Zema comete ‘sincericídio’ ao responsabilizar mortos por não deixarem suas casas

No último domingo (26), o governador de Minas, Romeu Zema, sobrevoou regiões mineiras afetadas pela chuva em companhia do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e concedeu entrevista coletiva à imprensa depois do voo. Na entrevista, o governador lamentou os óbitos, analisou o problema das ocupações em áreas de risco, mas cometeu um deslize ao atribuir a responsabilidade de algumas mortes pela não obediência às orientações dos órgãos governamentais. Zema chegou a afirmar que a ocupação de áreas de risco por residências tem relação com um contexto social mais amplo que envolve falta de recursos para moradia. Nesse sentido, ele afirmou que discutiu com o ministro Canuto a necessidade de reativação de programas habitacionais, mas que o problema da moradia não será solucionado rapidamente e deve demorar décadas para ser solucionado. Entretanto, ao final da entrevista, o governador afirmou que muitas das vidas perdidas na última semana aconteceram porque as orientações dos Bombeiros e da Defesa Civil não foram obedecidas pela população. Segundo ele, uma família que perdeu quatro pessoas teria sido orientada a deixar a casa, saído, porém voltado antes do período de chuvas terminar. Embora o governador quisesse chamar atenção para a necessidade de priorizar o trabalho com famílias como a mencionada, a fala dele revela certo despreparo ou inocência para lidar com a população que vive em áreas de risco. Como ele mesmo pontuou no início da entrevista, grande parte das pessoas que vive em áreas de risco e está mais exposta às consequências das graves chuvas não possui recursos e seus únicos bens estão em suas residências. Por mais que, diante de um cenário de ameaça à vida, os que olham de fora pensem prioritariamente em preservá-la, para algumas pessoas que tem pouco, os bens podem representar parte fundamental da vida. Além disso, é necessário pensar na relação afetiva das pessoas com suas residências e a vontade de se sentirem seguros debaixo do teto que construíram. No último boletim divulgado às 18h desta segunda-feira (27), a Defesa Civil de Minas Gerais contabilizava 18.111 afetados pelas chuvas, dos quais 14.609 estão desalojados e 3.386 desabrigados. O número de mortos, até o momento, é 47 e quatro pessoas estão desaparecidas, uma em Conselheiro Lafaiete e três em Luisburgo. Via Os Inconfidentes
Vida do bocaiuvense Herbert de Souza, o Betinho, será a nova produção da Globoplay

– Betinho ficou famoso por trabalhar contra a ditadura militar e campanhas contra a fome – Betinho era um indignado com a antirrealidade brasileira dos milhões de marginalizados, castigados pela fome e pelas doenças. Mas não era um resignado. Logo lançava projetos para pô-los em prática, sempre com um sentido de trabalho coletivo e solidário. (Leonardo Boff) Júlio Andrade, o Evandro de “Sob pressão”, já tem novo papel previsto: Betinho. A vida do sociólogo, criador da Ação da Cidadania, uma das maiores campanhas sociais do país contra a fome, vai virar série no Globoplay. Além do lado social, será retratada a luta de Herbert de Souza (1935-1997) contra a aids e a perda de seus dois irmãos, o cartunista Henfil e o violonista Chico Mário, para a doença. A série, sem data prevista de lançamento, é produzida por José Júnior, do AfroReggae, dirigida por Sérgio Machado (Cidade Baixa, Irmãos Freitas), com roteiros de Sérgio Machado e Victor Navas (Cazuza, Carandiru). Julio Andrade – Ator de muitas faces Ele já foi Raul Seixas e Paulo Coelho. Agora, será a cara do sociólogo que lutou contra a fome. O ator Julio Andrade será Betinho, em nova produção da Globoplay, de acordo com o Notícias da TV. Herbert de Souza, o Betinho (1935 a 1997), era irmão do cartunista Henfil e sociólogo, ficou famoso por trabalhar contra a ditadura militar e campanhas contra a fome. A série irá abordar três grandes momentos do Brasil e da vida de Betinho: o apoio e luta pela democracia, o combate à fome e a miséria e o preconceito contra a Aids. Ele era soropositivo, após contrair a doença por uma transfusão de sangue. Ele e o irmão eram hemofílicos. Biografia Infância e juventude Herbert José de Sousa nasceu no norte de Minas Gerais e, junto com seus dois irmãos – o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, herdou da mãe a hemofilia, e desde a infância sofreu com outros problemas, como a tuberculose. Foi criado em ambientes inusitados: a penitenciária e a funerária, onde o pai trabalhava. Mas sua formação teve grande influência dos padres dominicanos, com os quais travou contato na década de 1950. Integrou a JEC (Juventude Estudantil Católica), a JUC (Juventude Universitária Católica). Foi um dos fundadores em 1962, da AP (Ação Popular), junto de José Serra, Aldo Arantes, Vinícius Caldeira Brant, entre outros líderes estudantis. Atuou como coordenador da entidade nos anos de 1963 e 1964. Carreira Graduou-se em 1962 em Sociologia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante o governo de João Goulart assessorou o MEC, chefiou a Assessoria do Ministro Paulo de Tarso Santos, e defendeu as Reformas de base, sobretudo a reforma agrária. Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Porém, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile, em 1971. Lá assessorou Salvador Allende, até sua deposição em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente morou no Canadá e no México. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia – que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista. Foi homenageado como “o irmão do Henfil” na canção “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina – “Meu Brasil / que sonha com a volta do irmão do Henfil / com tanta gente que partiu…” – à época da Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Anistiado em 1979, voltou ao Brasil. Em 1981, junto com os economistas Carlos Afonso e Marcos Arruda, fundou o IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, e passou a se dedicar à luta pela reforma agrária, sendo um de seus principais articuladores. Nesse sentido conseguiu reunir, em 1990, milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, em manifestação pela causa. Betinho também integrou as forças que resultaram no impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello. Mas o projeto pelo qual se imortalizou foi, provavelmente, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento em favor dos pobres e excluídos. Doença e morte Em 1986 Betinho descobriu ter contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia. Em sua vida pública esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus. Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. Dois dos seus irmãos, Henfil e Chico Mário, morreram em 1988 por consequência da mesma doença. Mesmo assim, não deixou de ser ativo até o final de sua vida, dizendo que a sua condição de soropositivo o forçava a “comemorar a vida todas as manhãs”. Betinho morreu em 1997, já bastante debilitado pela AIDS. Deixou dois filhos: Daniel, filho do seu primeiro casamento com Irles Carvalho, e Henrique, filho do segundo casamento com Maria Nakano, com quem viveu por 27 anos. Reparação Em 18 de agosto de 2010, a Comissão de Anistia concedeu à família de Betinho uma indenização mensal, além de um montante retroativo, em razão da perseguição política sofrida por ele durante a ditadura militar, comprovada por documentos encontrados nos arquivos do antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Sua viúva, Maria Nakano, também recebeu o direito a uma pensão vitalícia. A Ditadura Militar foi um regime autoritário que começou através do golpe de 1964, no qual o presidente da época, João Goulart, acabou sendo deposto. O regime durou 21 anos e tem como principais características a violenta perseguição à oposição, a censura à imprensa e a redução de direitos. Tomara que este regime não volte. Ou já voltou?
Eike Batista decide delatar banqueiros e o tucano Aécio Neves

– Quando foi governador de Minas Gerais e senador, o hoje deputado teria recebido vantagens em troca de favores ao grupo EBX Leia também https://emcimadanoticia.com/2019/10/14/para-proteger-aecio-e-temer-gangue-da-lava-jato-inventou-denuncia-contra-lula/ https://emcimadanoticia.com/2019/09/19/morre-henrique-valladares-que-delatou-aecio-neves-te-cuida-fred/ Um dos principais articuladores do golpe de 2016, que provocou a queda da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), o hoje deputado Aécio Neves (PSDB), será envolvido em mais uma delação: a do empresário Eike Batista, de acordo com informações do colunista Lauro Jardim, de O Globo. Quando foi governador de Minas Gerais e senador, o tucano teria recebido vantagens em troca de favores ao grupo EBX. A delação atinge também banqueiros. Eike detalha como, segundo ele, à época da ruína do império X, instituições financeiras lhe ajudaram a jogar no colo de seus sócios prejuízos que caberiam a ele. No enredo brilham dois bancos de investimentos, um brasileiro e outro estrangeiro.
Sobe para 44 o número de mortos em Minas Gerais, por causa das chuvas

– O número de mortes em Minas Gerais por causa das chuvas aumentou para 44 pessoas conforme último boletim divulgado pela Defesa Civil do estado. A quantidade de desaparecidos também aumentou e chegou a 19 pessoas. A reportagem do portal Uol informa que “a sensação é de que o pior passou e a água baixou em muitas cidades. Outra boa notícia é que o sistema de meteorologia informou que não haverá chuvas fortes nesta segunda-feira. Na terça-feira, pode chover até 100 milímetros no interior e equipes estão sendo deslocadas para um trabalho de prevenção.” A matéria ainda lembra que “nos locais em que a água baixou, começou o trabalho de reconstrução. Há carência de materiais de limpeza, colchões e roupa de cama e doações estão sendo recebidas. Minas Gerais tem 99 cidades com situação de emergência decretada.”
Sobe para 30 o número de mortos na Região Metropolitana de Belo Horizonte

– Segundo a Defesa Civil, 2620 pessoas estão desalojadas no Estado – Além de mortos e feridos, as chuvas que castigam MG têm deixado um rastro de destruição em várias regiões do Estado, como na Grande BH / Larissa Costa | BDF (MG) Chegou a 30 o número de pessoas mortas pelas chuvas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, outras sete vítimas ficaram feridas. O número de desalojados no Estado é de 2620 pessoas. Já os desabrigados passam de 900. O levantamento é da Defesa Civil de Minas Gerais, divulgado na tarde deste sábado (25). Outras 17 pessoas permanecem desaparecidas. Ao todo, 36 municípios foram atingidos em território mineiro, mas a situação é mais grave na Grande BH. O Corpo de Bombeiros esteve mobilizado em várias regiões durante todo o dia. Foram registradas ocorrências de inundação de córregos e ribeirões e desabamentos de casas e soterramentos em diversos bairros e em cidades vizinhas à capital, como Ibirité, Betim e Juatuba, onde a Prefeitura decretou situação de emergência. Os municípios de Contagem e Raposos também foram duramente atingidos pelas chuvas, que castiga o Estado desde a última quinta-feira (23). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Belo Horizonte teve, entre quinta e sexta-feira (24), as 24 horas mais chuvosas da história desde o início da medição, há 110 anos. O acumulado de chuva no período chegou a 171,8 milímetros.
Vídeo: Papa Francisco pede orações às vítimas de Brumadinho um ano após o crime

– Em pronunciamento, o pontífice também lamentou a contaminação da bacia fluvial No dia que marca um ano do crime de Brumadinho, neste sábado (25), o Papa Francisco divulgou um vídeo, no qual pede orações às 272 vítimas fatais, aos 11 desaparecidos e às suas famílias. Além disso, o Papa também lamenta a contaminação do meio ambiente causada pelo descaso. “Neste primeiro aniversário da tragédia de Brumadinho, rezemos pelos 272 irmãos e irmãs que foram soterrados. E lamentamos a contaminação de toda a bacia fluvial. Ofereçamos nossa solidariedade às famílias das vítimas, um apoio à Arquidiocese e a todas as pessoas que estão sofrendo e que necessitam de nossa ajuda. Com a intercessão de São Paulo, que Deus nos ajude a recuperar e proteger a nossa casa comum”, diz a mensagem. O Papa Francisco não cita dados oficiais, mas números dos atingidos, que consideram as duas gestantes mortas pelo rompimento da barragem no Córrego do Feijão. Homicídio Durante esta semana, o Ministério Público estadual de Minas Gerais (MP-MG) denunciou, por homicídio duplamente qualificado, Fabio Schvartsman, o ex-presidente da Vale; 11 funcionários da mineradora e cinco da empresa de certificação, testes e inspeções Tüv Süd, que atestou a segurança da barragem. Assista o vídeo
UM ANO DO CRIME DE BRUMADINHO: VIDAS SEGUEM DESTRUÍDAS, MAS VALE VOLTA A LUCRAR

– Empresa já recuperou seu valor de mercado. Sem perspectivas de renda, 93 mil pessoas tiveram auxílio cortado pela metade – Edilaine Pereira Coimbra nunca teve relação com a Vale, mas estava no rio Paraopeba quando chegou a lama, como muitos naquele 25 de janeiro de 2019. Só teve tempo de cortar as 25 linhas, juntar os três filhos que criou com o rendimento da pesca da curimba e seguir pela trilha que não teria mais volta. A vida ficou escassa. Hoje a pescadora sobrevive do salário mínimo que recebe da Vale e da venda de guloseimas pelas ruas de barro sequer registradas na Prefeitura de Betim, a 25 km de Brumadinho. “Eu garanto a você, todo mundo queria a vida que tinha. Nós queríamos nosso rio aí limpo. Era muito mais do que estar aí todo mês pegando um salário mínimo, que agora nem um salário mais é. Acha que a gente tá pedindo esmola. E ninguém tá pedindo esmola. Se ela fez, a obrigação dela é pagar.” Edilaine Pereira Coimbra nunca teve relação com a Vale, mas estava no rio Paraopeba quando chegou a lama, como muitos naquele 25 de janeiro de 2019. Só teve tempo de cortar as 25 linhas, juntar os três filhos que criou com o rendimento da pesca da curimba e seguir pela trilha que não teria mais volta. A vida ficou escassa. Hoje a pescadora sobrevive do salário mínimo que recebe da Vale e da venda de guloseimas pelas ruas de barro sequer registradas na Prefeitura de Betim, a 25 km de Brumadinho. “Eu garanto a você, todo mundo queria a vida que tinha. Nós queríamos nosso rio aí limpo. Era muito mais do que estar aí todo mês pegando um salário mínimo, que agora nem um salário mais é. Acha que a gente tá pedindo esmola. E ninguém tá pedindo esmola. Se ela fez, a obrigação dela é pagar.” Um ano após o maior crime socioambiental da história do Brasil matar 259 pessoas e deixar 11 desaparecidos, em Brumadinho, a Vale cortará pela metade o auxílio emergencial de pelo menos 93 mil pessoas que vivem ao longo dos 48 municípios impactados pela lama despejada na bacia do rio Paraopeba. Previsto no Termo de Acordo Preliminar (TAP) firmado em fevereiro de 2019, o pagamento emergencial – com valor limitado a até um salário mínimo – é atualmente parte do sustento de 108 mil pessoas, que vivem na área entre Brumadinho e o município de Pompéu – a 273 km do local do rompimento da barragem. O valor integral do auxílio, que já é considerado insuficiente pelos atingidos, permanece apenas onde a mineradora definiu como “zona quente”, composta pelas comunidades de Córrego do Feijão, Parque da Cachoeira, Alberto Flores, Cantagalo, Pires, e do entorno do Ribeirão Ferro-Carvão, onde vivem entre 10 a 15 mil pessoas. “A gente sabe que sozinhos somos pequenos. Essa noção de ser pequeno a Vale também tinha, porque senão ela não deixaria essa barragem romper no nosso território. Porque ela sabia o tempo todo que essa barragem ia romper, mas por ser Córrego do Feijão, um bairro rural, pequeno, ela deixou que acontecesse. Porque ali é um bando de trabalhador… ‘que direitos que eles vão ter?’, ‘que direitos que eles vão conquistar?’. Exemplo disso são as indenizações. Nessa tragédia de Brumadinho, elas são pequenas. Elas não têm caráter punitivo. Pra Vale, isso não é nada. Porque ela está pagando indenização, mas sai em superávit trimestral”, questiona Jeferson Custódio, presidente da Associação dos Moradores do Córrego do Feijão. Na comunidade não circulam mais pessoas, somente caminhões carregando poeira e medo do que a Vale não conta aos moradores. Das 272 pessoas mortas no rompimento da barragem, 27 eram do Córrego do Feijão. Custódio relata que 49 famílias já deixaram a comunidade por conta do trauma ou por terem suas propriedades compradas pela mineradora. Os efeitos do crime ainda são evidentes nos locais atingidos. Falta água potável, acesso à saúde e a políticas púbicas, a agricultura definha e o turismo deixou de existir na região. Moradores sucumbem ao adoecimento físico e mental enquanto assistem o desmonte das comunidades rurais e ribeirinhas. Com os modos de vida destruídos, não há perspectiva para recomposição da renda.”Uma que a gente não está conseguindo trabalhar, porque está todo mundo à base do remédio. Todo mundo. Eu mesma tomo várias quantidades de remédio. Eu fui comprar ficou por R$ 380. Aí, vamos supor que a Vale pague nós. Vamos supor não, ela vai pagar só meio salário, mas R$ 380 é para os remédios”, argumenta a agricultora Maria Aparecida da Silva Soares, da comunidade do Tejuco, zona rural de Brumadinho, que cultivava hortaliças há 21 anos.Enquanto isso, no mundo dos negócios a Vale não demonstra mais sinais de trauma pela tragédia que provocou há um ano. A empresa atingiu o valor de mercado de R$ 301 bilhões, R$ 5 bi a mais do que registrava quando do rompimento da barragem. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo.Antes disso, em dezembro, a mineradora anunciou a distribuição de R$ 7,25 bilhões a acionistas, pelos resultados da empresa em 2019. O valor é maior que o total investido nas reparações socioambientais do crime de Brumadinho. Segundo a empresa, no ano passado foram aplicados R$ 6,55 bilhões em indenizações e obras. A VIDA DE QUEM SE TORNOU DEPENDENTE DA VALE Apesar das propagandas da Vale, que exaltam ações de reparação ao crime nos principais veículos de comunicação do país, a realidade dos atingidos é o desalento. No bairro da agricultora Maria Aparecida da Silva, o Tejuco, há três mineradoras, além da Vale, o que faz com que o tráfego de caminhões seja intenso – e incessante dia e noite – nas ruas da comunidade. Logo após o rompimento da barragem, com o fechamento das estradas no entorno do Córrego do Feijão e do Parque da Cachoeira, o Tejuco passou a ser a principal via de escape para as operações de resgate e para os veículos das obras emergenciais. Desde
Prefeito Zé Galego, de Bonito de Minas, morre e ‘inaugura’ o cemitério que ele construiu

– O corpo José Pedro Pires da Rocha (PSB), o Zé Galego, foi o primeiro a ser sepultado na parte da ampliação, considerada como um ”novo cemitério”, em Bonito de Minas Por Luiz Ribeiro – Estado de Minas Na novela “O Bem Amado”, do dramaturgo Dias Gomes (1922/1999), levada ao ar na década de 1970, o prefeito da fictícia cidade de Sucupira, Odorico Paraguaçu, interpretado por Paulo Gracindo (1911/1995), tem como principal meta inaugurar um cemitério, mas não consegue alcançá-la porque na cidade ninguém morre. Por ironia do destino, ao final da história, o próprio prefeito “inaugura” a obra, onde é o primeiro a ser enterrado. Situação parecida com a da ficção ocorreu em Bonito de Minas, de 11,2 mil habitantes, distante 644 de Belo Horizonte, no Norte de Minas. No último fim de semana, emocionados, os moradores acompanharam o velório e o sepultamento do prefeito da cidade, José Pedro Pires da Rocha (PSB), o Zé Galego, de 64 anos. O corpo dele foi o primeiro a ser sepultado na parte da ampliação do cemitério municipal de Bonito de Minas, na prática, considerada como um “novo cemitério”, construído durante sua própria gestão. A obra ainda está em fase de acabamento. Emancipado de Januária em 1997, Bonito de Minas possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,537, um dos mais baixos de Minas Gerais. Por outro lado, o município tem uma grande extensão territorial (3.914 quilômetros quadrados). Eleito vice-prefeito em 2016, Galego tinha assumido o comando da prefeitura em abril de 2018, tendo em vista que o então titular, José Reis, (PHS), se afastou do cargo para ser candidato a deputado estadual e foi eleito com 45.746 votos. A morte de José Pedro Rocha ocorreu sexta-feira passada. Ele viajava sozinho para Brasília (DF) e, na estrada, sentiu uma dor no peito. Procurou um hospital de Planaltina (GO), onde teve um infarto. Os médicos tentaram reanimá-lo, sem sucesso. O corpo do chefe do executivo foi velado no prédio da prefeitura. O caixão foi coberto com uma bandeira do município. O enterro ocorreu no fim da tarde de domingo, com acompanhamento de cerca de 500 pessoas. Na descida do caixão à sepultura, o clima de emoção aumentou mais ainda, ao som da marcha fúnebre de Chopin, executada por um morador. Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal, o vereador Dilson Barbosa Santana (PP), o “Dilson de Senhorinha”, foi empossado como prefeito de Bonito de Minas. Na prática, ele só vai iniciar os trabalhos na prefeitura na quarta-feira, porque, com a morte de Zé Galego, foi decretado luto oficial no município nesta segunda e terça-feira. O novo prefeito evitou fazer comentários sobre o fato do seu antecessor ter sido o primeiro a ser enterrado no “novo” cemitério. “Acho que Deus marcou a chegada do dia dele e aconteceu isso, mas não posso falar sobre essa questão do cemitério”, disse Santana. Ele contou que mesmo continuando no grupo político local do prefeito morto (liderado pelo deputado José Reis), quando Zé Galego assumiu o comando da prefeitura, ele passou a fazer oposição ao então chefe do executivo. A obra O ”novo” cemitério de Bonito de Minas fica ao lado do antigo cemitério da cidade, separados por um muro. A obra foi iniciada pela prefeitura há cinco meses como uma “ampliação” do cemitério antigo, que tem mais de 70 anos. As vagas para sepultamentos no local se aproximam do fim, o que motivou a expansão. Para a conclusão da obra ainda falta o término de uma capela e do calçamento (de uma passarela). De acordo com um servidor municipal de Bonito de Minas, uma pessoa da família de Zé Galego pediu que ele fosse sepultado no “novo cemitério”antes mesmo da conclusão dos serviços previstos, tendo em vista que, “por uma que questão de justiça” , o prefeito deveria ser enterrado “numa obra feita por ele”. Uma moradora do município (que pediu para não ser identificada), revelou que, quando o então prefeito anunciou que iria ampliar o cemitério da cidade, fez uma brincadeira com Zé Galego. “Eu perguntei: você não tem medo de fazer o novo cemitério e morrer para ser um dos primeiros a enterrados lá não?”. Aí, ele respondeu: “eu não acredito nessas coisas”, relatou a fonte. Reconhecimento Na obra memorável de Dias Gomes, o prefeito Odorico Paraguaçu é corrupto e cheio de artimanhas. Ao contrário do personagem da ficção, Zé Galego era considerado correto. “Ele era um prefeito muito honesto, que procurava colocar as contas da prefeitura em dia”, testemunhou a moradora de Bonito de Minas ouvida pela reportagem. A prefeita Nívea Maria de Oliveira (PTB), de Itacarambi, município vizinho a Bonito de Minas, divulgou nota, ressaltando as qualidades do colega que morreu no exercício do cargo. “Com muita tristeza recebemos o anúncio do falecimento do prefeito Zé Galego, de Bonito de Minas. Um senhor honrado. Homem de muitas virtudes e múltiplos valores deixa um legado de fé, de uma vida dedicada a servir ao próximo, a amar seu povo e a defender o município de Bonito de Minas”, diz Nívea Maria.
Cidades do Norte de Minas estão em alertas com previsão de chuva intensa, nas próximas horas

– De acordo com a Defesa Civil, diversas cidades do norte de Minas Gerais podem ser atingidas por chuvas entre moderadas e fortes, com períodos de tempestades mais intensas, no decorrer das próximas horas. As cidades norte-mineiras que as chuvas poderão ser mais intensas são: Bocaiúva, Brasília de Minas, Buenópolis, Coração de Jesus, Corinto, Mirabela, Montes Claros, Patis, São João da Ponte, Janaúba, Pirapora, Várzea da Palma e Varzelândia. Em caso de emergências, acione o Corpo de Bombeiros pelo 193. Não passe em locais de risco de inundação durante a chuva. Não atravesse ruas alagadas. Tenha cuidado redobrado com crianças em caso de enxurradas. Não se abrigue nem estacione veículos debaixo de árvores. Jamais se aproxime de cabos elétricos rompidos. Ligue imediatamente para a Cemig (116) ou a Defesa Civil (199). Em caso de raios, não permaneça em áreas abertas e altas e evite usar equipamentos elétricos. Alertas podem ser recebidos via SMS. Basta enviar o seu CEP para o número 40199. Cadastro é gratuito. Em Itacarambi, mesmo não constando nas lista de alerta, as autoridades daquela cidade banhada pelo Rio São Francisco, estão em alerta para grande volume de chuva emitido pelo Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais- SIMGE, e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, diante de um comunicado da Defesa Civil de Minas Gerais. A estratégia do município é monitorar as áreas de risco, visitando e alertando os moradores do centro e dos bairros , São José, Nossa Senhora de Fátima, Ribeirinhos e em torno. A Prefeitura está oferecendo suporte para às famílias, com abrigo público seguro, onde o papel principal é acomodar as pessoas e seus pertences. A informação é do jornalista Vailton Ferreira, do Portal Itacarambi.
Ministério da Saúde nega suspeita sobre caso de coronavírus em MG

– Pasta diz que o vírus tem transmissão ativa comprovada apenas na cidade de Wuhan, por onde não passou a paciente brasileira – O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira 22, que a investigação sobre um possível primeiro caso de coronavírus no Brasil não se enquadra na definição de “suspeita” da OMS, a Organização Mundial da Saúde. Uma mulher de 35 anos está internada desde terça-feira 21, e, segundo divulgado pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, ela seria uma possível paciente com coronavírus. No entanto, a OMS afirma que a única área com transmissão ativa do vírus é a província de Whuan, também na China – local no qual a brasileira não esteve presente, apesar de ter estado em Xangai até a semana passada. Com base nisso, o Ministério da Saúde afirmou que não há nenhuma suspeita, de fato, da doença no Brasil. O caso ainda está sob investigação e a paciente não apresenta sinais de gravidade clínica comprovada. Por precaução, a Secretaria de Saúde de Minas informou que foram tomadas “todas as medidas assistenciais para redução de risco de transmissão”. Mesmo assim, a pasta divulgou também cuidados básicos para reduzir o risco geral de infecções respiratórias agudas, como é o caso do coronavírus, que se manifesta no corpo a partir de uma pneumonia. “Entre as orientações estão: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas; realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente; evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações”, diz o Ministério.