Grande Sertão Ameaçado: quem são os geraizeiros que defendem o Cerrado

População tradicional geraizeira resiste diante da expansão de monocultura e mineração em defesa do Cerrado No norte de Minas Gerais, onde a caatinga encontra o cerrado, ao norte de Belo Horizonte e ao sul da Bahia, está o Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas. Nele, estão os geraizeiros, população nativa dos Gerais, descendente de negros, indígenas e europeus. Habitam toda a extensão da região, suas partes altas e baixas, conhecidas como chapadas e grotas. A família de Adelina Xavier de Moraes, mais conhecida como Dona Adelina, de 81 anos, é uma das 1.800 famílias de geraizeiros espalhadas por 73 comunidades que vivem no território, localizado entre os municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho e Josenópolis. Dali, Dona Adelina nunca saiu para canto nenhum, e nem pretende. Nessas terras suas mãos já enterraram mãe, marido, filho. Mas também deram vida, em seu trabalho como parteira, a cerca de 100 crianças. Durante todo esse tempo, as mesmas mãos botaram e tiraram da terra o cultivo do alimento, em harmonia com os limites do cerrado. Do mesmo modo, Maria de Lurdes Soares Santos, de 75 anos, ainda cultiva a roça que aprendeu a cuidar desde pequena, junto às cantigas entoadas “em casa, na roça, quando estava a colegagem toda junta”, relembra. Parte 1: Grande Sertão Ameaçado: os geraizeiros diante do megaprojeto de mineração chinês Os versos dizem respeito ao cotidiano e à paisagem de Vale das Cancelas, passando pelas frutas nativas da região, como a gariroba, até os costumes geraizeiros. “Sou geraizeira até o rasto. Não nego a minha geração, não. Ser geraizeira, moro aqui, nasci, me criei, nunca mudei. A gente conhece o Gerais como se fosse… Hoje não, mudou muito. Hoje é só eucalipto, pinus. De primeira, não, era só mato nativo. A gente navegava dentro dos matos, rasgava as pernas, andava a cavalo, amanhecia o dia cantando, dançando.” Tanto a história de Dona Maria de Lurdes quanto a de Dona Adelina dizem respeito ao povoamento introdutório feito pelos geraizeiros em terras devolutas do norte de Minas Gerais e aos conflitos fundiários intrínsecos a esse processo, como a expansão por empresas de monocultura de eucalipto e pinus, desde a década de 1970, e produtoras de commodities enviadas ao mercado exterior, como o minério de ferro, atividades que contam com o estímulo governamental para seu desenvolvimento. Precisa urgente demarcar nosso território para que a gente fique livre desse pessoal de empresa querer dizer que a terra é deles, sendo que nós somos famílias tradicionais Na outra ponta, contrapondo- se a esse modelo de produção intensiva da terra, os geraizeiros reivindicarem a posse do território, tido por eles como o único caminho para barrar o avanço das empresas sobre o território para assim preservarem o cerrado, o território onde nasce e se desenvolve toda sua cultura, de modo que é difícil saber onde um começa e o outro acaba. Regularização e demarcação do território Em 2015, como primeiro passo para a regularização fundiária, os próprios geraizeiros realizaram a demarcação do Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas composto por 73 comunidades espalhadas em uma extensão de 228 hectares, divididas em três núcleos territoriais: Lamarão, Tingui e Josenópolis. Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas dividido em três núcleos territorias / Camila Pavanelli Três anos depois, os geraizeiros foram reconhecidos como Comunidade Tradicional, no âmbito da lei mineira 21.147, e obtiveram a Certidão de Autodefinição, emitida pela Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais (Cepct-MG). Com isso, passaram a ter assegurado o direito da consulta prévia, livre e informada acerca de empreendimentos que possam afetar seus bens e direitos, de acordo com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Embora tenha sido ratificada pelo Brasil, na prática a legislação tem sido desrespeitada e não impediu empresas de construírem empreendimentos no local sem consultarem as comunidades tradicionais que ali vivem. Em seguida, deu-se início ao processo de regularização fundiária e titulação do território geraizeiro dentro do estado por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda). No ano seguinte, em 2019, foi instituída a Comissão Especial Permanente, na qual a Superintendência de Arrecadação e Gestão Fundiária solicitou à Superintendência de Territórios Coletivos o prosseguimento da regularização. Ser geraizeiro para mim é um orgulho, porque o geraizeiro convive com a natureza, com o cerrado, produz de forma sustentável. Tudo ele respeita Até a publicação desta reportagem, no entanto, não ocorreram avanços nesse processo. Em nota, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) afirmou que os processos de regularização “têm sido permanentemente discutidos com a participação direta dos representantes das comunidades integrantes dos núcleos Josenópolis, Tingui e Lamarão”. Parte 2: Grande Sertão Ameaçado: o monocultivo de eucalipto no norte de Minas Gerais “Entretanto, a discussão da posse das terras é conflitante e são várias demandas judiciai, o que atrasa os procedimentos”, diz o texto encaminhado à reportagem. Uma das lideranças geraizeiras, Adair Pereira de Almeida, de 46 anos, disse ao Brasil de Fato que “todas essas empresas não respeitam o povo geraizeiro, as terras nossas que eles invadiram”. “Eles falam que a gente é invasor de terra. Nós não somos invasores de propriedade de ninguém, porque esse é o nosso território. Eles é que invadiram”, afirma Almeida. Ele ressalta que, no processo de regularização, a vida da comunidade “tem sido de muita luta, desde muito tempo” “A gente quer o território geraizeiro demarcado. É dever do governo do Estado proteger a população tradicional. A única maneira de vencermos é demarcando o nosso território. A gente vem cobrando das autoridades essa regularização”. Dentro do processo de regularização, uma das etapas é o desenvolvimento de laudos periciais antropológicos, cujo objetivo é reconhecer dentro da comunidade geraizeira a identidade e a territorialidade sobre as quais as comunidades se expandiram ao longo desses 150 anos. O objetivo dessa perícia é comprovar que se trata de uma população nativa daquela região, portanto com direitos legais intrínsecos, como a demarcação e regularização fundiária. Para isso, Almeida reivindica que
Eleito, candidato que propôs reduzir salário em Montalânia se arrepende e pede nulidade da proposta

CARA DE PAU – Marcone Edson foi eleito iludindo o eleitor, com uma proposta demagógica. A ideia de reduzir o subsídio do vereador de Montalvânia, no Norte de Minas, para um salário mínimo (R$ 1.045,00), partiu de Marcone Edson (PODE), que acabou sendo eleito e em ato contínuo solicitou que esquecessem a proposta. Entretanto, os vereadores que não conseguiram a reeleição resolveram levar a proposta a cabo, ainda que parcialmente. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal, então, vota hoje projeto para reduzir o salário em mais 40%, atendendo proposição da Mesa Diretora, inspirada pelo agora arrependido vereador-eleito. A justificativa oficial é a de que a medida vai ajudar o município na recuperação econômica pós-pandemia. Atualmente, cada um dos 11 parlamentares da Casa recebe salário bruto de R$ 5 mil. Se aprovado, o projeto passará a valer a partir da próxima legislatura, com início em 1o de janeiro de 2021. Demagogia – Marconi Edson obteve 223 votos (2,35%) com a bandeira de redução dos subsídios dos vereadores. Durante a campanha eleitoral, ele fez material gráfico, gravou vídeos e usou serviço de som para defender a proposta, além de ter encaminhado para a Câmara, na condição de cidadão, requerimento defendendo a iniciativa. Todavia, bastou ser eleito para o demagogo cochanino (nome que se dá a quem nasce em Montalvânia) fazer novo requerimento, pedindo o cancelamento do pedido, ficando o dito pelo não dito. O presidente da Câmara, que não conseguiu ser reeleito, não deixou por menos e colocou o requerimento para apreciação. Como a maioria dos vereadores não conseguiu a reeleição (apenas 4 foram reeleitos), tudo indica que a demagógica redução será aprovada, mesmo em percentual inferior à proposta original.
Arcebispo de Montes Claros, Dom João Justino, comunica novas nomeações e transferências

A Chancelaria da Arquidiocese de Montes Claros informa que DOM JOÃO JUSTINO DE MEDEIROS SILVA, Arcebispo Metropolitano, após ouvir o Conselho Presbiteral e considerar a missão evangelizadora e as necessidades pastorais da Arquidiocese de Montes Claros, decidiu por novas nomeações e transferências. Confira: NOMEAÇÕES E TRANSFERÊNCIAS A Chancelaria da Arquidiocese de Montes Claros informa que DOM JOÃO JUSTINO DE MEDEIROS SILVA, Arcebispo Metropolitano, após ouvir o Conselho Presbiteral e considerar a missão evangelizadora e as necessidades pastorais da Arquidiocese de Montes Claros: 1) Nomeou o Revmº Pe. Franscino Oliveira Silva para a missão Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José (Matriz) em Montes Claros. 2) Nomeou o Revmº José Honório de Andrade para a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José (Matriz) em Montes Claros. Confioulhe, ainda, a missão de coordenador do Arquivo Arquidiocesano. 3) Nomeou o Revmº Pe. Valdomiro Soares Machado (Frei Valdo) para a missão de Pároco da Paróquia São José Operário em Montes Claros. 4) Nomeou o Revmº Pe. Fernando José de Andrade para a missão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Catedral Metropolitana. 5) Nomeou o Revmº Pe. Junio de Oliveira Bento para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia Senhora Sant’Ana em Brasília de Minas. 6) Nomeou o Revmº Pe. Diogo Maurício Affonso para a missão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Consolação em Montes Claros onde, até então, exercia a missão de Administrador Paroquial. 7) Nomeou o Revmº Pe. Zilmo Jota dos Santos para a missão de Vigário Paroquial (a tempo parcial) da Paróquia Senhor do Bonfim em Bocaiúva. Confiou-lhe, ainda, a missão de formador para a dimensão pastoral no Seminário Maior Imaculado Coração de Maria. 8) Nomeou o Revmº Pe. Alan Sávio da Silva Veloso para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia Senhor do Bonfim em Bocaiúva. 9) Nomeou o Revmº Pe. Wesley Santos Souza para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia Santo Antônio em Itacambira. 10) Nomeou o Revmº Pe. Jorge Luiz Gray Gomes para a missão de Vigário Paroquial da Paróquia São Francisco de Assis em Montes Claros. 11) Nomeou o Revmº Pe. Oliveira Rodrigues Odilon para a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Bocaiúva. 12) Nomeou o Revmº Pe. Lauro D’Angelos Meira Boas para a missão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Francisco Dumont. 13) Nomeou o Revmº Pe. André Pereira Souto para a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Francisco Dumont. 14) Nomeou o Revmº Pe. Wagner Lima de Oliveira para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia São José em Josenópolis. 15) Nomeou o Revmº Pe. André Cardoso Duarte para a missão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Jequitaí. 16) Nomeou o Revmº Pe. Antônio Teixeira para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia Bom Jesus em Lagoa dos Patos, acumulando a missão de Pároco da Paróquia São João Batista em São João da Lagoa. 17) Nomeou o Revmº Pe. Rodrigo da Silva para a missão de Vigário Paróquia das Paróquias São João Batista em São João da Lagoa e Bom Jesus em Lagoa dos Patos. 18) Nomeou o Revmº Pe. Edilson Bonfim da Silva para a missão de Administrador Paroquial da Quase-Paróquia São João Batista em São João do Pacuí e Vigário Paroquial (a tempo parcial) da Paróquia Santíssimo Coração de Jesus em Coração de Jesus. 19) Nomeou o Revmº Pe. Anderson Aguiar Alves para a missão de Administrador Paroquial da Paróquia São Geraldo em Japonvar. 20) Confiou ao Revmº Mons. Silvestre José de Melo, Vigário Geral da Arquidiocese, a missão de colaborar pastoralmente com o Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Montes Claros. 21) Confiou ao Revmº Mons. José Osanan de Almeida Maia, Chanceler da Arquidiocese, a missão de colaborar pastoralmente com o Administrador Paroquial da Paróquia Santa Rita de Cássia em Montes Claros, dispensando-o da missão de Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José (Matriz). 22) Confiou ao Revmº Mons. Antônio Gonçalves Rocha, até então Vigário Geral, a missão de colaborar pastoralmente com o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Catedral Metropolitana e com o Pároco da Paróquia São João Batista em Montes Claros. A Chancelaria comunica, ainda, que, uma vez ordenados presbíteros, o Revmº Diác. Arley Humberto da Silva Santos assumirá a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Mãe Rainha em Montes Claros; e o Revmº Diác. Cleydson Rafael Nery Rodrigues assumirá a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Senhor do Bonfim em Bocaiúva. As datas para as reuniões de transição pastoral-administrativa bem como das celebrações de início de ministério pastoral serão divulgadas oportunamente. Montes Claros, 25 de novembro de 2020. Memória litúrgica de Santa Catarina de Alexandria Mons. José Osanan de Almeida Maia Chanceler do Arcebispado
Norte de Minas terá serviço especializado de doenças transmissíveis e imunobiológicos

– Região contará, a partir de 2021, com o Serviço de Atenção Especializada (SAE-Ampliado), destinado ao atendimento de pacientes acometidos por HIV/ Aids, hepatites virais, tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar e visceral. O serviço será instalado em 14 macrorregiões de saúde do Estado, em iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, prevista na Resolução 7.302, publicada dia 18 de novembro, e tem como objetivo ampliar a carteira de serviços prestados pelos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs). Junto com o SAE-Ampliado, em cada macrorregião de saúde a SES-MG colocará em funcionamento um Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), com o objetivo de beneficiar uma parcela especial da população que precisa usufruir dos imunobiológicos disponíveis na rede pública ou necessita de outros medicamentos especiais. Entre as pessoas a serem contempladas com o novo serviço estão portadores de imunodeficiência congênita; infectados pelo HIV; portadores de doenças neurológicas; cardiopatias; pneumopatias e doenças hematológicas. O CRIE também atuará na investigação de casos suspeitos de eventos adversos pós-vacinação. Por meio de edital de chamamento público publicado junto com a Resolução 7.302, em cada uma das 14 macrorregiões do Estado será selecionado um município que já possui Centro de Testagem e Aconselhamento. Além do Norte de Minas as demais macrorregiões de saúde que serão contempladas com a instalação de SAE-Ampliado são: Sul; Centro Sul; Centro; Jequitinhonha; Oeste; Leste; Sudeste; Noroeste; Leste do Sul; Nordeste; Triângulo do Sul, Triângulo do Norte e Vale do Aço. A Resolução 7.302 prevê que o valor do incentivo financeiro destinado à qualificação da atenção às condições crônicas transmissíveis em serviços especializados será de R$ 7 milhões. Para o desenvolvimento das ações da política de imunobiológicos especiais a previsão é de que haverá custeio anual de R$ 2 milhões 940 mil e um incremento de R$ 770 mil para aquisição de equipamentos para estruturação do serviço. Esse investimento leva em consideração a situação de emergência da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e a necessidade de realizar a vigilância dos eventos adversos das novas vacinas que serão incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os incentivos financeiros a serem repassados a partir de 2021 aos municípios selecionados serão calculados com base na população residente estimada em cada macrorregião de saúde e nas notificações de cada doença no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A Resolução assinada pelo secretário de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Amaral salienta que a implantação do SAE-Ampliado possibilitará “o fortalecimento das ações de vigilância, prevenção, promoção, tratamento, reabilitação e educação em saúde para o cuidado às pessoas sob risco; com condições crônicas transmissíveis e com doenças ou condições especiais de saúde que precisem de vacinas não contempladas no Programa Nacional de Imunizações no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”. A superintendente regional de saúde de Montes Claros, Dhyeime Thauanne Pereira Marques entende que a iniciativa da SES-MG em criar o SAE-Ampliado e o Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais possibilitará um melhor atendimento das demandas de pacientes acometidos por doenças transmissíveis ou outras condições especiais de saúde. Isso porque, explica, “os profissionais atuantes nos novos serviços terão condições de fazer um acompanhamento mais específico e consistente dos casos, bem como viabilizar os medicamentos necessários para o tratamento dos pacientes encaminhados pelos municípios, evitando com isso o agravamento de situações de saúde”. Os municípios que quiserem participar do edital de chamamento público para instalação do SAE-Ampliado deverão apresentar projeto de adesão à SES-MG; comprometer-se a ter equipe de profissionais e estrutura física adequada no prazo de 180 dias; e também deverão disponibilizar atendimento à população da macrorregião nas áreas de psicologia, fisioterapia, assistência social, bem como consultas médicas e de enfermagem com apoio técnico. O município sede do SAE-Ampliado também deverá assumir o compromisso de capacitar profissionais atuantes em outros pontos de atenção da rede de saúde, conforme necessidade da macrorregião, além de apoiar o processo de gerenciamento dos medicamentos estratégicos. Entre os profissionais que o SAE-Ampliado deverá dispor estão: infectologista ou médico clínico com manejo para atendimento em HIV; pneumologista, infectologista ou médico clínico capacitado no manejo de tuberculose, hanseníase e leishmaniose; fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional; enfermeiro; técnico de enfermagem; farmacêutico; psicólogo e assistente social. Para funcionamento do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais o município selecionado para sediar o SAE-Ampliado deverá disponibilizar enfermeiro coordenador; médico pediatra, infectopediatra ou médico clínico geral capacitado para o manejo de imunobiológicos especiais e um técnico ou auxiliar de enfermagem exclusivo para atuar na sala de vacina.
Covid-19 -Norte de Minas tem mais de 26 mil casos confirmados e quase 500 mortes

O relaxamento da população é apontado como a principal causa para a elevação da transmissão O aumento da taxa de transmissão pelo novo coronavírus no Norte de Minas Gerais alcançou 26.783 casos de Covid-19, sendo 26.297 casos confirmados e 486 mortes, e é visto como motivo de atenção pelo setor de epidemiologia de Montes Claros. Nesta segunda-feira (30), mais 26 pessoas testaram positivo para o novo coronavírus, aumentando para 12.913 o número de casos positivos no município. As 486 mortes no Norte de Minas foram em 62 municípios: Aguas Vermelhas (1) Bocaiuva (10), Brasília de Minas (5) Buenópolis (3), Buritizeiro (7), Capitão Enéas (3), Catuti (1) Claro dos Poções (2), Coração de Jesus (2), Cristália (1), Curral de Dentro (2), Divisa Alegre (1), Espinosa (12), Francisco Dumont (3), Francisco Sá (5), Fruta de Leite (2), Gameleiras (1), Glaucilândia (1), Guaraciama (1), Grão Mogol (2), Icaraí de Minas (1), Itacambira (1), Itacarambi (6), Jaíba (14), Janaúba (23), Januária (11), Japonvar (1), Jequitaí (4), Joaquim Felício (1), Juvenília (1), Lontra (4), Luislândia (1), Manga (6), Matias Cardoso (1), Mato Verde (3). Tem ainda em Mirabela (4); Miravânia (1) Montalvânia (3), Monte Azul (6), Montes Claros com (206), Nova Porteirinha (2), Novorizonte (2), Padre Carvalho (2), Pai Pedro (1), Pedras de Maria da Cruz (1), Pintópolis (1) Pirapora (20), Porteirinha (17), Riachinho (2), Riacho dos Machados (1), Rio Pardo de Minas (2), Rubelita (1), Salinas (15), Santa Cruz de Salinas (2), Santo Antônio do Retiro (1), São Francisco (16), São João da Ponte (10), São Joao das Missões (1), São Joao do Paraiso (1), São Romão (3), Taiobeiras (7), Urucuia (3), Várzea da Palma (10) e Varzelândia (4). A surpresa foi na pequena cidade de Santa Fé de Minas, que teve 34 casos confirmados. Os 95 casos foram em Bocaiuva (6), Brasília de Minas (8), Divisa Alegre (4), Espinosa (2), Grão Mogol (2), Josenópolis (6), Lassance (1), Manga (1), Monte Azul (11), Montezuma (3), Novorizonte (1), Olhos D’Água (1), Rubelita (2), Santa Fé de Minas (34), São João do Paraiso (4), São Romao (2), Serranópolis de Minas (1), Ubaí (2), Urucuia (1), Varzelândia (3) e Verdelândia (1). Agora são 26.271 casos em Águas Vermelhas (79), Berizal (8), Bocaiuva (485), Bonito de Minas (6), Botumirim (6), Brasília de Minas (232), Buenópolis (91), Buritizeiro (347), Campo Azul (30), Capitão Enéas (166), Catuti (19), Chapada Gaúcha (77), Claro dos Poções (54), Conego Marinho (9), Coração de Jesus (135), Cristália (49), Curral de Dentro (57), Divisa Alegre (40), Engenheiro Navarro (35), Espinosa (248), Francisco Dumont (21), Francisco Sá (276), Fruta de Leite (29), Gameleiras (50), Glaucilândia (20), Grão Mogol (88), Guaraciama (9), Ibiaí (47), Ibiracatu (25), Icaraí de Minas (67), Indaiabira (40), Itacambira (8), Itacarambi (224), Jaíba (538), Janaúba (1.355), Januária (428), Japonvar (72), Jequitaí (65), Joaquim Felício (25), Josenópolis (126), Juramento (28), Juvenília (107), Lagoa dos Patos (21), Lassance (48), Lontra (26) e Luislândia (14). Tem ainda Mamonas (10), Manga (199), Matias Cardoso (53), Mato Verde (122), Mirabela (160), Miravânia (5), Montalvânia (239), Monte Azul (344), Montes Claros (12.865), Montezuma (15), Ninheira (42), Nova Porteirinha (72), Novorizonte (16), Olhos D’Água (11), Padre Carvalho (54), Pai Pedro (20), Patis (42), Pedras de Maria da Cruz (70), Pintópolis (17), Pirapora (1.581), Ponto Chique (42), Porteirinha (598), Riachinho (122), Riacho dos Machados (57), Rio Pardo de Minas (228), Rubelita (11), Salinas (737), Santa Cruz de Salinas (19), Santa Fé de Minas (111), Santo Antonio do Retiro (84), São Francisco (426), São João da Lagoa (27), São João da Ponte (117), São João das Missões (84), São João do Pacuí (7), São João do Paraiso (154). São Romao (37), Serranópolis de Minas (18), Taiobeiras (368), Ubaí (52), Urucuia (59), Vargem Grande do Rio Pardo (26), Várzea da Palma (618), Varzelândia (117) e Verdelândia (45).
Kalil afirma que se Bolsonaro não comprar da vacina contra covid “é caso de impeachment”

– Prefeito reeleito de Belo Horizonte disse que tanto o presidente quanto o governador de São Paulo, João Doria, estão politizando o tema pensando em seus interesses para 2022. Veja o vídeo A entrevista de Alexandre Kalil (PSD) ao Roda Viva, nesta segunda-feira (30), ganhou sua primeira declaração polêmica quando o prefeito de Belo Horizonte, reeleito no primeiro turno, disse tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o governador de São Paulo, João Doria, estão politizando a questão da compra da vacina contra o coronavírus SARS-CoV-2, pensando em seus interesses eleitorais em 2022. “Quando um não quer, dois não brigam. Então, foi politizada pelos dois, sim (…) e ai do governante que não comprar (a vacina), por isso que 2022 está longe”, comentou Kalil. Em seguida, ele afirmou que caso o governo de Bolsonaro insista em se negar a autorizar a vacina CoronaVac por ser produzida por um laboratório chinês – tendo em vista as recentes declarações anti-China do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dando a entender que desconfia do produto desenvolvido pelo país asiático –, isso justificaria a instalação de um processo de impeachment contra o presidente. “Imagina se a vacina chinesa dá certo e chega mais rápido. Você acha que o governo federal vai ter peito de não comprar por ela ser chinesa? Isso é crime! É impeachment”, disse Kalil. Confira a frase do prefeito de Belo Horizonte neste vídeo: “Quando um não quer, dois não brigam. Então, foi politizada pelos dois, sim”, diz @alexandrekalil sobre o embate entre João Doria e o presidente Bolsonaro a respeito da vacina Coronavac. #RodaViva pic.twitter.com/EwRw5lrTcg — Roda Viva (@rodaviva) December 1, 2020
PODER FEMININO – Mulheres que disputaram segundo turno venceram em Minas Gerais

Marília Campos (PT), em Contagem; Margarida Salomão (PT), em Juiz de Fora e Elisa Araújo (Solidariedade), em Uberaba bateram seus adversáriose capital na história do partido Contagem Marília Campos vai para o terceiro mandato na Prefeitura de Contagem. Psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e militante do Partido dos Trabalhadores (PT) desde a década de 1980, Marília Campos recebeu 51,35% dos votos válidos e venceu Felipe Saliba (Democratas), em Contagem. Esse será o terceiro mandato da prefeita eleita. Isso porque ela já governou a cidade de 2005 a 2012, por dois mandatos seguidos. O vice-prefeito de Contagem será Dr. Ricardo Faria (MDB). Juiz de Fora Margarida Salomão (PT) é primeira mulher eleita prefeita de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A candidata derrotou Wilson Rezato (PSB). Ela recebeu 54,98% dos votos. O vice-prefeito é o ex-vereador Kennedy Ribeiro (PV). Margarida tem 70 anos e já disputou por outras três vezes a cadeira do Executivo; em 2008, 2012 e 2016, chegando todas as vezes ao segundo turno, mas sem sucesso. Além de ter a primeira mulher à frente do Executivo municipal, pela primeira vez Juiz de Fora será governada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Uberaba Em Uberaba, Elisa Araújo (Solidariedade), foi eleita para os próximos quatro anos. Ela teve 85.990 votos, representando 57,36%. O vice é Moacyr Lopes, do mesmo partido. Esta também é a primeira vez que uma mulher é eleita chefe do Executivo na história de Uberaba. Esta também será a primeira vez que Elisa ocupará um cargo público. A candidata derrotou Tony Carlos (PTB), que ficou em segundo lugar com 42,64% dos 63.932 votos.
Dois funcionários da Copasa morreram depois que uma adutora da companhia se rompeu em Santa Bárbara
Vítimas chegaram a ser socorridas para o Hospital das Mercês, mas não resistiram Dois funcionários da Companhia de Abastecimento de Minas Gerais (Copasa) morreram nesta quarta-feira (25) em Santa Bárbara, na Região Central do estado. O acidente aconteceu quando eles trabalhavam em uma adutora. Porém, ainda não há informações sobre as circunstâncias das mortes. A Copasa informou em nota que “presta todo apoio às famílias de seus funcionários por meio do serviço social da companhia e apresenta a elas o seu profundo pesar”. A Polícia Militar registrou o boletim de ocorrência e há possibilidades de que os trabalhadores tenham inalado gás tóxico, o que teria causado a morte deles. Uma equipe do Resgate Voluntário Estrada Real (Rever) esteve no local para prestar os primeiros socorros às vítimas, mas apenas puderam constatar o óbito dos trabalhadores. Após o atendimento da ocorrência, o presidente do Rever, Geraldo Flávio da Silva, seguiu estava o pronto atendimento do Hospital Nossa Senhora das Mercês, para ser examinado e descartar a possibilidade dele também ter inalado o gás durante o atendimento no local do incidente. Privatização “Infelizmente a Copasa não vem dando a devida importância para a vida de seus funcionários, que acabam sendo expostos a um trabalho insalubre e perigoso sem as devidas proteções. Enquanto vidas são ceifadas, parece que a empresa pensa apenas no lucro, pois fica focada somente na privatização, o que é lamentável”. Desabafou um funcionário da Copasa em Montes Claros, que pediu para não ser identificado. O presidente do Sindágua denunciou que os funcionários vêm sofrendo ataques da direção da empresa. “A categoria está sem acordo coletivo há dois anos. A direção da empresa tenta, desde a primeira rodada de negociação, retirar a garantia de emprego de trabalhadoras e trabalhadores e retirar 20% da participação nos lucros da categoria para repassar para a alta direção. A defesa da garantia de emprego é uma questão estratégica. Ela obriga a empresa a fazer investimentos necessários nos municípios onde depende de seus contratos. Se a Copasa não garante o emprego, ela vai deixar de investir nas cidades deficitárias. Isso seria acabar o subsídio cruzado, que é o repasse dos lucros, obtidos nas grandes cidades, para as de menor porte, o que garante igualdade nos serviços e nas tarifas. A garantia de emprego fortalece o investimento e a relação entre a concessionária e o concedente. E acaba corrigindo algumas distorções, com as concessões lucrativas subsidiando as outras”, disse o presidente do Sindágua-MG, recentemente numa audiência pública na ALMG.
Ministério da Saúde deixa o Norte de Minas sem dezenas de leitos de UTI para Covid

– Montes Claros perde 42 leitos de UTI Covid e Saúde fica preocupada – O Ministério da Saúde deixou Montes Claros, município responsável pela Gestão Plena da Saúde (Média e Alta Complexidade) o Norte de Minas Gerais, sem 42 leitos de UTI para Covid, que tinha credenciado em junho passado, pois dos 60 leitos aprovados na época, apenas 18 foram mantidos, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. A secretária Dulce Pimenta, em entrevista, explicou que essa redução de leitos é preocupante. Ela alertou que isso ocorre quando Montes Claros apresenta alta incidência de casos de Covid-19. Os dados mostram a cidade com 19,3 casos por 100 mil habitantes, bem acima da média estadual e nacional, que é de 12,2 em Minas Gerais e 16,2 no Brasil. O alívio é que a taxa de letalidade da cidade é mais baixa do que a média estadual e nacional, pois enquanto Montes Claros tem 1,6%, Minas Gerais está com 2,5% e o Brasil com 2,8%. A Deliberação CIB-SUS/MG Nº 3.264, de 20 de novembro aprovou o Plano de Contingência da Grade Hospitalar para enfrentamento da pandemia de Covid-19 a necessidade de estruturar a rede hospitalar do Estado de Minas Gerais para o enfrentamento do Covid-19, com a disponibilização de leitos clínicos e leitos de UTI; a necessidade de atualizar os Planos de Contingência Macrorregionais, para a redução do número de leitos de UTI Covid nos territórios, considerando a diminuição nas taxas de ocupação dos leitos de UTI das macrorregiões. Dulce Pimenta lamentou os abusos ocorridos nesse final de semana na cidade, com festas clandestinas e ainda rolezinho na avenida Deputado Esteves Rodrigues, com aglomeração de pessoas sem uso de máscaras, álcool e distanciamento. Ainda segundo ela, isso compromete a vida da população e exige uma reação do Poder Público. Ela pede a colaboração da população, para com isso impedir medidas mais enérgicas. Desde a madrugada de domingo que a Prefeitura decidiu tomar uma medida: os organizadores de festas clandestinas serão presos pelo crime de saúde publica. *Com informação do Jornal Gazeta
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA – O empoderamento de uma mulher, negra e trabalhadora

Eleita vice-prefeita em Engenheiro Navarro, a manicure Luciana Nazaré é exemplo de afirmação. A eleição dela e do prefeito pedreiro é uma transformação na história política do município * Por Waldo Ferreira No Dia Nacional da Consciência Negra a boa nova vem de Engenheiro Navarro Navarro (7,3 mil habitantes, a 76 quilômetros de Montes Claros), que elegeu a primeira vice-prefeita negra da sua história. A manicure Luciana Nazaré Alves dos Santos foi também a primeira vereadora negra a integrar a Câmara Municipal. Às voltas com o processo de transição, que deve ter início em uma semana, Luciana falou à reportagem sobre sua ascensão e as dificuldades que enfrentou por sua condição de mulher negra, divorciada e cuidando sozinha do filho num contexto de um pequeno município do Norte de Minas. Eleita numa chapa que chama a atenção pela origem humilde dos seus integrantes (o prefeito-eleito, Hugo Felipe/PSD, é pedreiro), ela pretende levar para a administração valores pautados pela igualdade e inclusão. Luciana, que completa 43 anos em dezembro, é nascida e criada em Engenheiro Navarro e traz em sua carga genética o sangue do pai negro e mãe mestiça com índio. Ela estudou em escola pública até os 17 anos e depois começou a dar aulas. Em seguida foi trabalhar como manicure. A consciência de que precisava atuar na prática para se contrapor às desigualdades fez com que Luciana Nazaré se candidatasse a vereadora, em 2016. Foi eleita e 4 anos depois repetiu a dose, agora como vice-prefeita. “Considero minha eleição uma vitória da mulher negra e uma quebra de paradigmas da estrutura machista que sempre norteou as decisões na nossa cidade”, comemora, destacando as candidaturas de muitos negros nas eleições deste ano em Navarro. Além da vice-prefeita, mais três mulheres obtiveram êxito nas urnas, sendo eleitas vereadoras, uma delas negra. Luciana estimula que, a exemplo dela, as mulheres, especialmente negras, aproveitem as oportunidades. “Observo na nossa cidade mulheres simples, negras, com muito potencial para empreender. Mas elas podem fazer o que quiserem, em qualquer área. É preciso criar as oportunidades para empoderamento”, acredita a vice-prefeita eleita. As raízes negras lhe conferem autoridade para falar do preconceito que sofreu quando criança e adolescente. Foi vítima de bullyng na época de escola e até hoje tem que conviver com piadinhas. “isso não mais me atinge. Compreendi que somos iguais e o que importa mesmo é nosso caráter e retidão, o que a pessoa é e como ela expressa isso perante a sociedade”, avalia. Na administração, Luciana pretende atuar de forma a colocar Educação e Cultura no foco das políticas públicas a serem adotadas, com ênfase na cultura negra, com iniciativas como o estímulo à capoeira; além de lutar pelos empreendimentos para geração de renda. A criação de três conselhos – Inclusão e Diversidade, Ética e Desenvolvimento – vai ao encontro do perfil de igualdade e inclusão representado por ela e pelo prefeito-eleito. Desmembrar as secretarias de Cultura e Educação é outro objetivo que consta no plano de governo da próxima nova gestão. A Cultura será fundida com o esporte, lazer e cultura. TRANSIÇÃO E PREMONIÇÃO “Tire uma foto de nós dois. Vai que vira chapa”, pediu ao fotógrafo o então vereador-eleito Hugo Felipe, que, ao lado da também vereadora-eleita Luciana Nazaré, participava da cerimônia de diplomação, em 2016. Ele disse que é seu objetivo adotar mais transparência á administração. E espera que a Comissão de Transição tenha acesso a todos os dados do município, aos quais ele não teve acesso nem mesmo exercendo o cargo de vereador nos últimos 4 anos, assim como sua vice-prefeita. O desenvolvimento social e econômico e a valorização do servidor efetivo serão a base de sua gestão.