Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar

Cerimônia de abertura da Copa de 2022 aconteceu na manhã deste domingo (20), pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre Catar e Equador O Catar queria transformar a abertura da Copa do Mundo de 2022 em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo (20), a cerimônia durou 30 minutos e contou com projeções, show pirotécnico, além das participações do ator Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah. Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão. As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly – zagueiro da França – apareceu em campo carregando a taça do Mundial Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman. – Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo – disse na narração. Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores. Cerimônia de abertura conta com camelos, os primeiros animais vivos a participar do evento Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal – uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores. “Ouvia algo lindo. Não apenas música, mas também o chamado para celebrar tudo que ouvi. Uma terra que vivia em turbulência com famílias esquecidas. Eu parei para ouvir essa voz”, disse Freeman. Assim inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país. – Não tenho certeza. Sou bem-vindo? – pergunta Ghanim. – Todos são bem-vindos. Esse é um convite para todo o mundo – responde Freeman. Cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Catar 2022 — Foto: REUTERS/Fabrizio Bensch Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa. Cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Catar 2022 — Foto: REUTERS/Pawel Kopczynski Nas músicas, ouvia-se uma mistura relembrando as criações que foram tema de outras Copas do Mundo – como The Cup of Life, cantada por Rick Martin, em 1998, na França, além da emblemática Waka Waka, de Shakira, na Copa da África de 2010. A cantora, inclusive, recusou o convite para comparecer ao evento. Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram – entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”. Cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Catar 2022 — Foto: REUTERS/Dylan Martinez No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado. Apresentaram-se com a música “The Dreamers” o cantor Jung Kook, da banda sul-coreana de K-Pop BTS, e o cantor catari Fahad Al Kubaisi – embaixador oficial desta Copa. Ao fim da apresentação, Morgan Freeman voltou ao centro do campo para discursar: – Estamos construindo uma história incrível, em uma terra especial. Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah na abertura da Copa do Catar — Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura. Em meio às críticas ao país, as palavras do homem forte do Catar tangenciaram questões de direitos humanos. Desde que foi escolhido como sede para 2022, há desaprovações de outras seleções e federações sobre a condução do Catar sobre questões como respeito às mulheres, pessoas LGBTQIA+ e migrantes que trabalharam para o evento. “Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.” – Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bem-vindos a Doha – finalizou. A cerimônia terminou com uma última entrada do mascote La’eeb, que começou como uma projeção e terminou sobrevoando o estádio, logo antes de um show pirotécnico e o acender das luzes no Al Bayt. Torcedor no Al Bayt Stadium para Catar x Equador — Foto: Reuters
Revolta, esperança e delírio: um dia no acampamento bolsonarista em Brasília

CartaCapital esteve no ato antidemocrático e acompanhou a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos insatisfeitos com o resultado da eleição A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de bloquear as contas bancárias de 43 empresas e empresários suspeitos de financiar os atos antidemocráticos pelo País ainda não impactou a manifestação de apoiadores do presidente derrotado Jair Bolsonaro (PL) em frente ao QG do Exército em Brasília. Desde a confirmação da vitória de Lula (PT) no segundo turno, uma horda insatisfeitos se dirigem à capital federal em protesto contra o petista, as Cortes superiores e seus integrantes. O local escolhido para a concentração conta com uma robusta estrutura, capaz de acomodar milhares de pessoas por um longo período de tempo. A decisão de Moraes, divulgada na quinta-feira 17, busca desarticular a possibilidade de uma escalada nos atos até a posse do presidente eleito. No despacho, o magistrado diz que o bloqueio imediato das contas é “necessário, adequado e urgente”. Relatórios enviados pelas Polícias Militar, Civil e Federal e pelo Ministério Público nos estados ao STF apontam que os recursos que bancam boa parte da infraestrutura são disponibilizados por políticos, policiais, ex-policiais, servidores públicos, sindicalistas, fazendeiros, empresários do agronegócio e donos de estandes de tiro. CartaCapital esteve no acampamento neste sábado 19, acompanhando a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos que, vestidos de verde e amarelo dos pés à cabeça, misturam revolta, esperança e delírios em uma espécie de cidadela alheia ao mundo real. O contato com o mundo exterior se dá basicamente por aplicativos como WhatsApp e Telegram, por onde as informações chegam e são disseminadas. Dada a necessidade dos manifestantes de estarem conectados o tempo inteiro, há no local espaços destinados exclusivamente à recarga de celulares. Há uma preocupação constante com infiltrados, além de um grande esforço para que nada saia da narrativa desejada e possa servir de munição para críticas e ataques dos ‘comunistas’. Assim que chegou ao acampamento, a reportagem avistou uma correria por conta de um princípio de incêndio, logo controlado. Alguns bolsonaristas sacaram os celulares para filmar, mas outros impediram as gravações. A justificativa era que as imagens não poderiam vazar, pois os adversários poderiam usá-las. “Eles precisam de qualquer coisa para nos atacar. Eles são raivosos”, disse uma senhora depois que as chamas cessaram. Na sequência, houve um coro de “ninguém posta!”. O estrago feito pelo fogo foi limpo rapidamente, para que não restasse nenhum indício de que algo saiu do roteiro ali. A fortaleza bolsonarista em Brasília conta com centenas de barracas que são usadas para distribuição gratuita de alimentos, descanso, cultos, filantropia, atendimento médico e comércio que, em sua maioria, envolve a venda de camisas e acessórios da Seleção Brasileira. Há, ainda, dezenas de banheiros químicos disponíveis, mas que na tarde deste sábado foram motivo de insatisfação pela falta de limpeza. O volume de carros e caminhões na região, disse uma ambulante, impediu que o veículo responsável pela higienização alcançasse o evento. O resultado, para quem passasse por ali naquela hora, foi sentir o mau odor que exalava das latrinas sob um calor que beirava os 30 graus Celsius. Os apoiadores do presidente derrotado costumam registrar nas tendas o nome de suas cidades de origens. Há ali pessoas de todas as regiões do País – em especial de Mato Grosso e Rondônia, contou um ambulante – que insistem em pedir ajuda das Forças Armadas contra o resultado eleitoral. Pelo local, muitas faixas com críticas e ataques principalmente a Lula, ao PT e a Moraes. “O cabeça de ovo não deixou o Bolsonaro governar”, ouviu a reportagem de um manifestante durante as horas que esteve no local. “Eu não mereço passar por isso no final da minha vida [do Lula voltar ao poder]”, disse uma senhora que comprava uma camiseta do Brasil e pedia para gravar o lema ‘Deus, Pátria e Família’. O silêncio das últimas semanas de Bolsonaro, para apoiadores com quem CartaCapital conversou, não tem a ver com supostos problemas de saúde ou uma possível resignação após o revés sofrido nas urnas. Para eles, o presidente espera pelo momento certo para se pronunciar. Algum fato novo, imaginam e torcem, deve ocorrer para impedir que Lula tome posse no dia 1 de janeiro. “Ele [Lula] não vai receber a faixa, vai receber uma algema com os amigos dele”, declarou um apoiador de Bolsonaro que está no acampamento desde o dia 2 de novembro. Na última quinta-feira 17, o presidente bateu um recorde ao completar três semanas sem fazer sua tradicional live. Desde que foi derrotado, o ex-capitão abandonou as transmissões na internet e diminuiu as publicações nas redes sociais. Este é o maior tempo em que Bolsonaro fica sem se comunicar ao vivo com seus apoiadores. O presidente também completou duas semanas sem ir ao Palácio do Planalto. Ele estaria, segundo pessoas próximas, com uma ferida na perna que o tem obrigado a repousar e o impedido de usar calças compridas. Desde então, ele se mantém recluso no Palácio da Alvorada. “Ele deve voltar logo. Ele já se recuperou da infecção”, chegou a dizer o ex-ministro e candidato a vice Braga Netto. “Está tudo bem”. Já o ex-ministro do Turismo Gilson Machado afirmou nos última dias que Bolsonaro, apesar de recluso, tem trabalhado ‘18 horas por dia’. No entanto, conforme mostrou CartaCapital, há poucos indícios de que o presidente esteja de fato trabalhando arduamente após a eleição. Na agenda oficial é possível ver que o ex-capitão mantém apenas poucos compromissos de despachos internos. No geral, o site oficial registra encontros de meia hora com ministros e aliados no Palácio do Alvorada e não no Planalto. O dia mais longo de trabalho – 11 de novembro – soma apenas 5 horas. Na maior parte dos casos, a agenda está completamente vazia. Com o sumiço do presidente, alguns bolsonaristas apelam para a fé no acampamento que ocupa um amplo espaço na capital federal. Uma das tendas é destinada somente a manifestações religiosas. No tempo em que esteve no local, a reportagem presenciou orações contra as decisões judiciais em desfavor
Conselho Ambiental de MG sofre ‘renúncia coletiva’ de ONGs, que acusam governo

Copam autorizou o licenciamento total para o Complexo Minerário Serra do Taquaril, na serra do Curral — Foto: Videopress Produtora Entidades afirmam que Executivo transformou conselhos em ‘teatros’ para ‘legitimar decisões autocráticas’ Organizações Não Governamentais (ONGs) que participavam do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) anunciaram “renúncia coletiva” nesta quinta-feira (17). As entidades acusam o governo de Minas de transformar os conselhos em “teatros” para “legitimar decisões autocráticas”. Superintendente da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente (AMDA), uma das sete entidades signatárias, Maria Dalce Ricas diz que o Executivo excluiu da sociedade civil organizada a gestão dos recursos naturais. “Não podemos mais legitimar isso. O governo ignora a competência do Copam e faz mudanças nas leis ambientais sem ouvir o Conselho”, afirma. A decisão das ONGs foi informada nesta em reunião, ministrada pela secretária Executiva da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad), Valéria Cristina. A titular da pasta, Marília Melo, está no Egito onde participa da COP-27, convenção que trata de mudanças climáticas. Críticas As organizações afirmam que as compensações ambientais foram desmanteladas nos últimos anos e que a legislação é interpretada de maneira a “fragmentar o licenciamento ambiental”. Também acusam o governo de ser favorável “à concessão de licenças a projetos que preveem grandes desmatamentos, instruídos com estudos insuficientes, ignorando, muitas vezes, pesquisas da comunidade científica, presença de comunidades tradicionais, denúncias das comunidades e até dados técnicos publicados pelo próprio governo”. Para as ONGs, o governo “não demonstra interesse em discutir e implantar políticas públicas que sejam capazes de reverter o desmatamento no Estado, ao mesmo tempo que assume internacionalmente metas de redução de emissão de carbono e desmatamento sem consequências práticas”. A reportagem questionou a Semad sobre a decisão das organizações e aguarda retorno. O texto será atualizado quando houver resposta. Assinam o documento: Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro – Angá Associação Pró Pouso Alegre – Appa Espeleogrupo Pains – EPA Fundação Relictos de Apoio ao Parque do Rio Doce Instituto Guaicuy – SOS Rio das Velhas Movimento Verde de Paracatu – Move
Relatório registra mais de 70 casos de injúria racial no futebol brasileiro

Esta problemática, além de ainda estar presente em diversas áreas na sociedade, também é evidente no esporte Ad ata da Consciência Negra, celebrada neste domingo, é marcada pela luta contra o preconceito e a favor da igualdade racial. Esta problemática, além de ainda estar presente em diversas áreas na sociedade, também é evidente no esporte. Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, só neste ano, até outubro, mais de 70 casos de racismo foram registrados no Brasil. Para além deste recorte específico do futebol brasileiro, este problema atinge outros países e é motivo de preocupação para a Fifa, inclusive na Copa do Mundo. Às vésperas do Mundial, a entidade, em parceria com a FIFPRO, sindicato mundial dos jogadores de futebol, lançou um Serviço de Proteção de Mídia Social (SPMS), visando o combate a discriminação durante o torneio. Todos os atletas envolvidos terão acesso a um serviço de monitoramento e denúncias nas redes sociais, para que fiquem protegidos de eventuais ataques e insultos na internet durante os jogos. “Nos últimos anos, a Fifa corretamente adotou uma política de linha dura com jogadores em casos de condutas discriminatórias e discursos de ódio. Considero muito apropriada a adoção de medidas que busquem também proteger os jogadores de atos discriminatórios e de intolerância praticados por torcedores, sobretudo durante um evento da dimensão e alcance de uma Copa do Mundo, onde os ataques podem instantaneamente ganhar uma proporção global”, comenta o advogado Eduardo Diamante de Sousa, especialista em direito desportivo. No Brasil, os times também têm agido para combater o racismo, seja com campanhas de conscientização ou com lançamentos de uniformes que fazem alusão à causa e provoquem reflexões. O Internacional, por exemplo, recebeu o prêmio mais importante da publicidade brasileira, na última quinta-feira, por causa do case da camisa preta lançado pelo clube no mês da Consciência Negra, em novembro de 2021, que foi escolhido o melhor no Profissionais do Ano 2022, realizado pela Rede Globo. Além da cor predominantemente preta, a camisa trazia detalhes do manifesto aplicados nos números, com frases como “o negro no futebol brasileiro é a marca do Brasil”, “jogadores negros ganharam o mundo”, entre outras. No peito, há um patch de um cabelo Black Power com a frase “É a Coroa” estampada por todo o desenho. “O Inter sempre foi o clube do povo e a história mostra isso. Fomos reconhecidos pelo prêmio mais importante da publicidade brasileira com o case que trata de algo marcante para a história do povo brasileiro, a luta contra o racismo. É a origem do clube do povo presente no futuro do futebol”, enalteceu o presidente Alessandro Barcellos. Em 2021, o Inter também incluiu cláusula antidiscriminação nos contratos dos atletas e funcionários, que podem ser demitidos caso cometam atos de preconceito, seja racial, sexual, social ou religioso. “Entendemos que isso é uma tendência em várias organizações, e no futebol não seria diferente. Temos demonstrado preocupação e interesse em crescer cada vez mais como instituição ao trazer com bastante intensidade projetos voltados para a inclusão e diversidade, sempre de forma democrática envolvendo nossos consulados e torcedores em geral”, completa Barcellos. Diante desse cenário hostil e discriminatório, a Volt Sport lançou uniformes especiais voltados para a luta contra o racismo América, Botafogo-SP, CSA, Figueirense, Santa Cruz e Vitória apresentaram camisas com referências ao tema, na linha “Consciência Negra Todo Dia”. Os modelos foram lançados em outubro, intencionalmente antes da data oficial, com o objetivo de que a problemática seja lembrada diariamente, fazendo jus ao nome da campanha. O Cuiabá foi outro time que reforçou a luta contra o racismo, ao lançar uma camisa em menção ao Dia da Consciência Negra. Assinada pela marca própria do clube, a “Dourado”, o uniforme destaca o emblema do punho cerrado, que está estampado nas costas do manto, abaixo da gola. (Estadão Conteúdo)
BH determina uso de máscaras em serviços de saúde e transporte

Agência Brasil/EBC – O uso de máscaras de proteção cobrindo o nariz e a boca voltou a ser obrigatório em serviços de saúde e de transporte público e privado de Belo Horizonte a partir de decreto assinado pelo prefeito, Fuad Noman, e publicado hoje (18) no Diário Oficial do Município. A medida visa conter o recente aumento de casos de covid-19 e entrou em vigor nesta sexta-feira, com validade até 2 de dezembro. A prefeitura determinou no decreto que a máscara deve ser usada no transporte público e nas respectivas estações de embarque e desembarque de passageiros. Também estão incluídos o transporte escolar, os serviços de táxi e de transporte por aplicativo. A obrigatoriedade também vale para estabelecimentos e serviços de saúde no município. O decreto abrange hospitais; unidades de Pronto Atendimento; unidades básicas e secundárias de saúde; serviços móveis de urgência; consultórios médicos; clínicas das diversas especialidades, como odontologia, quimioterapia, radioterapia, hemoterapia, litotripsia, bancos de células e tecidos humanos, reprodução humana assistida, dialise e nefrologia; serviços de vacinação e imunização humana; e serviços de diagnósticos abertos ao público, como laboratórios de análises clinicas, exames por imagem, por registros gráficos e métodos ópticos. O decreto prevê ainda que a Secretaria Municipal de Saúde poderá dispor sobre a exigência de utilização de máscaras em situações e estabelecimentos específicos. O decreto prevê ainda que a Secretaria Municipal de Saúde poderá dispor sobre a exigência de utilização de máscaras em situações e estabelecimentos específicos. Além de estabelecer a obrigatoriedade do uso de máscaras para toda a população nos lugares citados, o decreto recomenda o uso de máscara nos demais locais fechados e por pessoas idosas, com comorbidades ou não vacinadas. A secretária de Saúde, Cláudia Navarro, ressaltou que o município teve um aumento de 3% para 15% da positividade dos testes para detecção de Covid-19 realizados na rede da secretaria municipal. “Neste período, não tivemos, no entanto, aumento do número de óbitos ou de internações em UTIs causados pela doença. Para que Belo Horizonte não volte a registrar o quadro, estamos anunciando a volta do uso obrigatório das máscaras”, explicou a secretária, ontem (17), em entrevista à imprensa.
Lula em Portugal: ‘O Brasil voltou ao mundo político’

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro português António Costa, em Lisboa, concedem entrevista coletiva à imprensa nesta sexta (18/11). ‘O Brasil voltou ao mundo político’, disse Lula, lembrando que seu adversário derrotado não era bem-vindo em nenhuma parte do planeta e os líderes mundias evitavam Bolsonaro. “O Brasil voltou para o mundo político, para debater os assuntos que são de interesse do país e da humanidade. Foi muito emocionante na COP ouvir as pessoas gritando que o Brasil voltou. Nos últimos 4 anos, o país se isolou”, disse o presidente eleito. Lula disse que após a posse, em janeiro, ele voltará para Portugal para receber junto com o cantor e compositor Chico Buarque o Prêmio Camões, que Bolsonaro se recusou a assinar. “Vou assinar o Prêmio Camões para o Chico Buarque, que o atual presidente nunca quis assinar. E se Deus quiser vou voltar a Portugal quando ele receber o prêmio”, declarou Luiz Inácio Lula da Silva. Lula afirmou que, se houve um tempo que alguém não queria discutir a questão climática, hoje esse tema é um desafio para a humanidade. “Nós não temos dois planetas Terra. E é esse único planeta que nós vamos cuidar. E por isso fiz questão de reforçar a responsabilidade dos países mais ricos na COP.” O presidente eleito também se solidorizou com os ministros do Supremo Tribunal Federal, que foram atacaos por bolsonarisas em Nova York. “Vi os ataques contra ministros da Suprema Corte em Nova Iorque. Não posso achar que isso faz parte da democracia. Meu compromisso no dia 1° de janeiro é fazer com que o Brasil volte a crescer, ter empregos e volte a ter democracia e normalidade. Que volte a reinar a paz.” O brasileiro ainda fez graça sobre o início da Copa do Mundo no Catar, que começa no domingo (20/11). “Depois de 20 anos, acho que chegou a hora do Brasil voltar a ser campeão do mundo. As outras seleções não estão bem. O Cristiano Ronaldo já não joga como jogava antes. Então, estou muito esperançoso”, disse ele. Lula disse ainda que ficou lisonjeado com a carta de quatro economistas sobre os problemas na área. “Fiquei feliz ao saber de uma carta de pessoas importantes me alertando sobre problemas econômicos e dando sugestões. Eu sei ouvir conselhos e, se fizer sentido, seguir.”
Documentário “Eles poderiam estar vivos” detalha conduta de Bolsonaro na covid

Política do governo Bolsonaro frente à pandemia causou centenas de milhares de mortes evitáveis – Evaristo Sa / AFP Sem anistia: longa mostra como o presidente agiu para boicotar as ações contra a doença e criar “imunidade de rebanho” O documentário Eles Poderiam Estar Vivos, dos cineastas Lucas e Gabriel Mesquita, traz um retrato duro da gestão da pandemia realizada pelo governo de Jair Bolsonaro. O longa (assista abaixo) traz entrevistas com especialistas em Saúde, participantes da CPI da covid e familiares de vítimas da doença. Os depoimentos e informações trazidas pelos diretores ajudam a compor um quadro que aponta para a ação criminosa de Bolsonaro para o espalhamento do vírus e boicote a ações de prevenção e tratamento. A conclusão é que o ainda presidente do país pode ter sido responsável por mais da metade das mortes por covid-19 ocorridas no Brasil. “Foi um plano do governo”, disse Lucas Mesquita, em exibição do filme em Buenos Aires acompanhada pelo Brasil de Fato. “Qual é a grande questão criminosa aí? A estratégia da suposta imunidade de rebanho por contágio. Um assassinato em massa”, resume. Anistia Em um momento em que boatos sobre uma possível anistia ao clã Bolsonaro parece fluir pelos corredores de Brasília, o documentário cumpre o papel de resgatar a memória da responsabilidade objetiva do presidente na morte de milhares de brasileiros. Em depoimento à CPI da Covid, Pedro Hallal, epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que das 500 mil mortes por covid-19 no país até aquele momento, cerca de 400 mil seriam de responsabilidade direta de Bolsonaro. “Não foi o governo federal que disse que a pandemia era uma ‘gripezinha’. Não foi o governo que incentivou as pessoas a saírem sem máscara, nem quem disse que a vacina pode transformar você em um jacaré. Foi tudo o presidente, e é sua responsabilidade”, afirmou Hallal à Comissão, em junho de 2021. Naquele momento, o país ainda sofria com a segunda onda de covid, a maior e mais letal de todas. Assista à integra do documentário:
Sem poder, Bolsonaro se irrita, “bate-ponto” e reclama da demora na posse de Lula

Jair Bolsonaro (PL) fez algumas reclamações sobre o período de tempo que existe entre as eleições e a posse do novo presidente. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito no dia 30 de outubro, mas só assumirá seu posto como chefe do governo no dia 1º de janeiro de 2023. Na opinião do político do Partido Liberal, a lei deveria passar por algumas alterações e o novo governante poderia tomar posse logo após o resultado da votação ser divulgado, pois a longa espera é “aflitiva”. De acordo com a Folha de S.Paulo, Bolsonaro disse a interlocutores que o visitaram que o presidente que está deixando o cargo não tem mais nenhum poder e suas opiniões não são levadas em consideração, então o que lhe resta é ficar batendo ponto e esperando que o tempo passe para que o outro parlamentar assuma. Na mesma visita, o atual ocupante do Palácio do Planalto deu a impressão de estar chateado e triste por não ter sido reeleito, já que esperava outro resultado. Ele também foi diagnosticado com erisipela na semana que sucedeu as eleições e ficou recluso, recebendo poucas pessoas e delegando funções ao vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos). Já na última quinta-feira (17), o general Braga Netto (Partido Liberal), candidato a vice na chapa de Bolsonaro, visitou o presidente no Alvorada e afirmou que ele já estava recuperado e que em breve poderia voltar as suas funções.
Tasso faz autocrítica e reconhece que contestar a vitória de Dilma foi “erro gravíssimo”

Em entrevista ao Uol nesta sexta-feira (18), o senador Tasso Jereissati (PSDB) disse que a sigla não deveria “nunca ter contestado o resultado” em que Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB), em 2014. Na época, os tucanos entraram com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral para que fosse realizada uma “auditoria especial” no resultado das eleições, algo que, segundo Tasso, se mostrou como um “erro grandíssimo”. “Alguns movimentos nossos errados fizeram com que perdêssemos a classe média moderada. Eu diria que tivemos erros. Não deveríamos nunca ter contestado a eleição da Dilma quando Aécio perdeu. Foi um erro gravíssimo”, admitiu o tucano. “Criou um fato que abriu um precedente e que não era da nossa cultura, daquilo que nós pregamos. Ficou imagem de mal perder e de perdedor que contesta instituições no momento errado”, continuou Tasso. Veja o vídeo: PSDB não deveria nunca ter contestado vitória de Dilma: “erro gravíssimo”, avalia @tassojereissati pic.twitter.com/aWsj2KmeMG — UOL Notícias (@UOLNoticias) November 18, 2022
Lula fala sobre “carona” em jatinho que causou grita na imprensa e redes sociais

Presidente eleito, sem avião disponibilizado pelo governo brasileiro, foi à COP27 na aeronave de um empresário; saiba o que ele disse sobre o assunto O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta sexta-feira (18), diretamente de Lisboa, em Portugal, sobre a “carona” que ganhou em um jato particular de um empresário para ir à Conferência para o Clima da Organização das Nações Unidas, a COP27. Lula e sua comitiva viajaram ao Egito na aeronave do empresário José Seripieri Junior, que foi alvo da operação Lava Jato, e o fato gerou inúmeras críticas nas redes sociais e pautou boa parte da cobertura da imprensa sobre a viagem do presidente eleito. Questionado sobre o assunto durante coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, Lula explicou que foi convidado a ir à COP27 pelos governadores da Amazônia e pelo presidente do Egito, mas que nenhum deles o ofereceu transporte. “Eu tenho um amigo que também ia à COP e me convidou. Fui em um avião novo, seguro, e um presidente eleito tem que ter segurança. Ainda mais com bolsonaristas raivosos espalhado mundo afora”, declarou. “Se o Estado brasileiro fosse mais democrático e tivesse um presidente responsável, quem sabe ele tivesse oferecido um avião da FAB para me levar. Mas, não. Então, eu sou grato ao meu amigo que me emprestou o avião”, prosseguiu.