Líder do governo Bolsonaro na Câmara diz que pandemia no Brasil é situação “até confortável”

 Deputado Ricardo Barros (PP-PR) alega que o sistema de saúde brasileiro “está melhor” do que outros países. Diversas cidades já enfrentam colapso O líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que a situação da pandemia no Brasil “é até confortável” em relação a outros países. O comentário foi feito em entrevista à GloboNews, nesta quarta-feira (17), enquanto o parlamentar citava o número de mortes por milhão de habitantes no país e a quantidade de vacinados. “Olhe bem a estatística, mortes por milhão, ou seja, o cuidado do sistema de saúde com as pessoas. Reino Unido, 1.853 [mortes por milhão], em 4º lugar. Estados Unidos, 1.609 por milhão, em 11º. Brasil, 1.300 mortes por milhão, em 22º lugar”, afirmou Barros. “Então, nosso sistema de saúde responde, está melhor no tratamento às pessoas do que a maioria dos países de primeiro mundo que estão na nossa frente em número de vacinados, mas o Brasil é o 5º do mundo em número de vacinados. Embora tenha começado mais tarde, já são 10 milhões e 300 mil vacinados e 11 milhões e 600 que já pegaram Covid e estão imunes, então, a nossa situação, ela não é tão crítica assim. Comparada a outros países, é uma situação até confortável”, completou o deputado. "Nossa situação não é crítica assim, comparada a outros países, é uma situação até confortável", diz Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados ???? (via @delucca) https://t.co/oTCwLJLsaf https://t.co/8fEREfcFlZ — Jeff Nascimento (@jnascim) March 17, 2021 De acordo com levantamento de projeto ligado à Universidade de Oxford, o Brasil ocupa a 11ª posição em número absoluto de vacinados e a 89ª em relação ao percentual da população que já foi vacinada. Além do atraso na vacinação, o país vive hoje o pior momento da pandemia do coronavírus, com recorde no número de mortes e diversas cidades enfrentando colapso no sistema de saúde. Entre esta segunda e terça-feira (16), foram registrados 2.842 novos óbitos, número que supera o recorde registrado na última quarta-feira (14), quando foram contabilizadas 2.286 mortes. Os dados foram atualizados com os números do Rio Grande do Sul.

Rachadinha na família Bolsonaro: quebra de sigilo aponta 12 anos de movimentações suspeitas

Documentos de quebra de sigilo obtidos pelo UOL mostram 12 anos de movimentações suspeitas e indícios de devolução ilegal de salários nos gabinetes de Jair Bolsonaro (enquanto deputado federal), Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. Ex-funcionários – como Natália Queiroz, Jaci dos Santos e Mariana Mota – que tiveram sigilo quebrado sacaram a maior parte do salário das contas. As investigações sobre Flávio e Carlos continuam. O presidente não pode ser investigado enquanto estiver no cargo O livro-caixa dos Bolsonaro – Por Fernando Brito A reportagem de Amanda Rossi, Flávio Costa, Gabriela Sá Pessoa e Juliana Dal Piva, publicada hoje no UOL – assista a versão em vídeo ao final do post – não é um álbum de retratos de família dos Bolsonaro. É um livro-caixa do negócio familiar a que o clã se dedicou, com sucesso e afinco, nas últimas três décadas. Como nas rendas milicianas, o esquema de extorsão e de funcionários cujo trabalho era, essencialmente, receber os salários para repassar ao coletor Fabrício Queiroz, por transferências bancárias ou mesmo em dinheiro vivo não era um acaso, mas uma regra. Tal e qual Bolsonaro faz com os filhos, os repórteres numeraram – 1, 2, 3 e 4 – os relatos dos casos, que contam, em trocados miúdos, a história do ” de grão em grão, a galinha enche o papo” do negócio que foi criar a Família Mito Ltda. Com a decisão do Superior Tribunal de Justiça – ainda pendente de recurso no STF – de anular as quebras de sigilo determinada pela Justiça do Rio, é provável que nada disso venha a ser cobrado nos tribunais. Mas pode, quem sabe, ser cobrado no voto

Dia 14 de março – Dia de Marielle Franco – Dia de Enfrentamento à Violência Política

 Parlamentares de todo país irão propor que dia 14 de março se torne Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil QUEM MANDOU MATAR? Caso Marielle e Anderson segue sem respostas três anos após assassinatos Autor intelectual do crime ainda não foi identificado e familiares repudiam morosidade da Justiça A execução de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes completou três anos neste domingo (14) sem que o mandante do crime tenha sido identificado. Ainda que os gritos por justiça não tenham cessado e o caso siga repercutindo internacionalmente, somente o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz foram detidos. Eles estão presos desde março de 2019 e irão a júri popular. O autor intelectual do crime, no entanto, permanece incólume. A morte da vereadora impulsionou mobilizações de ruas e inspirou candidaturas que ocuparam os parlamentos de todo o Brasil desde então. Anielle Franco, irmã de Marielle e diretora do Instituto Marielle Franco, declarou na última sexta-feira (12) que “três anos é um tempo constrangedor para as autoridades responsáveis pela investigação.” O caso está nas mãos da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). A reportagem entrou em contato com os órgãos que afirmaram, em nota, que as investigações seguem com delegado e equipe exclusivos para o caso, e que mais de 100 diligências foram realizadas. Em entrevista ao Brasil de Fato, Anielle falou sobre o luto e a dor que segue afligindo a família de Marielle três anos após o crime. “Março é um mês de muita saudade. É um mês em que a gente chora lembrando do quanto caminhamos, mas entendendo que temos muito chão pela frente ainda. É um mês de resistência”. Apesar da morosidade da Justiça, a educadora reforça que a cobrança por respostas e justiça pela morte de sua irmã não irá cessar. “Espero que consigamos descobrir de fato quem mandou matar a Mari. Seguimos esperançosos para que tenhamos alguma pista, alguma coisa, para não termos que esperar mais três anos para sabermos qualquer coisa sobre esse caso”, afirmou. “É um crime muito bem arquitetado, que envolve disputas políticas que talvez nunca saibamos os reais motivos. Mas estou ansiosa por toda e qualquer novidade que venha sair dessa investigação.” https://youtu.be/-_SLvPOY4lI?t=769 Para a deputada estadual Renata Souza, que integrava o gabinete de Marielle e foi eleita após a execução da vereadora, a ausência de respostas sobre o mandante do crime evidencia as falhas do sistema de justiça brasileiro. Segundo ela, há um desmonte nos grupos especializados do MP-RJ, com dissoluções de equipes, o que pode ter interferido no andamento da investigação. Souza define o assassinato de Marielle, mulher negra, cria da favela da Maré, mãe e LGBT, como um feminicídio político. “A Marielle infelizmente não foi a primeira e não será a última mulher preta que carrega em seu corpo e história de vida a população mais oprimida e mais descartável da sociedade”, diz a parlamentar, ressaltando que o crime é uma ameaça à democracia e a “todos que se insurgem contra uma elite política e econômica que se coloca acima do bem e do mal no Brasil”. Perguntas sem respostas Ao longo desses quase três anos, o inquérito apontou a participação de milicianos das forças de segurança do Rio de Janeiro. Alguns políticos figuraram como suspeitos da autoria intelectual do crime, entre eles o vereador Marcelo Siciliano (PHS), o ex-vereador Cristiano Girão e o ex-deputado Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Todos negam envolvimento. A Anistia Internacional e o Instituto Marielle Franco realizaram uma entrevista coletiva na última sexta (12) e apresentaram uma petição com um milhão de assinaturas que cobra celeridade nas investigações do crime. O documento também apresenta a relação de 14 perguntas sobre os assassinatos que permanecem sem respostas. As entidades querem saber, por exemplo, a relação de Lucas do Prado Nascimento da Silva, responsável por clonar os documentos do veículo utilizado por Ronnie Lessa e Elcio Queiroz na noite do crime, com o miliciano Adriano da Nóbrega e o Escritório do Crime. A petição com as assinaturas e as perguntas será entregue a Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro, ao procurador-geral de Justiça do estado, Luciano Mattos. Uma audiência com ambas autoridades também foi requisitada pelos familiares. Iniciativas O Instituto Marielle Franco foi criado pelos familiares da vereadora para manter vivo o legado, fortalecer a luta por justiça e defender sua memória. No marco de 3 anos do crime, foi preparada a ação “Plantando Sementes” junto com 70 parlamentares em 45 cidades do Brasil. A ideia é que os políticos apresentem um Projeto de Lei para que o 14 de março se torne o Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política contra mulheres negras, LGBTs e periféricas. Além disso, os 70 parlamentares se comprometeram a replicar 12 projetos de lei de Marielle em suas cidades. O Instituto organizou um mapa que centraliza diversas manifestações presenciais e virtuais que ocorrerão no Brasil e fora do país para lembrar o crime e cobrar justiça. Marielle Franco foi assassinada em março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). junto com o motorista Anderson Gomes / Mídia Ninja Na opinião de Renata Souza, seguir dando visibilidade ao caso é crucial para que a violência política não seja naturalizada diante da impunidade. “Nós, mulheres pretas, nos sentimos pessoalmente ameaçadas com o assassinato da Marielle. Mas, sem dúvida nenhuma, esse feminicídio político nos energiza a continuar para que nenhuma outra Marielle tombe diante diante da luta por uma sociedade mais igualitária, mais humana e por mais direitos”, comenta. Em meio a saudade, a deputada carrega o legado de Marielle em sua atuação política e destaca que a vereadora é um exemplo da “política afetiva e efetiva.” “Marielle tinha o ímpeto da decisão, da assertividade em seu perfil. E muito era carinhosa sempre, acolhedora, Uma mulher que nos abraçava muito, ainda que todas as pautas que tocasse fossem duras. Ela faz falta no

Tardiamente, o general vai deixar o ministério da saúde – Ludhmila será a substituta

O presidente Jair Bolsonaro vai trocar nos próximos dias o comando do Ministério da Saúde, hoje a cargo do general Eduardo Pazuello, segundo fontes do Planalto. De acordo com esses interlocutores do presidente, o atual ministro comunicou a Bolsonaro estar com problemas de saúde e que, por isso, precisará de mais tempo para se a reabilitar. Parlamentares articulam substituição de Pazuello O pedido de afastamento coincide com o auge da pressão de deputados do Centrão, que pleiteiam mudança no comando da pasta sob pretexto de má gestão durante a pandemia. Efeito Lula Pazuello comunicou a Jair Bolsonaro estar com problemas de saúde e que, por isso, precisará de mais tempo para se dedicar aos cuidados com o corpo. No entanto, internautas e articulistas apontam que o governo foi obrigado a se movimentar no combate à pandemia temendo a vitória de Lula em 2022 Substituta A médica cardiologista e intensivista Ludhmila Abrahão Hajjar é o nome mais cotado para assumir o ministério da Saúde no lugar de Pazuello. O governo já está em contato com ela e conversa sobre a possiblidade de a médica assumir a pasta. A indicação foi feita pelos presidentes da Câmara e Senado. Ludhmila atua na linha de frente no combate à Covid e recentemente criticou a eficácia no combate ao vírus. “O Brasil deveria estar hoje com cinco ou seis vacinas disponíveis. E o Brasil não fez isso. Mas ainda dá tempo de fazer. E é o que temos cobrado incessantemente”, disse ela à CNN Brasil no dia 7 de março. Ela completou dizendo que o “Brasil está fazendo tudo errado na pandemia”. https://twitter.com/LudhmiIaHajjar/status/1371164175465132038?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1371164175465132038%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.diariodocentrodomundo.com.br%2Fessencial%2Fludhmila-hajjar-confirma-no-twitter-sim-eu-defendo-a-vacina-e-medidas-de-isolamento%2F

Em 2018, Toffoli prometeu a Villas Bôas que STF manteria Lula fora das eleições

 De acordo com a Revista Piauí, o ministro encontrou o general cinco meses após o tuíte golpista para garantir que não haveria nenhuma mudança na situação do ex-presidente A ameaça do então comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) diante da votação sobre habeas corpus que poderia colocar o ex-presidente Lula em liberdade fez com que o futuro presidente da corte, Dias Toffoli, se reunisse com o militar e prometesse manter Lula detido até depois das eleições. Segundo reportagem de Monica Gugliano e Tânia Monteiro, na Revista Piauí, Toffoli foi até o gabinete do general cerca de cinco meses após o tuíte golpista, que voltou ao debate público com a publicação de livro “General Villas Bôas: conversa com o comandante”, onde ele admite que a mensagem foi discutida com o Alto Comando do Exército. Informações repassadas à reportagem apontam que Toffoli fez a seguinte promessa ao militar em agosto: “Vocês fiquem tranquilos. Enquanto eu estiver na presidência [do STF] não haverá alteração da lei de anistia e tampouco outras coisas de caráter ideológico”. O general ainda contou ao interlocutor que Toffoli “nos afirmou que até a eleição ele não ia pautar nada que alterasse a situação do presidente Lula, tanto do ponto de vista de punição de segunda instância, quanto da questão da lei da ficha limpa eleitoral”. Confira aqui a reportagem completa, na Piauí

Igreja católica aponta que Bolsonaro é principal responsável pela “tragédia que vivemos”

 “É hora de estancar a escalada da morte! Basta de insensatez e irresponsabilidade”, prega a CNBB, juntamente com a OAB, CA, ABC, ABI e SBPC. As entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil lançaram nesta quinta-feira (11) um novo manifesto em que pregam uma união de forças para conter a escalada de mortes por Covid-19 no Brasil. A carta traz novas críticas à gestão do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia. “É hora de estancar a escalada da morte! A população brasileira necessita de vacina agora. O vírus não será dissipado com obscurantismos, discursos raivosos ou frases ofensivas. Basta de insensatez e irresponsabilidade”, diz trecho da mensagem. Assinam a carta a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão Arns, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “Além de vacina já e para todos, o Brasil precisa urgentemente que o Ministério da Saúde cumpra o seu papel, sendo indutor eficaz das políticas de saúde em nível nacional, garantindo acesso rápido aos medicamentos e testes validados pela ciência, a rastreabilidade permanente do vírus e um mínimo de serenidade ao povo”, afirman. Segundo as entidades “a ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória” e governadores e prefeitos “não podem assumir o papel de cúmplices no desprezo pela vida”. A mensagem ainda pede que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal se empenhem na missão de garantir o combate à pandemia. Segue a íntegra da nota O povo não pode pagar com a própria vida! Nós, entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil, sob o peso da dor e com sentido de máxima urgência, voltamos a nos dirigir à sociedade brasileira, diante do agravamento da pandemia e das suas consequências. Nossa primeira palavra é de solidariedade às famílias que perderam seus entes queridos. Não há tempo a perder, negacionismo mata. O vírus circula de norte a sul do Brasil, replicando cepas, afetando diferentes grupos etários, castigando os mais vulneráveis. Doentes morrem agonizando por falta de recursos hospitalares. O Sistema Único de Saúde – SUS continua salvando vidas. No entanto, os profissionais da saúde, após um ano na linha de frente, estão à beira da exaustão. A eles, nosso reconhecimento. É hora de estancar a escalada da morte! A população brasileira necessita de vacina agora. O vírus não será dissipado com obscurantismos, discursos raivosos ou frases ofensivas. Basta de insensatez e irresponsabilidade. Além de vacina já e para todos, o Brasil precisa urgentemente que o Ministério da Saúde cumpra o seu papel, sendo indutor eficaz das políticas de saúde em nível nacional, garantindo acesso rápido aos medicamentos e testes validados pela ciência, a rastreabilidade permanente do vírus e um mínimo de serenidade ao povo. A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória. Governadores e prefeitos não podem assumir o papel de cúmplices no desprezo pela vida. Assim, apoiamos seus esforços para garantir o cumprimento do rol de medidas sanitárias de proteção, paralelamente à imunização rápida e consistente da população. Que governadores e prefeitos ajam com olhos não só voltados para os seus estados e municípios, mas para o país, através de um grande pacto. Somos um só Brasil. Ao Congresso Nacional, instamos que dê máxima prioridade a matérias relacionadas ao enfrentamento da COVID-19, uma vez que preservar vidas é o que há de mais urgente. Nesse sentido, o auxílio emergencial digno, e pelo tempo que for necessário, será imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia. Ao Poder Judiciário, sob a liderança do Supremo Tribunal Federal, pedimos que zele pelos direitos da cidadania e pela harmonia entre os entes federativos. Que a imprensa atue livre e vigorosamente, de forma ética, cumprindo sua missão de transmitir informações confiáveis e com base científica, sobre o que se passa. Enfim, que a voz das instituições soe muito firme na defesa do povo brasileiro! Fazemos ainda um apelo particular à juventude. O vírus está infectando e matando os mais jovens e saudáveis, valendo-se deles como vetores de transmissão. Que a juventude brasileira assuma o seu protagonismo histórico na defesa da vida e do país, desconstruindo o negacionismo que agencia a morte. Sabemos que a travessia é desafiadora, a oportunidade de reconstrução da sociedade brasileira é única e a esperança é a luz que nos guiará rumo a um novo tempo. Quarta-feira, 10 de março de 2021. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC Leia também Dom Walmor critica gestão de Bolsonaro na pandemia: ‘momento exige o coro dos lúcidos’

Um ano de pandemia de covid-19, tragédia ainda mais desastrosa para os brasileiros

Além do desafio da covid-19 em si, brasileiros enfrentam o negacionismo e uma política que rejeita a ciência de Bolsonaro HISTÓRIA SEM FIM – Um ano após o decreto de pandemia pela OMS, Brasil enfrenta pior momento, com mais de 2 mil mortes diárias. No caminho oposto, o mundo controla o surto com isolamento e vacinas A pandemia de covid-19 completa um ano. Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS)decretou o descontrole global da doença provocada por um novo coronavírus, o Sars-Cov-2. Deste então, a infecção já soma – em números oficiais – 48,5 milhões de casos confirmados e mais de 2,6 milhões de mortos em todo o mundo. É a mais grave crise sanitária da humanidade em mais de 100 anos, depois da chamada gripe espanhola, de 1918. Entre os mais afetados está o Brasil, que coleciona uma ampla sequência de erros na condução do surto pelo governo de Jair Bolsonaro. Na definição da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pandemia se caracteriza pela “disseminação mundial de uma nova doença e o termo passa a ser usado quando uma epidemia, surto que afeta uma região, se espalha por diferentes continentes, com transmissão sustentada de pessoa para pessoa”. Trata-se de um surto global que revelou intensas desigualdades, especialmente em relação ao tratamento da doença no âmbito da saúde pública. Desde o início de 2021, de maneira geral o mundo passou a reduzir o número diário de casos e mortes. A expertise acumulada neste um ano na contenção do vírus passa pela melhora nos protocolos de saúde. Eles envolvem tanto tratamentos mais eficientes como os comprovadamente eficazes isolamento social, uso de máscaras e higiene das mãos. Outro fator decisivo que aponta para o controle da pandemia foi a elaboração em tempo recorde de um grande número de vacina eficazes. Imunizantes, inclusive, que utilizam tecnologias inovadoras – como as vacinas de RNA mensageiro – e revelam um horizonte de esperança para a cura de outras doenças virais. Pior dos mundos Hoje, o Brasil enfrenta seu pior momento em relação à covid-19. De acordo com o balanço de ontem (10) do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), morreram 2.286 brasileiros no período equivalente a um único dia. Até agora, foram 270.656 mortes e mais de 11 milhões de infectados, sem contar a ampla e admitida subnotificação. É o segundo país em número absoluto de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, o Brasil, nas últimas seis semanas, ostenta a posição de epicentro global da covid-19. É a nação onde mais pessoas se infectam por dia e também onde mais a infecção mata (a estimativa é que de 12% a 17% dos casos diários do mundo ocorrem em solo brasileiro). Mais eficiente do que os números absolutos para entender a gravidade da pandemia, são as taxas de transmissão e curvas epidemiológicas médias, como explica o epidemiologista e professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Cesar Victora. “Sabemos que o número de casos notificados subestima a magnitude da doença. As taxas de transmissão refletem uma realidade mais precisa da epidemia. Vemos um movimento de duas ondas, embora nunca tenhamos baixado próximo de zero. O restante do mundo agora vê um franco declínio de mortes enquanto o Brasil está em franca ascensão”, disse. Tragédia naturalizada Victora participou de debate virtual ontem promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados (NEA) da Fiocruz. Em pauta, os avanços, dificuldades e, especialmente, os problemas do Brasil. “Atualmente, somos o número um do mundo em taxa de mortalidade e número dois do mundo em números absolutos, atrás dos EUA que estão em declínio. Aqui no Brasil, por agosto ou setembro a população decretou o fim da pandemia. Com ajuda de dirigentes mal informados ou mal intencionados. Estamos apenas 5% mais em casa do que antes da pandemia”, disse, sobre os baixos índices de isolamento no país e o descaso com a pandemia. Com boa parte dos estados brasileiros à beira do colapso no sistema hospitalar pela falta de leitos, ou já colapsados, estados e municípios passam a adotar, tardiamente, medidas de isolamento. Entretanto, elas seguem sem efetividade e amplamente ignoradas pela população. “Quando me falam que lockdown não adianta, eu pergunto: o que é lockdown? Por que no Brasil não existe isso”, afirma Victora. O sucesso do lockdown é unanimidade entre a comunidade científica e de sucesso verificável com facilidade em países da Ásia, Oceania e Europa. Óbitos semanais por milhão: Brasil no topo da crise. Forte redução da curva em outros países é resultado de lockdown. Fonte: NEA Fiocruz Pária internacional Um dos resultados do descaso do Brasil com medidas de distanciamento foi revelado ao mundo com o surgimento de uma mutação da covid-19 em Manaus. A variedade, batizada de P1, é mais contagiosa e vem mostrando potencial de maior letalidade. Além do Brasil se tornar um risco ao mundo, assim como decretou na última semana a OMS, a variedade P1 sequer foi detectada no Brasil. Foram cientistas japoneses que identificaram a nova cepa em um brasileiro. Isso revela também a falta de recursos para decodificação genética do vírus, essencial para controle eficaz de uma epidemia. Hoje, o Brasil é um dos países mais fechados do mundo, que mais sofre com bloqueios para turistas. “E temos problemas básicos: quanto mais o vírus circula e se reproduz, mais mutações ocorrem. A maioria das mutações são irrelevantes, mas elas podem se tornar dominantes quando se disseminam de forma eficaz. E todas as variantes possuem em comum que máscaras, distanciamento e higiene das mãos funcionam”, explica Victora. Breve histórico A pneumologista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) Margareth Dalcomo ajuda a fazer um breve histórico da covid-19 neste um ano. “Temos uma história de grande intensidade e um olhar prospectivo não muito otimista. O Sars-Cov-2, o que recebemos em março, chegou a nós da China como uma pneumonia atípica. Hoje temos mais de 105 mil publicações relacionadas à covid-19. Então tivemos dois tsunamis, o da pandemia e o da produção científica”, afirma. Ela

Jornal Nacional faz cobertura positiva e garante mais de 10 minutos a discurso histórico de Lula

 O ex-presidente já havia elogiado a mudança na cobertura da Globo sobre a Lava Jato durante a coletiva O Jornal Nacional, da TV Globo, desta quarta-feira (10) garantiu mais de 10 minutos à cobertura do discurso histórico do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dois dias depois da anulação de todas as condenações do mandatário na Lava Jato. Na terça-feira (9), o telejornal mudou o tom sobre a operação, o que gerou elogios do próprio Lula. “O ex-presidente Lula fala pela primeira vez desde a anulação das condenações na Lava Jato de Curitiba. Afirma que é inocente, que foi vítima da maior mentira jurídica em 500 anos, mas que não tem mágoa. Faz críticas ao governo Jair Bolsonaro e ataques ao ex-juiz Sergio Moro e aos procuradores da operação”, disseram os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos já na abertura do noticiário. Entre os trechos divulgados pelo telejornal estão o de que o ex-presidente afirma que não guarda mágoa apesar de ter sido vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. “Esta dor que a sociedade brasileira me faz dizer para vocês: a dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofre quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrer”, disse Lula em declaração exibida pelo JN. Muitas críticas a Moro também foram reproduzidas. “Eu já fui absolvido de todos os processos fora de Curitiba, mas nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito. Porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro”, afirmou. O telejornal ainda apontou que Lula não poupou o presidente Jair Bolsonaro, questionando desde a condução da pandemia ao manejo da economia, passando pela liberação de armas. A reportagem, conduzida pela jornalista Patricia Falcoski, ainda destacou que Lula está disposto a dialogar com outros setores. “Eu quero conversar com a classe política. Porque muitas vezes a gente se recusa a conversar com determinados políticos. Eu gostaria que no Congresso Nacional só tivesse gente boa, de esquerda, progressista, mas não é assim. O povo elegeu quem ele quis eleger. Então nós temos que conversar com quem está lá para ver se consertamos este País”, declarou o ex-presidente em outro trecho exibido no noticiário global. Jornal Nacional destacou também que Bolsonaro só voltou a usar máscara após coletiva de Lula “Isso é mesmo uma novidade”, ironizou o apresentador William Bonner O Jornal Nacional, da TV Globo, deu destaque à “novidade” vista em cerimônia realizada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (10). O mandatário retomou o uso de máscaras de proteção em cerimônias realizadas no Palácio do Planalto após o ex-presidente Lula aparecer usando o equipamento de segurança sanitária em coletiva. “A Delis Ortiz chamou a atenção para um fato novo em eventos com a presença do presidente Bolsonaro. O presidente e os demais participantes estavam usando máscaras e mantendo uma distância maior que a habitual entre eles. Isso é mesmo uma novidade”, disse o apresentador William Bonner. O telejornal apontou que Bolsonaro não usava o equipamento desde 3 de fevereiro, quando participou da abertura do ano legislativo na Câmara dos Deputados, e que ficou nos últimos 36 eventos sem máscara. “Chegou a afirmar, sem nenhuma base científica, que elas produziriam efeitos colaterais”, acrescentou Bonner. “A cerimônia de hoje em que o presidente e todos os demais surgiram mascarados começou pouco mais de 4h depois do pronunciamento do ex-presidente Lula, em que ele e todos os presentes usavam máscaras”, disse ainda. A mudança de postura foi vista como um “efeito Lula”, que também alterou o discurso de Bolsonaro e do ministro Eduardo Pazuello, da Saúde.

O HORROR – Brasil tem 2.286 mortos por covid-19 em 24 horas e supera 270 mil vítimas

 Diante do colapso nacional do sistema de saúde, causado pelo aumento no número de casos, Fiocruz reforça a necessidade imediata de isolamento social A quarta-feira também foi marcada pelo grande número de novos casos da covid-19: foram 79.876. Desde o início do surto no país, 11.202.305 brasileiros já ficaram doentes – A pandemia de covid-19 completa um ano amanhã (11). E hoje, pela primeira vez, o Brasil superou as 2 mil mortes em um dia: foram 2.286 mortos em 24 horas. Com isso, o país também ultrapassou a marca dos 270 mil mortos, chegando a 270.656. Os números foram fornecidos pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Números da covid-19 no Brasil. Pior dia desde o início do surto. Fonte: Conass A quarta-feira também foi marcada por um grande número de novos casos: 79.876. Desde o início do surto no país, 11.202.305 brasileiros já ficaram doentes pela covid-19. Este é, com folga, o pior momento da pandemia no país. A média de mortes diárias, calculada em sete dias, está em 1.626, e a de casos, em 69.096. Curvas epidemiológicas médias de casos diários e mortes revelam o pior momento da pandemia no país. Fonte: Conass De acordo com boletim extraordinário da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na noite de ontem, a situação está se agravando com velocidade no país. São 15 capitais e 13 estados com ocupação de leitos de UTI acima de 90%. Muitos estados estão em colapso, como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Outros estão na iminência, como é o caso de São Paulo, que vive a maior crise pela covid-19 de todo o histórico. Isolamento social urgente A Fiocruz emitiu o boletim para, além de anunciar o colapso no país, reforçar a necessidade “imediata” da adoção em massa de isolamento social. “Nos municípios e estados que já se encontram próximos ou em situação de colapso, a análise destaca a necessidade de adoção de medidas de supressão mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais. Além disso, é necessário o reforço da atenção primária e das ações de vigilância, que incluem a testagem oportuna de casos suspeitos e seus contatos”, afirma a Fiocruz. Via  RBA

HISTÓRICO – Lula adota discurso de estadista e afirma: “O Brasil não é dos milicianos”

 Ex-presidente discursa na sede do Sindicato dos Metalúrgicos – Foto: Vanessa Nicolav  Sobre as eleições de 2022, petista adota cautela e defende unidade da esquerda. Para Huck e Ciro Gomes, sobraram ironias Ouça o áudio: Durante as mais de três horas em que falou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discorreu sobre temas da política nacional, criticou o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ironizou possíveis presidenciáveis das eleições de 2022. Sobre uma possível candidatura sua, Lula preferiu adiar a decisão, mas defendeu que a esquerda se mantenha unida para enfrentar Bolsonaro: “Nós vamos discutir se vai ter candidato de frente ampla [de esquerda], se vai ter um candidato do PT, mas aí é mais para frente. Nós temos muita coisa para fazer antes de pensar em nós mesmos.” O petista também comentou as chances de uma aliança para além do campo progressista. “Quando chegar o momento, vamos decidir se será possível uma candidatura única e se será possível alianças só na esquerda. Quando eu fui candidato em 2002, eu tive como vice o companheiro José Alencar, do PL. E foi a primeira vez nesse país que fizemos uma aliança entre o capital e o trabalho, para governar esse país”, disse. Ainda de acordo com Lula, a polarização não deve ser encarada como um problema: “O PT polariza desde 1989. O PT sempre vai disputar as eleições para polarizar. Com Bolsonaro, com PSDB, não importa. Em qualquer circunstância, estaremos com a esquerda. Podemos polarizar com quem quer que seja, desde que seja de esquerda contra alguém de direita. Duro é quando era gente de direita contra outro de direita.” Lula teve seus direitos políticos restabelecidos após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que anulou todas as sentenças contra o ex-presidente, em julgamentos da 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. Dessa forma, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, o petista pode ser candidato novamente a qualquer cargo eletivo. A decisão do STF, comemorada por Lula e seus aliados, gerou críticas em possíveis candidatos à Presidência em 2022. Luciano Huck, apresentador de TV, e Ciro Gomes receberam respostas do ex-presidente. “Seria melhor que ela [imprensa] dissesse ‘olha, temos um candidato do PSDB, vamos desenterrar aquele Doria?’ Que dissessem isso textualmente. O Huck? O Huck tá jogando bafo, falando de figurinha. Pô, eu fiquei tão chateado. Um cara que eu considero um cara bom de televisão, um menino que progrediu na vida. Mas ele não conhece figurinha, porque ele falou que figurinha repetida não vale nada, mas ele não sabe que uma figurinha repetida carimbada vale pelo álbum inteiro”, ironizou Lula. Sobre Ciro Gomes, Lula disse que ele “precisa se reeducar”. “Se ele não melhorar, não vai ter apoio de ninguém. Humildade não faz mal a ninguém, é preciso respeitar as pessoas e tratar elas com carinho. Se chegar aos 70 com essa intolerância, não vai aprender mais nada”, completou o ex-presidente. Leia na íntegra o discurso de Lula, no dia 10.03.2021, às 11 horas, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo – SP. “Eu estava sentado no teu lugar e eu estava com um pouco de dificuldade de entender todas as palavras que você falava, possivelmente porque estava de máscara. Acho que o Soventino é médico. Eu acho que o seguinte: primeiro, espero que todo mundo esteja de máscara aqui, que todo mundo esteja se cuidando, espero que brevemente todos vocês tenham tomando vacina. Eu queria falar com o médico aqui, se eu posso tirar minha máscara pra falar. Eu estou há dois metros de distância, vocês todos já fizeram o teste. Vocês todos estão livres. Então, eu gostaria de tirar minha máscara para poder falar com vocês. Bem, faz quase três anos que eu saí da sede desse sindicato para me entregar à Polícia Federal. Eu fui, obviamente, contra a minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente. Muitos dos que estavam aqui não queriam que eu fosse me entregar. Eu tomei a decisão de me entregar porque não seria correto, um homem na minha idade, um homem com a construção da história construída junto com vocês, pudesse aparecer na capa dos jornais e na televisão como fugitivo. Como eu tinha clareza das inverdades contadas sobre mim. Eu então tomei a decisão de provar a minha inocência dentro da sede da Polícia Federal, perto do juiz [Sergio] Moro. Antes de eu ir, nós tínhamos escrito um livro. Eu fui a pessoa que dei a palavra final no título do livro, que é A Verdade Vencerá. Eu tinha tanta confiança e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil, que eu tinha certeza de que esse dia chegaria. E ele chegou. Queria dizer para vocês que eu nasci politicamente nesse sindicato. Em 1969, eu virei delegado de base desse sindicato, trabalhando na Villares. Em 1972, eu virei primeiro secretário, e cuidava da previdência social. Na verdade, eu cuidava dos velhinhos aqui. Em 1975, eu virei presidente. Em 1978, nós fizemos as primeiras greves desde as greves de Osasco e de Contagem, em 1968. E depois vocês já conhecem a história. Veio a criação de muitos dos movimentos que estão aqui, e eu participei de quase todos eles. E o movimento mais importante foi a minha tomada de consciência de que, através do sindicato, eu não iria conseguir resolver os problemas do país. Eu poderia, no máximo, conseguir alguma conquista dentro da fábrica, mas era uma luta muito economicista. É aquela que você ganha uma hoje, e perde amanhã com a inflação. É aquela que você pensa que está ganhando, e daqui a pouco a empresa fecha, como fechou a Ford aqui, sem prestar contas a ninguém. O sofrimento que as pessoas pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal. Então, resolvi que era necessário entrar