Jornalistas da Globo comemoram vitória de Lula; emissora lamenta celebração

Um vídeo viralizou entre os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) ao criticar ‘imparcialidade’ dos veículos de comunicação. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) viralizaram um vídeo que mostra jornalistas da TV Globo comemorando o resultado da eleição presidencial desse domingo (30/10), vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A emissora emitiu um comunicado em que “lamenta” a atitude de um pequeno grupo que se esqueceu dos princípios editoriais da empresa. Bolsonaristas, como a deputada federal Carla Zambelli (PL), usaram o vídeo para atacar a emissora e criticar a falta de imparcialidade do jornalismo. “Essa é a imprensa ‘isenta’ e ‘imparcial’”, escreveu a parlamentar. Essa é a imprensa "isenta e "imparcial". pic.twitter.com/VwHUM6nAUO — Carla Zambelli (@Zambelli2210) October 31, 2022 A empresa, frequentemente atacada pelo próprio presidente Bolsonaro, que aponta parcialidade voltada para “ideologia de esquerda”, justificou as imagens. “A Globo tem cerca de 15 mil colaboradores, entre os quais 1.500 profissionais que atuam no jornalismo. A empresa, evidentemente, não tem nem pretende ter qualquer controle sobre as escolhas eleitorais de cada um desses profissionais, nem sobre como manifestam essa preferência em caráter privado”, diz o comunicado. Apesar disso, a emissora lamentou que este grupo de pessoas tenha se manifestado durante o expediente de trabalho. “No entanto, a Globo lamenta que, no ambiente de trabalho, um pequeno grupo tenha, por alguns instantes, esquecido a necessária e habitual prática de autocontenção, em respeito à norma e aos nossos princípios editoriais”, aponta. Via EM
Bolsonaro não reconheceu sua derrota no discurso e nem parabenizou Lula

Jair Bolsonaro (PL) se manifestou pela primeira vez após cerca de 48 horas do resultado das urnas, na tarde desta terça-feira (1º), sobre a sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição. O presidente precisou ser convencido por ministros e auxiliares a se manifestar sob a pressão dos bloqueios realizados nas estradas por seus apoiadores contra a vitória de Lula. Diversas rodovias de todo o país estão interditadas por caminhoneiros desde a madrugada de segunda-feira (31). Em pronunciamento no Palácio do Alvorada, o chefe do Executivo não reconheceu sua derrota no discurso e nem parabenizou o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória na eleição. Bolsonaro apenas agradeceu os votos que teve e pediu que as manifestações contra o resultado das urnas sejam pacíficas. “Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda que sempre prejudicaram a população”, disse Bolsonaro. “Sempre fui rotulado como antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição”, afirmou. “Nosso sonho segue mais vivo do que nunca. É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros”. Pronunciamento do Presidente @jairbolsonaro de agora pouco. pic.twitter.com/nQIJnypVkJ — Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) November 1, 2022 futuro ex-presidente não fez qualquer menção sobre a transição de governo e deixou a função nas mãos do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. “O presidente Bolsonaro me autorizou, quando for provocado com base na lei, nós iniciaremos o processo de transição”, afirmou o ministro.
Geraldo Alckmin será o coordenador da transição de governo

Vice-presidente eleito, Alckmin vai coordenar a transição para o governo de Lula (Reprodução/CNN) O vice-presidente da República eleito, Geraldo Alckmin (PSB), será o coordenador da transição de governo. O anúncio foi feito no começo da tarde desta terça-feira pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann. A escolha é um gesto em direção ao centro e está alinhada os discursos feitos pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no discurso de vitória. O petista afirmou que precisará promover um amplo diálogo no país com a participação de vários partidos políticos. Apesar de o presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não ter reconhecido o resultado da eleição, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, ofereceu o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília para ser a sede da transição. Além do coordenador, Lula terá o direito de indicar um total de 50 pessoas para compor a equipe de transição. A equipe de Lula vai definir os nomes nos próximos dias. Mourão telefonou para Alckmin e se ofereceu para ajudar na transição Enquanto o presidente Jair Bolsonaro permanece em silêncio desde a noite de domingo (30), quando foi derrotado, o processo de transição do atual para o novo governo começa sem a sua participação. O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin conversou na última segunda-feira (31) com o vice-presidente Hamilton Mourão, eleito senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul. Alckmin ligou para Mourão para agradecer a uma mensagem enviada por Mourão. E Mourão colocou-se à disposição de Alckmin para realizar a transição. O atual vice-presidente chegou inclusive a convidar Geraldo Alckimin para uma visita ao Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência.
ÓDIO NAS ESTRADAS – STF ordena o desbloqueio imediato das rodovias

Caso descumpra a ordem, o diretor da PRF, Silvinei Vasques, será multado em R$ 100 mil por hora e também pode ser punido com afastamento do cargo Nos primeiros minutos desta terça-feira (1º), a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram de maneira virtual para confirmar a decisão individual do ministro Alexandre de Moraes, que determinou à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e às polícias militares dos estados o desbloqueio das rodovias brasileiras ocupadas de forma irregular por manifestantes que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na votação prevaleceu o voto do ministro Alexandre de Moraes, pelo referendo à decisão. Acompanham os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Gilmar Mendes e as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber “O quadro fático revela com nitidez um cenário em que o abuso e desvirtuamento ilícito e criminoso no exercício do direito constitucional de reunião vem acarretando efeito desproporcional e intolerável sobre todo o restante da sociedade, que depende do pleno funcionamento das cadeias de distribuição de produtos e serviços para a manutenção dos aspectos mais essenciais e básicos da vida social”, afirmou Moraes no voto. Pedido do CNT Após caminhoneiros bolsonaristas ocuparem trechos de rodovias em estados do país nesta segunda em protesto contra a derrota do presidente Jair Bolsonaro na eleição, Alexandre de Moraes atendeu a pedidos da Confederação Nacional dos Transportes e do vice-procurador geral eleitoral e tomou nesta segunda-feira (31), a decisão individual. “Que sejam imediatamente tomadas, pela Polícia Rodoviária Federal e pelas respectivas polícias militares estaduais – no âmbito de suas atribuições – , todas as medidas necessárias e suficientes, a critério das autoridades responsáveis do poder executivo federal e dos poderes executivos estaduais, para a imediata desobstrução de todas as vias públicas que, ilicitamente, estejam com seu trânsito interrompido”, escreveu Moraes. Moraes também estipulou que, caso descumpra a ordem, o diretor da PRF, Silvinei Vasques, seja mutado em R$ 100 mil por hora e também seja punido com eventual afastamento do cargo. Moraes intimou Silvinei, o ministro da Justiça, Anderson Torres, todos os comandantes das polícias militares estaduais, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e os procuradores de Justiça dos estados para tomarem “as providências que entenderem cabíveis, inclusive a responsabilização das autoridades omissas”. Para Moraes, pode configurar abuso “impedir o livre acesso das demais pessoas aos aeroportos, rodovias e hospitais, por exemplo, em flagrante desrespeito à liberdade constitucional de locomoção (ir e vir), colocando em risco a harmonia, a segurança e a Saúde Pública, como na presente hipótese”. Com informações do G1
Bolsonaro completa 36 horas de silêncio sobre derrota nas urnas para Lula

Na segunda-feira (31), Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada pela manhã e foi ao Palácio do Planalto, onde teve reuniões com ministros e aliados — Foto: Evaristo Sá/AFP O TSE anunciou que o petista estava matematicamente eleito às 19h54 de domingo. Desde então, Bolsonaro não emitiu nenhuma manifestação pública, seja por escrito, discurso ou pelas redes sociais O presidente Jair Bolsonaro (PL) segue, na manhã desta terça-feira (1º), sem reconhecer o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, mesmo após completadas 36 horas desde a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que o petista estava matematicamente eleito às 19h54 de domingo (30). Desde então, Bolsonaro não emitiu nenhuma manifestação pública, seja por escrito, discurso ou pelas redes sociais. Ainda não há previsão oficial de quando o presidente deve se manifestar sobre o resultado do pleito. Aliados acreditam que isso pode acontecer nesta terça e tentaram convencer o chefe do Executivo a reconhecer a derrota já nesta segunda, mas sem sucesso. Dois de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL-RJ), também não se pronunciaram até a noite desta segunda (31). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ao Twitter para agradecer aos eleitores do pai e pedir para “erguer a cabeça e não desistir do Brasil”. Na segunda, Bolsonaro foi pela manhã ao Palácio do Planalto, onde teve reuniões com ministros e aliados. Entre eles, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. No fim da tarde, o presidente retornou ao Palácio da Alvorada. Uma das visitas que recebeu foi do presidente de seu partido, o PL, Valdemar Costa Neto. Depois, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também fez uma visita a Bolsonaro. Desde a redemocratização, Jair Bolsonaro é o primeiro candidato derrotado à presidência da República a não reconhecer ou se posicionar sobre o resultado nas primeiras horas após a conclusão do pleito.
Lula é eleito presidente do Brasil pela terceira vez

Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, é o presidente eleito do Brasil. O petista venceu, neste domingo (30/10), o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. Às 23h de hoje, com 99,99% das urnas apuradas, Lula somava 50,9% dos votos válidos, ante 49,1% de Bolsonaro. Não há, portanto, chance de mudança no resultado final. Presidente da República entre 2003 e 2010, Lula, de 77 anos, vai cumprir, a partir de 1° de janeiro de 2023, o terceiro mandato como chefe do poder Executivo federal. O vice-presidente eleito é Geraldo Alckmin, filiado ao PSB e ex-governador de São Paulo. A coalizão liderada por PT e PSB uniu, da esquerda à centro-direita, outros oito partidos. Além de petistas e socialistas, a coligação de Lula, batizada “Brasil da Esperança”, teve as participações de PCdoB, PV, Psol, Rede Sustentabilidade, Agir, Avante, Solidariedade e Pros. No segundo turno, Lula conseguiu mais adesões à frente que o apoiou. Terceira colocada na primeira votação, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) engrossou o bloco a favor da candidatura do PT, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Economistas ligados ao Plano Real, responsável pela instituição da moeda nacional, como Armínio Fraga, também declararam voto no vencedor do pleito.
O negro que tenta derrubar o negro perseguido pelos brancos bolsonaristas

* Por Moisés Mendes – Publicado originalmente no blog do autor O raciocínio mais óbvio, a partir do episódio de Carla Zambelli ontem em São Paulo, é o que inverte as posições dos personagens. O jornalista negro Luan Araujo persegue a deputada pelas ruas de São Paulo, com uma turma de capangas fortes (um deles armado). Luan aponta a arma para Carla, invade um restaurante na perseguição e, com Carla cercada, ordena que ela se deite no chão. Deitada, sempre cercada pelos capangas de Luan, Carla Zambelli é obrigada a pedir perdão por ter dito alguma coisa que Luan não gostou. A deputada somente será liberada depois de admitir que havia ofendido o jornalista. É uma cena inimaginável. É uma inversão improvável. Porque Luan não chegaria ao ponto de mandar que Carla se deitasse. Ele não seria preso. Seria morto, seria assassinado pelos capangas da deputada ou por algum fascista que estivesse por perto. Mas há uma cena que fica na periferia do episódio e que revela o Brasil em que uma branca fascista persegue um negro que por acaso é jornalista (o fascismo adora perseguir jornalistas). A cena pouco notada é a da esquina, quando Luan foge dos seguranças e de Carla e um homem, que pode ou não ser da equipe da deputada, tenta dar uma tranca no rapaz. Ele parece estar ali ao acaso. Esse cena é mais um resumo do Brasil deformado pelo bolsonarismo. Uma extremista de direita persegue um rapaz negro (perseguiria se fosse branco?) e tem a ajuda de um negro que tenta derrubar o perseguido. O raciocínio mais óbvio, a partir do episódio de Carla Zambelli ontem em São Paulo, é o que inverte as posições dos personagens. O jornalista negro Luan Araujo persegue a deputada pelas ruas de São Paulo, com uma turma de capangas fortes (um deles armado). Luan aponta a arma para Carla, invade um restaurante na perseguição e, com Carla cercada, ordena que ela se deite no chão. Deitada, sempre cercada pelos capangas de Luan, Carla Zambelli é obrigada a pedir perdão por ter dito alguma coisa que Luan não gostou. A deputada somente será liberada depois de admitir que havia ofendido o jornalista. É uma cena inimaginável. É uma inversão improvável. Porque Luan não chegaria ao ponto de mandar que Carla se deitasse. Ele não seria preso. Seria morto, seria assassinado pelos capangas da deputada ou por algum fascista que estivesse por perto. Mas há uma cena que fica na periferia do episódio e que revela o Brasil em que uma branca fascista persegue um negro que por acaso é jornalista (o fascismo adora perseguir jornalistas). A cena pouco notada é a da esquina, quando Luan foge dos seguranças e de Carla e um homem, que pode ou não ser da equipe da deputada, tenta dar uma tranca no rapaz. Ele parece estar ali ao acaso. Esse cena é mais um resumo do Brasil deformado pelo bolsonarismo. Uma extremista de direita persegue um rapaz negro (perseguiria se fosse branco?) e tem a ajuda de um negro que tenta derrubar o perseguido. Um homem negro tenta derrubar um jovem negro caçado por brancos poderosos, porque a serviço de uma deputada de extrema direita. Tem sido assim. Tem gay apoiando Bolsonaro e seus filhos homofóbicos e passando a perna em outros gays. Tem negro apoiando racistas do governo, porque tem negro racista em cargo de poder em Brasília. Tem padre que apoia o fascismo, mesmo que padres e bispos sejam perseguidos pelo bolsonarismo. Tem professores, tem mulheres, jovens, pobres passando a perna em professores, mulheres, jovens, pobres e apoiando Bolsonaro. E tem agora, como retrato desse Brasil em que vítimas se aliam aos seus algozes, um negro tentando derrubar outro negro que foge de brancos armados. O que assistiremos nos próximos dias é o debate se Carla Zambelli pode ser cassada. Não será cassada. Nenhum deles é cassado. A situação complicada é a do jornalista negro. Nem se Bolsonaro for derrotado nesse domingo seus cúmplices terão problemas, não por enquanto. Carla Zambelli será protegida pelos seus e talvez não seja punida nem mesmo pelo TSE por andar armada e ameaçar negros nas ruas um dia antes da eleição. E o negro que tentou passar a perna no outro negro? Esse deve estar frustrado por ser um péssimo ajudante de brancos bolsonaristas. Abaixo, o vídeo com a cena: * Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/
De arma na mão, Carla Zambelli corre atrás de homem negro que gritou “Amanhã é Lula”

Sintoma do bolsonarismo: apoiadora do presidente, deputada Carla Zambelli saca a arma e ameaça atirar em opositor A feputada Carla Zambelli (PL-SP), correligionária de Bolsonaro, atravessa a rua e entra em um bar atrás de um homem negro, depois identificado como Luan Araújo, jornalista. De arma em punho, mais de uma vez, ela determina: “Deita no Chão”. O vídeo com esta cena – registrada na esquina da Alameda Lorena com Rua Capitão Pinto Ferreira, na região dos Jardins, em São Paulo – viralizou na tarde deste sábado (29/10), véspera da eleição. Nas imagens, é possível ver a disposição da deputada, pronta para tudo, inclusive matar. O que o bolsonarismo deixa de legado: não só o pistoleiro Roberto Jefferson dá tiros, como sua base parlamentar tb anda de arma em punho. Vejam a deputada Carla Zambelli, que tocou o terror nas proximidades da Av Paulista. Grave! #Eleições2022 pic.twitter.com/KN1ySAE07x — Jornalistas Livres (@J_LIVRES) October 29, 2022 Como deputada federal, Carla Zambelli pode ter porte de arma. Mas ela sabe que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o transporte de armas nas 24 horas que antecedem a eleição, no dia do pleito e também nas 24 horas do dia seguinte. Usando argumentos parecidos com os que Bolsonaro adota para criticar a Justiça, em especial o Supremo e o TSE, Zambelli disse à imprensa que desobedeceu deliberadamente a determinação por considerar que “ordens ilegais não se cumprem”. A decisão, assinada em setembro por Alexandre de Moraes, presidente do tribunal, prevê que o descumprimento pode resultar em prisão em flagrante. “Ele não é legislador, ele é simplesmente o presidente do TSE e um membro do Supremo Tribunal Federal. Ele não pode, em nenhum momento, fazer uma lei”, disse Zambelli. Um relatório produzido por técnicos do setor de inteligência e combate à desinformação do TSE aponta que a conduta pode configurar crime eleitoral não só por Zambelli estar armada, mas ainda por tentativa de tumultuar o processo eleitoral. No 4º Distrito Policial, o Prerrogativas, coletivo formado por juristas em defesa dos direitos humanos, pediu a prisão da parlamentar. O grupo registrou no boletim de ocorrência denúncia por racismo, agressão e porte ilegal de arma de fogo na véspera da eleição. Um vídeo registra o que aconteceu antes Circula também nas redes um vídeo gravado minutos antes da ação de Carla Zambelli dentro do bar. Nas imagens, a deputada do PL parece revidar a algo que Luan teria dito. Ao esboçar uma reação, ela tropeça entre a calçada e o meio-fio, sendo protegida por um segurança, mas não chega a cair. O jornalista sai andando. Zambelli então se ergue e começa a correr atrás dele. Um dos homens que a acompanham aponta uma arma para o jornalista, que é chutado e corre. Video mostra Carla Zambelli tropeçando e caindo sozinha mo meio da rua. Em seguida ela e seus capangas armados atacam um homem negro que tenta fugir da agressão. pic.twitter.com/GviyAnaNpr — Jornalistas Livres (@J_LIVRES) October 29, 2022 No vídeo, é possível ouvir um disparo. Mas não se pode concluir que tenha partido de Zambelli ou do segurança. De bermuda, desarmado, Luan Araújo entra no bar para se proteger. Zambelli, segurando a arma com as duas mãos, vem logo atrás. Ela usa uma camiseta verde, onde se lê frase da campanha de Bolsonaro. Luan tem um boné do MST. O estopim da briga Um terceiro vídeo, que apareceu horas depois do ocorrido, revela Luan Araújo dizendo: “Tira o celular da sua mão. Amanhã é Lula, irmão. Tchau, até amanhã”. Carla Zambelli adverte: “Você tá me cuspindo”; “O que foi que você disse? Fala de novo”. E o jornalista repetiu, acrescentando: “Vocês vão voltar para o bueiro de onde não deveriam ter saído, seus filhos da puta.” Tá aqui a violenta agressão sofrida pela @Zambelli2210 “Amanhã é LULA!” Pra se defender ela atirou nele. #ZambeliNaCadeia pic.twitter.com/zgCYP7xisg — Jornalistas Livres (@J_LIVRES) October 29, 2022 A versão do jornalista Luan, que votará em Lula (PT) para presidente, admite que ofendeu Zambelli. Ele saía de um chá de bebê quando ouviu a deputada dizer: “Amanhã é Tarcísio”. A parlamentar se referia ao seu candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa o governo de São Paulo. Nesse momento, Luan xingou Zambelli, e as pessoas que estavam com ela passaram a filmá-lo. Ele dizia: “Tira o celular da sua mão. Amanhã é Lula, papai”. No fim da discussão, o jornalista mandou um “te amo, espanhola”, que “era a frase do senador Omar Aziz na CPI da Covid”. Luan relata que a confusão aumentou e ele saiu correndo para o bar. “Eles quiseram me botar no chão como se fossem da polícia. Mas eles não são polícia, então eu obviamente não fui para o chão”, lembra. “Eles queriam que eu pedisse desculpa, aí eu pedi desculpa. Acusação a Janones Assim que deixou o bar, Zambelli gravou uma mensagem para suas redes sociais, dizendo que havia feito um Boletim de Ocorrência e que seguiria até o DEIC para denunciar “mais de 200 ataques” que ela teria sofrido. “Nesta noite foram muitos crimes”; “incluindo ameaças de morte”. “Uma partiu de São Paulo”; ”Dizia que daria tiro de 12 na minha cara”. As ameaças – afirmou Zambelli – estariam sempre atreladas a “vídeos do Janones”. Ela se referia ao deputado federal eleito André Janones (Avante-MG), que apoia Lula de forma contundente nas redes sociais. Zambelli garantiu que irá denunciá-lo. “Usaram um negro para me agredir” Na versão de Zambelli o caso deste sábado começou quando ela almoçava em um restaurante. Estava com o filho, e pela janela de vidro foi vista por pessoas que estavam do lado de fora. Ao sair, ela teria sido ofendida por “um grupo de homens e uma mulher de vermelho” – que Zambelli concluiu serem “militantes do Lula”. A história que Zambelli conta é moldada pelo racismo: “Me empurraram no chão. Um homem negro… Usaram um negro para vir em cima de mim. Eles eram vários”. A deputada ergue a calça jeans para mostrar que havia sido ferida. Mas, o ponto quase invisível perto do
Há uma insanidade generalizada – Muita gente possuída. *Por Manoel Gusmão

Bastaria um fato apenas, entre tantos e tantos, para tudo estar resolvido. Sem levar em conta, desgoverno, com corrupção generalizada; fome, desemprego, usurpação de direitos com muita luta conquistados, ameaça à democracia, descaso com o Covid (com imitação desumana de gente com falta de ar), os gestos, símbolos e falas nazistas, etc, etc. Há ainda o envolvimento dos pastores evangélicos em favor dele. Deles isso era esperado. Mas, estamos vendo alguns bispos e padres colocando seus fiéis contra o Papa, por que este fala de amor, fraternidade, caridade e compaixão. Esse distanciamento dos ensinamentos de Cristo por parte dos cristãos católicos é muito recente e assustador. Mesmo sem levar em conta tudo isso, caso não bastasse, pelo lado da racionalidade e da razoabilidade bastaria um dos atos seguintes em plena campanha: pintou um clima, caso Roberto Jefferson, o aliado de primeira hora, o dono do padre de festa junina; A loucura impiedosa da Carla Zambelli, peça das mais importantes da campanha do inominável, para cima de um jornalista negro, armada com um revólver… Bastaria um desses episódios macabros para se compreender quem representa o quê. Com sabedoria própria vinda do Altíssimo, sem alienação mental religiosa ou financeira, sem egoísmo exacerbado, a compreensão haveria de chegar. A insanidade é diabólica. * Contador
Fábio Faria: falha na inserção em rádios é do PL, não do TSE

Ministro diz que ‘se arrepende profundamente’ de ter participado de entrevista para denunciar erro e que repudiou denúncia de fraude. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirma que sua intenção ao convocar uma entrevista coletiva para denunciar que rádios estavam supostamente prejudicando Jair Bolsonaro ao não veicular a propaganda eleitoral do PL era fazer um acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que o problema fosse sanado. Na segunda (24), ele e Fabio Wajngarten, que integra a campanha de Bolsonaro, reuniram jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, para falar que auditorias tinham constatado o problema. A ideia, segundo ele, era que o TSE concedesse à campanha de Bolsonaro o mesmo número de inserções, na reta final das eleições, que supostamente não haviam sido divulgadas nas rádios. “A falha era do partido, que percebeu o problema tardiamente, e não do tribunal. Como havia pouco tempo para o TSE fazer uma investigação mais aprofundada, eu iniciei um diálogo com o tribunal em torno do assunto”, diz ele. A iniciativa desandou, diz ele, quando bolsonaristas passaram a usar o fato para pedir o adiamento das eleições, que acusavam de “fraude”. “Eu fiquei imediatamente contra tudo isso. Fui o primeiro a repudiar”, diz. “Isso prejudicaria o presidente Bolsonaro”, segue. Faria afirma ainda que, quando a situação “escalou”, protestou internamente e decidiu “sair de cena”. E mais que isso: “Me arrependi profundamente de ter participado daquela entrevista coletiva. Se eu soubesse que [a crise] iria escalar, eu não teria entrado no assunto”. O ministro afirma que, por manter um bom diálogo com magistrados de tribunais superiores, sempre fez a mediação entre a campanha de Bolsonaro e o TSE, “desde o primeiro turno”. Quando surgiu o problema das rádios, a partir de um dossiê montado pelo PL, ele também foi chamado para tentar um acordo com os magistrados. Ministros do TSE ficaram contrariados com a atitude de Faria, mas ele afirma que já conversou com todos e que o episódio foi esclarecido. O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, rejeitou a ação apresentada pela campanha de Bolsonaro sobre suposto boicote de rádios por falta de provas. Ele determinou investigação sobre possível “cometimento de crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito em sua última semana”, mas não incluiu Fábio Faria na ação.