Banco do Nordeste promove exposição de artistas mineiros em Montes Claros

O Centro Cultural Hermes de Paula, em Montes Claros, recebe a exposição Coleção Banco do Nordeste Norte de Minas: Novas Aquisições, até o dia 28 de abril. A mostra reúne obras de artistas mineiros e está aberta à população para visitas gratuitas, das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira. Estão expostos trabalhos de Davi de Jesus, Karla Ruas, Leandro Junior, Maria Lira, Yara Tupynambá e do coletivo Mulheres do Jequitinhonha. As obras foram adquiridas pelo Banco do Nordeste e incorporadas ao acervo da instituição, composto por 1.210 peças de arte, 85% delas de autores regionais. A mostra tem a curadoria de Jacqueline Medeiros e Cecília Gallindo Cornélio. “As obras formam um conjunto exemplar que, uma vez incorporados à Coleção Banco do Nordeste, têm seu campo de circulação ampliado, permitindo o diálogo com outros acervos e, principalmente, o acesso do público à arte produzida em Minas Gerais durante as últimas décadas”, afirma Jacqueline. A partir de diferentes linguagens como a fotografia e pintura, os trabalhos tratam de temas relacionados às questões da terra, raciais, rituais e ancestrais, sublinhando a potência da produção artística do estado que vem despontando no circuito artístico brasileiro. O superintendente estadual do Banco do Nordeste para Minas Gerais, Wesley Maciel, ressalta que, para a instituição, promover o desenvolvimento regional vai muito além de conceder crédito com qualidade. “Investir na aquisição de obras locais é uma demonstração de fomento direto à produção artística e à construção de uma narrativa sobre a arte regional”, destaca o executivo. A exposição Coleção Banco do Nordeste Norte de Minas: Novas Aquisições integra a programação de comemoração dos 70 anos da instituição, completados em 2022. Iniciativas semelhantes estão sendo realizadas em todos os 11 estados da área de atuação da instituição. O acervo do BNB está catalogado e patrimoniado em sistema, seguindo as normas museológicas. As obras de arte que não estão em exibição, encontram-se acondicionadas em uma reserva localizada no Banco do Nordeste Cultural em Fortaleza, mantendo-se todas as exigências de conservação, armazenamento e segurança. O Centro Cultural Hermes de Paula está localizado na Praça Dr. Chaves, 32, no Centro de Montes Claros. Banco do Nordeste Cultural O Banco do Nordeste Cultural é uma estratégia de fortalecimento das cadeias produtivas da cultura na área de atuação da instituição, que busca fortalecer sua imagem como agente incentivador do setor cultural. Para isso, as ações do BNB com o segmento são desenvolvidas de forma integrada, envolvendo os Centros Culturais, os acervos artístico, histórico e bibliográfico, a ocupação de equipamentos culturais e o patrocínio cultural, ampliando a disponibilização de atividades nos estados que não possuem equipamentos da instituição. (Ascom BNB)
Minas Gerais lidera, com 35 integrantes, a ‘lista suja’ do trabalho escravo

A nova leva aponta 109 empregadores pessoas físicas e 23 empresas incriminadas por submeterem pessoas a condições análogas a de escravidão – MPE/Reprodução O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta quarta-feira (5), a atualização da chamada “lista suja” do trabalho escravo, agora com 289 empregadores flagrados em operações de combate à prática ilegal. Desde a última atualização, em outubro, foram incluídos 132 nomes de empresas e pessoas. É o maior acréscimo desde que a lista voltou a ser publicada, em 2017, após impasses impostos pelo governo do ex-presidente Michel Temer. A nova leva aponta 109 pessoas físicas e 23 empresas impondo aos seus funcionários condições análogas à de escravidão. São empregadores que exploram mão de obra em condições degradantes, restringindo a liberdade dos trabalhadores, sequestrando documentos, e submetendo-os a jornadas exaustivas sem, muitas vezes, nenhuma remuneração. A relação dos nomes na ilegalidade é divulgada desde 2004 e é atualizada semestralmente, sempre em abril e outubro de cada ano. Porém, a partir do governo golpista de Michel Temer, a lista passou a depender de uma “determinação expressa do ministro do Trabalho”, depois de uma regulamentação do cadastro de empresas. Os impasses seguiram em 2021, já no governo de Jair Bolsonaro (PL), quando a Controladoria-Geral da União (CGU) tentou dificultar o acesso a dados dos autos de infração das empresas autuadas por trabalho escravo. No início de março deste ano, o ministro da Justiça, Flávio Dino, confirmou que o governo federal voltaria a fazer a “lista suja”. Minas lidera Antes desta quarta, a relação tinha 174 nomes na ilegalidade. A nova atualização inclui decisões em que não cabem mais recursos de casos de trabalho escravo flagrados pela Inspeção do Trabalho entre 2018 e 2022. Entre os novos registros, o estado de Minas Gerais lidera com 35 casos. Em seguida, vêm por Goiás, com 15, e Piauí, com 13. Confira: Minas Gerais (35) Goiás (15) Piauí (13) Pará (11) Paraná (8) Maranhão (8) Bahia (7) Santa Catarina (7) Rio Grande do Sul (6) Mato Grosso do Sul (6) Mato Grosso (5) São Paulo (2) Distrito Federal (2) Pernambuco (2) Ceará (1) Rio Grande do Norte (1) Rondônia (1) Roraima (1) Tocantins (1) Trabalhadores resgatados Um dos nomes acrescentados à “lista suja” é o de Dalton César Milagres Rigueira, acusado, em 2021, de manter Madalena Giordano em condição análoga à escravidão por 38 anos em Patos de Minas (MG). A família de Rigueira não só explorou Madalena desde seus 8 anos, como também fraudou uma pensão de R$ 8,4 mil oriunda de um casamento forjado com um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. No período em que foi explorada, Madalena, porém, jamais teve controle do dinheiro, que era administrado pelo Rigueira e sua mãe, Maria das Graças Milagres Rigueira. Em nota à imprensa, o Ministério do Trabalho afirmou que, apenas nos três primeiros meses deste ano, mais de mil trabalhadores já foram resgatados da condição de trabalho escravo. As atividades em que mais foram encontradas vítimas foram o cultivo de cana de açúcar, atividades de apoio à agricultura, produção de carvão vegetal, cultivo de alho e cultivo de café. Ao todo, 17 nomes foram excluídos da lista. A fiscalização envolve auditores da pasta e representantes da Defensoria Pública da União, dos Ministérios Públicos Federal (MPF) e do Trabalho (MPT), da Polícia Federal e de outras forças de segurança. A “lista suja” completa pode ser conferida aqui.
PEC que tira Detran da Polícia Civil é aprovada em 1º turno na ALMG

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) transfere atividades relacionados ao trânsito para a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (4/4), por 52 votos a 13, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 71/2021, que retira o Departamento de Trânsito (Detran) da Polícia Civil. Com isso, as atividades de registro, licenciamento de veículos e habilitação de condutores passam a ser administradas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). A expectativa é que o projeto volte ao plenário e seja votado em segundo turno na próxima semana. Agora a proposta retorna para a comissão especial. A ideia, com a incorporação do Detran à Seplag, é aumentar o efetivo da Polícia Civil de Minas Gerais. Assim, o governo quer evitar desvios de função, como investigadores e escrivães que hoje prestam serviço ao Departamento de Trânsito. Na justificativa do projeto, o governador Romeu Zema (Novo) argumenta que a mudança permitirá que mais policiais civis retornem às delegacias e possam focar no combate ao crime. O projeto de lei prevê também a criação de três novas carreiras para a nova autarquia subordinada à Seplag: Auxiliar de Trânsito e Serviços Governamentais; Técnico Assistente de Trânsito e Serviços Governamentais e Analista de Trânsito e Serviços Governamentais. Cerca de 1.700 cargos administrativos da Polícia Civil seriam realocados para novas carreiras de Trânsito e passaram a responder à Seplag. Categoria protesta contra projeto As associações de policiais apontam que há pontos que precisam ser melhor discutidos e que o projeto também inclui uma reformulação da PCMG. Eles apontam que há pontos que precisam ser discutidos de forma mais aprofundada, como o compartilhamento de dados do novo Detran com a Polícia Civil e os direitos dos servidores administrativos que hoje estão subordinados às regras das forças de segurança e que poderiam, por exemplo, o acesso ao Hospital da Polícia Civil. “Essas mudanças são muito ruins, não proporcionam estabilidade para aqueles que fizeram concurso para a polícia. Isso torna também a polícia cada vez mais fragilizada, que já trabalha sobrecarregada e tem seu contingente de pessoal defasado”, explica a presidente da Associação dos Escrivães da Polícia Civil de Minas Gerais, Aline Risi. A entidade espera reduzir os impactos da proposta até a votação do segundo turno do projeto. Mais alterações A diminuição da participação popular no orçamento do governo de Minas e o aumento das emendas parlamentares também foi aprovada em primeiro turno nesta terça-feira. O projeto revoga um artigo da Constituição Estadual que determina que serão realizadas audiências públicas regionais para decidir como será gasto 1% do que o governo arrecada com taxas e impostos. No orçamento de 2023, o percentual representa cerca de R$ 1 bilhão. Na prática, na proposta de autoria do governador, a população mineira não poderá mais destinar o recurso para as obras e ações que considerar prioritárias por meio deste mecanismo. Restarão apenas as emendas feitas ao orçamento por meio da Comissão de Participação Popular na ALMG, mas o valor é muito menor: R$ 25 milhões. A mudança proposta foi duramente criticada pela oposição ao governo. O impasse fez com que o Plenário fosse suspenso em alguns momentos para tentativas de acordo entre as lideranças. Outra mudança aprovada, sugerida também pelo governador na PEC 71/21, foi a permissão para que o governador possa residir em qualquer município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, e não apenas na Capital, como atualmente. Veja como votaram os deputados Votaram a favor Adriano Alvarenga (PP) Alê Portela (PL) Antônio Carlos Arantes (PL) Arlen Santiago (Avante) Arnaldo Silva (União) Betinho Pinto Coelho (PV) Bim da Ambulância (Avante) Bosco (Cidadania) Bruno Engler (PL) Caporezzo (PL) Carlos Henrique (Republicanos) Cassio Soares (PSD) Celinho Sintrocel (PCdoB) Coronel Henrique (PL) Coronel Sandro (PL) Delegado Christiano Xavier (PSD) Doorgal Andrada (Patri) Douglas Melo (PSD) Doutor Wilson Batista (PSD) Dr. Maurício (Novo) Duarte Bechir (PSD) Eduardo Azevedo (PSC) Elismar Prado (Pros) Enes Cândido (PP) Fábio Avelar (Avante) Gil Pereira (PSD) Grego da Fundação (PMN) Gustavo Santana (PL) Gustavo Valadares (PMN) Ione Pinheiro (União) João Magalhães (MDB) João Vitor Xavier (Cidadania) Leandro Genaro (PSD) Leonídio Bouças (PSDB) Lud Falcão (Podemos) Maria Clara Marra (PSDB) Marli Ribeiro (PSC) Mauro Tramonte (Republicanos) Nayara Rocha (PP) Neilando Pimenta (PSB) Noraldino Júnior (PSC) Oscar Teixeira (PP) Professor Cleiton (PV) Rafael Martins (PSD) Roberto Andrade (Patri) Rodrigo Lopes (União) Sargento Rodrigues (PL) Thiago Cota (PDT) Tito Torres (PSD) Vitório Júnior (PP) Zé Guilherme (PP) Zé Laviola (Novo) Votaram contra Ana Paula Siqueira (Rede) Andréia de Jesus (PT) Beatriz Cerqueira (PT) Bella Gonçalves (Psol) Betão (PT) Cristiano Silveira (PT) Doutor Jean Freire (PT) Leninha (PT) Lohanna França (PV) Luizinho (PT) Macaé Evaristo (PT) Ricardo Campos (PT) Ulysses Gomes (PT) Não votaram Alencar da Silveira Jr (PDT) Charles Santos (Republicanos) Chiara Biondini (PP) Delegada Sheila (PL) Doutor Paulo (Patriota) Leleco Pimentel (PT) Lucas Lasmar (Rede) Mário Henrique Caixa (PV) Marquinho Lemos (PT) Mauro Tramonte (Republicanos) Professor Wendel Mesquita (Solidariedade) Raul Belém (Cidadania)
O tempo parece suspenso no Vale do Jequitinhonha – Por Manoel de Freitas

Pela estrada a fora… A partir da narrativa poética de registros fotográficos, reportagem revela a tradição que faz o tempo caminhar lento no Jequitinhonha Via – O Norte O Vale do Jequitinhonha, de cultura riquíssima, é o mais genuíno retrato da mineiridade. Permite à sua gente reviver o passado e contemplar belezas naturais pouco tocadas, transmitindo de uma geração à outra saberes tão valiosos como o ouro que no final do século XVII promoveu ao longo de suas montanhas a formação de uma rede de aglomerados urbanos. Então, na antiga rota para os colonizadores portugueses que extraiam pedras preciosas, permaneceu um povo ordeiro, de simplicidade infinita e notável sabedoria popular, em cujo cerne habita elementos africanos, indígenas e europeus. E motor de arranque dessa narrativa são as imagens de dois irmãos casados com duas irmãs, que até pouco tempo moravam numa mesma casa e que há mais de uma década cobrem percurso de 15 quilômetros com seus filhos, entre Botumirim e a comunidade de Córrego Fundo, parede e meia com o povoado de Bonito e o distrito de Piedade, município Cristália. Na verdade, ao caminharem pelas montanhas, ficam em comunhão com a natureza e mantêm viva tradição secular de percorrer longas distâncias por carreiros e trilhas que serviram ao garimpo, mesmo com bagagem e crianças de colo. COSTUMES RESISTEM Mineiro que se presa aprecia comida quentinha saindo do fogão a lenha, que exala vapores aromáticos, um ingrediente a mais para impregnar no assado, proporcionando sabor levemente defumado. Mas esse ritual começa na escolha da madeira, na feitura do feixe, sua amarração e posterior transporte na cabeça. No passado com forte cheiro de presente, o hábito, principalmente no Vale do Jequitinhonha, além de tradição, era importante renda para a população, posto que a venda de seu excedente contribuía para o custeio de outras despesas. O costume, que denota os saberes e a resistência do povo do Jequitinhonha, foi igualmente retratado pela reportagem. Histórias de um tempo que poeticamente permanece vivo na memória, onde os moradores se encontravam nas matas “para catar lenha, cantar e contar causos”, no dizer da botumiriense Dona Zenália. Sob a ótica da ciência, para gerar o conteúdo contamos com os conhecimentos e a sensibilidade de outro filho do Jequitinhonha, José Claudionor dos Santos Pinto, natural de Itinga. Além de professor, graduado e pós graduando em Filosofia, é quilombola, poeta, escritor, desenhista e radialista. Conhecido como Jô Pinto, o mestre resume: “o povo do Vale é uma brava gente, que desde sempre lutou pela sobrevivência, respeitando seu território e tudo que ele tem, seja nos aspectos sociais, educacionais, ambientais e culturais”. Dois irmãos, duas irmãs, uma história Cobrir longas caminhadas em família, no Vale do Jequitinhonha, são práticas que se mantém vivas graças ao legado de outras gerações. O NORTE, por duas vezes, registrou imagens de parte da jornada de dois irmãos que são casados com duas irmãs, que cobrem com frequência os 15 km que separaram a sede de Botumirim à comunidade de Córrego Fundo, divisa com Piedade, distrito do município de Cristália. Na verdade, cada um dos casais tem sete filhos, que são chamados de primos-irmãos, embora essa não seja uma nomenclatura oficial, mas uma tradição da língua portuguesa. Têm mais afinidade ainda porque, até pouco tempo, todos os também chamados duplos-primos viviam na mesma casa: Elizabeth, casada com Adão Rodrigues; e Natalina Bispo, casada com José Hilton Batista. Sobre as tradições do povo do Jequitinhonha, O NORTE ouviu o professor José Claudionor dos Santos Pinto, pós graduando em Ensino de Filosofia e diretor do Centro Cultural Escrava Feliciana, em Itinga, sua terra natal, no vale do Jequitinhonha. “Para falar do povo do Jequitinhonha, é preciso conhecer a formação do seu território pelos povos originários, colonizadores e o povo negro escravizado”, explicou o também poeta. Nesse sentido, observou que “essas longas caminhadas foram herdadas da convivência com os povos originários, de forma que o território para o povo do Vale do Jequitinhonha vai além da terra, é um espaço de convivência, sobrevivência, ancestralidade e espiritualidade”. Segundo o professor, “andar por esse território significa conhecer tudo o que nele tem e no qual é repassado de geração a geração”. Feixe de lenha na cabeça, comida no fogão Rodilhas de pano cuidadosamente feitas em formato de círculo para atenuar o peso dos feixes de lenha. Desde sempre, esse é o primeiro passo para ir a campo e trazer feixe de lenhas na cabeça. Escolhida a madeira, fardo pequeno para os mais jovens e pesado para os adultos. Família descendo e subindo a ladeira para preparar comida caseira quentinha no fogão a lenha, fogão caipira, fogão tropeiro. No Jequitinhonha, graças à tradição, ainda é assim. O NORTE, com a imagem de mãe e filhos levando feixes de lenha na cabeça, foi recebido em Botumirim pela avó de Mônica, Genilton, Gabriele e Rayane, Dona Zenália, que também integrava o grupo liderado pela filha Maria Helena Pereira Dias, “mas consegui fugir da fotografia (risos)”. Revelou que “além da tradição, todos nós pegávamos lenha até mesmo para comprar mantimentos, a situação era difícil, aqui melhorou de pouco tempo para cá, mas todo mundo que tem mais de 60 anos já passou muita necessidade”. Dona Zenália, com oito filhos, “graças a Deus todos vivos e com saúde”, lembrou ter herdado a tradição da mãe, Ana Medeiros de Souza. Segundo a matriarca, “se a madeira for boa, um moizinho só dá para fazer almoço, jantar e o almoço do outro dia, sem contar que a comida feita no fogão a lenha tem mais sabor. “Se você cozinha feijão, por exemplo, vai ver a diferença, muito mais gostoso, cozinha à vontade, não cozinha à força”.
Como surgiu o apelido de ‘chupetinha’ para Nikolas Ferreira

Caso polêmico tem provocado um grande debate entre internautas nas redes sociais desde terça-feira (28/3) – Felipe Neto criou o apelido, mas afirma que não se trata de homofobia(foto: AFP PHOTO-PLAY9/TV Camara/YouTube/Reprodução) O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi chamado de “chupetinha” em uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na tarde dessa quarta-feira (28/3), pelo também deputado André Janones (Avante-MG) e, desde então, o apelido tem causado polêmica entre os parlamentares de esquerda e direita. O apelido, no entanto, não é de autoria do deputado Janones, mas, sim, do youtuber e influenciador Felipe Neto. A confusão fez com que Neto fosse fosse às redes sociais para afirmar que é o autor do apelido. Em outubro do ano passado, o youtuber fez um vídeo em que chamou o apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “chaveirinho da milícia”, “acessório do fascismo” e, enfim, “chupetinha de genocida”. Na ocasião, Felipe Neto rebateu um vídeo feito por Nikolas Ferreira em que o deputado comentava afirmações do youtuber sobre o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ideia das ofensas proferidas pelo youtuber era fazer uma ligação de Nikolas como alguém que possui condutas infantis para um parlamentar. Homofobia Vai arregar, foca? @felipeneto https://t.co/Uh0A4VM0G4 — Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) March 29, 2023 Nesta quarta-feira, o deputado André Fernandes (PL-CE) informou que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) aprovou um requerimento para convocar Felipe Neto para prestar esclarecimentos sobre postagens que supostamente propagariam discurso de ódio na internet. “Ele ofende, xinga e dissemina ódio nas redes sociais com frequência”, disse. Nikolas Ferreira aproveitou e provocou o seu “algoz”. “Vai arregar, foca? @felipeneto”. Os deputados lembraram que Felipe Neto faz parte de um grupo de trabalho do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania que apresenta estratégias de combate aos discursos de ódio e ao extremismo. EM
TSE mantém condenação de Nikolas Ferreira por compartilhar mentiras contra Lula

Durante a campanha eleitoral de 2022, parlamentar publicou vídeo com alegações enganosas a respeito do adversário no Twitter – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deputado Nikolas Ferreira (Foto: ABR | Câmara dos Deputados) Do TSE – Na sessão plenária desta terça-feira (28), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram, por maioria, manter a multa aplicada em decisão liminar ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL), no valor de R$ 30 mil, por ter compartilhado conteúdo descontextualizado sobre o então candidato a presidente da República nas Eleições Gerais de 2022 Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT). O Plenário ainda determinou a exclusão definitiva do conteúdo divulgado. Em representação ajuizada no TSE, o parlamentar foi acusado pela coligação Brasil da Esperança de divulgar, durante o período de campanha eleitoral, um vídeo que continha números e informações inverídicas, com o intuito de convencer o eleitorado de que o então candidato à Presidência iria confiscar bens e ativos financeiros da população, caso vencesse o pleito. A ação seria julgada no Plenário Virtual, mas um pedido de destaque do ministro Raul Araújo submeteu a matéria à apreciação da Corte em sessão presencial. Por maioria, o Colegiado do TSE confirmou a liminar concedida pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, que julgou procedente a representação e aplicou a multa com base no artigo 57-D, parágrafo 2º, da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições). De acordo com o ministro, o texto legal do dispositivo não estabelece, de forma expressa, qualquer restrição no sentido de limitar sua incidência aos casos de anonimato. Assim, Moraes votou pelo ajuste da interpretação do artigo à finalidade de preservar a higidez das informações divulgadas na propaganda eleitoral, ou seja, alcançando a tutela de manifestações abusivas por meio da internet, que, “longe de se inserirem na livre manifestação de pensamento, constituem evidente transgressão à normalidade do processo eleitoral”. “A atuação desta Justiça especializada [Justiça Eleitoral] deve direcionar-se a fazer cessar manifestações revestidas de ilicitude não inseridas no âmbito da liberdade de expressão, a qual não pode ser utilizada como verdadeiro escudo protetivo da prática de atividades ilícitas, tendo em vista a circunstância de que não há, no ordenamento jurídico, direito absoluto à manifestação de pensamento, de modo que os abusos praticados devem sujeitar-se às punições legalmente previstas”, afirmou. O ministro Raul Araújo, único voto divergente, entendeu que os pedidos veiculados na representação se mantiveram nos limites da liberdade de expressão e sem descontextualização relevante dos fatos. Para ele, seria inviável a aplicação da sanção prevista no artigo 57-D, “uma vez que tal norma visa a coibir a proliferação de conteúdos sob anonimato, o que claramente não se observa no presente caso, cuja autoria está plenamente assumida e caracterizada”. Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Cármen Lúcia defendeu que o caso analisado não se adéqua ao debate sobre liberdade de expressão. Para ela, a fala do deputado no vídeo pode ter prejudicado a independência de escolha de todos os eleitores – que têm o direito fundamental de receber informações corretas para escolher seus representantes –, ocasionando uma espécie de “lesão ao processo democrático”.
Nikolas Ferreira é chamado de ‘Chupetinha’ na Câmara dos Deputados

O caso ocorreu durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi chamado de “Chupetinha”, nesta terça-feira (28/3), durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Em um primeiro momento, foi divulgada a informação de que o autor da fala homofóbica teria sido o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), presidente da comissão. O parlamentar divulgou uma nota em que repudia a acusação. “O presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), deputado Rui Falcão, repudia com veemência as informações noticiadas em veículos de comunicação que atribuiram a ele o xingamento direcionado ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ocorrido durante a reunião na comissão com o ministro de Justiça, Flávio Dino, ocorrida nesta terça-feira (28/02). Deputado informa que ao passar a palavra ao parlamentar, desligou o seu microfone. Durante reunião, o deputado Nikolas foi chamado de ‘chupetinha’. Falcão afirma que não conseguiu ver quem foi o autor dessa manifestação contra Ferreira.” Ao ter uma de suas falas interrompidas e pedir para retomar a palavra, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi chamado de “Chupetinha” por uma pessoa ainda não identificada. Incrédulo, Nikolas comenta “Pera aí, presidente. Aí eu não compreendi”. “‘Pode continuar’, eu falei”, afirmou Rui Falcão. O comentário foi feito durante uma audiência que ouviu o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB-MA) sobre os atos terroristas causados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 8 de janeiro; decretos que tratam sobre o acesso a armas de fogo; e a visita de Dino ao Complexo da Maré no Rio de Janeiro.
Crea-MG disponibiliza app que possibilita denúncias de obras irregulares

“É possível encaminhar o endereço, fotos e outros dados de obras e serviços”, informou o órgão – De acordo com o Crea-MG, o aplicativo passou por uma reformulação ( Foto: Pixabay/reprodução) Por Juliana Siqueira O Tempo O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) disponibilizou a atualização do aplicativo “Conecta Crea”. A ferramenta permite o envio de denúncias anônimas de obras irregulares no Estado, além de possibilitar o andamento das apurações sobre os casos. “Por meio de uma interface simples e direta, o aplicativo possibilita a qualquer usuário enviar denúncias sobre irregularidades relativas a obras e serviços de engenharia. É possível encaminhar o endereço, fotos e outros dados de obras e serviços”, informou o órgão. De acordo com o Crea-MG, o aplicativo passou por uma reformulação, com o aprimoramento da segurança, além de adequações ligadas à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). O app pode ser baixado na Play Store para dispositivos Android. Posteriormente, estará disponível também para iOS.
‘Deputado do castelo’, Edmar Moreira morre aos 83 anos em Juiz de Fora

O ex-político mineiro ficou conhecido pelo castelo avaliado em R$ 40 milhões que construiu em São João Nepomuceno (foto: Saulo Cruz/Agência Câmara) Edmar Moreira, conhecido como ‘deputado do castelo’, morreu aos 83 anos na última sexta-feira (17/3) em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. Ele foi responsável pela construção do Castelo Monalisa, mansão avaliada em R$ 40 milhões localizada no município de São João Nepomuceno, também na Zona da Mata. O mineiro está sendo velado no distrito de Carlos Alves neste sábado (18/3). Edmar foi advogado, capitão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e deputado federal por Minas Gerais por mais de duas décadas: foram quatro mandatos e uma suplência. Durante sua atividade como parlamentar, também foi corregedor da Câmara dos Deputados. O ex-deputado ficou conhecido por construir o Castelo Monalisa, uma mansão extravagante, na zona rural da cidade onde nasceu, São João Nepomuceno. O castelo conta com 37 suítes, uma adega no subsolo e até um parque aquático e foi colocado à venda por R$ 40 milhões em 2021. Quem foi Edmar Moreira Natural de São João Nepomuceno, Edmar Moreira ficou conhecido, em 2009, como o “deputado do castelo”, acusado de não ter declarado a propriedade ao Imposto de Renda. Corregedor da Câmara dos Deputados e filiado ao antigo Democratas – hoje União Brasil – foi desligado do partido à época por causa de denúncias. Ele ainda renunciou aos cargos de corregedor e vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara. Na ocasião, alegou na declaração à Justiça Eleitoral ter apenas um terreno de R$ 17,5 mil na cidade mineira. O Castelo Monalisa teria sido passado para o nome dos filhos do político em 1993, segundo declarações dadas pelo seu advogado, Sérgio Augusto Santos Rodrigues. Em fevereiro de 2014, após a renúncia de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Edmar Moreira voltou a ocupar o cargo de deputado federal pela última vez, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em dezembro de 2020, o “deputado do castelo” perdeu um filho. O ex-deputado estadual Leonardo Moreira morreu aos 46 anos após ficar internado por cerca de 40 dias no Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora, devido a uma apendicite aguda. Ambos foram sepultados no cemitério do distrito de Carlos Alves, em São João Nepomuceno. O Castelo Monalisa A construção conta com 12 torres, 37 suítes com closet, hall de circulação, três grandes salas, cozinha industrial, bar, salão com churrasqueira, vestiários para funcionários, ducha escocesa, adega subterrânea, casa de máquinas, garagem coberta, capela, chafarizes, ar-condicionado central e floresta de eucaliptos. Ao todo, a propriedade tem 192 hectares de extensão – ou 1,92 km². Proporcionalmente falando, o espaço construído para lazer ocupa o terreno de quatro famílias agricultoras de uma vez só, levando em consideração que 81% dos imóveis rurais no estado têm até 50 hectares, e a área do Castelo Monalisa é 3,8 vezes maior que isso. Entre o portal principal e a entrada do castelo há um caminho de 4 km. Lá dentro, a área construída também tem proporções gigantescas. São 7.911,17 m², incluindo uma cozinha industrial com a capacidade de preparar refeições para até 200 pessoas e adega subterrânea para oito mil garrafas. A mansão está encalhada desde 2019, e os herdeiros de Moreira – seus filhos Leonardo, que faleceu em 2020, e Júlio – tentaram se desfazer dela desde então. A propriedade seria leiloada em 2021 com lance inicial fixado em R$ 30 milhões, mas acabou sendo colocada à venda por R$ 40 milhões.
Petições públicas pela cassação de Nikolas Ferreira explodem na internet

Nikolas Ferreira coloca peruca em discurso misógino e transfóbico na Câmara. Petições públicas pela cassação idiota bolsonarista explodem na internet – Créditos: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados Cresce a pressão pela cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por fala misógina e transfóbica proferida na tribuna da Câmara na última quarta-feira (8). Desde o discurso criminoso, além de ações na própria casa legislativa e na Justiça, vem explodindo na internet a adesão a petições públicas para que o parlamentar seja punido com a remoção de seu cargo. Em pleno Dia Internacional das Mulheres, com tom de deboche, Ferreira subiu à tribuna e vestiu uma peruca para desvirtuar o conceito de lugar de fala, ridicularizando a população feminina e atacando as mulheres trans. “Hoje é o Dia Internacional das Mulheres. A esquerda disse que eu não poderia falar porque eu não estava no meu local de fala. Então, solucionei esse problema aqui, ó. Hoje, eu me sinto mulher. Deputada Nicole”, disparou. Na sequência, emendou um discurso transfóbico: “As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres. E para vocês terem ideia do perigo de tudo isso é que eles querem colocar uma imposição de uma realidade que não é a realidade”. Em reação ao discurso, deputados do PSOL, PSB, PDT e PT apresentaram pedidos de cassação do bolsonarista junto ao Conselho de Ética da Câmara. Há também uma notícia-crime protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PSOL para que Nikolas Ferreira responda pelo crime de transfobia, que é equiparável ao de racismo e pode levar a até 3 anos de prisão. Em outra frente, a pressão popular por punição ao deputado tem se dado através de petições públicas na internet. Ao menos duas delas, uma encabeçada por Erika Hilton e outra por Sâmia Bomfim, ambas deputadas federais pelo PSOL de SP, ultrapassaram as 180 mil e 100 mil assinaturas, respectivamente, pouco mais de 24 horas após seus devidos lançamentos. Ambas as petições somam, até o momento, quase 300 mil adesões. “Em pleno 8 de março o bolsonarista Nikolas Ferreira utiliza o púlpito da Câmara para destilar ódio contra mulheres trans. Esse discurso incentiva e autoriza a violência em nosso país, que é líder em número de mortes dessa população. É inaceitável: transfobia é crime, a truculência da extrema direita não nos assusta e um mandato parlamentar não pode ser escudo para a impunidade!”, disse Sâmbia Bomfim em entrevista à Fórum. Fonte: Revista Fórum