Após ser vaiado na posse, Aécio buscará na Câmara sua sobrevivência política

No discurso de despedida do Senado, em dezembro passado, Aécio Neves (PSDB) desabafou aos pares: “Tenho vivido dias extremamente difíceis, vocês podem imaginar. Mas não perco a minha fé”. Reportagem de Lucas Ferraz na BBC Brasil. Quando ele finalizou a fala e desceu da tribuna, o que se viu destoou muito da liturgia parlamentar: não houve nenhum senador que o elogiasse ou fizesse aparte para mencionar alguma passagem de seus oitos anos no cargo, período em que mineiro quase virou presidente da República. Transformado em político radioativo desde meados de 2017, quando foi afastado do Senado e quase preso nas investigações da Lava Jato, Aécio voltará neste ano à Câmara dos Deputados, onde começou sua ascensão nacional no início dos anos 2000. Será o lugar em que ele tentará sobreviver e se reerguer politicamente – tarefas consideradas difíceis até pelos aliados mais próximos. Certo é que o mineiro ainda enfrentará dificuldades com a Justiça. O maior temor, ainda não afastado de todo por quem tem familiaridade com as investigações, é que o agora deputado federal seja preso. Em dezembro, a Polícia Federal realizou duas operações – desdobramentos da principal, deflagrada em maio de 2017, após a delação dos donos da JBS – que apuram suposta propina de mais de R$ 120 milhões repassada pelos irmãos Batista para o tucano entre 2014 e 2017. A acusação sustenta que esse dinheiro foi usado para comprar apoio à sua candidatura presidencial, o que sua defesa considera um absurdo. Além de imóveis do senador, da irmã Andrea Neves e do primo Frederico Pacheco, estes dois presos temporariamente em 2017, os policiais também fizeram buscas no apartamento de sua mãe, Inês Maria, em um bairro nobre de Belo Horizonte. Para Aécio, que saiu das eleições de 2014 como o principal nome da oposição, os eventos dos últimos dois anos mudaram sua carreira: de um dos políticos mais influentes do país a um com a imagem pública bastante abalada. Um dos fiadores da posse de Michel Temer (MDB) no Planalto após o impeachment de Dilma Rousseff, Aécio foi fundamental para que o PSDB fizesse parte do governo. (…)
Agostinho Patrus é o novo presidente da Assembleia Legislativa de Minas

Eleição foi realizada após a posse dos novos deputados eleitos O deputado estadual Agostinho Patrus (PV) foi eleito, na tarde desta sexta-feira (1°), como presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). As articulações para que ele ocupasse o posto começaram ainda no final do ano passado e, com isso, o nome dele foi aprovado por 75 deputados eleitos. São 77 parlamentares, mas Virgílio Guimarães (PT) não votou e Hely Tarquinio (PV), que presidiu a sessão, não pode votar. Agostinho era vice-presidente na Legislatura passada e conseguiu costurar acordo entre os 28 partidos com representantes da Casa. Ele é visto pelos colegas como alguém experiente e que não vai deixar a Assembleia ser refém do governo de Minas Gerais. Ele, no entanto, apoiou o nome do governador Romeu Zema (Novo) durante o segundo das eleições no ano passado. A eleição da Mesa Diretora ocorreu após os 77 deputados eleitos em outubro do ano passado tomarem posse nesta sexta-feira (1°). Na época, 46 parlamentares foram reeleitos e 31 novos políticos foram escolhidos para ocupar cadeiras na Casa. Assim, houve uma renovação de 40,25%. A professora Marilene Alves de Souza, a Leninha (PT), foi uma das novidades nesta legislatura. Ela assumiu seu seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). É graduada em Ciências Biológicas e mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Foi professora nas redes estadual e municipal de ensino, sendo eleita diretora estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) e presidente regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Participou do Conselho Estadual de Desenvolvimento Agrário (Cedraf/MG) e do Conselho Municipal de Segurança Alimentar. Atualmente, trabalha nos movimentos sociais e pastorais, sendo coordenadora do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, coordenadora das articulações do Semiárido Brasileiro e Mineiro, diretora-secretária da Cáritas Brasileira e membro do Conselho Arquidiocesano de Pastoral da Arquidiocese e da Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros. Em 2016, Leninha foi candidata a prefeita de Montes Claros pelo PT, obtendo mais de 36 mil votos. Confira abaixo a lista dos 77 deputados, os partidos e os votos: 1) Mauro Tramonte (PRB) – 516.390 votos 2) Sargento Rodrigues (PTB) – 123.648 votos 3) Bruno Engler (PSL) – 120.252 votos 4) Cleitinho (PPS) – 115.491 votos 5)Noraldino Junior (PSC) – 114.807 votos 6) Cássio Soares (PSD) – 113.003 votos 7)Leandro Genaro (PSD) – 98.717 votos 8) Beatriz Cerqueira (PT) – 96.824 votos 9) Léo Porela (PR) – 93.869 votos 10)Virgílio Guimarães (PT) – 91.204 votos 11) Fábio Avelar (Avante) – 88.718 votos 12) Dr. Jean Freire (PT) – 82.867 votos 13) Arlen Santiago (PTB) – 82.130 votos 14) Delegada Sheila (PSL) – 80.038 15) Carlos Henrique (PRB) – 79.088 16) Cristiano Silveira (PT) – 79.078 votos 17) Tito Torres (PSDB) – 78.862 votos 18) Mário Caixa (PV) – 76.527 votos 19) Del. Heli Grilo (PSL) – 75.920 votos 20) João Vítor Xavier (PSDB) – 75.256 votos 21) Sávio Souza Cruz (MDB) – 74.822 votos 22) Tadeuzinho (MDB) – 72.267 votos 23) André Quintão (PT) – 71.604 votos 24) Marília Campos (PT) – 71.329 votos 25) Agostinho Patrus (PV) – 70.055 votos 26) Rosângela Reis (Pode) – 70.040 votos 27 ) Antonio Arantes (PSDB) – 69.586 votos 28) Dalmo Ribeiro (PSDB) – 69.342 votos 29) Charles Santos (PRB) – 67.913 votos 30) João Magalhães (MDB) – 67.817 votos 31) Dr. Hely (PV) – 64.913 votos 32) Ulysses Gomes (PT) – 63.776 votos 33) Dr. Wilson Batista (PSD) – 62.052 votos 34) Gustavo Valadares (PSDB) – 60.687 votos 35) Neilando Pimenta (Pode) – 60.630 votos 36) Glycon Franco (PV) – 60.373 votos 37) Doorgal Andrada (Patri) – 57.942 votos 38) Celise Laviola (MDB) – 57.362 39) Duarte Bechir (PSD) – 56.745 votos 40) João Leite (PSDB) – 56.297 votos 41) Thiago Cota (MDB) – 55.868 votos 42) Ione Pinheiro (DEM) – 55.634 votos 43) Alencar Jr. (PDT) – 54.372 votos 44) Elismar Prado (PROS) – 53.842 votos 45) Leonídio Bouças (MDB) – 52.593 votos 46) Gil Pereira (PP) – 52.088 votos 47) Braulio Braz (PTB) – 51.656 votos 48) Leninha (PT) – 51.407 votos 49) Luiz Carneiro (PSDB) – 50.341 votos 50) Douglas Melo (MDB) – 49.027 votos 51) Dr. Paulo (Patri) – 48.927 votos 52) Coronel Sandro (PSL) – 48.530 votos 53) Zé Reis (PHS) – 45.746 votos 54) Carlos Pimenta (PDT) – 43.492 votos 55) Inácio Franco (PV) – 42.819 votos 56) Bosco (Avante) – 42.556 votos 57) Roberto Andrade (PSB) – 41.868 votos 58) Marquinho Durval (PT) – 41.852 votos 59) Gustavo Santana (PR) – 36.573 votos 60) Celinho Sinttrocel (PCdoB) – 35.840 votos 61) Betão (PT) – 35.455 votos 62) Laura Serrano (Novo) – 33.813 votos 63) Bartô do Novo (Novo) – 31.991 votos 64) Raul Belem (PSC) – 31.788 votos 65) Prof. Wendel (SD) – 31.722 votos 66) Cleiton Oliveira (DC) – 31.347 votos 67) Osvaldo Lopes (PHS) – 31.161 votos 68) Alberto Pinto Coelho (SD) – 28.103 votos 69) Coronel Henrique (PSL) – 27.867 votos 70) Repórter Rafael (PRTB) – 27.463 votos 71) Fernando Pacheco (PHS) – 25.091 votos 72) Guilherme da Cunha (Novo) – 24.792 votos 73) Ana Paula Siqueira (Rede) – 23.371 votos 74) Prof. Irineu (PSL) – 21.845 votos 75) Gustavo Mitre (PSC) – 21.373 votos 76) Zé Gulherme (PRP) – 19.341 votos 77) Andrea de Jesus (PSol) – 17.689 votos
Mineração doou R$ 4,2 milhões a deputados mineiros eleitos

O deputado Paulo Guedes foi o mais guloso e abocanhou mais de meio milhão de reais, enquanto Gil Pereira ficou com a bagatela de de R$ 220 mil. Empresas mineradoras doaram dinheiro para 80% dos deputados estaduais mineiros eleitos no pleito de 2014. À época, doações de pessoas jurídicas ainda eram autorizadas pela legislação. As informações foram coletadas pela Rádio Itatiaia e veiculadas pela emissora ontem.A prestação de contas dos parlamentares, disponibilizada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que apenas 18 dos 77 deputados eleitos não receberam recursos de companhias ligadas à mineração. A emissora afirma, ainda, que a doação global ultrapassa a casa dos R$ 4,2 milhões.Na lista publicada pela Itatiaia, onde consta os nomes de nove parlamentares, o deputado Paulo Guedes (PT) aparece em primeiro lugar, com R$ 513 mil arrecadados. O parlamentar foi procurado pelo Hoje em Dia, mas não atendeu as ligações até o fechamento da edição. À Itatiaia, informou que “as doações foram feitas legalmente e mediadas pelo partido” e que “nunca teve contato com nenhuma mineradora”.O deputado Sávio Souza Cruz (MDB) – segundo colocado no ranking com R$ 340 mil, de acordo com a Itatiaia – informou ao Hoje em Dia que “a maior parte do recurso recebido foi via partido” e que, por isso, não conhece as empresas doadoras. Já o deputado Gustavo Corrêa (DEM), que recebeu R$ 290 mil, afirmou que todas as doações “foram declaradas em lei e as contas foram aprovadas”. Gil Pereira (PP), que aparece na lista com R$ 220 mil, foi procurado, mas todas as ligações caíram na caixa postal. O deputado Bosco (Avante), que recebeu R$ 210 mil, respondeu por nota que, apesar de ter recebido a verba, “nunca deixou de fiscalizar ou votar matérias relacionadas às mineradoras”.Os deputados Tiago Ulisses (PV) e Adalclever Lopes (MDB) foram procurados por telefone nos respectivos gabinetes, mas não se posicionaram até o fechamento desta edição. Por meio da assessoria de imprensa, Ivair Nogueira (MDB) – que aparece na lista com R$ 140 mil – lembrou que “as doações de empresas àquela época eram autorizadas e legais juridicamente, como está transparente na prestação de contas da campanha”.Gustavo Santana (PR), que recebeu R$ 135 mil, e Elismar Prado (Pros), com R$ 125 mil, foram procurados por telefone nos gabinetes na Assembleia, mas as ligações não foram atendidas. 1º – Paulo Guedes (PT): R$ 513 mil2º – Sávio Souza Cruz (MDB): R$ 340 mil3º – Gustavo Correa (DEM):R$ 290 mil4º – Gil Pereira (PP): R$ 220 mil5º – Bosco (Avante): R$ 210 mil6º – Tiago Ulisses (PV): R$ 178 mil7º – Adalclever Lopes (MDB) e Ivair Nogueira (MDB): R$ 140 mil cada um8º – Gustavo Santana (PR): R$ 135 mil9º – Elismar Prado (Pros): R$ 125 mil
Câmara de Bocaiuva arquiva processo de impeachment da prefeita

Marisa Alves foi acusada de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal; sete vereadores votaram a favor da permanência dela no cargo. A Câmara Municipal de Bocaiuva arquivou o processo de impeachment da prefeita Marisa Alves (MDB). A votação iniciou na noite de terça-feira (29), mas terminou apenas no início da madrugada de quarta-feira (30). Os vereadores decidiram manter a gestora municipal no cargo por sete votos a favor e cinco contra; um vereador se absteve de votar. Marisa Alves foi acusada de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina que o orçamento do município não pode ultrapassar 54% da arrecadação. O crime, segundo a denúncia, teria ocorrido no ano de 2017. O relator Beto Ferreira propôs o impechament. Porém, o vereador Lélio Vieira, da comissão, votou contra o impeachment e direcionou o discurso para descaracterizar a gravidade da denúncia, alegando que, apesar da ocorrência da improbidade administrativa, a atual gestão conseguiu se enquadrar no que rege a lei, meses depois. Houve também os discursos dos vereadores Adalberto Fernandes, Ramon Morais, Odair Santos, Odair Sorriso, Vera Lúcia, Isaías Alves e Pedro Cerol. Os vereadores que votaram a favor do impeachment foram Adalberto Fernandes, Beto Ferreira, Isaías Alves, Nésio Leite e Zé Vieira. Os que votaram contra o impeachment foram Pedro Cerol, Ramon Morais, Odair Santos, Vera Lúcia, Lélio Vieira, Tinha e Bequinha. Uma Comissão Processante foi instaurada para apurar a denúncia, feita em outubro de 2018. Durante o processo de apuração, a prefeita dispensou o depoimento dela e também de testemunhas. Prefeita de Bocaiuva consegue evitar impeachment Com o plenário lotado na sua maioria por servidores da Prefeitura, a Comissão Processante apresentou o processo e pontuou os principais questionamentos e argumentos na acusação e defesa de Marisa Alves. Segundo a prefeita, o Tribunal de Justiça aprovou as contas apresentadas, e por isso, a denúncia tornou-se nula.
Mineradoras pagaram de R$ 7 a R$ 560 mil a deputados de comissão
22 parlamentares investigam rompimento da barragem de Fundão. Dezenove deles receberam dinheiro de mineradoras durante campanha. Paulo Lamac (PT); Gustavo Correa (DEM); Wander Borges (PSB); Thiago Cota (PPS); Ione Pinheiro (DEM); João Vitor Xavier (PSDB); Marília Campos (PT); Gustavo Valadares (PSDB); João Magalhães (PMDB); Gil Pereira (PP); Agostinho Patrus Filho (PV); Jean Freire (PT); Tito Torres (PSDB), ; José Bonifácio Mourão (PSDB); Rogério Correa (PT); Rosangela Reis (PROS); Cássio Soares (PSD); Celise Laviola (PMDB) e Celinho Sitrocell (PC do B) Do G1 Dos 22 deputados estaduais que fazem parte da Comissão Extraordinária de Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), apenas três não receberam dinheiro de mineradoras em suas campanhas nas eleições de 2014. A comissão foi criada no dia 12 de novembro para acompanhar as consequências do rompimento da barragem de Fundão em Mariana. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, eles receberam, entre doações diretas e indiretas, mais de R$ 1,2 milhão. O deputado Paulo Lamac (PT), suplente na comissão, foi o que mais recebeu: R$ 567.841,53. Ele foi procurado pelo G1, mas ainda não se posicionou sobre o assunto. Em segundo lugar aparece o deputado Gustavo Correa (DEM), com R$ 239,986. Ele divulgou nota informando que as doações foram legais e feitas de forma transparente. O deputado, efetivo na comissão, disse que os trabalhos da comissão “serão realizados com total isenção e lisura”. Depois vem Wander Borges (PSB), suplente na comissão, com R$ 160.596. Procurado pelo G1, ele ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em quarto lugar aparece o deputado Thiago Cota (PPS), filho do ex-prefeito de Mariana, Celso Cota. Ele recebeu R$ 113.275,72 de mineradoras, de acordo com o TSE. Procurado pelo G1, o deputado, que é efetivo na comissão, também não se posicionou sobre o caso. Em quinto lugar está a deputada Ione Pinheiro (DEM), suplente na comissão das barragens. Ela recebeu R$ 82.779,50. A deputada ainda não se manifestou sobre o caso. Em seguida está João Vitor Xavier(PSDB) , com R$ 80.584 em doações. “Eu não recebi doação de mineradora”, disse. O parlamentar alegou que o dinheiro veio de uma parceria com um deputado federal . “É uma questão contábil que já está sendo discutida. A campanha era conjunta e, portanto, quando ele declarou suas doações elas também aparecem na minha prestação de contas”, completou. Ele ainda disse que mesmo sendo suplente, não participou de nenhuma reunião da comissão por achar que ela “não é legítima para atuar no caso”. A próxima é a deputada Marília Campos (PT), também suplente. Ela recebeu R$ 80 mil. A deputada confirmou o valor recebido e colocou a prestação de contas à disposição. Em oitavo aparece o deputado Gustavo Valadares (PSDB), efetivo na comissão, com R$ 60.753. Ele informou em nota que as doações foram feitas legalmente. Depois vem o deputado João Magalhães (PMDB), vice-presidente da comissão. De acordo com o TSE, ele recebeu R$ 50 mil. Porém, o gabinete do deputado afirmou “que desconhece o assunto”. Em seguida está Gil Pereira (PP), também efetivo. A campanha dele recebeu R$ 17.695. Ele não foi encontrado para falar sobre o assunto. Em décimo primeiro aparece Agostinho Patrus Filho (PV), líder do Partido Verde no estado e presidente da comissão. Segundo o TSE, as mineradoras doaram R$ 5.105,90. De acordo com a assessoria de imprensa, não houve depósito em conta já que a doação foi indireta. Ainda segundo a assessoria, “não há como ter controle de doador originário”. Na sequência está Jean Freire (PT), com R$ 2.910,62. “Descobri que recebi dinheiro de mineradora na semana passada. Foi o partido que recebeu. A gente faz dobradinha com candidato e eles fazem propaganda e colocam a nossa imagem. Eu acho um absurdo doações privadas, ainda mais de mineradora”, disse. Na 13ª posição está o deputado Tito Torres (PSDB), com R$ 1.638. “Foi realmente valor estimado de campanha. Tem relação com materiais que foram enviados em conjunto, colocado na prestação de contas. Não recebi dinheiro de mineradora”, explicou o parlamentar. O próximo é o deputado José Bonifácio Mourão (PSDB), efetivo na comissão. Ele recebeu R$ 1.015,75 de uma mineradora. “Não recebi nada em dinheiro, foi através de publicidade de outros candidatos”, disse. “Eu que gastei R$ 800 mil em minha campanha, acha que essa quantia vai me influenciar alguma coisa?”, brincou ao falar sobre o andamento dos trabalhos na comissão extraordinária. Depois aparece Rogério Correa (PT), com R$ 1.005. Ele não foi encontrado pela reportagem. Na sequência está Rosangela Reis (PROS). A campanha dela recebeu R$ 973,50, segundo o TSE. “Eu não recebi, não conheço, fiz a minha campanha com grupos políticos. Não conheço mineradora. Material foi repassado pela campanha de um candidato a deputado federal. É material, não é dinheiro”, explicou. Em décimo sétimo está o deputado Cássio Soares (PSD), efetivo na comissão com R$ 518. “Eu não recebi este valor em doações diretas. Foi material de campanha de outros candidatos. Isso jamais me influenciaria na comissão porque são valores muito ínfimos. Mesmo se fosse valores consideráveis, não interfeririam no meu trabalho”. Em seguida está Celise Laviola (PMDB), efetiva na comissão. Ela recebeu R$ 165. Procurada pelo G1, ainda não se manifestou sobre o assunto. Com R$ 7,31, aparece Celinho Sitrocell (PC do B), também efetivo. A assessora de imprensa informou que a situação das contas será apurada. De acordo com a ALMG, à princípio seria instaurada uma CPI, mas, segundo a casa, a comissão extraordinária foi a opção escolhida pelos parlamentares por que ela não entra em recesso em janeiro.
Insegurança e apreensão de moradores que vivem próximos da barragem

‘Com mais informações, talvez o sofrimento fosse menor’, diz parente de desaparecidos em BrumadinhoFamiliares de pessoas desaparecidas na tragédia de Brumadinho se apoiam em amigos para suportar a dor, ao mesmo tempo em que se revoltam com a falta de informações Brumadinho – Nas ruas do distrito de Tejuco, em Brumadinho, na Grande BH, há sempre um braço para amparar, um abraço para acolher e uma palavra ou duas, sempre abafadas pela dor, para dar forças a um amigo. No mais, são os olhos do espanto, o andar a esmo ou o choro convulsivo pela falta de informações ou notícias dos desaparecidos na tragédia, ocorrida no início da tarde de sexta-feira, do rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, empreendimento da Vale. “Estou segurando minha mãe, ela está desesperada, saiu andando por aí, entrou no mato e fui atrás”, disse, ontem, Mary Cristina Nunes, de 32 anos, que também não esconde a apreensão pelo desaparecimento do irmão Peterson Firmino Nunes, de 35, casado e pai de três filhos. A exemplo de muitos moradores de Tejuco, Peterson trabalhava na unidade da empresa, com atuação no almoxarifado.Continua depois da publicidade Mais um ônibus arrastado por lama em Brumadinho é encontradoAo lado do irmão Fernando Nunes Araújo, de 29, desempregado, Mary diz que foi atrás da mãe “no mato” e quase desmaiou, sendo socorrida por vizinhos. Com os olhos muitos vermelhos pelas lágrimas e duas noites sem dormir, Fernando, a todo momento, olha no portão para ver onde está Malvina Firmino Gomes, a mãe em desespero pelo filho Peterson. No início da tarde de ontem, Malvina estava na casa da vizinha Izabel Andréa Bento, que não tem notícias do irmão Jonas e de quatro sobrinhos que também trabalhavam na Vale. “Nossa vida agora é só esperar, esperar…Não sabemos até quanto. Estamos todos de luto”, disse Izabel. No alto, no fundo das casas, dá para ver as montanhas lavradas pela mineração, o que faz Malvina lembrar que, na madrugada de ontem, soou o alarme na mineradora, embora o risco de rompimento de outra barragem tivesse sido descartado, pelo menos por enquanto. “Pois é, na hora que não precisa, eles ligam a sirene. Agora, quando tem que avisar, não fazem nada”, disse Malvina, para em seguida, citar baixinho o nome do filho Peterson e dizer que quer o filho vivo. Logo após a conversa, dava para ver amigos e vizinhos chegando perto e se abraçando numa união de força contra o sofrimento máximo. Sem perdoar a mineradora e lembrando a tragédia ocorrida há pouco mais de três anos em Mariana, na Região Central, Fernando perguntou: “Até quanto a Vale vai destruir Minas e causar tanto mal?”.
Condições e resgate pioram e caem chances de localizar sobreviventes

– Dois dias após a tragédia criminosa em Brumadinho (MG), as condições de resgate tiveram significante piora e nenhum sobrevivente foi encontrado. O comandante da operação do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Eduardo Angelo, disse que a chance de se localizar pessoas com vida a partir de agora é “bem pequena”. Até o momento, 58 corpos foram localizados, dos quais 19 identificados. Há 305 desaparecidos e 192 resgatados. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “as buscas continuariam ao longo da noite em dois pontos: um ônibus próximo da administração da Vale e uma casa perto da pousada Nova Estância, onde foram achados três corpos. Os bombeiros informaram que não conseguiram ainda acessar o refeitório da Vale e que ele pode ter se deslocado de lugar. Ali, a profundidade da lama chega a 15 metros.” “Apesar dos esforços, o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, admitiu que alguns corpos podem nunca ser encontrados. ‘Considerado o tipo de tragédia e as proporções, existe sim a possibilidade de alguns corpos não serem recuperados, mas não é esse o foco dos bombeiros’.”
Romeu Zema usa PM para barrar prefeitos na Cidade Administrativa

Centenas de prefeitos que vieram à Cidade Administrativa tentar falar com o governador Romeu Zema (Novo) sobre atraso nos repasses reclamam o fato de terem sido recebidos por uma barreira da Polícia Militar no Palácio Tiradentes, local onde o governador despacha. Grupo de prefeitos encontrou barreira militar no acesso ao Palácio Tiradentes, onde o governador despacha(foto: Juliana Cipriani/EM/D.A Press) “Nem Pimentel (ex-governador) nos recebeu assim. Não somos bandidos”, dizem. Os prefeitos vão protocolar um pedido para Zema volte a repassar automaticamente o ICMS e o IPVA devidos aos municípios.O presidente da AMM Prefeito Julvan Lacerda diz estar perplexo com a forma de recepção aos prefeitos. “Até o governo passado, com todo o desrespeito que teve conosco nunca nos tratou desta forma. Até onde sei as forças policiais são para fazer cumprir a lei e não para proteger quem está descumprindo”, disse. Julvan Lacerda disse que os prefeitos estão na sede do governo pacificamente para cobrar direitos dos cidadãos. Após a pressão em frente à barreira policial, o governo autorizou a entrada de Julvan Lacerda e mais quatro prefeitos para conversar com Zema. A imprensa não foi autorizada a entrar. Prefeitos tentavam falar com governador Romeu Zema sobre dívida do estado com municípios(foto: Juliana Cipriani/EM/D.A Press) O presidente da AMM informou que a comitiva foi recebida pelo secretário de governo Custódio Mattos, que reafirmou que Zema vai se posicionar sobre a situação dos prefeitos entre hoje e amanhã.”Ele não nos deu uma posição Clara mas se comprometeu que o governo vai anunciar o que fazer”, desse. De acordo com o prefeito, a mobilização continua até que os repasses voltem a ser feitos normalmente.
Prefeitos ameaçam pedir impeachment do governador Zema

Segundo a Associação Mineira de Municípios, o governador Zema já deve R$ 342 milhões aos municípios, relativos ao ICMS e ao Fundeb do dia 15 de janeiro Reunidos em assembleia, na manhã desta segunda-feira (21), dezenas de prefeitos mineiros voltaram suas críticas ao novo governo por causa da retenção de repasses devidos aos municípios. Entre as medidas propostas pela direção da Associação Mineira dos Municípios (AMM) está a ameaça de protocolar um pedido de impeachment do governador Romeu Zema (Novo) já no dia 1º de fevereiro, no retorno dos trabalho na Assembleia. Na avaliação dos prefeitos, embora tenha herdado uma “bomba”, Zema continua retendo repasses, a exemplo do que fez o ex-governador Fernando Pimentel (PT). “A proporção está a mesma, só estão maquiando um pouco melhor que o PT” , afirmou o presidente da AMM, Julvan Lacerda (MDB). Eles afirmam que o sacrifício financeiro deve ser de todos e não apenas dos municípios. O prefeito de Jequitinhonha, Roberto Botelho (PSDB), defendeu que os prefeitos paralisem o Estado para mandar uma mensagem clara ao governo. Além da ameaça de pedir o impeachment do governador, os 343 prefeitos presentes vão votar uma proposta de acordo judicial com o governo Zema. Pela minuta de acordo judicial, Zema teria um ano de carência pra começar a pagar a dívida com os prefeitos acumulada por Pimentel. Os prefeitos também colocarão em votação a ideia de fazer uma grande manifestação no dia da posse dos deputados. Outra questão em votação é o adiamento do início das aulas nas escolas. Negociação Ainda como pressão, os prefeitos propuseram ir a Brasília pedir intervenção federal. Como condição para negociar com Zema, os municípios pedem que o governador revogue um decreto de Pimentel que acabou com os repasses automáticos da cota parte de ICMS dos munícipios para as prefeituras. Via Jornal Estado de Minas
Zema quer aumentar a contribuição da previdência e fazer privatizações

Declarações de Zema sobre aumento contribuição previdenciária e privatização revolta servidores A declaração do governador de Minas Gerais Romeu Zema de que deve propor o aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo público estadual caiu como uma bomba entre os servidores e está provocando revolta. A Polícia Militar, por exemplo, que tem alto poder de mobilização, por prestar serviço essencial e ter um número grande de servidores, foi pega de surpresa segundo Marco Antônio Bahia, presidente da ASPRA (Associação de Praças da Polícia Militar). “Nós já estamos há quatro anos sem nenhuma reposição das nossas perdas inflacionárias e tem um cenário de ficar mais uns dois ou três. A nossa tropa já está toda mobilizada haja vista que nós não temos salário em dia, 13º nosso até hoje o governador não anunciou e ainda vem colocar um projeto pra majorar nossa previdência. Eu quero dar um aviso ao nosso governador que se ele vier com essa intenção ele vai ter um grande problema na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiro. Então seu governador se o senhor quiser enviar o projeto para recuperar a receita de Minas Gerais pode até enviar, mas não com o sacrifício dos nossos militares”. Geraldo Henrique da direção do Sindipúblicos, que representa os servidores administrativos, disse que os trabalhadores não aceitarão ser responsabilizados. “Nós não suportaremos mais retirada de direitos. Nós, servidores do poder Eexecutivo, já carregamos nas costas congelamento de salários desde 2013, pagamentos atrasados que vem acontecendo desde 2016 e em 2018 ficamos sem receber nosso 13º”. A intenção de privatizar a CEMIG, também reafirmada por Zema, revoltou servidores da companhia que disseram que não vão deixar que ele efetue o processo de privatização, segundo Jeferson Silva, do Sindieletro. “ Nós vamos travar uma grande luta envolvendo movimentos sociais, sindicatos, Assembleia Legislativa e demais aliados para manter a Cemig estatal, com as devidas prerrogativas de uma estatal”. Tanto a privatização de estatais quanto a reforma da previdência do funcionalismo fazem parte dos pré-requisitos para adesão ao acordo de recuperação fiscal do governo federal para suspensão do pagamento das dívidas dos estados com a União. A alíquota atual de contribuição do servidor para a previdência é de 11% do salário, a proposta do governo federal seria subir até 14%.