Moraes rejeita ação do PL de Bolsonaro contra urnas e aplica multa de R$ 22,9 milhões

Presidente do TSE indeferiu representação do partido de Bolsonaro com base em um relatório questionando a credibilidade das urnas e ainda penalizou a legenda bloqueando seu fundo partidário O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou nesta quarta-feira (23) a ação golpista protocolada pelo PL, partido de Jair Bolsonaro, solicitando que parte dos votos do segundo turno das eleições fossem anulados – o que favoreceria o ainda mandatário -, e ainda aplicou multa de mais de R$ 22 milhões à legenda por litigância de má-fé. Na ação, o partido se baseou em um relatório de uma auditoria que contratou apontando que os votos de 279.336 urnas eletrônica de modelos anteriores ao do ano de 2020 deveriam ser anulados, sob a alegação de que elas teriam apresentado “mau funcionamento”. O PL diz que, com a anulação desses votos, Bolsonaro teria vencido o segundo turno da eleição contra o presidente eleito Lula com 51%. Logo depois, então, Moraes determinou que o PL entregasse em 24 horas também o número de urnas que deveriam ter os votos anulados no primeiro turno, já que os aparelhos foram os mesmos usados no segundo turno. A legenda, no entanto, insistiu em questionar apenas os resultados do segundo turno. Em resposta, o presidente do TSE indeferiu a ação e aplicou multa de R$ 22 milhões ao partido por litigância de má-fé. O ministro ainda determinou a suspensão do Fundo Partidário das legendas que compõe a coligação de Bolsonaro. Segundo Moraes, não há na representação do partido de Bolsonaro “quaisquer indícios e circunstâncias que justifiquem a instauração de um verificação extraordinária”. O ministro diz ainda, em seu despacho, que os argumentos do PL apontando “mau funcionamento” das urnas são “absolutamente falsos”, e utiliza adjetivos como “pueril” e “fraudulento” para se referir aos pedidos do partido de Bolsonaro. O presidente do TSE finaliza sua decisão da seguinte maneira: “A Justiça Eleitoral, conforme tenho reiteradamente afirmado, continuará atuando com competência e transparência, honrando sua histórica vocação de concretizar a Democracia e a autêntica coragem para lutar contra todas as forças que não acreditam no Estado Democrático de Direito. A Democracia não é um caminho fácil, exato ou previsível, mas é o único caminho e o Poder Judiciário não tolerará manifestações criminosas e antidemocráticas atentatórias aos pleito eleitoral. A Democracia é uma construção coletiva daqueles que acreditam na liberdade, daqueles que acreditam na paz, que acreditam no desenvolvimento, na dignidade da pessoa humana, no pleno emprego, no fim da fome, na redução das desigualdades, na prevalência da educação e na garantia da saúde de todos os brasileiros e brasileiras”. Confira abaixo a íntegra da decisão de Moraes
“Com Supremo, com tudo”: Romero Jucá é alvo de operação da PF sobre corrupção

Esquema investigado pode ter movimentado mais de R$ 15 milhões por meio de convênios celebrados pelo governo federal junto a vários municípios de Roraima A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (23) uma operação para apurar suspeitas de corrupção e fraudes em um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 15 milhões por meio de convênios – que somam mais de R$ 500 milhões – celebrados pelo governo federal junto a vários municípios de Roraima. O ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) é um dos alvos da ação. Jucá foi um dos principais articuladores do golpe dado contra a presidente Dilma Rousseff. para safar a si e aliados de denúncias de corrupção. Agora, a casa caiu. De acordo com a GloboNews, estão sendo cumpridos 22 mandados de busca e apreensão nos estados de Roraima e São Paulo, além do Distrito Federal, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal em Roraima. Ainda segundo a reportagem, as investigações giram em torno de convênios feitos pela Calha Norte, que tem por objetivo fomentar o desenvolvimento da região Norte. O inquérito foi aberto após o Tribunal de Contas da União (TCU) identificar possíveis irregularidades nos convênios celebrados entre os anos de 2012 e 2017. A PF suspeita do envolvimento de ao menos três empresas de engenharia que pagariam propinas em contratos que seriam distribuídas ao ex-senador Romero Jucá e a outros servidores públicos. Ainda segundo a reportagem, a PF chegou a solicitar uma prisão, mas o pedido foi negado pela Justiça Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Gravação com Jucá indica que impeachment foi golpe para conter a Lava Jato Em diálogos gravados em março, ministro interino do Planejamento sugeriu a ex-presidente da Transpetro uma ‘mudança’ no governo federal para ‘estancar a sangria’ representada pelas operação da PF São Paulo – Em diálogos gravados em março passado – e revelados na edição do dia 23 de maio de 2016, pelo jornal Folha de S.Paulo, o então ministro interino do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR) sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato. À época, ambos se sentiam ameaçados pela eminente revelação de envolvimentos em casos de corrupção e propina. Segundo a reportagem, as conversas, que estão em poder da Procuradoria-Geral da República, ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Leia a reportagem completa da Folha de S.Paulo Machado se mostra preocupado com o envio do seu caso para a PF de Curitiba e chegou a fazer ameaças: “Aí f…. Aí f… para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”. O atual ministro concorda que o envio do processo para o juiz Sérgio Moro não seria uma boa opção e o chamou de “uma ‘Torre de Londres’”, em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá “para o cara confessar”. Por sua vez, Jucá afirma que seria necessária uma resposta política: “Tem que resolver essa p…. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá. Ele acrescenta que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado concorda: “aí parava tudo”. Na conversa, eles dizem que o único empecilho no pacto era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), porque odiaria Cunha. “Só Renan que está contra essa p… porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, p…”, afirma Jucá no diálogo gravado. “O Renan reage à solução do Michel. P…, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. ‘Michel, vem cá, é isso, isso e isso, vai ser assim, as reformas são essas’”, diz Jucá a Machado. O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que Romero Jucá “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades. Leia trechos dos diálogos gravados entre Romero Jucá e Sergio Machado. A data das conversas não foi especificada SÉRGIO MACHADO – Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima. ROMERO JUCÁ – Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais? MACHADO – Agora, ele acordou a militância do PT. JUCÁ – Sim. MACHADO – Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda. JUCÁ – Eu acho que… MACHADO – Tem que ter um impeachment. JUCÁ – Tem que ter impeachment. Não tem saída. MACHADO – E quem segurar, segura. JUCÁ – Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente. MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar. JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer. MACHADO – Odebrecht vai fazer. JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer. MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode
Tremedão sai de cema – Erasmo Carlos, ícone da Jovem Guarda, morre aos 81 anos

Morreu nesta terça-feira (22), aos 81 anos, o cantor e compositor Erasmo Carlos, um dos ícones da Jovem Guarda e da MPB, informa Guilherme Amado, do Metrópoles. Ele foi internado nesta manhã, às pressas, no hospital Barra D’or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a TV Globo, o artista precisou inclusive ser entubado. “A esposa de Erasmo Carlos, Fernanda, estava ao lado do cantor na hora da morte. A causa da morte ainda não foi divulgada”, diz a reportagem. No início deste mês, o artista passou 16 dias no mesmo hospital para realizar exames e tratar uma síndrome edemigênica. Erasmo estava tratando há alguns meses uma síndrome edemigênica, doença que ocorre devido a um desequilíbrio bioquímico, o que atrapalha na manutenção dos líquidos dentro dos vasos sanguíneos. Geralmente é causada por doenças cardíacas, renais ou dos próprios vasos. Ícone da música brasileira, o cantor iniciou a carreira em 1958 ao participar da The Snakes, banda que tinha Tim Maia como integrante. Com o nome de batismo de Erasmo Esteves, o cantor adotou o sobrenome Carlos em homenagem ao seu amigo Roberto Carlos e a Carlos Imperial, que agenciou sua carreira no início. O sucesso da carreira veio com Jovem Guarda, programa lançado no final dos anos 1960, onde ganhou o apelido “Tremendão”. O cantor conquistou muitos fãs e estourou com os hits Festa de Arromba e Minha Fama de Mau. Ao todo, ele tem mais de 682 músicas, 643 gravações registradas no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). São mais de 800 composições e 38 discos. Poucos dias antes de falecer, Erasmo recebeu o Grammy Latino pelo álbum O Futuro Pertence À… Jovem Guarda na categoria de Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.
Associação de juristas ensina a denunciar golpistas; veja o passo-a-passo

A Associação dos Juristas pela Democracia (AJURD), em parceria com a Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABJD), se reuniram na noite desta segunda-feira (21) e estabeleceram meios para combater os atos antidemocráticos e criminosos que assolam o país. Em virtude disso, a AJURD e a ABJD, para enfrentar os atos criminosos que estão sendo praticados contra o Estado Democrático de Direito, contra os Princípios Constitucionais e contra as pessoas, pelo oferecimento de notícias de fato perante os Ministérios Públicos Estadual, Federal, do Trabalho e perante as demais autoridades públicas competentes, definiram as seguintes ações: Disponibilizar dois canais de recebimento de denúncias de fatos criminosos: • Por Whatsapp no número (51) 99370-7272; • Pelo email sosdemocraciabr@gmail.com; Para efetividade das denúncias é importante circunstanciá-las com elementos probatórios: • Em casos de listas circulantes em redes socias, “printar” as páginas e enviar as cópias com as denúncias; • Em quaisquer casos, fotografar e ou filmar as ações, para as mesmas finalidades; • Em qualquer caso, situar o fato, com indicação do município e local onde ocorreu; a data e, quando possível, o horário; • Indicar, quando possível, a autoria da prática criminosa (autor, repassador em redes sociais, integrantes de atos antidemocráticos, etc), bem como veículos utilizados (placas); • Quando possível, indicar testemunhas.
Bolsonaristas caem em nova pegadinha e confundem ação social na Praça da Sé com golpe militar

Extremistas ficaram empolgados após o exército armar barracas no local Extremistas ficaram empolgados neste domingo e começaram a divulgar nas redes vídeos de soldados do Exército armando barracas na Praça da Sé, comemorando a suposta tomada do poder pelas Forças Armadas. No entanto, para frustração dos bolsonaristas, a iniciativa não passou de uma ação social. Um mutirão promovido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) vai oferecer, a partir desta segunda-feira (21), na Praça da Sé, das 9h às 15h, uma série de serviços gratuitos a pessoas em situação de rua. De acordo com dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), 42.240 pessoas vivem nas ruas da capital paulista. O Exército irá contribuir ajudando com a infraestrutura da ação.
Zezé di Camargo teria estuprado sua cunhada, quando tinha 16 anos de idade

Cleo Loyola, ex-esposa de Luciano. Imagem: Reprodução Ex de Luciano acusa bolsonarista Zezé di Camargo de “violentar menores” A ex-esposa do cantor Luciano, Cleo Loyola, utilizou as redes sociais no sábado (19) para fazer graves denúncias contra Zezé di Camargo, que é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela aparece irritada em um vídeo, após uma entrevista do cantor falando sobre ela. Uma das acusações é de que Cleo teria sido abusada por Zezé. “Alguém viu aí uma entrevista em que o Zé Botinha (Zezé di Camargo) deu dizendo que não sabe porque ninguém bloqueou as minhas redes sociais? Você está sendo castigado hein? Você quer mais? Nem voz você tem mais para cantar, né?”, afirmou a mulher. Em seguida, Cleo ameaçou revelar polêmicas do cantor. “Cace confusão comigo para você ver! Eu estou doida para jogar mais coisa sua no ventilador. E dizer que eu sou uma imprestável, que não tenho talento nenhum, bom, talento igual você para dar calote nos outros eu realmente não tenho! Para violentar menores de idade, realmente não tenho não”, esbravejou “Você lembra o que você fez comigo com 16 anos de idade? Lave a sua boca Zezé di Camargo para falar da minha pessoa, porque eu posso abrir a minha e Cleo Loyola não tem limites, quem tem limites é município”, acusou a ex-esposa de Luciano. Via DCM
Presidente do PL teria sido amante de Michelle e acobertava evasão fiscal dos Bolsonaro

Valdemar, Michelle e Jair; no destaque, Maria Christina.Créditos: Reprodução Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, fez uma live bombástica no Instagram. Assista ao vídeo Na noite da última sexta (18), Maria Christina Mendes Caldeira, que foi casada com o presidente do PL,Valdemar da Costa Neto, fez revelações-bomba numa live no Instagram sobre as quais garantiu ter provas. Disse, entre outras coisas, que Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro, foi “peguete” de seu ex-marido. E que ele teria acobertado “evasão de divisa e sonegação dos Bolsonaros”. A live foi feita enquanto ela dirigia em Miami, no começo da noite da última sexta, e, segundo ela, foi uma reação ao ataque que o presidente do PL fizera horas antes ao resultado das eleições e às urnas eletrônicas. “Peguete” O vídeo foi feito como um recado direto dela ao ex-marido. Ela afirma que Valdemar sempre desdenhou de Bolsonaro, a quem chamava “baixo clero burro”, acrescentando que Michelle Bolsonaro “foi sua peguete depois da minha administração”. Logo no início da live, ela afirma ter “quantidade gigante de documentação sua na época do ‘car wash’ (Lava Jato) e sua atua e mais a evasão de divisa e sonegação dos Bolsonaros aqui (aparentemente uma referência aos EUA)”. “Ô Valdemar, me poupe né querido, sou sua ex-mulher né eu fui casada com o dono do bordel do Congresso e conheço bem como é que você se movimenta”, afirma Caldeira no vídeo, insinuando novas revelações: “eu vou fazer da sua vida da vida um inferno”. Ela afirma que o passado de Valdemar tem uma “sujeirada danada” e cita “porto de Santos, aeroporto e tráfico de drogas”. “Fora que você gastou R$ 1 milhão de dinheiro do partido para comprar essa auditoria”, afirmou. Sobre a condição atual de Bolsonaro, diz que ele está “deitado no sofá vendo Netflix e picotando documento”. Ela diz ainda que “dia 17” (provavelmente de dezembro) irá a Washington para “um depoimento na Comissão de Direitos Humanos” (ela não especifica a qual comissão será o depoimento). “Eu não tenho problema nenhum Quem tem um monte de esqueleto no armário é você e agora vou tirar todinhos, só que dessa vez eu vou tirar aqui” Assista ao vídeo: Responsável por um depoimento devastador contra o ex-marido Valdemar da Costa Neto na CPI do Mensalão, a ponto de levá-lo para a prisão, Maria Christina Mendes Caldeira é, hoje, motorista do Uber em Miami. Filha de empreiteiros, nasceu em berço de ouro. Cresceu em mansões luxuosas, estudou em escolas caríssimas e viveu cercada por reis e rainhas pelo mundo afora. Até que, em 2004, sua vida mudou, ao casar com Valdemar da Costa Neto, que era presidente nacional do PP (hoje PR), com quem se casou. Três anos depois, uma separação traumática e ruidosa: ele deixou-a numa casa com a luz cortada. Moveu 36 processos contra ela, inclusive uma ação de despejo.
Revolta, esperança e delírio: um dia no acampamento bolsonarista em Brasília

CartaCapital esteve no ato antidemocrático e acompanhou a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos insatisfeitos com o resultado da eleição A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de bloquear as contas bancárias de 43 empresas e empresários suspeitos de financiar os atos antidemocráticos pelo País ainda não impactou a manifestação de apoiadores do presidente derrotado Jair Bolsonaro (PL) em frente ao QG do Exército em Brasília. Desde a confirmação da vitória de Lula (PT) no segundo turno, uma horda insatisfeitos se dirigem à capital federal em protesto contra o petista, as Cortes superiores e seus integrantes. O local escolhido para a concentração conta com uma robusta estrutura, capaz de acomodar milhares de pessoas por um longo período de tempo. A decisão de Moraes, divulgada na quinta-feira 17, busca desarticular a possibilidade de uma escalada nos atos até a posse do presidente eleito. No despacho, o magistrado diz que o bloqueio imediato das contas é “necessário, adequado e urgente”. Relatórios enviados pelas Polícias Militar, Civil e Federal e pelo Ministério Público nos estados ao STF apontam que os recursos que bancam boa parte da infraestrutura são disponibilizados por políticos, policiais, ex-policiais, servidores públicos, sindicalistas, fazendeiros, empresários do agronegócio e donos de estandes de tiro. CartaCapital esteve no acampamento neste sábado 19, acompanhando a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos que, vestidos de verde e amarelo dos pés à cabeça, misturam revolta, esperança e delírios em uma espécie de cidadela alheia ao mundo real. O contato com o mundo exterior se dá basicamente por aplicativos como WhatsApp e Telegram, por onde as informações chegam e são disseminadas. Dada a necessidade dos manifestantes de estarem conectados o tempo inteiro, há no local espaços destinados exclusivamente à recarga de celulares. Há uma preocupação constante com infiltrados, além de um grande esforço para que nada saia da narrativa desejada e possa servir de munição para críticas e ataques dos ‘comunistas’. Assim que chegou ao acampamento, a reportagem avistou uma correria por conta de um princípio de incêndio, logo controlado. Alguns bolsonaristas sacaram os celulares para filmar, mas outros impediram as gravações. A justificativa era que as imagens não poderiam vazar, pois os adversários poderiam usá-las. “Eles precisam de qualquer coisa para nos atacar. Eles são raivosos”, disse uma senhora depois que as chamas cessaram. Na sequência, houve um coro de “ninguém posta!”. O estrago feito pelo fogo foi limpo rapidamente, para que não restasse nenhum indício de que algo saiu do roteiro ali. A fortaleza bolsonarista em Brasília conta com centenas de barracas que são usadas para distribuição gratuita de alimentos, descanso, cultos, filantropia, atendimento médico e comércio que, em sua maioria, envolve a venda de camisas e acessórios da Seleção Brasileira. Há, ainda, dezenas de banheiros químicos disponíveis, mas que na tarde deste sábado foram motivo de insatisfação pela falta de limpeza. O volume de carros e caminhões na região, disse uma ambulante, impediu que o veículo responsável pela higienização alcançasse o evento. O resultado, para quem passasse por ali naquela hora, foi sentir o mau odor que exalava das latrinas sob um calor que beirava os 30 graus Celsius. Os apoiadores do presidente derrotado costumam registrar nas tendas o nome de suas cidades de origens. Há ali pessoas de todas as regiões do País – em especial de Mato Grosso e Rondônia, contou um ambulante – que insistem em pedir ajuda das Forças Armadas contra o resultado eleitoral. Pelo local, muitas faixas com críticas e ataques principalmente a Lula, ao PT e a Moraes. “O cabeça de ovo não deixou o Bolsonaro governar”, ouviu a reportagem de um manifestante durante as horas que esteve no local. “Eu não mereço passar por isso no final da minha vida [do Lula voltar ao poder]”, disse uma senhora que comprava uma camiseta do Brasil e pedia para gravar o lema ‘Deus, Pátria e Família’. O silêncio das últimas semanas de Bolsonaro, para apoiadores com quem CartaCapital conversou, não tem a ver com supostos problemas de saúde ou uma possível resignação após o revés sofrido nas urnas. Para eles, o presidente espera pelo momento certo para se pronunciar. Algum fato novo, imaginam e torcem, deve ocorrer para impedir que Lula tome posse no dia 1 de janeiro. “Ele [Lula] não vai receber a faixa, vai receber uma algema com os amigos dele”, declarou um apoiador de Bolsonaro que está no acampamento desde o dia 2 de novembro. Na última quinta-feira 17, o presidente bateu um recorde ao completar três semanas sem fazer sua tradicional live. Desde que foi derrotado, o ex-capitão abandonou as transmissões na internet e diminuiu as publicações nas redes sociais. Este é o maior tempo em que Bolsonaro fica sem se comunicar ao vivo com seus apoiadores. O presidente também completou duas semanas sem ir ao Palácio do Planalto. Ele estaria, segundo pessoas próximas, com uma ferida na perna que o tem obrigado a repousar e o impedido de usar calças compridas. Desde então, ele se mantém recluso no Palácio da Alvorada. “Ele deve voltar logo. Ele já se recuperou da infecção”, chegou a dizer o ex-ministro e candidato a vice Braga Netto. “Está tudo bem”. Já o ex-ministro do Turismo Gilson Machado afirmou nos última dias que Bolsonaro, apesar de recluso, tem trabalhado ‘18 horas por dia’. No entanto, conforme mostrou CartaCapital, há poucos indícios de que o presidente esteja de fato trabalhando arduamente após a eleição. Na agenda oficial é possível ver que o ex-capitão mantém apenas poucos compromissos de despachos internos. No geral, o site oficial registra encontros de meia hora com ministros e aliados no Palácio do Alvorada e não no Planalto. O dia mais longo de trabalho – 11 de novembro – soma apenas 5 horas. Na maior parte dos casos, a agenda está completamente vazia. Com o sumiço do presidente, alguns bolsonaristas apelam para a fé no acampamento que ocupa um amplo espaço na capital federal. Uma das tendas é destinada somente a manifestações religiosas. No tempo em que esteve no local, a reportagem presenciou orações contra as decisões judiciais em desfavor
Lula em Portugal: ‘O Brasil voltou ao mundo político’

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro português António Costa, em Lisboa, concedem entrevista coletiva à imprensa nesta sexta (18/11). ‘O Brasil voltou ao mundo político’, disse Lula, lembrando que seu adversário derrotado não era bem-vindo em nenhuma parte do planeta e os líderes mundias evitavam Bolsonaro. “O Brasil voltou para o mundo político, para debater os assuntos que são de interesse do país e da humanidade. Foi muito emocionante na COP ouvir as pessoas gritando que o Brasil voltou. Nos últimos 4 anos, o país se isolou”, disse o presidente eleito. Lula disse que após a posse, em janeiro, ele voltará para Portugal para receber junto com o cantor e compositor Chico Buarque o Prêmio Camões, que Bolsonaro se recusou a assinar. “Vou assinar o Prêmio Camões para o Chico Buarque, que o atual presidente nunca quis assinar. E se Deus quiser vou voltar a Portugal quando ele receber o prêmio”, declarou Luiz Inácio Lula da Silva. Lula afirmou que, se houve um tempo que alguém não queria discutir a questão climática, hoje esse tema é um desafio para a humanidade. “Nós não temos dois planetas Terra. E é esse único planeta que nós vamos cuidar. E por isso fiz questão de reforçar a responsabilidade dos países mais ricos na COP.” O presidente eleito também se solidorizou com os ministros do Supremo Tribunal Federal, que foram atacaos por bolsonarisas em Nova York. “Vi os ataques contra ministros da Suprema Corte em Nova Iorque. Não posso achar que isso faz parte da democracia. Meu compromisso no dia 1° de janeiro é fazer com que o Brasil volte a crescer, ter empregos e volte a ter democracia e normalidade. Que volte a reinar a paz.” O brasileiro ainda fez graça sobre o início da Copa do Mundo no Catar, que começa no domingo (20/11). “Depois de 20 anos, acho que chegou a hora do Brasil voltar a ser campeão do mundo. As outras seleções não estão bem. O Cristiano Ronaldo já não joga como jogava antes. Então, estou muito esperançoso”, disse ele. Lula disse ainda que ficou lisonjeado com a carta de quatro economistas sobre os problemas na área. “Fiquei feliz ao saber de uma carta de pessoas importantes me alertando sobre problemas econômicos e dando sugestões. Eu sei ouvir conselhos e, se fizer sentido, seguir.”
Documentário “Eles poderiam estar vivos” detalha conduta de Bolsonaro na covid

Política do governo Bolsonaro frente à pandemia causou centenas de milhares de mortes evitáveis – Evaristo Sa / AFP Sem anistia: longa mostra como o presidente agiu para boicotar as ações contra a doença e criar “imunidade de rebanho” O documentário Eles Poderiam Estar Vivos, dos cineastas Lucas e Gabriel Mesquita, traz um retrato duro da gestão da pandemia realizada pelo governo de Jair Bolsonaro. O longa (assista abaixo) traz entrevistas com especialistas em Saúde, participantes da CPI da covid e familiares de vítimas da doença. Os depoimentos e informações trazidas pelos diretores ajudam a compor um quadro que aponta para a ação criminosa de Bolsonaro para o espalhamento do vírus e boicote a ações de prevenção e tratamento. A conclusão é que o ainda presidente do país pode ter sido responsável por mais da metade das mortes por covid-19 ocorridas no Brasil. “Foi um plano do governo”, disse Lucas Mesquita, em exibição do filme em Buenos Aires acompanhada pelo Brasil de Fato. “Qual é a grande questão criminosa aí? A estratégia da suposta imunidade de rebanho por contágio. Um assassinato em massa”, resume. Anistia Em um momento em que boatos sobre uma possível anistia ao clã Bolsonaro parece fluir pelos corredores de Brasília, o documentário cumpre o papel de resgatar a memória da responsabilidade objetiva do presidente na morte de milhares de brasileiros. Em depoimento à CPI da Covid, Pedro Hallal, epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que das 500 mil mortes por covid-19 no país até aquele momento, cerca de 400 mil seriam de responsabilidade direta de Bolsonaro. “Não foi o governo federal que disse que a pandemia era uma ‘gripezinha’. Não foi o governo que incentivou as pessoas a saírem sem máscara, nem quem disse que a vacina pode transformar você em um jacaré. Foi tudo o presidente, e é sua responsabilidade”, afirmou Hallal à Comissão, em junho de 2021. Naquele momento, o país ainda sofria com a segunda onda de covid, a maior e mais letal de todas. Assista à integra do documentário: