Por Lula livre, frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reforçam acampamentos

 As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reforçaram o contingente de pessoas e a programação dos acampamentos de Brasília e Fortaleza. Nesta semana novas ações de rua estão programadas para diversas capitais do país. O acampamento Lula Livre em Curitiba segue como o principal foco de resistência na campanha em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, porém é necessário estender as mobilizações e protestos por todo o país, como a ocupação do triplex atribuído ao ex-presidente Lula no Guarujá, no Litoral de São Paulo, ocorrida nesta segunda-feira (16), segundo informou a coordenação das ocupações. O acampamento Lula Livre em Brasília está localizado no ginásio Nilson Nelson, região central do Distrito Federal, integrado por militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Via Campesina, Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB). Caravanas de Minas Gerais, São Paulo, Goias, Tocantins e Mato Grosso estão acampadas desde quarta-feira (11), totalizando um grupo fixo com mais de 600 pessoas. Em Fortaleza, o acampamento Lula Livre está na Praça Murilo Borges, centro da capital cearense. Coordenado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e cerca de 800 pessoas participam das atividades programadas de forma permanente pelo acampamento. “O povo de Fortaleza tem sido bastante solidário e isso nos anima ainda mais a lutar por Lula”, informou a coordenação da ocupação. “A todo o momento recebemos doações de pessoas ligadas aos nossos movimentos e da população em geral. Chegam aqui alimentos, material de higiene e água”. Em Brasília, foi lançada uma campanha de doações. Itens como arroz, feijão, carne, legumes, verduras, macarrão e vários outros produtos poderão ser entregues em uma tenda específica no acampamento. Quem não puder ir ao local, tem a opção de fazer a doação em dinheiro, que será convertido em alimentos. Neste caso, a pessoa interessada deve acessar o site Vigília Lula Livre e seguir o passo a passo para doação.

Os homens de bem, os puteiros e a prisão de Lula, por Felipe Pena

Os homens de bem comemoram a prisão de Lula em um puteiro. No ritual macabro, o dono do bordel amarra uma funcionária, arranca sua calcinha e torce seu pescoço na frente de outros homens de bem que bebem a cerveja servida de graça pelo cafetão. No alto da cena, como a ungir aquela entidade satânica, lá estão as fotos emolduras da presidente do STF e do juiz Sergio Moro. Duas fotos para um mesmo retrato. O retrato do país onde os homens de bem que aplaudem a tortura de prostitutas nuas em praça pública são os mesmos homens de bem que condenam a nudez de uma exposição de arte nas galerias de um museu.Os homens de bem estão no puteiro da sala de casa, em frente à TV, berrando contra o personagem gay da novela e relativizando o assassinato da vereadora negra e favelada. Os homens de bem não querem a lei. Os homens de bem querem o cassetete, o tiro, a porrada, a bomba.Os homens de bem não querem saber de provas. Querem condenar. Para os homens de bem, não importa se Lula é culpado ou inocente, não importa se o processo foi acelerado, não importa se a constituição foi rasgada.Para os homens de bem, primeiro a gente tira a Dilma, depois…Depois a gente tira o Temer, mas o congresso não deixou.Depois a gente tira o Aécio, mas a Carmen Lúcia não deixou.Depois a gente tira o Renan, mas o Gilmar não deixou.Depois a gente tira o Alckimin, mas ele tem foro privilegiado, é outra história.Pois é. O foro acabou, mas a procuradora não deixou. Mandou tudo para o TRE e retirou o processo da lava-jato.Os homens de bem não se importam em ter uma justiça seletiva. Os homens de bem ignoram as malas do Rodrigo Temer Loures, as contas na Suíça do José Serra, os esquemas do João Dória, todos livres, leves e soltos. Os homens de bem são bem simples: eles só querem jogar Lula do avião.E, se possível, jogam também a Gleise, a Manuela, o Boulos e todo aquele povo do nordeste que mama nas tetas do bolsa-família, com 85 reais por mês. São vagabundos, não são homens de bem para os homens de bem.Para os homens de bem, a justiça é um puteiro. Mas não é um puteiro comum. É um puteiro supremo, com direito a suingue e chicotada, com tudo. E o que eles gostam não é de um simples ménage à trois, mas de um 6 a 5, bem gostoso, como nas melhores putarias.Putarias do bem, é claro. * Felipe Pena é jornalista, psicólogo e escritor. Autor de 16 livros, trabalha como roteirista e dá aulas de jornalismo na Universidade Federal Fluminense. https://www.youtube.com/watch?v=8-uyGwtppQ8&feature=youtu.be  

MESMO PRESO, LULA É LÍDER ABSOLUTO, SEGUNDO O DATAFOLHA

Os números do Datafolha divulgados neste Domingo (15) mudam em muito pouco o cenário das últimas pesquisas eleitorais. Mesmo com a exposição de sua prisão, por horas e horas, na televisão, Lula segue com mais que o dobro das intenções de voto do segundo colocado, Jair Bolsonaro. São 31% contra 15% de Jair Bolsonaro e 10% de Marina Silva. Nos cenários onde era colocado o nome de Marina, na edição anterior do Datafolha, Lula tinha 34 e 35%; Bolsonaro 16 e 17% e a candidata da Rede, de 8 a 10%. Embora a Folha aponte um “enfraquecimento” de Lula, as simulações de segunto turno a desmentem: contra Bolsonaro ou Alckmin, Lula tem 48% dos votos totais (o que dá cerca de 60% dos votos válidos) e 46% contra Marina. Na pesquisa anterior seus resultados eram, respectivamente, 49, 49 e 47%. Um ponto percentual, claro, não tem significado numa pesquisa, bem menos que a margem de erro estatística. Claro que há todas as razões do mundo para ter o pé atrás com uma pesquisa eleitoral, não apenas distante da data do pleito mas, também, num quadro de polarização que, provavelmente, pode criar intimidações na hora das respostas. Mas fica claro que não foi com a ordem de prisão que se conseguiu tirar Lula da eleição. Podem até consumar isso, como candidato. Como influenciador de votos, com toda a evidência, não. A identificação com o PT também passou de 16% a 19% e a legenda continua a ser a mais forte do País, com larga vantagem em relação aos partidos mais diretamente associados ao golpe, como PSDB e MDB.

Pesquisa mostra que os poderosos querem tirar Lula das eleições

 Para 55% dos entrevistados “a Lava Jato faz perseguição política contra Lula”. Para 73%, “os poderosos querem tirar Lula da eleição”. Enquanto 41% acham que a Lava Jato “está investigando todos os políticos”, 52% dizem o contrário. Quem ainda tem dúvidas sobre a perda de credibilidade da Lava Jato e a crescimento da visão de que ela realiza um trabalho seletivo contra Lula precisa prestar atenção aos números recentes de um levantamento do Instituto Ipsos. Pelos ângulos relativo ou absoluto, os números falam por si. Num levantamento iniciado no dia em que Lula foi preso, encerrando-se três dias depois, a visão sobre o encarceramento de Lula terminou em empate técnico. Se 50% ficaram a favor, 46% se colocaram contra, para uma margem de erro de 4%. Outro dado paralelo diz a mesma coisa. Para 47%, a Lava Jato “nada provou contra Lula” mesmo percentual de entrevistados que discordam dessa visão. Considerando o ambiente de carnaval patriótico que tentou-se criar no período em que a pesquisa era realizada, num esforço para criminalizar qualquer tentativa de resistência a prisão, é razoável avaliar este resultado como muito melhor para Lula do que para seus carrascos. Comparado com levantamentos anteriores, recurso que permite estudar as mudanças de compreensão por parte da população, mesmo aquilo que parecia positivo revela-se como negativo. Por exemplo: em apenas um ano, a convicção de que a Lava Jato faz um trabalho isento — essencial na avaliação de todo trabalho da justiça –, investigando todos os partidos, caiu de 66% para 43%. A pesquisa exibe um número que contrasta com os anteriores. Diz que 95% dos entrevistados querem a continuidade da Lava Jato. É uma unanimidade que não tem relação com o conjunto do levantamento, que mostra um país dividido e cada vez mais desconfiado do que vê. Creio que é preciso fazer ponderação razoável. Se os 95% mostram que a força quase mística da Lava Jato permanece em alta, quando tem a oportunidade de examinar casos concretos, a divisão e mesmo rejeição se eleva. O fato da pesquisa ter sido encerrada quando Lula completava o segundo dia na prisão, mostra que a luta continua. Mesmo sob silêncio forçado, que é parte do esforço para torná-lo invisível, Lula tem o que dizer para uma grande parcela de brasileiros. Ao reconhecer que ele está sendo perseguido, e que são os “poderosos” que querem impedir sua presença na eleição, os brasileiros mostram que não desistiram de Lula nem de sua liderança — e este é o elemento essencial para ampliar a mobilização por sua liberdade. Via Brasil 247

Procuradora de Temer pede e STJ proíbe que Lava-jato investigue Alckmin

A Procuradoria Geral da República, comandada por Raquel Dodge, pediu e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) enviou para a Justiça Eleitoral em São Paulo um inquérito que investiga o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) por suspeita de Caixa 2, alegando que os procuradores da Lava Jato em São Paulo não são os procuradores naturais do caso. O tucano não tem mais foro privilegiado, desde que deixou o governo de São Paulo para candidatar a presidência, na última sexta-feira 6. A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi, que relata o inquérito contra o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), no âmbito da lava jato, acatou o pedido da PGR e aliviou para o tucano ao encaminhar o processo para a Justiça Eleitoral.Neste caso, nada acontecerá com Alckmin, que é citado por ex-executivos da Odebrecht, delatores na Lava Jato, por ter recebido repasses ilegais de recursos a título de contribuição eleitoral, pois todos sabem da afinidade da justiça brasileira, principalmente a paulista, com os tucanos. Por outro lado, em Curitiba, o ex-presidente Lula continua preso político.Resumo da ópera: os tucanos são sujeitos de muita sorte, mesmo! Como se não bastasse, o STJ também reduziu de R$ 160 milhões para R$ 160 mil a condenação do Banco Itaú, aliado dos golpistas, e que foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) a pagar uma indenização de R$ 160 milhões por oferecer de forma indiscriminada produtos como cheque especial e cartão de crédito e, assim, contribuir para situações de superendividamento em massa dos consumidores.Os ministros da 4ª Turma consideraram o valor estabelecido pelo tribunal paraense como exorbitante, já que não foi possível demonstrar que a quantia corresponde efetivamente aos danos pretendidos – e reduziram a indenização a R$ 160 mil, “em caráter provisório e meramente estimativo”. E você ainda acredita que a Justiça Brasileira é Igual para todos?

Jogada de mestre – Por Felipe Gabrich

A história universal está eivada de exemplos de mentes brilhantes. Em todas as áreas. De Beethoven a Pelé. De Da Vinci a Einstein. E a humanidade se curva, se espelha, se orgulha, cita-as como exemplos, imortaliza-as. Gênios que a genética não explica. De quando em quando os povos são colhidos de surpresa pelos feitos quase impossíveis dessas inteligências brilhantes. E quando elas surgem, aqui ou acolá nesse território do planeta, o meio mais comum de se saudar esses queís privilegiados é sacudindo o corpo, pois a maioria dos humanos não sabe bater palmas. Lula é um desses cérebros mágicos. Em plena era da comunicação do século XXI. O menino nordestino, que não tem o cata piolho da mão esquerda, sobra em Inteligência. Sábado último ele deu ao mundo intelectual ou inculto dos quatro cantos do planeta mais uma demonstração inequívoca dessa sua habilidade. Quando as mais altas autoridades desse país tidas como de Inteligência acima da média, os maiores veículos de comunicação, inclusive, a grande mídia internacional, os políticos de todos os partidos e os seus companheiros trabalhadores que se espremiam à porta do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo esperavam que ele se entregasse à Polícia Federal para o cumprimento de uma pena a que fora condenado por corrupção, eis que a inteligência iluminada do ex-presidente entra em ação. Em vez de um condenado algemado, cabisbaixo, tampando a cara para não ser televisionado, a massa presente foi surpreendida com um veemente discurso de uma pessoa de ideias livres. Aproveitando que a própria Justiça que o condenou permitiu a sua presença a uma missa em homenagem póstuma à memória de sua esposa Marisa, o ex-presidente fez a festa do povo. Declarou sua inocência, xingou seus desafetos, desacreditou os togados das mais altas cortes do Judiciário federal e disse que iria se entregar. Mas não ficou só nisso o show do ex-presidente e chegou mesmo a emocionar até mesmo os ferrenhos adversários. Ele fez de contas que iria se entregar à PF, deixando o local em carro com o seu advogado e tendo a certeza de que os militantes do seu Partido dos Trabalhadores não iriam deixá-lo sair. Depois, quando a noite veio, os holofotes da mídia se apagaram, os aparatos policiais tanto em São Paulo como em Curitiba foram desfeitos, eis que Lula dá o golpe final de sua estratégia: dirigiu-se a pé até o carro da Polícia Federal que o conduziria para o aeroporto de Congonhas e dali para Curitiba, onde começaria a cumprir pena como preso político, numa cela improvisada nas dependências da Polícia Federal. Lula, que gosta muito de futebol, aplicou uma finta de corpo em todo mundo. E colocou a ONU e sua Declaração Universal dos Direitos Humanos para fazer a sua defesa. Estadistas têm dessas coisas. * Por Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do EM CIMA DA NOTÍCIA

Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida

 Em novo artigo, Rodrigo Perez Oliveira destaca que Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história. Por Rodrigo Perez Oliveira * Que Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa. Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve? A disputa está aí. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado. Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho. Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos. Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante que os oito anos de seu governo. Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio. Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todas as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso. Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida. Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível. Lula sabe que seria impossível sustentar aquela mobilização durante muito tempo e por isso não resistiu. Mas daí a se entregar resignado como boi manso para o abate a distância é grande, muito grande. Penso mesmo que Lula fez mais que resistir, já que a resistência seria quixotesca, irresponsável. Lula pautou a própria prisão, saiu da posição de simples condenado pela justiça para se tornar o dono da narrativa. Lula foi sujeito do próprio encarceramento, deu um nó nas forças do golpe neoliberal. Muitos achavam que Lula deveria ter fugido para uma embaixada amiga e de lá partido para o exílio no exterior. Confesso que também pensei assim. Mas Lula é muito mais inteligente que todos nós juntos. Lula sabe que já viveu muito, sabe que não lhe sobra muito tempo de vida. O que resta agora é a consolidação da biografia, o retorno às origens, seu renascimento como ícone da esquerda brasileira, imagem que ficou um tanto maculada pelos oito anos em que governou o Brasil. É que no capitalismo não existem governos de esquerda. Governo de esquerda só com revolução e Lula nunca foi revolucionário, nunca prometeu uma revolução. Todo governo legitimado pelas instituições burguesas será sempre burguês. No máximo, no melhor dos cenários, será um governo de centro sensível às demandas populares. O lulismo foi exatamente isso: uma prática de governo de centro sensível às necessidades dos mais pobres. O lulismo transformou o Brasil pra melhor, com todos os seus limites, com todas as suas contradições. Mas para encerrar a vida em grande estilo carece de algo mais. Era necessária a canonização política. E só a esquerda canoniza líderes políticos. A direita é dura, cinza, sem poesia. O golpe neoliberal conseguiu reconciliar Lula com as esquerdas, o que há poucos anos parecia algo impossível de acontecer. É que pra ser canonizado pelas esquerdas nada melhor que ser perseguido pelo poder judiciário, habitat histórico das elites da terra. Basta lançar no google os sobrenomes da maioria dos nossos juízes, procuradores e desembargadores e veremos os berços de jacarandá que embalaram os primeiros sonhos dos nossos magistrados. É claro que Lula não planejou a perseguição. É óbvio que ele não queria ser perseguido. Se pudesse escolher, estaria tendo um final de vida mais tranquilo, talvez afastado da política doméstica e atuando nas Nações Unidas. Mas já que a vida deu o limão, por que não espremer, misturar com açúcar, cachaça, mexer bem e mandar pra dentro? Lula fez exatamente isso: uma caipirinha com os limões azedos que seus adversários togados lhe deram. Primeiro, ele fez questão de esgotar todos os mecanismos legais. A sentença de Moro, os votos dos desembargadores, os votos dos Ministros da Suprema Corte não são palavras ao vento. São “peças”, para falar em bom juridiquês, que ficarão arquivadas e disponíveis para a consulta, para análise. Imaginem só, leitor e leitora, os historiadores que no futuro, afastados da histeria e das disputas que hoje turvam nossos sentidos, examinarão a sentença de Sérgio Moro, verão que o juiz não foi capaz de determinar em quais “atos de ofício” Lula teria beneficiado a OS para fazer por merecer o tal Triplex do Guarujá. É como se Moro estivesse falando: “não sei como fez, mas que fez, ah fez”. E o voto dos desembargadores do TRF 4, atravessados de juízos de valor, quase sem relar no mérito da sentença? E o voto de Rosa Weber? Por Deus, o que foi aquele voto de Rosa Weber? “Sei que estou votando errado, mas vou continuar votando

Bordel em São Paulo homenageia Sérgio Moro e Cármen Lúcia

 O Brasil virou mesmo uma zona  Para celebrar prisão de Lula, dono de uma zona recebe cidadãos de bem e homenageia o juiz Sérgio Moro e a ministra Cármen Lúcia Fascistas do MBL festejam no bordel Bahamas Por Altamiro Borges, em seu blog Saiu no site Folha, da golpista famiglia Frias: “Depois de cancelar o ato na avenida Paulista nesta sexta-feira (6) para festejar a prisão de Lula, o Movimento Brasil Livre remarcou a comemoração para a frente do Bahamas Club, em Moema. O dono da boate e hotel, Oscar Maroni, promete desde 2016 distribuir cerveja de graça nos arredores do seu estabelecimento quando o petista for preso”. Nada mais emblemático. Os fascistas mirins, que posam de falsos moralistas contra exposições de arte e destilam ódio contra artistas, pretendiam comemorar a prisão de Lula em um dos bordeis mais famosos do país, que alegra parte da cloaca empresarial nativa. A festa, porém, brochou. Com milhares de pessoas diante da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, o ex-presidente Lula rejeitou a decisão do cangaceiro Sergio Moro, chefão da midiática Lava-Jato, e não se entregou à Polícia Federal. O Jornal Nacional, da golpista TV Globo, não pode transmitir a prisão no horário acertado e os fascistas mirins do MBL não tiveram o que comemorar. Segundo site da escrota revista Veja, a decepção foi grande. “Muita gente está esperando que Oscar Maroni, dono da casa liberal Bahamas, em Moema, cumpra a sua promessa… Por volta das 19 horas desta sexta, cerca de 300 pessoas, quase todas homens, se amontoavam na frente do endereço, algumas desde o meio-dia. O clima era de festa”. “A chegada de Maroni ao local no início da noite causou comoção, com gritos e fotos. Em frente a pôsteres com fotos do juiz Moro e de Carmen Lúcia, instalados na fachada do estabelecimento, ele discursou para a plateia. Não há certeza do início da promoção, já que depende da efetiva prisão do político. Maroni prometeu que a bebedeira começa com a detenção e vai até a meia-noite do mesmo dia. Quem quiser entrar no estabelecimento precisa desembolsar 110 reais, mas 5 000 litros de cerveja devem ser liberados para o público fora da casa”. O gigolô Oscar Maroni, denunciado inúmeras vezes pelo crime de exploração e tráfico de prostitutas, é o novo herói dos fedelhos do MBL.

O MUNDO VIU O CALVÁRIO DE LULA – POR OLÍMPIO CRUZ

O editor do Tijolaço, Fernando Brito, destaca o trabalho de Olímpio Cruz em compilar como a mídia internacional cobriu o calvário que culminou com a prisão sem provas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite deste sábado (7); diferente da grande mídia do Brasil, os principais veículos de comunicação em todo o mundo destacaram a carreira política e o ativismo judicial em torno da sua prisão, além do discurso histórico feito por Lula horas antes de se apresentar à Polícia Federal Por Fernando Brito, no Tijolaço O trabalho competente e amplo do amigo Olímpio Cruz sobre a repercussão no mundo da prisão de Lula: A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado, e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo, onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail. As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia. O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem. Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse. O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região. O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político. O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata. “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros – as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados”, disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”. O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca. A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”. Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena

O mundo desaba nas costas do metalúrgico, sob o olhar indiferente de gente impune

JB: o único editorial contra a prisão do Lula – Que dia triste! EditorialO Brasil não merece esse Brasil Jornal do Brasil Hoje, amanhecemos em um dos dias mais tristes do Brasil. A prisão de um ex-presidente da República, fato que não encontra similar em qualquer página de nossa História, mesmo nos momentos de conturbação intestina. Dia triste, independentemente de termos ou não simpatia por esse metalúrgico pernambucano, que chegou à alta magistratura do país, e, estando lá, deixou contribuição para nossa projeção no exterior. Triste, mais ainda, pelo fato de que, antes de se tratar de um presidente, foi um cidadão condenado, por crimes que sempre negou, sem que os tribunais lhe dessem a oportunidade de ir às últimas instâncias para defender-se. Nisso a Constituição também sai machucada. Ora, se esse é um direito que lhe é negado, por obra de filigranas jurídicas, imaginemos o que pode ocorrer com qualquer outra pessoa alvejada pelo martelo de um juiz na segunda fase de julgamento.  Presidentes houve que tiveram de enfrentar quadras de doloroso constrangimento. Alguns apeados do poder por força de armas; outros, sob pressão político-partidária ou reféns, sem que tenham faltado aqueles que caíram, por não cederem a interesses inconfessáveis. Vargas, protagonista da tragédia maior, decretou sua própria morte. Mas nenhum preso, o que fez desta sexta-feira um dia melancólico, tanto para qualquer um de nós, que amanhecemos com ele, mas, se a História tem alma, também para ela, que haverá de dobrar essa página com imenso pesar. Ela, talvez mais ainda, porque estará guardando para o futuro uma sentença prolatada quando o julgamento ainda caminha, à procura de provas, não circunstanciais, mas consistentes. Lula está no centro dessa tragédia, cujo lance mais chocante, com sinais de exagero, foi a fixação da hora para se apresentar ao carcereiro. Neste mesmo espaço, cedendo a compromissos que supõe inarredáveis, este jornal levantou-se para afirmar que Lula precisava, como ainda precisa, ser tomado na conta de vítima privilegiada de uma estrutura política que se deixou dominar por vícios que, de tão poderosos, são capazes de ditar ao presidente concessões ou arbítrios que ele, em sã consciência, não toleraria. A reflexão ainda faz sentido hoje, porque a estrutura asfixiante sobrevive e vai sobreviver. Além do mais, é permitido denunciar que falta alguém no banco dos réus em que Lula se sentou. Quem? Os patriarcas das oligarquias que se elegem e se reelegem infinitamente, e na prática desse crime são capazes de fazer tanto, ou mais, do que se atribui ao ex-presidente. O juiz Moro devia dar assento nesse banco aos que armam esquemas milionários para fazer a estreia de seus filhos e dos cônjuges na política, sem faltar espaço para os amigos do poder, que descobrem em pizzaria malas de muitos milhares de dólares. E os senadores, que se subornam, mas afirmam que se trata apenas de empréstimo pessoal e amigável. Em que celas o douro Moro mandaria que se hospedem os autores desse velhaco fundo partidário, onde vão beber os sedentos de sempre? Lula, solitário, por ser acusado de receber, de prêmio, um tríplex, o que é grave, mas depende de comprovação. E os que serviam fielmente a governos anteriores e hoje têm trânsito livre no gabinete presidencial, ou quem, ironicamente ministro da Justiça na gestão Fernando Henrique, pratica, à vista de todos, acrobacia entre as dezenas de processo em que se indiciou. O mundo desaba nas costas do metalúrgico, sob o olhar indiferente de gente impune. Que dia triste! O Ministro da Justiça de FHC é um acrobata! (E) 500 mil e o ladrão presidente: moralistas sem moral