É hora de o povo entrar em cena para garantir o processo eleitoral livre

As eleições são fundamentais e as esquerdas apostam nelas, mas a consolidação da atual democracia e seu aprofundamento com vistas à justiça social não são, nem jamais foram em toda a nossa história, mera decorrência da ordem institucional. * Por Roberto Amaral “Falta o rugido do povo” – Manuel Domingos Neto Finalmente, “liberais” dos mais variados sotaques saíram de sua bolha e vieram à tona com a nova “Carta aos Brasileiros”, bem-vinda e aplaudida; foram acompanhados de manifestos de empresários, de banqueiros e dos locatários da Avenida Paulista. A única ausência notável deve-se ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Na contramão o manifesto protofascista dos grileiros da Confederação Nacional da Agricultura. A recente pulsão democrática, cujo epicentro foi a vetusta faculdade de direito da USP, teve continuidade na simbologia da posse do novo presidente do TSE, procedimento burocrático, protocolar, transformado em ato político. Registro, confiando que não cairá no vazio, o discurso do ministro Alexandre Moraes: direto, claro, sem as tergiversações parnasianas de seu antecessor. A reação democrática foi calorosamente bem recebida pela grande imprensa. Falou o andar de cima, e desta vez em defesa da soberania do voto, pela qual tanto se batem, hoje mais do que nunca, as esquerdas e as forças progressistas de um modo geral. O que se costuma chamar de “sociedade brasileira” diz aos buliçosos ministro da defesa e comandante do exército que não será admitida a anunciada tentativa de questionamento do processo eleitoral. E o candidato do projeto militar-empresarial protofascista, deslocado e constrangido, foi advertido de que a justiça eleitoral, tão comprometida com as irregularidades do processo de 2018, desta feita estará vigilante quanto às ameaças de conturbar a campanha eleitoral. Esperamos que sim. Falou, enfim, o andar de cima. A novidade é benfazeja, eis que o histórico de intervenções do baronato na vida política brasileira despreza o viés legalista. Não será demais lembrar o 1º de abril de 1964. A viabilidade do golpe militar decorreu da participação ativa dos liberais das arcadas do Largo de São Francisco, do empresariado e da grande imprensa, ademais da notória e fartamente documentada intervenção do Departamento de Estado dos EUA e de sua execrável CIA. Como é sabido, o Estado de São Paulo, líder da “imprensa liberal”, funcionou (através de Júlio de Mesquita) como centro arrecadador de recursos junto ao empresariado, que, já na ditadura, financiou a famigerada “Operação Bandeirantes”, centro militar-policial de tortura e assassinatos. Ao lado dos Mesquitas atuava o notório Adhemar de Barros. Está registrado nas memórias do General Cordeiro de Farias (Camargo-Góes. Diálogo com Cordeiro de Farias. Nova Fronteira, 1981, pp 552-3). No primeiro dia da fratura do regime, o golpe foi recepcionado pelo presidente do STF, ministro Ribeiro da Costa, depois do ato arbitrário do presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, declaratório da vacância da presidência, quando era notório que Jango estava no Rio Grande do Sul, onde seria instado por Leonel Brizola a uma resistência que pela segunda vez refugou. Ou seja, todas as instâncias do poder participaram do golpe. É assim, e só assim, que os golpes têm sucesso e se consolidam. Nos idos preparatórios de 2016 (e, a partir do impeachment, da tragédia programada de 2018), tendo como pano de fundo o silêncio dos liberais, a omissão dos “democratas” e o apoio dos autodenominados “socialdemocratas” (o “centro” que tem sido, sempre, na política brasileira, uma variante da direita), a articulação golpista não foi diversa, nem outros seus agentes. Em suas lamentáveis memórias, o general Villas Bôas narra seus entendimentos com o vice-presidente perjuro, ainda como comandante do exército no governo Dilma, nas articulações golpistas. A sabotagem do Departamento de Estado chegou ao cúmulo de intervir na Petrobras e grampear o telefone da presidente da república! Agia o grande capital, temeroso do que supunha ser a emergência dos humilhados e ofendidos, dos deserdados da terra e da cidadania. Quem operou o golpe? Os herdeiros da colônia latifundiária e escravocrata, o passado que ainda nos molda, decantado por Gilberto Freyre como idilicamente patrimonial, ibérico e católico: os capitães da grande imprensa (cuja guinada hoje saudamos); a FIESP, chefiada por um lobista desprezível; o conluio peçonhento de juiz inescrupuloso e procuradores desonestos (sobre os quais pesa denúncia de corrupção ditada pelo plenário do TCU) com a grande imprensa e o poder judiciário em suas diversas instâncias. Para asfaltar o caminho que levaria à eleição do genocida – impune graças à solidariedade de um congresso pusilânime, auxiliado por um procurador-geral da república sem compromissos com a ordem constitucional –, foi decisiva a atuação do STF (na preparação do golpe e na decretação da inelegibilidade de Lula). A justiça, genuflexa, não carecia mais de admoestações, mas o comandante do exército cuidou de dizer como o STF deveria votar no habeas corpus impetrado pela defesa do petista. Como se sabe, foi atendido. Ao papel do exército, lastimosamente reincidente, deve-se, aliás, o único registro de gesto digno que se pode atribuir ao capitão: logo após a posse na presidência, agradeceu de público ao general Villas Bôas pelos serviços prestados à sua eleição. Imprensa, grande empresariado, ministério público, poder judiciário não mediram mãos, pois chegaram à ignomínia da prisão ilegal de Lula, da qual são cúmplices. Essas observações visam a pôr de manifesto uma obviedade que, todavia, precisa ser lembrada às forças populares: se, passados esses duros últimos anos, temos o que comemorar na abertura da campanha eleitoral, é preciso ter em conta que ainda não atravessamos o Rubicão. Há, ainda, pelo menos duas tarefas inconclusas: a garantia do processo eleitoral livre e a eleição de Lula. Por uma e por outra é preciso lutar todo dia até a última hora. Para só então, podermos superar os desafios que perseguirão o novo governo, que enfrentará a resistência, a sabotagem e a insurgência protofascista permanente, a radicalização reacionária das forças armadas, das instituições policiais e das milícias, além da composição conservadora e reacionária do próximo Congresso, decerto ainda mais conservador e reacionário do que o atual, deformado pela corrupção de origem: a

Leonardo usa cachê de prostituta para falar sobre inflação e é detonado na web

O cantor Leonardo foi alvo de críticas nas redes sociais por usar de exemplo o cachê de prostitutas, às quais ele se refere como “raparigas”, para falar de inflação. Um trecho da entrevista do cantor ao Programa do Ratinho viralizou nas redes e ele foi detonado na web. Na conversa com o apresentador, ele tentou justificar o aumento de seu cachê durante a pandemia quando usou o exemplo. “Nessa pandemia tudo ficou mais caro. Uma rapariga que valia R$ 1 mil reais, hoje está pedindo R$ 3 mil. O meu show o valia R$ 100 mil reais e agora eu estou pedindo R$ 300 mil, e o povo está pagando. Eu não sei onde o povo tá achando dinheiro nessa pandemia. Acho que é o povo rico que esconde dinheiro no banco com medo de morrer e agora está gastando”, disse ele. A entrevista foi feita em julho, mas o trecho só ganhou repercussão em agosto. Veja: Leonardo ao responder sobre inflação e aumento do cachê de seu show: “Tudo ficou mais caro. Uma r4p4riga que valia mil, tá pedindo 3 mil” pic.twitter.com/OatyZMEwHA — Fofoquei (@FOFOQUEl) August 18, 2022   No Twitter, internautas criticaram o cantor. Alguns deles consideram a fala desrespeitosa com mulheres. Veja a repercussão: Eus aí o referencial destes sertanojos bolsonaristas para reclamar de que as coisas estão caras. Ser Lazarento.https://t.co/sbylREKAac — Roberto (@rbernardo64) August 17, 2022   Que colocação mais ridícula . Por isso esse meio artístico sertanejo gosta tanto do Bolsonaro . Se identificam no modo de se expressar . — Mila Metri (@MetriMila) August 18, 2022   Eita Brasilsilsillll ???? Mais de 40 mil pessoas sem teto nas ruas de Sampa, milhões abaixo da linha da pobreza, e o cara falando em preço da putaria. E ainda há quem idolatre pessoas assim. — D.Mello (@dmello10) August 17, 2022   Rárárá, que cara engraçado, igual ao outro que usava o auxilio moradia pra comer gente. Esse pessoal não se toca que o mundo muda,ainda estão na vibe’ se arrume que vou lhe usar’. Ser, presidir e cantar pra corno, é o que lhes resta. — Peninha10 (@peninha10) August 17, 2022   E o tanto de idiotas que acha isso engraçado? — Bruna (@bruna_buchdid) August 17, 2022 Via DCM

Carta em defesa da democracia foi um gesto coletivo de resistência

Por Wagner Rocha * A leitura da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito realizada no último dia 11 foi, na minha opinião, um gesto coletivo de resistência. As recentes ameaças à nossa democracia não são peças de ficção ou meras retóricas de esquerdistas. São fatos lamentavelmente reais, oriundos de um homem que declarou ser a favor de torturas e que tem o autoritarismo como marca indelével da sua personalidade. Um homem incitador da discórdia. O evento de leitura da Carta, ocorrido na USP, reuniu inúmeras pessoas, repetindo o mesmo ato de 1977 contra a ditadura. O povo brasileiro não pode ficar inerte às tentativas de retorno ao estado de exceção. * Professor

Bolsonaro agride influenciador em frente ao Palácio da Alvorada

Irritado com as perguntas feitas pelo youtuber Wilker Leão, Bolsonaro chegou a tentar arrancar à força o celular que ele carregava Jair Bolsonaro reagiu com violência aos questionamentos feitos pelo  youtuber Wilker Leão, nesta quinta-feira (18), em frente ao Palácio da Alvorada. Irritado com a presença do influenciador digital, Bolsonaro chegou a agarrá-lo e tentou tomar o celular que ele carregava. Após começar a dirigir perguntas a Bolsonaro, o blogueiro foi empurrado por alguém da segurança de Bolsonaro. Irritado, ele passou a xingar o presidente de “vagabundo”, “safado”, “covarde” e “tchutchuca do Centrão”. Leão ainda  foi perseguido por seguranças. https://twitter.com/lucasrohan/status/1560277662869860357?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1560277662869860357%7Ctwgr%5E0d951b32fc72279e7b6d881f88780baed9ac9c79%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fd-11532542051143923146.ampproject.net%2F2208051912001%2Fframe.html

Lula sobe quatro pontos em uma semana e pode vencer eleição no 1º turno

 Crescimento do petista reverte tendência de aproximação do atual presidente após início do “Pacote de Bondades”  Uma nova pesquisa da FSB Pesquisa, sob encomenda do Banco BTG Pactual e publicada nesta segunda-feira (15), mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida eleitoral pela Presidência da República, com 45% das intenções de votos. Na sequência, aparece o presidente Jair Bolsonaro (PL), com 34%. Em relação ao estudo da mesma empresa de pesquisa divulgado na semana passada, Lula teve crescimento de quatro pontos percentuais. Bolsonaro, por sua vez, ficou estacionado. A diferença entre os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto, portanto, subiu de 7 para 11 pontos percentuais em 7 dias. Lula empatou, na margem de erro, com a soma de todos os outros candidatos (45% a 46%), o que poderia garantir sua vitória no primeiro turno. O resultado surpreende, pois inverte a tendência de aproximação de Bolsonaro, que vinha apresentando crescimento após o início do “Pacote de Bondades”, com o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600 e outros benefícios sociais. No levantamento, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ficou em terceiro, com 8% das intenções de votos, seguido pela senadora Simone Tebet (MDB), com 2%. Os demais candidatos não pontuaram. Intenções de voto no 1º turno da eleições presidenciais de 2022, segundo pesquisa FSB/BTG / Reprodução Segundo turno Em um eventual segundo turno das eleições, Lula venceria todos os outros candidatos. O ex-presidente aparece com 53%, enquanto Bolsonaro fica com 38%. Se a disputa for com Ciro Gomes, Lula tem 50% contra 29% e com Simone Tebet, Lula teria 54% contra 26% respectivamente. O instituto ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 12 e 14de agosto de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00603/2022.

TCU condena Dallagnol e Janot por farra das diárias na Lava Jato

Deltan Dallagnol está inelegível e, assim como Janot, precisará ressarcir os cofres públicos em R$ 2,8 milhões A Segunda Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) condenou nesta terça-feira (9) o ex-procurador Deltan Dallagnol, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o procurador João Vicente Romão a ressarcirem os cofres públicos naquilo que ficou conhecido como “a farra das diárias e passagens” gastas no âmbito da extinta Operação Lava Jato. Dallagnol, Janot e Romão foram condenados de forma unânime, pois, o relatório do ministro Bruno Dantas foi aprovado por 4 votos a 0. Com isso, eles terão de devolver R$ 2,8 milhões aos cofres públicos. Janot e Dallagnol declararam que vão recorrer da decisão. O Tribunal de Conta da União (TCU) investiga desde 2020 o caso que ficou conhecido como “farra das diárias”, pois, se averigua gastos no âmbito da força-tarefa da Lava Jato com passagens aéreas e diárias. Caso a condenação seja confirmada, Janot e Dallagnol, que pretendem disputar cargos eletivos na eleição deste ano, podem ficar inelegíveis. O ministro Bruno Dantas, em 2021, acatou representação do subprocurador Lucas Furtado, do Ministério Público junto ao TCU, e determinou um pente-fino nos gastos da Lava Jato com viagens e diárias e concluiu que houve prejuízo ao erário e violação ao princípio de impessoalidade, com a adoção de um modelo “benéfico e rentável” aos integrantes da Lava Jato. Os magistrados entenderam que o modelo adotado pela força-tarefa da Lava Jato, no qual procuradores permaneciam em Curitiba para trabalhar, mas não eram removidos formalmente para a cidade, gerou prejuízos, pois, por não residirem oficialmente na capital paranaense, eles recebiam diárias como se morassem em outro lugar. Foram investigados pelo TCU: Antônio Carlos Welter, que recebeu R$ 506 mil em diárias e R$ 186 mil em passagens; Carlos Fernando do Santos Lima, que recebeu R$ 361 mil em diárias e R$ 88 mil em passagens; Diogo Castor de Matos, com R$ 387 mil em diárias; Januário Paludo, com R$ 391 mil em diárias e R$ 87 mil em passagens, e Orlando Martello Junior, que recebeu R$ 461 mil em diárias e R$ 90 mil em passagens. Os procuradores alegam que receberam os recursos de boa-fé e que não são responsáveis pelo modelo de pagamentos e defenderam a legalidade do dinheiro que receberam. Com isso, Janot, que comandava o Ministério Público Federal, e Deltan Dallagnol, que coordenava a força-tarefa, pode ser condenados a devolver o dinheiro solidariamente

Fachin expulsa militar de Comissão do TSE por divulgar fake news pró-Bolsonaro

Coronel Ricardo Sant’Anna, chefe Divisão de Sistemas de Segurança e Cibernética da Informação do Exército, fazia parte da Comissão de Fiscalização das eleições na corte. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, comunicou ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, a expulsão do coronel Ricardo Sant’Anna, chefe Divisão de Sistemas de Segurança e Cibernética da Informação do Exército Brasileiro, da Comissão de Fiscalização da corte. No ofício, o TSE informa que o militar está sendo expulso por divulgar fake news ecoando o discurso de Jair Bolsonaro (PL) contra as urnas eletrônicas nas redes sociais. Conquanto partidos e agentes políticos tenham o direito de atuar como fiscais, a posição de avaliador da conformidade de sistemas e equipamentos não deve ser ocupada por aqueles que negam prima facie o sistema eleitoral brasileiro e circulam desinformação a seu respeito. Tais condutas, para além de sofrer reprimendas precedentes jurisprudenciais”, diz Fachin no ofício. No texto, o presidente do TSE faz referência à reportagem do site Metrópoles que revela publicações do militar em apoio a Bolsonaro e divulgando as teorias conspiratórias do presidente sobre o sistema de votação. “À vista dos fatos narrados, serve o presente ofício para comunicar a vossa excelência o descredenciamento do coronel Ricardo Sant’Anna dos trabalhos de fiscalização, a partir desta data, rogando-se a esse ministério, caso entenda necessária nova designação, que substitua o aludido militar por técnico habilitado para as funções”, diz o ofício.

Michelle e a “cozinha do diabo” – Por Fernando Brito

O fanatismo religioso na política chegou mesmo ao grau de insanidade. Não bastasse Jair Bolsonaro transformar – com o beneplácito de pastores muito interessados na proximidade com o César – os cultos religiosos em seus comícios eleitorais, agora a sua mulher, Michelle, virou “pregadora” palaciana. Falou quatro vezes mais tempo que ele, num culto em BH, hoje. E disse que o Palácio do Planalto foi, por muito tempo, “consagrado a demônios, cozinha consagrada a demônios, Planalto consagrado a demônios”. E que, agora, graças a ela e ao marido, é “consagrado ao Senhor Jesus”. Não se faça o jogo dos fariseus, que procuram colocar a religião e a fé a serviço de interesses eleitorais, dando importância demais ao fato de Bolsonaro estar se escondendo por detrás do discurso da mulher. Michelle é apenas uma pessoa transtornada, que, seduzida pela corte de aduladores de seu marido por ter sido colocada na condição de “salvadora” de sua candidatura, tomou-se da soberba e esqueceu que ela “precede à ruína, e o orgulho, à queda.” (Provérbios 16, 18) A ninguém de boa-fé se pode esperar concordância com o que ela diz, porque seria concordar que o país está numa guerra religiosa (nas suas palavras , “uma guerra do bem contra o mal”). Muito menos que Jair Bolsonaro é “o rei que governa essa nação”, ainda que sua família, de fato, se assemelhe a uma corte imperial. Ela não é louca (“”Podem me chamar de fanática, podem me chamar de louca. Eu vou continuar louvando nosso Deus. Vou continuar orando”). É parte de um plano perverso de divisão do país em “crentes e não crentes” e, portanto, do caráter laico do Estado que é fundamento da democracia. Aceitar isso é quase o mesmo que aceitar as fogueiras da Inquisição. Aliás, um bom exemplo de “cozinha do Diabo”. https://tijolaco.net/michelle-e-a-cozinha-do-diabo/

Bolsonaro é vaiado e expulso de churrascaria em São Paulo

Acompanhado de Luciano Hang, da Havan, Jair Bolsonaro foi expulso aos gritos de “fora vagabundo” da churrascaria Laço de Ouro, na capital paulista, neste domingo (7) Jair Bolsonaro foi fortemente vaiado e expulso da churrascaria Laço de Ouro, em São Paulo, na tarde deste domingo (7). Ele estava acompanhado do empresário Luciano Hang, da rede de lojas Havan. Bolsonaro ouviu muitos gritos de “fora” e “fora vagabundo” e teve que sair do local Em um vídeo que registrou o momento, obtido pelo 247, é possível ver também Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo, além de seguranças. Bolsonaro é vaiado e expulso aos gritos de "fora vagabundo" da churrascaria Laço de Ouro, em São Paulo (vídeo) pic.twitter.com/sQJDbSu5l5 — Brasil 247 (@brasil247) August 7, 2022    

Jô Soares, as reais indecências e o código de moral absoluta que de resto não existe

Leia crônica publicada no Pasquim que rendeu a Jô Soares um processo pela Ditadura. Ministro de Médici que moveu o processo foi “motivo” da Carta aos Brasileiros de 1977. Por Hugo Souza  “O Jô Soares esperou os 100.000 para se inserir no contexto do Pasquim. É válido”, dizia o Sig, o ratinho do Jaguar que era o símbolo do Pasquim, na célebre vigésima edição do jornal, que teve tiragem de 100 mil exemplares. O Pasquim número 20 saiu em novembro de 1969 – quase um ano após a edição do AI-5 – com uma também célebre crônica de Jô Soares, “A cama”, que Come Ananás reproduz mais abaixo, nesta sexta-feira, 5 – esta sexta que não sextou, porque é o dia da morte do Jô. O texto “A Cama” rendeu a Jô Soares um processo movido pelo então ministro da Justiça da Ditadura, Alfredo Buzaid. Acusado de obscenidade, Jô foi absolvido e devia sua absolvição ao depoimento em seu favor feito por Carlos Drummond de Andrade. Dizia o depoimento, que Jô guardava emoldurado na parede: “Considero Jô Soares um dos maiores humoristas brasileiros, sob diferentes formas de expressão. Suas criações são de molde a situá-lo entre os artistas contemporâneos de categoria internacional”. “Não posso julgá-lo um pornógrafo ou um corruptor da juventude. É antes, e acima de tudo, um humorista que se permite discorrer com graça e malícia dosada, sem infringir nenhum código de moral absoluta, que de resto não existe, sobre temas de todos os tempos e sociedades”. Agora sim, uma indecência Uma curiosidade: a figura do famigerado impetrante do processo contra Jô Soares na Ditadura “contribuiu” decisivamente para a Carta aos Brasileiros de 1977, manifesto de repúdio à Ditadura e de exaltação do “Estado de Direito Já”. É que a ideia da carta nasceu da inconformidade dos advogados José Carlos Dias, Flávio Bierrenbach e Almino Afonso, todos ex-alunos de Direito da USP, com o fato de que o senhor das celebrações dos 150 anos da faculdade do Largo de São Francisco seria um ex-ministro de Médici e defensor do AI-5: Alfredo Buzaid, então diretor da escola. Isto sim, uma indecência. Hoje, agora mesmo, neste adiantado do retrocesso brasileiro em plena terceira década do século XXI, a “Carta aos Brasileiros” está sendo reeditada como resposta às movimentações golpistas de Jair Bolsonaro e de setores das Forças Armadas, grandes corruptores do Brasil. A cama Jô Soares Muito tem sido feito e dito, embaixo, sobre e dentro da cama, mas pouca gente conhece realmente a origem e a história desse extraordinário objeto. A cama foi inventada em 1213 pelo famoso engenheiro italiano Américo Cama, passando a chamar-se “cama” em sua homenagem. Giorgio Cama era uma bicha notória da Idade Média, que tinha o hábito de só manter relações sexuais com pessoas célebres – daí o ditado “crie fama e deite-se no Cama” – e por isso mesmo resolveu criar um campo de ação mais propício aos seus debates amorosos. Da primeira vez que Américo Cama apresentou a sua invenção ao rei, o então famigerado Luigi, o Louco, assim chamado exatamente pela sua mania de ser rei apesar de ser mulher e mãe de cinco filhos; este achou que o invento era absolutamente imoral e mandou-o de volta dizendo a frase que o tornaria célebre: “Américo, go home”. Tudo teria terminado aí, se Américo não tivesse descoberto totalmente por acaso uma outra utilidade para o seu invento: percebeu que descontraindo totalmente o corpo, em posição horizontal sobre a cama, conseguia quase que imediatamenteo conciliar o sono. Assim, a cama, desviada do seu primeiro objetivo, passou a ser usada como dormitório. Sua primeira vítima foi ironicamente o seu próprio criador, morto dentro dela (fenômeno que se repetiria mais tarde com o doutor Guillotin, inventor da lâmina interminável, que morreu fazendo a barba). Voltemos para a cama. Os anos foram passando, e a verdadeira função sexual da cama caiu no esquecimento das noites medievais. Aqueles que, de princípio, ainda tentaram profaná-la com suas vergonhosas práticas homossexuais, foram exterminados de uma só vez num massacre ordenado pelo rei e que ficou conhecido como a “Noite do Bichicídio”. Só muito mais tarde, a cama voltaria ser utilizada como instrumento de prazer. Levada subrepticiamente (isto é, embaixo de répteis) para a França por um discípulo de Cama, Luchino Fornicante, pouco a pouco ela foi conseguindo o seu lugar na sociedade. O dito discípulo, vendo-se em fragilíssima situação financeira, começou a alugá-la para casais de sexo oposto (homem-mulher), abrindo assim um novo campo para a cama. Foi a partir de então que ela fez verdadeiramente suas provas, passando por experiências de acoplamento jamais suspeitadas pela limitada imaginação de seu inventor. Algumas frequentadoras mais assíduas conseguiram inclusive ter nela quatro ou cinco filhos. Passaram-se, no entanto, muitos séculos antes que a cama tivesse total aceitação popular. O fato só se deu sob Luis XIV, chamado “Roi Soleil” (Rei Sol) precisamente por ser rei e todo mundo querer puxar-lhe o saco. Num dia de transcendente inspiração, Luis XIV levantou-se da sua poltrona Luis XV ainda não inventada e, aproximando-se da sacada do palácio, gritou ao povo que se comprimia para saudá-lo: “L’État c’est moi!”, ou seja “o estilo é homem”. Tamanho era o seu magnetismo pessoal que a multidão ficou paralisada, olhando para ele de olhos esbugalhados. Talvez o fato de estar sem calças na ocasião também tenha contribuído um pouco. Logo depois com sua força descomunal, levantou a cama sobre a cabeça enquanto dizia: “Je n’aime pas les raviólis, mas je suis ravi au lit”. O que em português não quer dizer absolutamente nada. A partir de então, a cama ficou sendo definitivamente usada com total liberdade. Alguns estudiosos insistem em dizer que antes disso ela já era sexualmente usada, afirmação que pode ser facilmente desmentida, bastando para isso consultar alguns compêndios especializados no assunto como, por exemplo, “Le sacanage au Moyen Age”, de François L’amour. Como se vê, parece que, pelo menos no mundo ocidental, coube aos franceses a divulgação da cama, mas no oriente, um comerciante de incrível talento,