Lula reage e demite dez militares, entre eles irmão do presidente da CPI do MST

As substituições fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu do cargo de Comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva o general Marcelo Lorenzini Zucco, irmão do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS). O deputado é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a CPI do MST. Com a exoneração, o general Zucco volta para o cargo inferior que ocupava antes, o de adido ao Comando Militar do Sul. Golpistas A demissão foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (25), com outras nove trocas de militares de alta patente que ocupavam cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as alterações, estão dois generais que foram exonerados o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). As substituições, de acordo com o Congresso em Foco, fazem parte de um pacote de medidas tomadas pelo governo em reação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a Polícia Federal (PF) a dar andamento às investigações sobre a participação do deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) nos atos golpistas. Revista Fórum
Maior cooperativa captadora de leite investe no varejo com foco no Norte de MG

CCPR está ampliando rede de lojas agropecuárias para atender os produtores, alcançar novos mercados e consolidar marca em uma região com potencial de desenvolvimento do setor Para atender à crescente demanda do mercado agro no Brasil, projetada para os próximos anos, e consolidar a atuação no Norte de Minas Gerais, a CCPR está investindo na expansão da rede de lojas CCPR Armazém com a inauguração de uma nova unidade em Montes Claros, no dia 27 de maio. A CCPR é a maior cooperativa captadora de leite e uma das principais empresas do segmento de nutrição animal do país. A empresa já está presente na região com uma unidade em Bocaiuva. Esse investimento visa atender à expansão da demanda por produtos agropecuários. Considerando apenas o consumo mundial de carne, por exemplo, a estimativa é de aumento de 15% até 2031, um incremento no consumo global de carne bovina de mais 76 milhões de toneladas, principalmente com abertura de novos mercados internacionais. Os dados são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Uma oportunidade para produtores e empresas do setor. A implantação desse empreendimento visa oferecer um mix completo de insumos aos cooperados e clientes da região, considerada uma área com potencial de desenvolvimento. “Montes Claros é um polo do Norte de Minas e destaca-se pela pecuária de corte e leite, e agricultura de produtos como feijão, milho, mandioca, algodão e arroz irrigado. Com essa nova unidade teremos a oportunidade de ofertar nossos produtos e serviços com mais eficiência a clientes da região, bem como alcançar novos produtores cooperados e não cooperados, ampliando a capilaridade da rede CCPR Armazém”, explica o presidente Marcelo Candiotto. Hoje, a rede CCPR Armazém conta com 18 unidades em Minas Gerais e Goiás, onde são comercializados, por mês, cerca de 3.000 itens, entre rações e suplementos minerais, insumos agrícolas e máquinas e equipamentos para propriedades rurais de todos os portes. Por mês, são atendidos cerca de 20 mil clientes. Para se ter uma ideia da força do segmento varejo, a rede CCPR Armazém representa 23% do resultado líquido da Cooperativa. Perspectiva de alta demanda Diante da projeção de aumento no consumo de proteína animal nos próximos anos, os produtores precisam melhorar a eficiência e a produtividade dos animais. Mas para atender a essa demanda, os produtores devem aumentar a eficiência e a produtividade das fazendas. E para garantir a alta performance é necessário ter acesso facilitado a uma rede de atendimento de insumos. “A CCPR tem essa expertise conquistada em décadas de atuação nesse segmento. Enxergamos essa ação como uma oportunidade de atender o produtor e ampliar o alcance da nossa marca nessa importante região de Minas”, destaca Candiotto. Outro investimento recente da CCPR no setor varejo foi a abertura da loja em Orizona/GO, região que se destaca na produção de leite e grãos. Estrutura O CCPR Armazém Montes Claros abre as portas no sábado, dia 27 de maio, com novos sistemas de iluminação, mobiliário, depósito e com infraestrutura confortável tanto para os colaboradores quanto para os clientes. Tudo dentro dos mais modernos padrões de engenharia. A loja tem espaços de convivência, identidade visual diferenciada e novo layout. A CCPR tem investido nesse novo conceito de loja agropecuária, que privilegia o conforto, bem-estar e melhor atendimento ao cliente. Outra novidade é a criação da área CoopPet, destinada aos pets durante o momento de compra. “Estamos investindo cada vez mais em projetos inovadores de engenharia para com foco na melhoria do trabalho dos nossos colaboradores e do atendimento aos nossos clientes. A CCPR vive um momento de reestruturação e inovação, mas sem deixar de lado a tradição”, destaca o presidente Marcelo Candiotto. Centro de Distribuição A CCPR também vai inaugurar, em Montes Claros, um Centro de Distribuição com área de aproximadamente de 1200 metros quadrados. O objetivo é abastecer as lojas de Montes Claros e Bocaiuva, e manter estoque das linhas de produtos próprios. Serviço Inauguração loja CCPR Armazém Montes Claros Data: 27 de maio de 2023 Hora: 8h30 Local: Av. Governador Magalhães Pinto, 1919, bairro Alcides Rabelo, Montes Claros/MG
Em vitória de Lula, Câmara aprova arcabouço fiscal com 372 votos

Parecer, de autoria do deputado Cláudio Cajado, não acatou nenhuma das 40 emendas apresentadas na Câmara e segue agora para o Senado Há uma semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não escondeu o objetivo de viabilizar o novo arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados com uma votação contundente. Segundo Haddad, era preciso buscar “não apenas os 257 votos para aprovar uma lei complementar – mas um espaço ainda maior, de 300, 350 votos”. Pois até as previsões mais otimistas do governo Lula foram superadas. Na noite desta terça-feira (23), o texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 93/2023 – que institui o Regime Fiscal Sustentável – foi aprovado por 372 votos a 108. O parecer, de autoria do deputado Cláudio Cajado (PP-BA), não acatou nenhuma das 40 emendas apresentadas na Câmara e segue agora para o Senado. Antes, nesta quarta-feira (24), a partir das 13h55, os deputados votam os destaques ao texto. O placar dilatado – e, em alguma medida, surpreendente – representa uma vitória de Lula e Haddad. Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o novo arcabouço “calibra as regras fiscais, garantindo mais transparência com os gastos públicos e melhorias no campo social ao longo dos próximos anos”. A proposta do novo arcabouço fiscal é limitar o crescimento da despesa a 70% da variação da receita dos 12 meses anteriores. Em anos de crescimento econômico, a despesa poderá crescer até 2,5% ao ano acima da inflação. Já em anos de recessão, o gasto poderá se expandir em até 0,6% ao ano acima da inflação. Nos últimos dias, o relatório de Cláudio Cajado foi duramente criticado por deputados da base do governo. Tudo por causa da inclusão do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e do piso nacional da Enfermagem no limite dos gastos. Apenas o salário mínimo foi poupado, em consonância com a retomada de sua política de valorização. Ao justificar seu parecer antes da votação, Cajado acenou para esses deputados ao dizer que não haverá impactos nem para a Educação, nem para a Saúde. “O futuro demonstrará a correção da medida que estamos votando aqui. Ao votarmos esse regime fiscal sustentável, vamos contribuir para o sucesso do atual governo e dos que o sucederão”, disse. Segundo Cajado, “o substitutivo melhorou muito o texto original. Todas as excepcionalidades foram fruto de muita discussão”. Seu discurso foi compartilhado por Padilha: “O parecer é calibrado. Aprimora o trabalho do governo e equilibra responsabilidade social e fiscal”. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) – que também sai fortalecido do processo –, parabenizou os deputados pela grande unidade em torno do PLP 93/2023: “Com todo o rigor do texto, com as modificações que ocorreram por parte da Câmara, a gente dá a exata noção de que o Brasil não abriu mão da responsabilidade fiscal, mas vai olhar também para as desigualdades sociais, econômicas”. Na visão de Lira, “se confirmou o que era importante –um texto equilibrado, um texto ‘do meio’, que dá previsibilidade, segurança jurídica, aperta quando necessário”. Um dos ajustes de última hora no relatório, acordado entre Haddad, Cajado e Lira, foi o que permitiu ao governo gastar mais do que o previsto quando também arrecadar além da previsão.
Após denúncias de brasileiros, Google retira do ar jogo que estimula a escravidão

O Google decidiu remover o ‘jogo’ ‘Simulador de Escravidão” que estava disponível para download na plataforma Google Play. O jogo foi alvo de denúncias por parte de usuários e também do deputado Orlando Silva (PCdoB), relator do PL das Fake News que, dentre outras temáticas, fala sobre a regulação das big techs. De acordo com reportagem do site Ponte Jornalismo, a remoção do aplicativo ocorreu por volta das 13h, conforme relatado por usuários do Google Play. “Entraremos com representação no Ministério Público por crime de RACISMO e levaremos o caso até às últimas consequências, de preferência a prisão dos responsáveis. A própria existência de algo tão bizarro à disposição nas plataformas mostra a URGÊNCIA de regulação do ambiente digital”, escreveu o deputado Orlando Silva em sua conta no Twitter. ????URGENTE! DENÚNCIA CHOCANTE! A Play Store, loja de aplicativos do Android, tem um "jogo" chamado SIMULADOR DE ESCRAVIDÃO, no qual a "brincadeira" consiste em comprar, vender, açoitar pessoas negras escravizadas. É desumano, nojento, estarrecedor. É CRIMINOSO! ???????? A @unegrobrasil… pic.twitter.com/QHi8oaaSOi — Orlando Silva (@orlandosilva) May 24, 2023 A reportagem destaca que o ‘jogo’ foi baixado por mais de 1.000 pessoas e tinha classificação indicativa livre na plataforma. Sua descrição promovia a compra e venda de “escravos no mercado”, permitindo também a distribuição dos mesmos em diferentes empregos para obter dinheiro. O jogo apresentava um desenho de um homem negro coberto apenas por algo semelhante a uma cueca, algemado no pescoço, mãos e pernas. O Google não respondeu ao pedido da Ponte por resposta. No entanto, no Twitter, em resposta a um usuário que denunciou o jogo, a conta oficial do Google Play sugeriu que o mesmo fez uma denúncia por meio de um site, afirmando: “Levamos essas denúncias muito a sério e agradecemos seu contato”. A empresa Magnus Games, listada como responsável por disponibilizar o jogo na Google Play, também foi contatada pela reportagem por e-mail, mas não respondeu. Há suspeita de que o dono da desenvolvedora de games Magnus Games seja de origem russa ou ucraniana.
“A dama pediu saques” era o código pra Mauro Cid dar dinheiro para Michelle

Relatório parcial da Polícia Federal indica códigos usados por ajudante de ordens de Bolsonaro para saques Um relatório parcial da Polícia Federal obtido pelo UOL mostra como o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, indicava os saques realizados para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As investigações da PF mostram que Cid utilizou dinheiro público para pagar despesas da esposa de Bolsonaro e, agora, indicam o uso de códigos para operações financeiras para a ex-primeira-dama. “O conjunto probatório colhido durante o estudo do material apreendido (inclusive o contido em nuvem) permite identificar uma possível articulação para que dinheiro público oriundo de suprimento de fundos do governo federal fosse desviado para atendimento de interesse de terceiros, estranhos à administração pública, a pedido da primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de sua assessoria, sob coordenação de Mauro Cid”, diz o documento da Polícia Federal. Nas conversas, Mauro Cid indicava aos subordinados que Michelle precisaria de dinheiro a partir dos códigos “A dama pediu saques” e “PD”. Leia também Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar” Entre os pagamentos, estão movimentações para serviços de costureiras, podólogas e veterinários. As solicitações de saque em dinheiro vivo eram articuladas pelas assessoras de Michelle e Mauro Cid. Foram pelo menos 23 operações do tipo em 2021. Além disso, existem depósitos para Rosimary Carneiro, que cedia seu nome para um cartão de crédito usado pela primeira-dama e por familiares de Michelle. O próprio Mauro Cid manifestou, em conversas, uma preocupação com o esquema, afirmando ser similar com o caso de “rachadinha” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Investigações reveladas anteriormente mostraram que o dinheiro vinha de uma empresa que tinha contrato com o governo federal, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). As investigações começaram a partir da Operação Venire, em que Mauro Cid é suspeito de falsificar diversos cartões de vacina no sistema do Ministério da Saúde, incluindo o do próprio presidente Jair Bolsonaro e de sua filha, Laura Bolsonaro.
PF prende major da Polícia Militar do DF suspeito de facilitar invasão ao STF

Em mais uma fase da Operação Lesa Pátria realizada na manhã desta terça-feira (22) policiais federais prenderam o major Flávio Silvestre de Alencar, suspeito de ordenar o recuo das tropas para facilitar a invasão do prédio do Supremo Tribunal Federal no dia 8 de janeiro. O major era o comandante provisório do 6° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela segurança da Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios. Está é a 12ª fase da Operação Lesa Pátria que tem com o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os fatos ocorridos em 8 de janeiro. O major Flávio já tinha sido preso no dia 7 de fevereiro, durante a 5ª fase da mesma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, mas foi solto em seguida. De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados pela operação em tese constituem diversos crimes como: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido. A PF destaca que as investigações em curso se constituem a partir de mandados judiciais expedidos. CPI O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Chico Vigilante (PT), informou que o major Flávio deve ser convocado para prestar depoimento em agosto. “Essa operação de hoje reforça a importância de se descobrir efetivamente a verdade sobre a ação da segurança do DF nessa tentativa de golpe”, analisou o presidente da CPI. O Brasil de Fato DF entrou em contato com a Polícia Militar, por meio da Assessoria de Imprensa para comentar a prisão do Major Fábio e informar sobre possíveis procedimentos de apuração dos fatos dentro do próprio órgão. No entanto, a PMDF informou apenas que “não comenta decisões judiciais e nem processos em andamento”. Fonte: BdF Distrito Federal
Montes Claros realizou ação educativa no Dia Nacional da Luta Antimanicomial

A Prefeitura de Montes Claros realizou nessa quinta-feira, 18 de maio, uma ação educativa na Praça Doutor Carlos, como parte da “Campanha de Luta Antimanicomial”, que neste ano trouxe adotou o tema: “Plantando a esperança, reflorestando o amanhã: Pessoas são para dar frutos doces e tantans”. No dia 18 de maio é comemorado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, uma data que marca as mobilizações em torno do fechamento de manicômios, a formação de novas legislações, a implantação da rede de atenção psicossocial e a instauração de novas práticas, neste que é um dos mais importantes movimentos de Reforma Psiquiátrica Brasileira. A programação da Semana de Luta Antimanicomial em Montes Claros contou com fóruns, atividades temáticas, sarau, blitz educativa, mesa redonda e mini-cursos, realizados entre os dias 15 e 19 de maio. A Campanha de Luta Antimanicomial foi realizada pela Secretaria de Saúde da Prefeitura de Montes Claros, com apoio da Unimontes Solidária, Fasi, Funorte, Unifipmoc, Residência Multiprofissional em Saúde Mental e Saúde da Família, Mega Ótica, Copasa e Bloco Musical R. do Bonfim. Para mais informações: 2211-4316. Prefeitura de Montes Claros
Us Motoca é o vencedor do Comida di Buteco 2023 de Belo Horizonte

O bar que fica no bairro Camargos, na região Noroeste da capital mineira, levou o 1º lugar com o prato de costelinha suína O bar Us Motoca, no bairro Camargos, na região Noroeste de Belo Horizonte, é o grande vencedor da 23ª edição do “Comida di Buteco”. O resultado foi anunciado na noite dessa segunda-feira (22), no Centoequatro, no Centro. O prato campeão foi a “costelinha suína marinada em molho chimichurri, assada, coberta com farofa de torresmo e acompanhada de gratin de batata ao molho Marsala cremoso e gratinado com parmesão.” Noventa e cinco botecos participaram dessa edição e teve como tema “Ervas e Especiarias”, definido a partir da importância das especiais das ervas que estão presentes na culinária do mundo todo. Entre as categorias de avaliação estão atendimentos, temperatura da bebida, higiene e sabor do petisco. Os votos teve peso igual para clientes e jurados, com 50% para cada. Os outros ganhadores foram: 2º lugar: Espetinhos do Paulão (Rua Álvaro Mata, 451, Vila Ermelinda) 3º lugar: Léo da Quadra (Rua Oliveira Lisboa, 107, Barreiro) 4º lugar: Café Palhares (Rua dos Tupinambás, 638, Centro) 5º lugar: Spetim, no Silveira (Rua Ilacir Pereira Lima, 518, Silveira)
Documentário “De herói a bandido” sobre vida e obra de Geraldo Vandré

Produzido pelo ARTetetura e HUMANismo, o trabalho é dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue – “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio”, destaca cineasta – Foto: Alberi Pontes Brasil de Fato – Com o objetivo de retratar a vida e obra do compositor Geraldo Vandré, estreia nesta quinta-feira (25), pelo YouTube, o filme “O Processo de metamorfose de Geraldo V – cura trauma silêncio e silenciamento na obra viva do artista”. Com produção do ARTetetura e HUMANismo, o trabalho dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue teve como proposta criar um quadro geral de escuta dos conflitos ideológicos prático-discursivos entre a esquerda e o militarismo no Brasil em torno da apropriação política da figura lendária de Vandré. A obra também tem como objetivo tentar propor uma interface entre ciências políticas, direitos humanos e o campo da musicoterapia, como a Censura como forma de Silenciamento, a Escuta como trauma de música (Musicofobia), o Silêncio como música de cura (Silencioterapia) e a Musicalidade como terapia da loucura. “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político”, destaca Fred. Geraldo Vandré, de herói a bandido Nascido na Paraíba e radicado no Rio, Geraldo Vandré foi um dos mais enigmáticos personagens da música brasileira. De herói a bandido – ou vice-versa, conforme o ponto de vista – foi amado e odiado pela esquerda num intervalo de uma década. Colaborador do Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) desde 1961, conheceu ali o também compositor Carlos Lyra, que se afastava da bossa nova em direção a uma música mais engajada. Logo fizeram juntos as primeiras canções, como Aruanda. Mas foi em 1966 que Vandré ganhou repercussão nacional. Naquele ano, inscreveu no Festival da TV Record a música Disparada, composta com Théo de Barros e defendida por Jair Rodrigues. Dividiu o primeiro lugar com Chico Buarque, que concorria com A Banda, na voz de Nara Leão. A consagração veio dois anos depois, quando Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, também conhecida como Caminhando, ficou em segundo lugar no 3º Festival Internacional da Canção, atrás de Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, o mesmo adversário de 1966. A derrota enfureceu a plateia. Caminhando, afinal, era um tapa na cara da ditadura como ninguém jamais tinha ouvido. E Vandré, àquela altura, era ovacionado como o mais valente dos compositores. Especula-se que a euforia causada pela canção tenha apressado o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), dali a um mês e meio. Vandré se exilou no Chile e de lá viajou para Alemanha e França. Quando voltou, em 1973, já não era o mesmo. Decidiu que só faria “canções de amor” e, para espanto de seus fãs, compôs Fabiana, em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira. Para muitos de seus contemporâneos, ele teria enlouquecido em decorrência das sessões de tortura. Em 2010, Vandré ressurgiu numa entrevista exibida pela GloboNews. Negou que tenha sido torturado e repudiou o rótulo de autor de músicas de protesto. “Eu não faço canção de protesto. Eu faço, fazia, música brasileira, canções brasileiras”, disse. Confira abaixo a entrevista com Fred Le Blue Brasil de Fato RS: Qual é a principal questão que te motivou a fazer o filme? Fred le Blue: O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político. A mesma música que cura e liberta pode ser também, mesmo que, nesse caso, no que tange mais aos efeitos colaterais de sua repercussão social, a que adoece o espírito. A internalização da opressão geraria, assim, um opressor de si, que opera por meio da autocensura e recalcamento em Geraldo V. (ao ponto de ele mesmo pedir para não chamarem por seu nome artístico Vandré) é uma tentativa de compensação psíquica dos prejuízos sociais causados pelos traumas decorrentes da retaliação política a uma poesia didática, combatente e comburente. O excesso de exposição também advindo de sua clarividência retórica teve também como efeito no compositor, a necessidade de se tornar recluso e impor um ostracismo, que apesar de tudo, denúncia em silêncio e laconismo o arbítrio da regra que tem sido o estado de exceção. É claro que a mudez de Vandré só é ecoante porque tem como fiador uma discografia musical armada, pois que denunciativa das mazelas sociais e regionais brasileiras. Qual a premência de trazer à baila Geraldo Vandré no atual contexto de autoritarismo aflorados no cotidiano presencial e digital? A metamorfose kafkiana de Vandré em seu processo de despersonalização psíquica, que representa a decadência e polarização política do país, é pejorativamente chamada de “vandrelização” pela esquerda. O mais preciso não seria desvandrelização? Apesar da estigmatização da ambiguidade de Vandré, a obra do compositor permanece intacta e atual, ainda sendo trilha sonora afetiva da resistência aos muitos golpes e minigolpes contra a Democracia e, anos depois, na Aeronáutica, à afirmação do próprio golpe (“revolução”). O que prova que para além do uso político da arte, que pode transformá-la em uma arma de guerra, ela, na verdade, tem seu sentido mais primordial na capacidade de ser uma tecnologia de paz, que aponte para uma “ecologia da mente”. Talvez, a única terceira via viável seja mesmo “a “terceira margem do rio”. Na verdade, toda obra artística nos olha enquanto testemunho ocular autêntico
Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar”

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que está preso, respondeu a todas as perguntas em depoimento para delegado da Polícia Federal O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro que está preso desde 3 de maio sob a acusação de liderar um esquema de fraudes em cartões de vacina, prestou nesta segunda-feira (22) depoimento à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre as joias dadas pela ditadura da Arábia Saudita ao governo brasileiro e que Bolsonaro tentou se apropriar ilegalmente. Cid, auxiliar mais próximo de Bolsonaro, teve envolvimento direto na tentativa do ex-presidente de se apossar do conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões que foi retido pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos (SP) em outubro de 2021. Pelo alto valor, o presente deveria ser incorporado ao patrimônio do Estado, mas a equipe do ex-mandatário tentou fazê-lo entrar sem declaração no Brasil para que, assim, os objetos fossem direto para o seu “acervo privado” No final de dezembro de 2022, Cid providenciou os documentos exigidos junto à Receita Federal, prática necessária no caso de bens com destinação pública. O objetivo era retirar as joias da Alfândega. Porém, ao mesmo tempo, o braço direito de Bolsonaro atuou internamente para que, após a saída das joias da Receita, os objetos fossem para o acervo privado do ex-presidente. Apesar do esforço do tenente-coronel, a manobra não deu certo. Durante os dias 28 e 29 de dezembro, o corpo técnico da Receita analisou o ofício assinado por Mauro Cid e chegou à conclusão que seria impossível atendê-lo, porque a Ajudância de Ordens, órgão chefiado por ele, não era a instância competente para realizar o pedido de incorporação das joias. Então, na noite do dia 29 de dezembro, o 2º tenente do Exército, Cleiton Hozschuck, assessor na Ajudância de Ordens e abaixo de Cid, determinou a outra funcionária que ela apagasse o documento preparado mais cedo, no qual constava a informação de que o presente era “pessoal” que já “estava com o Presidente da República” Em depoimento à PF, cujo conteúdo ainda não foi revelado, Mauro Cid respondeu a todas as perguntas feitas pelo delegado Adalto Machado, que conduz o inquérito sobre o caso. O tenente-coronel já havia prestado depoimento no âmbito da mesma investigação em abril e, na ocasião, havia dito que Bolsonaro o pediu para retirar as joias retidas no aeroporto e checar se seria possível “regularizar os itens”. Outros depoimentos Na última semana, Cid ficou calado em depoimento à PF sobre o caso das fraudes nos cartões de vacina. Sua esposa Gabriela Cid, entretanto, também participou de oitiva com os investigadores e, diferente de seu marido, respondeu às perguntas, confirmou que usou comprovante de vacinação falsificado e culpou o marido pelo crime.