Justiça Eleitoral cassa mandato de deputado de Crivella e o torna inelegível

 O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, durante entrevista coletiva sobre as manifestações dos taxistas. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil) A Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato do deputado federal Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Ele é acusado de montar um esquema para impedir reportagens sobre a Saúde no Rio em período eleitoral. A juíza Márcia Capanema determinou que Crivella fique inelegível nos oito anos subsequentes à eleição municipal de 2020, além de pagar multa de R$ 433.290. A magistrada avaliou uma ação ajuizada pela coligação ‘É a vez do Povo’, do PT e PCdoB feita em 2020. Na peça, os proponentes acusam Crivella de “prática de abuso de poder de autoridade e conduta vedada a agente público em campanhas eleitorais, com base na Constituição. Segundo a coligação, ele montou um esquema para “monitorar e impedir a interlocução de cidadãos com profissionais de imprensa” com o intuito de barrar informações sobre o sistema de Saúde do Rio em período eleitoral. Crivella teria articulado servidores públicos municipais que ficaram conhecidos como Guardiões do Crivella. A acusação apontou quem seriam os integrantes do esquema, utilizados de maneira ilegal por Crivella. Ao dar a sentença, a juíza destacou que a decisão tinha “caráter pedagógico-preventivo” e também demonstrava o repúdio à “conduta moral e ilegal perpetrada”. Originalmente publicado por Brasil de Fato

Lula recebe presidentes de 10 países da América do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne no Palácio do Itaramaty, na próxima terça-feira (30), presidente de sul-americanos de 10 países e um representante do governo do Peru. A atual presidente peruana Dina Boluarte, impossibilitada de comparecer, será representada pelo presidente do Conselho de Ministros, Alberto Otárola. Deverão participar do encontro os presidentes Alberto Fernández (Argentina), Luís Arce (Bolívia), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Guillermo Lasso (Equador), Irfaan Ali (Guiana), Mário Abdo Benítez (Paraguai), Chan Santokhi (Suriname), Luís Lacalle Pou (Uruguai) e Nicolás Maduro (Venezuela). O evento terá duas sessões na terça, no Palácio do Itamaraty. Pela manhã, os convidados serão recebidos pelo Presidente Lula e, na sequência, proferirão discursos de abertura. Na parte da tarde, está prevista uma conversa mais informal, em formato reduzido, em que cada presidente será acompanhado pelo respectivo chanceler e apenas um ou dois assessores. À noite, os chefes de Estado e delegações participarão de um jantar oferecido pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja da Silva no Palácio da Alvorada. Diálogo Os líderes sul-americanos atenderam a um convite feito por Lula, que busca retomar a cooperação dentro do continente. Segundo a embaixadora Gisela Figueiredo Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, as principais pautas, além da integração, são em torno de questões comuns nas áreas de saúde, infraestrutura, energia, meio ambiente e combate ao crime organizado. “A ideia é retomar o diálogo e a cooperação com países sul-americanos. Identificar denominadores comuns. A região dispõe de capacidades que serão chaves no futuro da humanidade, como recursos naturais, água, minérios, área para produção de alimentos. Uma agenda concreta de cooperação pode ser iniciada imediatamente”, disse a embaixadora, durante um briefing sobre o encontro no Itamaraty. Com informações da Presidência da República

Eduardo Bolsonaro abriu empresa nos EUA com empresário golpista e divulgador de fake news

Firma foi aberta quando Jair Bolsonaro estava morando nos Estados Unidos – Foto: Reprodução: Redes Sociais Por Alice Maciel, Juliana Dal Piva, Laura Scofield – Agência Pública No período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) morou nos Estados Unidos, seu filho “03”, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), abriu uma empresa no estado do Texas em sociedade com pessoas ligadas à disseminação de fake news no Brasil, que apoiaram os atos golpistas de 8 de janeiro e que passaram pelo governo do pai. É o que revela a investigação feita em uma aliança entre a Agência Pública, o UOL e o CLIP (Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística) nos últimos cinco meses. Eduardo abriu uma empresa em 18 de março deste ano em sociedade com o influenciador Paulo Generoso – conhecido por compartilhar notícias falsas e por ter apoiado os atos golpistas – e com o ex-secretário nacional de fomento e incentivo à cultura no governo Bolsonaro, André Porciúncula. A firma Braz Global Holding LLC foi registrada por Generoso no endereço de sua casa, em Arlington. No mesmo local, outras duas empresas dos sócios de Eduardo na holding também foram abertas, mas sem seu nome. A reportagem procurou pessoalmente o deputado Eduardo Bolsonaro na Câmara no último dia 24. Questionado sobre a empresa, ele respondeu: “Por que vocês estão me investigando? Conhecendo um pouquinho do UOL e um pouquinho de vocês, eu prefiro não falar nada”. Indagado sobre as atividades da empresa, o parlamentar se esquivou novamente: “Não tem nada demais. Explicar o quê? Estou devendo alguma coisa?”. Ao final, o parlamentar afirmou, andando rápido pelo corredor em meio aos seguranças, que “não devia explicações” e citou o TSE sem sequer ser questionado. “Eu estou traficando droga? Eu estou roubando alguém? É corrupção?”, acrescentando que “falaria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, se fosse chamado. Os demais sócios foram procurados, mas não retornaram até a última atualização desta reportagem. Braz Global Holding A reportagem obteve junto ao governo do Texas os documentos de registro da Braz Global Holding, mas neles não há informações sobre qual é o ramo do negócio. No mesmo local, em um curto espaço de tempo, Paulo Generoso abriu outras duas empresas: a Liber Group Brasil, em 13 de janeiro, e o Instituto Liberdade, em 8 de fevereiro. Nessas, Eduardo Bolsonaro não consta oficialmente como responsável, apenas Generoso, André Porciúncula e outra ex-servidora do governo Bolsonaro, Raquel Brugnera, apresentados como diretores. Raquel e Paulo Generoso são criadores do Movimento República de Curitiba, que surgiu em 2016 para apoiar a Operação Lava Jato. O movimento também defendeu a eleição do ex-presidente em 2018 e 2022. Com 1,2 milhão de seguidores, a página do grupo no Facebook espalhou notícias falsas sobre as urnas eletrônicas, a pandemia de Covid-19 e saiu em defesa dos atos golpistas. Paulo Generoso, inclusive, teve a conta no Twitter suspensa, em janeiro de 2023, após decisão judicial conforme marcado pela empresa na rede. Já André Porciúncula é chamado de “amigo” por Eduardo Bolsonaro no curso online “Formação essencial em política”. Porciúncula – que no governo Bolsonaro foi responsável por analisar e aprovar propostas para captação da Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet – fala como especialista em arte e defende que a esquerda estaria tentando destruir a fé cristã, a beleza, a moralidade para implantar seus ideais políticos. Depois de derrotado nas urnas em outubro do ano passado, Jair Bolsonaro viajou para Miami, onde ficou de 30 de dezembro a 30 de março. Nesse período, Eduardo esteve ao menos três vezes nos EUA, em janeiro, fevereiro e março. Na última visita, ele participou de eventos da extrema direita americana ao lado de seu pai. Dias antes da Braz Global Holding ser registrada no Texas, em 5 de março, os dois falaram no CPAC, congresso conservador organizado pela União Conservadora Americana (ACU, na sigla em inglês), que aconteceu em Washington. Bolsonaro viajou aos EUA no fim de dezembro de 2022, depois de ter sido derrotado na eleição, e, na ocasião, transferiu U$ 135 mil (R$ 675 mil) para uma conta nos EUA. Tudo que ele declarou em conta para a Justiça Eleitoral brasileira, ao registrar sua candidatura meses antes, foi R$ 906 mil. O valor enviado aos EUA representa quase 75% do dinheiro líquido que o ex-presidente tinha em conta. A conta foi descoberta no âmbito das investigações da PF (Polícia Federal) sobre fraudes no cartão de vacinação de Bolsonaro e seus assessores. Do serviço público à sociedade com família Bolsonaro Na trama de empresas e sócios ligados a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, há outros dois personagens que foram empregados pela família Bolsonaro e seus aliados: André Porciúncula e Raquel Brugnera. Porcíncula foi o número dois da Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro de 6 de agosto de 2020 a 31 de março de 2022. Ele deixou o cargo para se candidatar a deputado federal pelo estado da Bahia. Derrotado nas urnas, em 18 de outubro foi nomeado por Jair como secretário adjunto da Secretaria e, em 6 de dezembro, faltando menos de um mês para terminar o governo, virou o chefe da pasta. Em março deste ano, além de virar sócio da Braz Global Holding LLC, nos EUA, ele abriu no Brasil, a Spalla Consultoria, Marketing e Publicidade Ltda. A empresa foi registrada no Centro Empresarial Brasil 21 em Brasília, no mesmo prédio, mas quatro andares abaixo do escritório nacional do Partido Liberal. A reportagem foi até o endereço que consta na Receita Federal, onde funciona um coworking. Antes de entrar para a política, André Porciúncula era capitão da Polícia Militar da Bahia. Foi o emprego no governo federal que o despertou para o ramo, como o próprio explicou em uma aula em outro curso de Eduardo Bolsonaro do qual participou, chamado “O Brasil precisa saber” e disponível na plataforma de cursos “Formação Conservadora” e no canal de Youtube do deputado. “Comecei a entender como a cultura tinha sido sequestrada e transformada em um meio de ação revolucionário e isso me

Autor do pedido de CPMI do 8/1 incitou a invasão, conclui Polícia Federal

Deputado André Fernandes (PL) convocou ato e debochou da depredação do patrimônio público; hoje, ele integra a comissão de inquérito – Foto: Reprodução, TV Câmara  A PF concluiu que o deputado André Fernandes (PL; foto), autor e integrante da CPMI do 8 de janeiro, incitou a invasão às sedes dos Três Poderes naquele dia. A informação é do G1, publicada nesta quinta-feira (25), dia de abertura da CPMI Nas redes sociais, Fernandes convocou “ato contra governo Lula” na Praça dos Três Poderes na antevéspera, assim como publicou uma foto com a depredação da porte de um armário do gabinete do ministro Alexandre Moraes e a legenda “quem rir, vai preso“. Segundo a PF, o deboche da depredação demonstra que ele convocou o “ato” com a intenção da prática de vandalismo e de tentativa de golpe de Estado. “Depreende-se que ele coadunou com a depredação do patrimônio público praticada pela turba que se encontrava na Praça dos Três Poderes e conferiu ainda mais publicidade a ela (tendo em vista o alcance das suas redes sociais) restando, portanto, demonstrada sua real intenção com aquela primeira postagem, que era a de incitar a prática delituosa acima citada“, disse a polícia. Os investigadores classificaram a conduta criminosa de Fernandes como “incitação, pública, à prática de crime, qual seja, de tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício”. Fernandes é alvo de investigação no STF a pedido da PGR.

Polícia Federal vai investigar golpista da CPI do MST – Por Altamiro Borges*

A chamada CPI do MST – que visa esconder os podres dos agrotrogloditas, criminalizar os movimentos sociais e desgastar o governo Lula – já nasceu sob fortes questionamentos. Nesta terça-feira (23), a imprensa noticiou que Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a dar continuidade às investigações sobre participação do deputado federal Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, nos atos terroristas do fatídico 8 de janeiro em Brasília. Segundo matéria do site UOL, “o caso envolve a suspeita de patrocínio e incentivo aos atos golpistas no Rio Grande do Sul e em Brasília, após as eleições que deram a vitória ao presidente Lula contra Jair Bolsonaro (PL). O caso foi para o STF porque o deputado tem foro privilegiado. Em despacho, Moraes afirma que a notícia do suposto crime foi levada ao Ministério Público Federal, que decidiu enviar ao Supremo”. “Encaminhem-se os autos à Polícia Federal, para continuidade das investigações”, despachou o ministro do STF. Ligações com os agrotrogloditas O tenente-coronel Zucco foi apontado no ano passado pela polícia gaúcha como apoiador de acampamentos e outras manifestações antidemocráticas. Em uma postagem feita pelo então deputado estadual em frente ao Comando Militar do Sul, ele incentivava a ida dos golpistas ao local. O parlamentar é um reacionário convicto, com fortes ligações com os agrotrogloditas – inclusive com aqueles que foram denunciados por explorar trabalho análogo a escravidão no Estado. O fascistoide é um inimigo declarado do MST, a quem chama de “terrorista” e de “grupo criminoso travestido de movimento social”. “Ele tem como bandeira o conservadorismo e estreou na política em 2018, ao ser eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul. Conforme conta em seu próprio site, o convite veio de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Na ocasião, ele recebeu 166.747 votos. Zucco é amigo de Tarcísio de Freitas. E é próximo do atual governador de São Paulo há mais de 30 anos. Os dois se conheceram na Academia Militar das Agulhas Negras, a escola de ensino superior do Exército Brasileiro”, descreve a reportagem do site UOL. Trabalho escravo e trabalho infantil Já o imperdível site “De olho nos ruralistas” descreve nesta quarta-feira (24) outros crimes do deputado, o que retira qualquer legitimidade da chamada CPI do MST. Entre outras denúncias, ele comprova que “o tenente-coronel Zucco recebeu doação do fazendeiro Bruno Pires Xavier, condenado por manter 23 trabalhadores em condições degradantes em Mato Grosso; ele é apoiado pela Farsul, que minimizou o trabalho escravo em vinícolas e quer punições mais brandas para o trabalho infantil”. Vale conferir outros trechos da excelente reportagem: ***** “Antes de ser escolhido para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o deputado Tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) era uma figura desconhecida na política nacional. Eleito em 2022 com apoio do movimento armamentista Proarmas – na mesma chapa do ex-vice-presidente e atual senador Hamilton Mourão –, o militar gaúcho havia estreado na política quatro anos antes, ao conquistar uma vaga no legislativo estadual em 2018”. “Ex-chefe de segurança de Lula e Dilma, Luciano Zucco foi o deputado estadual mais votado no Rio Grande do Sul, em grande parte pelo engajamento direto de Mourão e de Jair Bolsonaro – com quem acompanhou a apuração de 2018, em sua casa no Rio de Janeiro. Mas sua ascensão política também contou com um personagem mais obscuro. Um dos principais financiadores de Zucco naquele ano foi Bruno Pires Xavier. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o fazendeiro doou R$ 10 mil para a campanha do militar. Dona do Frigorífico Quatro Marcos, a família Xavier é alvo de diversas denúncias de crimes ambientais e trabalhistas. Ao todo, 324 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em imóveis rurais do grupo, durante cinco operações do Ministério Público do Trabalho (MPT)”. “Na Câmara, Zucco tenta honrar os compromissos com seus fiadores políticos. Em março de 2023, em meio ao escândalo de trabalho escravo nas vinícolas gaúchas, Zucco votou a favor da tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir o MPT e a Justiça do Trabalho no Brasil. De autoria do ‘príncipe’ Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), o projeto contava com 66 assinaturas. O projeto envolveu também a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), aliada de primeira hora do deputado bolsonarista”. “O financiamento de campanha não é a única ponta que liga Luciano Zucco ao universo agrário e a violações trabalhistas. Durante a campanha para a Câmara, em 2022, o representante da ‘bancada da bala’ se aproximou da ala ruralista através da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A relação teve início ainda em 2019, graças à proximidade de Zucco com Jair Bolsonaro… Em 2020, quando Zucco ainda era deputado estadual, a Farsul emitiu uma nota conjunta com outras entidades patronais atacando um projeto da deputada Luciana Genro (PSOL-RS) que previa impedir as atividades de empresas flagradas com trabalho infantil. Segundo o empresariado gaúcho, a punição traria reflexos negativos para o ‘ambiente de negócios’”. Blog do Miro

Lula reage e demite dez militares, entre eles irmão do presidente da CPI do MST

As substituições fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu do cargo de Comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva o general Marcelo Lorenzini Zucco, irmão do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS). O deputado é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a CPI do MST. Com a exoneração, o general Zucco volta para o cargo inferior que ocupava antes, o de adido ao Comando Militar do Sul. Golpistas A demissão foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (25), com outras nove trocas de militares de alta patente que ocupavam cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as alterações, estão dois generais que foram exonerados o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). As substituições, de acordo com o Congresso em Foco, fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a Polícia Federal  (PF) a dar andamento às investigações sobre a participação do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) nos atos golpistas. Revista Fórum

“A dama pediu saques” era o código pra Mauro Cid dar dinheiro para Michelle

Relatório parcial da Polícia Federal indica códigos usados por ajudante de ordens de Bolsonaro para saques Um relatório parcial da Polícia Federal obtido pelo UOL mostra como o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, indicava os saques realizados para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As investigações da PF mostram que Cid utilizou dinheiro público para pagar despesas da esposa de Bolsonaro e, agora, indicam o uso de códigos para operações financeiras para a ex-primeira-dama. “O conjunto probatório colhido durante o estudo do material apreendido (inclusive o contido em nuvem) permite identificar uma possível articulação para que dinheiro público oriundo de suprimento de fundos do governo federal fosse desviado para atendimento de interesse de terceiros, estranhos à administração pública, a pedido da primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de sua assessoria, sob coordenação de Mauro Cid”, diz o documento da Polícia Federal. Nas conversas, Mauro Cid indicava aos subordinados que Michelle precisaria de dinheiro a partir dos códigos “A dama pediu saques” e “PD”. Leia também Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar” Entre os pagamentos, estão movimentações para serviços de costureiras, podólogas e veterinários. As solicitações de saque em dinheiro vivo eram articuladas pelas assessoras de Michelle e Mauro Cid. Foram pelo menos 23 operações do tipo em 2021. Além disso, existem depósitos para Rosimary Carneiro, que cedia seu nome para um cartão de crédito usado pela primeira-dama e por familiares de Michelle. O próprio Mauro Cid manifestou, em conversas, uma preocupação com o esquema, afirmando ser similar com o caso de “rachadinha” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Investigações reveladas anteriormente mostraram que o dinheiro vinha de uma empresa que tinha contrato com o governo federal, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). As investigações começaram a partir da Operação Venire, em que Mauro Cid é suspeito de falsificar diversos cartões de vacina no sistema do Ministério da Saúde, incluindo o do próprio presidente Jair Bolsonaro e de sua filha, Laura Bolsonaro.

PF prende major da Polícia Militar do DF suspeito de facilitar invasão ao STF

Em mais uma fase da Operação Lesa Pátria realizada na manhã desta terça-feira (22) policiais federais prenderam o major Flávio Silvestre de Alencar, suspeito de ordenar o recuo das tropas para facilitar a invasão do prédio do Supremo Tribunal Federal no dia 8 de janeiro. O major era o comandante provisório do 6° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela segurança da Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios. Está é a 12ª fase da Operação Lesa Pátria que tem com o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os fatos ocorridos em 8 de janeiro. O major Flávio já tinha sido preso no dia 7 de fevereiro, durante a 5ª fase da mesma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, mas foi solto em seguida. De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados pela operação em tese constituem diversos crimes como: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido. A PF destaca que as investigações em curso se constituem a partir de mandados judiciais expedidos. CPI O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Chico Vigilante (PT), informou que o major Flávio deve ser convocado para prestar depoimento em agosto. “Essa operação de hoje reforça a importância de se descobrir efetivamente a verdade sobre a ação da segurança do DF nessa tentativa de golpe”, analisou o presidente da CPI. O Brasil de Fato DF entrou em contato com a Polícia Militar, por meio da Assessoria de Imprensa para comentar a prisão do Major Fábio e informar sobre possíveis procedimentos de apuração dos fatos dentro do próprio órgão. No entanto, a PMDF informou apenas que “não comenta decisões judiciais e nem processos em andamento”. Fonte: BdF Distrito Federal

Documentário “De herói a bandido” sobre vida e obra de Geraldo Vandré

Produzido pelo ARTetetura e HUMANismo, o trabalho é dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue – “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio”, destaca cineasta – Foto: Alberi Pontes Brasil de Fato – Com o objetivo de retratar a vida e obra do compositor Geraldo Vandré, estreia nesta quinta-feira (25), pelo YouTube, o filme “O Processo de metamorfose de Geraldo V – cura trauma silêncio e silenciamento na obra viva do artista”. Com produção do ARTetetura e HUMANismo, o trabalho dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue teve como proposta criar um quadro geral de escuta dos conflitos ideológicos prático-discursivos entre a esquerda e o militarismo no Brasil em torno da apropriação política da figura lendária de Vandré. A obra também tem como objetivo tentar propor uma interface entre ciências políticas, direitos humanos e o campo da musicoterapia, como a Censura como forma de Silenciamento, a Escuta como trauma de música (Musicofobia), o Silêncio como música de cura (Silencioterapia) e a Musicalidade como terapia da loucura. “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político”, destaca Fred. Geraldo Vandré, de herói a bandido Nascido na Paraíba e radicado no Rio, Geraldo Vandré foi um dos mais enigmáticos personagens da música brasileira. De herói a bandido – ou vice-versa, conforme o ponto de vista – foi amado e odiado pela esquerda num intervalo de uma década. Colaborador do Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) desde 1961, conheceu ali o também compositor Carlos Lyra, que se afastava da bossa nova em direção a uma música mais engajada. Logo fizeram juntos as primeiras canções, como Aruanda. Mas foi em 1966 que Vandré ganhou repercussão nacional. Naquele ano, inscreveu no Festival da TV Record a música Disparada, composta com Théo de Barros e defendida por Jair Rodrigues. Dividiu o primeiro lugar com Chico Buarque, que concorria com A Banda, na voz de Nara Leão. A consagração veio dois anos depois, quando Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, também conhecida como Caminhando, ficou em segundo lugar no 3º Festival Internacional da Canção, atrás de Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, o mesmo adversário de 1966. A derrota enfureceu a plateia. Caminhando, afinal, era um tapa na cara da ditadura como ninguém jamais tinha ouvido. E Vandré, àquela altura, era ovacionado como o mais valente dos compositores. Especula-se que a euforia causada pela canção tenha apressado o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), dali a um mês e meio. Vandré se exilou no Chile e de lá viajou para Alemanha e França. Quando voltou, em 1973, já não era o mesmo. Decidiu que só faria “canções de amor” e, para espanto de seus fãs, compôs Fabiana, em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira. Para muitos de seus contemporâneos, ele teria enlouquecido em decorrência das sessões de tortura. Em 2010, Vandré ressurgiu numa entrevista exibida pela GloboNews. Negou que tenha sido torturado e repudiou o rótulo de autor de músicas de protesto. “Eu não faço canção de protesto. Eu faço, fazia, música brasileira, canções brasileiras”, disse. Confira abaixo a entrevista com Fred Le Blue Brasil de Fato RS: Qual é a principal questão que te motivou a fazer o filme? Fred le Blue: O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político. A mesma música que cura e liberta pode ser também, mesmo que, nesse caso, no que tange mais aos efeitos colaterais de sua repercussão social, a que adoece o espírito. A internalização da opressão geraria, assim, um opressor de si, que opera por meio da autocensura e recalcamento em Geraldo V. (ao ponto de ele mesmo pedir para não chamarem por seu nome artístico Vandré) é uma tentativa de compensação psíquica dos prejuízos sociais causados pelos traumas decorrentes da retaliação política a uma poesia didática, combatente e comburente. O excesso de exposição também advindo de sua clarividência retórica teve também como efeito no compositor, a necessidade de se tornar recluso e impor um ostracismo, que apesar de tudo, denúncia em silêncio e laconismo o arbítrio da regra que tem sido o estado de exceção. É claro que a mudez de Vandré só é ecoante porque tem como fiador uma discografia musical armada, pois que denunciativa das mazelas sociais e regionais brasileiras. Qual a premência de trazer à baila Geraldo Vandré no atual contexto de autoritarismo aflorados no cotidiano presencial e digital? A metamorfose kafkiana de Vandré em seu processo de despersonalização psíquica, que representa a decadência e polarização política do país, é pejorativamente chamada de “vandrelização” pela esquerda. O mais preciso não seria desvandrelização? Apesar da estigmatização da ambiguidade de Vandré, a obra do compositor permanece intacta e atual, ainda sendo trilha sonora afetiva da resistência aos muitos golpes e minigolpes contra a Democracia e, anos depois, na Aeronáutica, à afirmação do próprio golpe (“revolução”). O que prova que para além do uso político da arte, que pode transformá-la em uma arma de guerra, ela, na verdade, tem seu sentido mais primordial na capacidade de ser uma tecnologia de paz, que aponte para uma “ecologia da mente”. Talvez, a única terceira via viável seja mesmo “a “terceira margem do rio”. Na verdade, toda obra artística nos olha enquanto testemunho ocular autêntico

Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar”

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que está preso, respondeu a todas as perguntas em depoimento para delegado da Polícia Federal O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro que está preso desde 3 de maio sob a acusação de liderar um esquema de fraudes em cartões de vacina, prestou nesta segunda-feira (22) depoimento à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre as joias dadas pela ditadura da Arábia Saudita ao governo brasileiro e que Bolsonaro tentou se apropriar ilegalmente.  Cid, auxiliar mais próximo de Bolsonaro, teve envolvimento direto na tentativa do ex-presidente de se apossar do conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões que foi retido pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos (SP) em outubro de 2021. Pelo alto valor, o presente deveria ser incorporado ao patrimônio do Estado, mas a equipe do ex-mandatário tentou fazê-lo entrar sem declaração no Brasil para que, assim, os objetos fossem direto para o seu “acervo privado” No final de dezembro de 2022, Cid providenciou os documentos exigidos junto à Receita Federal, prática necessária no caso de bens com destinação pública. O objetivo era retirar as joias da Alfândega. Porém, ao mesmo tempo, o braço direito de Bolsonaro atuou internamente para que, após a saída das joias da Receita, os objetos fossem para o acervo privado do ex-presidente. Apesar do esforço do tenente-coronel, a manobra não deu certo. Durante os dias 28 e 29 de dezembro, o corpo técnico da Receita analisou o ofício assinado por Mauro Cid e chegou à conclusão que seria impossível atendê-lo, porque a Ajudância de Ordens, órgão chefiado por ele, não era a instância competente para realizar o pedido de incorporação das joias. Então, na noite do dia 29 de dezembro, o 2º tenente do Exército, Cleiton Hozschuck, assessor na Ajudância de Ordens e abaixo de Cid, determinou a outra funcionária que ela apagasse o documento preparado mais cedo, no qual constava a informação de que o presente era “pessoal” que já “estava com o Presidente da República” Em depoimento à PF, cujo conteúdo ainda não foi revelado, Mauro Cid respondeu a todas as perguntas feitas pelo delegado Adalto Machado, que conduz o inquérito sobre o caso. O tenente-coronel já havia prestado depoimento no âmbito da mesma investigação em abril e, na ocasião, havia dito que Bolsonaro o pediu para retirar as joias retidas no aeroporto e checar se seria possível “regularizar os itens”. Outros depoimentos Na última semana, Cid ficou calado em depoimento à PF sobre o caso das fraudes nos cartões de vacina. Sua esposa Gabriela Cid, entretanto, também participou de oitiva com os investigadores e, diferente de seu marido, respondeu às perguntas, confirmou que usou comprovante de vacinação falsificado e culpou o marido pelo crime.