Empreendedorismo feminino em Minas Gerais ganha apoio do BDMG

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais oferece condições especiais para micro e pequenas empresas lideradas por mulheres – Financiamento especial para mulheres concretiza sonhos e gera renda (Agência Minas) No mês em que se comemora o Dia Internacional das Mulher, empreendedoras de Minas têm mais razões para celebrar. Até o dia 31, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) reforça o apoio ao empreendedorismo feminino , oferecendo condições exclusivas de financiamento para micro e pequenas empresas lideradas por mulheres. Para ter acesso à taxa reduzida de 4,5% ao ano + Selic, carência de 11 meses e até 48 meses para pagar, basta ter capital social igual ou superior a 50% há pelo menos 6 meses. “O BDMG foi pioneiro, entre as instituições de fomento do país, ao lançar uma linha de crédito exclusiva para micro e pequenas empresas lideradas por mulheres. Nos últimos anos, contribuímos significativamente para manutenção de diversos negócios mineiros no período mais grave da pandemia e, agora, temos a oportunidade de dar continuidade a este trabalho de apoiar cada vez mais o desenvolvimento das empreendedoras mineiras, para que possam chegar ainda mais longe”, destaca Gabriel Viégas, presidente do BDMG. Entre 2019 e 2022, as linhas de crédito destinadas às mulheres empreendedoras foram responsáveis por um desembolso total de R$ 178 milhões, para 3.605 clientes, em 383 cidades mineiras (sendo destas, 77% com IDH abaixo da média brasileira). Com esse resultado, mais de 9 mil vagas de trabalho foram mantidas. Os recursos para micro e pequenas empresas lideradas por mulheres foram liberados, principalmente, para o setor de Comércio e Serviços (89%), Indústria da Transformação (9%) e Construção (2%). DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A valorização do empreendedorismo feminino, por meio das linhas de financiamento, trouxe números positivos para a economia do estado. Os impactos calculados pela matriz insumo-produto do BDMG mostram que, entre 2019 e 2022, aí incluído o período mais grave da pandemia, houve 6.659 empregos estimulados, R$ 398 milhões de aumento no faturamento da produção mineira e R$ 112 milhões de arrecadação de ICMS para o estado. EMPREENDEDORAS DE MINAS A empresária Paloma de Paula, sócia da Drogaria Gusmão, em Belo Horizonte, é uma das mulheres que recorreram às linhas especiais para Mulheres Empreendedoras. Ela conta que sempre teve muito medo de empreender. “Eu não sabia o que iria enfrentar lá na frente, mas arrisquei. Ser mulher e empreendedora é uma jornada desafiadora”, afirma. Hoje, 10 anos depois da inauguração do seu negócio, Paloma tem orgulho da trajetória que construiu e reconhece a importância do crédito para o crescimento do seu negócio. “É importante existir uma linha de crédito para as mulheres devido nossa jornada ser mais intensa, muitas vezes com filhos, casa e trabalho. Tenho planos de expandir meu negócio, de uma forma segura e sustentável”, ressalta.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER – Vereadoras apontam avanços das mulheres

O Dia Internacional da Mulher é comemorado nesta quarta-feira, 8.  Em Montes Claros, o mês será dedicado especialmente à mulher, que luta, trabalha para sustentar sua família e participa das decisões. Na Câmara Municipal, as homenagens começaram na reunião ordinária dessa terça-feira, quando as cinco vereadoras apontaram avanços das mulheres, mas cobraram combate mais efetivo contra a violência, além de reclamar da falta de maior representatividade feminina nas câmaras municipais e na política como um todo. Embora seja a maioria do eleitorado, com mais de 50%, isto não se traduz na eleição de mais vereadoras, deputadas estaduais, federais e senadoras. Confira, a seguir, a manifestação de cada vereadora da Câmara Municipal sobre a temática: CONQUISTAS – A vice-presidente da Câmara Municipal, Maria Helena Lopes, MDB, exaltou o Dia Internacional da Mulher e as conquistas ao longo dos anos, desde de 2003, quando assumiu pela primeira vez uma vaga no Legislativo. A mulher precisa segundo ela, ser valorizada na sociedade. Lembrou de mulheres guerreiras como Helena Prates e sua mãe Sônia de Quadros, bem como outras que fizeram história na educação estadual e municipal. Na reunião ordinária dessa terça-feira, ela antecipou a comemoração da data especial parabenizando todas as mulheres de Montes Claros. A vereadora anunciou com o apoio dos colegas, na reunião, a Comissão da Mulher, com o objetivo de criar políticas públicas voltadas para este público alto na cidade. “A nossa Casa Legislativa não pode fugir dessa matéria, porque queremos construir uma Montes Claros melhor sem preconceitos contra a mulher, além de tanta violência que chega até nós mulheres”, disse. “É o maior eleitorado e precisamos mudar esse cenário com a mulher ocupando todos os espaços, na política, no Judiciário, no comércio, entre outros setores de nossa sociedade como vem ocorrendo em Montes Claros”, destacou Maria Helena Lopes. GUERREIRAS – A ex-vice-presidente da Câmara, vereadora Graça da Casa do Motor, do União Brasil, parabeniza as mulheres pela passagem do seu dia. Segundo ela, as mulheres vêm avançando ao longo dos anos. Há muitas delas que são mulheres guerreiras ativas, presidentes de associações comunitárias da cidade e zona rural. “As mulheres de Montes Claros estão de parabéns e sabemos do trabalho incessante delas e nosso junto ao Legislativo nesses dois mandatos aqui conquistados. Elas trabalham em favor de suas famílias. Mas ainda segundo ela, é muito pouca a representatividade na política no Norte de Minas e em Montes Claros, mas estamos crescendo cada vez mais”. “Sabemos que o maior número de eleitores é das mulheres. Apesar das grandes dificuldades que a mulher encontra, porque a maioria é mãe, avó e precisamos dividir o tempo para tantas funções. A palavra correta é conciliar, pois fica difícil fazer tudo isso de uma só vez. Eu mesmo conheço muitas mulheres na cidade e zona rural, que possuem grande potencial e poderiam dar mais por Montes Claros, mas as dificuldades são inúmeras, porém, elas fazem de tudo para administrar seus negócios e suas famílias”, afirma a vereadora   PRECONCEITOS – A vereadora recém-empossada na Câmara, Júlia Aparecida Amaro, a Julinha da Pastoral da Saúde, do Podemos, disse que a mulher dá suporte às famílias em Montes Claros, principalmente, aquelas mais carentes que precisam trabalhar para ajudar no sustento delas. “Como tenho trabalho na área social de Montes Claros, já comecei a articular para mudar um pouco esses quadro”, declarou. “Vejo agora como vereadora, que há milhares de colegas, em especial, aquelas que lutam na sociedade contra a violência, preconceitos, temos a mulher que é pai, mãe, avó e tudo mais. Para a mais nova legisladora, as mulheres estão conquistando cada dia mais espaços na política, no setor industrial, enfim, em todos os setores da sociedade”, observa. “Quero aproveitar para parabenizar todas as mulheres neste Dia Internacional da Mulher e me sinto honrada em fazer parte da Câmara de Montes Claros, após significativo avanço no País. Contudo, ainda existem preconceitos por parte de alguns partidos políticos para aceitar mulheres nas chapas e isso deve deixar de acontecer na política”, afirma, ao elogiar a campanha da Justiça Eleitoral em lançar mais mulheres para disputar as eleições no Brasil. DIFICULDADES – A vereadora Ceci Protetora, do PP, disse que ser mulher no Brasil nada é nada fácil. Ela explica que neste Dia Internacional da Mulher é preciso muita reflexão, uma vez que o espaço feminino ainda é pequeno em Montes Claros. Conclama que as mulheres devem se unir para formar uma bancada de maior representatividade, porque ainda “sofremos muitos preconceitos da sociedade”. Mas agora, está mudando, já são cinco vereadoras, que integram o Legislativo montes-clarense. Também a legisladora aproveitou para parabenizar as mulheres, afirmando que o eleitorado é significativo e “precisamos mudar muitas coisas em nossa sociedade, tendo um olhar mais voltado para as questões femininas, sobretudo, a violência em nossa sociedade, inclusive, em Montes Claros, onde ainda há índices consideráveis de crimes contra as mulheres indefesas”. Para isso, afirma que tem pautado no trabalho de combate à violência contra a mulher, mas defendeu que o município deve criar políticas voltadas para as mulheres, principalmente idosas e carentes VIOLÊNCIA – A vereadora Iara Pimentel, do PT, ao falar sobre o Dia Internacional da Mulher em Montes Claros, destacou que tem realizado trabalho intensivo em prol da mulher, pois deve haver reflexão, pois o quadro de violência contra a mulher é preocupante. Cerca de 155 mulheres já foram mortas nos últimos anos, na cidade e o Norte de Minas não fica para trás e os autores destes crimes devem ser punidos exemplarmente, afirmou. “Na sexta-feira (10), haverá audiência pública, às 9 horas, na Câmara de Montes Claros, para discutirmos a violência contra mulher e os problemas que mais afligem essas vítimas, a maioria dos crimes praticados por ex-companheiros”, informa. “Nosso papel como parlamentar é defender as vítimas de feminicídios e outros tipos de violência no município. Tanto é que no próximo dia 11, às 8 horas, promoveremos mais uma Marcha da Mulher, que sairá da Praça Doutor João Alves (Do Automóvel Clube) até a Praça Dr. Carlos,

Dia internacional da Mulher: as lutas diárias de quatro mineiras pela vida

Envolvidas em ações para melhorar a sociedade, quatro mineiras falam da sua atuação em BH, dos seus sonhos e de como o trabalho pode transformar o mundo Por Gustavo Werneck EM  Mulheres da vida, sim, com muito orgulho. Da vida humana, comunitária, ambiental, cultural, em defesa dos animais, e sempre envolvidas, solo ou coletivamente, em ações para melhorar a sociedade – plantando sementes, colhendo frutos, e, claro, descascando alguns abacaxis. Neste Dia Internacional da Mulher, quatro mineiras falam da sua atuação em Belo Horizonte, dos seus sonhos e de como o trabalho, quando desenvolvido em terreno fértil, pode mudar consciências e transformar o mundo. E esse vasto mundo está na mira da cineasta Gabriela Matos, moradora do Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul. “Cultura é minha identidade”, afirma. Em outra frente, há quase três décadas com um projeto ligado à criançada em atividades ambientais, educativas e comunitárias, Magda Fonseca Coutinho acredita em solidariedade e participação para fortalecer o planeta, pois não basta sonhar: “Precisamos praticar os bons valores humanos”. Participação e solidariedade, por sinal, não faltam no cotidiano de Danielly Neves Veloso, enfermeira obstetra da Maternidade Hilda Brandão, em BH, onde há registro de cerca de 300 partos por mês. Mãe de Cecília, nascida há um ano e um mês em parto normal, ela encoraja outras mulheres a dar à luz dessa forma. “Mulher é sinônimo de vida”, ressalta Cultura é minha identidade, pertencimento, uma forma de ver o mundo” Gabriela Matos, cineasta, moradora do  aglomerado Morro do Papagaio Também os não humanos – cães, gatos e outros bichos – merecem a solidariedade, pois “têm sentimentos, demandam cuidados, sofrem violência”, orienta Silvana Coser, fundadora e integrante da organização não governamental (ONG) Brigada dos Animais Sem Teto – Bastadotar. “Levamos adiante essa luta, essa causa. Devemos ter respeito pelos animais.” Cultura na veia Uma câmera na mão, mil ideias na cabeça e um universo de arte, manifestações populares, tradições e comportamentos a ser revelado. Declarando-se “fruto de projetos sociais”, a cineasta Gabriela Matos, de 29 anos, moradora do Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, está envolvida em cultura até a raiz dos cabelos “Cultura é minha identidade, pertencimento, uma forma de ver o mundo”, diz a mãe de Isaac, de 12. “Fiquei grávida na adolescência, na época pensei que fosse mudar meus planos, mas só tenho a agradecer a meu filho por tudo”, afirma com alegria. De início, a menina, então com 11 anos, enveredou pela cultura hip hop, enamorou-se do rap, começou a estudar direito, engravidou, deixou de lado o sonho de ser advogada e foi cursar faculdade de cinema. Hoje está à frente da Renca Produções e Interações Culturais, com trabalhos nas áreas audiovisual e de fotografia. O lançamento mais recente é o longa “Matriarcas da Serra”, narrando a história de mulheres mais velhas do Aglomerado da Serra, e “A fé que canta e dança”, com o foco no congado do Morro do Papagaio. Para abril, está programado o festival Papagaio Cultural, tipo virada cultural, “contemplando apenas artistas do Morro”, ressalta Gabriela, cujo objetivo é trabalhar em todos os cantos de BH. Terreno fértil Plantio de árvores, projetos educativos, oficinas e inúmeros outras ações fazem parte da Associação Querubins, entidade sem fins lucrativos criada há 29 anos e voltada para o desenvolvimento, por meio da arte, de crianças e jovens das comunidades da Vila Acaba Mundo, Morro do Papagaio e Olhos D’Água, na Região Centro-Sul de BH. Na gestão, está Magda Fonseca Coutinho, autora da iniciativa após a trágica morte do irmão. Para aplacar a dor da perda, ela começou a caminhar na Praça JK, no Sion, viu o grande número de crianças tomando conta de carros, muitas áreas degradadas, lixo jogado pelos canto – e decidiu agir. “Acreditamos nesse trabalho como de transformação social, pois atuamos para complementar a escola e oferecer às crianças uma série de atividades, incluindo ações ambientais, aulas de inglês, danças, música e outras”, diz Magda, que tem três filhos e três netos. Na sede da associação, no Bairro Sion, em área de 10 mil metros quadrados, ela se recorda dos primeiros tempos, em 1994, quando promoveu um mutirão de limpeza na Praça JK, revitalizando a parte degradada com o plantio de 100 árvores. Diante dos resultados, recebeu o prêmio Gentileza Urbana, concedido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG). Diante dos serviços prestados voluntariamente, impossível não perguntar sobre qual é o papel do ser humano neste mundo. Eis a resposta: “Precisamos fazer algo em prol da sociedade, e a melhor via está na solidariedade. Estou sempre refletindo sobre isso, e, no meu caso, que sou mulher e mãe, dou exemplo aos meus filhos de participação. Afinal, não basta sonhar, precisamos de ação e prática de bons valores humanos.” “Mulher é sinônimo de vida, força, superação.  Toda mulher é capaz de fazer tudo” Danielly Neves Veloso, enfermeira obstetra da Maternidade Hilda Brandão Coragem Em dezembro, o Grupo Santa Casa BH, com atendimento 100% SUS, inaugurou, na Maternidade Hilda Brandão, o Centro de Parto Normal Irmã Dulce, oferecendo às gestantes todas as condições para dar à luz de forma humanizada, cercada de carinho e cuidado. Nesse setor, trabalha a enfermeira obstetra Danielly Neves Veloso, de 31 anos, que não faz ideia de quantas mulheres ajudou e de quantos bebês já viu chegar ao mundo. “São centenas. Imagine que são cerca de 300 partos por mês na Santa Casa”, conta a belo-horizontina graduada há nove anos. Junto ao trabalho de assistir as mulheres na hora do parto normal, Danielly tem as palavras certeiras para esse momento de extrema delicadeza e carga emocional: “Coragem. Você é capaz. Não tenha medo!”. Assim, está pronta para “empoderar” as mamães, baseada na própria experiência, pois, há um ano e mês, deu à luz a primeira filha, Cecília, sem recorrer à cesariana. “O Brasil é um dos países, no mundo, que mais fazem cesarianas. As pessoas não querem ter os bebês nos domingos e feriados, preferem agendar, marcar o dia e a hora. O parto normal é geralmente mais longo

Seleta – Cachaça norte-mineira conquista ouro no Global Spirits Master 2023

A cachaça Seleta Antônio Rodrigues, fabricada pela Seleta na cidade de Salinas, Norte de Minas Gerais, conquistou a medalha de ouro no Global Spirits Master 2023, evento que acontece em Londres, na Inglaterra, desde 2008. O Global Spirits Master é um concurso que tem o objetivo de listar os melhores destilados produzidos no mundo. O time de jurados é formado por compradores do varejo, jornalistas, educadores e bartenders onde os vencedores de cada categoria são premiados com as medalhas de prata e ouro. O concurso é dividido em 21 categorias onde a cada três meses são feitas degustações às cegas de uma bebida especifica. Joia líquida A bebida campeã tem aparência dourada intensa, límpida e brilhante. Os aromas são adocicados, com notas de caramelo e amêndoas e o sabor é intenso, com buquê complexo, que remete a nozes, madeira tostada e taninos. De baixa acidez, possui um toque agradável bastante aveludado. “A cachaça Seleta Antônio Rodrigues é considerada uma verdadeira joia líquida, uma bebida única e feita para quem quer sentir o real sabor da tradicional cachaça mineira. Ela é envelhecida por sete anos em carvalho francês, o que a concede aroma adocicado com notas de caramelo, uma aparência dourada brilhante e sabor intenso. Constatar que a cachaça Seleta agrada aos mais exigentes paladares através de um prêmio internacional renomado é um grande orgulho para nós, que nos empenhamos em valorizar e mostrar o potencial da cachaça dentro e fora do país”, explica o diretor executivo da Seleta, Gilberto Luiz Soares. Ainda de acordo com o diretor, o resultado do concurso só atesta a competência e vocação em produzir produtos no mais alto padrão. “Nossa cachaça já tem reconhecimento nacional e internacional, e esta conquista é mais uma forma de atestar nossa qualidade. Faz parte do dia a dia da Seleta e de diversos produtores da região, a busca pela excelência no nosso processo de produção artesanal, visando padrões de qualidade cada vez mais altos. Resultados como este nos impulsionam a continuar com essa busca, e fortalecem o nome da Cachaça artesanal não só produzidas pela Seleta, como também pelos demais produtores da região”, diz. A premiada Antônio Rodrigues já conquistou diversos prêmios além do Global Spirits Master 2023. Em 2021, foi finalista na categoria melhor destilado de cana-de-açúcar do mundo com envelhecimento que ultrapassa três anos, no International Sugarcane Spirits Awards e também conquistou medalha de ouro em 2020 na 19º edição do Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil. A garrafa de 750 ml possui graduação alcoólica de 42% e é ideal para paladares aguçados e exigentes. Combina com doces raros e requintados, chocolates e frutas, além de castanhas variadas. Pode ser também servida para acompanhar carnes, e pratos intensos. Fundada em 1980 em Salinas, no Norte de Minas Gerais, a Seleta é reconhecida como a maior produtora de cachaça artesanal do Brasil. Via O Norte

Mulheres ocupam mais espaço na sociedade, mas desrespeito e assédio moral persistem

A professora Cláudia Maia, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Gênero e Violência da Unimontes, ressalta conquistas e desafios das mulheres. Foto: divulgação As mulheres, na atualidade, ocupam mais espaço na sociedade e no mercado de trabalho, mas o desrespeito, o assédio moral e novas formas de violência de gênero ainda precisam ser vencidos. O cenário é colocado pela professora e pesquisadora Cláudia de Jesus Maia, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Gênero e Violência (GPEG) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), ao abordar a comemoração do Dia Internacional da Mulher – 8 de março. A professora e pesquisadora da Unimontes salienta que as mulheres vêm ocupando mais espaços, antes a elas negados, sobretudo, no mercado de trabalho, nas carreiras profissionais e na política. “Isso , a meu ver , tem resultado em dois movimentos, por um lado tem se desenvolvido maior preocupação com a paridade e maior reconhecimento das competências das mulheres em todos os níveis por alguns; por outro lado, também enfrentamos muito desrespeito, muito assédio moral e novas formas de violência de gênero nos espaços públicos têm surgido. O sexismo, a misoginia e o desprezo pelo feminino, ainda são uma realidade”, afirma Cláudia Maia, que é vinculada ao Departamento de História da Unimontes. “Cito como exemplo a violência que muitas parlamentares têm sofrido no exercício de seus mandatos, assim como o número cada vez mais crescente de mulheres que têm denunciado formas de violência, discriminação e desrespeito dentro das Universidades”, ressalta a coordenadora do GPEG, ligado ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História (PPGH) da Unimontes. Pesquisa aponta aumento da violência contra a mulher A professora e pesquisadora da Unimontes lembra que, na semana passada, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou o relatório da pesquisa “visível e invisível: a vitimização das mulheres no Brasil”. O levantamento aponta que todas as formas de violência contra mulheres aumentaram, tendência verificada nos anos anteriores. De acordo com o estudo, a estimativa é que, em média, 18,6 milhões de mulheres de 16 anos ou mais foram vítimas de alguma forma de violência. “O assédio sexual atingiu números inimagináveis. Cerca de 46,7% das mulheres brasileiras de 16 anos ou mais sofreram alguma forma de assédio sexual”, registra a professora Cláudia Maia. Estima-se que, no ano passado, a cada minuto 35 mulheres sofreram algum tipo de violência. A pesquisadora ressalta: “os números do feminicídio, que é quase sempre o desfecho de uma contínua violência, também aumentou e Minas Gerais segue como o estado em que as mulheres mais morrem por razões de gênero”. Fortalecimento das redes de apoio às mulheres A coordenadora Grupo de Pesquisa e Estudos Gênero e Violência da Unimontes aponta as medidas que são necessárias para a redução das agressões às mulheres. “Sem dúvida, são necessárias políticas públicas mais efetivas, o que implica também investimento público de recursos. É preciso o fortalecimento das redes a apoio à mulheres em situação de violência. Um exemplo é a Rede de Enfrentamento a Violência contra mulheres de Montes Claros, que envolve vários parceiros de órgãos públicos estaduais e municipais, sociedade civil e universidade”. Ela chama atenção também para as políticas de prevenção da violência de curto prazo, como o acolhimento das vítimas, de ações de médio prazo (como trabalho efetivo junto aos agressores), e a as medidas de longo prazo, como a educação voltada para igualdade de gênero. “Nós não vamos conseguir frear a violência se não investirmos de fato na educação das crianças e de jovens para criar uma cultura do respeito à diferença, à diversidade e ao outro, especialmente, às mulheres. É preciso alterar os valores da masculinidade que produz as mulheres como sujeitos inferiores, submissos e estimula o ódio às mulheres. É preciso a adoção de políticas de combate às desigualdades econômicas e ao racismo que influenciam diretamente no aumento da violência. Não é por acaso que mulheres negras são a maioria entre a vítimas de violência doméstica e de feminicídio”, comenta a professora Cláudia Maia. Conquistas das mulheres A professora Cláudia Maia ressalta que neste 8 de março de 2023, o sexo feminino tem conquistas a serem comemoradas. “O aumento de mulheres parlamentares, especialmente de mulheres negras é um motivo para comemorar; mas acho que o mais importante a ser comemorado é a tomada de consciência cada vez maior das mulheres a respeito dos seus direitos. Isso tem feito um número cada vez maior de mulheres denunciarem a violência e não aceitarem posições de subalternidade e opressão”, observa. “Para mim também é motivo para comemorar um número cada vez maior de mulheres que se identifica com perspectiva feminista de pensar e agir no mundo. Ainda falta muito e os números da violência citados exemplificam isso, mas quando vejo meninas cada vez mais jovens lutando por igualdade de gênero e cultivando a solidariedade feminista, me faz ter esperança de um mundo mais respeitoso, amoroso e igualitário para as mulheres”, conclui Cláudia Maia. Objetivo do GPEG e a criação do Observatório de Violência de Gênero O Grupo de Pesquisa e Estudos Gênero e Violência (GPEG) da Unimontes tem como objetivo desenvolver estudos e pesquisas sobre mulheres, gênero e feminismos. Desde que foi criado em 2006, o grupo tem como principal temática de pesquisa a violência contra as mulheres. Por iniciativa do GPEG está sendo criado o Observatório Norte Mineiro de Violência de Gênero, com lançamento previsto para o dia 28 de março. O Observatório vai acompanhar e avaliar a violência de gênero na região como objetivos de fornecer dados para as políticas públicas; além disso, visa reunir bibliografias e estudos sobre esse fenômeno na região.

Minas Gerais é o Estado com mais municípios dependentes exclusivamente do SUS

Especialistas apontam processo de regionalização da atenção à saúde como forma de melhorar a assistência nessas cidades; falta de demanda é um dos motivos que afasta serviço privado Por Isabela Abalen – O Tempo O cuidado com a saúde de Seu Francisco Jonas Moreira, de 75 anos, faz parte da rotina. Enfrentando um câncer de intestino há mais de seis anos, ele conta com o Sistema Único de Saúde (SUS) da sua cidade, Bom Jesus da Penha, no Sul de Minas Gerais, para manter o tratamento. “A Prefeitura me busca em casa, na hora agendada, e me leva para o Hospital mais próximo. Graças a Deus nunca gastei nada”, relata. A realidade de Quito, como gosta de ser chamado, é semelhante a de moradores dos 226 municípios de Minas Gerais que, assim como Bom Jesus da Penha, dependem exclusivamente do SUS. O Estado é o que possui maior número de cidades sem nenhum serviço médico particular no país. O dado do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) pode ser explicado por diversas razões. Mesmo Minas Gerais sendo o estado brasileiro com maior número de municípios, a quantidade por si só não seria suficiente para colocar Minas no pódio do levantamento. “O Estado tem um contingente alto de municípios pequenos, com poucos habitantes, baixa renda e baixo nível de industrialização, o que corrobora para essa situação”, explica o Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, pesquisador da Fiocruz Minas, Fausto Pereira dos Santos. De acordo com ele, que também é ex-Secretário Estadual de Saúde de Minas Gerais (2015-2016), a situação econômica dos municípios, com poucos habitantes, não atrai o setor privado de saúde. “As operadoras de planos privados, por questão de demanda e oferta de serviços, não privilegiam esses municípios. Algumas cidades não possuem empresas suficientes para demandar planos de saúde empresariais”, explica. “Em outras, as pessoas não têm mesmo dinheiro para custear”, conclui. Sendo assim, fica à cargo exclusivo do SUS cumprir com toda a demanda de saúde de 26% do território mineiro. Para potencializar o atendimento e minimizar casos em que os moradores precisam percorrer longas distâncias, uma das soluções defendida pelos especialistas é a regionalização do acesso à saúde. Nessa estratégia, são definidos territórios e redes de saúde, como grupos de municípios próximos um do outro. A atenção básica, isto é, aquela primeira avaliação e acompanhamentos de rotina da Estratégia de Saúde da Família (ESF) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), é responsabilidade do próprio município. Agora, quando são casos de média e alta complexidade, os pacientes são encaminhados para hospitais e clínicas dos municípios da região. “A regionalização é vital para o SUS responder melhor à demanda de saúde desses municípios. Um município que tem ao menos 80 mil habitantes já pode se tornar um polo de atenção para as cidades do entorno”, ressalta Santos. Para o pesquisador, não é viável que todos os municípios atendam a todas as especialidades e ferramentas médicas, e, por isso, contar com a assistência de cidades próximas dá certo. “Alguns equipamentos são muito sofisticados, são medicamentos caros e procedimentos difíceis, que precisam ter demanda para de fato fazer sentido. Então, se existe a possibilidade de organizar um serviço por região, que ofereça hemodiálise, leitos de UTI, entre outros, é a melhor opção”, explica. Outro benefício da regionalização seria diminuir o tempo de deslocamento de um paciente para ser atendido. É o caso do Seu Francisco, que é transportado pela Secretaria de Saúde de Bom Jesus da Penha, no Sul de Minas, onde mora, até o hospital de Passos, há 40 minutos de casa. “É muito tranquilo, o pessoal cuida de mim muito bem. Já tive um infarto e me atenderam, a Prefeitura me levou até o Hospital para que ficasse na UTI”, lembra. “Tudo o que a gente procura, tem”, agradece. Em Bom Jesus da Penha, onde mora Seu Francisco e pouco mais de 4 mil habitantes, são três Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um Pronto-Atendimento (PA). “Funciona como um tripé, com base federal, estadual e municipal. Fazemos o atendimento básico na cidade e, quando são casos mais complexos, como de cirurgia, os moradores procuram a Secretaria de Saúde onde é feito o encaminhamento para hospitais mais próximos”, explica o vice-prefeito da cidade, Miquéias Júnior Madeira (PSD). Um caso de regionalização que funciona, Miquéias concorda que não vê necessidade de um hospital na cidade. “Pelo tamanho da nossa cidade e pela assistência que a Secretaria de Saúde oferece, não vejo que precisa. Quando surge demanda, nós encaminhamos, e fica perto”, afirma. O município tem ainda o benefício de algumas especialidades, como pediatria, ortopedia, ginecologia, cardiologia e dermatologia. Só em 2022, foram 500 atendimentos de ginecologia e 150 oftalmológicos na cidade. De acordo com o especialista Fausto Pereira dos Santos, a atenção em saúde em um município pequeno, dependente do SUS, é muito diferente de uma cidade grande, com mais meios de assistência. “Há uma preocupação especial com o transporte dos pacientes que precisam de atendimentos mais complexos, prestando atenção no agendamento dessas pessoas, na organização com as outras cidades. Além disso, a relação dos moradores com o agente de saúde se torna de rotina, viram próximos, amigos”, explica. Nesses casos, os agentes de saúde costumam ser vizinhos dos pacientes, fazendo parte da comunidade e acompanhando mais de perto a rotina de saúde. Para Seu Francisco, a relação é de cuidado. “Eu fico orgulhoso com a saúde aqui da cidade, como cuidam da gente. Graças a Deus, em Bom Jesus, somos muito bem acolhidos”, diz. Quando a demanda chega em Belo Horizonte De acordo com a subsecretária de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Taciana Carvalho, a capital recebe pacientes de média e alta complexidade encaminhados de ao menos 700 municípios mineiros. Isso por meio da Programação Pactuada Integrada (PPI). “BH possui uma oferta para municípios do interior de acordo com a capacidade e pelo instrumento de programação do SUS. Assim, o município do interior referencia a capital para recebermos o paciente”, explica

López Obrador rejeita ingerência dos EUA

Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, durante entrevista coletiva no Palácio Nacional, na Cidade do México 20/06/2022 REUTERS/Edgard Garrido (Foto: REUTERS/Edgard Garrido) O governo do México rejeitou nesta segunda-feira (6) a intervenção dos militares norte-americanos, tal como solicitado pelo Congresso daquele país, para combater os cartéis da droga, situação que se agravou após o rapto de quatro cidadãos da nação vizinha, informa a Telesur. Em sua entrevista coletiva matinal, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador qualificou de “ingerência” a proposta do ex-procurador norte-americano William Barr e do congressista Dan Crenshaw de enviar militares a outros países com a desculpa de combater terroristas narcotraficantes. “Mas pior ainda que queiram usar a força militar para intervir na vida política de outro país”, disse o presidente mexicano. Barr, que foi procurador-geral dos Estados Unidos no governo de Donald Trump (2017-2021), publicou um artigo no The Wall Street Journal, no qual afirmava que o atual governo mexicano tolera grupos de narcotraficantes López Obrador rejeitou essas críticas e lembrou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos entregou ao Congresso seu relatório sobre terrorismo em fevereiro passado, no qual destacou a boa cooperação entre os dois governos. O presidente classificou como “propaganda eleitoral” a intenção de congressistas norte-americanos do conservador Partido Republicano de qualificar os cartéis mexicanos de drogas como terroristas. Ele disse que essas reivindicações vêm da mania de se considerar o governo do mundo e reiterou sua rejeição ao intervencionismo estadunidense porque o México é um país independente e soberano. A situação se agravou desde a última sexta-feira, quando quatro norte-americanos cruzaram a fronteira de Brownsville, no Texas, com destino à cidade de Matamoros, no estado de Tamaulipas, e teriam sido sequestrados por um cartel de drogas. López Obrador confirmou a notícia e destacou que seu governo, juntamente com o governador de Tamaulipas, Américo Villarreal, estão trabalhando juntos para enfrentar este e outros eventos ocorridos no estado.

Investigação da PF sobre o caso das joias correrá sob sigilo

Correrá sob sigilo o inquérito aberto pela Polícia Federal nesta segunda-feira (6) sobre o caso das joias trazidas ilegalmente para o Brasil por uma comitiva do governo Jair Bolsonaro (PL). Quem investiga o episódio é a Delegacia Especializada de Combate a Crimes Fazendários da superintendência da PF em São Paulo. “Os investigadores têm 30 dias para concluir o inquérito, mas o prazo pode ser prorrogado se houver necessidade. Uma das primeiras medidas da investigação deverá ser o depoimento de integrantes da comitiva que trouxe as joias da Arábia Saudita”, explica reportagem do Estado de S. Paulo. O inquérito foi aberto por ordem do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), que citou ‘lesões a serviços e interesses’ da União no caso. Entenda caso de joias que o governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil O governo de Jair Bolsonaro (PL) tentou trazer ilegalmente ao Brasil um conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões, de acordo com informações publicadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmadas pela CNN. O que se sabe até o momento sobre o caso: Em outubro de 2021, a Receita Federal apreendeu, no aeroporto de Guarulhos (SP), joias supostamente enviadas pela Arábia Saudita à então primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O colar, anel, relógio e par de brincos de diamantes estavam na mochila de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Na ocasião, a comitiva brasileira retornava de missão no Oriente Médio. Integrantes do governo Bolsonaro tentaram retirar os itens retidos pela Receita. A gestão solicitou o envio das joias como entrega diplomática para a embaixada da Arábia Saudita. O ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que as joias iam para acervo da Presidência e negou ilegalidade. Michelle Bolsonaro disse desconhecer o assunto em uma postagem nas redes sociais. “Eu tenho tudo isso e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês estão longe mesmo hein?, escreveu. Governo menciona envio de joias a acervo em ofício A CNN teve acesso a ofício de Bolsonaro (PL), do dia 6 de outubro de 2021, em que ele agradece ao príncipe Mohammed bin Salman Al Saud, da Arábia Saudita, pelo convite ao evento “Iniciativa Verde do Oriente Médio”, mas informa que não iria comparecer. Ele sugeriu que o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o representasse. Após o evento, Albuquerque recebeu presentes de integrantes do governo. O ex-ministro e sua equipe viajaram em voo comercial. Ao chegar em Guarulhos, no dia 26 de outubro de 2021, um dos assessores, Marcos André dos Santos Soeiro, foi impedido de levar os presentes, já que os valores ultrapassaram R$ 1 mil dólares Apuração aponta que joias eram presente para Michelle, não para governo O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Mauro Silva, disse em entrevista à CNN neste sábado (4) que elementos apurados até o momento mostram que as joias do reino da Arábia Saudita eram presente para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, não para o governo brasileiro. “Não há elementos que mostrem que a intenção era dar um presente ao governo brasileiro. Os elementos que até agora foram apurados mostram que se pretendia dar um presente à primeira-dama. E a maneira de isso ser feito foi ilegal, porque entrou como bagagem um bem destinado a um terceiro”, explica. A entrada do material em território brasileiro, segundo Mauro Silva, é ilegal, já que não respeita a definição de “bagagem”. O movimento em que uma pessoa atravessa as fronteiras com um bem destinado a um terceiro não está enquadrado no conceito. “O próprio portador deste alegado presente não afirmou que seria para o governo brasileiro, mas para a pessoa da primeira-dama. Isso retirou a condição de bagagem e trouxe as consequências legais”, disse.

Decisão burocrática de Silvio Almeida ameaça a vida de Adélio Bispo

Adélio, a irmã Maria das Graças e os advogados Edna e Alfredo: primeira visita (Foto: Rede social, divulgação e Joaquim de Carvalho) Advogados pediram que o ministro dos Direitos Humanos verificasse denúncia de abuso contra Adélio, mas Sílvio Almeida encaminhou caso para outro órgão. A situação de Adélio Bispo de Oliveira no presídio federal (segurança máxima) de Campo Grande está cada vez mais obscura, e o pedido dos advogados de uma irmã dele para verificação das condições de encarceramento não foi atendido pelo ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida Nesta sexta-feira (03/03), Maria das Graças Souza Oliveira, irmã de Adélio, esteve na Defensoria Pública da União em Montes Claros para fazer uma visita virtual, agendada há mais de um mês. Mas a visita não foi realizada porque o Departamento Penitenciário (Depen), do Ministério da Justiça, não enviou à Defensoria o código de acesso para a videoconferência. Quando faltavam cinco minutos para o final do tempo estipulado para a visita, o Depen enviou o código, mas informou que teria que fazer outro agendamento, já que não havia mais tempo para o contato entre Maria das Graças e Adélio. Com isso, Maria das Graças teve que voltar para casa sem falar com o irmão, e agora não sabe quando outra visita será agendada. Esse é outro absurdo entre tantos que cercam o caso de Adélio Bispo de Oliveira, que cumpre medida de segurança em presídio por ter confessado que esfaqueou Bolsonaro. O primeiro absurdo ocorreu quando o advogado Zanone Júnior, que o procurou para assumir sua defesa, em 7 de setembro de 2018, pediu providências que até um leigo entende ser contra o interesse do cliente. Zanone solicitou que o caso fosse julgado pela Lei de Segurança Nacional (vigente na época) e, com isso, permanecesse na Justiça Federal (e não Estadual, para onde o caso iria se o enquadramento fosse por tentativa de homicídio). Além disso, pleiteou sua transferência para um presídio federal em outro estado (longe da família) e abriu incidente de insanidade mental. O Ministério Público Federal em Juiz de Fora concordou, e o titular da 3a. Vara Federal no município, Bruno Savino, aceitou. Em 2019, depois que o próprio Zanone apresentou um laudo que considerava Adélio portador de transtorno mental, uma junta médica o examinou, e disse que se tratava de um caso de “personalidade paranoide”. Mas os agentes penitenciários informaram que ali ele não estava tomando remédio. No mesmo ano de 2019, em carta de próprio punho à Defensoria Pública da União, Adélio pediu ajuda. Queria o afastamento do advogado, em quem não confiava, e que o caso fosse assumido por um defensor público da União. A essa altura, o caso já havia sido julgado, e Adélio foi sentenciado a cumprir medida de segurança até que fosse reavaliado por médicos e considerado apto a voltar ao convívio social. Em 2020, mesmo inimputável, foi punido por indisciplina, por ter se recusado a se submeter à revista antes do banho de sol, em que teria que tirar a roupa e se abaixar. Passou quinze dias na solitária, mas a Defensoria reagiu e entrou com mandado de segurança. Se ele é inimputável, não pode receber punição por não cumprir normas do presídio, denunciou um defensor público. No mesmo ano de 2019, em carta de próprio punho à Defensoria Pública da União, Adélio pediu ajuda. Queria o afastamento do advogado, em quem não confiava, e que o caso fosse assumido por um defensor público da União. A essa altura, o caso já havia sido julgado, e Adélio foi sentenciado a cumprir medida de segurança até que fosse reavaliado por médicos e considerado apto a voltar ao convívio social. Em 2020, mesmo inimputável, foi punido por indisciplina, por ter se recusado a se submeter à revista antes do banho de sol, em que teria que tirar a roupa e se abaixar. Passou quinze dias na solitária, mas a Defensoria reagiu e entrou com mandado de segurança. Se ele é inimputável, não pode receber punição por não cumprir normas do presídio, denunciou um defensor público. Alguns meses depois, a Justiça Federal em Campo Grande concordou com a Defensoria, que entrou com outra medida: a transferência de Adélio para um hospital psiquiátrico. A Justiça Federal em Campo Grande concordou, mas o titular da 3a. Vara Federal em Juiz de Fora se opôs. Estabeleceu-se um conflito de competência, que foi parar no Supremo Tribunal Federal. Por sorteio, o caso foi para o ministro Kássio Nunes (nomeado por Bolsonaro), que liminarmente decidiu que Adélio, embora doente mental, poderia continuar no presídio federal em Campo Grande. Em julho do ano passado, Adélio voltou a ser avaliado por uma junta psiquiátrica. Os três médicos disseram que ele não poderia voltar ao convívio social, mas acrescentaram que era necessária sua transferência para um hospital, já que o quadro de saúde dele tende a se agravar. Um dos médicos aventou até a possibilidade de desenvolvimento de esquizofrenia. Adélio já não é mais defendido por Zanone Júnior, mas ele continua no processo, como curador nomeado pelo juiz Bruno Savino, de Juiz de Fora. No final do ano passado, a irmã de Adélio, que ajudou a criá-lo, entrou na Justiça para assumir sua curatela, afastando definitivamente Zanone. Mas a Justiça Estadual em Montes Claros se julgou incompetente para o julgamento, e remeteu o processo para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde nenhuma decisão foi tomada, apesar da urgência. Ao mesmo tempo, depois do laudo psiquiátrico de julho do ano passado, a Defensoria Pública em Campo Grande pediu que a Justiça Federal atenda à recomendação dos médicos e transfira Adélio para um hospital psiquiátrico. O pedido foi feito no início de fevereiro e, apesar da urgência, não foi analisado. Esta semana, o 247 procurou o juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, que recebeu o pedido de transferência. O diretor do cartório disse que o processo é sigiloso e nos remeteu para a assessoria de imprensa do Tribunal Regional da 3a. Região, que respondeu protocolarmente que providenciaria a resposta, mas até agora nada. Resposta

Ameaça ao pequi: o desafio da praga que vem devorando o símbolo do cerrado

FRUTO DE OURO – Esforços pela preservação do pequizeiro esbarram em broca que vem dizimando árvores. Ciência une esforços no combate e plantio vira reforço Por Luiz Ribeiro EM Japonvar/Lontra – Na bifurcação de uma estrada de terra que dá acesso às comunidades de Nova Minda e Melancias, na zona rural de Japonvar, a 12 quilômetros da área urbana da cidade do Norte de Minas, ao longo de décadas, um majestoso pé de pequi chamava a atenção de quem passava por lá. Mas, com cerca de 17 metros de altura, conhecida popularmente como o Pequizeirão do Entroncamento de Nova Minda, a imponente árvore morreu há cinco anos. Hoje, ainda se destaca, mas por causa do tronco e galhos secos, que são uma sombra da exuberância de outros tempos. Cenas como essa, de pequizeiros mortos, se multiplicam em outras comunidades do Norte de Minas. Resultado de uma praga que tem atacado a espécie, causando enormes prejuízos à região. Produtores, técnicos e pesquisadores travam uma luta contra a broca-do-tronco do pequizeiro, vista como uma ameaça ao fruto símbolo do cerrado. Estimativas apontam que desde que foi identificada, há oito anos, a larva colocou fim à vida de milhares de árvores na região, ao se alimentar da parte lenhosa do tronco (cerne). Com isso, impede a passagem da seiva, que alimenta a planta, levando-a parar de produzir, até provocar sua morte. “Se fosse em humanos, é como se a lagarta, ao longo do tempo, cortasse as veias que levam o sangue e oxigênio para todas as partes do corpo. Daí a morte da planta por partes, desde as raízes até os galhos mais altos, pois, se não recebem a seiva, eles vão morrer”, explica Fernando Cardoso de Oliveira, técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). Cada pequizeiro que interrompe a produção ou morre significa perda de alimento e menos dinheiro circulando nos pequenos municípios norte-mineiros, já que nesses locais a espécie nativa do cerrado exerce grande influência econômica e social. No caso de Japonvar, estudos apontam que em torno dos 50% dos pés de pequi do município foram atacados pela praga, causando grande baque na vida da população, já que 63% dos cerca de 8,3 mil habitantes locais recebem algum dinheiro catando o fruto no mato ou revendendo-o durante a safra, segundo estudo Emater-MG. Como maneira de amenizar os prejuízos e salvar a espécie, surgiu na região a iniciativa de produzir mudas da planta para recompor os pequizais. Mas a grande esperança no combate à broca do pequizeiro vem da ciência e da tecnologia. Está em andamento no Norte do estado uma pesquisa que visa desenvolver uma forma eficaz de combater e evitar a reprodução do inseto que ataca as árvores do fruto símbolo do cerrado, também conhecido como o “ouro” ou a “carne do sertão”. O estudo é coordenado por Antônio Cláudio Ferreira Costa, pesquisador do Laboratório de Entomologia da unidade da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig) em Nova Porteirinha, no Norte de Minas. Segundo ele, o trabalho consiste em um estudo do controle da população da broca do pequizeiro, “usando princípios agroecológicos e a colaboração dos produtores rurais proprietários dos pequizeiros, dos catadores de pequi e dos extensionistas da Emater-MG”. “O objetivo é extrair a substância que a mariposa fêmea libera para atrair os machos (feromônio sexual feminino) e utilizá-la como isca em armadilhas para capturar os machos e, assim, reduzir a multiplicação do inseto”, explica Costa. O pesquisador salienta que o estudo foi iniciado em 2019, após a Emater-MG ter procurado o Laboratório da Epamig em Nova Porteirinha, no chamado Campo Experimental do Gorutuba. O experimento tem financiamento do Fundo Pró-Pequi de Minas Gerais, com o apoio das prefeituras dos municípios atingidos pela broca. O estudioso da Epamig lembra que a ocorrência da praga que ataca a árvore símbolo do cerrado não está restrita ao Norte de Minas. O inseto já foi coletado em pequizeiros em Sete Lagoas, na Região Central mineira, e no vizinho estado de Goiás. ATAQUES REDUZEM RESISTÊNCIA À SECA O pesquisador Antônio Cláudio Costa salienta que a broca do pequizeiro acaba deixando os pés de pequi menos resistentes ao clima semiárido e mais expostos a doenças e ataques de outros insetos. “O ataque da lagarta causa redução na circulação da seiva, tornando os pequizeiros menos produtivos, mais suscetíveis a doenças e a outras pragas, além de ficarem menos tolerantes a estiagens prolongadas e ventos fortes”, explica. O técnico da Emater-MG Fernando Cardoso ressalta que a colheita predatória, quando se arranca o fruto no pé – o ideal é esperar que caia ao chão –, acaba facilitando o ataque da praga. “Quando a pessoa retira o pequi do pé antes do tempo correto, sem esperar o fruto cair, deixa uma lesão na planta, que acaba servindo como porta de entrada para doenças e pragas. Isso facilita o ataque da broca”, explica Cardoso. Ele ressalta que no Norte de Minas houve um ataque mais severo aos pequizeiros em 2017, com maior incidência nos lugares onde mais se cata o fruto da espécie nativa. União contra a ameaça biológica Diante da ameaça biológica aos pequizais, em municípios do Norte de Minas, está sendo promovida mobilização de produtores rurais proprietários de pequizeiros e de catadores de pequi para participar da pesquisa para controle da broca do pequizeiro. A ideia é que o combate ocorra sem agrotóxicos, mas aplicando informações sobre a comunicação química entre mariposas machos e fêmeas da praga. Porém, especialistas advertem que esse tipo de iniciativa não pode ser localizada. Hoje, a ação conta com a parceria de extensionistas da Emater-MG, sindicatos rurais, associações de produtores e prefeituras. “É necessário expandir essa iniciativa, transformando-a em  campanha de mobilização para todas as regiões de ocorrência de pequizeiros no estado de Minas Gerais. Por isso, convocamos todos os cidadãos mineiros a se juntarem a esse esforço para preservar o pequizeiro e a sustentabilidade do extrativismo do pequi”, conclama o pesquisador da Epamig Antônio Cláudio Costa. Ele pede ainda a