O habeas corpus da democracia – Por Gustavo Conde

 A vitória de Lula no STF foi maior do que se imagina. A lente do ceticismo que, de maneira compreensível nos toma a todos, impediu que assimilássemos sua dimensão real. E quem nos forneceu gratuitamente a “chave” dessa dimensão, ironicamente, foi a imprensa tradicional. Ela interpretou o resultado com mais acuidade e interesse – e com profunda lamentação. A nossa leitura, acostumada com “derrotas” seguidas, não quis codificar o que estava diante de si: uma vitória espetacular. A “mera” aceitação deste habeas corpus leva o processo de Lula ao labirinto infinito das subjetividades do Supremo. Isso eleva o cenário das possibilidades à décima terceira potência – o que continua sendo arriscado, mas agora para os dois lados. Agora, pode-se pedir vista, pode-se adiar, pode-se enxertar, enfim, pode-se criar um debate sem fim. Sérgio Moro sofreu o seu maior cala-a-boca até aqui e ficou com a broxa na mão. A imprensa sabe que, a partir deste momento, o STF ficou menos manipulável. Em outras palavras: a infinitude narrativa migrou da Lava Jato para o STF. O instante se traduz pela seguinte equação: o bloco do golpe terá de pressionar , daqui por diante, ministro por ministro – e não só a “adestrada” Cármen Lúcia. Isso gera muito mais trabalho e resulta em sub chantagens que escapam ao mundo controlado da ‘realidade’ golpista. A confortável operação sangrenta de caça à Lula, portanto, foi lançada ao imponderável das crises existenciais que subjazem às ilhas supremas do nosso tribunal máximo, tão bipolar quanto irritadiço. Era tudo o que o golpe não queria. O ethos histórico de um defensor Essa vitória também atende pelo singelo nome de um veterano magistrado. A defesa de Lula conta com estrelas de primeiríssima grandeza, como Cristiano Zanin, Valeska Teixeira e Sepúlveda Pertence. Mas, eis que, aos 45 do segundo tempo, entra em campo um defensor que parecia estar guardando seu talento para aplicá-lo justamente neste preciso instante. José Roberto Batochio colocou o STF no bolso. Fez uma defesa impecável, histórica, contundente, técnica e, ao mesmo tempo, inflamada. Sua voz incorporou o sentido geral de sua dicção: levemente afônica, com falhas específicas, quase calculadas. Um “granulado” vocal que hipnotizou o ministros. O som se somou ao sentido porque aquele conjunto de “falhas” são decorrentes de densidade emocional, não de afonia por desgaste físico. Batochio impregnou o STF com sua voz e com sua erudição controlada e prática. Foi uma aula, um raro momento de soberania intelectual naquele tribunal que se autodegradou tanto de dois anos para cá. Na esfera do conteúdo propriamente dito Batochio foi sutil como uma lâmina de aço forjado em dobras: invocou nada mais nada menos que Chrétien-Guillaume de Lamoignon de Malesherbes, o defensor de Luís XVI. Narrou a tensão que cercava a defesa do magistrado francês no longínquo ano de 1792, mobilizando assim um conjunto de sensibilidades difusas em sua audiência, desde o banho de sangue da revolução francesa até a cifra trágica de se evocar um defensor que foi guilhotinado. Feita essa complexa armadilha retórica, citou em francês a frase que deve estar ecoando até agora nos ouvidos dos ministros: “J’apporte à la Convention la vérité et ma tête. Elle pourra disposer de ma vie quand elle aura entendu mes paroles”. Tradução: “Trago à convenção a verdade e a minha cabeça. Poderão dispor da segunda, mas só depois de ouvir a primeira”. Está aberta a nova temporada de caça aos ministros Ao dispor dessa tática de persuasão mais agressiva e passional, habitante histórica do próprio direito, Batochio impôs seu regime de sentido àquele tribunal. Pode-se ver a sessão quantas vezes quiser: o que ficará impregnado na memória e no juízo é a fala de Batochio. Não bastasse o tom, a dicção, o conteúdo e a própria voz – significada na semiótica da respiração – Batochio ainda cometeu o abuso de improvisar: diante do iminente adiamento do mérito, pediu de maneira inesperada uma salvaguarda para seu cliente, de maneira a protegê-lo até o momento da decisão do Habeas Corpus propriamente dita. Este pulo do gato jurídico – absolutamente legal e previsto na letra – devastou o horizonte azul-tucano do prosseguimento do golpe. Porque ele gera cenários mais complexos do que o mérito em si poderia gerar. A admissibilidade do Habeas Corpus reabre a temporada das pressões. De uma certa maneira, repete a institucionalidade teatralizada do impeachment de Dilma Rousseff, mas, agora, diante de outra conjuntura política: o desgaste monumental do usurpador da república, do próprio STF e do próprio instituto das eleições majoritárias, na iminência de sua realização. Não bastasse essa pletora de complicadores, o réu é nada mais nada menos do que o franco favorito a ser reconduzido ao cargo de presidente da república, além de estar indicado ao prêmio Nobel da Paz e de ter a atenção máxima da imprensa mundial que, diferentemente da brasileira, não tem rabo preso nem exerce pressões diretas naquele tribunal – senão as pressões legítimas da opinião pública internacional. A dança das pressões O STF re-encontrou, por assim dizer, sua razão de ser. Ele subtrai o protagonismo pálido e cansado de Sergio Moro e da Lava Jato – que arrasaram não só a economia, mas todo o ordenamento jurídico do país – e volta a tentar praticar algum tipo de direito com base na constituição. Mais do que isso. O 7 a 4 de Lula tira de Cármen Lúcia o controle irrestrito dos prazos daquela corte. É por isso que a imprensa tradicional se quedou paralisada diante da decisão supracitada. Ela sabe que a narrativa do golpe sofreu um estilhaçamento. São 11 ministros. Enquanto se pressiona um, distensiona-se outro e assim por diante. Não há energia suficiente – nem com todos os prêmios e minutos de jornal nacional – que dê conta de 11 ministros e suas respectivas vaidades e bipolaridades. Essa é a lógica, afinal, de um tribunal superior: sua indomesticação (ainda que por motivos meramente humanos, demasiadamente humanos). Diante desta realidade, impõe-se obrigatoriamente o poder de convencimento e a inteligência, justamente os dois atributos que a

O jogo das pressões – Por Fernando Brito, do Tijolaço

   Não haverá “folga” para os ministros do STF até o dia 4, quando volta à pauta o habeas corpus de Lula.  Com alguns dias, foi possível saber como a “viagem” de Marco Aurélio Mello, sacada com maestria – e até assumindo um desgaste pessoal -, acabou impedindo uma manobra, possivelmente combinada entre Cármen Lúcia e Luiz Edson Fachin, para criar um fato consumado. Fachin daria seu voto contrário e, como a ordem de votação se iniciava com Alexandre de Moares e Luiz Roberto Barroso. 3 a zero contra Lula e julgamento suspenso pelo “adiantado da hora”. Segunda-feira, o TRF confirmaria a sentença e -feito! – Lula seria preso às vésperas ou durante a Semana Santa, tranquilizando que tem medo da repercussão de sua detenção. Com Lula já na cadeia e um placar altamente favorável, o quarto voto, de Rosa Weber, na sessão de reabertura da votação, cobraria um preço muito maior para ser dado em favor do ex-presidente. O movimento de Mello e a presteza com que a defesa pediu de imediato a liminar de salvo-conduto desmontaram a estratégia torpe de manipulação do julgamento, começada com a antecipação do julgamento do habeas corpus em lugar das ações de inconstitucionalidade, de alcance geral e, por óbvio, muito mais adequadas, pela impessoalidade. Agora, será pressão diária. Os batedores de panela remanescentes – agora que a turma do Kim entrou no seu ocaso midiático – gritam nos jornais. Três deles – Eliane Cantanhede, no Estadão, e, em O Globo, Ascânio Seleme e Merval Pereira vociferam contra o Tribunal. Invocam o pecado de que o STF mude sua jurisprudência por um habeas corpus, convenientemente esquecidos de que foi através de um habeas corpus que se estabeleceu esta inconcebível decisão de “revogar” o princípio constitucional da presunção da inocência. Acenam com o “perigo” de que a decisão represente a libertação de centenas, milhares de condenados em segunda instância, como se todos não estivessem vendo, até pela reação dos “heróis” da Lava Jato que a decisão apenas poria fim a um conjunto de atos praticados com muitas motivações, menos a de fazer justiça. Tudo isso porque se apavoram com a possibilidade de que Lula, em liberdade, frustre os planos de afundar de vez o Brasil no autoritarismo. Fazem pressão, todo o tempo, com a ajuda da “Carminha” que não se envergonha de antecipar, no rádio, o voto que dará em favor desta violência. Mas não têm para onde apontar, porque tudo que este processo de destruição da política conseguiu produzir foi um personagem sinistramente caricato: Jair Bolsonaro.

Pense num cabra animado, diz Lula após decisão do STF

 O Tribunal Superior Eleitoral determinou que o ex-presidente não poderá ser preso até o próximo dia 4– O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva soube da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de conceder uma liminar impedindo sua prisão até o dia 4 durante um ato na noite da última quinta-feira (22), na cidade de Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul. Às 19h15, um assessor lhe entregou o seu próprio celular. Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff leram a notícia juntos. Pouco antes, os ministros do Supremo tinham decidido adiar para o dia 4 de abril a discussão sobre o habeas corpus pedido pela defesa do petista. Atendendo a um pedido da defesa, seis dos 11 ministros votaram também por conceder uma liminar proibindo a sua prisão até essa data, sob o argumento de que o ex-presidente não poderia ser prejudicado por um atraso no julgamento que não aconteceu por culpa dele. Com gestos, o ex-presidente queixou-se da dificuldade de enxergar o texto, chamando o vice-presidente do PT Márcio Macedo para que lesse a notícia. Numa rodinha, Lula, Dilma e Macedo conversaram. Até que o anfitrião do ato e coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), João Pedro Stedile, arrancasse o celular de sua mão. Naquele momento, os participantes do ato tinham apenas informações incompletas. Pouco depois, Dilma assumiu o microfone para discursar. Um assessor subiu ao palco e conversou com o ex-presidente. Lula ouviu depoimentos de simpatizantes que foram beneficiados com programas sociais em um ato sobre agricultura familiar. No discurso, Lula disse esperar que os ministros do STF se debrucem sobre o mérito de seu processo. O ex-presidente repetiu que não está acima da lei. “Eu quero apenas a lei e a justiça”, afirmou. E demonstrou satisfação após saber da decisão: “Pense num cabra animado”. Na próxima segunda (26) o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) julgará os últimos recursos de Lula naquela instância. A partir dali, rejeitados os recursos, pela praxe do TRF-4, a prisão poderia ser decretada -a liminar, porém, agora impede que ele seja detido nas próximas duas semanas. Lula está no Rio Grande do Sul em sua caravana pela região Sul. Ele tem enfrentado protestos diários nas cidades do interior gaúcho. Com informações da Folhapress. Leia também: Cabra macho, sim senhor – Por Felipe Gabrich

Lula livre mesmo com pedido de vista no STF

 Está mais fácil o Sargento Garcia prender Zorro do que o juiz Sérgio Moro colocar Lula atrás das grades, como deseja a Globo e os especuladores no mercado financeiro.  A última informação é que um eventual pedido de vista no habeas corpus do ex-presidente, no dia 4 de abril, mantém o salvo-conduto concedido ao petista pela Suprema Corte. Paralelamente, nesta segunda-feira (26) os desembargadores do TRF4 — a famigerada segunda instância — julgam os embargos de declaração da defesa de Lula. Após esse acórdão poderá haver mais um recurso, os embargos dos embargos, que poderá levar mais dois meses. Ou seja, provavelmente em junho. Na outra ponta, independentemente do TRF4 e do habeas corpus, há ainda o exame das ADCs 43 e 44 cujo relator é o ministro Marco Aurélio Mello. Essas declaratórias têm a ver com a presunção da inocência prevista na Constituição Federal (art. 5º, inciso LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”). Via Blog do Esmael

Lavajateiros agora se voltam contra programa nacional de submarinos

 Ninguém vai parar essa loucura? O que mais falta para o governo brasileiro e as forças armadas darem um basta aos delírios do MPF, os quais, estranhamente, se voltam sempre com fúria contra os interesses nacionais mais estratégicos, mais importantes para nossa defesa, nossa infra-estrutura, nossa economia, nosso futuro”, questiona Miguel do Rosário, editor do Cafezinho  Por Miguel do Rosário, no Cafezinho – A matéria publicada no UOL é mais um dos crimes lavajateiros que caracterizam estes sombrios tempos de golpe. O título é já uma condenação peremptória e midiática, com efeitos terríveis sobre o projeto, que, nestes casos, é paralisado, suspenso, atrasado ou mesmo anulado. “MPF aponta superfaturamento de 2,8 bilhões em programa de submarino”. A frase é uma bomba semiótica típica da guerra híbrida. Em poucas palavras, tanta destruição. Se você ler a reportagem, coisa que quase ninguém faz, inclusive o ministro Luis Roberto Barroso (que adora denunciar a corrupção nas estatais brasileiras em suas palestras regiamente pagas nos EUA), você descobrirá que o Ministério Público não tem NENHUMA prova de superfaturamento no projeto dos submarinos. O que você tem é um procurador fazendo a velha e idiota confusão de sempre, de pegar o orçamento de um projeto, e compará-lo com os gastos efetivos realizados naquele projeto. O MPF virou uma arma de destruição em massa. O que um procurador entende de submarino nuclear? Nada, evidentemente. Embora a operação não faça parte, oficialmente, da Lava Jato, é mais um de seus desdobramentos, e o modus operandi é parecido: “deslegitimação” na mídia, pré-julgamento, linchamento moral, e, sobretudo, ausência completa de preocupação sobre suas consequências devastadoras. Um projeto é sempre um projeto. A sua realização é outra coisa. Para ganhar o projeto, as empresas puxam os custos para baixo. Na hora de realizá-lo, puxam os custos para cima. Isso é uma realidade objetiva e concreta. Há desvios? Pode ser, mas certamente não na escala delirante do MPF, que faz uma conta infantil de subtrair os custos efetivos das obras do que havia sido estimado no projeto inicial. No caso dos submarinos, o procurador vai mais longe. Como se soubesse mais do que a própria Marinha, ele toma posições contra o próprio projeto, que deveria, segundo ele, ter feito um armazém aqui, outro acolá, como se ele, procurador, fosse a autoridade maior em submarinos do país! O lado trágico disso tudo é que o projeto dos submarinos já está atrasado por conta da Lava Jato e do golpe. Essa nova onda de ataques pode atrasá-lo ainda mais, prejudicando a economia fluminense, em situação desesperadora, que se beneficiaria dos estaleiros a serem construídos e ampliados no Rio de Janeiro. Ninguém vai parar essa loucura? O que mais falta para o governo brasileiro e as forças armadas darem um basta aos delírios do MPF, os quais, estranhamente, se voltam sempre com fúria contra os interesses nacionais mais estratégicos, mais importantes para nossa defesa, nossa infra-estrutura, nossa economia, nosso futuro? *** No UOL MPF aponta superfaturamento de R$ 2,8 bilhões em programa de submarinosLeandro PrazeresDo UOL, em Brasília24/03/201804h00 Obras do estaleiro para submarinos teriam sido superfaturadas, diz procurador Investigações conduzidas pela PR-DF (Procuradoria da República no Distrito Federal) encontraram indícios de superfaturamento de ao menos R$ 2,8 bilhões no Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), projeto executado por uma subsidiária da Odebrecht e pela empresa francesa DCNS. Em nota, a Marinha disse desconhecer qualquer suspeita de superfaturamento na obra. A Odebrecht, até a última atualização desta reportagem, não havia se manifestado. O Prosub é o maior programa da área de Defesa em andamento no Brasil. Orçado inicialmente em R$ 27 bilhões, a estimativa é que ele custe pelo menos R$ 31 bilhões. O projeto prevê a construção de um estaleiro em Itaguaí, no litoral fluminense, e de cinco submarinos, sendo quatro convencionais e um movido a propulsão nuclear. O primeiro submarino convencional do projeto deve ser entregue em 2020. O submarino nuclear ficaria pronto em 2029. O superfaturamento identificado pelo procurador do caso, Ivan Cláudio Marx, estaria na obra do estaleiro onde os submarinos são construídos. A obra é executada pela Itaguaí Construções Navais, uma subsidiária da Odebrecht e, segundo a procuradoria, custou muito mais (R$ 7,8 bilhões) que o valor inicial (R$ 5 bilhões), além de ter ficado menor do que foi originalmente planejada. Segundo as investigações, o orçamento inicial previa que o estaleiro custaria R$ 5 bilhões. Depois de iniciada a obra, a estimativa subiu para R$ 10 bilhões. O governo contestou os novos valores e a Odebrecht teria oferecido um novo valor: R$ 7,8 bilhões. O montante, segundo o procurador, foi aceito pelo governo. O problema é que, de acordo com as investigações, para que a obra “coubesse” no novo valor, partes do projeto inicial foram excluídas. Entre as partes excluídas estariam galpões destinados à utilização das Forças Armadas, principal interessada no programa. “Quando a gente reavaliou os dados e foi ao local da obra, constatamos que uma boa parte do projeto inicial tinha sido eliminada para caber no novo preço. Ou seja, o governo vai pagar mais caro para ter menos obra”, disse. As investigações sobre o suposto superfaturamento das obras do Prosub começaram no final de 2015 e ainda não foram concluídas. Ao final das apurações, a PR-DF poderá apresentar uma denúncia à Justiça Federal do DF. Atualmente, existe um procedimento investigatório criminal (conduzido por Ivan Marx) e um inquérito policial a cargo da Polícia Federal apurando o caso. Projeto envolvido em suspeitas A constatação de que houve superfaturamento nas obras do Prosub é a mais nova polêmica envolvendo o projeto e a Odebrecht. No ano passado, as delações de executivos da companhia revelaram que a empresa pagou R$ 155,5 milhões em propina ao operador José Amaro Pinto Ramos para obter os contratos de construção dos submarinos. Delatores como Benedicto Júnior e Hilberto Mascarenhas admitiram que a Odebrecht pagou propina a Ramos pela obtenção dos contratos. Segundo eles, o dinheiro foi repassado a Ramos por meio de depósitos em contas mantidas por ele no exterior ao longo da

STF pôs fim ao Consenso de Curitiba – Por Ricardo Bruno

 A decisão do STF de impedir uma eventual prisão de Lula, até o julgamento final do habeas corpus, teve o condão de pôr fim à estranha unanimidade do Judiciário na análise das acusações contra o ex-presidente.  Ainda que de modo provisório, os ministros da Suprema Corte confrontaram a teoria dominante, elaborada por Moro e seus asseclas da Lava-Jato, segundo a qual Lula não deve ser tratado com equilíbrio e bom senso, a fim de que não prevaleça uma eventual imagem de leniência do Judiciário com o presidente de maior aprovação popular na história recente do País. Assim, as provas pouco importam; os fatos, por mais óbvios, não são suficientes. O importante é o aspecto didático de uma condenação – ainda que seja uma condenação desprovida dos mais comezinhos elementos comprobatórios; ainda que se incorra na mais flagrante aberração jurídica; ainda que se cometa a mais aviltante mácula processual na aplicação da lei. O direito não é uma ciência exata. Comporta nuances de interpretação. Resulta de visões humanísticas sobre ética e moral. Contudo, reparem a esdrúxula sequência do caso. Moro condena; os desembargadores do Tribunal Regional de Porto Alegre ratificam a condenação e, como num coro de vozes amestradas, ampliam a pena de nove para 12 anos e um mês. Até mesmo nesta gradação foram consensuais. Não houve sequer uma divergência colateral entre os magistrados – em que pese a extrema complexidade do caso. Adiante, a quinta turma do Superior Tribunal de Justiça novamente expressa consenso na rejeição de um habeas corpus preventivo. As justificativas são as mesmas, os argumentos parecem clonados da versão inicial de Moro e do Ministério Público Federal. Não houve confronto de posições nem mesmo sobre a admissibilidade ou não de recursos. Custa-nos a crer na possibilidade de não existirem modos diferentes de interpretar a lei; pesos diversos na aplicação do código penal, enfim visões conflitantes. Sem exceção, todos mostraram-se adeptos da necessidade de uma espécie de condenação sumária do ex-presidente . Quando todos aprovam, quando todos repetem exatamente o mesmo discurso, é prudente desconfiar. O Supremo quebrou esta forma monolítica, artificial e suspeita de tratar o caso. Pôs fim ao consenso de Curitiba. As divergências entre ministros no STF, às vezes condenadas pelo senso comum, são essenciais para seriedade e o respeito às suas deliberações. É deste dissenso que nasce o equilíbrio na aplicação dos códigos. A vitalidade do sistema democrático não está efetivamente no consenso. Ao contrário, resulta dos pesos e contrapesos do conflito de posições. Se a presidente Carmem Lúcia tentou emparedar os colegas, colocando em votação o habeas corpus e não as duas ações diretas de constitucionalidade que possibilitariam uma decisão fundada em conceitos gerais, seu objetivo foi frustrado. A perspicácia do advogado José Roberto Batochio permitiu uma solução que não estava no roteiro. O acusado não poderia ser prejudicado pela incapacidade de o Judiciário analisar o caso com a celeridade exigida. Não há como discordar desta premissa. Seria inconcebível permitir a prisão de Lula, João ou Maria com o julgamento de um habeas corpus em curso. Ainda assim, Fux, Barroso, Fachin e a própria presidente denegaram o pedido, ao arrepio do bom senso. A despeito da seriedade de sua conduta, a ministra Carmem Lúcia peca em não permitir a imediata análise das prisões após condenação em segunda instância. Em 2016, o caso foi decidido por estreita maioria de 6 a 5, num indicativo de que a Corte estava efetivamente dividida. Ademais, houve mudança na composição do Tribunal. Ao contrário do que acha Carmem Lúcia, o que apequena o Supremo é não julgar, mas sim deixar de lado sua missão por pressão de grupos organizados e veículos de comunicação. Julgar é sempre um ato de coragem. * Ricardo Bruno é jornalista político, apresentador do programa Jogo do Poder (Rio) e ex-secretário de comunicação do Estado do Rio

Lula marca seu primeiro gol na justiça e Habeas Corpus é admissível

   O Supremo Tribunal Federal acatou a admissibilidade do habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Lula para tentar impedir eventual prisão após o fim dos recursos na segunda instância. A maioria já decidiu que o habeas corpus é válido. Alexandre de Moraes abriu divergência e foi seguido por Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, em favor de aceitar o habeas corpus como recurso. Os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux votaram contra aceitar o HC. Agora começa uma nova votação, de mérito, mas o julgamento poderá não terminar hoje

Cabra macho, sim senhor – Por Felipe Gabrich

 Ele pode ser tudo aquilo do que o estão acusando. À boca pequena e nos tribunais. Ladrão, assassino, estuprador, corrupto e o diabo a quatro. Se ele é ou não é não cabe a mim julgá-lo à luz do meu juízo. Mas a História Política não poderá dizer amanhã que ele não seja um “cabra Macho”. Macho, com EME maiúsculo. O nordestino analfabeto, que já foi presidente da República por duas vezes, está enfrentando de peito aberto a chamada grande mídia, aqui incluídos jornais de circulação nacional, emissoras de rádio e televisão. De quebra, uma ditadura disfarçada que envolve o Poder Judiciário e o Poder Legislativo, em acintoso conluio com grupos econômicos, instituições de peso representativo junto à sociedade, como a classe ruralista, a maçonaria e a OAB. E o tal do mercado. E os ideólogos da direita fascista e raivosa. Além da oposição radical dos partidos políticos e das pessoas que não gostam do PT. Isso tudo, sem falar nos tratores e caminhões da intolerância humana. Ou na perda de familiares que ficaram na estrada da vida. Sozinho? Sozinho não: ele e o povão. Como em pleitos passados: um discurso popular, uma estrela de um partido que fundou nas portas das fábricas e uma coragem extremada para resistir aos revezes. Se as eleições presidenciais fossem hoje, ele estaria eleito nas urnas ainda no primeiro turno. Não é nenhum ativista apaixonado que está dizendo isso. Basta que se olhe com isenção e frieza as últimas pesquisas da corrida presidencial. Aliás, feitas por institutos especializados que gostariam de ver a sua caveira. E isso com apenas quatro dedos numa das mãos. É. Tem-se que tirar o chapéu para o retirante nordestino. Um “cabra da peste”, sem dúvida, desses dos quais anda precisando muito uma certa República adormecida e em crise institucional da América Latina. * Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do em cima da notícia

Caravana de Lula planeja entrada triunfal no Paraná

 GLEISI: LULA SEGUIRÁ O ROTEIRO TRAÇADO NO SUL DO PAÍS A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), desmentiu uma matéria do jornal Folha de S. Paulo, intitulada “Lula reavalia agenda no Sul após dois dias de protestos“ “MENTIRA! A Caravana seguirá o roteiro traçado. Denunciamos milícias armadas que atacam a caravana! É responsabilidade do Estado a segurança dos ex presidentes Lula e Dilma! Não houve orientação do presidente p/ conversar c/ autoridades. Foi decisão do partido e dos parlamentares”, escreveu a parlamentar em sua conta no Twitter. A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos estados do Sul, em março, é a quarta etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país. Lula percorreu todos os estados do Nordeste, o norte de Minas Gerais, o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. O ex-presidente vem denunciando o golpe e também a sua caçada judicial, em que o petista foi condenado sem provas no processo do triplex no Guarujá. Vale ressaltar que, quando o MPF denuncia Lula, em setembro de 2016, o procurador Henrique Pozzobon admitiu não existir “prova cabal” de que o petista é “proprietário no papel” do tripléx. E em janeiro de 2018, a juíza Luciana Correa Torres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal, determinou a penhora dos bens da OAS, numa ação movida por credores. E o curioso é que um dos ativos penhorados é justamente o triplex que a Lava Jato atribuiu ao ex-presidente Lula (veja aqui).

Globo amarga prejuízo com golpe, descrédito e recessão

 Apesar de ter conquistado algumas “vitórias” no campo político, as organizações Globo reduziram suas receitas e amargaram prejuízo no ano de 2017. É o que diz o o balanço do grupo esmiuçado pelo analista Samuel Possebon do portal Teletime. Pelo jeito o golpe de 2016, patrocinado pela emissora de TV, não foi um bom negócio.  Em relação ao ano anterior (2016), houve uma queda de 4,5% na receita líquida. Isso se deve à retração do mercado publicitário. A perda foi de R$ 468 milhões no ano. Em 2015 e 2016 a queda foi na casa dos 10%. Como resultado, os dividendos distribuídos aos acionistas são cada vez mais mirrados. Em 2017, esses dividendos foram os menores da última década. Um dos focos do prejuízo da poderosa rede de comunicação é sua TV aberta. A rede Globo de Televisão é considerada o principal aparelho de alienação e de fabricação de mentiras do País. Mais do que tentar destruir a reputação de seus adversários, o “jornalismo” da emissora antecipa julgamentos, vaza dados sigilosos, e pauta os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nas últimas semanas ficou evidente a pressão da Globo para que a presidenta do STF, Cármen Lúcia, a Carminha, desrespeite a Constituição Federal e não paute a violação da presunção de inocência de condenados em segunda instância. Tudo para consumar a prisão do ex-presidente Lula. Assim não há como preservar a credibilidade e audiência. Fonte: Blog do Esmael Morais