Justiça tucana segue a caça ao Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma

 A Justiça Federal em Brasília recebeu ontem (23) denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além outros integrantes do PT, pelo crime de organização criminosa. A decisão foi proferida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara. Com a decisão, além de Lula e Dilma, passam à condição de réus no processo os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Eles foram acusados pelo MPF de praticar “uma miríade [quantidade grande e indeterminada] de delitos” na administração pública durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff, somando R$ 1,4 bilhão em desvio de recursos dos cofres públicos. O caso começou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, mas foi remetido à primeira instância após os acusados deixarem os cargos e perderam foro privilegiado. DILMA REBATE JUIZ: CRIMINALIZA O EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIAA presidente deposta Dilma Rousseff rebateu o recebimento da denúncia que a tornou réu nesta sexta-feira, 23, em ação penal juntamente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os membros do PT. A ação foi proposta pelo ex-procurador-geral da REpública Rodrigo Janot e foi recebida pelo juiz federal Vallisney Oliveira. “A decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília de instaurar processo criminal contra a ex-Presidenta Dilma Rousseff, por supostamente integrar uma organização criminosa, está baseada numa tentativa clara de criminalização da política e do PT. O processo aberto deslegitima a soberania do voto popular ao tornar o exercício da Presidência uma atividade criminosa. A denúncia é genérica e as acusações não derivam de inquéritos ou de qualquer investigação prévia”, diz Dilma, por meio de sua assessoria de imprensa. Leia, abaixo a nota na íntegra: NOTA À IMPRENSA Sobre o processo criminal Dilma diz que processo deslegitima a soberania do voto popular e criminaliza o exercício da Presidência da República A decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília de instaurar processo criminal contra a ex-Presidenta Dilma Rousseff, por supostamente integrar uma organização criminosa, está baseada numa tentativa clara de criminalização da política e do PT. O processo aberto deslegitima a soberania do voto popular ao tornar o exercício da Presidência uma atividade criminosa. A denúncia é genérica e as acusações não derivam de inquéritos ou de qualquer investigação prévia. Dilma Rousseff jamais foi ouvida por autoridades policiais ou judiciais sobre as acusações que lhe são feitas neste processo. Jamais teve a oportunidade de defesa. A única interpretação possível é que a ex-presidenta Dilma, como os outros réus, está sendo vítima de lawfare, quando se utiliza deferramentas legais para processá-la sem provas. ASSESSORIA DE IMPRENSA DILMA ROUSSEFF

Porque o presidente eleito Bolsobaro não vai se tratar pelo SUS?

Onde anda aquele bando de manifestantes imbecis que ficavam na porta do Sírio-Libanês ou no Albert Einstein, toda vez que Lula, Dilma ou dona Marisa Letícia iriam consultar ou internar, pedindo para irem tratar pelo SUS? Agora, nestas internações do coiso, nenhum deles aparece para infortuna-lo. Ontem, por exemplo, Bolsonaro foi ao hospital Israelita Albert Einstein para fazer exames laboratoriais, de imagem e a consultas médicas, para retirar a bolsa de colostomia. A cirurgia foi adiada porque o local continua muito inflamado. A avaliação médica precede a realização da terceira cirurgia a que Bolsonaro será submetido, desde que foi esfaqueado no abdômen por Adélio Bispo, durante ato político, em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. Ele fez uma cirurgia inicial, de grande porte, na Santa Casa de Juiz de Fora, depois uma segunda, já no Einstein, para corrigir a aderência. A estimativa é que o período de recuperação dessa terceira cirurgia demore de 10 a 15 dias. Bolsonaro decolou de Brasília para São Paulo e pousou no aeroporto de Congonhas. Ele foi para o hospital de carro, escoltado por policiais federais. Um forte esquema de segurança foi montado nos arredores do Albert Einstein.A retirada da bolsa de colostomia estava prevista para 12 de dezembro – 20 dias antes da posse, marcada para 1º de janeiro. Uma nova data só será marcada em janeiro. CIRURGIA DE BOLSONARO FARÁ MOURÃO ASSUMIR O PODER LOGO APÓS A POSSE O general Hamilton Mourão assumirá a presidência já em janeiro, em razão do adiamento da cirurgia de Jair Bolsonaro, que estava prevista para 12 de dezembro e será realizada logo depois da posse. Em entrevista publicada no dia de ontem, Mourão explicitou várias divergências em relação a Bolsonaro, especialmente no tocante à política externa. Mourão contestou a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o afastamento da China e qualquer possibilidade de ingerência na Venezuela

José Saramago: privatize-se também a puta que os pariu a todos

O desabafo de José Saramago sobre privatizações: Privatize-se tudo! “Para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo…” O texto abaixo trata-se de um registro de José Saramago, sobre as privatizações, em Cadernos de Lanzarote – Diário III, págs. 147 e 148. Eis o texto: “Regressados de uma viagem à Argentina e Bolívia, os meus cunhados María e Javier trazem-me o jornal Clarín de 30 de Agosto. Aí vem a notícia de que vai ser apresentada ao Parlamento peruano uma nova lei de turismo que contempla a possibilidade de entregar a exploração de zonas arqueológicas importantes, como Machu Picchu e a cidadela pré-incaica de Chan-Chan, a empresas privadas, mediante concurso internacional. A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos”. – José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996. “ Cadernos de Lanzarote Os Cadernos de Lanzarote são a reunião dos diários de José Saramago escritos no período de 1993 a 1995 na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias onde ele viveu com sua mulher Pilar. A melhor definição de diário é do próprio Saramago neste livro: “Por muito que se diga, um diário não é um confessionário, um diário não passa de um modo incipiente de fazer ficção. Talvez pudesse chegar mesmo a ser um romance se a função da sua única personagem não fosse a de encobrir a pessoa do autor, servir-lhe de disfarce, de parapeito. Tanto no que declara como no que reserva, só aparentemente é que ela coincide com ele. De um diário se pode dizer que a parte protege o todo, o simples oculta o complexo. O rosto mostrado pergunta dissimuladamente: Sabeis quem sou?, e não só não espera resposta, como não está a pensar em dá-la.” Privatize-se tudo!” – José Saramago Revista Prosa Verso e Arte Por Revista Prosa Verso e Arte Literatura Compartilhar no Facebook Tweet no Twitter    Jose Saramago, por Raffi Anderian illustration A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos. – José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996.  

Racismo limita contratação de negros, diz Instituto Ethos

 – A diretora-adjunta do Instituto Ethos, Ana Lúcia de Melo Custódio diz que a dificuldade de inserir os negros no mercado de trabalho tem nome: racismo. Ela diz que o problema passa por aquilo que o recrutador pensa ser o candidato “ideal” para a vaga em determinada empresa —e, de acordo com esse imaginário, esse potencial funcionário não é negro. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “os negros são 64,2% dos desempregados no Brasil, embora representem 55,7% do total da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)”. E acrescenta: “a participação de pretos e pardos entre os desocupados cresce desde o início da série, iniciada em 2012. Haveria falta de talentos para ocupar vagas? ‘É exatamente o contrário’, diz Custódio. ‘Quando a gente ignora uma parte da população que não entra ou não ascende nas empresas, estamos desperdiçando talentos’, diz.” A matéria ainda explica a percepção de Custódio e do Instituto Ethos sobre o mecanismo de perpetuação do racismo no regime das contratações: “no último levantamento do Ethos, em 2016, quando questionados se a participação dos negros nos diferentes níveis da empresa era adequada, os gestores respondiam que sim. ‘Tem-se a percepção de que as coisas vão bem, mas os dados dizem outra coisa’.”

Cai a ficha do mercado com relação a Bolsonaro e dólar dispara

 Desde o início das eleições, estabeleceu-se uma lógica de que Bolsonaro era o candidato preferido pelo mercado financeiro. Sempre que o candidato chamado de nazista por jornais europeus subia nas pesquisas, a bolsa valorizava e o dólar caía. O mercado via, não em Bolsonaro mas, em Paulo Guedes, o que sempre esperaram de um futuro ministro da Fazenda, ou da economia, autonomia, privatização total e ultra-neoliberalismo radical. Tava tudo certo, até o momento em que o posto Ipiranga, Paulo Guedes, abriu a boca. A primeira, foi a forma como houve grande agressividade com a jornalista argentina, quando perguntado sobre o Mercosul. Guedes disse grosseiramente que o bloco econômico não era prioridade. A segunda, foi quando Bolsonaro começou a comprar uma briga desnecessária com mundo islâmico, ao querer transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. A ação ideológica do novo governo, traria grande prejuízo para a exportação de proteína animal para esses países. Lembrando que em conjunto, eles representam um dos maiores parceiros comerciais do Brasil. A pior de todos, foi quando Guedes mandou o Senado fazer o orçamento deles, que ele faria o próprio a ser apresentado no ano seguinte. A resposta foi tida como tão ridícula e prosaica, que demonstrou a imensa ignorância do posto Ipiranga quanto ao que é a governança pública. Leia também: O povo vai pagar 12 carros blindados para Bolsonaro Dentre outras enormes besteiras e burrices do grupo de transição, o resultado tem sido de sucessivas quedas da bolsa e forte elevação do valor do dólar. No último dia 13, por exemplo, foi uma queda de 0,7% mas, no dia da declaração sobre a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentarias) a queda foi superior a de 3%. Assim, o dólar que chegou a custar R$ 3,65, com a vitória do Bolsonaro, já está com valor superior a R$ 3,83. Os números comprovam que o mercado financeiro começa a cair em si e a compreender que o mito não passa do termo, um mito que não existe.

O povo vai pagar 12 carros blindados para Bolsonaro

 Uma das exigências de Jair Bolsonaro, dá conta de uma “super valorização” pessoal, ao achar que corre mais risco de vide que qualquer outro presidente do Brasil, é uma frota de 30 carros blindados, com blindagem especial, além de armamento novo destinado aos seguranças que utilizarão essa quantidade anormal de veículos. Todos os carros, 30 no total, serão exclusivamente utilizados para o transporte do capitão e do General Mourão. Desse total – estipulado em R$ 5,5 milhões – 12 carros devem ser blindados para suportar disparos de armas de fogo como pistolas 9mm ou submetralhadoras e revólveres calibre .44. Em cada carro blindado, o valor será de no máximo R$ 235,3 mil. Aos demais, sem blindagem, o governo vai desembolsar até R$ 153,3 mil “A cápsula Presidencial (ou Vice-Presidencial) constitui-se de um conjunto de 5 (cinco) veículos de representação, devendo obrigatoriamente ser de mesma marca, modelo e cor do veículo presidencial. Tal imposição, por aspectos de segurança, visa não demonstrar a presença exata da autoridade nos deslocamentos com o uso de veículo diferenciado. Portanto, os veículos de representação, que atendem às autoridades não se resumem somente ao veículo ocupado pelos mesmos”, diz o edital. O pregão que ocorrerá no dia 21 deste mês, faz exigências por carros de alto luxo, como Ford Fusion, Honda Accord, Toyota Camry e Hyundai Azera. Parece que a imagem de homem simples da campanha, ficou apenas no marketing que uma grande parte da sociedade desavisada engoliu.  

Lula é interrogado e diz que prisão é prêmio da operação lava Jato

 Ex-presidente começou a ser interrogado pela juíza federal substituta Gabriela Hardt por volta das 15h no processo da Lava Jato que investiga reformas feitas no sítio de Atibaia (SP); segundo pessoas que estiveram presentes ao depoimento, Lula negou qualquer relação com as obras no sítio de Atibaia e afirmou que sua prisão seria um “prêmio” da Operação Lava Jato; foi a segunda vez que Lula deixou a Superintendência desde que foi detido, em abril, após ordem de prisão emitida por Sérgio Moro sem o esgotamento de todos os recursos judiciais  – Terminou ontem (15) por volta das 17h50 em Curitiba (PR) o interrogatório do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sede da Justiça Federal. Ele começou a ser interrogado pela juíza federal substituta Gabriela Hardt por volta das 15h no processo da Operação Lava Jato que investiga reformas feitas no sítio de Atibaia (SP). Segundo pessoas que estiveram presentes ao depoimento, Lula negou qualquer relação com as obras no sítio de Atibaia e afirmou que sua prisão seria um “prêmio” da Operação Lava Jato. Relato do Uol. O ex-presidente deixou o local cerca de dez minutos após o fim da audiência e foi levado para a Superintendência da Polícia Federal (PF). Foi a primeira vez que Lula deixou a Superintendência desde que foi detido, em abril, após ordem de prisão emitida por Sérgio Moro sem o esgotamento de todos os recursos judiciais. Várias pessoas fizeram compareceram à vigília em favor do ex-presidente, condenado sem provas no processo do triplex em Guarujá (SP), com uma sentença contestada por vários juristas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou , em depoimento à Justiça Federal em Curitiba, ter conhecimento sobre as reformas realizadas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). Ele negou também ser o dono do imóvel. Lula foi interrogado pela juíza Gabriela Hardt em ação penal na qual ele e mais 12 réus respondem ao processo, entre eles os empresários Marcelo e Emílio Odebrecht e Léo Pinheiro, da OAS, e o pecuarista José Carlos Bumlai. As acusações são dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O sítio foi alvo das investigações da Operação Lava Jato, que apura a suspeita de que as obras de melhorias no local foram pagas por empreiteiras investigadas por corrupção, como a OAS e a Odebrecht. No interrogatório, Lula confirmou que passou a frequentar a propriedade no início de 2011, quando deixou a Presidência da República. No entanto, as reformas que foram realizadas já estavam prontas e Lula disse que não teve conhecimento delas por não ser o dono do imóvel. Depoimento O ex-presidente também negou que tenha tratado do assunto com o empresário Emílio Odebrecht. “Quando eu conheci o sítio, não tinha reforma, o sítio estava pronto”, afirmou. No início da audiência, a juíza perguntou a Lula se ele tinha conhecimento sobre as acusações contra ele, uma praxe processual feita a todos os acusados. Ele respondeu que não sabia e queria saber o teor da acusação. “Gostaria de pedir, se a senhora pudesse me explicar, qual é a acusação? Estou disposto a responder toda e qualquer pergunta. Eu sou dono do sítio ou não?” questionou. Em seguida, Gabriela Hardt retrucou. “Isso é o senhor que tem que responder e não eu. Eu não estou sendo interrogada neste momento. Isso é um interrogatório, e se o senhor começar neste tom comigo, a gente vai ter problema”. Durante o depoimento, o ex-presidente voltou a afirmar que as acusações contra ele são “uma farsa”. “O primeiro processo que eu fui vítima, que é uma farsa, uma mentira do Ministério Público, com Power Point. A segunda é outra farsa. Eu estou pagando esse preço. Eu vou pagar porque sou um homem que creio em Deus, creio na Justiça, e um dia a verdade vai prevalecer o que está acontecendo”, afirmou. Reforma Segundo os investigadores, as reformas começaram após a compra da propriedade pelos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, amigos de Lula, quando “foram elaborados os primeiros desenhos arquitetônicos para acomodar as necessidades da família do ex-presidente”. No laudo elaborado pela Polícia Federal, em 2016, os peritos citam as obras que foram feitas, entre elas a de uma cozinha avaliada em R$ 252 mil. A estimativa é de que tenha sido gasto um valor de cerca de R$ 1,7 milhão, somando a compra do sítio (R$ 1,1 milhão) e a reforma (R$ 544,8 mil). É a primeira vez que Lula deixa a carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba após ter sido preso pela condenação em outro processo, que trata do apartamento tríplex do Guarujá (SP). Desde 7 de abril, Lula cumpre, na capital paranaense, pena de 12 anos e um mês de prisão, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Defesa do ex-presidente Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que o depoimento de Lula demonstra arbitrariedade da acusação. Isso porque embora o Ministério Público Federal cite que contratos específicos da Petrobras teriam gerado vantagens a Lula, nenhuma pergunta neste sentido foi feita: “A situação confirma que a referência a tais contratos da Petrobras na denúncia foi um reprovável pretexto criado pela Lava Jato para submeter Lula a processos arbitrários perante a Justiça Federal de Curitiba”. A defesa também reafirma a propriedade do sítio Santa Bárbara, “que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo”. “O depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula também reforçou sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País”, encerra a nota assinada pelo advogado Crisitiano Zanin Martins.

O purgatório bolsonariano – Por Wanderley Guilherme dos Santos

 Transpondo a linguagem truculenta de ideias do século XIX para o reacionarismo megalomaníaco do século XXI, o candidato eleito projeta um governo de ocupação em guerra contra o século XX. Depois da Segunda Guerra Mundial começou a derrubada de preconceitos contra o voto feminino, a proteção ao trabalho, organizações sindicais, o pluralismo político-partidário, a laicidade do Estado. Pelo fim do século, a crescente participação extraparlamentar de movimentos em defesa de minorias raciais, religiosas, do meio ambiente, da universalização dos direitos civis, da equiparação profissional entre mulheres e homens, conquistaram legitimidade e proteção constitucional. Pois a preferência do presidente eleito e do suposto núcleo duro de sua campanha (filhos, Paulo Guedes e o presidente do PSL, partido cujos novíssimos representantes aparentam haver consumido doses industriais de LSD), todos são pelo desmantelamento de tudo isso. Aos berros e pela profusão de ameaças físicas, busca o alvará para se estabelecer como o primeiro governo civil e brutamontes da história recente. Ou muito me engano ou esta não era a intenção da vastíssima maioria de seus cinquenta e tantos milhões de votos. Sem racionalizações depois dos fatos, duvido que o modesto nicho de personagens, todos periféricos, dominasse desde o primeiro dia uma genial estratégia de campanha, derivada de sofisticada análise sociológica dos subterrâneos da sociedade brasileira. É provável que a possibilidade de vitória habitasse o mesmo cômodo dos sonhos impossíveis de milhares de candidatos derrotados à Câmara de Deputados e às Assembleias estaduais. Sem apoio empresarial, recursos humanos e meios convencionais de comunicação (que só perderam poder na análise tosca dos muito apressados), enfurnados nas guerrilhas das redes sociais, o candidato patinou durante semanas até ser identificado e adotado como intérprete da rebelião contra os políticos tradicionais, novos ou velhos (João Amoedo e Guilherme Boulos foram tão desprezados quanto Marina Silva e Geraldo Alckmin). Durante grande parte do processo eleitoral todos pensavam que Jair Bolsonaro seria derrotado por qualquer um dos famosos. O PT esmerou-se na tese de que, na hora H, isto é, quando Lula o indicasse, seu poste ganharia as eleições. O que ninguém percebeu até tarde é que aquelas multidões rebeladas buscavam um poste para derrotar o PT. Por isso os nomes tradicionais não serviam, já haviam sido derrotados mais de uma vez. Jair Bolsonaro foi o poste que derrotou o PT. Até o empresariado demorou a entender que o apoio surpreendente a Bolsonaro, a partir do meio da campanha, não era a seu fascismo de fancaria, a seu evidente desconhecimento de economia, história, relações internacionais, leis, qualquer coisa. O apoio era ao antipetismo selvagem e, por extensão, a todas as nuances do que lhe parece, sem discernimento seguro, “esquerda”. Um poste derrotou o PT e, com ele, toda a esquerda democrática. O candidato eleito parece ter consciência da inadequação ao que se espera de um presidente da República. Por trás do socorro a citações religiosas está a insegurança de quem não sabe o que responder senão a perguntas que propiciem declarações violentas contra isto ou este. A maioria delas, inviáveis sem prévio golpe de estado. Daí a terceirização do poder, a entrega de blocos do Estado a nomes que o protejam da responsabilidade de decisão autônoma. Daí a hesitação, idas e vindas e demoras sobre que políticas a praticar. Vitorioso em uma campanha vazia de propósitos específicos, sem dominar o que significa ser conservador, descobre que ameaças não governam, nem farão com que seus ministros sigam opiniões estapafúrdias como desafiar a China, ofender gratuitamente o mundo árabe ou liberar policiais para assassinatos impunes. Um presidente fraco, com um estado desarticulado em blocos de poder, comandados por personagens sem traquejo nas negociações democráticas, tem tudo para assegurar a instabilidade atual. É o purgatório em que viveremos, nós e seus eleitores. Via: O Cafezinho

Como um presidente pode interferir no Enem? Por Carol Castro

 Contrariado com o conteúdo da última prova, Bolsonaro promete mudanças no exame  O Enem deixou a família Bolsonaro enfurecida. A prova de humanas, no domingo 4, trouxe questões sobre nazismo, escravidão, ditadura militar, feminismo, preconceitos raciais, com redação sobre manipulação de dados na internet. E um texto especialmente incômodo: um dialeto secreto usado por gays e travestis. Os quatro homens da família – Jair e os filhos Flávio, Carlos e Eduardo – acusaram o exame de cobrar questões com “viés ideológico”, alguns deles ecoaram acusações de ser uma prova petista. E prometeram mudanças a partir de 2019. “Qual a razão de incluir ideologia e politicagem nos testes que medem o conhecimento dos nossos alunos? Não devemos fabricar militantes, mas preparar o jovem para que se torne um bom profissional no futuro. O modelo atual não funciona, temos péssimos indicativos. É preciso mudar!”, escreveu Jair Bolsonaro em seu Twitter. O modelo atual, na verdade, funciona com tanta credibilidade que mais de 30 universidades estrangeiras usam a nota do Enem como forma de seleção – entre elas a Universidade de Coimbra, em Portugal. “O Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira] agiu corretamente. Não foi um ato de resistência, não se trata de um veiculo de resistência. Apenas fez jus ao que se deve fazer em uma prova: perguntar aos estudantes qual é o grau de conhecimento deles sobre fatos históricos, processos e fenômenos sociais”, explica o educador e cientista político Daniel Cara. Não há ligação com partidos políticos – nem na escolha das questões, nem na elaboração de cada uma delas. De acordo com o Inep, professores se inscrevem por meio de um edital de chamada pública para colaborar com a criação de novas perguntas. Os colaboradores, então, passam por um curso de capacitação para entender as matrizes do Inep, que seguem a Base Nacional Comum Curricular. Na sequência, alguns poucos funcionários do órgão avaliam e testam as questões. Se forem aprovadas, entram para o Banco Nacional de Itens. E, na sequência, são pré-testadas para avaliar o grau de dificuldade da questão. “É uma questão de sigilo complexa, com um grupo pequeno de pessoas fazendo a prova”, explica Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação. Com tanto sigilo, os técnicos do Inep ganham independência – tanto de qualquer Presidente da República, quanto da chefia do órgão, nomeado pelo ministro da educação. Para cumprir a promessa de mudar as provas do Enem, Bolsonaro teria trabalho. Segundo ex-funcionários do MEC envolvidos com a reformulação do exame, o presidente eleito teria de pedir ao ministro de educação para convocar uma nova comissão e refazer o banco de itens – e, nesse caso, vetar questões como a do tal dialeto LGBTQI+. Um dos nomes cotados para assumir a pasta é o do general Aléssio Ribeiro. E ele já defendeu que a “história verdadeira” dos anos de ditadura seja contada nas escolas – assim como o criacionismo. Mas para mudar questões nessas áreas, que fogem dos currículos, precisaria dar novas diretrizes à Base Nacional Curricular. Ou ignorá-la. “O Enem cobra conhecimento consolidado, algo contra o qual Bolsonaro quer agir. Ele quer ir contra o consenso histórico, contra as linhas gerais elaboradas no longo processo de construção cientifica no Brasil e no mundo”, explica Cara. “Além de interferir no banco de questões, vai ter de interferir no conteúdo das escolas. E você não desconstrói o conhecimento consolidado de um dia para o outro”, conclui. No cenário mais nebuloso, sem seguir os processos de construção do exame, o presidente poderia intervir na escolha das questões e montagem das provas. Aí sim de forma mais autoritária, com arbitrariedade sobre os membros do Inep. “Seguindo regras, nem o ministro, nem a presidente do Inep, nem a secretaria executiva podem influir na prova. Se o fizerem, quebram o sistema de controle, de idoneidade e transparência do próprio Enem”, explica Cara. “Isso tira a credibilidade e passa a ser uma prova de governo, não de estado. O Enem vem sendo aperfeiçoado desde o período FHC. E passou a dar acesso à universidade, democratizando o processo. Para que isso continue é preciso manter essa política”, completa Lacerda. Se ninguém mais confiar nas avaliações cobradas pelo Enem, qualquer universidade pode deixar de usá-lo em suas seleções. Seria um ponto final na ainda breve história do exame. Não sem luta – os professores, provavelmente, bateriam o pé para barrar essas mudanças. E, segundo Cara, se a sociedade não cobrar também, o Enem corre mesmo um grande risco. * Repórter de diversidade do site de CartaCapital

Quem será a voz de quem rejeita o bolsonarismo?

 O neoliberalismo de Paulo Guedes oferece uma brecha política aos opositores, mas o racha no campo progressista e o apoio popular a Bolsonaro são desafios * Por André Barrocal  Jair Bolsonaro, o primeiro político da extrema-direita a chegar ao Palácio do Planalto através das urnas, sonhava em ser o presidente mais votado da história brasileira, mas não conseguiu. Com 57,7 milhões de sufrágios, 55% dos válidos, faltou-lhe meio milhão para bater o recorde de Lula, 58,2 milhões obtidos na reeleição, em 2006. Do total de 147,3 milhões de eleitores de agora, o ex-capitão teve 39%, o mesmo porcentual de Lula na última pesquisa, um Datafolha de 22 de agosto, feita antes de o petista ser tirado do páreo pela Justiça Eleitoral. Isso significa que, de cada dez brasileiros, seis não votaram no ex-capitão, incluídos aí aqueles que não foram às urnas (21%), uma situação similar à de Dilma Rousseff em 2014, reeleita com 40%. Daqui para a frente, quem será a voz, o líder desses 61% que de algum modo não se comprometeram com o bolsonarismo? Ou será que o autoritário presidente eleito e seu ultraliberal superministro da Economia, Paulo Guedes, convencerão essa massa de que o bolsonarismo é hoje a melhor opção para o País? No campo progressista, o grande derrotado político pelo ex-capitão, já há um racha. Ciro Gomes, do PDT, não quer nem ouvir falar em marchar ao lado do PT. Seu velado antipetismo durante a campanha agora é escancarado. No PCdoB, o partido da vice de Fernando Haddad, Manuela D’Ávila, e no PSB, cuja neutralidade na campanha interessava ao PT, também não há lá muita disposição para posar com petista por perto. No PSOL, a votação abaixo do esperado de Guilherme Boulos, menos de 1% no primeiro turno, deixa em dúvida o protagonismo do líder dos sem-teto no partido a partir de agora. Na legenda da estrela vermelha, o PT, as emoções se misturam. Sensação de pária. Alívio por ter eleito o maior número de deputados e governadores. Ruminações sem fim a respeito dos motivos que levaram à vitória do candidato que antes era o mais odiado do País. Fake news e patrocínio empresarial à parte, diz o líder do PT na Câmara, o gaúcho Paulo Pimenta, “Bolsonaro é resultado da crise do capitalismo, que aumenta as desigualdades e leva as pessoas a buscarem um líder autoritário. É um fenômeno mundial, o (presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump é isso”. Esse fenômeno, prossegue o deputado reeleito, tem um ingrediente local: um antipetismo radicalizado pela Operação Lava Jato e que não viu na direita tradicional uma resposta para seus anseios. “O PSDB e o MDB foram pulverizados nas urnas. O PT sobreviveu.” Pulverizados e em crise existencial. Dono de apenas 5 milhões de votos no primeiro turno com Geraldo Alckmin, o PSDB vive um impasse. Seus velhos fundadores, Fernando Henrique Cardoso à frente, são antipáticos ao bolsonarismo, devido a questões morais, embora haja certa identidade econômica neoliberal. O governador eleito de São Paulo, o tucano João Doria Jr., tem identidade total, quer tomar o poder no partido e namora o futuro presidente, não obstante dê sinais de sonhar com o Planalto em 2022. “O PSDB, como instituição fraturada, sem acordo interno, sem discussão democrática, não ouviu a voz das ruas. Ao não ouvir a voz das ruas, decretou a sua derrota para 2018. Assim como o PT foi varrido do mapa em 2016, o PSDB e outros partidos foram varridos do mapa em 2018”, disse da tribuna da Câmara, na terça-feira 30, a deputada gaúcha Yeda Crusius, da direção nacional tucana. Da parte de Ciro, o diagnóstico para o triunfo de Bolsonaro é diferente do exposto por Pimenta. “A força vitoriosa mais importante no Brasil é o antipetismo”, disse à CBN na quarta-feira 31. O pedetista está decidido a construir seu futuro político por essa via, a do antipetismo. Ao votar no segundo turno, em Fortaleza, comentou que seria oposição a quem quer que ganhasse e tascou: “Eu não estou neutro, não. Desde a primeira hora, eu tomei posição. Eu não quero é fazer campanha com o PT, nunca mais”. Palavras de quem havia chegado ao Brasil na antevéspera, após uns dias de descanso em Paris, e não fizera nenhuma declaração favorável a Haddad, nem o citara pelo nome. Em um vídeo no sábado 27, pregara voto “com a democracia, contra a intolerância e pelo pluralismo”, e só. Eleito Bolsonaro, desejou-lhe boa sorte pelo Twitter com cotoveladas no PT. “Essa oposição que nasce não se confunde com forças que só defendem a democracia ao sabor de seus interesses mesquinhos ou crescentemente inescrupulosos ou mesmo despudoradamente criminosos.” Em entrevistas nos últimos dias, mais patadas. À Folha, declarou-se “miseravelmente traído” por Lula, chamou o “lulopetismo” de “caudilhismo corrupto e corruptor”, disse que “para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo”. Na CBN, afirmou que “os fanáticos do PT são iguais aos bolsominions”, expressão esta usada para definir os apoiadores de Bolsonaro. Não se pode dizer que seja uma postura surpreendente. Ciro apenas explicitou o que já era latente desde o ano passado. Em setembro de 2017, dizia no Rio que “não é possível insultar a inteligência do povo brasileiro” ao comentar a perseguição política a Lula. No mês seguinte, no SBT: “Eu acho que o Lula, que é o maior líder popular que o Brasil moderno produziu, tem cometido erros gravíssimos, porque faltam a ele petistas que digam a ele para não fazer tanta bobagem, para não brincar de Deus”. Em fevereiro deste ano, na Folha, disse que a condenação de Lula não era “arbitrária”, que ele “não é um mito”. E por aí vai. Ciro é o presidenciável natural de um trio progressista que planeja ser diferente do PT na oposição a Bolsonaro. O grupo tem PDT, PCdoB e PSB. Era a tríplice aliança que Ciro queria na campanha, mas não conseguiu, graças ao PT, motivo de mágoa profunda dele com Lula e a direção petista. Recorde-se: o