Mobilização – Contra intervenção militar internacional, haitianos vão às ruas

Após anúncio do premiê Ariel Henry, EUA e Canadá enviaram veículos blindados ao país caribenho Milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades do Haiti nesta segunda-feira (17/10) para exigir a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry e protestar contra a intervenção internacional solicitada pelo premiê para enfrentar a crise política e humanitária no país. Segundo o portal Telesur, a iniciativa das manifestações foi do grupo político “Pitit Desalin” e seu líder, Jean Charles Moïse, lembrando a data de assassinato do líder da revolução haitiana, Jean Jacques Dessalines, em 17 de outubro de 1806. De acordo com a organização, Henry “é incapaz de resolver os problemas de inflação, insegurança e organização de eleições” no país. No último domingo (16/10) o país chegou a receber um lote de veículos blindados vindos do Canadá e dos Estados Unidos para apoiar a polícia local. A equipe deve enfrentar gangues que controlam há um mês o terminal de combustível mais importante da capital Porto Príncipe, dificultando a economia e o bombeamento de água potável para comunidades imersas em violentos protestos populares e um crescente surto de cólera. Segundo um comunicado da Embaixada dos EUA em Porto Príncipe e as ministras do Canadá para Relações Exteriores e Defesa Nacional, Mélanie Joly e Anita Anand, consecutivamente; e Antony Blinken e Lloyd Austin, Secretário de Estado, e de Defesa dos EUA, a chegada de equipamentos vai continuar até a próxima sexta-feira (21/10) com o “objetivo de apoiar a polícia local e proteger os cidadãos haitianos”. Em 8 de outubro, o governo haitiano autorizou a possibilidade de solicitar intervenção militar estrangeira para lidar com a crise humanitária no país. Segundo o documento, o objetivo da intervenção militar estrangeira seria deter, em todo o país caribenho, a crise “causada principalmente pela insegurança derivada da atuação das quadrilhas e gangues”. O pedido de assistência militar foi solicitado após semanas consecutivas de protestos no país, que se agravaram devido ao aumento dos preços e ao ressurgimento da violência nas ruas. Por sua vez, a resolução sobre a intervenção militar gerou críticas entre organizações de direitos humanos e demais personalidades políticas, considerando que “a soberania do país caribenho está em jogo”. Contexto da crise política e humanitária De 2004 a 2017, as Nações Unidas implantaram equipes de Forças de Manutenção da Paz no país após o golpe de estado contra o então presidente Jean Bertrand Aristide (2001-2004). Porém para muitas organizações sociais e políticas, a ocupação foi um fracasso devido a denúncias de estupro, introdução de cólera, além de não atingir os objetivos de pacificação do país. Já em julho de 2021, o então presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi assassinado dentro da própria casa. Desde então, o país enfrenta uma crise política na sequência de nomes que ocuparam o cargo de chefe de Governo do país. Logo após a morte de Moïse, o primeiro-ministro vigente, Claude Joseph, assumiu o cargo, mas após duas semanas em governo, anunciou sua renúncia para que Ariel Henry, premiê indicado por Moïse pouco antes de sua morte, pudesse assumir a administração do país. Desde então, Henry tem como responsabilidade convocar uma Constituinte e eleições, no entanto, não o realizou até o momento. Em janeiro deste ano, o Comitê Nacional de Transição do Haiti elegeu o economista Fritz Alphonse Jean como primeiro-ministro interino e Steven Benoit como presidente de transição do país. Porém, tais resultados não são reconhecidos pelo atual premiê. (*) Com Telesur e Brasil de Fato.
Montes Claros recebe Encontro Literário do Cerrado

Começa nesta segunda-feira (17) e segue até o dia 26, em Montes Claros o Encontro Literário do Cerrado (Elicer), uma feira de livros com participação de escritores, contadores de história, música, teatro, dança, literatura e gastronomia. O evento acontecerá no Estacionamento Sul do Montes Claros Shopping, das 8 às 21 horas. A expectativa dos organizadores é receber cerca de 55 mil pessoas, durante os cinco dias do evento. O tema é “Quintais da Imaginação: uma viagem literária por Minas Gerais”. O evento é aberto para a comunidade em geral, com entrada gratuita. Serão 16 expositores que vão levar uma grande variedade de livros, com valores a partir de R$ 5,00 e muitas promoções. A aquisição pode ser feita com dinheiro, cartão de crédito ou débito e com vale-livro. A organização é de Humberto Paes Leme, da Pool Comunicação, de Uberlândia. Desde sua primeira edição, em 2015, o Elicer já recebeu mais de 250 mil pessoas. Em 2022, a primeira etapa foi em Ituiutaba, com 35 mil visitantes. Em Uberlândia, foram 54 mil. Campo Belo somou 36 mil pessoas. Agora o evento segue para Montes Claros, Uberaba e Juiz de Fora. O Encontro contribui também para movimentar a economia da cidade e gerar empregos, com contratação de serviços de transporte, alimentação e hospedagem e pessoal de apoio. A programação traz literatura, contação de histórias, cinema, arte e gastronomia. O Elicer é voltado para escolas públicas e privadas e tem como propósito desenvolver o hábito da leitura, em crianças, jovens e adolescentes. As atividades do Elicer acontecem diariamente das 8h às 21h. Além dos estudantes, toda a comunidade pode participar da programação e aproveitar as oportunidades oferecidas pelo Elicer, que terá contação de histórias, música, arte e muita animação. A Rede Estadual de Ensino participará do Elicer com 170 escolas de 30 municípios que fazem parte da Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros. O evento em uma área de 5,9 mil metros quadrados. Serão 16 expositores distribuídos em 1,1 mil metros quadrados. Foram disponibilizados 40 mil vales-livro para estudantes da rede estadual de Montes Claros, no valor de R$ 50,00 cada. Para professores e professoras, são 4 mil vales, no valor de R$ 100,00 cada. Isso permitirá que, ao visitar o Elicer, esse público possa escolher os livros literários de sua preferência na Feira do Livro. Para os seis eventos previstos em 2022, foram destinados R$ 9,6 milhões em vales-livro para todas as etapas do Elicer. Na feira, cada estudante vai escolher o livro literário que quer comprar, apresentar o vale e fazer o pagamento por meio de um QR Code. O objetivo é que a partir do contato com a literatura, crianças e jovens tenham autonomia para escolher e pagar por seus livros. Para isso, foi desenvolvida uma plataforma digital, que será usada pelas empresas expositoras e pelas escolas, que permitirá as vendas digitais e acompanhamento do movimento em tempo real. Quem tiver interesse pode adquirir vales-livros antecipadamente, pelo site www.elicer.com.br, onde também é possível acessar a programação completa:
Eleição presidencial: ídolo do Atlético, Reinaldo faz gesto em apoio a Lula

Um dos grandes nomes da história do Galo, ex-atacante apareceu em rede social com outras apoiadoras do candidato do PT na disputa pela presidência. Considerado por muitos o maior ídolo da história do Atlético, o ex-atacante Reinaldo apareceu em uma rede social fazendo um gesto de apoio ao candidato à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. O petista disputará o segundo turno contra o atual presidente, Jair Bolsonaro, do PL, no dia 30 de outubro. A publicação também conta com uma música de apoio ao ex-presidente. Reinaldo não compartilhou em suas redes sociais o posicionamento.. Reinaldo fez campanha no primeiro turno da eleição deste ano. Ele apoiou a candidatura do ex-presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, que foi candidato a deputado federal pelo partido Republicanos. O ex-mandatário alvinegro não foi eleito, recebendo apenas 11.090 votos. Reinaldo é um ídolo histórico do Atlético. O ex-atacante marcou gerações e “bateu na trave” na busca pelo título brasileiro, em campanhas com fins traumáticos para os alvinegros, com os vice-campeonatos de 1977 e 1980 Ainda assim, se transformou no maior artilheiro da história do clube, com 255 gols em 475 jogos. Pelo Galo, Reinaldo conquistou 19 títulos – entre eles, vários torneios internacionais representando a camisa alvinegra.
15 de outubro – Dia do Professor – Conheça a história desta data

O Dia do Professor é celebrado em 15 de outubro. Trata-se de uma data comemorativa importantíssima, que reforça o valor desses profissionais tão essenciais para a formação humana e desenvolvimento da sociedade. CRIAÇÃO DO DIA DO PROFESSOR O décimo quinto dia do mês de outubro não foi escolhido para celebrar o Dia do Professor aleatoriamente. Nessa data, no ano de 1827, foi decretado, por Dom Pedro I, a criação do Ensino Elementar no Brasil. A Lei de 15 de outubro de 1827 buscava alfabetizar os cidadãos brasileiros, tendo como o primeiro artigo a seguinte definição: “Em todas as cidades, villas e logares mais populosos, haverão as escolas de primeiras letras que forem necessarias.”* *a ortografia original foi mantida. Uma outra definição da lei promulgada foi a definição do que seria ensinado nas escolas. Além de ler e escrever, os professores deveriam ensinar operações matemáticas básicas, a gramática da língua portuguesa, a história do país e os princípios da moral cristã. Para atrair mais docentes, também foi decretado alguns direitos dos denominados mestres e mestras, como salário igual independentemente do gênero e aumento da remuneração. Muitos anos depois, em 1947, o professor do estado de São Paulo, Salomão Becker, teve a ideia de transformar a data da lei no Dia do Professor, iniciando as comemorações nas instituições educativas e uma pausa nas atividades do segundo semestre letivo. A ideia do professor foi muito bem aceita e realizada em outras escolas. Foi então, em 1963, que o Dia do Professor foi oficializado como um feriado escolar. A oficialização ocorreu por meio do Decreto Federal nº 52.682, e ainda ressalta a importância de envolver todos da comunidade escolar (como demais funcionários da escola, alunos e suas famílias) na comemoração para o professor. HOMENAGEM DE DIA DOS PROFESSORES O Dia do Professor é um momento excelente para prestar uma homenagem aos profissionais. E incluir os alunos da escola nessa homenagem torna tudo ainda mais especial. Aproveite a data para planejar um momento de comunhão, no qual a comunidade escolar se reúna e demonstre o seu apreço por meio de apresentações, leitura de poemas e até presentes.
Marcus Pestana, do PSDB de Minas, declara apoio a Lula

Após vice-governador Paulo Brant, o ex-candidato ao governo de Minas é mais um a endossar a candidatura do ex-presidente Quatro dias após o vice-governador Paulo Brant (PSDB), o ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB) anunciou, neste sábado (15), o apoio à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República. Candidato ao governo de Minas Gerais nas últimas eleições, Pestana, que havia sido palanque no estado para a candidatura de Ciro Gomes (PDT), atribuiu o posicionamento à necessidade de retomar o diálogo no âmbito do Congresso “para superarmos este esgarçamento radical do tecido social brasileiro e construirmos os consensos progressivos necessários para avançar”. Deputado federal por dois mandatos, entre 2011 e 2019, Pestana se candidatou ao governo de Minas Gerais após ter se afastado da vida pública em 2018, quando não foi reeleito. Com 0,56% dos votos válidos, ele somou apenas 60.637 votos no pleito. A chapa ficou atrás do governador reeleito Romeu Zema (Novo), do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) e do senador Carlos Viana (PL). Via O Tempo
Bolsonaro pedófilo” vira o tema mais comentado no twitter

Em entrevista a um podcast nesta sexta-feira (14), Jair Bolsonaro relatou um flerte sexual com uma menina de 14 anos A hashtag #bolsonaropedofilo se tornou o tema mais comentado no Brasil, depois que Jair Bolsonaro confessou um flerte sexual com uma menina de 14 anos, nascida na Venezuela. Em entrevista ao podcast ‘Paparazzo rubro-negro’ nesta sexta-feira (14), Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, quando visitava uma comunidade, já como presidente da República, encontrou meninas de “14 ou 15 anos”, “bonitas”, “arrumadinhas”. Na sequência, ele afirmou que “pintou um clima” e entrou na casa que, ao que tudo indica, explorava a prostituição infantil. Confira: O canalha do Bolsonaro fala que "PINTOU UM CLIMA" entre ele e uma criança de 14 anos quando visitou Brasília (ele já presidente). ASSISTAM e veja o que Bolsonaro fala de uma criança de 14 anos! pic.twitter.com/Hq8DBqsS9B — Jones Manoel – YouTube: Jones Manoel (@jonesmanoel_PE) October 15, 2022 Venezuelana refuta Bolsonaro e diz que não havia prostituição de menores na casa que ele visitou A fala de cunho pedófilo de Jair Bolsonaro, em que ele disse que ‘pintou um clima’ entre ele e uma menina de 14 anos, foi refutada por uma venezuelana que estava presente no dia. “Uma das venezuelanas visitadas pelo candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) em São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal, em 2021, rechaçou a fala do presidente sobre ter encontrado adolescentes vindas da Venezuela ‘arrumadas para ganhar a vida’, insinuando prostituição infantil”, aponta reportagem do Uol. Segundo a mulher, no dia em que Bolsonaro fez a visita, estava acontecendo uma ação social para refugiados no local. “Não tem nada a ver com o que ele está falando agora”, diz a venezuelana, que pediu para ter seu nome preservado. Além da repercussão nas redes sociais,políticos, artistas e membros da sociedade civil repudiaram as falas de Bolsonaro e cobraram providências A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o presidente é “depravado e criminoso”. “É triste ver esse traste na presidência do Brasil”, publicou a parlamentar no Twitter. O senador Randolfe Rodrigues (Rede) relatou sentir “nojo” da fala. O senador eleito e ex-governador Flávio Dino (PSB), do Maranhão, afirmou que o Brasil não pode aceitar um pedófilo na Presidência da República. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse que acionará o Ministério Público nesta segunda-feira (17) para que seja aberta uma investigação contra Jair Bolsonaro. O deputado distrital Leandro Grass (PT-DF)também afirmou ter enviado um ofício ao Ministério Público para o encontro relatado por Bolsonaro seja investigado. “Quero saber onde foi, o que ele fez lá e o que encontrou nesse local após ter rolado ‘um clima’, como ele mesmo disse”, postou Grass no Twitter
Arcebispo de Montes Claros critica Bolsonaro e destaca a importância do voto consciente

Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro, Dom José Alberto Moura criticou o governo pelo aumento da fome que atinge mais de 33 milhões de brasileiros – Foto: Girleno Alencar O arcebispo emérito de Montes Claros, dom José Alberto Moura, pediu aos católicos para fazerem a escolha correta para aliviar a situação do povo, pois são 33 milhões de brasileiros passando fome e muitos outros vivendo a míngua. A sua mensagem foi durante a homilia na missa de encerramento do Dia de Nossa Senhora Aparecida, na Catedral Metropolitana, com o templo lotado. Muitos fiéis tiveram que ficar de fora. Os católicos iniciaram às 17 horas uma procissão, saindo da Igreja de São José, no bairro homônimo, com a imagem de Nossa Senhora e encerraram o evento na Catedral Metropolitana. Durante todo dia foram realizados vários eventos, em Montes Claros, como uma carreata que saiu da Igreja de São Judas com a imagem de Nossa Senhora. Todo ano a carreata sai de uma Paróquia em direção a catedral. Na carreata de meio dia, foi prestada uma homenagem ao monsenhor Antônio Alencar Monteiro, que completou 60 anos de sacerdócio e 90 anos de idade, ele que é capelão da Polícia Militar. A cada duas horas, era celebrada uma missa na Catedral, mas o forte sol que dominou Montes Claros levou muita gente a procurar a missa da noite. Na sua homilia, o arcebispo frisou o papel da rainha Ester, que se apresentou ao rei para pedir a proteção da vida dos católicos, muitos perseguidos na época no oriente médio. Ela impressionou o rei pela sua beleza. O arcebispo destacou que é importante saber fazer as escolhas, para ajudar o povo, sem violência e briga ideológica, onde a igreja é missionária para ajudar o povo nesse momento de muita gente passando fome e privações. ECN com jornal Gazeta
O que é orçamento secreto? Como funciona? E por que é corrupção?

CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO Após prisões no MA e no PI por desvio de dinheiro liberado pelo governo Bolsonaro, mecanismo nebuloso usado para comprar votos e apoio de deputados é chamado de “maior esquema de corrupção do planeta”. Entenda O Brasil acordou nesta sexta-feira (14) com a notícia de que 60 policiais federais realizavam uma grande operação em cinco municípios do Maranhão e dois do Piauí. O motivo da investida por parte dos agentes era a utilização de documentos e papéis claramente fraudulentos que “justificavam” o aporte para prefeituras locais de valores milionários originados do famigerado orçamento secreto, obtidos pelas pornográficas emendas do relator. Para simplificar e usar como exemplo apenas um dos alvos da operação da PF, tomemos o caso da cidade de Igarapé Grande, distante 300 km da capital São Luís (MA). Por lá, os administradores informaram ao sistema do SUS que realizaram 12,7 mil radiografias de dedo em um ano, numa localidade que tem 11,5 mil habitantes, algo absolutamente ridículo e impossível de ocorrer. Só que essas informações foram colocadas nos computadores do governo de Jair Bolsonaro (PL) para que o teto de recebimento de recursos por meio de emendas do relator, do orçamento secreto, fosse aumentado e mais dinheiro chegasse aos cofres públicos. Qual deputado pediu esses recursos e como foram enviados ao destino? Isso ninguém sabe e é a partir daí, dessa destinação indiscriminada e anônima para milhares de pequenas e médias cidades do país que parlamentares, em conluio com empresários locais, afanam o dinheiro da população e o fazem chegar (seja por meio de compras ou execução de serviços, sempre superfaturados, ou até mesmo inexistentes) aos seus próprios bolsos. Especialistas em gestão pública, economia e política, desde 2019, quando o orçamento secreto foi implantado, vêm chamando a atenção da opinião pública para o que muitos consideram “o maior esquema de corrupção do planeta”, já que não há qualquer mecanismo de controle ou de fiscalização para a festança do envio de bilhões de reais para vários cantos do Brasil, tudo com a anuência e os auspícios do governo Bolsonaro, que permite o mecanismo e o estimula para manter o apoio e os votos desses deputados e senadores. Desde 2020, quando o orçamente secreto foi efetivamente colocado em prática, os 257 deputados federais do PL, Republicanos, PTB, União Brasil, PSC, PP e Patriota, que formam o Centrão e dão sustentação a Jair Bolsonaro, receberam R$ 6,2 bilhões, com destaque para o PL, legenda do presidente da República, que ficou com R$ 1,6 bilhão. Entenda exatamente como funciona o orçamento público, as emendas parlamentares “normais”, o orçamento secreto e as emendas do relator Parlamentares atendem a suas bases eleitorais por meio de emendas, que são fatias do orçamento destinadas a algum tipo de obra, projeto ou ação, nas áreas de educação e saúde sobretudo, nos estados e municípios. Para conseguir a liberação desse dinheiro há uma série de burocracias e a obrigatoriedade de se comprovar a real necessidade desses recursos, que são liberados pelo Legislativo. Essas chamadas emendas podem ser reivindicadas por um só deputado, por uma bancada de um determinado partido ou segmento, ou ainda por comissões de deputados. O processo para liberação do recurso é rígido e para os órgãos de transparência é possível monitorar quem é o parlamentar, ou a bancada, que pleiteou os valores, além de saber qual é o destino do dinheiro. No entanto, uma nova “espécie” de emenda parlamentar foi criada a partir de 2019, chamada de “emenda do relator”, ou “RP9”. Tal procedimento é considerado uma aberração em termos de transparência, já que só é possível identificar quem receberá o dinheiro e qual será a aplicação dele, sem revelar quem foi o deputado que o “conquistou”. A emenda vem no nome do relator do orçamento, uma figura genérica que muda de ano para ano na Câmara dos Deputados. Como o nome do parlamentar que foi “agraciado” com milhões de reais não é revelado, os cientistas políticos e integrantes de órgãos de transparência classificam o controverso instrumento como um verdadeiro esquema de compra de integrantes do Legislativo (parlamentares) por parte do poder Executivo (governo), que passa a distribuir bilhões de reais para deputados que não têm rosto, nem nome, e que em troca votam favoravelmente aos interesses do Palácio do Planalto. O dinheiro utilizado no pagamento dessas obscuras emendas de relator sai de um montante denominado “orçamento secreto”, que na prática acaba servindo como um fundo (ou um caixa) de onde saem bilhões de reais que “mimam” aqueles deputados que, por acaso, possam dar seus votos aos interesses do presidente da República e de seu governo. O que dizem os órgãos judiciais e de transparência O Tribunal de Contas da União (TCU) já analisou a questão do orçamento secreto e das emendas do relator, em 2020, e orientou o governo federal a dar ampla publicidade à documentação que versa sobre a distribuição desses recursos nebulosos e isso não serviria apenas aos casos daquele ano, mas sim para todos os anos seguintes. Há 11 processos correndo no TCU sobre o assunto e o mais avançado deles é um que trata de obras realizadas na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) realizadas com dinheiro oriundo de emendas do relator. O responsável por essa ação é o ministro Antonio Cedraz. O Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2021, decidiu por 8 votos a 2 manter a decisão da ministra da corte Rosa Weber, em caráter monocrático, que suspendeu o pagamento das emendas de relator autorizadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Os autores da ação que pediu a paralisação dos pagamentos, que vêm sendo usados para “comprar” votos de parlamentares em favor dos interesses do governo Bolsonaro, foram as bancadas do PSOL, do Cidadania e do PSB. “Enquanto as emendas individuais e de bancada vinculam o autor da emenda ao beneficiário das despesas, tornando claras e verificáveis a origem e a destinação do dinheiro gasto, as emendas do relator operam com base na lógica
Datafolha: Lula venceria Bolsonaro com 53% dos votos válidos

Novo levantamento aponta estabilidade na liderança de Lula, com números iguais ao do último estudo do instituto. Nova pesquisa presidencial Datafolha, a 2ª a ser divulgada no âmbito do segundo turno das eleições, nesta sexta-feira (14), projeta vitória de Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL), assim como todos os levantamentos de outros institutos desta semana. Segundo o estudo, o petista soma 49% das intenções de votos, enquanto Bolsonaro aparece com 44%. Os números são os mesmos registrados na última pesquisa do instituto, divulgada em 7 de outubro. 5% dos eleitores disseram que votarão em branco ou nulo, 1% não sabe ou não respondeu Em votos válidos, isto é, desconsiderando os brancos e nulos, o petista chega a 53%. Bolsonaro, por sua vez, tem 47%. O Datafolha realizou 2.898 entrevistas em 180 municípios brasileiros entre os dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Prefeitos usam carros oficiais em ato de campanha de Bolsonaro

Até veículos da Defesa Civil municipal foram usados pelos prefeitos para chegar ao evento em que o presidente pediu votos Por Mariana Costa – EM Prefeitos de municípios de Minas Gerais chegaram ao evento de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (14/10), em Belo Horizonte, usando carros oficiais, que são custeados com dinheiro público. O prefeito do município de Santo Antônio do Rio Abaixo, Alexandre Rodrigues de Souza, por exemplo, chegou ao local do evento, na Avenida Raja Gabaglia 1.143, dirigindo o carro da prefeitura. Santo Antônio fica a 170 quilômetros da capital, na região central do estado. Dinarte Henrique Guedes de Ornelas, prefeito de Formoso, outro que viajou com carro oficial até Belo Horizonte para o ato de campanha de Bolsonaro, disse que o convite para participar do encontro foi feito pela Associação Mineira dos Municípios (AMM) e pelo deputado estadual Gustavo Santana, que é apoiado por ele sobre o custeio para se deslocar até a capital, Ornelas disse que utilizou recursos da prefeitura. “Vim resolver outros assuntos em Belo Horizonte, por isso vim com recursos da prefeitura.” Ele chegou no carro da Câmara de Vereadores do município, junto com o presidente da Casa. “Ontem tive compromissos em Unaí e Paracatu. Sobre participar de um evento de campanha no horário de expediente na prefeitura, Ornelas disse que “é um agente político”. “Nesse momento, não há expediente na prefeitura.” Luciano Rabelo Veloso, prefeito de Mirabela chegou ao espaço do evento a pé. Por isso não é possível saber se estava em carro oficial. No entanto, o prefeito afirmou que utilizou recursos próprios para participar da solenidade. Além disso, Veloso ressaltou que a prefeitura não está cumprindo expediente hoje, já que o município emendou o feriado de Nossa Senhora Aparecida Além dos carros oficiais de Formoso e de Santo Antonio do Rio Abaixo, a reportagem do Estado de Minas flagrou veículos de outras prefeituras, como as de Guricema, Várzea da Palma, Urucânia, São Sebastião da Bela Vista, Resende Costa, São Geraldo do Baixio, Guimaranea, Congonhas e Pará de Minas. Durante o evento, Bolsonaro agradeceu a presença e apoio de prefeitos e vereadores de Minas que participaram do ato de sua campanha à reeleição, caracterizando assim o ato de campanha. No site do governo, a informação é de que hoje não há compromissos oficiais do presidente. O presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinicius Bizarro (PSDB), afirmou que a entidade não é a organizadora do evento. Segundo ele, a AMM foi convidada a participar do encontro. “Vamos fazer a pauta municipalista e cada prefeito está custeando a sua vinda. Isso eu até já falei para a coordenação de campanha do PT, o deputado Reginaldo Lopes. Implantaram essa fake news de que a AMM está custeando. Coitada da AMM, não temos recurso financeiro para isso.” Bizarro ressalta que convocou uma pauta para ambos os candidatos à Presidência da República. “A pauta é comum e vale para os dois partidos. Mas, quem procurou a gente, em 3 de outubro, para a primeira reunião foi o PL. Estamos esperando o PT oficializar a gente.” O presidente da AMM, porém, afirma que até agora não foi procurado pelos petistas.