Pavimentação aos distritos de Tejuco e Pandeiros, em Januária, começa em julho

No segundo dia de visita ao Norte de Minas, o governador Romeu Zema (Novo) esteve em Januária nesta quinta-feira (9), onde assinou autorização para início das obras de pavimentação da MG-479. As intervenções serão feitas no trecho que liga a sede urbana de Januária aos distritos de Tejuco e Pandeiros. A assinatura do governador dá o aval para o Departamento de Estrada e Rodagem (DER) e a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) iniciarem os trabalhos. A obra, que faz parte do Programa Provias, inclui o melhoramento e pavimentação de 46,6 quilômetros da rodovia. Serão investidos R$ 79 milhões e a previsão de início é em julho deste ano. A rodovia MG-479 é uma importante estrada que liga o extremo Norte do Estado a cidades da região Centro-Oeste do Brasil. A pavimentação da estrada é uma demanda de mais de 60 anos e vai impulsionar a economia local, aumentar a segurança dos usuários e diminuir o tempo de deslocamento das viagens. SONHO ANTIGO “A pavimentação da MG-479 é um sonho antigo da população. É uma estrada que interligará Januária a distritos populosos, melhorando a vida dos moradores e levando o desenvolvimento”, afirmou o governador. Ele lembrou que mais de R$ 500 milhões estão sendo investidos na recuperação da malha rodoviária do Norte de Minas por meio do Provias. “A MG-401, que atende o Projeto Jaíba, também será beneficiada. Já a maior intervenção é a ponte sobre o rio São Francisco, que interligará o município de São Francisco a Pintópolis”, disse. PROVIAS Na região Norte do Estado estão sendo realizadas dez obras do programa Provias. Ao todo, serão investidos R$ 385 milhões em pavimentação, recuperação funcional de vias e construção de pontes. As ações do Provias se dividem em dois eixos: recuperação funcional, com objetivo de promover melhorias no pavimento das estradas em pior estado de conservação; e pavimentação e construção de pontes, com foco em viabilizar novas ligações entre importantes regiões de Minas Gerais. As intervenções visam reverter a situação precária em que se encontram muitas rodovias mineiras devido ao baixo investimento realizado por governos anteriores na manutenção das estradas. Saneamento ampliado Além da pavimentação da MG-479, o governador Romeu Zema anunciou as obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Januária. Com investimentos de R$ 24 milhões, as intervenções irão aumentar de 30% para 70% a parcela da população atendida com coleta e tratamento de esgoto. Essa é uma demanda histórica e reivindicada há anos pelos moradores. Desde 2019 até o momento foram destinados um total de R$ 37,8 milhões, um recorde de investimentos em saneamento na cidade. Outros R$ 50 milhões devem ser investidos entre 2024 e 2026. Mais de 18 mil pessoas que residem na parte alta do município serão beneficiadas com a implantação de 75 mil metros de redes coletoras de esgoto, construção de duas estações elevatórias e instalação de 6.303 ligações domiciliares. A previsão é a de que as obras sejam concluídas em 18 meses. Os bairros contemplados são Aeroporto, Alameda, Alto dos Poções, Brasilina, Caic, Eldorado, Jardim Daniel, Jatobá, Jussara, Mangueiras, Terceiro Milênio, São João e São Miguel. IMPACTO Zema afirmou que a visita a Januária tem um grande significado para os moradores. “É uma satisfação anunciar que a Copasa levará água tratada e fará a coleta e tratamento do esgoto para uma parte importante da cidade. Até 2026, o município receberá mais R$ 50 milhões para ampliar as obras de saneamento. Isso significa que o cidadão passará a ter mais qualidade de vida”. A gerente regional de Januária, Melissa Lima, ressaltou a importância da obra para o município, que proporcionará benefícios sociais e econômicos voltados à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida. “O tratamento de esgoto, entre outras vantagens, possibilita que a cidade receba o ICMS Ecológico, um meio de incentivo aos municípios para a criação de mais áreas de preservação ambiental, além de melhorar a qualidade dos espaços já existentes”, explicou. Outro benefício é a erradicação de doenças de veiculação hídrica, controle da proliferação de vetores, melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e mudanças positivas nos aspectos urbanísticos, com a valorização imobiliária e o crescimento socioeconômico da cidade e da região. *Com Agência Minas

Funemp destina 3 milhões para a construção do Aterro Sanitário em Icaraí de Minas

Com recursos do Fundo Especial do Ministério Público, seis lixões no Norte de Minas serão encerrados após convênio firmado entre o MP e o Codanorte O Consórcio Intermunicipal e Multifinalitário Para o Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas (Codanorte) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) assinaram, nessa quinta-feira (9), em Montes Claros, o convênio no valor de R$ 2.999.950,00 milhões para a construção do Aterro Sanitário em Icaraí de Minas, que vai atender as cidades de Brasília de Minas, Ubaí, São Francisco, Campo Azul, e Luislândia. Encerrando, então, seis lixões. Além disso, o recurso também será destinado à construção de Unidade de Triagem e Compostagem Intermunicipal (UTC), e implantação da coleta seletiva, para que somente o que não tiver valor agregado seja enterrado nos aterros. E, ao mesmo tempo, seja potencializada a reciclagem. O presidente do Codanorte e prefeito de Francisco Dumont, Eduardo Rabelo, comenta que com a construção das obras de Aterro sanitário e Usina de Triagem e Compostagem, a estimativa é que cerca de 120 toneladas de resíduos sólidos deixem de ser jogados diariamente nos lixões. “Hoje a sensação é de dever cumprido ao poder anunciar que mais seis lixões serão encerrados nos nossos municípios. Com isso, estamos contribuindo para o meio ambiente, principalmente nesta semana que se comemora o Dia Mundial do meio ambiente para lembrarmos que precisamos encontrar medidas eficazes para essa preservação. Esse é o nosso propósito: continuarmos firmes nesse objetivo de um Norte de Minas mais sustentável”, celebrou Eduardo Rabelo. Na ocasião, o Codanorte prestou Homenagem de reconhecimento ao MPMG, ao Funemp, ao procurador-geral Jarbas Soares, e ao promotor Paulo César Vicente pela aquisição de equipamentos pelos trabalhos prestados ao meio ambiente. Também foi feita a entrega simbólica do maquinário do Aterro Sanitário do Arranjo de Icaraí de Minas. “O Codanorte é uma entidade representativa dos municípios e quê tem feito um trabalho interessante, nesse caso, abriu as portas do Fundo do Ministério Público para as prefeituras, para os prefeitos e para as comunidades. E com um projeto de alcance social, pois a proteção do meio ambiente é uma das finalidades também do ministério público. Por isso, é importante que os projetos que forem apresentados ao Fundo, tenho essa vertente social. Parabenizo o Codanorte, o presidente Eduardo Rabelo e todos os prefeitos do Norte de Minas”, destacou o procurador Jarbas Soares. Para o prefeito de Icaraí de Minas, Gonçalo Antônio Mendes Magalhães, as obras colocam fim a uma luta de anos. “O município vai receber todo esse resíduo produzido nas seis cidades. Dando uma solução ambientalmente adequado para o lixo. Conseguimos alcançar um grande feito com essas obras que vai beneficiar tanta gente”, disse. Compuseram a mesa de autoridades o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior; o presidente do Funemp, Jacson Rafael Campomizzi; a ouvidora do MPMG, Nádia Estela Ferreira Mateus; a presidente do Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (FEPDC), procuradora de Justiça Thaís de Oliveira Leite; a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Marília Carvalho de Melo; o vice-prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães; o presidente do Codanorte, Eduardo Rabelo Fonseca; o deputado federal Igor Timo; a deputada estadual Leninha; o deputado estadual Gil Pereira; o presidente da Câmara Municipal de Montes Claros, vereador Cláudio Rodrigues; o presidente do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene (Cimams) e prefeito de Patis, Valmir Morais, o presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), prefeito de Padre Carvalho José Nilson Bispo de Sá, e o tesoureiro da OAB de Montes Claros, Henrique Tondineli Neto.

Mirabela: Tempo de cuidar do Meio Ambiente – Por Pedro Ruas Neto

 Junho, Mês do Meio Ambiente. Tempo de defendermos a Natureza mais ardorosamente, principalmente em Mirabela, nossa cidade natal e da carne de sol e do pequi. Tempo de lembrarmos da época em que o Rio do Beco (Brejinho) servia para lazer, tomar banho, lavar carros e roupas. Hoje está assoreado, cheio de areia e lixo em suas margens Tempo de lembrarmos que, mais abaixo, as grutas e as pequenas cachoeiras na fazenda de Tião de Romão e dona Helena eram rotina para visitas de crianças, jovens e adultos. As crianças e a juventude se esbaldavam nas águas (hoje poluídas) e com os pés de frutas que existiam pelo caminho. Tempo de lembrar que em quase todos os quintais tinham muitos pés de frutas como goiaba, manga, abacate e até mesmo umbu. Alimentavam a todos e serviam para fazer doces maravilhosos. As praças eram repletas de árvores frondosas que davam sombra para um bate-papo saudável, na maioria das vezes alegres e descontraídos. Mas também serviam para compartilhar confidências e segredos. Tempo de recordar da época em que deixavam os pequi caírem por si só, sem serem arrancados à força e comercializados de forma enganosa. Uma pena perceber que isso vem acontecendo com a maioria das frutas, o que prejudica as safras futuras. Tempo de lembrar de quando o Riachão era um rio caudaloso, atraindo crianças, jovens, adultos e idosos. Um atrativo para todos e uma benção para produtores de Mirabela e região. Hoje está agonizando e em alguns pontos seu leito pode ser atravessado sem se molhar os pés. Uma triste realidade. É tempo de refletirmos e de plantarmos mais árvores e não de derrubá-las. Enfim, nosso futuro depende de como vamos lidar com o meio ambiente. Vamos refletir sobre como cuidar melhor de nossa Natureza para que Deus possa nos iluminar e proporcionar vida a nós e às gerações futuras. Viva a vida. Viva o Meio Ambiente de Mirabela e do Mundo. Para o bem de todos nós. * Jornalista e servidor público de Montes Claros.

Tragédia de Brumadinho viabilizará a construção da ponte no Velho Chico

Com mais de 1 quilômetro de extensão, obra ligará os municípios de Pintópolis e São Francisco, na região Norte do estado Foi iniciada a construção da ponte sobre o Velho Chico, que ligará os municípios de Pintópolis e São Francisco, na região Norte do estado. Esta ponte é uma demanda antiga dos moradores da região, que reivindicam a obra desde os anos 1950, época em que Juscelino Kubitschek, ainda candidato ao governo, tinha como mote de campanha o binômio “Energia e Transporte”.  A ponte será uma das maiores já construídas em Minas, com 1.120 metros de extensão e 13,8 metros de largura, além de um acesso de aproximadamente 3 quilômetros. De acordo com o jornalista Thiago Herdy, em sua coluna no UOL, os recursos de R$ 113 milhões, foram oriundos do Termo de Reparação assinado pelo governo de Minas com a Vale, que teve o procurador-geral, Jarbas Soares Júnior, como um de seus negociadores, em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho. Segundo Herdy, o pedido para a construção desta ponte foi feita pelo chefe do MP mineiro, para atendimento à demanda da cidade de sua família, fato que causou constrangimento entre representantes dos órgãos à mesa de negociação, mas nem por isso deixou de ser atendido. Jarbas Soares, que embora tenha nascido em Montes Claros, passou a infância e a juventude em São Francisco. As equipes do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) já trabalham na compactação da área do pátio de estocagem e armazenamento de vigas, que serão utilizadas na edificação da ponte. Também estão sendo realizados o levantamento topográfico e a verificação da batimetria, que é a medição da profundidade do rio. Tragédia Ocorrido em 25 de janeiro de 2019, após o rompimento de uma barragem na Mina Córrego do Feijão, a tragédia deixou 270 mortos, dos quais 11 corpos ainda estão desaparecidos. O episódio também causou destruição de comunidades, devastação ambiental, impactos socioeconômicos em diversos municípios e poluição no Rio Paraopeba.

Morre o padre José Antista, o mais antigo pároco de Janaúba, aos 100 anos de idade

O Prefeito de Janaúba, José Aparecido Mendes, decretou luto por três dias pelo falecimento do padre José Antista Por Oliveira Júnior * Adeus, Padre José Antista. O mais antigo pároco de Janaúba faleceu às 5h45 da madrugada desta quarta-feira, dia 25 de maio. Ele não resistiu à enfermidade que o levou a ser internado no hospital da Santa Casa, em Montes Claros, onde foi submetido à cirurgia nesta semana após sobre uma queda em casa, em Janaúba, e fraturar o fêmur. O prefeito de Janaúba, José Aparecido Mendes Santos, lamentou a morte do Padre José Antista e assinará nesta manhã o ato em que decreta luto por três dias pelo falecimento do mais antigo líder religioso do município. Padre José ou Giuseppe Presinzano estava com 100 anos de idade, completados em 18 de janeiro deste ano quando foi reverenciado pelos fiéis e amigos durante missa celebrada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. O italiano Giuseppe veio para esta cidade em 1963 com o nome de José Antista e a missão de evangelizar os janaubenses e gorutubanos. 59 anos que ele viveu em Janaúba. Padre José Antista em 2022 Dois anos atrás, durante a missa pelos seus 98 anos, Padre José Antista teria dito que uma das características na vida é a gratidão. “Tenho que dá graças a Deus por tanto de bençãos que tenho recebido”, comentou o líder religioso em janeiro de 2020. Responsável pelas inúmeras celebrações de casamento e batizado neste município, o italiano mantinha o carisma com a população e por muito tempo de sacerdócio sempre lembrava os nomes e a fisionomia daqueles que receberam a sua benção. Padre José Antista parte eternamente, mas deixa o legado de um centenário de dedicação em transmitir ao público a mensagem de fé, paz, amor, esperança, união, paciência, compreensão e alegria. Padre José Antista, o eterno reverendo deste município com incontáveis celebrações religiosas, matrimoniais, batismos, ação de graça e a celebração da e pela vida. * Jornalista e Editor do Blog Oliveira Júnior

Semana Laudato Si’ propõe novos estilos de vida para responder ao grito da terra

A Semana Laudato si’ está de volta, apresentando eventos com ressonância global, regional e local, cada um vinculado a um objetivo particular da encíclica Laudato si’ e dos sete setores da Plataforma de Iniciativas Laudato si’. Todos eles serão focados no conceito de ecologia integral. Espera-se a participação de centenas de milhares de católicos para intensificar os esforços da Plataforma de Iniciativas: este é um novo instrumento que permite as instituições, as comunidades e as famílias de implementarem plenamente o Documento do Papa. Biodiversidade, crises climáticas e acolhida dos pobres Entre os tópicos principais que serão explorados estão: como os católicos podem combater o colapso da biodiversidade; o papel dos combustíveis fósseis nos conflitos e na crise climática; como todos os cidadãos podem acolher os pobres na nossa vida diária. Entre os encontros programados, há um centralizado na possibilidade de dar força às vozes indígenas que terá a participação da Irmã Alessandra Smerilli, Secretária do mesmo Dicastério. Foco aumentar a força das vozes indígenas “Resposta ao Grito da Terra” é o tema da segunda-feira, 23 de maio, com um evento que será transmitido ao vivo da Universidade Católica Australiana de Roma. O tema será como reequilibrar os sistemas sociais com a natureza e contará com a participação do padre Joshtrom Kureethadam: a sua contribuição será importante para dar força às vozes indígenas em vista da conferência da ONU sobre biodiversidade que será realizada este ano. O tema do dia seguinte será “Apoiar a ECO-mmunity: Acolher os pobres”. A quarta-feira será dedicada à economia ecológica, analisada sob o aspecto dos combustíveis fósseis, da violência e da crise climática. Enquanto que na quinta-feira 26, o tema será a adoção de estilos de vida sustentáveis: investimentos coerentes com a fé. Na sexta-feira à tarde terá a pré-estreia de um documentário sobre a “Laudato si”. No sábado à noite, será aprofundado o âmbito da espiritualidade ecológica. Por fim, no domingo 29 de maio será concluído com o tema da resiliência e empoderamento da comunidade como parte do caminho sinodal. Para as 15h deste dia conclusivo está previsto um encontro de oração. Oradores internacionais Os outros palestrantes serão: Theresa Ardler, Oficial de Ligação da Pesquisa Indígena na Universidade Católica Australiana, diretora e proprietária da Gweagal Cultural Connections; Vandana Shiva, fundadora da Navdanya Research Foundation for Science, Technology and Ecology na Índia e presidente da Navdanya International; Angela Manno, artista premiada; Greg Asner, diretor do ASU Centre for Global Conservation Discovery and Science. O programa completo da Semana Laudato si’ Week – está disponível no link LaudatoSiWeek.org – e inclui eventos em Uganda, Itália, Irlanda, Brasil e Filipinas e – com exceção do documentário – será transmitido nos canais Facebook e YouTube do Movimento Laudato si’. Fonte: Arquimoc

Fazendeiro Zé Ruim ameaça casal de Varzelândia, que protege área de cerrado

Segundo relato, terra foi vendida sem documentação e pode ser apropriada para a pecuária bovina – Por duas vezes, em janeiro deste ano segundo o BO registrado, Zé Ruim teria levado policiais para a residência do casal – Foto: Arquivo | MTC  Durante a solenidade de entrega do prêmio “Mulheres Rurais – Espanha Reconhece”, no final do mês de abril, o projeto “Sabores do Cerrado” foi premiado em Brasília. Na ocasião, Marineide Santos, presidenta da cooperativa localizada em Miravânia (MG) e coordenadora do projeto premiado, chamou a atenção dos presentes. Ela disse ter sido inspirada por Izabel, “uma mulher que estava ameaçada de morte por defender seu território”. Trata-se da história do casal Maria Izabel e Clailson Gonçalves, moradores há cerca de 15 anos do Sítio Barreiro Azul, localizado da zonal rural de Varzelândia, Norte de Minas Gerais. Maria Izabel, que também é coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), registrou boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil de Varzelândia e denunciou o fazendeiro José Pereira, conhecido na região por “Zé Ruim”. Por duas vezes, em janeiro deste ano segundo o BO registrado, Zé Ruim teria levado policiais para a residência do casal, sendo uma das vezes sem que eles estivessem presentes na casa, e tem ameaçado Maria Izabel e Claison, de morte. A motivação seria que área de cerrado, próxima à fazenda, que é protegida pelo casal, seja apropriada para a pecuária bovina. “Eu sou herdeira legítima da área. No entanto, ela foi vendida sem documentação, sem que a partilha tivesse sido feita entre herdeiros e sem meu conhecimento. O fazendeiro sabia que eu residia na área e que tinha interesse em ficar nela quando procedeu a compra. Ele cercou a área em que vivo, mesmo sem a decisão da Justiça. No outro lado, a casa sede da fazenda está abandonada, o fazendeiro não reside por lá”, explica Maria Izabel. Testemunhas De acordo com relato publicado no blog Cartas Proféticas por Dom Orvandil, há testemunhas da ameaça. Euclides Lopes, um vizinho do casal, afirma que o José Pereira teria dito ao policial que “o filho dele quer vir resolver do jeito dele”. Segundo Lopes, o fazendeiro estava com dois policiais armados. “Eu falei que não adianta brigar, porque não vai resolver nada. Se seu filho vier aqui brigar, se ele matar alguém, ele vai preso, e se alguém matar ele, vai preso também. Tem que ser resolvido na Justiça e não com as próprias mãos”, disse. A área do Sítio Barreiro Azul, onde Maria Izabel e Clailson residem, é área de cerrado preservado. Eles mantêm hortas e plantio de ervas medicinais. No entanto, a situação é de extrema vulnerabilidade social. A casa onde mora o casal não possui energia elétrica, não possui água e o abastecimento é por caminhão pipa. Com a cerca construída, o “ir e vir” do casal também está prejudicado. Segundo Maria Izabel, a tensão é constante. “O fazendeiro segue rondando meu barraco. Às vezes vai só, às vezes com os filhos. Na última vez, já no mês de maio, ele rodeou a área com uma pessoa desconhecida”, narra. Solidariedade Além do próprio MTC, outras organizações têm acompanhado o caso. No dia 4 de abril, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) visitou Maria Izabel. De acordo com Irmã Etelvina Moreira de Arruda, representante da CPT, é preciso que entidades de direitos humanos estejam a par da situação, pois apoiam Maria Izabel como uma “liderança na comunidade, parceira, companheira na luta e mulher”. Durante a visita da CPT, o advogado Aldinei Leão, do Centro de Referência em Direitos Humanos (CDRH), localizado em Montes Claros, também esteve no local. Segundo Leão, o trabalho desenvolvido pelo Centro é de monitoramento do que já tem sido feito pela advogada do casal. “Apesar de Maria Izabel empreender uma luta coletiva, o conflito está no âmbito do direito individual, pois se trata de um conflito que envolve herança. Nós queremos garantir que as providências sejam tomadas em relação às ameaças. Nós encaminhamos junto ao município as questões sociais envolvidas, pois há uma grande vulnerabilidade social e psicológica”, disse Leão. De acordo com o último relatório “Conflitos no Campo”, divulgado pela Pastoral da Terra, no ano de 2021 houve aumento de 75% no número de assassinatos em conflitos no campo, no Brasil. Já o número de mortes em decorrência de conflitos teve aumento de 1.100%. Ainda segundo a CPT, a atuação da “pistolagem sob encomenda” e das “agromilícias”, bem como de agentes públicos, ocasionaram 35 assassinatos por conflitos no campo no Brasil, em 2021. Outro lado Fábio Jean, advogado de José Pereira, afirmou que a “toda a narrativa não passa de uma mentira que estão contra meu cliente, que comprou as terras da mãe da senhora Izabel”. Afirmou ainda que “nunca houve ameaça por tarde do meu cliente” e que tramita na comarca de São João da Ponte uma possessória em desfavor de Maria Izabel e de seu companheiro. “No caso das ameaças alegadas por ela para os órgãos de imprensa, já foram tomadas as medidas cabíveis”. O advogado relata que tramita na Polícia Civil de Varzelândia um inquérito para apurar o crime de calúnia contra o casal. Fonte: Brasil de Fato

A travessia de Guimarães Rosa pelas veredas fez brotar um grande sertão

Há 70 anos, Guimarães Rosa fazia anotações sobre uma boiada. Escritos do escritor mineiro que foram base para “Grande Sertão: Veredas” serão analisados em evento on-line nesta semana Em maio de 1952 -, o escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) acompanhou uma boiada – conduzida pelo vaqueiro Manuelzão – numa viagem de 240 quilômetros pelo sertão de Minas Gerais, desde Sirga até Araçaí, ao longo de dez dias. Enquanto seguia com o rebanho em sua lenta marcha, Rosa registrou o que via em cadernetas penduradas no pescoço, que conservaram suas anotações em forma de rabiscos e comentários soltos. Os escritos, que descrevem com minúcias os cenários e situações vividas naquela ocasião, foram depois datilografados e serviram de base para duas das mais importantes obras do escritor, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas, ambas lançadas em 1956. Essas anotações de Rosa – que só foram publicadas em livro em 2011 pela Editora Nova Fronteira, com o título A Boiada – serão o tema do ciclo de seminários Infinitamente Maio: A Boiada – 70 Anos, que o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP e a Oficina de Leitura Guimarães Rosa, instalada no IEB, promovem nesta terça, quarta e quinta-feira, dias 10, 11 e 12, sempre às 15 horas. “Maio é um mês mágico para Guimarães Rosa”, afirma Regina Pereira, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa, uma das organizadoras do evento, citando um trecho do conto Desenredo, de Rosa, que inspirou o título do ciclo de seminários: “Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se”. Regina acrescenta: “É um mês muito citado nas obras dele. A viagem que fez pelo sertão mineiro e a publicação de Grande Sertão: Veredas também ocorreram em maio”. “Às 6 horas da manhã. Claridade da madrugada. O sol ainda não saiu. “Está clareando agora, resumindo”. “Romper da aurora”, perto de nós, o grosso, enorme rôlo reto, de bruma branca (‘fumaça’) desce da bocâina pela baixada. Sôbre êle o outeiro, que marca o nascente. Grandes nuvens alaranjadas, que, a certa hora, se mudam em azuis – mas sobre elas o céu se toma de difusos laivos côr de rosa, extensos – aumentação dos raios do sol (parecem uma). Maiora a claridade.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952) No primeiro seminário, dia 10, intitulado A Boiada Presente no Arquivo de João Guimarães Rosa – IEB/USP, as discussões vão se concentrar nas duas cadernetas originais de Rosa que conservam as anotações sobre a boiada, guardadas no IEB. Foram os únicos cadernos que restaram, entre os vários utilizados para descrever a experiência. Os demais, de acordo com o que o escritor revelou numa entrevista, foram “jogados fora”. Além das cadernetas, o vasto acervo relacionado com o escritor, hospedado no instituto – do qual fazem parte os manuscritos de Grande Sertão: Veredas -, também será tema de debates. Vão participar do encontro Diana Vidal, diretora do IEB, Dina Elisabete Uliana e Elisabete Marins Ribas – ambas do Arquivo do IEB -, com mediação de Linda Yazbek Rivitti, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa. “Esta madrugada, deitado, via a lua, já baixa, lua cheia, pronta a ir-se. (Lado meu era o do poente). Poente da lua cheia (ainda alto, eclipsado). Depois, às 4 hs. 30, as nuvens cinzento-verde, leves. Hora em que as nuvens (isoladas) refletem os verdes do mundo. Depois, elas ficam azul e rosa.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952) A Boiada em Imagens é o título do segundo seminário do ciclo, no dia 11. Nele, o coordenador do Museu Casa Guimarães Rosa, de Cordisburgo – cidade natal de Rosa -, Ronaldo Alves, fará análises sobre as imagens da boiada produzidas pelo fotógrafo Eugênio Silva para a revista O Cruzeiro, no último dia do percurso. Já a arquiteta Gabriella Roesler Radoll, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa, vai apresentar mapas da época que descrevem a trajetória da boiada acompanhada por Rosa. Ainda nesse segundo seminário, a pesquisadora Beth Ziani vai explicar a obra coletiva O Manto do Vaqueiro, idealizada por ela, que foi composta com bordados feitos por mais de 200 moradores do sertão mineiro e está em exposição no Museu Casa Guimarães Rosa. A mediação será de Regina Pereira. A importância das anotações para a compreensão da obra completa de Guimarães Rosa será o tema do terceiro e último seminário, no dia 12, intitulado A Boiada Presente em Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. A apresentação será do pesquisador Frederico Camargo, organizador do Arquivo de João Guimarães Rosa, com mediação de Rosa Haruco Tane, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa. “Essas anotações são um material muito interessante para aqueles que fazem crítica genética”, destaca Regina Pereira, referindo-se ao campo de estudo voltado para a investigação das origens mais remotas de uma obra de arte. Regina conclui: “Ao reler as anotações, você percebe o quanto o Cerrado foi destruído. Guimarães Rosa já possuía a visão de que o progresso estava chegando e aquele local não continuaria o mesmo por muito tempo. Refletir sobre o que mudou na geografia de Guimarães Rosa é essencial para a conservação desse patrimônio ecológico e cultural brasileiro”. “TREM DE GADO – Passando (Brumadinho). Alguns bois, ao extremo de uma das gaiolas, conseguiram deitar-se. Um guarda-freio sentado, no extremo final, perto do engate, no último carro. Outro vem andando, sôbre a táboa longa, de cima do carro (tablado). Os bois estão lá dentro, quietos.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952)

Rodrigo Cadeirante cobra contrapartida de mineradora no Norte de Minas

 Durante audiência pública em Grão Mogol, vereador disse ser favorável ao empreendimento, mas pediu união de todos para reivindicar da SAM Metais parceria para as obras de duplicação da BR-251  Audiências públicas realizadas nas noites dos dias 10 e 11 de maio em Grão Mogol e Fruta de Leite, respectivamente, sinalizaram que o empreendimento de mineração da Sul Americana de Metais (SAM) – empresa de capitão chinês ligada à Honbridge Holdings – está prestes a ter seu licenciamento ambiental aprovado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Representantes da empresa mineradora se revezaram por horas em explanações para minimizar os impactos ambientais e socioculturais que o megaprojeto causará na região, compreendida entre os municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho, Fruta de Leite e Josenópolis. Em março deste ano, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou a suspensão do licenciamento do projeto, sob alegação de que são necessários estudos complementares sobre o impacto ambiental. O vereador Rodrigo Cadeirante, que acompanha as discussões desde março, quando a diretoria executiva da SAM apresentou o Projeto Bloco 8 na Câmara Municipal de Montes Claros, sugeriu como contrapartida que a empresa assuma a execução de obras de duplicação da BR-251, utilizando as Parcerias Público Privadas (PPP). Rodrigo reclamou da ausência dos deputados representantes da região na audiência. “Mas a gente sabe que daqui a pouco vai brotar político até no asfalto para pedir voto”, criticou. Ele, que é o vereador mais votado do Norte de Minas, cobrou uma posição mais objetiva das lideranças políticas no imbróglio que se tornou a concessão da licença ambiental para o início do empreendimento. “Enquanto uma parte bate palma e a outra é contra, penso que devemos nos juntar para pedir uma contrapartida dos investidores para nossa região, que poderia ser a duplicação da BR-251”, reiterou. “Sou favorável ao Bloco 8, mas peço aos empreendedores que priorizem à segurança, porque somos gente trabalhadora, queremos o desenvolvimento, mas não podemos correr riscos de sermos vítimas de uma tragédia, como ocorreu em Mariana e Brumadinho”, ponderou. A diretora de Relacionamento e Meio Ambiente da mineradora, Gizelle Andrade Tocchetto, disse que a preocupação de Rodrigo Cadeirante com a segurança é pertinente, mas informou que a empresa adota modelo de barragem mais moderno. “Para maior segurança, haverá um outro muro de contenção, abaixo da área do projeto, totalizando duas barreiras de proteção”, explicou. Um dos populares presentes ao evento, o vigilante Elisson Ribeiro Magalhães trocou de turno com um colega para prestigiar a audiência pública. Ele elogiou a posição de Rodrigo, reforçando a preocupação com a segurança de quem vai trabalhar na mineração e com a população. “Vim para tirar dúvidas”, disse. O Bloco 8 está orçado em US$ 3,5 bilhões e engloba uma mina de minério de ferro, duas barragens de rejeitos e um mineroduto de 482 quilômetros. Texto e fotos: Waldo Ferreira  

Lula tem mais que o dobro de votos de Bolsonaro no Norte de Minas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou mais que o dobro de intenções de voto do que o presidente Jair Bolsonaro (PL) na pesquisa do DATATEMPO para as eleições presidenciais no Norte de Minas Gerais, a primeira realizada em ano eleitoral. Segundo a pesquisa, Lula lidera a disputa com 56,69% das intenções de voto, contra 24,20% do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). Um dos eleitores mais fiéis ao presidente Jair Bolsonaro (PL) são os evangélicos, além dos homens e os mais ricos. Lula, por sua vez, continua avançando entre os jovens, os mais pobres e as mulheres, o que parece ser o seu principal trunfo nessas eleições, A pesquisa DATATEMPO, instituto que faz parte da Sempre Editora, foi realizada com recursos próprios, por meio de 2.000 entrevistas domiciliares, em todas as regiões de Minas Gerais, entre os dias 30 de abril e 5 de maio de 2022. A margem de erro do levantamento é de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Conforme preceitua a legislação eleitoral, o levantamento foi registro no TSE com o protocolo BR-00720/2022 e no TRE-MG com o protocolo MG-01720/2022. Veja AQUI a pesquisa completa