STF derruba ação popular e mantém proibição da oferta de “cura gay” por psicólogos

 – Supremo decidiu manter a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe qualquer prática de reversão sexual – O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta terça-feira (21) a ação popular movida por um grupo de psicólogos alinhados a questões religiosas que defendem o uso da “cura gay” em terapias. Dessa forma, a Corte optou por manter a resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 01/99 que proíbe o oferecimento de qualquer prática de reversão sexual. O grupo de psicólogos a favor da “cura gay” pediam para anular uma decisão da ministra Cármen Lúcia, que em abril de 2019 concedeu uma liminar cassando a decisão de um juiz que permitia a prática. A decisão em questão foi tomada em 2017 por Waldemar Cláudio de Carvalho, juiz de Brasília, que acatou o questionamento de uma psicóloga sobre a resolução do Conselho. Na ocasião, o magistrado determinou que os psicólogos não poderiam oferecer o tratamento, mas sim prestar auxílio aos interessados em mudar a orientação sexual. O Conselho Federal de Psicologia, que sempre se posicionou contra a medida, comemorou a decisão. “Vitória da Psicologia. Vitória da diversidade”, disse o órgão em suas redes sociais.

Professor Dílson de Senhorinha assume a Prefeitura de Bonito Minas

– A Câmara municipal de Bonito de Minas empossou, na manhã desta segunda-feira (20), o presidente do Legislativo Bonitense , Dílson Barbosa Santana, conhecido por Dílson de Senhorinha (PP), por causa do falecimento do Prefeito José Pedro Pires da Rocha, o popular Zé Galego, ocorrido na última sexta-feira (17), em Brasília -DF, vítima de infarto. Tatiane Borges (Cidadania) assume a presidência da Câmara. Em fevereiro a Justiça Eleitoral irá diplomar Delcides de Manoel de Silú, suplente de Dílson de Senhorinha, para o cumprimento do mandado até o fim de 2020. O prefeito “Zé Galego” era vice do então prefeito Zé Reis (PSD), que se afastou do cargo para se candidatar a deputado estadual em 2018 e foi eleito, tendo assumido o Executivo desta cidade desde então. A informação é do jornalista Vailton Ferreira, de Itacarambi

Capelinha: 19º vítima de intoxicação por dietilenoglicol é do Vale do Jequitinhonha

 – Prefeitura divulgou nota afirmando que o morador de Capelinha, a esposa e um amigo compraram 15 garrafas de Belorizontina em supermercado de Lagoa Santa (MG). Homem está internado em BH. – A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, nesta sexta-feira (17/01/2020), que a 19ª vítima de intoxicação por dietilenoglicol após ingerir a cerveja Belorizontina, da Cervejaria Backer, é um morador de Capelinha (Vale do Jequitinhonha). O homem é marido de uma médica e está internado no Hospital João XXII, em Belo Horizonte ENTENDA O CASO A médica, o marido e um amigo passaram o Réveillon em um sítio na Serra do Cipó (Lapinha, em Lagoa Santa). Eles compraram 15 garrafas da cerveja Belorizontina Lote L2 1354 em um supermercado e, segundo relato da esposa, o marido consumiu a maior quantidade da bebida. Os três apresentaram, no dia e na semana seguinte, sintomas gastrointestinais: vômitos e diarreia. Segundo informações de técnicos da Vigilância em Saúde da Regional de Saúde de Diamantina, “não foi possível realizar visita domiciliar, apenas contato telefônico, pois o casal não está em Capelinha, e não há outros familiares que possam responder pelo ocorrido”. O marido da médica foi atendido no hospital de Capelinha, onde realizou exames laboratoriais básicos disponíveis. Devido a sintomas neurológicos (dificuldades de enxergar), deslocou-se em carro próprio para o Hospital João XXIII e está internado no Setor de Toxicologia. Foi realizada coleta para exames na FUNED (Fundação Nacional Ezequiel Dias). O amigo do casal, que também consumiu a cerveja, mora em Montes Claros e, segundo informações, apresentou vômitos e diarreia, sem outros sinais. NÃO HÁ MOTIVO PARA PÂNICO – A Secretaria de Saúde de Capelinha informa que não há motivo para pânico, uma vez que apenas as pessoas que consumiram a cerveja Belorizontina estão propícias a apresentar os sintomas de intoxicação. A Equipe de Vigilância em Saúde de Capelinha participou ativamente das atividades investigatórias no município. A Vigilância Sanitária da cidade realizou, dias atrás, ação preventiva nos estabelecimentos que comercializam cerveja, porém não foi encontrada nenhuma unidade da cerveja Belorizontina nas prateleiras nem nos estoques. Foram tomadas então medidas educativas e de orientação. Intoxicação por dietilenoglicol Até a data de 17/01/2020, foram notificados 19 casos suspeitos de intoxicação exógena por dietilenoglicol. Até o momento, são 17 homens e duas mulheres. Quatro pacientes tiveram a presença da substância tóxica confirmada por exames – um deles morreu. Outros três óbitos seguem sob suspeita. A morte confirmada ocorreu em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morava em Ubá, na mesma região, e faleceu em 7 de janeiro. Sobre os demais óbitos, dois ocorreram em Belo Horizonte – na quarta (16) e na quinta-feira (17) – e um em 28 de dezembro, em Pompéu, na região Central. Dos 19 registros que estão sendo acompanhados pela SES, 12 são de moradores da capital. Os restantes são de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, Nova Lima, na Grande BH, Pompéu e São João Del Rei, na região Central, São Lourenço, no Sul de Minas, e Ubá e Viçosa, na Zona da Mata. Orientações A SES orienta à população de Minas Gerais que caso tenha em sua residência cervejas de qualquer marca ou lote produzida pela Cervejaria Backer não a descarte em pias ou vasos sanitários, nem as coloque no lixo comum, pois outras pessoas podem pegar e consumir esses produtos. Estas cervejas devem ser identificadas com alguma inscrição do tipo: “Não ingerir. Produto impróprio para o consumo”, armazenadas separadamente dos demais alimentos até que você possa entregá-los nos pontos de recepção (Vigilância Sanitária de sua cidade, Núcleos Estaduais de Vigilâncias Sanitárias ou PROCONs). Fontes: Prefeitura de Capelinha e Jornal Hoje em Dia. Via: Blog do Banu

BURITIZEIRO: “ARRAIAL DOS BURITIS” NA MIRA DA JUSTIÇA

 – Prefeito, Secretários, Empresas e Empresários têm Patrimônios BLOQUEADOS até o montante de quase R$ 1 MILHÃO, por suposta IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. – Ministério Público de Minas Gerais – MPMG pede, e a Justiça DECRETA o afastamento de Secretário Municipal de Cultura de Buritizeiro, e BLOQUEIO de quase R$1 milhão em bens móveis e imóveis do Prefeito JORJÃO, do Secretário JAPHO BILRO, e demais envolvidos em supostas fraudes em processos licitatórios de 2018 e 2019 da Festa “ARRAIAL DOS BURITIS” DO PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO – Inquérito 0512.19.000421-2 O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Pirapora, ajuizou Ação Civil Pública (ACP) por ato de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA com pedido de tutela provisória de urgência contra o prefeito de Buritizeiro, o secretário e o ex-secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Juventude, a atual pregoeira e o ex-pregoeiro do município e, ainda, contra quatro empresas e seus quatro responsáveis legais. A ação pede o afastamento imediato do secretário municipal, com o corte de remuneração, e a indisponibilidade dos bens dos requeridos no valor total de R$ 976 mil. Segundo o Ministério Público Estadual, os agentes públicos, empresas e os empresários são acusados de fraudarem o caráter competitivo de dois processos licitatórios, realizados em 2018 e 2019 pelo município de Buritizeiro, com a finalidade de contratar empresa para a organização e a realização do evento “Arraial dos Buritis”, com a exploração comercial da área destinada à festa. Conforme demonstrado por Inquérito Civil Público instaurado pelo MPMG em setembro de 2019, o esquema foi executado de forma a beneficiar as empresas dos empresários requeridos. Agindo assim, os agentes praticaram atos de improbabilidade administrativa, conforme o art. 10, caput e inciso XII, da Lei 8.429/92. O promotor de Justiça João Roberto Silva Júnior descreve, na ACP, os fatos fraudulentos originados dos atos praticados pelos agentes. Entre eles, estão: a criação de empresa fictícia; a inexistência de orçamento detalhado em planilha; a restrição ao caráter competitivo do certame; a impropriedade na forma de contratação que incluiu exploração de bem público por particular; a apresentação de proposta fictícia; a fixação de preços de vendas de produtos à população sem realização de orçamento e estudos prévios; e a utilização de bens e serviços públicos pelo secretário municipal para atender interesses pessoais, configurando exercício vedado de atividade empresarial por agente público. Segundo a ação, o secretário municipal de Buritizeiro “vem exercendo, efetivamente, atividades incompatíveis com o cargo que exerce, dele se valendo para obtenção de vantagens pessoais, tendo, inclusive, se apresentado à comunidade local como o responsável pela venda dos camarotes empresariais, destacando até que parcelaria o valor no cartão de crédito”. Ainda conforme a ACP, além de exercer o cargo público, o secretário possui empresa de promoção de eventos, realizando festas locais patrocinadas por empresa que possui vínculo contratual com o município de Buritizeiro. A ação destaca ainda que as condutas dos agentes geraram danos ao erário ao impedirem que o município obtivesse proposta mais vantajosa, direcionando o objeto da licitação. Informa, também, que em setembro do ano passado, a 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Pirapora pediu esclarecimentos sobre os fatos ao prefeito. No entanto, dois meses depois, não havia ainda recebido resposta. Para além do afastamento do secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Juventude e da indisponibilidade de bens dos agentes, a ACP pede que sejam declarados nulos os contratos firmados em 2018 e 2019 com as empresas dos empresários requeridos e que todos os envolvidos sejam condenados pela prática dos atos de improbidade administrativa, aplicando-lhes as sanções do art. 12 da Lei 8.429/92, e ao pagamento das custas e despesas processuais, como ônus da sucumbência. DA DECRETAÇÃO DA INDISPONIBILIDADE DE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS DO PREFEITO, DO SECRETÁRIO, DOS PREGOEIROS (ATUAL E ANTERIOR), E DAS EMPRESAS E RESPECTIVOS EMPRESÁRIOS, E DO AFASTAMENTO DO SECRETÁRIO DE CULTURA No último dia 10 de Janeiro de 2020, o Exmo. Sr. Juiz de Direito da Comarca de Pirapora, Dr. Spagner Wallysen Vaz Leito, DEFERIU o pedido liminar do Ministério Público, e DECRETOU a INDISPONIBILIDADE dos bens móveis e imóveis do Prefeito JORGE HUMBERTO RODRIGUES, bem como de MARCIO ROBERTO DE OLIVEIRA, CIA. FIVELA DE PRATA LTDA., PAULO RICARDO MAGALHÃES BORGES, MAGABOR PRODUÇÕES E SERVIÇOS EIRELLI, JAPHO BILRO DE FREITAS, CLAUDIO ANTONIO PAULINO, MARIA APARECIDA DOS SANTOS , HIGOR EMANUEL WALDOLATO, ANDRÉ EUSTÁQUIO DE CAMPOS, POWER SON EVENTOS & PRODUÇÕES LTDA – ME, WHARLEY MARQUES DE LIMA e LUTARE SERVIÇOS LTDA, até o montante de R$ 976.000,00 (Novecentos e setenta e seis mil reais). Além de DETERMINAR o AFASTAMENTO IMEDIATO de JAPHO BILRO DE FREITAS, de suas funções como SECRETÁRIO DO MUNICÍPIO DE BURITIZEIRO, como PREJUÍZO da REMUNERAÇÃO. COMISSÃO PROCESSANTE NA CÂMARA MUNICIPAL DE BURITIZEIRO Cabe ressaltar que referido caso foi ainda Objeto de uma Comissão Processante instaurada no âmbito da Câmara Municipal de Buritizeiro, no último mês de Novembro de 2019, mas cujo relatório, levado à apreciação do Plenário da Casa, foi ARQUIVADO. Como dá-se agora início a um Novo Ano Legislativo, pode ser que os Vereadores queiram reapresentar a Denúncia, agora mais que amparados pela ACP do Ministério Público de Minas Gerais, ainda mais tratando-se de um Ano Eleitoral, onde ainda pode dar tempo de se redimir com o Eleitorado Buritizeirense, que vem se caracterizando, nos últimos pleitos, por uma posição de vigilância à atuação de seus representantes, com resultados mais que surpreendentes nas urnas.

UNIMONTES – Ano começa com desafios na luta pela universidade e por valorização dos professores

A rejeição das emendas (nºs 1.030, 1031 e 1.032) que tratavam da destinação de recursos para as universidades Estadual de Montes Claros (Unimontes) e do Estado de Minas Gerais (Uemg), além da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), pela Assembleia Legislativa, vai exigir dos professores mais união e adesão à luta pela valorização da categoria e fortalecimento da universidade. Uma das preocupações da categoria é o projeto de reforma da Previdência dos Servidores do Estado, que o governador Romeu Zema anunciou estar pronto para ser enviado à Assembleia, o que poderá ocorrer já em fevereiro, quando os deputados retornam do recesso parlamentar (dia 3). “Teremos um ano de muita luta. Além da nossa Previdência, há também a questão do 13º Salário, que ainda não foi pago para boa parte dos servidores da Educação. Não aceitaremos essa ‘disonomia’ criada por Zema, que favorece os servidores da segurança pública em detrimento dos demais”, diz a presidente da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), Ana Paula Thé. Ela destaca que o primeiro ano do governo Zema foi especialmente negativo para a Educação, onde nem os 25% obrigatórios para a Educação foram investidos. Ficou apenas em 19%. Essa é uma das lutas que os professores da Unimontes travarão em 2020, com a entidade à frente. “Esse ano foi especialmente difícil, pois nossa categoria e a universidade como um todo fomos vítimas de ataques que comprometeram nossos salários e condições de trabalho e ameaçaram a autonomia da Unimontes”, resume Ana Thé. A professora se refere ao que os educadores públicos classificam de desmantelamento da universidade pública, com o objetivo de privatizá-la. Nessa linha, o governo promoveu uma série de cortes no custeio e investimentos da instituição. De acordo com ela, apesar dos percalços, a categoria conquistou avanços, como impedir algumas ofensivas da reitoria, como o retorno do Adicional de Dedicação Exclusiva, que havia sido revogado. Flexibilizar a Portaria que estabelecia o Índice de Produtividade (Indprod) – para que os coordenadores de pós-graduação emitam declaração classificando os professores segundo seu desempenho – foi outra vitória, na avaliação da presidente da Adunimontes. Para 2020, a entidade pretende cobrar o cumprimento do acordo de greve com o Estado, que prevê a implantação do Plano de Carreira imediatamente após o fim dos impedimentos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF); lutar pelo pagamento do 13º Salário dos trabalhadores do ensino e pela isonomia entre as categorias; e para garantir a preservação da Unimontes como universidade pública, de qualidade e gratuita. Fonte: Waldo Ferreira/Ascom/Adunimontes – Fotos: Divulgação

Após super reajuste, Zema adia reforma de previdência e reforça privilégio aos militares

– A crise em Minas não existe para os militares. Embora não deixe de mencionar a situação fiscal do estado em nenhum pronunciamento ou aparição pública, o governo Zema parece se esquecer dela quando o assunto afeta interesses dos servidores estaduais fardados. Os militares mineiros receberam no final de 2019, junto com todo o pessoal de segurança pública estadual, a promessa de aumentos de 37% nos próximos três anos, o que segundo nossos cálculos vai consumir a economia de R$ 6 bilhões feita com adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal. Agora, eles não precisarão se preocupar com a Reforma da Previdência por pelo menos mais um ano. O governo de Minas foi um dos nove que assinaram uma medida que adia em um ano o início da vigência dos pontos da reforma que atingem policiais e bombeiros militares. Com essa atitude, Zema mais uma vez os coloca numa posição de privilégio muito maior que as demais categorias de servidores estaduais. Segundo a Folha de São Paulo, a justificativa do governador é de que, caso não aderisse ao decreto, o Estado poderia perder 7 mil militares em condições de se aposentarem ao final de 2019. Fora isso, a categoria representaria uma importante base do governo, conquistada no momento em que o governador se alinhou a Bolsonaro e seu discurso militarista. Se continuar assim, a obsessão do atual governo do Estado pela segurança na base da força representada pela Polícia Militar, além de torná-lo refém das fardas, coloca em risco a popularidade do governador. Zema, que constrói seu discurso e justifica todas suas ações com base no fato de Minas estar quebrada, pode ser desbancado pelas medidas financeiramente irresponsáveis em prol dos militares e pelo desdém para com as demais categorias. Via: Os Novos Inconfidentes

O que está por trás das denúncias contra a Belorizontina e a Backer?

 – Independentemente das apurações e análises laboratoriais que ainda estão em curso, o estrago contra a Backer e todas as cervejas artesanais já está feito. E quem ganha com isso é o monopólio da Ambev ‌ – Por Keirison Lopes* Tenho uma intensa relação com cervejas. Primeiro por razão óbvia: adoro aquele líquido. Além da relação pessoal, por ser um organizador de blocos de Carnaval e escola de samba, comecei a entender melhor os aspectos comerciais que envolvem esse bilionário mercado, que está acima de todas as crises econômicas. As cervejarias são as principais patrocinadoras da folia. Com a desastrosa (des)organização do Carnaval por parte da Prefeitura de Belo Horizonte, que não apoia devidamente os verdadeiros realizadores do evento (blocos e escolas de samba), a dependência dos patrocínios privados para colocar o bloco na rua é enorme. E a gigante das cervejas, a Ambev, sabe disso. Há anos, ela mantém uma relação umbilical com os dirigentes da Belotur (empresa de turismo municipal). Ela ganha o edital de patrocínio máster e vira a cerveja exclusiva do Carnaval. O poder público, indevidamente, cuida de garantir a exclusividade da comercialização e divulgação da marca e fiscais da PBH se transformam em capitães do mato invadindo os desfiles e confiscando tudo que não for divulgação da patrocinadora oficial. Com o ocorrido com a Cerveja Belorizontina e com a Backer, tudo leva a crer que a Ambev vai ter vida ainda mais fácil neste Carnaval. Sem dúvida, ela é a principal beneficiada com as denúncias da Polícia Civil e Ministério da Agricultura contra a cervejaria de Belo Horizonte, que é suspeita de ter dois lotes de produção contaminados com uma substância tóxica que pode ter levado a óbito uma pessoa e deixando enfermas outras nove. O caso vai impactar diretamente no Carnaval, período em que cerveja é o produto mais consumido. A situação que já estava difícil na vida financeira dos blocos, vai piorar muito. Apesar de contribuir com patrocínios menores, as cervejas artesanais investem em alguns blocos. O Volta Belchior, por exemplo, foi patrocinado nos dois últimos anos por elas. E as negociações para renovação, que estavam em curso, foram suspensas em função dos últimos acontecimentos. Nesta sexta-feira, o Ministério da Agricultura determinou o fechamento de toda a fábrica da Backer. A decisão vai cair como uma bomba não só para aquela empresa, mas atinge todas as marcas de cerveja artesanal que estão conquistando o mercado e tirando vendas das empresas do todo poderoso Jorge Lemann, dono da Ambev. De uns anos pra cá, comecei a perceber que amigos faziam uma pergunta comum ao chegar em um bar: “tem cerveja puro malte?”. No início, confesso que achei frescura. Depois, percebi que a pergunta fazia todo sentido. As cervejas mais vendidas, da Ambev, tinham como base na produção o milho e não a cevada, e, com certeza, as suas vendas sofriam grande impacto com a percepção do brasileiro que estava há anos sendo enganado. Comecei a fazer a seguinte pergunta: “como a Ambev vai reagir para não perder ainda mais mercado? Inteligentemente, no início, ela não criou produtos com base em puro malte. Optou por adquirir cervejarias que estavam se consolidando no mercado com essa fórmula, que passaram a fazer parte da sua poderosa rede de distribuição. Os casos mais emblemáticos são as aquisições da premiada mineira Cerveja Walls e da Colorado, de Ribeirão Preto (SP). Segundo informações, a Ambev fez muitas gestões, sem sucesso, no sentido de adquirir também a Backer. Diferente das outras, a empresa de BH resolveu enfrentar o monopólio e se consolidar nacionalmente como uma cerveja de qualidade. Para isso, criou um produto mais popular, que poderia concorrer em preço com as marcas da Ambev. Essa cerveja é a Belorizontina. E eis que ela é atingida por um míssil em pleno voo. Não tenho nenhum elemento para afirmar se a morte e as enfermidades têm relação ou não com o consumo da cerveja em determinado bairro de BH. Sou plenamente solidário às famílias que estão sofrendo com essa tragédia. Mas, conhecendo o capitalismo selvagem brasileiro, cada vez mais selvagem, só posso ficar muito desconfiado com essa história. Nunca vi o poder público agir tão rápido, como fez com a Backer. Minha praia é o jornalismo e a imprensa e posso afirmar que o poder que move essa indústria é o dinheiro. E é o que a Ambev tem de sobra. A cobertura do caso da Backer está muito rasa até aqui. Primeiro surgiu uma mensagem sendo compartilhada em massa via Watshap acusando a Belorizontina de ser a causadora da morte de uma pessoa. Basta lembrar das eleições de 2018 para saber do poder destruidor das Fake News espalhadas pelo aplicativo. Lembremos também que Jorge Lemann foi um dos financiadores do Golpe contra Dilma e um dos entusiastas de Bolsonaro, que teve uma campanha toda baseada nas mentiras espalhadas por Watshap. A versão contra a cerveja ganhou “legitimidade” com um laudo da Polícia Civil de Minas (também espalhado por Watshap). Após toda uma campanha acusatória contra a Belorizontina feita no submundo da Internet, foi a vez da “grande” imprensa entrar em campo. O caso virou capa de todos os portais de Minas e passou a ter destaque na imprensa nacional. E, para a imprensa mineira, a Backer já foi condenada e culpada. Depois de todo o circo midiático armado contra a Belorizontina, entrou em ação o Ministério da Agricultura do governo Bolsonaro, aliado de primeira hora de Lemann, para embargar toda a produção da Backer. Independentemente das apurações e análises laboratoriais que ainda estão em curso, o estrago contra a Backer e todas as cervejas artesanais já está feito. E quem ganha com isso é o monopólio da Ambev. A poderosa empresa sabe jogar com as regras (lícitas e ilícitas) do mercado. Como jornalista e mineiro, minha obrigação é estar sempre desconfiado. E, se tratando de Ambev, Jorge Lemann, Polícia Civil, governo Bolsonaro e imprensa brasileira, nem se fala. *Ex-presidente na empresa Jornalistas de Minas e Presidente na empresa Casa do

Produto adulterado e comunicação amadora colocam em risco cervejaria mineira

– No centro do mais recente acidente com contaminação de produtos, a Backer é uma das principais marcas mineiras de cerveja artesanal. A única cervejaria de médio a grande porte desse segmento que não foi vendida para uma grande multinacional, agora enfrenta uma crise de imagem sem precedentes depois da descoberta de dois lotes de cerveja contaminados que causaram adoecimento de oito homens e a morte de um e da interdição de sua fábrica pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na tarde dessa sexta-feira (10). Dona do rótulo Belorizontina, criado em homenagem à capital mineira, a Backer recebeu a notícia nessa quinta-feira de que dois lotes da cerveja estariam contaminados com a substância tóxica dietilenogicol e teriam causado os males nas nove pessoas. Diante desse cenário, a empresa comunicou que está colaborando com as investigações, que a substância não é utilizada em sua fábrica e que retiraria os dois lotes adulterados de circulação. Apesar da atitude colaborativa, o fato é que a Backer tem uma grande crise de imagem para gerenciar e parece ainda não estar conseguindo lidar com ela da melhor forma. De acordo com o publicitário Paulo Vasconcelos, as ações de comunicação da empresa ainda se mostram muito acanhadas para uma marca de tal porte e até incompetentes nesse momento de crise. Segundo ele, em uma situação como essa, a melhor forma de a marca não perder a confiança dos consumidores é estar sempre à frente das autoridades no quesito informar ao público sobre o que está se passando, sendo a primeira a oferecer explicações sobre o ocorrido. No início da semana, já corriam boatos de que a cerveja poderia ter sido a causa do que estava sendo chamado de ‘doença misteriosa do Buritis’. Mesmo assim, a Backer optou por aguardar o fim da coletiva de imprensa da Polícia Civil anunciando a contaminação para se posicionar e dizer que não utilizava dietilenoglicol em sua produção. Na opinião de Paulo Vasconcelos, as próximas 72 horas serão desafiadoras para a cervejaria mineira e decisivas para a relação de confiança com o público. A lição que esse lamentável acidente com a Backer mostra, para ele, é que empresas do ramo artesanal que crescem e se tornam de médio e grande porte não devem e não podem continuar com práticas de comunicação ‘artesanais’. As cervejas Backer são comercializadas em 17 estados e premiadas internacionalmente. A marca, que nasceu na capital no ano de 1999, quando as cervejas artesanais ainda não eram tão populares, possui um pátio cervejeiro com capacidade para produzir mensalmente 300 mil litros de cerveja.

Saiba o que é dietilenoglicol, substância encontrada em cerveja que matou uma pessoa em MG

 Substância química usada no processo de refrigeração da cerveja pode ter provocado a morte de Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, e a internação de outras sete pessoas em Belo Horizonte, segundo laudo da Polícia Civil A causa da morte de Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, e da internação de outras sete pessoas em Belo Horizonte não foi uma “nova síndrome” ou uma “doença misteriosa” como divulgada inicialmente, na manhã desta quinta-feira (9). Na noite desta mesma quinta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou um laudo que aponta a presença da substância tóxica dietilenoglicol em duas garrafas de cerveja da marca Belorizontina, da Backer, encontradas em casas dos pacientes internados. “Informo que nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do Município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca ” Belorizontina” lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares. Ressalto que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal n. 0024413 e 0021769, respectivamente”, diz o laudo. Em nota, a Backer disse que a substância encontrada não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina e que vai recolher os lotes do mercado por precaução. Mas, afinal, o que é dietilenoglicol, a substância tóxica encontrada na cerveja? No processo de produção, o dietilenoglicol é usado em serpentinas no processo de refrigeração de cervejas. O dietilenoglicol uma substância de cor clara, viscosa, não tem cheiro e tem um gosto adocicado. É um anticongelante de uso bastante comum na indústria, principalmente na automotiva e de cosméticos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, justamente os sintomas diagnosticados nos pacientes internados em Belo Horizonte. Segundo Carlo Lapolli, da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso do dietilenoglicol é muito raro em cervejarias. “Normalmente, as cervejarias usam álcool puro, sem nenhum tipo de conservante ou agente químico, misturado com água, numa proporção de 30%, para refrigeração dos tanques”, explicou ele ao G1. A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. O álcool com água gelada vai passando por tubos chamados de “serpentina” ao redor do tanque de cerveja. Segundo a Abracerva, a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos. “Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria, por isso colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante”, diz Lapolli.

Nova onda conservadora está matando e apagando as mulheres no Brasil

– A ascensão do conservadorismo no Brasil está trazendo à tona antigos preconceitos e estimulando diversos tipos de violências contra as mulheres. Uma prova disso é a escalada no número de feminicídios nos últimos anos. Um levantamento realizado pelo portal de notícias G1 e pela GloboNews revelou que os casos de feminicídio no estado de São Paulo cresceram cinco vezes entre 2015 e 2019, de 38 para 154. As ocorrências no período de janeiro a novembro do ano passado representaram um recorde desde a publicação da lei que instituiu penalidades mais graves para os autores desse tipo de crime, em 2015.   Em Minas, a contagem, que começou em 2016, foi de 142 casos naquele ano. Em 2018, o número já havia subido para 160 e, só no primeiro semestre de 2019, a estimativa é de que o número de casos tenha crescido 300% proporcionalmente ao ano anterior. Nesse mesmo período em que houve esse salto no número assassinatos de mulheres motivados pelo fator gênero, também assistimos à deposição da única presidente mulher que o Brasil teve até então. num processo marcado por diversos ataques à figura de Dilma Rousseff enquanto mulher. Apesar de o número de mulheres na Câmara ter crescido 5% nas últimas eleições, o fato é que a imagem de mulher independente, forte e no poder, representada por figuras como a de Dilma, tem perdido espaço na disputa contra a imagem de mulher submissa e agindo nos bastidores, divulgada por figuras como Damares Alves e Michelle Bolsonaro. O ódio contra a figura da mulher independente e autônoma tem levado à busca pelo apagamento de mulheres que a representam. Seja de forma pública e política, como no caso de Dilma, ou de forma privada e doméstica, como no caso dos feminicídios, existe uma tentativa conservadora de silenciar as mulheres e destitui-las de sua autonomia social e política.