CULTURA – Montes Claros recebe concerto “O Som da Vida”

Evento gratuito comemora os 65 anos da banda de música da 11° RPM. Por Leonardo Queiroz – O Norte Nesta sexta-feira (28), a partir das 19h, a Praça da Catedral em Montes Claros será palco do emocionante concerto “O Som da Vida”. O evento, que conta com a colaboração da Polícia Militar de Minas Gerais, do Corpo de Bombeiros Militar, do 55º Batalhão de Infantaria (55º BI), da Prefeitura de Montes Claros e do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes (Celf), promete uma noite especial de união entre as forças de segurança e a música. Além de comemorar os 65 anos da banda da 11° Região de Policia Militar (11º RPM), o evento tem como objetivo levar a música até as pessoas como meio de transformação de vida. Participam do concerto as bandas de música da 11° RPM e do 55° BI; Orquestra do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez; Guarda Municipal de Montes Claros, Jk Jazz Band, de Diamantina, os corais da Arquidiocese e o Lírico Bezzi; além de músicos, cantores e instrumentistas convidados da cidade. O tenente e maestro da banda de música da 11º RPM, Paulo Roberto Cruz Gomes, explica que o concerto foi preparado com o objetivo de levar vida até as pessoas. “A música tem um poder transformador de mudar a vida das pessoas, tanto na forma de agir quanto mudar a vida das pessoas para melhor. Iremos levar uma mensagem de esperança e de harmonia com uma interação com a nossa sociedade. A mensagem que vamos transmitir é que viver vale a pena, música é vida, o som da vida”, comenta. Ainda de acordo com o tenente, a região será agraciada com um presente musical de valor histórico: a celebração dos 65 anos da Banda de Música da 11ª Região da Polícia Militar (11°RPM). “Quem ganha o presente é Montes Claros, o povo norte-mineiro. Teremos uma grande apresentação, um concerto especial preparado para que possamos comemorar o som da vida e celebrar esse momento com harmonia”, finaliza. Para Vera Alencar, cantora e vice-diretora do Celf, “O Som da Vida” é um momento especial de celebração da música. “Sabemos da importância que a música tem na vida das pessoas como agente de transformação social e de modificação das estruturas da nossa sociedade. A música ajuda as pessoas que passam por uma depressão ou para, simplesmente, aquelas que querem ser mais felizes. E esse momento para o conservatório estar junto com outras instituições celebrando a vida através da música é algo que fazemos melhor quando estamos todos juntos”, conta. Vera revela que o repertório preparado para o concerto é excepcionalmente diversificado. “Teremos música erudita, música popular, musica coral, solos de instrumentistas e muitas surpresas. Quem for pode esperar um grandioso show e tenho certeza que ninguém vai se arrepender”, completa.
UNIMONTES -Professor investigado por crimes sexuais é demitido

O professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) investigado por crimes sexuais foi demitido da função pública. A decisão da Controladoria Geral do Estado foi publicada no Diário Oficial nessa terça-feira (17). Entre as justificativas, no documento, consta que “a demissão a bem de serviço público” ocorre por “descumprimento de deveres funcionais e por incorrer em ilícito administrativo”, previsto no Regimento Geral da Unimontes. O professor tem o prazo de 10 dias para apresentar pedido de reconsideração. A advogada de defesa, Cleonice Pereira, foi procurada pela imprensa e informou que não tem autorização do cliente para falar sobre o assunto. O vice-reitor da Unimontes, Dalton Caldeira Rocha, comentou sobre a decisão ao dizer que o caso já estava sendo acompanhado pela nova gestão. “Assim que assumimos a reitoria no início do ano, buscamos agilizar os procedimentos internos da comissão processante que indicou para a reitoria a pena de exoneração do servidor, além de outras medidas para acolhimento das vítimas e medidas internas de combate a qualquer forma de discriminação ou assédio no âmbito da universidade”. “A Universidade Estadual de Montes Claros é uma instituição muito importante para a comunidade e qualquer conduta inadequada que não faz parte das políticas mineiras e da nossa própria política institucional de integridade deve ser combatida e fiscalizada, no sentido de ser apurada as eventuais denúncias e as pessoas possam receber as punições adequadas”, falou o vice-reitor. ENTENDA O CASO – O professor foi indiciado pela Polícia Civil em março deste ano por “assédio sexual, por fotografar ou registrar cenas de nudez e por ato libidinoso”. Na época, a PC informou que as apurações começaram depois que a coordenadora do curso de História compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para apresentar um relatório elaborado por um acadêmico, no qual eram levantados possíveis crimes contra a liberdade sexual cometidos pelo professor. As investigações apontaram que o suspeito usava uma abordagem em que sugeria sessões de hipnose e massagem para as vítimas, para que elas conseguissem relaxar. Algumas delas relataram que foram amordaçadas, vendadas e amarradas por ele durante prática de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão e Sadismo). Elas contaram também que várias dessas sessões ocorreram dentro da própria universidade. Em nota, enviada a imprensa na época dos fatos, a Polícia Civil disse que as vítimas descrevem o suspeito como “pessoa manipuladora e que fazia jogos de sedução. Aproveitando-se da condição de professor, intimidava e constrangia as vítimas, coagindo-as a ceder a favores sexuais. Algumas delas relataram terem sido filmadas e fotografadas por ele sem o devido consentimento”. Ainda de acordo com a PC, os relatos de cinco vítimas apresentam provas da materialidade, circunstâncias e a autoria do crime. O servidor havia sido afastado do cargo por meio de portaria da própria instituição de ensino em outubro de 2022, quando surgiram as denúncias.
Metodologia norte mineira começa a ser aplicada no presídio regional de Montes Claros

Programa Para Além das Prisões, que visa a inclusão socioeconômica de detentos e pessoas em situação de rua, já rendeu bons frutos no município No dia 11 de julho, última terça-feira, foi iniciado o programa PARA ALEM DAS PRISÕES no Presídio Regional de Montes Claros. Segundo a diretora do Presídio Regional, Camila Regina Marques Rocha, o programa objetiva a inclusão socioeconômica produtiva de Pessoas Privadas de Liberdade em fase final de cumprimento da pena. A iniciativa envolve uma parceria entre o Conselho da Comunidade Carcerária da Comarca de Montes Claros, presidida pelo Sr. Dilson Marques, o Ministério Público, o Poder Judiciário de Minas Gerais, a Prefeitura Municipal de Montes Claros, a Unimontes, OAB, ACL / ACI, Polícias Militar, Civil e Penal, dentre outros parceiros. As oficinas, que são aplicadas como metodologia ativa, ocorrem semanalmente e tem na maiêutica sua principal ferramenta de resiliência, pautada na Psicologia Positiva e no Empreendedorismo Adjetival. *METODOLOGIA INOVADORA* O programa usa a Metodologia MASDHE (Marco Sequencial de Desenvolvimento Humano Empreendente) desenvolvida pelo professor da Unimontes Wellington Fernandes Silva, que também é o coordenador do programa. Segundo ele, a metodologia está na sua versão 2.0 e é pautada no conceito inédito de Resiliência Empreendente, na perspectiva de um Empreendedorismo Crítico, ou seja, não visa apenas preparar mão de obra para o mercado, mas também, promover uma educação sociopolítica emancipatória. Segundo o psicólogo e educador social que aplica as oficinas do MASDHE, Rivas Vieira de Queiroz, “muitos detentos têm sido reintegrados à sociedade, através deste programa que já funciona há quase cinco anos no Presídio Alvorada de Montes Claros e que, agora, se inicia também no Presídio Regional de Montes Claros”. As oficinas também são aplicadas para pessoas em situação de rua e que são inseridas no mercado de trabalho através da metodologia MASDHE. BANCO DE OPORTUNIDADES Segundo o criador da metodologia, professor Wellington, muitas pessoas já foram beneficiadas com o programa que, através do Banco de Oportunidades, encaminha essas pessoas para trabalho nas empresas que prestam serviço para o município. O Banco foi criado, por lei municipal, em 2018, como parte da metodologia, e prevê a absorção de 5% da mão de obra de qualquer empresa que ganhe licitação na prefeitura municipal de Montes Claros. A perspectiva é que, com a entrada do Presídio Regional no programa, mais pessoas sejam beneficiadas. Para Além das Prisões O programa “Para Além das Prisões” nasceu de uma parceria entra a Prefeitura de Montes Claros, através das secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o Ministério Público de Minas Gerais, Poder Judiciário e Conselho da Comunidade na Execução Penal da Comarca de Montes Claros, com apoio da Secretaria de Administração Prisional _ SEAP; Defensoria Pública de Minas Gerais; Programa de Ressocialização de Egressos do Sistema Prisional – PRESP; OAB; Serviço Voluntário de Assistência Social (SERVAS); e a EMATER, para beneficiar os reeducandos do sistema prisional que atendem aos requisitos da Lei, através de análise preliminar sob responsabilidade da Vara de Execução Penal da comarca de Montes Claros, de propiciar a alguns sentenciados trabalharem fora do sistema prisional e, com isso, através dos benefícios da Lei, prestam serviços de relevante importância para a comunidade.
Montes Claros cria o Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate à Discriminação Racial

A População negra de Montes Claros comemora a implantação do Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate à Discriminação Racial, que será celebrado em 30 de Maio. Instituída oficialmente pela lei nº 5.572, de 23 de Junho de 2023, e sancionada pelo prefeito Humberto Souto, a data faz referência à morte de Joaquim Nagô, escravo que foi injustamente enforcado em praça pública no Arraial das Formigas (atual Montes Claros), por um crime que não cometeu. “O Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate a Discriminação Racial é importante para relembrarmos as fases perversas do racismo no nosso município, e, consequentemente lutarmos para que a discriminação racial, que perdura até os dias de hoje, seja totalmente erradicada”, comentou o presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial e responsável pela Coordenadoria Municipal de Igualdade Racial, José Gomes Filho. História Joaquim Nagô, ou Joaquim Africano, foi um jovem escravo natural de Nagô, África. Ele foi acusado sem qualquer prova, “por ouvir dizer”, de assassinar, a 22 de abril de 1835, Joaquim Antunes Ferreira (ou d’Oliveira), em São José do Gorutuba. Joaquim Nagô negou sistematicamente a autoria, mas foi a júri popular, sendo condenado à forca, pena cumprida em 26 de março de 1836, nas cercanias do atual Café Galo, onde foi montado o patíbulo. Durante a execução, a corda se partiu duas vezes, sendo preciso o carrasco se utilizar de um forte laço de couro ensebado, buscado em sua casa. Impressionados com as quebras seguidas da corda, o público pediu clemência para o condenado, em vão. Anos depois, em Diamantina, um tropeiro agonizante confessou a autoria do crime atribuído a Joaquim Nagô. Em 1941, em virtude do serviço de pavimentação na rua Governador Valadares, o prefeito à época, Antônio Teixeira de Carvalho, mandou desenterrar os restos dos troncos da forca, que ficava precisamente em frente ao atual prédio de número 66. Após a abolição da pena de morte, o patíbulo foi serrado e seus tocos se espalharam pelo chão, ficando enterrados com o passar do tempo. Ato contínuo, Teixeira de Carvalho determinou que os tocos fossem guardados na Prefeitura, com a finalidade de fazerem parte do futuro Museu Municipal de Montes Claros. Segundo o historiador Hermes de Paula, Joaquim Nagô foi o primeiro condenado executado no local.
PROERD beneficia cerca de 4 mil alunos em Montes Claros

Durante as festividades de aniversário de 166 anos da cidade de Montes Claros, a Escola Municipal Alfredo Coutinho, no bairro Camilo Prates, promoveu uma aula especial do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD). Participaram da aula, como convidados, o vice-prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, a secretária municipal de Educação, Rejane Veloso e o secretário municipal de Defesa Social Anderson Chaves. Para o vice-prefeito Guilherme Guimarães, o PROERD é muito importante na formação cidadã dos jovens estudantes. “O programa é importante para orientar os estudantes a pensarem de forma crítica, a se comunicarem melhor, a fazerem escolhas conscientes, para que possam se tornar cidadãos seguros e responsáveis no futuro”, avalia. O PROERD é um esforço cooperativo estabelecido entre a Polícia Militar, a Escola e a Família. O programa é realizado em Montes Claros desde 2003, sempre com a parceria da Secretaria Municipal de Educação e da Superintendência Estadual de Ensino, e apoio das famílias e de toda a comunidade escolar. De acordo com o Sargento Maia, instrutor do programa, mais de 300 mil pessoas já passaram pelo programa no Norte de Minas, sendo mais 150 mil somente em Montes Claros. “Esse ano é especial porque marca os 20 anos do PROERD em Montes Claros. Hoje, várias pessoas que estão trabalhando e contribuindo para construir uma sociedade melhor já foram alunas do programa”, explica. Neste ano, o programa integra cerca de quatro mil alunos de 24 escolas, sendo 22 escolas da rede pública municipal e estadual e duas da rede privada (Colégio Impar e Marista São José). Participam das aulas estudantes do quinto ano do ensino fundamental, além de turmas especiais do primeiro, segundo e sétimo ano. Rejane Veloso, secretária municipal de Educação, explica que o curso tem duração de seis meses, e a cada semestre são formadas novas turmas. “Durante esses seis meses, os alunos participam de atividades que fornecem sempre um quadro favorável ao ensino sobre tomada de decisão, riscos, tensões, comunicação e pressão dos colegas, e outras situações com as quais se deparam em seu dia a dia, incluindo os relacionados às drogas e outros riscos que eles provavelmente enfrentarão em um futuro próximo”, explica. O currículo do programa está em consonância com o padrão nacional de educação estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular, que é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. A diretora da Escola Municipal Alfredo Coutinho, Izamara de Souza Pereira, diz que o apoio da comunidade escolar é fundamental para o funcionamento do programa. “Em nossa escola, a gente tenta fomentar esse conhecimento para proteger nosso maior tesouro, que são nossos estudantes”, comenta. Texto e fotos: Jerúsia Arruda – Ascom/Prefeitura de Montes Claros
Sônia Gomes participará da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em Roma

Leiga da Arquidiocese de Montes Claros e presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Sônia Gomes de Oliveira, foi escolhida para participar da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos que terá como tema “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão”. A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos divulgou nesta sexta-feira, (7), o elenco de participantes e delegados à XVI Assembleia Geral Ordinária dos Bispos cuja primeira sessão da fase da etapa universal acontece de 4 a 28 de outubro deste ano, em Roma e reunirá, além de bispos, de forma extraordinária, por determinação do papa Francisco, cristãos leigos e leigas, que participarão de forma plena. Os nomes dos cinco bispos escolhidos na 60ª Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em abril deste ano, em Aparecida (SP), para representar o Brasil foram divulgados. O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, também participa da etapa universal como presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam). No elenco, constam também os nomes de brasileiros indicados como testemunhas do processo sinodal – participantes da Assembleia Continental, membro do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo, chefe de dicastérios da Cúria Romana e peritos. Entre os representantes leigos, a norte mineira, Sônia Gomes estará presente. Confira, abaixo, todos os brasileiros que constam da lista divulgada pelo Vaticano. Participantes brasileiros na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo 1. Eleitos pela 60ª Assembleia Geral da CNBB – Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo emérito de Mariana (MG) – Dom Joel Portella Amado, bispo-auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) – Dom Pedro Carlos Cipollini, bispo de Santo André (SP) – Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus (AM) – Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, bispo de Camaçari (BA) 2. CELAM – Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB e do Celam 3. Testemunhas do processo sinodal – participantes da Assembleia Continental – Maria Cristina dos Anjos da Conceição – Cáritas Brasileira – Sônia Gomes de Oliveira – presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) 4. Membro do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo – Cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) 5. Chefes de dicastérios da Cúria Romana – Cardeal João Braz de Aviz, prefeito do dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica 6. Peritos – Padre Adelson Araújo dos Santos – Padre Agenor Brighenti – Padre Miguel Martin Confira a lista geral: Acesse a lista completa divulgada pela Santa Sé (aqui) Processo no Brasil Com a publicação em junho de 2023 do Instrumentum Laboris, documento que será a base para o trabalho dos participantes do Sínodo sobre a Sinodalidade, a Equipe de Animação do Sínodo no Brasil realizou uma reunião online, dia 26 de junho, para fazer uma leitura e análise do texto. A Equipe de Animação do Sínodo no Brasil está organizando uma live, marcada para o dia 3 de agosto, às 20h, e a ser transmitida no Youtube da CNBB para aprofundar o Instumentum Laboris. A proposta é que ela seja direcionada às equipes diocesanas que vão ser responsáveis pela continuidade do processo sinodal. Fonte: Arquimoc
Mestre lagartixa – A capoeira montes-clarense no velho mundo – Por João Figueiredo

O capoeirista montes-clarense, Wilton Marcos Araújo, o Mestre Lagartixa, 54 anos, líder do Grupo Geração Capoeira Internacional, desenvolve atividades docentes de Capoeira na Europa há mais de 30 anos. Atualmente coordena academias na Suíça e na França e seu trabalho é amplamente reconhecido e respeitado entre os europeus. Ele foi convidado pela nossa reportagem para falar um pouco sobre o seu trabalho com a Capoeira fora do Brasil e propôs conceder a entrevista no espaço em que o seu amigo, Mestre Tadeu, líder do Grupo Arundê Capoeira, leciona, no Salão de Eventos da Associação Desportiva Ateneu: foi ao mesmo tempo uma entrevista e uma vivência com alunos do Mestre Tadeu. O Mestre Lagartixa começou na Capoeira no início da década de 1980, ainda criança. Seu pai, Clemente Pereira Araújo, conhecido como “Senhor Quezinho”, homem ligado a atividades culturais e à boemia montes-clarense (era proprietário de uma casa de jogos), hospedou em sua residência, certa época, um amigo capoeirista, o Mestre Alfredo Carne de cobra, que lecionava em Montes Claros. O menino Wilton ficava observando o capoeirista treinar no quintal da sua casa. O pai não queria que ele se envolvesse com Capoeira na infância, temia que o filho se afastasse dos estudos ao se envolver com a Capoeira. O menino então começou a praticar, às escondidas, os movimentos que observava o amigo do pai treinar diariamente. Tempos depois passou a observar a Roda de Capoeira que acontecia na Praça da Matriz, e não demorou a estar praticando com outros meninos o que aprendia ali; o pai continuava sem saber da paixão e do envolvimento do filho com a arte-luta. O menino era um autodidata disciplinado. Quando procurou uma academia para treinar, já conhecia muito de Capoeira. Começou com o Mestre Zé Maria, que na época era instrutor. Ali recebeu o apelido de “Lagartixa”, pela sua magreza e pela habilidade de fazer movimentos corporais difíceis. Praticou com ele até chegar à graduação de instrutor (cordão amarelo-azul). Praticou com o Mestre Reinaldo e dele recebeu a graduação de professor. Em 1992 decidiu ir com sua Capoeira para a Europa. Conseguiu juntar algum dinheiro, com ajuda dos amigos, e viajou. Esteve na Bélgica, seguiu para a Holanda, onde ficou um tempo, e depois foi para a Suíça. Na Suíça se adaptou melhor e conheceu pessoas que se tornaram seus amigos e que o ajudaram a divulgar seu trabalho. Casou-se com uma moça suíça, Franzisca Soerensen, com quem tem um filho já adulto que mora em Las Vegas – EUA. Em 1998 recebeu a graduação de Contramestre, do Mestre Teté e Mestre Zabelê, na Suíça. Em 2004 recebeu o título de Mestre, do Mestre Zabelê, no mesmo país. Criou o Grupo Geração Capoeira Internacional. Esteve um período de volta a Montes Claros, mantendo suas academias na Europa, época em que aproveitou para estudar: concluiu o curso de licenciatura em História em uma faculdade local. Já formou vários discípulos, no Brasil e na Europa; levou vários brasileiros para trabalhar com ele na docência de Capoeira no Velho Mundo. Sente orgulho em dizer que sempre viveu de Capoeira, nunca trabalhou em outra profissão – antes de ir para a Europa chegou a fazer uma experiência em serviço de segurança, mas foi por pouco tempo e, mesmo nesse período, não deixou de praticar e ensinar a arte-luta. “A Capoeira me ajudou a conhecer o mundo, a conhecer vários países, e me deu tudo que eu tenho, apesar de ter encontrado algumas dificuldades no início, quando cheguei na Europa!”, afirma o Mestre. Ele fala quatro idiomas estrangeiros, aprendidos na lida com a Capoeira: fala fluentemente Espanhol e Francês, e tem um bom domínio de Inglês e Alemão. Seus discípulos europeus aprendem Capoeira em Português: “Eles precisam aprender Capoeira na língua original; por isso eu ensino a eles Capoeira e Língua Portuguesa; todos os meus alunos falam Português. Eu comunico com eles na língua deles quando for necessário, mas na hora de praticar Capoeira nós conversamos em Português”. Diz ao falar do seu trabalho fora do Brasil. Na Europa ele conheceu vários capoeiristas brasileiros que lá estavam e reencontrou alguns que ele já conhecia: inclusive o Mestre Alfredo Carne de cobra, que indiretamente o estimulou a praticar Capoeira, ele o encontrou na Alemanha – o Mestre Alfredo voltou para o Brasil posteriormente e hoje é falecido. Vários capoeiristas montes-clarenses atualmente estão vivendo na Europa e para lá foram em função da Capoeira. Ele cita alguns nomes que lembrou rapidamente: Mestre Marreta, Mestre Paulo Chocolate, Mestre Sombra, Mestre Hélio Jacaré, Mestre Cebolinha, Contramestre Maré, Contramestre Faísca, Professor David Bom Cabelo, Professor Márcio Bicudo, Professor Cóe, Professor Moisés, Professor Marrom, dentre outros. O Mestre Lagartixa está passando alguns dias na sua terra natal em virtude do falecimento recente do seu pai e brevemente voltará para a Europa. * João Figueiredo é jornalista, escritor e sociólogo
Centro Cultural de Montes Claros recebe exposição em homenagem a Konstantin Christoff

Nesta quinta-feira, 6, o Centro Cultural Hermes de Paula, no centro histórico de Montes Claros, realiza a abertura oficial da exposição em homenagem aos 100 anos de nascimento de Konstantin Christoff, artista búlgaro que, chegando em Montes Claros com apenas 10 anos de idade, mudou para sempre o panorama cultural da cidade. A exposição, denominada “A Grande Beleza”, reunirá 45 obras do artista, dividindo com a cidade toda a exuberância de sua arte, propondo reflexões sobre seu universo, suas transgressões, seus sentimentos e sua genialidade. A cerimônia de abertura da exposição acontecerá às 20 horas, e contará com uma intervenção musical do grupo Cotovia Art/Educa, com os solistas Christiane Franco, Vera Alencar e Roberto Mont’Sá, além do instrumental de Carmerindo Miranda e Wesley Fagundes. Ascom/Prefeitura de Montes Claros
LUTO – Compositor e sanfoneiro Zé Lu morre em Montes Claros

Músico se projetou com o “forró pé de serra” , gravou discos e fez apresentações em BH e São Paulo. Ele animou festas com milhares de pessoas Por Luiz Ribeiro – Estado de Minas O compositor e sanfoneiro José Luiz Pereira da Silva, o Zé Lu, morreu, aos 62 anos, em Montes Claros, no Norte de Minas, na madrugada desta quarta-feira (5/07). Com vários discos gravados, Zé Lu tornou-se muito conhecido no Norte do estado e em outras regiões, por animar festas populares à base do “forró pé de serra”. Também fez apresentações em Belo Horizonte e São Paulo. O cantor e compositor Téo Azevedo, que também é natural do Norte de Minas, divulgou nota e ressaltou a trajetória e o talento do sanfoneiro, do qual produziu diversos discos. “Zé Lu, além de ser um músico fantástico e polivalente, foi um dos maiores amigos que tive na vida. Vem da dinastia dos grandes sanfoneiros raiz do norte de Minas como: Geraldo Colares, Piroleta Júnior, Zé do Jipe, Geraldo Sanfoneiro, Ezequiel, Zia e outros grandes companheiros”, afirma Azevedo. Ele lembra que durante mais de 30 anos, Zé Lu integrou o Terno da Folia de Reis de Alto Belo (distrito de Bocaiuva, liderado pelo próprio Teo Azevedo, nascido no lugar), tocando rabeca, violão, viola ou mesmo cavaquinho, além de ajudar nos cantos de reis. Zé Lu iniciou o trabalho musical como integrante do “Trio Mundo Novo”, formado em Montes Claros, na década de 1980 e que gravou um LP. Depois, seguiu carreira solo, se dedicando exclusivamente ao forró. Ele formou o grupo “Zé Lu e Banda”, com acompanhamento do zabumba e do triângulo. O músico comandou festas populares com a participação de milhares de pessoas em Montes Claros, como o “Forró do Pentáurea” (no clube campestre homônimo), a “Festa do Pequi” e a Exposição Agropecuária Regional (Expomontes). A morte do compositor e forrozeiro foi lamentada por artistas e outras pessoas ligadas à música. “Zé Lu foi um grande artista, um ser humano espetacular e muito instrumentista. Foi uma grande referência para mim e para os demais sanfoneiros de Montes Claros e região”, declarou o professor de música Marcionílio Martins Rocha Filho. O artista popular morreu, em decorrência de complicações renais e de um quadro de diabete, na Santa Casa de Montes Claros, onde estava internado. O corpo dele está sendo velado em uma funerária, na Vila Guilhermina, em Montes Claros, onde o sepultamento foi marcado para o final desta quarta-feira. Antes, às 16 horas, um grupo de artistas vai prestar uma homenagem especial a Zé Lu, convocada pelo compositor Téo Azevedo. Nota da Prefeitura A Prefeitura de Montes Claros divulgou nota, lamentando a morte do compositor e forrozeiro Zé Lu. “A Prefeitura de Montes Claros lamenta profundamente a morte do cantor e sanfoneiro José Luís Pereira da Silva, o nosso Zé Lú.Natural de Aparecida do Mundo Novo, distrito de Montes Claros, Zé Lú utilizou sua arte para honrar e dignificar nossa identidade regional. Ele é orgulho da cultura montes-clarense, tendo se tornado um dos maiores expoentes da nossa música. O prefeito Humberto Souto se irmana com amigos e familiares neste momento de dor”, diz a nota.
Montes Claros resgata cavalhada, tradição que surgiu na Idade Média

Espetáculo será atração no “Aniversário da Cidade”, comemorado nesta segunda-feira (3/7), em meio à polêmica sobre data da emancipação Por Luiz Ribeiro – Jornal Estado de Minas Uma antiga tradição, que teria surgido na Idade Média, será resgatada em Montes Claros nesta segunda-feira (03/07). Trata-se da Cavalhada de Montes Claros, uma representação teatral ao ar livre, que acontecerá no Parque de Exposições João Alencar Athayde, às 10 horas, dentro da programação da Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros (Expomontes). Com entrada gratuita, a cavalhada será um dos eventos comemorativos do aniversário da cidade. A tradição será resgatada depois de 66 anos, pois foi realizada pela última vez no município em 1957, quando foi comemorado o “Centenário da Cidade”, que teve um dos convidados ilustres o então presidente da República Juscelino Kubitscheck . A comemoraçao do “Aniversário da Cidade” envolve polêmica neste 3 de julho, já que um grupo afirma que a data foi “inventada” e que o dia da emancipação político-administrativa do município é 16 de outubro. A cavalhada é uma representação de uma luta entre mouros e cristãos, com duração de cerca uma hora. A encenação ao livre contará com a participação de cerca de 40 cavaleiros do Norte de Minas. O resgate da tradição foi viabilizado por meio de um estudo da escritora e pesquisadora Marta Verônica Vasconcelos Leite, professora aposentada da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), instituição que apoia o evento, juntamente com a Prefeitura de Montes Claros. Marta Veronica realizou a “pesquisa histórica sobre a cavalhada de Montes Claros”. Após o levantamento foi elaborado o projeto “Cavalhada de Montes Claros – Grupo de Cavaleiros Nivaldo Maciel”. A iniciativa é da família Maciel, em homenagem ao produtor rural e seresteiro Nivaldo Maciel (1920/2009), que se apresentou como Rei Mouro na cavalhada do Centenário da Cidade, em 1957. Nivaldo foi um dos fundadores da Sociedade Rural de Montes Claros, organizadora da Expomontes. Marta Verônica Vasconcelos Leite explica que a montagem da “cavalhada Nivaldo Maciel” teve como uma das fontes de pesquisa o livro “Montes Claros, sua história, sua gente e seus costumes”, do médico, historiador e folclorista Hermes de Paula (1909/1983. Ela ressalta que na obra, o historiador registra como a primeira realização da calhada em Montes Claros há 183 anos, em 1840, sendo que a manifestação acontecia durante as “Festas de Agosto”, no Largo da Matriz. Conforme a pesquisadora, há registros da manifestação em Montes Clarosa nos anos de 1905, 1928, 1938 e, por último, na comemoração do centenário da cidade. Marta Verônica salienta que o folclorista Saul Martins (1917/2009), relatou que as “cavalhadas foram criadas na Idade Média, entre os séculos XI e XIII, baseando na vida do Imperador Carlos Magno (742-814)”. “Sabe-se que durante a Idade Média, os bardos da Europa Ocidental criaram estórias que produziam a vida da época e serviam de modelo para o comportamento dos cavaleiros cristãos. Essas estórias eram apresentadas em festividades realizadas em torneios, fazendo parte das práticas em voga nas cortes europeias”, escreveu Martins. Por sua vez, segundo Hermes de Paula, a Cavalhada representa um episódio guerreiro entre mouros e cristãos, ocorrido na Península Ibérica, hoje Portugal e Espanha. A Cavalhada foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses. Em Portugal, a cavalhada era elemento de festas religiosas, políticas e guerreiras, envolvendo temas relativos ao período em que esse país se libertou do domínio espanhol. No Brasil, as cavalhadas apareceram no nordeste, no século XVII, com características portuguesas e se espalharam por todo o país. Participam, no Brasil, pessoas de maiores possibilidades econômicas, como os fazendeiros, pois a beleza da festa está ligada a riqueza das vestimentas e acessórios usados nos cavalos”, descreve Marta Verônica. Como é o espetáculo da cavalhada A apresentação da cavalhada é realizada em uma arena, onde, de um lado é colocado o trono do Rei Cristão e do outro a torre do Rei dos Mouros. A manifestação teatral é composta pelo rei e cavaleiros cristãos, vestidos em azul, e pelo Rei e cavaleiros mouros, vestidos em vermelho. Também faz parte da Cavalhada o Rei Mouro, Embaixador, Espique e cavaleiros, todos com vestimentas em vermelho, com lua crescente branca – símbolo do Império Otomano, na era medieval. O jovem e impetuoso Rei Mouro se apaixona pela Princesa Cristã e vai pedi-la em casamento, que é aceito sob condições do pretendente de ser batizado e se converter para o Cristianismo. O jovem e impetuoso Rei Mouro se apaixona pela Princesa Cristã e vai pedi-la em casamento, que é aceito sob condições do pretendente de ser batizado e se converter para o Cristianismo. O rei mouro não aceita e rapta a princesa e a leva para o seu reino. Os dois reinos entram em guerra e, na última batalha, o rei mouro se rende e se submete ao rei cristão, quando é feita a conversão do exército mouro e celebrado o casamento do rei com a princesa. Mas, na “Cavalhada Nivaldo Maciel” foram incluídos novos elementos, que tornam a encenação única’, como de explica Murilo Maciel, filho do Nivaldo Maciel e um dos responsáveis pela montagem da encenação teatral dos cavaleiros. “Foi incluída uma abertura cívica, para celebrar o Aniversário da Cidade e apresentar um resumo da história do surgimento de Montes Claros, e só então é encenado o enredo tradicional. E, ao final, também foi inserido mais um personagem, que é o Cavaleiro da Paz, vestido de branco, que circula pela arena fazendo um clamor pela paz, num belíssimo texto de autoria do jornalista Benedito Said”, explica Murilo Maciel. Outra novidade”, segundo ele, é o encerramento da Cavalhada, que contará com a participação de membros de movimentos culturais da cidade, como os Catopês, Marujos e Caboclinhos, formando um grande cortejo, “simbolizando a reincorporação da Cavalhada à cultura de Montes Claros e, também, ressaltando a cultura como um único corpo”. Documentação em livro Numa segunda fase do projeto “ Cavalhada de Montes Claros – Grupo de Cavaleiros Nivaldo Maciel”, informa Murilo, será preparado um material gráfico, com encartes e livros, contando a história de Montes