TSE envia à Justiça Eleitoral de SP ação que pode tornar Carla Zambelli inelegível

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Benedito Gonçalves decidiu enviar uma ação que pode tornar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) inelegível para a Justiça Eleitoral de São Paulo. No processo, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ) acusam a bolsonarista de disseminar fake news sobre o sistema eleitoral. A informação é do g1. Gonçalves também é corregedor-geral eleitoral e cabe a ele analisar as chamadas ações de investigação judicial eleitoral, que podem tirar os políticos das eleições por oito anos. O magistrado considerou que há conexão do processo com outra ação que tramita na Justiça Eleitoral de São Paulo. Na denúncia no TSE, a campanha do presidente Lula e outros partidos acusam o ex-presidente Jair Bolsonaro e um grupo de apoiadores de promoverem um “ecossistema de desinformação” para influenciar nas eleições. O ministro entendeu que não é possível reunir os dois temas e, por isso, a competência no caso seria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), onde a ação ficará sob os cuidados da Corregedoria Regional Eleitoral. “A Corregedoria Regional Eleitoral de São Paulo é o órgão competente para o processamento originário da presente ação, em que são partes deputadas federais, eleitas por aquele estado, e em que se discute suposto abuso de poder que teria maculado a eleição da investigada”, afirmou Benedito Gonçalves. A ação apresentada por Sâmia e Glauber acusa Zambelli de uso indevido de veículos de comunicação social e abuso de poder político e econômico. Segundo a ação, ela “tem notório e reiterado histórico de ataques à integridade eleitoral e à Justiça Eleitoral, não só disseminando tais retóricas, mas incentivando a violência contra opositores políticos, a continuidade dos atos antidemocráticos e mobilizando sua base de seguidores”.  

Os Pingos Nos Is – Jovem Pan enfrenta crise e faz demissão em massa

A Jovem Pan tem apresentado diversos problemas financeiros, o que causou a demissão de apresentadores e o cancelamento de dois telejornais, além de um corte em seu tempo de programação ao vivo. Agora, a produção diária encerra às 23h. A informação é do TV Pop. A emissora decidiu descontinuar a produção do Jornal da Manha 2ª Edição, transmitido nas rádios e nas plataformas digitais da empresa, e da edição diária do Fast News, que era comandada por Vitor Brown e ia ao ar entre 22h e 00h. A parte da grade ocupada por telejornais passará a transmitir os programas Pânico e uma versão maior do Jornal Jovem Pan, principal telejornal do grupo. A demissão repentina de Adriana Reid, ex-apresentadora do renomado programa Jornal da Manhã, na última segunda-feira (10), abalou intensamente a Jovem Pan. A saída inesperada da profissional não apenas afetou a estrutura do canal, mas também gerou incertezas quanto à permanência de outros membros da equipe. A demissão de Adriana Reid foi resultado direto de suas reclamações acerca do horário de trabalho, especialmente das madrugadas, e acabou culminando em sua dispensa após uma semana afastada de suas funções. A empresa também promoveu alterações nas equipes de câmeras, repórteres e mídias sociais, além de cancelar a segunda edição do jornal matutino, anteriormente conduzido pela apresentadora, e o programa Fast News. Anteriormente, a programação jornalística da Jovem Pan se estendia até às 2h da manhã, mas agora foi reduzida para terminar às 23h. Com as mudanças implementadas, os horários vagos serão preenchidos com reprises de outras atrações, como o Três em Um, um programa de debates políticos, e o Pânico, que será transmitido entre as 23h e 1h. Além disso, o programa Fast News também sofreu alterações, passando a ter uma hora de duração, entre as 23h e 00h. A assessoria de imprensa da Jovem Pan confirmou as informações à coluna, afirmando: “Houve uma reestruturação na grade de programação. O Jornal da Manhã, que era transmitido exclusivamente pela internet, está fora do ar”. Essas recentes modificações na programação, somadas à demissão em massa decorrente da saída de Adriana Reid, evidenciam uma crise na Jovem Pan. Agora, a emissora terá o desafio de lidar com a reestruturação e reorganização necessárias para manter sua audiência e relevância no cenário midiático. Nos últimos quatro anos, a Jovem Pan virou a voz do bolsonarismo com verbas do governo e tom amigo Pesquisas qualitativas indicaram que a rádio tem ouvinte fiel, que não consome outras fontes, não lê jornal, evita TV e se informa em redes sociais e WhatsApp (EM)

PROERD beneficia cerca de 4 mil alunos em Montes Claros

Durante as festividades de aniversário de 166 anos da cidade de Montes Claros, a Escola Municipal Alfredo Coutinho, no bairro Camilo Prates, promoveu uma aula especial do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD). Participaram da aula, como convidados, o vice-prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, a secretária municipal de Educação, Rejane Veloso e o secretário municipal de Defesa Social Anderson Chaves. Para o vice-prefeito Guilherme Guimarães, o PROERD é muito importante na formação cidadã dos jovens estudantes. “O programa é importante para orientar os estudantes a pensarem de forma crítica, a se comunicarem melhor, a fazerem escolhas conscientes, para que possam se tornar cidadãos seguros e responsáveis no futuro”, avalia.   O PROERD é um esforço cooperativo estabelecido entre a Polícia Militar, a Escola e a Família. O programa é realizado em Montes Claros desde 2003, sempre com a parceria da Secretaria Municipal de Educação e da Superintendência Estadual de Ensino, e apoio das famílias e de toda a comunidade escolar. De acordo com o Sargento Maia, instrutor do programa, mais de 300 mil pessoas já passaram pelo programa no Norte de Minas, sendo mais 150 mil somente em Montes Claros. “Esse ano é especial porque marca os 20 anos do PROERD em Montes Claros. Hoje, várias pessoas que estão trabalhando e contribuindo para construir uma sociedade melhor já foram alunas do programa”, explica. Neste ano, o programa integra cerca de quatro mil alunos de 24 escolas, sendo 22 escolas da rede pública municipal e estadual e duas da rede privada (Colégio Impar e Marista São José). Participam das aulas estudantes do quinto ano do ensino fundamental, além de turmas especiais do primeiro, segundo e sétimo ano. Rejane Veloso, secretária municipal de Educação, explica que o curso tem duração de seis meses, e a cada semestre são formadas novas turmas. “Durante esses seis meses, os alunos participam de atividades que fornecem sempre um quadro favorável ao ensino sobre tomada de decisão, riscos, tensões, comunicação e pressão dos colegas, e outras situações com as quais se deparam em seu dia a dia, incluindo os relacionados às drogas e outros riscos que eles provavelmente enfrentarão em um futuro próximo”, explica. O currículo do programa está em consonância com o padrão nacional de educação estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular, que é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. A diretora da Escola Municipal Alfredo Coutinho, Izamara de Souza Pereira, diz que o apoio da comunidade escolar é fundamental para o funcionamento do programa. “Em nossa escola, a gente tenta fomentar esse conhecimento para proteger nosso maior tesouro, que são nossos estudantes”, comenta. Texto e fotos: Jerúsia Arruda – Ascom/Prefeitura de Montes Claros

Inflação em queda – Brasil registra queda generalizada de preços em junho

Índice Nacional de Preços registrou variação negativa e chega perto do 3% em 12 meses A economia nacional registrou uma queda generalizada de preços no mês de junho. Por conta disso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país, fechou o mês com variação negativa de 0,08%. O dado foi divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda registrada em junho deste ano foi a menor variação para este mês desde 2017. Naquele ano, a inflação de junho ficou em -0,23%. Já em junho do ano passado, o IPCA havia subido 0,67%. :: Mercado financeiro diminui previsão de inflação e reforça expectativa por queda nos juros :: No ano, o índice de inflação acumula alta de 2,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,16%. Abaixo, portanto, do centro da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Reforça também o cenário para o corte da taxa básica de juros, a Selic, que subiu a 13,75% ao ano justamente para conter o aumento de preços. O resultado de junho foi influenciado principalmente pelas quedas nos preços de alimentos e bebidas. Só em junho, o preço médio desse tipo de produto caiu 0,66%. Já o preço dos itens de transporte caíram 0,41%. Artigos de residência (-0,42%) e Comunicação (-0,14%) também registraram recuo nos preços no IPCA de junho. Por outro lado, itens de habitação subiram 0,69% e tiveram a maior alta. Segundo o IBGE, a queda do grupo alimentação e bebidas deve-se, principalmente, ao recuo nos preços da alimentação no domicílio (-1,07%). Destacaram-se as quedas do óleo de soja (-8,96%), das frutas (-3,38%), do leite longa vida (-2,68%) e das carnes (-2,10%). No lado das altas, batata-inglesa (6,43%) e alho (4,39%) subiram de preço. Em transportes , o resultado foi influenciado pelo recuo nos preços dos automóveis novos (-2,76%) e dos automóveis usados (-0,93%). Isso ocorreu por conta dos subsídios oferecidos pelo governo para estimular a venda dos carros populares. No grupo habitação, onde os preços mais subiram, a maior contribuição para a alta veio da energia elétrica residencial, que aumentou 1,43% devido a reajustes aplicados em quatro áreas de abrangência do índice: Belo Horizonte, Recife, Curitiba e Porto Alegre. A taxa de água e esgoto também registrou alta de 1,69%, por conta de reajustes aplicados em Belém, Curitiba, São Paulo e Aracaju. O resultado do grupo saúde e cuidados pessoais (alta de 0,11%) foi influenciado pelo aumento dos preços dos planos de saúde decorrente do reajuste de até 9,63% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 13 de junho. Cinco áreas pesquisadas apresentaram alta da inflação em junho. A maior variação foi em Belo Horizonte (0,31%) e menor, em Goiânia (-0,97%). INPC negativo Além do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também ficou negativo em junho. Foi de -0,10%, abaixo do 0,36% de maio. No ano, o INPC acumula alta de 2,69% e, nos últimos 12 meses, de 3,00%. O INPC é o índice que baseia o reajuste do salário mínimo.

Ângela Carrato: A maré virou, a hora da verdade para Zema chegou

Por Ângela Carrato* A maré mudou. Acostumado com vitórias, a começar pela eleição e reeleição em primeiro turno para governador, Romeu Zema, que de Novo não tem nada, anda meio desconcertado. É que nos últimos tempos, tudo tem dado errado para ele. Mesmo tendo ido a Brasília, na última semana, para pressionar o governo Lula e o Congresso Nacional contra a votação da PEC da Reforma Tributária, a medida foi aprovada com ampla margem favorável. Pior ainda: Zema amargou derrota específica, uma vez que a bancada federal mineira, por 39 votos a 13, aprovou a medida. Zema, como sempre, tentava jogar para a plateia, se colocando como oposição ao governo Lula e tentando capitalizar politicamente de olho nas eleições presidenciais. No entanto, quem acabou capitalizando, no âmbito da oposição, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por se afastar das posições extremistas de direita do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem brigou publicamente. Zema ficou sem saber o que fazer. Com Bolsonaro inelegível e, a julgar pelas dezenas de processos que o aguardam no âmbito da justiça Cível e Criminal, a caminho da prisão, Zema ainda pensa em ser seu herdeiro político. O problema é que Bolsonaro não o vê e, menos ainda, o quer como tal. Diante desta situação, Zema deve estar avaliando o erro que cometeu ao apoiar Bolsonaro na eleição passada. Outro erro que poderia ter evitado é o de hostilizar, sem qualquer motivo a não ser jogar para os fanáticos bolsonaristas, o governo Lula no episódio dos atos golpistas de 8 de janeiro. Uma semana após esses episódios, em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul, Zema declarou que o governo federal pode ter feito “vista grossa” para os atos de vandalismo, torcendo para que acontecesse o “pior”, para que pudesse posar de “vítima.” A fala sem qualquer base na realidade custou ao governador de Minas interpelação por parte do STJ, que o acusa por “calúnia” ao dizer que autoridades teriam obtido ganhos políticos com o 8 de janeiro. O interrogatório ainda não aconteceu, mas a situação de Zema se complica na medida em que as duas CPIs, a da Câmara Distrital de Brasília e a do Congresso Nacional, avançam e deixam claro como os cidadãos que depredaram a Praça dos Três Poderes estão longe de serem apenas pessoas comuns. Em sua maioria estavam ali cumprindo roteiro planejado e financiado pela extrema-direita, civil e militar, incluindo setores do agronegócio de Minas Gerais. Zema não sabia de nada? É no âmbito estadual, no entanto, que a situação de Zema se mostra mais complicada. Ele não tem maioria na Assembleia Legislativa, uma vez que seu partido, o Novo, elegeu apenas dois deputados. Dito de outra forma, para aprovar medidas do seu interesse, precisa negociar com uma série de agremiações, a começar pelo PL de Bolsonaro. No primeiro mandato, essas negociações funcionaram, uma vez que o alinhamento a Bolsonaro lhe dava tranquilidade nas votações. Com o ex-capitão fora do jogo político, a tendência desses parlamentares é de procurarem se aproximar de outro centro de gravidade. A votação da bancada federal mineira no episódio da Reforma Tributária dá uma boa mostra de como o novo centro de poder está se constituindo em torno do presidente Lula. Outra vez, Zema perdeu e vai continuar perdendo, especialmente agora que depende do governo federal para renegociar a dívida de Minas Gerais. Esse episódio, aliás, merece um olhar cuidadoso, pois tem sido alvo de muita distorção e desinformação por parte da mídia e do próprio Zema. Ao longo do primeiro mandato, Zema jogou nas costas de seu antecessor, o petista Fernando Pimentel, a responsabilidade pelo alto endividamento e pelas finanças de Minas Gerais estarem desorganizadas, tachando-o de mau gestor, a ponto de atrasar o pagamento do funcionalismo público. Essa conversa acabou colando para quem depende de salário. Depois de trabalhar o mês inteiro, o funcionário ou funcionária quer receber e não discutir o motivo pelo qual seu pagamento está atrasado. O problema é que Zema mentiu para o funcionalismo. Pode-se e na minha visão deve-se criticar politicamente Pimentel pela sua inexplicável aliança com o então governador tucano Aécio Neves, que redundou na escolha de Márcio Lacerda para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. Escolha que acabou atingindo duramente o PT e os setores progressistas da política mineira. Mas se Pimentel errou politicamente, do ponto de vista da gestão ele estava certo. Ao contrário de Zema, que se beneficiou do alinhamento a Bolsonaro durante seu primeiro mandato, Pimentel administrou em situação adversa, em meio ao golpe de estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff em 2016, e enfrentando a oposição aberta do vice que assumiu o Palácio do Planalto, Michel Temer. Temer e setores da Justiça na época fizeram de tudo para prejudicar a administração de Pimentel. Como se não bastassem a perseguição de que ele e sua família foram vítimas, repasses devidos do governo federal para o estado foram suspensos. Isso, somado à situação quase falimentar que os tucanos deixaram Minas Gerais, explica a crise que Pimentel enfrentou e que culminou no atraso do pagamento do funcionalismo. Aqui vale enfatizar que Pimentel errou igualmente ao não ter, nos primeiros dias de sua administração, divulgado o resultado da auditoria independente que contratou para fazer a radiografia de como estava recebendo o Estado. Zema sabia e sabe disso e mesmo assim continuou mentindo e atacando Pimentel através de pronunciamentos e de posts em suas redes sociais, especialmente durante as últimas eleições. O caso está na Justiça e em algum momento o atual governador de Minas terá que se explicar. Se esse é um problema a médio prazo para Zema, questões urgentes o aguardam. Em menos de uma semana, o governador mudou várias vezes o seu secretário de Governo. Exonerou Igor Eto, devido à insatisfação com a atuação dele junto aos parlamentares, e nomeou interinamente o adjunto Juliano Fisicaro Borges para o cargo. Depois, acabou escolhendo seu próprio líder na Assembleia Legislativa, Gustavo Valadares, para o cargo. Ao trocar seis por meia

Palmeirense vítima da violência nos estádios cuidava de crianças autistas

Gabriela Anelli Marchiano trabalhava com crianças para que seu pai pudesse assistir aos jogos do time A história da torcedora palmeirense Gabriela Anelli Marchiano, de 23 anos, que perdeu a vida após ser atingida por uma garrafa nas proximidades do Allianz Parque, revela um aspecto tocante de sua dedicação ao clube. Segundo seu pai, Ettore Marchiano, de 49 anos, Gabriela trabalhava como cuidadora de crianças para conseguir arcar com um plano mensal que lhe permitia assistir aos jogos do Palmeiras. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, Ettore contou que sua filha se dedicava ao cuidado de crianças autistas e com síndrome de Down. No sábado (8), Ettore deixou Gabriela por volta das 14 horas na estação de metrô Campo Limpo, localizada no mesmo bairro onde a família residia, na zona sul de São Paulo. Lá, ela encontrou amigos e seguiu para a Barra Funda, na zona oeste, para acompanhar a partida entre Palmeiras e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. De acordo com o delegado Cesar Saad, da Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), imagens captadas pela polícia mostram o início de uma confusão quando quatro vans com torcedores do Flamengo chegaram por volta das 17h30. Logo em seguida, os torcedores começaram a lançar garrafas. Gabriela, associada à torcida organizada Mancha Alviverde e namorada de um membro de outra organizada do Palmeiras, a Porks, foi atingida no pescoço por estilhaços de uma garrafa arremessada por um torcedor flamenguista na rua Padre Antônio Tomas. Gabriela foi socorrida por uma equipe da Guarda Civil Metropolitana, que a levou até um posto médico dentro do estádio, enquanto seu pai assistia ao empate entre as duas equipes nas arquibancadas do Allianz Parque. Naquele momento, a jovem já estava sendo atendida na Santa Casa, para onde foi transferida. Foi somente após o jogo, quando o sinal de celular voltou a funcionar, que Ettore Marchiano soube do ocorrido com sua filha. Infelizmente, Gabriela não resistiu aos ferimentos e veio a falecer na manhã de segunda-feira (10).  

PF investiga grupo que teria movimentado R$ 80 milhões com garimpo ilegal

Operação Frutos do Ouro, da Polícia Federal também investiga lavagem de dinheiro A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (10), a Operação Frutos do Ouro, que investiga um grupo que estaria relacionado à apreensão de aproximadamente 5kg de ouro no Aeroporto de Boa Vista, em Roraima, em 2019. Os cinco mandados de busca e apreensão foram realizados em Boa Vista e em São Paulo. PUBLICIDADE O grupo teria movimentado aproximadamente R$ 80 milhões por meio de garimpo ilegal e lavagem de dinheiro. As investigações começaram depois que um suspeito tentou embarcar com 5kg de ouro no Aeroporto de Boa Vista, com destino à Campinas, no interior de São Paulo. O grupo teria ligações com uma rede de exploração de ouro extraído da Terra Indígena Yanomami. Indígena Yanomami exibe estragos provocados pelo garimpo. (Foto: Bruno Kelly|Reuters)De acordo com a PF, uma joalheria de São Paulo, com mais de R$ 50 milhões movimentados, é suspeita de enviar dinheiro ao suspeito que tentou embarcar com 5kg de ouro. Outro suspeito teria recebido salários que somam cerca de R$ 5 mil e teria mais de R$ 15 milhões em movimentações financeiras. Para movimentar esses recursos, o grupo usaria uma empresa de comércio de frutos do mar em Boa Vista. Esta é a oitava operação da Polícia Federal deflagrada em 2023 com o objetivo de encontrar as origens e os destinos de recursos extraídos a partir do garimpo ilegal. Originalmente publicado em Brasil de Fato

Para que serve a publicidade comercial?, por Luis Felipe Miguel

P. T. Barnum, o famoso mistificador do século XIX, já dizia que o segredo é entender que o público deseja ser enganado e colabora para isso Muita gente criativa e inteligente tem que ganhar a vida em agências de publicidade. É uma pena ver tanto talento desperdiçado, usado para enganar e piorar a vida das pessoas   Por Luis Felipe Miguel*, em A Terra é Redonda Ao longo dos século XIX e XX, houve uma mudança no sentido de “publicidade”. De uma exigência de transparência para a esfera pública – publicidade como o procedimento de tornar públicos os atos de Estado – ela ganhou o sentido de propaganda e, portanto, de controle. Ao mesmo tempo, a publicidade comercial passou a romper a ligação entre forma e conteúdo: entre aquilo que se fala e aquilo sobre que se fala. Como disse David Harvey, “a publicidade já não parte da ideia de informar ou promover no sentido comum, voltando-se cada vez mais para a manipulação dos desejos e gostos mediante imagens que podem ou não ter relação com o produto a ser vendido”. A instigação ao consumo ostentatório, o fetiche da inovação tecnológica (com a obsolescência programada dos bens de consumo pretensamente duráveis), a exaltação de certos padrões de juventude e beleza: em torno destes núcleos, o discurso publicitário constrói seus “mitos”. E os constrói de forma científica, integrando aportes da psicologia, da sociologia e da semiótica, além das técnicas mais avançadas de pesquisa de opinião, grupos focais e big data. O bombardeamento publicitário gera sem cessar “necessidades supérfluas” e induz ao consumo conspícuo como único caminho da realização humana. Cumpre, assim, papel fundamental na reprodução do capitalismo. O consumo compensatório (minha vida é um lixo, meu trabalho é uma porcaria, mas eu vou comprar um carro novo), que a publicidade incentiva de forma incessante, mantém os dominados acomodados no sistema. O discurso publicitário, embora esteja voltado para a promoção de marcas específicas, sempre afirma a eficácia e utilidade de toda a sua classe de produtos – um anúncio de uma companhia aérea é, por exemplo, a reafirmação da confiabilidade da aviação como meio de transporte; o anúncio de um remédio avaliza a ideia da cura farmacêutica e assim por diante. De maneira mais geral, a publicidade promove a ideia de que o consumo resolve nossos problemas. Para o público, é uma evasão da qual por vezes é difícil despertar. P. T. Barnum, o famoso mistificador do século XIX, dono de um circo de horrores, pioneiro da propaganda comercial moderna, já dizia que o segredo é entender que o público deseja ser enganado e colabora ativamente para que a ilusão não se desfaça. Como escreveu o crítico de arte John Berger: “A publicidade está sempre voltada para o futuro comprador. Oferece-lhe uma imagem dele próprio que se torna fascinante graças ao produto ou à oportunidade que ela está procurando vender. A imagem, então, torna-o invejoso de si mesmo, daquilo que ele poderia ser. Mas que é que o torna pretensamente invejável? A inveja dos outros”. A fim de alcançar o máximo de eficácia, a publicidade tende a agir sempre de acordo com as expectativas de seu público – as “surpresas” são sempre milimetricamente pensadas para não causarem estranheza. Por isso, tende a reproduzir estereótipos e preconceitos. Nos anos 1980, uma pesquisa sobre a representação dos papéis de gênero na publicidade, encomendada pelo Ombudsman dos Consumidores da Dinamarca, concluiu que o único jeito de conter a reprodução de estereótipos seria proibir toda e qualquer representação de seres humanos em anúncios. E a publicidade ainda se apresenta como a ferramenta que nos propicia tantas coisas “de graça”. Não pagamos para assistir a TV ou navegar na web porque a publicidade financia para a gente. Mas, na verdade, nós pagamos. O custo da publicidade está embutido no preço dos produtos. Dependendo do caso, pode significar um acréscimo de 20%, 30% ou até mais. Muita gente criativa e inteligente tem que ganhar a vida em agências de publicidade. É uma pena ver tanto talento desperdiçado, usado para enganar e piorar a vida das pessoas. *Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de Democracia na periferia capitalista: impasses do Brasil (Autêntica). Publicado originalmente no Jornal GGN.

Ana Moser tem o apoio irrestrito dos progressistas que vivem o esporte brasileiro

O Esporte não é moeda da troca Por Juca Kfouri (@BlogdoJuca), no UOL Quem disse o que faz as vezes de título desta nota foi o presidente Lula, em reunião com esportistas ainda em setembro do ano passado, às vésperas da eleição. Então, se comprometeu com a recriação do ministério do Esporte e, eleito, escolheu Ana Moser para ser a ministra, ex-campeoníssima de vôlei e com excelente trabalho social na área desde que abandonou as quadras. Séria, cuidadosa, Moser não é propriamente política, o que nem a desqualifica nem a qualifica para o posto. Sua vivência e compromisso com o país sim, a credenciam. Políticos há da melhor estirpe para ocupar cargos públicos, como também há não políticos — basta lembrar do cardiologista Adib Jatene no governo FHC e, agora mesmo, da cientista Nísia Trindade Lima, ambos no ministério da Saúde. É igualmente certo que partidos políticos mirem nos espaços ocupados por não-políticos para aumentar suas quotas no governo, assim como é comum que o governo negocie em busca de apoio e, às vezes, até com dor, entregue os anéis para fortalecer os dedos. Dito isso, tudo ponderado, será retrocesso brutal entregar o ministério do Esporte para quem quer que seja e interromper o promissor trabalho de Ana Moser. O Esporte não pode ser moeda de troca como disse Lula e nem está à venda, como dizem todos que olham para ele como fator de saúde pública — e não apenas para fazer campeões, objetivo importante, mas não excludente. Ana Moser tem o apoio irrestrito dos progressistas que vivem o esporte brasileiro.

Candidata de esquerda pode ganhar eleição do Equador no primeiro turno

Luisa González é representante do partido Revolução Cidadã, o mesmo de Rafael Correa Faltando pouco mais de 40 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais do Equador – marcado para 20 de agosto –, o cenário apresentado pelas pesquisas de opinião mostra um clima bastante favorável à candidata Luisa González, representante do partido de esquerda Revolução Cidadã. Nas três medições mais recentes, ela aparece com índices de intenção de voto que a deixam muito próxima da possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, considerando as regras eleitorais equatorianas. Existem duas formas pelas quais um candidato pode vencer as presidenciais no Equador já no primeiro turno. Uma delas, a mais comum na maioria dos países do mundo com regime presidencialista, consiste em superar os 50% dos votos válidos, independente da votação dos demais candidatos. A outra opção requer uma votação acima dos 40%, desde que a diferença para o segundo mais votado seja superior a 10% dos votos. Essa segunda alternativa parece ser alcançável pela candidata progressista, segundo a pesquisa do instituto Comunicaliza, publicada na última sexta-feira (07/07). No estudo, Gonzáles aparece com 37,5% dos votos válidos, enquanto seu adversário mais próximo, o liberal Otto Sonnenholzner, do partido Avança, aparece com 17,3%, e o terceiro colocado, Yaku Pérez, do Unidade Popular, tem 14,8%. Dias antes, uma pesquisa mostrou González já com o percentual necessário para a vitória já no primeiro turno. Segundo a consultora Negocios y Estrategias, em medição divulgada no dia 29 de junho, a candidata do Revolução Cidadã aparece com 41,4% dos votos válidos, enquanto Sonnenholzner teria 11,2% e Pérez 10,6%. Se esse cenário se repetir na votação do dia 20 de agosto, ela será eleita. Outras pesquisas publicadas na última semana mostram o mesmo cenário, com González muito próxima dos 40% dos votos, enquanto Sonnenholzner e Pérez, sempre em empate técnico entre os dois, enfrentam o duplo desafio de conquistar o segundo lugar e alcançar uma votação que permita a realização do segundo turno. Luisa González é candidata pelo partido Revolução Cidadã, cujo líder é o ex-presidente Rafael Correa – que vive na Bélgica, onde reside graças ao asilo político entregue pelo governo desse país, devido aos problemas que enfrenta na Justiça do Equador, que ele considera como “casos de lawfare”, comparando-os aos enfrentados pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. Primeira mulher presidente A candidata progressista busca ser a primeira mulher eleita presidente do Equador, país que já teve uma liderança feminina, mas por apenas cinco dias: em 6 em fevereiro de 1997, o então presidente Abdalá Bucaram foi destituído pelo Congresso do país, sob a acusação de “incapacidade mental”, e a escritora Rosalía Arteaga, que era sua vice, assumiu o poder. Em seu curtíssimo mandato, ela teve que enfrentar pressões do Congresso, que tentou impor a nomeação de Fabián Alarcón, então presidente do Legislativo, em lugar do mandatário destituído. Arteaga resistiu até o dia 11 de fevereiro, quando as Forças Armadas anunciaram seu apoio a Alarcón e a obrigaram a renunciar. Caso chegue à Presidência do país, Luisa González deve ter um cenário político mais favorável. Atualmente, o Revolução Cidadã é o partido com maior representação na Assembleia Nacional unicameral do Equador. Embora as eleições de 20 de agosto também incluam a renovação total do Legislativo, a tendência, segundo grande parte dos analistas políticos equatorianos, é que o partido de González mantenha sua maioria na Assembleia Nacional, ou talvez a amplie.