimento de classe média, que estava se formando no país naquela época -, ela começa a organizar um poder ideológico para condicionar o poder político a atuar conforme as suas regras. Isso foi dito, articulado, pensado. Esse pessoal já tinha fazendas de café, as grandes indústrias em São Paulo, já tinha controle sobre a produção material e aí constroem as bases para o poder simbólico – e a sociedade moderna vive desse poder simbólico. Essa elite cria a Universidade de São Paulo, que vai formar professores de outras universidades e que vai produzir conceitos importantes para que essa elite, tirando onda de que está fazendo o bem, faça efetivamente todo mundo de imbecil para que seus interesses materiais e políticos sejam preservados. Que conceitos são esses? São duas ideias que nos fazem de imbecis. Uma delas é a do patrimonialismo, em que há uma distorção da fonte do poder social real, como se o Estado fosse montado para roubar, vampirizar e fazer o mal – e como se nada acontecesse no mercado. Embora seja uma instância de poder importante, no capitalismo quem comanda o poder é o mercado. Há uma tradição inteira, 99 de 100 intelectuais até hoje professam esse tipo de coisa. Sérgio Buarque inaugura [esse pensamento no Brasil], depois Raymundo Faoro dá uma profundidade histórica e Fernando Henrique Cardoso transforma isso em teoria; o programa político do PSDB é todo retirado de Raízes do Brasil. Mas também influenciou a esquerda. Sérgio Buarque foi um dos fundadores do PT, fez todo mundo de imbecil, da direita à esquerda. E como a esquerda não tem uma concepção autônoma de como a sociedade funciona, de como o Estado funciona, ela chega ao poder com um plano econômico alternativo, mais inclusivo, e acha que as pessoas por alguma mágica vão perceber que aquilo é bom pra elas. A esquerda nunca fez o que a direita e a elite fizeram. Por que a esquerda nunca articulou uma narrativa contrária a essa? Porque foi incapaz. Porque não foi inteligente, porque se deixou imbecilizar. Porque o tema do patrimonialismo é tratado como crítica social: “Olha, estamos descobrindo quais são as mazelas brasileiras, um gene da corrupção de 800 anos que nos toma a todos”. Isso significa que o Estado [teoricamente] vampiriza e não deixa as forças “emancipadoras” do mercado agirem – como se o mercado, em algum lugar do mundo tivesse sido emancipador por si próprio. Os países campeões do liberalismo como Inglaterra e Estados Unidos têm uma estrutura de Estado extremamente forte, foram protecionistas – e depois dizem a outros países serem o que eles mesmos nunca foram. Isso deu esse charme – o “charminho crítico”, como eu chamo – a esse tipo de ideia como o patrimonialismo, que muitas vezes a esquerda comprou. O segundo conceito chave, também inventado na Usp, foi o populismo, que torna suspeito e criminaliza tudo aquilo que vem das classes populares – inclusive qualquer liderança associada a elas, que são também estigmatizadas e suspeitas de estarem manipulando a tolice “inata” dessas classes. Eu estudei por décadas os muito pobres e eles são muito mais inteligentes do que a classe média. Eles veem a política como o jogo dos ricos em que todo mundo rouba enquanto a classe média se deixa engambelar por esse tipo de coisa. A classe média foi montada para ser idiotizada, é uma espécie de capataz da elite entre nós. Na história do pensamento social brasileiro nenhum intelectual chegou perto de romper com essas duas ideias, na sua opinião? Florestan Fernandes saiu um pouco disso porque estudou dilemas e conflitos de classe; Celso Furtado foi outro genial que percebeu coisas importantes que não têm nada a ver com esses esquemas. Mas esses caras não reconstruíram a história do Brasil como um todo. Foi essa a ambição que eu tive nesse livro porque eu percebi que, para atacar esse negócio e dar

O pior reitor da história da Unimontes continua dando tiro na canela

 Reitoria da Unimontes divulga calendário letivo impraticável para minar greve dos professores  Depois de tentar intimidar os professores, ameaçando corte de ponto, a reitoria da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) voltou à carga contra quem aderiu à greve na universidade, atingindo por tabela milhares de estudantes. Uma resolução dela impõe um calendário de matrícula sobrepondo dois semestres letivos e ignorando a paralisação, que já dura mais de dois meses. Assim, o primeiro semestre letivo de 2018 se iniciaria antes do término do segundo semestre de 2017. Na confusão generalizada que fez com a sobreposição de calendários, a resolução 038/Cepex/2018 também determina um prazo de matrícula para os dias 3 a 4 de maio e início das aulas para o dia 2 de abril.“Estão fazendo um calendário de modo a um sobrepor o outro, com os dois funcionando ao mesmo tempo. Por exemplo, o segundo semestre de 2017 com o primeiro de 2018. Isso nunca ocorreu. É um absurdo”, disse Afrânio Farias de Melo Júnior, do comando de greve. Ele lembra que o calendário sempre foi discutido ao final do movimento, quando as partes se reúnem para discutir a reposição das aulas. A intenção seria desmobilizar os professores.O comando explica que quando a categoria entra em greve o semestre letivo é interrompido, retomando do mesmo ponto em que parou no momento em que os professores retornam. Por isso, não pode haver matrícula para novo semestre sem que o que está em curso seja concluído. O que a reitoria fez foi lançar calendário de matrícula ignorando o semestre em curso e ainda sobrepondo calendários. É como se o professor trabalhasse ao mesmo tempo em dois semestres letivos – repondo o tempo de greve e já dando inicio a novo semestre letivo, que está começando em abril.De forma inédita, a Unimontes está soltando um calendário de reposição com a greve em andamento, como se a mesma não existisse. O comando de greve divulgou nota em que “repudia veementemente o calendário de matrícula divulgado pela reitoria da Unimontes no dia 26 de março, por entendê-lo como altamente prejudicial às atividades acadêmicas de estudantes e professores”. A nota diz que a reitoria busca deliberadamente prejudicar estudantes e professores, com a imposição de um calendário.“Com que prerrogativa legal a universidade confisca 25% da carga-horária dos estudantes, sendo que é dever dela oferecer 100% da carga-horária?”, questiona a nota. Providências jurídicas estão sendo estudadas contra a medida, considerada ilegal. A fragmentação do calendário e sobrecarga aos estudantes e professores foi uma decisão monocrática da reitoria, que passou por cima do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPEx). Para o comando, trata-se de uma medida que pune a todos, pois incorre em erro crasso ao sobrepor semestres letivos e propor calendário de reposição antes do término da greve. Mesmo que a greve fosse encerrada agora é preciso saber que não há espaço físico nas dependências da Unimontes sequer para atender às demandas atuais dos cursos. “Como fazer então para que as atividades de dois semestres letivos, ou seja, o dobro da demanda atual, sejam realizadas de forma concomitante com a mesma infraestrutura? Além disso, os professores, por questões óbvias, não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo. Como fazer para que o professor dobre a sua jornada de trabalho em um mesmo espaço de tempo?”, indaga a nota.“Diante da decisão da reitoria, conclamamos todos os professores da Universidade a não iniciarem o semestre em 2 de abril, somando forças às negociações que acontecerão nessa quarta-feira (04/04) e dizendo à administração da Universidade que nós, professores e estudantes, precisamos ser ouvidos e considerados em situação de convívio democrático”, diz o comunicado da categoria.Ao final, faz um chamamento aos professores, reforçando a continuidade da greve. “Como de costume, o calendário de reposição de aulas e de início de semestre letivo precisa ser elaborado ao fim da greve e ser submetido ao CEPEx. Não há saída senão pela via do respeito, da democracia e da união. Unir fortalece, dividir destrói”. A greve dos professores da Unimontes, que já dura mais de um mês, conta com o apoio recíproco dos demais profissionais da educação, também de braços cruzados Com informação da Adunimontes

Delegados da Polícia Civil divulgam nota contra Beto Richa

 O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Paraná (sindepol) e a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) divulgaram nota conjunta, nesta quinta (29), contra o governador Beto Richa (PSDB) pelo afastamento do delegado Wilkinson Fabiano Oliveira de Arruda da investigação que apura o atentado contra a vida do ex-presidente Lula. As entidades policiais dizem que repudiam “qualquer ingerência externa em investigações policiais que atentem contra a independência funcional do Delegado de Polícia, enquanto membro de carreira jurídica que desempenha atividade essencial e exclusiva de Estado, nos termos da Lei 12830/13.” Não consta que os delegados da Polícia Civil sejam petistas ou “esquerdopadas”, como sugeriu Richa em entrevista à Folha.

Gangue de Temer está atrás das grades. Agora só falta o chefe

 Com a operação Skala, deflagrada nesta quinta-feira 29 pela Polícia Federal, todos os principais operadores de Michel Temer estão presos. A lista inclui Henrique Eduardo Alves, o primeiro a trair a presidente Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, que aceitou a farsa do golpe sem crime de responsabilidade, Geddel Vieira Lima, do bunker de R$ 51 milhões, José Yunes, parceiro de Temer em negócios imobiliários, o coronel Lima, tesoureiro informal da família, e Wagner Rossi, operador político do MDB. Depois desse verdadeiro strike, fica a questão: será que vão prender o chefe? Agora que seu principal operador, José Yunes, foi preso pela Polícia Federal, Michel Temer, que usurpou o cargo da presidente Dilma Rousseff por meio de um vergonhoso golpe parlamentar, e que arruinou com a economia e a imagem do Brasil, só tem uma saída honrosa: a renúncia. Esta decisão do ministro Luis Roberto Barroso, de mandar prender Yunes e o presidente da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, que se beneficiou de um decreto irregular no setor portuário, num dos primeiros esquemas de corrupção pós-golpe, a terceira denúncia contra Temer, inevitavelmente, será apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o presidente da Câmara, que se coloca como pré-candidato à presidência, não terá como não aceitá-la – até porque isso seria um presente para os deputados. Como Temer é rejeitado por 94% dos brasileiros, nada melhor do que degolá-lo antes das eleições.A ascensão de Maia à presidência também interessa diretamente à Globo e às forças que lideraram o golpe de 2016, porque até agora não conseguiram produzir um candidato competitivo para enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aposta é que Maia, com a caneta nas mãos, possa tentar superar o deputado Jair Bolsonaro, que ocupou o espaço da direita brasileira. Planalto já vê Temer encurraladoO clima no Palácio do Planalto após a Polícia Federal deflagrar a operação Skala, que prendeu amigos e ex-assessores de Michel Temer, é de apreensão. Segundo assessores próximos a Temer a operação foi “absurda” e tende a criar obstáculos à possível campanha de reeleição do emedebista à Presidência. Temer possui apenas 1% das intenções de voto, segundo as pesquisas eleitoraisDILMA TINHA RAZÃO: NÃO VAI FICAR PEDRA SOBRE PEDRA – Em outubro de 2014, quando a revista Veja circulou com uma capa criminosa, usada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para tentar levar a eleição presidencial daquele ano na mão grande, a presidente Dilma Rousseff fez uma profecia relacionada a todos os políticos que tinham planos para estancar a sangria. “Eu quero aqui manifestar meu repúdio a esse tipo de processo, que é um processo golpístico. Quero dizer que eu tenho uma vida inteira que demonstra o meu repúdio à corrupção. Eu não compactuo com a corrupção, eu nunca compactuei. Quero que provem que eu compactuei com a corrupção e não esse tipo de situação em que se insinua e não tem prova. Nesse caso da Petrobras, ou qualquer outro, que tenha a ver com corrupção, eu vou investigar a fundo, doa a quem doer. Quero dizer que não vai ficar pedra sobre pedra”, afirmou.Dilma foi derrubada pelo golpe mais surreal da história, o dos corruptos contra a presidente honesta, num processo que tinha uma finalidade: estancar a sangria da Lava Jato, blindando políticos do PMDB e do PSDB. No entanto, a profecia de Dilma vem se cumprindo. Com o strike desta sexta-feira, três dos principais operadores de Michel Temer – José Yunes, coronel Lima e Wagner Rossi – foram presos, juntando-se a vários outros que já caíram, como Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Henrique Alves.Se isso não bastasse, o articulador maior do golpe dos corruptos, senador Aécio Neves (PSDB-MG), também deve se tornar réu em razão do escândalo JBS. Ou seja: enquanto os golpistas caem e se afundam em seu próprio mar de lama, Dilma fica de pé.