O Estado de São Moro – Por Fernando Brito, via Tijolaço

Reacionário e direitista, o Estadão sempre foi. Pretensioso, também. Mas, agora, adotou também a covardia como linha editorial. Como seu “santo do pau oco”, Sérgio Moro, atrai uma rejeição imensa nas pesquisas, quer fazer sua campanha sem citar-lhe o nome. E, enquanto o país se debate com um governo que nos afunda numa crise (não é exagero dizer, como se verá no próximo post) humanitária, leva para sua capa um vergonhoso editorial “O mal que Lula faz à democracia”. Claro que não se esperava do jornal, nem mesmo com o país à matroca, que o Estadão fosse adotar, em nome de razões maiores, que o ex-presidente, embora não de seu agrado, é a alternativa para deter o processo de crise e de balbúrdia institucional em que mergulhamos, ao ponto de vermos, em plena pandemia, dirigentes do Ministério da Saúde ainda mentindo sobre a vacina e referendando o charlatanismo da cloroquina. Mas, ao dizer que “Lula nunca tratou bem a democracia brasileira”, o jornal parte para a mentira, vociferada com ódio, à mesma moda do bolsonarismo de plantão e do “não tenho provas, mas tenho convicção”. Lula amargou cadeia por exercer seu papel de líder sindical, nos anos 70, ainda sob a Lei de Segurança Nacional da ditadura que censurava o Estadão; perdeu e acatou o resultado de eleições, pacificamente, em 1989, 1994 e 1998; chegou ao poder sem perseguir ninguém e, durante seu exercício, nunca tentou qualquer manobra autoritária contra os outros poderes, nem mesmo quando era seu governo o investigado; recusou o movimento por um terceiro mandato, quando os 87% de popularidade que tinha davam a ele todas as condições de aprovar esta possibilidade no Congresso, como antes Fernando Henrique aprovara a reeleição. Por fim, pode-se dizer que desrespeita o Estado de Direito que, mesmo ante uma sentença reconhecida como injusta, submete-se a 580 dias de cárcere, sem apelar para o exílio internacional que não lhe faltaria e se recusando, até, a reconhecer a punição optando por uma tornozeleira eletrônica e a uma prisão domiciliar que se lhe ofereceu, para provar sua inocência? Se Lula jamais investiu contra a democracia no campo político institucional, mais do que qualquer outro trabalhou para aprofundá-la, ainda que modestamente, no campo econõmico social. Elevou o emprego, o salário, a renda e a qualidade de vida da população mais pobre, da classe média e, até, dos privilegiados deste país. Saneou as contas públicas e obteve superávit primário ao longo de seus dois mandatos, inclusive no período 2008/2009, na crise mundial que ameaçou arruinar o mundo. Liquidamos a dívida pública externa, nos tornamos credores do FMI e acumulamos mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais que, até hoje, nos livram da insolvência cambial. Viramos a 6ª economia do mundo e agora somos a 11ª, e ladeira abaixo por conta de crescimentos muito menores que a média do planeta. Reconhecer estes fatos, tranquilize-se o centenário jornal, não é ser “lulopetista”. Apenas reconhecer verdades, do que não está eximido um jornal por mais que discorde da atenção de Lula ao que chamam de “patuléia”. Assim como não anistia suas responsabilidades pela eleição deste traste presidencial, ao dizer que era “uma escolha muito difícil” decidir se um ex-capitão de trajetória, esta sim, de desrespeito à democracia poderia merecer o voto dos brasileiros. O jornal, porém, não poderia esconder dos seus leitores a admissão de que tem um candidato às eleições de outubro e que deve, quanto a ele, dizer se faz bem ou mal à democracia. Faz bem à democracia que um juiz cujas decisões – ilegais, como reconheceu o STF – tenham influído no resultado das eleições e que, ato contínuo, aboleta-se num cargo de ministro? Faz bem à democracia que este já ex-juiz, defenestrado do cargo em meio até hoje não explicadas supostas pressões sobre a condução da Polícia Federal, para proteger a prole presidencial, vá se tornar “managing director” de uma multinacional que cuida, a peso de ouro, da administração judicial das empresas quebradas pela Lava Jato? Faz bem à democracia que um pretendente à Presidência diga que o dinheiro que ganhou nesta relação é privado e que “ninguém tem nada com isso”, quando se trata de um negócio empresarial que se dá por designação de um juiz – portanto, do poder público – de um administrador das massas empresariais em recuperação, que é pública e não privada, pois está sujeita a controles do Estado? O Estadão fez muitas campanhas políticas e ninguém espere que não atuará nesta. Mas se excede os limites das razões política e passa a fazer acusações de autoritarismo e pouco apreço às instituições a quem jamais investiu contra elas, o jornal passa a viver, também, no mundo das “narrativas” fascistoides do bolsonarismo, aquelas mesmas que viam um exército de comunistas chineses às nossas fronteiras, prontos a aqui implantar o comunismo. Como o jornal não assume que apoio Moro e nem o menciona, parece que está diante, agora sim, de uma “escolha muito difícil”: ou embarca no pedalinho do ex-juiz que anda a deriva ou vai de Bolsonaro mesmo. Se é para ser assim, recomenda-se que o Estadão passe logo à história das mamadeiras e chame o foragido Allan dos Santos para editar o jornal.
Paulo Marinho prevê prisão da família Bolsonaro em 2023

Empresário, que chegou a coordenar a campanha de Bolsonaro, diz agora que seu “consolo” é que “a família presidencial vai para cadeia” no ano que vem O empresário Paulo Marinho prevê a prisão da família Bolsonaro em janeiro de 2023. Em postagem no Twitter, ele diz que seu “consolo” é que no início do ano que vem “a família presidencial vai para cadeia”. Marinho, que foi coordenador da campanha de Jair Bolsonaro à presidência em 2018, mas depois virou opositor do político, resgatou também em postagem no Twitter um episódio envolvendo Gustavo Bebianno, trazido à tona pela revista Veja. Confira abaixo: https://twitter.com/PauloMarinhoRio/status/1485360256922361864?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1485360259157958660%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es2_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.brasil247.com%2Fbrasil%2Fpaulo-marinho-preve-prisao-da-familia-bolsonaro-em-2023-u0du3coe Meu consolo: em Janeiro de ‘23 Jacaré retorna para o anonimato e a família presidencial vai para cadeia.
Eleição 2022 – Ciro Gomes lança pré-candidatura à presidência pelo PDT

Ciro inicia sua quarta candidatura à presidência. Em 1998, ele concorreu pelo PCB, e em 2002 e 2018, pelo PDT – Ciro foi terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018 O ex-governador do Ceará Ciro Gomes foi confirmado nesta sexta-feira como pré-candidato do PDT para as eleições presidenciais de outubro, uma disputa que tem como favoritos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual, Jair Bolsonaro. Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, com 12,5% dos votos, Ciro, 64, é líder do PDT, que no passado aliou-se ao PT de Lula. Ele é um dos candidatos de centro que aspiram à presidência, em um ambiente bastante polarizado. “A incompetência de Bolsonaro apenas agravou uma situação que piorava ano após ano” no Brasil, e a pandemia do novo coronavírus “foi potencializada pela política genocida” do governo, disse Ciro após o PDT aprovar sua candidatura, durante convenção nacional em Brasília. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha em dezembro, Ciro tem 7% das intenções de voto, muito atrás dos 48% de Lula, que ainda não confirmou sua candidatura, e dos 22% de Bolsonaro, que aspira à reeleição, embora seu índice de popularidade esteja no nível mais baixo. Ex-ministro da Integração Nacional de Lula (2003-2010), Ciro busca se posicionar como o candidato de centro, sob o slogan “A rebeldia da esperança”, com foco no eleitorado jovem. Nessa disputa pela chamada “terceira via”, aparece também o ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro, com 9% das intenções de voto, e o governador de São Paulo, João Doria, com 4%. Chamando Moro de “lambe-botas de Bolsonaro”, Ciro responsabilizou o ex-juiz por ter favorecido a eleição da extrema direita “ao tirar Lula da disputa eleitoral em 2018”. Ciro inicia sua quarta candidatura à presidência. Em 1998, ele concorreu pelo PCB, e em 2002 e 2018, pelo PDT. Candidato inflamado, que sonha em reorientar a esquerda, Ciro foi governador do Ceará, prefeito de Fortaleza e deputado entre 2007 e 2011. Especialistas consultados pela AFP concordam que, no momento, não há um pré-candidato com perfil que possa superar Lula ou Bolsonaro. AFP
Morre aos 91 anos Elza Soares, símbolo da resistência do povo brasileiro

Elza, a voz contra o autoritarismo: Da casa fuzilada na Ditadura ao ‘Fora, Bolsonaro’ Diva da música brasileira, que morreu nesta quinta-feira (20), era pura resistência. Mulher negra e favelada, ela enfrentou as balas dos militares e puxou o coro de ‘ei, Bolsonaro… vai tomar no cu’ em pleno Rock in Rio Elza Soares era uma mulher que peitava a vida. Sem tempo para lamentos e para temer, a mulher negra e favelada que saiu do subúrbio carioca para ser a diva da música brasileira precisou enfrentar o medo e resistir durante toda sua longa existência. No campo político não foi diferente. Durante uma entrevista ao humorista Fábio Porchat, em 2018, ela revelou um episódio ocorrido durante os tempos sombrios da Ditadura Militar (1964-1985). Elza, ainda que não tenha revelado os motivos, contou que sua casa, no elegante bairro do Jardim Botânico, no Rio, foi metralhada por agentes do regime. Um segurança disponibilizado pelo Botafogo, clube no qual jogava Mané Garrincha, seu marido à época, ficou ferido no braço e um piano que ficava na sala, onde estavam os filhos pequenos, ficou destruído pelas rajadas. Ela e o companheiro precisaram fugir para a Itália, onde foram recebidos por Chico Buarque de Hollanda. “Nós estávamos dentro da casa (na hora do ataque). Eu morava no Jardim Botânico e brincava com as crianças na rua. Depois, entramos e começamos a ouvir um barulho de tiroteio. Minha casa foi toda baleada. Fiquei completamente apavorada por causa dos filhos, das crianças. Eu tinha um piano na sala e o piano foi aberto no meio”, relembrou a artista. Como o programa foi realizado próximo do período eleitoral de 2018, quando a onda conversadora que varreu o país levou Jair Bolsonaro à Presidência, Fábio Porchat perguntou então o que ela pensava das pessoas que pediam uma nova ditadura no Brasil. Elza foi enfática na resposta. “Que horror! Um horror! Ninguém pode dizer isso. Eu ouço o Cazuza… ‘Eu vejo o futuro repetir o passado’. Nada mudou, né?” Passei por tudo isso e acho que a gente tem que ter muito medo. Medo não, coragem. Porque tudo passa”, disparou Elza. Protesto no Rock in Rio Em 2019, para uma multidão que acompanhava sua apresentação no Rock in Rio, um dos maiores festivais musicais do planeta, Elza Soares mandou um recado bem direto a Bolsonaro e, ao final, puxou um coro de “ei, Bolsonaro… vai tomar no cu”. “Esse povo sofrido, que sonha com um lugar melhor para viver. Sonha, mas é preciso acordar, minha gente! Lutar! Gritar, ir para as ruas, aprender a votar! Nós não sabemos. Vamos para as ruas, vamos buscar os nossos direitos. Esse Rio de Janeiro acabado, esse Rio de Janeiro completamente distorcido. Cadê o povo? Cadê a voz da gente? Cadê as mulheres? Somos faladeiras, vamos falar até não aguentar mais”, gritou a musa, puxando a multidão para as palavras de ordem contra o presidente extremista. Na mesma apresentação houve tempo ainda para que ela discursasse em defesa das mulheres e contra a violência de gênero, usando um bordão de protesto contra Bolsonaro bastante conhecido também. “Mulheres, a história agora é outra. Gemer, só de prazer. Chega de sofrer calada! Denuncie, por favor. É 180 (número da Central de Atendimento à Mulher) neles! Machistas não passarão! E não é não!”, disse para o público. Bolsonaro na ONU Na passagem de Bolsonaro por Nova York em setembro do ano passado, para a abertura da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), oportunidade em que o presidente radical deu um show de vexames e incivilidade, se negando a apresentar passaporte vacinal e comendo pizza com a mão no meio da rua, Elza também disparou críticas a ele, desta vez pelas redes sociais. “Ei, psiu, somos sócios da empresa chamada Brasil, sabia? Pois é! Os altos impostos que pagamos bancam viagens luxuosas, hotéis, avião e até pizza em dólar nas ruas de NY. Uma fortuna pra passar vergonha perante o mundo. Queiram ou não, somos patroas e patrões deles. Vamos cobrar!”, escreveu Elza em sua conta no Twitter.
STF determina que MPs estaduais atuem contra pais que não vacinarem crianças

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), resolveu agir contra o negacionismo. Ele determinou, nesta quarta-feira (19), que todos os Ministérios Públicos estaduais e do Distrito Federal atuem contra os pais que não vacinarem seus filhos, de 5 a 11 anos, contra a Covid-19. “Oficie-se, com urgência, aos Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal para que, nos termos do art. 129, II, da Constituição Federal, e do art. 201, VIII e X, do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), empreendam as medidas necessárias para o cumprimento do disposto nos referidos preceitos normativos quanto à vacinação de menores contra a Covid-19”, destacou o ministro. Lewandowski estabeleceu prazo de 48 horas para os estados responderem alegações da União, a respeito de irregularidades na imunização de crianças. O STF já reconheceu que pais e responsáveis não podem deixar de imunizar filhos e tutelados por convicções filosóficas ou ideológicas. Pedido original da Rede era pela ação dos Conselhos Tutelares O pedido original foi feito pela Rede Sustentabilidade e apontava para que os Conselhos Tutelares exercessem essa função. No entanto, Lewandowski decidiu, sem prejuízo das atribuições dos Conselhos, inserir os MPs na missão de preservar a saúde das crianças. Na Arguição de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPFs), a Rede alegou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) exige que seja “obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.
Caso Adélio: Bolsonaro fez reunião secreta com investigadores para tentar culpar esquerda

Desesperado com os resultados das pesquisas de intenções de voto, que mostram sua desidratação, Bolsonaro tenta ressuscitar o episódio da facada e atribuir o atentado aos “comunistas” Em busca de uma nova forma de vincular Adélio Bispo à esquerda, e culpar os “comunistas” pela facada que recebeu em Juiz de Fora (MG), o presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu com investigadores do caso no Palácio do Planalto no início de dezembro do ano passado. Segundo reportagem de Laryssa Borges na “Veja”, o objetivo do encontro, nunca revelado na agenda presidencial, era pedir que policiais considerassem novas hipóteses de apuração envolvendo Adélio, que esfaqueou Bolsonaro às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018. De acordo com a reportagem, no mundo das conspirações bolsonaristas, uma das novas “linhas de investigação” discutidas na reunião de dezembro foi a hipótese de Adélio Bispo ter utilizado um jatinho com um prefixo frio para se deslocar até a cidade mineira e desferir o golpe de faca contra o presidente. Outra conjectura aventada no passado mas agora revisitada por apoiadores presidenciais é a de que o crime teria tido participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) – desta vez o braço paraguaio da facção. Desesperado, Bolsonaro tenta ressuscitar a facada Desesperado com os resultados das pesquisas de intenções de voto, que mostram sua desidratação e a vitória de Lula (PT), Bolsonaro tenta ressuscitar o episódio da facada e atribuir o atentado à esquerda. Recentemente, quando foi internado mais uma vez por obstrução intestinal, ele resgatou sua posição como vítima do “comunista Adélio Bispo”. Esta estratégia já vinha sendo preparada desde antes do Natal. No fim de novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a investida contra Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos advogados de Adélio Bispo, e o delegado Rodrigo Morais Fernandes reabriu o caso. No entanto, pouco depois, ele foi transferido pelo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, para um cargo nos EUA. Fernandes fará parte da força-tarefa El Dorado, que é coordenada pela Homeland Security Investigations (HSI), com sede em Nova York. O delegado, que chegou a ser atacado por Bolsonaro por conta da condução dada por ele às investigações sobre o episódio, concluiu no inquérito policial que Adélio Bispo teria agido sozinho. Tempos depois, o caso foi reaberto e mais uma vez foi definido que o autor da facada não recebeu ajuda de ninguém para cometer o atentado. O caso, ocorrido em Juiz de Fora na tarde de 6 de setembro de 2018, é cercado de mistério e pontos confusos que nunca foram devidamente esclarecidos. O próprio presidente, já depois de eleito, e que tem predileção por atribuir tudo que ocorre à esquerda, nunca questionou os resultados das investigações e até abriu mão de recorrer do arquivamento do caso, uma atitude absolutamente contraditória em relação à sua personalidade punitivista e que a todo custo tenta jogar culpa nos adversários políticos. Carlos Bolsonaro e Adélio Bispo estiveram em clube de tiro no mesmo período Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro no mesmo período que Adélio Bispo, aquele que esfaqueou seu pai. Nova revelação coloca em xeque inúmeras versões da família Bolsonaro sobre o caso. Atentado foi apontado por especialistas como fundamental para a eleição do atual presidente Com base em matérias jornalistas e publicações nas redes sociais, um internauta fez uma apuração individual e levantou novos questionamentos sobre o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral de 2018. Algumas informações são tão intrigantes que muita gente custa a crer que possam se tratar de meras “coincidências”. Foi constatado, por exemplo, que Adélio Bispo, o homem que esfaqueou Bolsonaro, esteve nos mesmos dias no mesmo clube de tiros que Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Adélio Bispo vivia na cidade de Montes Claros (MG) até 2017, mas em 2018 ele começou a viajar pelo Brasil e chegou até a cidade de São José (SC), Região Metropolitana de Florianópolis. No dia 5 de julho de 2018, Adélio praticou uma hora de tiro esportivo no clube .38. Dois dias depois Carlos Bolsonaro desembarcou na mesma cidade e passou um final de semana inteiro confinado no mesmo clube de tiro, conforme postado pelo próprio vereador em seu Instagram. Foi neste mesmo clube, inclusive, que Carlos se refugiou quando brigou com o pai depois que foi obrigado a retirar do canal do YouTube oficial da presidência um vídeo de Olavo de Carvalho. A imprensa tradicional já havia noticiado, timidamente, que os filhos de Bolsonaro, como Carlos e Eduardo, frequentavam o mesmo clube de tirou que Adélio treinou. A mídia não revelou, porém, que Carlos e Adélio estiveram no mesmo local durante o mesmo período. “Aqui começa a teoria de fato. Ninguém fica 24 horas dentro de um clube de tiro. Nesses dias, Carlos e Adélio estiveram nos mesmos espaços, possivelmente compartilhando de armas similares e montando um plano. Sim, é esse plano mesmo que você pensou”, publicou o autor do levantamento. Adélio permaneceu em São José até agosto de 2018. A facada em Juiz de Fora (MG) aconteceu um mês depois, em setembro. Naquela ocasião, Carlos Bolsonaro acompanhava o pai na comitiva, algo que nunca tinha feito antes. A apuração repercutiu nas redes. “Em alguns anos, quando for tarde demais, esse falso atentado entrará para a história”, escreveu um internauta. “Qualquer ser humano percebe que tem algo errado nessa história. As evidências são no mínimo intrigantes”, observou outro. Via Pragmatismo Político e revista Fórum
Após Luciano Hang no Twitter, Silas Malafaia é bloqueado no YouYube

– A razão do bloqueio aos dois é basicamente a mesma: negacionismo com relação à vacina – Após o empresário Luciano Hang ter sua conta suspensa do Twitter nesta quarta-feira (12), chegou a vez do pastor Silas Malafaia sofrer a mesma punição do YouTube. O internauta Thiago Silva avisou para a plataforma que Malafaia gravou um vídeo no YouTube dizendo que vacinar crianças é infanticídio. “Vamos marcar o @YouTubeBrasil e perguntar se esse tipo de FAKENEWS sobre a vacina é permitido na plataforma?”, pergunta. O YouTube respondeu: “olá, obrigado pela informação. Estamos averiguando esta questão e levaremos isso adiante a partir daqui.” Logo após, a conta do pastor foi suspensa. Hang Após uma série de críticas à inércia do Twitter diante do negacionismo propagado na rede social, a conta do empresário Luciano Hang, o “Véio da Havan”, apareceu suspensa na plataforma nesta quarta-feira (12). O perfil @LucianoHangBr, que possuía um selo de verificação de autenticidade, agora aparece suspenso. “Conta suspensa. O Twitter suspende as contas que violam as Regras do Twitter”, diz mensagem exposta no perfil. Não é a primeira vez que o empresário tem conta suspensa na rede social. Na última vez, a derrubada do perfil foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito sobre fake news. O Silas Malafaia gravou 1 vídeo no YouTube dizendo que VACINAR CRIANÇAS É INFANTICÍDIO. Vamos marcar o @YouTubeBrasil e perguntar se esse tipo de FAKENEWS sobre a vacina é permitido na plataforma? Marque o YouTube aqui!!https://t.co/iu95s5KoGB — Thiago dos Reis ???????? (@ThiagoResiste) January 10, 2022
Eleição para retomada da democracia ocorrerá sob tutela militar explícita

Presença de militares na política coloca em risco a higidez do processo eleitoral Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual – O “Cenário político e eleitoral” e as perspectivas para as eleições de 2022 foram tema de debate realizado nesta quarta-feira (12) pela Rede Estação Democracia. As cientistas políticas Maria do Socorro Braga (Universidade Federal de São Carlos) e Ana Simão (Escola Superior de Propaganda e Marketing – Porto Alegre), além do economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior discutiram sobre aquela que é considerada por alguns analistas como a mais importante eleição desde a redemocratização do país após a ditadura. Para Maria do Socorro, a importância do pleito deste ano só é comparável à disputa de 1989, que abriu o período de eleições diretas após a sucessão de regimes militares (1964-1985) logo depois da promulgação da Constituição de 1988. O país realiza as eleições deste ano “em regime de tutela militar explicita”, afirmou Plínio. A importância de 2022 se deve ao contexto de desconstrução promovido pelo governo de Jair Bolsonaro, opina Maria do Socorro. “Será uma eleição de reconstrução e talvez da reconstitucionalização do Brasil, a depender da união das forças democráticas do país”, avalia. Em sua opinião, no próximo período o país deve “recomeçar a democracia”, tanto na reconfiguração do sistema partidário como do ponto de vista constitucional. Na avaliação de Plínio, com a conjuntura de grave crise civilizatória, “gravíssima” crise sanitária que não arrefece e crises social e politica profundas, a eleição por si só não vai resolver os problemas do país. O colapso do Estado nacional é fruto de um projeto pensado. Bolsonaro é consciente disso, o que ficou claro quando ele mesmo disse, em março de 2019, que sua tarefa era “desconstruir muita coisa”, destacaram os debatedores. Competência para destruir Nesse sentido, o projeto bolsonarista é realizado com competência, ao promover a destruição da Amazônia, do cerrado, do SUS, do Ibama, entre outras coisas, mencionou o economista. “Não adianta só tirar Bolsonaro”, afirmou. “A esquerda precisa de um programa de mudanças estruturais.” Na opinião de Ana Simão, embora muitos analistas critiquem a chamada polarização, este não é um problema, até porque as eleições têm sido de fato polarizadas no país. O que a atual polarização trouxe de novo, porém, é a “carência de racionalidade”, introduzida já em 2018 por Bolsonaro e seus seguidores disseminando o ódio e a desinformação. Plínio lembra que, apesar dos índices de popularidade de Bolsonaro estarem em queda, sua base de apoio “tem revelado resiliência”. “Há um resíduo reacionário de 15% no país que deixa Bolsonaro, mesmo sem nada a apresentar a não ser a truculência, em boas condições de disputar o segundo lugar.” Para ele, “se Lula materializar a aliança com Alckmin, praticamente internaliza a terceira via: Lula vira a primeira e a terceira via”. No entanto, se um eventual governo Lula tiver, por exemplo, um presidente do Banco Central “muito palatável ao capital, ficaremos aprisionados no mesmo modelo”, pondera. A direita neoliberal está muito dividida e o centro, fragmentado, lembra Maria do Socorro. O ex-juiz Sergio Moro “não chega nem a 10%” das intenções de votos. Já o atual chefe do Executivo pode ver a crise econômica, o desemprego, a inflação e a falta de politicas públicas reduzirem ainda mais seus eleitores. Esses desiludidos podem ir para Lula ou para uma terceira via. Na opinião da professora da Ufscar, se haverá ou não uma terceira via organizada para as eleições de 2022, isso ficará claro talvez em maio. Ameaça à eleição? Os debatedores foram questionados se poderia haver uma desestabilização da democracia no período eleitoral ou algo que ameace as eleições. Maria do Socorro respondeu que tende a acreditar que tudo se encaminhe dentro da normalidade e no funcionamento das instituições, embora sob as regras da democracia liberal, “com as limitações que temos”. Porém, a analista faz uma ressalva. “Um segmento chama a atenção, e fico com um pé atrás: os militares”, diz. Ela questiona até que ponto setores militares e parte da elite estarão de acordo com uma vitória de Lula. Nessa leitura, considerando que o atual governo está assentado no chamado “partido militar”, aparece a dúvida. A professora lembra que, em 2018, “puseram Lula na cadeia”. Para Ana Simão, não parece que algo vá impedir a eleição. “Acho que não tem espaço.” “O momento é de grande instabilidade, e no Brasil em particular”, afirmou Plínio. Em grande parte devido à crise do capitalismo, mais impactantes nas periferias. Na avaliação do economista, poderá haver este ano um recrudescimento da pandemia, agravamento da crise econômica e turbulência social e política interna. “Já não estamos numa normalidade. O Brasil entrou em regime de tutela militar explicita”, disse.
Lula tem 45% e demais adversários somam 41%, diz pesquisa Genial/Quaest

– Levantamento traz Lula com possibilidade de vitória em primeiro turno. Em eventual segundo, venceria todos. Rejeição a Bolsonaro vai a 66% – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem a preferência de 45% dos eleitores na disputa presidencial deste ano. Segundo pesquisa da Quaest, encomendada pelo Genial Investimentos, Lula supera a soma todos os demais pré-candidatos apresentados pelo levantamento. O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 16%, seguido por seu ex-ministro Sergio Moro (Podemos), com 9%. Em seguida vêm o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 5%, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%, e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), com 1%. Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o Felipe D’Ávila (Novo) não pontuaram. Desse modo, a simulação aponta para uma possibilidade de vitória de Lula ainda no primeiro turno, marcado para 2 de outubro. Isso porque a soma dos demais adversários, 41%, é inferior às intenções de voto do ex-presidente. Segundo a pesquisa, no caso de eventual segundo turno com Bolsonaro, Lula venceria por 54% a 30%. Em termos de votos válidos (descontados nulos, brancos e abstenções), a vantagem corresponderia a 64% a 36%. Lula venceria também Moro, com 50% a 30% (62,5% dos válidos a 37,5%), e Ciro, com 52% a 21% (71% a 29%). A pesquisa Genial/Quaest traz ainda rejeição de 66% a Bolsonaro, percentual de pessoas que dizem conhecer o candidato e por isso não votariam nele. Em relação a Lula, esse percentual é de 43%. O levantamento traz também uma pergunta curiosa, talvez com intenção de medir as chance de uma eventual terceira via: “Quem você prefere que vença?” Nesse caso, Lula aparece com 44%, e Bolsonaro tem 23%, ou seja, perde para quem responde nem um, nem outro (26%). Bolsonaristas decepcionados A pesquisa que aponta o favoritismo de Lula registra também um movimento crescente de decepção e reprovação ao governo Bolsonaro. Entre os próprios eleitores do presidente, entre julho e janeiro subiu de 48% para 55% os que acham que o governo está pior do se esperava (gráfico 1). Isso porque, para ampla maioria, Bolsonaro falha em todas áreas importantes (gráfico 2). Além disso, 60% dos entrevistados consideram que ficou mais difícil pagar as contas (gráfico 4). A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2 mil pessoas dos dias 6 a 9. E tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O cientista político Jair Nicolau, da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que há um descompasso entre as políticas públicas de Bolsonaro e os efeitos eleitorais delas. Por exemplo, ele não capitaliza o auxílio emergencial e a vacinação. Além disso, o presidente tem duas “pedras no sapato”, como avalia Nicolau: o Nordeste e o eleitorado feminino. “Desde 2018, o Nordeste é uma pedra no sapato do bolsonarismo, que não conseguiu entrar lá. O Haddad teve o mesmo desempenho da Dilma na região. O governo tentou entrar com políticas de transferência de renda, mas ainda é um desafio. Porque ele vai enfrentar o promotor das políticas públicas na região, que é o Lula”, observa. “Além disso, se o segundo turno da eleição de 2018 fosse só com mulheres, a eleição ficaria quase empatada. Há uma disparidade de gênero que nunca vimos antes. As mulheres são 53% dos eleitores brasileiros, comparecem mais que os homens às urnas, e essa rejeição é uma péssima notícia pra ele”, analisou Nicolau, em live transmitida pela Genial.
Assessor bolsonarista pivô no Escândalo do Laranjal do PSL é encontrado morto

Haissander Souza de Paula chegou a ser preso pela PF por cobrar a devolução da verba pública de campanha por candidatas da legenda em 2018 Fórum – Haissender Souza de Paulo, que foi assessor do ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro e deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, acusado pela Polícia Federal de ser o operador do Escândalo do Laranjal do PSL, um esquema de desvio de verbas de campanha na eleição de 2018, foi encontrado morto nesta quarta-feira (5) numa propriedade de sua família em Aimorés (MG). Ainda não ficou claro em que circunstâncias Haissander morreu. De acordo com pessoas da região, ele teria sido encontrado desorientado há alguns dias, perambulando pelas ruas de Governador Valadares (MG), a 180 km de Aimorés, também na região do Vale do Rio Doce, o que motivou a realização de um vídeo que foi postado nas redes sociais no intuito de localizar algum parente do ex-assessor parlamentar. Encontrado pelos familiares e de volta à cidade natal, Haissander teria passado mal na última noite (4) e vomitando sangue, o que o levou a buscar ajuda num hospital local. Após ser medicado e liberado, ele voltou para a residência de sua família e para ser encontrado já sem vida na manhã desta quarta-feira (5). Leia a íntegra na Fórum.