Empresário golpista fez doação para Bolsonaro com conta bloqueada pelo STF

Luiz André Tissot, dono do Grupo Sierra e um dos oito empresários que se tornaram alvos do Supremo Tribunal Federal (STF) por defenderem um golpe de Estado caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições de outubro, aderiu ao movimento de doar R$ 1 para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, Tissot fez a transferência via Pix no dia 12 de setembro, data em que ainda estava valendo o bloqueio das contas bancárias de todos os empresários envolvidos no caso, determinado em 23 de agosto pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Já de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, dos oito integrantes do grupo de WhatsApp Empresários & Política que faziam ataques ao Supremo, ao próprio TSE e a qualquer pessoa ou instituição que se opusessem ao atual governo, André foi o único a contribuir com Bolsonaro, sendo essa a única doação eleitoral que ele fez até o momento. Até o último dia 15, o candidato à reeleição já havia recebido R$ 191 mil em doações de apenas R$ 1 via Pix. O movimento ganhou força após aliados do presidente reforçarem os pedidos de contribuição, independentemente da quantia. Luciano Hang, da Havan, que também fazia parte do grupo a favor de um golpe, também fez uma doação enquanto estava com a conta bloqueada, mas o beneficiário foi Jorge Seif Júnior (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina

Bolsonaro conseguiu emparedar o judiciário – Por Gilmar Ribeiro dos Santos•

Os conflitos com o judiciário, alimentados de forma gratuita pelo presidente desde o ano passado, hoje são melhor compreendidos. As agressões possuíam um objetivo velado. A ideia era emparedar o TSE e o STF no intuito de poder transgredir, violar leis impunimente durante o processo eleitoral. As lendárias fake news de 2018 estão presentes em maior volume e com recursos tecnológicos de última geração. Muito se prometeu em termos de combate aos absurdos veiculados naquela campanha, mas pouco se fez para combater a máquina de produção das fake news e responsabilizar a candidatura beneficiada. A violação da constituição para conceder os auxílios eleitoreiros já é passado. Sobre a redução do ICMS dos combustíveis, prerrogativa dos estados, também não se fala mais. A legislação sobre o uso da máquina administrativa nas campanhas de reeleição será revista a partir dessas eleições, pois Bolsonaro desmascarou definitivamente a hipocrisia na aplicação das vedações ao chefe do executivo. O sete de setembro foi humilhante para a justiça eleitoral, ou pelo menos deveria ter sido. O máximo alcançado, em termos efetivos, foi proibir sem de fato proibir, a veiculação das imagens da atividade eleitoral convocada, realizada e divulgada com dinheiro público. As imagens estão e estarão disponíveis nas redes sociais e ponto final. Podemos imaginar o espanto de muitos candidatos punidos pelo país a fora por infrações ínfimas em comparação com o absurdo da manipulação eleitoral das comemorações da independência. A campanha do presidente vai de ilegalidade em ilegalidade, garantindo o imobilismo da justiça eleitoral. A claudicação da justiça eleitoral perante os desmandos do presidente da república é o resultado da “ousadia” do mesmo. As ofensas a membros de tribunais superiores e o descumprimento escancarado das leis estão cumprido o objetivo. As transgressões estão condicionadas, em grande parte, a autorregulação do presidente. Não existe, de fato, limites legais, como provam suas ações diárias, veiculadas pela mídia. Instituições responsáveis pela limitação legal das ações do presidente estão se omitindo, deixando para as eleições decidirem se cessarão ou não os desmandos. A protelação ou mesmo omissão institucional é um expediente perigoso perante a radicalização exacerbada do bolsonarismo. A mistura entre ilegalidades cometidas pelo presidente ao longo do seu mandato e a hesitação da sociedade e suas instituições democráticas colocou o país em posição de enorme perigo. A democracia precisa de eterna vigilância e ações efetivas de cada um dos poderes. Não faltaram advertências de setores da sociedade em relação ao preço a ser pago por toda a sociedade em decorrência da omissão das instituições ao longo dos últimos quatro anos, em especial. A fatura chegou. A derrota do atual presidente é a única saída para a preservação, em especial, das próprias instituições, então omissas, assim como da democracia, no país. Novamente, fica nas mãos dos eleitores, tão negligenciados pelo judiciário e pelo legislativo ao longo dos anos, a tarefa de resolver um problema gerado pela negligência do legislativo, do judiciário e também do ministério público. Agora resta a atitude de vossa excelência, o eleitor. * Gilmar Ribeiro dos Santos é cientista político graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais; especialista em Semiótica e Teorias do Discurso pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor em Educação: História, Política e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Sem Lula, debate no SBT perde para Record e Datena

Debate promovido pro SBT/Terra/Estadao, entre candidatos Jair Bolsonaro(PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe Dávila (NOVO) e Soraya Thronicke( União Brasileiro) – Marlene Bergamo / Folhapress Na TV paga, encontro entre candidatos levou CNN Brasil a superar GloboNews SBT chegou a amargar 2 pontos de audiência, tendo alcançado pico de 7,2, na medição minuto a minuto aferida pela Kantar Ibope na Grande São Paulo, durante o debate entre presidenciáveis promovido neste sábado, 24. A média na região foi de 5 pontos, elevando a audiência do horário em 1,5 ponto. Segundo esses dados, que são preliminares e só serão consolidados na segunda-feira (26), o programa perdeu para o Cidade Alerta, da Record, e para o Brasil Urgente, da Band, além da Globo, que liderou com folga durante todo o encontro entre os candidatos –exceto Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto, que não compareceu ao programa. Mediado por Carlos Nascimento, o debate foi produzido em parceria com o Grupo Estado, a CNN Brasil, o portal Terra, a revista Veja e a Rádio Nova FM Na TV paga, a CNN Brasil superou a GloboNews, normalmente líder no segmento de canais pagos de notícia. O encontro foi visto por menos da metade do público que assistiu ao confronto entre os candidatos ao Planalto promovido pela Band, em parceria com a Folha, o UOL e a TV Cultura, em 28 de agosto, que contou com a presença de Lula. Na ocasião, o debate venceu inclusive a Globo na média geral, por 13,7 a 13,6 na Grande São Paulo, e obteve 12,5 no PNT, o Painel Nacional de TV, que soma as 15 regiões metropolitanas de maior consumo do país. Ao longo da exibição, que foi das 18h15 às 20h25, a Globo marcou 17,6 pontos, ante 5,6 da Record e 3,5 da Band na Grande São Paulo. PAGANDO PARA VER Na TV por assinatura, a CNN Brasil somou 1,4 ponto de média, ante 0,5 da GloboNews ao longo do programa, no mercado nacional do Pay-TV Real Time da Kantar Ibope Media. O pico de audiência da CNN Brasil foi de 1,9 ponto, no momento em que a GloboNews registrava 0,3, ou seja, seis vezes mais audiência que a concorrente. Os bons resultados já começaram nos momentos que antecederam o evento. Em sua primeira hora, o especial pré-debate do CNN 360, uma espécie de mesa redonda sobre a competição pelo Planalto, foi ancorado por Daniela Lima e ficou à frente da Globonews com 0,5 contra 0,4 no PNT, entre 16h30 e 17h30. Nas quatro redes (YouTube ao vivo, Twitter Live desde as 16h30, TikTok e Facebook), o alcance total multiplataforma da CNN Brasil atingiu 1,6 milhão de visualizações, segundo dados fornecidos pelo canal. PLACAR Na TV, 1 ponto de audiência em 2022 corresponde a 205.755 telespectadores na Grande São Paulo, e a 713.821 indivíduos no PNT, segundo dados da Kantar Ibope Media.

Quem é o Padre Kelmon que disputa a presidência pelo PTB

O reacionário religioso assumiu o lugar de Roberto Jefferson, que teve candidatura ao Palacio do Planalto impugnada pelo TSE Uma personagem chamou a atenção no debate com os presidenciáveis na noite deste sábado (24) no SBT: Padre Kelmon (PTB) que, com trajes que remetem à Igreja Ortodoxa, ele assumiu o lugar de Roberto Jefferson, que teve o registro de sua candidatura ao Palácio do Planalto rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na chapa presidencial do Partido Trabalhista Brasileiro. Padre Kelmon, batizado Kelmon Luis da Silva Souza, tem 45 anos e é natural de Acajutiba (BA). Kelmon se autodefine como “homem cristão, conservador e de direita, que sempre se dedicou à igreja e ao combate da esquerda no país. Na Bahia, Kelmon é tido como uma liderança dos movimentos fundamentalistas e ajudou a fundar o Movimento Cristão Conservador e lidera o Movimento Cristão Conservador Latino-Americano (Meccla). Desde 2003, Padre Kelmon se diz vinculado à Igreja Ortodoxa. No entanto, aqui reside uma polêmica em sua biografia, pois, nunca foi sacerdote da referida matriz católica no Brasil. Porém, mesmo não sendo reconhecido sacerdote pela igreja ortodoxa do Brasil, ele celebra missas e batismo na Bahia. Mas, no ano passado Padre Kelman rebateu as acusações de que não seja sacerdote das igrejas de comunhão ortodoxa no Brasil e declarou que possui documentos que comprovam a sua ordenação em 2015 e que tais acusações “são retaliações”.

Mendonça nega pedido de Randolfe para investigar clã Bolsonaro por imóveis

Ministro do STF alegou que reportagem do UOL não imputou crimes ao presidente ou seus familiares Um dia depois de suspender a decisão do TJDFT que censurava reportagens sobre a compra de imóveis pela família Bolsonaro, o ministro do STF, André Mendonça, negou pedido do senador Randolfe Rodrigues, da Rede do Amapá, para investigar o clã presidencial. Ontem, André Mendonça deu uma decisão provisória favorável ao UOL, responsável pelas reportagens. De acordo com o portal, dos 107 imóveis comprados pela família nos últimos 30 anos, em 51 deles houve uso de dinheiro vivo. O desembargador Demetrius Cavalcanti também havia determinado a remoção de postagens nas redes sociais com menção às reportagens, restabelecidas por Mendonça. O pedido do senador Randolfe surgiu a partir do caso publicado pelo portal de notícias. “Observo que as imputações apresentadas pelo peticionante foram extraídas e estão lastreadas, exclusivamente, em reportagem de veículo de comunicação, sem que tenham sido apresentados indícios ou meios de prova minimamente aceitáveis que corroborem as informações contidas na referida matéria jornalística”, escreveu o ministro, em decisão deste sábado. “A própria empresa responsável pela matéria, UOL – Universo Online S.A., reconhece não ter feito qualquer imputação de crime ao Presidente da República ou a membros da sua família”. Mendonça também pontuou que a deflagração de procedimento investigatório derivado exclusivamente da reportagem e “desacompanhada de qualquer documento ou meio de prova” é “temerária”. Segundo ele, é indevida a substituição de policiais e promotores de Justiça por veículos de imprensa, que “a despeito de suas nobres funções informativas, não se revestem ainda de atribuição constitucional para a persecução criminal”. Na semana passada, o filho 01 do presidente, senador Flávio Bolsonaro, alegou que as reportagens tinham intuito caluniador e difamatório. Argumentou, por exemplo, que o UOL usou informações vazadas de investigações já anuladas pelo STJ sobre o esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na primeira instância, o pedido foi negado, mas Flávio recorreu. O desembargador do TJDFT primeiramente contrapôs de um lado o direito à liberdade de expressão, e do outro inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem das pessoas. Depois concordou com o argumento da defesa do parlamentar.

Lula cresce e Bolsonaro estaciona; vitória já no 1º turno à vista

Datafolha – Ex-presidente subiu 2 pontos percentuais e chega a 47%, o que representa 50% em votos válidos, o que praticamente garante que o pleito seja encerrado já no primeiro turno Nova pesquisa presidencial do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (15), aponta que o ex-presidente Lula (PT) segue firme na liderança, fez subir suas intenções de voto e ainda ampliou a vantagem para Jair Bolsonaro (PL). Segundo o levantamento, o petista que tinha 45% no último estudo Datafolha, do dia 15 de setembro, ganhou 2 pontos percentuais e chegou a 47% das intenções de voto. Já Bolsonaro manteve os mesmos 33% que já tinha no levantamento anterior. Com isso, a diferença entre os dois candidatos passou a ser de 14 pontos. Em votos válidos, isto é, desconsiderando os brancos e nulos, Lula chega a 50%, o que praticamente lhe garantiria a vitória já no primeiro turno. Para que a eleição não tenha segundo turno, basta um candidato ter 50% e mais um voto. Confira os números em votos totais • Lula (PT): 47% • Jair Bolsonaro (PL): 33% • Ciro Gomes (PDT): 7% • Simone Tebet (MDB): 5% • Soraya Thronicke (União Brasil): 1% • Em branco/nulo/nenhum: 4% • Não sabe: 2%

Pesquisa Ipec: Lula chega a 47% e Bolsonaro fica em 31%

O Instituto Ipec (antigo Ibope) divulgou, Nesta segunda-feira (19/9), nova rodada de pesquisa de intenções de voto para as eleições de presidente da República. O levantamento foi encomendado pela “TV Globo”. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em primeiro, com 47%, 16 pontos percentuais a mais que o segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que aparece com 31% Em terceiro está Ciro Gomes (PDT), com 7%, seguido por Simone Tebet (MDB), com 5%. Soraya Thronicke (União Brasil), 1%. Luiz Felipe D’Ávila (Novo), Vera Lúcia (PSTU), Leonardo Péricles (Unidade Popular), Constituinte Eymael (DC) e Sofia Manzano (PCB) não pontuaram. Brancos e nulos são 5% e não souberam 4%. Confira os números: Lula (PT): 47% Jair Bolsonaro (PL): 31% Ciro Gomes (PDT): 7% Simone Tebet (MDB): 5% Soraya Thronicke (União Brasil): 1% Luiz Felipe D’Ávila (Novo): 0% Vera Lúcia (PSTU): 0% Léo Péricles (UP): 0% Constituinte Eymael (DC): 0% Sofia Manzano (PCB): 0% Kelmon Souza (PTB): 0% Brancos/Nulos: 5% Não sabem/Não responderam: 4% Segundo turno O levantamento também apontou a intenção de votos no caso de Lula e Bolsonaro se enfrentarem no segundo turno. Se as eleições fossem hoje, o petista venceria com 54%, enquanto o atual presidente ficaria com 35%. Brancos são 8%; não sabem/não responderam, 3%. Lula (PT): 54% Jair Bolsonaro (PL): 35% Brancos/Nulos: 8% Não sabem/não responderam: 3% Foram entrevistadas 3.008 pessoas entre 17 e 18 de setembro, em 181 municípios de todas as regiões do país. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00073/2022.

JN descasca Bolsonaro após fake news grotesca sobre pesquisas

Bonner também criticou o desprezo de Bolsonaro diante dos levantamentos e as declarações de que ele não aceitará outro resultado O Jornal Nacional desmentiu nesta segunda (19) os vídeos com trechos adulterados que apontavam Jair Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto. William Bonner também criticou o desprezo do presidente diante dos levantamentos e as declarações de que ele não aceitará outro resultado senão o da vitória dele no primeiro turno. “Levantar suspeitas sobre a Justiça Eleitoral é uma afronta à democracia brasileira e deve ser denunciado”, disse. A reportagem é do portal Notícias da TV. Renata Vasconcellos alertou os telespectadores para as deep fakes, tecnologia que usa inteligência artificial para manipular imagens em movimento. “Entre outras coisas, ela permite adulterar o movimento dos lábios de alguém e transplantar um trecho de uma fala de um determinado ponto para outro mudando completamente o conteúdo de uma notícia, por exemplo”, explicou Em seguida, a Globo exibiu alguns vídeos em que o conteúdo do jornal foi alterado para dar vantagem a Bolsonaro. Renata frisou que eles foram compartilhados massivamente na internet para desmerecer as pesquisas e desinformar os eleitores. “Alguns dos mais compartilhados exibem áudio e vídeo adulterado para afirmar que o candidato à reeleição Jair Bolsonaro estaria à frente na pesquisa de intenção de voto do Ipec, o que é falso. A pesquisa mostrou o oposto do adulterado”, acrescentou a âncora. “Desde 15 de agosto até hoje, as pesquisas do Ipec e do DataFolha apresentadas aqui no JN mostraram o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como o que tem a maior intenção de voto. Em todas elas, Bolsonaro apareceu em segundo lugar”, arrematou Bonner. Em seguida, Bonner ressaltou que a divulgação dos vídeos coincidiram com declarações públicas de Bolsonaro sobre não aceitar o resultado das urnas: A distribuição desses vídeos falsos coincidiu com declarações públicas do candidato Bolsonaro em que despreza as pesquisas eleitorais dos institutos Ipec e DataFolha, afirmando sem nenhuma base nos fatos que qualquer resultado das urnas que não seja a vitória dele em primeiro turno significará que algo errado terá ocorrido no TSE. Levantar suspeitas sobre a Justiça Eleitoral é uma afronta à democracia brasileira e deve ser denunciado Veja um trecho do alerta: Nestas eleições, a guerra travada na internet ganhou arma nova: o deepfake, instrumento de adulteração de sons e imagens que usa inteligência artificial. Um desses vídeos afirma que Bolsonaro estaria à frente na pesquisa de intenção de voto do Ipec, o que é falso. #JN pic.twitter.com/rBi3FroQKR — Jornal Nacional (@jornalnacional) September 20, 2022

Dirigente do PDT abandona Ciro e declara apoio a Lula

Ex-deputado estadual Haroldo Ferreira discorda dos ataques de Ciro a Lula: “Campanha odiosa contra o principal candidato de oposição ao regime bolsonarista” Ex-deputado estadual do Paraná, Haroldo Ferreira (PDT) anuncia em carta enviada ao presidente da legenda, Carlos Lupi, seu afastamento do cargo de membro do diretório nacional do partido e de vice-presidente da Fundação Leonel Brizola. Além disso, demonstrou no texto apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lugar do candidato da sigla ao planalto, Ciro Gomes (PDT). Ferreira aponta, como motivo do seu afastamento, a estratégia política adotada por Ciro ao fazer ataques sistemáticos a Lula. Para Haroldo Ferreira, a campanha de Ciro não percebe o momento crucial em que o país vive para a defesa das liberdades individuais e coletivas, que convive, segundo ele, em constantes ataques que fragilizam as instituições democráticas. No texto, dá a entender que a linha escolhida pela campanha se deve ao marqueteiro do presidenciável João Santana, responsável pelo que chama de uma “campanha odiosa contra o principal candidato de oposição ao regime bolsonarista”, referindo-se a Lula. Ressalta também que as críticas ao petista no campo pessoal marcam o tom da campanha do pedetista. “É lamentável que Ciro Gomes tenha adotado uma estratégia errática de tentativa de desconstrução da imagem de Lula, em vez de focar no Programa Nacional de Desenvolvimento”, disse. O dirigente nacional encerra a carta informando que, em função das discordâncias com a campanha majoritária do partido, declara apoio a Lula: “Passo a defender a bandeira da liberdade e do Estado de Direito democrático, engajado na campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva”. Haroldo Ferreira é médico, ex-deputado estadual pelo PDT e foi candidato a vice-governador do Paraná na chapa encabeçada pela petista Gleisi Hoffmann em 2014. Hoje, concorre a uma cadeira na assembleia legislativa paranaense. Contatada, a campanha de Ciro Gomes não se pronunciou sobre a decisão do correligionário até a publicação desta reportagem. Veja a íntegra da carta: “Prezado Presidente Carlos Lupi, A despeito do apreço e consideração que lhe tenho, assim como identificação com o trabalhismo brizolista, cabe-me o dever pessoal de lhe encaminhar meu pedido de afastamento da Vice Presidência da Fundação Leonel Brizola, Nacional e Regional do Paraná, bem como do Diretório Nacional do PDT, para, como Dirigente, não incorrer em ato de infidelidade partidária. Como estamos vivenciando, o Brasil passa por momento crucial de garantia de nossas liberdades individuais e coletivas, com ataques constantes, persistentes e orquestrados de fragilização de nossas Instituições Democráticas. Instituições que foram duramente conquistadas e inseridas na Carta Constitucional Federal de 1988, após sacrifícios da Nação, de brasileiros e brasileiras que enfrentaram as forças da Ditadura com perdas, mortes, desaparecimentos, exilios e torturas. Malgrado este momento em que o PDT Nacional, através da candidatura presidencial de Ciro Gomes, marqueteado por João Santana, imprime uma campanha odiosa contra o principal candidato de oposição ao regime bolsonarista, lhe impondo pesadas críticas, inclusive, no campo pessoal e familiar. De tal forma que Ciro Gomes, seja hoje, dentro do nosso campo político, o principal detrator de Lula, servindo direta ou indiretamente, de linha auxiliar para a candidatura oficial de situação. Tal conduta equivocada, além de não agregar eleitoralmente, nos afasta do campo progressista nacional, nos isola em um gueto indefinido ideológico, inexpressivo de articulação, negando a história dos posicionamentos de Brizola, como em 1989, ao apoiar Lula, apesar de diferenças existentes à época. É lamentável que Ciro Gomes, homem nacionalista, preparado e provado na luta política, tenha adotado uma estratégia errática de tentativa de desconstrução da imagem de Lula, ao invés de focar no PND, Programa Nacional de Desenvolvimento, que contém propostas para o Brasil real de fato, em que sempre acreditamos. Meu ambiente de convivência política, do campo progressista, democrático, trabalhista, socialista, do SUS, saúde pública e coletiva, ambiental e reforma sanitária brasileira, nos cobra pela atitude política de nossa candidatura presidencial. Constrange-me, sobremaneira, a repercussão dos ataques pessoais ao Lula, como munição eleitoral, nas redes sociais, impulsionados por bolsonaristas. Isto posto, informo ao Presidente que passo a defender a bandeira da liberdade e do estado de Direito democrático, engajado na campanha eleitoral de Luís Inácio Lula da Silva, e que assim o destino o queira futuro Presidente do Brasil. Respeitosamente, Haroldo Ferreira, médico – Paraná”  

O medo da violência como recurso eleitoral nas eleições de 2022

* Por Gilmar Ribeiro dos Santos A normalização da ilegalidade de parte significativa das atitudes do Presidente da República ao longo do seu mandato é uma realidade incontestável nesses tempos frenéticos de redes sociais. Completavam exatos 64 dias de mandato quando o presidente publicou a cena do golden shower no twitter oficial do chefe do poder executivo, plataforma aberta, inclusive, para crianças e adolescentes. Nos seus 1357 dias de mandato, até o momento, o presidente cometeu centenas de crimes, parte deles documentada em vídeo e acessíveis em segundos pelas redes sociais. A pergunta do último Datafolha, sobre a possibilidade de eleitores deixarem de votar por medo de violência política pode reforçar uma estratégia, cara ao bolsonarismo, desde a campanha de 2018. O medo é elemento central para ascensão e manutenção do poder autoritário. A liberdade reivindicada pelos “cidadãos de bem” custa a disseminação do medo para a grande maioria da sociedade. Quem deve se armar, andar livremente e mesmo votar de forma destemida são os eleitores do presidente. A insegurança e o medo ficam para a oposição. Amedrontar a oposição com a perspectiva de confrontos em atividades de campanha, em manifestações individuais de preferências partidárias e principalmente no exercício do voto é um recurso histórico da direita. Além da violência de fato, o mesmo foi largamente utilizado na Itália das primeiras décadas do século XX. Em momentos de crises agudas a sociedade democrática precisa enfrentar a violência de governos autoritários com recursos diferenciados. O momento é de resistir perante as tentativas de impedir o direito de manifestação e em especial o exercício do direito de votar. Violência localizada sempre existiu nas eleições brasileiras, mesmo depois da redemocratização. Os crimes de ódio são novidades preocupantes, sendo assim, seus desdobramentos precisam de acompanhamento das forças progressistas nacionais e internacionais. No entanto o grupo hoje no poder está fomentando a violência como mecanismo de impedir direitos fundamentais de setores da oposição. Não sabemos qual efeito pode advir do chamamento à violência feito pelo presidente e seu filho mais engajado. Mas sabemos que a intimidação é o propósito principal. Divulgar a perspectiva de violência política nos moldes alarmistas de setores da grande imprensa pode favorecer a extrema direita nessas eleições de 2022. Os mais pobres, maioria esmagadora dos eleitores de oposição, não vivem em um país ideal em termos de violência. Somos um país violento, em especial com os mais pobres. A matança quase institucionalizada de jovens nas periferias de grandes e médias cidades do país, assim como de lideranças da luta pela terra, são dois exemplos da violência cotidiana em processo de normalização no país. As grandes lideranças da extrema direita geralmente incitam os seus para executarem atos violentos e assim garantir a intimidação, imprescindível em sua perspectiva eleitoral. Nos moldes atuais da disputa a resistência mais eficaz, para a oposição, não pode ser a resposta violenta. Romper a institucionalidade é um desejo nem tanto implícito do presidente. A hora é de garantir o direito ao voto enfrentado as ameaças implícitas e explicitas e tentar registrá-las, seja em forma de prints, gravações de vídeo ou de áudio. O desejo de enviar pelo menos parte oposição para a ponta da praia já foi exposto pelo presidente. O problema é quem vai dar a ordem explícita e quem vai executá-la. O medo deve estar com o presidente e seu grupo. O governo negligenciou e até zombou da opinião pública. No momento, com o intuito de manter o poder, a opção pela violência vai se impondo. No entanto, a duração de um governo imposto pela força pode ser vinte e um anos, vinte e um meses ou mesmo vinte e um dias. E depois? É melhor enfrentar a justiça com os crimes já praticados ou vale a pena acrescentar mais alguns na ficha? O dilema, ou o medo, deve ficar com o presidente e os seus. Aos democratas de fato cabe lutar de forma efetiva pela garantia do direito ao voto de todos os brasileiros e não caírem na armadilha do eleitor amedrontado. * Gilmar Ribeiro dos Santos é cientista político graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais; especialista em Semiótica e Teorias do Discurso pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor em Educação: História, Política e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.